Marcado: jornalismo

cada uma que aparece…

Deu entrada ontem na Câmara de Vereadores de Itajaí um projeto de lei que ilustra o despreparo e o desconhecimento dos vereadores sobre o funcionamento da imprensa e da própria sociedade. O proponente, Douglas Cristino (PSD), quer agora que a imprensa local seja obrigada a informar, em matérias de crime, a naturalidade dos suspeitos e acusados.

Isso mesmo!

O vereador acha que jornalistas que cobrem a polícia têm acesso a todas as informações…

O vereador acha que essa informação é mesmo relevante…

O vereador acha que pode decidir sobre o que a imprensa deve informar…

O vereador acha que, com a medida, vai provar que os criminosos na cidade são de fora…

O vereador acha que a atitude criminosa esteja ligada à origem do autor de um delito…

O vereador acha que, provando que os criminosos são forasteiros, ele estará fazendo o seu trabalho como parlamentar municipal…

O vereador acha que sua proposta é constitucional, necessária e importante… Nada disso.

perfil do jornalista: lançamento

capa-livro-jornalistas-01O Núcleo de Estudos sobre Transformações no Mundo do Trabalho da Universidade Federal de Santa Catarina (TMT/UFSC) lança, na próxima segunda-feira (6 ), o relatório Perfil do jornalista brasileiro – Características demográficas, políticas e do trabalho jornalístico em 2012.

A publicação apresenta os resultados de enquete com 2.731 profissionais, realizada entre setembro e novembro do ano passado pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política (PPGSP), em convênio com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). O projeto teve o apoio da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ).

O estudo foi coordenado pelos professores Alexandre Bergamo, Jacques Mick e Samuel Lima. O lançamento ocorre às 19h, no miniauditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas. A programação prevê a apresentação dos principais resultados da pesquisa e análises sobre a relevância do estudo para os campos da sociologia e do jornalismo no Brasil, pelos coordenadores do PPGSP, Ricardo Gaspar Müller, e do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC (POSJOR), eu, e pela professora do PPGSP Maria Soledad Etcheverry Orchard e pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Valmor Fritsche.

padrões éticos para o jornalismo online

Os jornalistas britânicos andam bastante preocupados com o nível de seu jornalismo, afinal não está fácil pra ninguém, né? Grampos do News of the World… Relatório Leveson… as últimas denúncias de abusos sexuais de apresentadores da BCC…

Comentei no objETHOS sobre um evento que discutiu padrões éticos para o jornalismo online. O News:Rewired acaba de publicar um vídeo com um painel dessa discussão. Vale ver…

links para um domingo à noite

Fiz uma faxina nos links recolhidos na semana e destaco cinco cliques:

  • Práticas Jornalísticas é o blog do projeto de pesquisa O controle discursivo que toma forma e circula nas práticas jornalísticas, coordenado pela Beatriz Marocco, professora e pesquisadora da Unisinos. Vale conferir as entrevistas com jornalistas brasileiros falando de seus métodos de trabalho.
  • De olho na cobertura das explosões na Maratona de Boston, o blog Chat Girl fez um resumão dos erros jornalísticos pela mídia, por causa da pressa, da checagem de informações mal feita…
  • Por falar na montanha dos erros, o colunista da Reuters Jack Shafer aborda as muitas repercussões do tema, e a importância da audiência em apontar as derrapadas dos jornalistas.
  • Conheça o Manual de Periodismo de Datos, resultado de um curso em 2011 do European Journalism Centre e a Open Knowledge Foundation em Londres. A versão está em espanhol e em contínua atualização.
  • Adivinhem quem é o campeão mundial em pedidos para retirada de conteúdos online? Segundo um relatório de transparência do Google, é o Brasil…

hoje tem simpósio de pesquisa em jornalismo

Acontece hoje e amanhã no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo o 3ª Simpósio de Pesquisa Avançada em Jornalismo, reunindo pesquisadores, coordenadores de cursos de pós-graduação, representantes das agências de fomento nacionais e de associações científicas da comunicação.

As atividades acontecem no Auditório Henrique da Silva Fontes, no CCE/UFSC, Florianópolis. O evento é gratuito, com inscrições no local e com transmissão ao vivo.

O Simpósio tem patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa e à Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e apoio da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da UFSC, Associação Catarinense de Imprensa (ACI) e Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (SJSC).

Confira a programação:
DIA 18 DE ABRIL

Das 14h30 às 16h15
Mesa 1: Fomento à Pesquisa em Jornalismo
> Maria Helena Weber (coordenadora da área de Comunicação na Capes)
> Othon Jambeiro (representante de área no CNPq)
Mediadora: Gislene Silva (POSJOR/UFSC)

Das 16h30 às 18h30
Mesa 2: Pesquisa em Jornalismo, o olhar das sociedades científicas
> Luciana Mielniczuk (diretora científica da SBPJor)
> Antonio Hohlfeldt (presidente da Intercom)
> Itânia Gomes (vice-presidente da Compós)
Mediador: Eduardo Meditsch (POSJOR/UFSC)

DIA 19 DE ABRIL

Das 9h às 12h30
Mesa 3: Inovação, Projetos e Perspectivas da Pesquisa em Jornalismo (parte 1)
> Kelly Prudencio (coordenadora do PPGCom da UFPR – PR)
> Antonio Carlos Hohlfeldt (pesquisador representante do PPGCom da PUC-RS)
> Claudia Quadros (coordenadora do PPGCom da UTP – PR)
> Beatriz Marocco (pesquisadora representante do PPGCom da Unisinos-RS)
> Sérgio Luiz Gadini (coordenador do PPGCom da UEPG – PR)
Mediador: Francisco José Castilhos Karam (POSJOR/UFSC)

Das 14h30 às 17h30

Mesa 4: Inovação, Projetos e Perspectivas da Pesquisa em Jornalismo (parte 2)
> Eugenia Maria Mariano da Rocha Barichello (coordenadora do PPGCom da UFSM – RS)
> Alberto Carlos Augusto Klein (pesquisador representante do PPGCom da UEL-PR)
> Virginia Pradelina da Fonseca (pesquisadora representante do PPGCom da UFRGS – RS)
> Rogério Christofoletti (coordenador do POSJOR – SC)
Mediadora: Cárlida Emerim (POSJOR/UFSC)

com criança pode?

Só hoje assisti ao vídeo em que José Genoino “fala” ao CQC, transmitido na segunda passada, 25. E confesso: pensei três, quatro vezes se escreveria sobre isso. Na verdade, me fez mal o que vi. Fiquei incomodado. Não com o cerco que os personagens do programa fazem aos políticos em Brasília, nem com a pegação de pé habitual com Genoino. Duas coisas me chamaram a atenção no vídeo: a gana do CQC Mauricio Meireles para humilhar o deputado e a cilada que armou para que Genoino respondesse ao programa.

Eu poderia descrever, mas é melhor ver com os próprios olhos:

Viu? Pois é, não vou discutir se Genoino é corrupto ou não. Fato é que ele foi condenado pelo STF pelo escândalo do Mensalão. Outro fato que também não pode ser ignorado é a sua biografia na vida política nacional. Mas, como disse, não vou entrar nessa polêmica. Só vou me prender aos dois aspectos que me causaram mal estar ao ver o vídeo. E para isso vou lançar perguntas ao léu, que você – leitor – pode se atrever a responder ou não…

- é correto ensaiar uma criança para repetir perguntas capciosas para alguém?

- é certo que o seu pai filme uma conversa em ambiente privado – um gabinete – para tentar “flagrar” algum deslize do político?

- a criança em questão sabia o que estava fazendo? se não sabia, de quem é a responsabilidade por aquilo?

- o homem que a acompanhava era mesmo seu pai?

- durante meses, o CQC tentou arrancar declarações de Genoíno e sempre em ambientes públicos. É legítimo que se valha de uma troca de palavras em ambiente privado para fazer tanto alarde?

- o CQC precisava usar uma criança para ter esse efeito?

- a frase de Genoíno – de que o PSDB tinha “lábia” e por isso não saía o julgamento do Mensalão tucano – era alguma confissão de culpa ou algo que o incriminasse?

- o CQC é um programa jornalístico ou humorístico?

- se o CQC for um programa jornalístico, quem é o diretor responsável que deveria responder por eventual uso indevido de um menor no vídeo?

- se for um programa jornalístico, o CQC se baseia em que princípios jornalísticos? E quais princípios éticos?

- se for um programa humorístico, o CQC deve ter limites? Quais?

- pode-se discutir limites de programas humorísticos sem despencarmos para a velha discussão sobre censura?

- programas humorísticos transmitidos pela TV aberta também se enquadram no que dizem a Constituição Federal, a legislação sobre radiodifusão pública e o Estatuto da Criança e do Adolescente?

- a declaração de Genoíno traz algo de novo (jornalisticamente falando) ao caso do Mensalão ou a qualquer outro?

- pegadinha é um recurso jornalístico?

- pegação no pé é uma técnica jornalística?

- usar uma criança para armar uma arapuca com alguém (quem quer que seja!) é engraçado?

- onde está a graça em humilhar e ofender as pessoas, mesmo as condenadas na justiça?

- até onde pode-se ir na tv brasileira?

Sim, isso tudo me embrulhou o estômago…