Marcado: ética jornalística
padrões éticos para o jornalismo online
Os jornalistas britânicos andam bastante preocupados com o nível de seu jornalismo, afinal não está fácil pra ninguém, né? Grampos do News of the World… Relatório Leveson… as últimas denúncias de abusos sexuais de apresentadores da BCC…
Comentei no objETHOS sobre um evento que discutiu padrões éticos para o jornalismo online. O News:Rewired acaba de publicar um vídeo com um painel dessa discussão. Vale ver…
links para um domingo à noite
Fiz uma faxina nos links recolhidos na semana e destaco cinco cliques:
- Práticas Jornalísticas é o blog do projeto de pesquisa O controle discursivo que toma forma e circula nas práticas jornalísticas, coordenado pela Beatriz Marocco, professora e pesquisadora da Unisinos. Vale conferir as entrevistas com jornalistas brasileiros falando de seus métodos de trabalho.
- De olho na cobertura das explosões na Maratona de Boston, o blog Chat Girl fez um resumão dos erros jornalísticos pela mídia, por causa da pressa, da checagem de informações mal feita…
- Por falar na montanha dos erros, o colunista da Reuters Jack Shafer aborda as muitas repercussões do tema, e a importância da audiência em apontar as derrapadas dos jornalistas.
- Conheça o Manual de Periodismo de Datos, resultado de um curso em 2011 do European Journalism Centre e a Open Knowledge Foundation em Londres. A versão está em espanhol e em contínua atualização.
- Adivinhem quem é o campeão mundial em pedidos para retirada de conteúdos online? Segundo um relatório de transparência do Google, é o Brasil…
com criança pode?
Só hoje assisti ao vídeo em que José Genoino “fala” ao CQC, transmitido na segunda passada, 25. E confesso: pensei três, quatro vezes se escreveria sobre isso. Na verdade, me fez mal o que vi. Fiquei incomodado. Não com o cerco que os personagens do programa fazem aos políticos em Brasília, nem com a pegação de pé habitual com Genoino. Duas coisas me chamaram a atenção no vídeo: a gana do CQC Mauricio Meireles para humilhar o deputado e a cilada que armou para que Genoino respondesse ao programa.
Eu poderia descrever, mas é melhor ver com os próprios olhos:
Viu? Pois é, não vou discutir se Genoino é corrupto ou não. Fato é que ele foi condenado pelo STF pelo escândalo do Mensalão. Outro fato que também não pode ser ignorado é a sua biografia na vida política nacional. Mas, como disse, não vou entrar nessa polêmica. Só vou me prender aos dois aspectos que me causaram mal estar ao ver o vídeo. E para isso vou lançar perguntas ao léu, que você – leitor – pode se atrever a responder ou não…
- é correto ensaiar uma criança para repetir perguntas capciosas para alguém?
- é certo que o seu pai filme uma conversa em ambiente privado – um gabinete – para tentar “flagrar” algum deslize do político?
- a criança em questão sabia o que estava fazendo? se não sabia, de quem é a responsabilidade por aquilo?
- o homem que a acompanhava era mesmo seu pai?
- durante meses, o CQC tentou arrancar declarações de Genoíno e sempre em ambientes públicos. É legítimo que se valha de uma troca de palavras em ambiente privado para fazer tanto alarde?
- o CQC precisava usar uma criança para ter esse efeito?
- a frase de Genoíno – de que o PSDB tinha “lábia” e por isso não saía o julgamento do Mensalão tucano – era alguma confissão de culpa ou algo que o incriminasse?
- o CQC é um programa jornalístico ou humorístico?
- se o CQC for um programa jornalístico, quem é o diretor responsável que deveria responder por eventual uso indevido de um menor no vídeo?
- se for um programa jornalístico, o CQC se baseia em que princípios jornalísticos? E quais princípios éticos?
- se for um programa humorístico, o CQC deve ter limites? Quais?
- pode-se discutir limites de programas humorísticos sem despencarmos para a velha discussão sobre censura?
- programas humorísticos transmitidos pela TV aberta também se enquadram no que dizem a Constituição Federal, a legislação sobre radiodifusão pública e o Estatuto da Criança e do Adolescente?
- a declaração de Genoíno traz algo de novo (jornalisticamente falando) ao caso do Mensalão ou a qualquer outro?
- pegadinha é um recurso jornalístico?
- pegação no pé é uma técnica jornalística?
- usar uma criança para armar uma arapuca com alguém (quem quer que seja!) é engraçado?
- onde está a graça em humilhar e ofender as pessoas, mesmo as condenadas na justiça?
- até onde pode-se ir na tv brasileira?
Sim, isso tudo me embrulhou o estômago…
chyperpunks, criptojornalismo e assange
Coincidências, ah, as coincidências… Bem na semana em que começo a ler “Cypherpunks – liberdade e futuro da internet”, o novo livro de Julian Assange, tropeço em “Cryptoperiodismo – manual ilustrado para periodistas”, de nelson fernandes (assim mesmo, sem iniciais maiúsculas) e Pablo Mancini. O primeiro traz quase 170 páginas de diálogo do rosto à frente do Wikileaks com três importantes ativistas e programadores sobre quebra de privacidade na web, segurança, vigilância e outros temas relacionados. Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn e Jérémie Zimmermann dividem com Assange preocupações sobre a nossa convivência online no presente e além. De quebra, fortalecem o movimento dos chyperpunks, os criptopunks, que defendem privacidade para as pessoas comuns e transparência para os poderosos. Polêmico, instigante, atual.
“Cryptoperiodismo” não mergulha tanto, mas vai na mesma trilha: a necessidade de os jornalistas se resguardarem em ambientes virtuais, preservando identidade, fontes e informações. É um guia, em espanhol, e disponível no site do livro.
Se você é jornalista ou não, pouco importa. Mas se eu fosse você, não desviaria dos alertas que esses dois livros trazem. Na pior das hipóteses, fazem a gente pensar.
regulação de mídia no reino unido
Os britânicos levam a mídia muito a sério. Eles têm órgãos fortes que atuam nesse campo, têm regras rígidas e um sistema de comunicações que compreende a dimensão dos cidadãos na equação comunicativa. Mesmo com tudo isso acontecem algumas barbaridades por lá, e o caso mais evidente é o escândalo dos grampos do News of the World.
Recentemente, foi lançado um amplo relatório – com quase 2 mil páginas! – tratando de questões relativas à cultura, à sociedade, à política, à ética e aos meios de informação.
O aspecto mais forte é que há um entendimento de que a mídia precisa de uma nova regulação nas terras da rainha…
Você pode ler o Leveson Inquiry aqui, mas se quiser uma mãozinha, The Guardian te dá: veja um sumário visual do documento…
Já pensou um negócio desses por aqui?
duas questões éticas na semana
Dois episódios em latitudes distintas, envolvendo jornalistas, ajudam a fechar a semana com a cabeça fervilhante. São eventos provocantes, que nos levam a fazer sérios e oportunos questionamentos éticos:
No Reino Unido, a Press Complaints Comission julgou que usar fotos retiradas de páginas do Facebook não é uma violação ética. Que implicações isso pode ter em termos de privacidade e uso de materiais de terceiros?
No Brasil, um sequestro terminou após o apresentador de TV José Luiz Datena negociar a liberação dos reféns, ao vivo, pela TV. Felizmente, tudo terminou bem. Mas fica a pergunta: até onde o jornalista pode ir em casos delicados como este?
A pensar…
conferência sobre ética jornalística
A Faculdade de Comunicação da Universidade de Sevilha, na Espanha, está divulgando a chamada de textos para a segunda edição da Conferência Internacional sobre Ética Jornalística. O evento acontece em abril de 2013, e contribuições são aceitas até 15 de março.
Mais informações em: http://congreso.us.es/mediaethics/index.html
mudanças no jornalismo: um evento, uma pesquisa
Participo hoje do Seminário “Mudanças no Mundo do Trabalho dos Jornalistas” na ECA/USP, a convite da professora Rosely Fígaro. A atividade é uma iniciativa do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT) e está reunindo pesquisadores, profissionais e interessados para discutir transformações na área. Na semana passada, por exemplo, o convidado foi o jornalista Luciano Martins Costa, que tem larga experiência profissional e é um arguto analista da mídia com forte presença no Observatório da Imprensa. Na semana que vem, meu amigo Jacques Mick, professor do Departamento de Sociologia Política da UFSC, deve falar sobre a pesquisa que coordena para traçar um perfil do jornalista brasileiro.
Hoje, devo orientar minha fala para tratar da crise do jornalismo e da dimensão ética que perpassa esse cenário.
Acho muito importante a realização de eventos deste tipo, que juntam academia e mercado para debater soluções comuns para a atividade jornalística. O fosso que separa o setor produtivo da universidade interessa a quem, afinal?
Se você tem curiosidade sobre este assunto, pode acompanhar o debate de hoje à noite pelo IPTV-USP ao vivo. Basta clicar aqui.
Se quer participar da pesquisa que tenta recensear os jornalistas no Brasil, clique aqui.
mudanças no mundo do trabalho dos jornalistas
O Centro de Pesquisa Comunicação e Trabalho (CPCT) realizará o Ciclo de Seminários As Mudanças no Mundo do Trabalho dos Jornalistas para divulgar os resultados da pesquisa O perfil do jornalista e os discursos sobre o jornalismo. Um estudo das mudanças no mundo do trabalho do jornalista profissional em São Paulo, realizada entre 2009 e 2012 com apoio da FAPESP. Este Ciclo de Seminários propõe-se a discutir sobre o perfil dos jornalistas a partir do ponto de vista do profissional sobre o seu trabalho. Os dados sobre o perfil e as falas dos jornalistas profissionais foram coletados durante o desenvolvimento do projeto.
A pesquisa realizou o estudo proposto a partir do binômio comunicação e trabalho, o qual mobiliza o ponto de vista da atividade humana (ergológica) para entender as práticas profissionais no contexto da fusão de mídias e de relações de trabalho cada vez mais precárias. O projeto abordou o objeto empírico – amostra de jornalistas profissionais em São Paulo – a partir de métodos quantitativos e qualitativos, e os dados foram analisados por meio da Análise do Discurso.
Obtém-se como resultado um mapa do perfil do profissional de jornalismo e o ponto de vista deste profissional sobre seu trabalho, para que se possa entender qual o compromisso dele com o direito à informação, bem como poder traçar caminhos mais profícuos para a sua formação universitária. Neste Ciclo serão apresentados o desenvolvimento e os resultados da pesquisa, além de contar com a participação do jornalista Luciano Martins Costa no dia 08/10 e dos Professores Rogério Christofoletti (no dia 18/10) e Jacques Mick no dia 23. Nos três dias o evento contará com a presença dos professores Roseli Fígaro (ECA/USP, coordenadora do CPCT e da pesquisa), Maria Aparecida Baccega (vice-coordenadora do CPCT, ECA/USP e ESPM) e José Coelho Sobrinho (ECA/USP). Veja a programação completa:
Seminário O Mundo do Trabalho dos Jornalistas
Coordenadora:
Roseli Fígaro - Profa. Livre-docente do Departamento de Comunicações e Artes da ECA/USP, coordenadora do CPCT.
Convidados:
Luciano Martins Costa: 8/10 (segunda-feira) no Centro Universitário Maria Antonia USP (Rua Maria Antonia, 258 e 294, Vila Buarque), SP
Rogério Christofoletti: 18/10 (quinta-feira) na ECA/USP – Auditório Lupe Cotrim (Av.Prof. Lucio Martins Rodrigues, 443, 2ºandar)
Jacques Mick: 23/10 (terça-feira) na ECA/USP – Auditório Lupe Cotrim (Av.Prof. Lucio Martins Rodrigues, 443, 2ºandar)
Debatedores (presentes a todos os eventos):
Maria Aparecida Baccega – Profa. Livre-docente, vice-coordenadora do CPCT da ECA-USP e orientadora no Programa de Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM.
José Coelho Sobrinho (Prof. Titular e chefe do Depto de Jornalismo e Editoração da ECA-USP).
Inscrições: grátis. Enviar e-mail para comunicacaoetrabalho@gmail.com com nome completo, contato e instituição/vínculo até a véspera do evento.
(reproduzido do site do grupo de pesquisa)
30 códigos de ética juntos!
Não comentei aqui antes, mas faço agora. O Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) retomou suas atividades deste semestre na semana passada e lançou seu primeiro e-book, contendo trinta códigos de ética jornalística devidamente traduzidos para o português. A Coleção objETHOS de Códigos Deontológicos é gratuito, tem 151 páginas, e arquivo de 1,4 Mega em documento PDF.
