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essa época…

capa_781_1A revista Época perguntou na semana passada em sua capa por que tudo atrasa no Brasil… pois eu pergunto: por que ela não usou um ponto de interrogação já que fez uma indagação, conforme se percebe na grafia do “por que”???

Foi-se a época em que revistas escreviam certo…

mestres e doutores…

Esses seres iluminados, plenos em sua racionalidade, rigorosos como o aço temperado… ahhhh… mestres e doutores são criaturas complexas, difíceis de se traduzir num maltrapilho post como este.

Desta feita, sugiro que devorem o livro “Mestres 2012: demografia da base técnico-científica brasileira”, lançado agorinha pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) – e que pode ser baixado aqui -, e avancem um nível com “Doutores 2010: Estudos da demografia da base técnico-científica brasileira” – com download aqui.

Agora, se após a leitura desses compêndios, você não compreender as muitas camadas que compõem esses entes magníficos, ora!, está na hora de você fazer um mestrado, um doutorado…

crimes contra jornalistas: impunidade!

impunity3_1A IFEX, uma das mais atuantes organizações não-governamentais no campo da liberdade de expressão, divulgou há pouco um relatório sobre a impunidade em crimes contra jornalistas na América Latina e Caribe. O documento aborda casos ocorridos em 2012 no Chile, Bolívia, Peru, Argentina, Brasil, Guatemala, México, Caribe, Honduras, Colômbia, Equador e Venezuela. São 66 páginas, em formato PDF, em espanhol e com arquivo de 11,67 Megas.

Vale a pena conferir e acompanhar a evolução de casos tão polêmicos e revoltantes.

Como está o Brasil nessa história toda? Nada bem…

520 páginas e uma década de quadrinhos

Não são muitos os títulos nas livrarias brasileiras sobre quadrinhos. Me refiro a livros, já que – cada vez mais e ainda bem! – as livrarias têm destinado algum espaço para as HQs nos últimos anos. De uns tempos pra cá, publicações em capa dura, em formatos diversos, para distintos bolsos têm cavado espaço nas estantes, mostrando que quadrinhos são produtos rentáveis para várias faixas de público… mas eu dizia que o mercado editorial nacional tem poucos livros sobre quadrinhos… Se você acompanha a área, deve se lembrar de Alvaro de Moya, Moacy Cirne, Goida ou Gonçalo Jr, cujos trabalhos ajudam a compreender a história das HQs. São referenciais indispensáveis, mas que voltam as cabeças ora para outras geografias, ora para décadas remotas…

E se você quer algo com maior frescor, calma, seus problemas acabaram! A Devir lançou neste ano “Revolução do Gibi”, livro que promete (e cumpre) escanear a primeira década deste século, período que ajudou a definir uma nova cara para o mercado de quadrinhos no país. Quem assina o livro é o jornalista Paulo Ramos, titular do Blog dos Quadrinhos e um dos principais nomes na cobertura especializada.

O livro é, na verdade, uma coletânea de textos e posts já publicados que, juntos, compõem um completo e complexo mosaico do que aconteceu de mais importante na área por aqui. Por si só, a compilação já teria valor na medida em que recupera fatos e permite uma visão linearmente histórica. Mas Paulo Ramos “atualiza” os posts com comentários, quase sempre complementando informações ou desfazendo mal entendidos.

Dividido em vinte seções, “Revolução do Gibi” organiza os conteúdos em temas como as produções na internet, o uso das HQs na escola, as adaptações literárias, a febre das graphic novels, o circuito independente, os mangás, as tirinhas, as polêmicas, além de episódios que realçam velhos mestres (Mauricio de Sousa, Laerte, Angeli, Glauco…) e talentos mais atuais (Fábio Moon, Gabriel Bá, Rafael Coutinho, Grampá, João Montanaro…). Tem de tudo, de tudo mesmo. Se você ficou fora do ar nos últimos dez anos, taí uma ótima chance de zerar a fatura.

Bem escrito e muito informativo, o livro só tem dois defeitinhos na minha opinião. O primeiro é o título, que é muito alegórico e não faz jus ao que ali vai se encontrar. O segundo está nas margens do livro, muitíssimo estreitas, o que dificulta a leitura da extrema direita nas páginas pares, muito coladas à costura, e oferece um bloco muito largo de texto, fácil de a gente cair de uma linha para outra… É muito possível que os editores da Devir tenham optado por margens tão estreitas para um maior aproveitamento da espessura da página, evitando que o livro ficasse muito grosso. Vã ilusão! Mesmo assim, a “Revolução do Gibi” chega aos leitores com 520 páginas. É um tijolaço, mas que se devora fácil-fácil…

é hoje! reportagem, pesquisa e investigação

Eu e Samuel Lima tivemos o prazer e o privilégio de organizar mais um livro resultante do Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo, o Bapijor. Com Francisco José Castilhos Karam, criamos o evento em 2011, e naquele mesmo ano, lançamos “Jornalismo Investigativo e Pesquisa Científica: fronteiras”, com capítulos assinados por jornalistas e acadêmicos dos dois países.

Agora, propusemos avançar um pouco mais. E com “Reportagem, Pesquisa e Investigação” (também editado pela Insular), pretendemos oferecer alguma contribuição para se pensar métodos para o jornalismo investigativo e a pesquisa acadêmica que se faz sobre esse tema.

Lançaremos inicialmente no Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, HOJE (9/11), às 20 horas, na PUC em Curitiba. Ficou curioso? Então, veja o sumário abaixo, e a seguir uma apresentação do livro. (Em breve, nas melhores e piores casas do ramo…)

Sumário

Apresentação: Um discurso pelo método – Rogério Christofoletti

Prefácio: Livre de preconceitos – Mauro César Silveira

>> Parte 1 – Cenários e Desafios

La calidad informativa en contextos digitales – Lila Luchessi

Governos progressistas e meios de comunicação na América Latina – Guillermo Mastrini

O repórter, o pesquisador e a apuração – Francisco J. Castilhos Karam

Oncotô?, doncovim?, proncovô? – Mylton Severiano

Riscos (e avanços) do Jornalismo na profissão e na academia – Valci Zuculoto

Risco Jornalístico, uma questão de Direitos Humanos – Luciana Kraemer

>> Parte 2 – Questões de Método

Jornalismo investigativo e metodologia de pesquisa indiciária – Samuel Lima

Técnicas de la investigación social: el método científico aplicado a la investigación periodística – Sandra Crucianelli

Métodos de Pesquisa e Investigação – Daniela Arbex

Um pouco de sol para o Paraná – James Alberti

Investigação jornalística de encomenda e a extinção dos intelectuais nas redações brasileiras – Leandro Fortes

Telejornalismo com Antropologia e sem câmeras ocultas – Antonio Brasil

Apresentação: um discurso pelo método

Uma das principais dificuldades em qualquer atividade humana é sistematizar conhecimentos. Ordenar ideias, selecionar as que melhor funcionam e fazer descartes é trabalhoso e angustiante. Mas também necessário e recompensador. Aglutinar dados, promovê-los à condição de informação e oferecer a melhor síntese de um conceito ou procedimento interessa não só a quem se dedica a pensar, mas também a quem faz.

O jornalismo se ressente da carência de métodos. Mesmo com uma história universal ligada ao desenvolvimento das sociedades e aos avanços da tecnologia, essa atividade carece da reunião de conhecimentos para a proposição de padrões de ação. Muitas vezes, os saberes são lapidados a duras penas no dia a dia e ficam espalhados, ajudando a consolidar a sensação de que a área é frágil conceitualmente, não tem tradição de trabalho nem massa crítica. Com isso, a dispersão dos conhecimentos empíricos contribui não apenas para a fragmentação da área, mas também para o aprofundamento de uma fissura que insiste em distanciar o mundo do trabalho (o mercado, a indústria e a categoria profissional) da academia (a pesquisa, a experimentação e a formação de novas levas de jornalistas). Existem ainda saberes construídos nas universidades e centros de pesquisa e que lá ficam confinados, como se fizessem parte de um estoque intocável de bens perecíveis.

Tanto num caso como em outro, são perdidos tempo, energia e recursos, que podem impedir que o jornalismo avance justamente porque não sedimentou práticas, não definiu padrões, não pacificou entendimentos. Não se trata apenas de produzir manuais de reportagem, mas de pensar a teoria e a prática a partir dos procedimentos aperfeiçoados no cotidiano, suas dificuldades, impasses e inconsistências. Não se trata também de despejar sobre os jornalistas uma avalancha de ditames que burocratizem o trabalho das redações, que atravanquem o fluxo das informações e engessem suas ações. Mas consolidar métodos de apuração, de investigação de dados, e de tradução e empacotamento da informação são muito bem-vindos na medida em que cristalizam e disseminam os acertos e as melhores práticas na área.

No que concerne ao jornalismo investigativo – aquele que força os limites quase nunca complacentes dos poderes para revelar crimes, imoralidades e abusos –, ainda há muito a se produzir em termos de metodologia. Seja criando e testando técnicas, seja formulando e buscando novas formas de abordagem. Sem deixar de identificar critérios de análise e síntese e, em muitas ocasiões, redobrando os cuidados éticos. A se julgar por sua etimologia, que remonta ao grego antigo e significa “caminho”, a palavra “método” é um oceano a ser explorado no jornalismo, ainda mais nos dias atuais, quando as sociedades se tornaram mais complexas e a revelação de histórias ocultas se mostra mais urgente.

A multiplicação e descentralização de bancos de dados digitais, a exigência crescente dos cidadãos por abertura e transparência de governos e organizações, os muitos avanços tecnológicos, tudo isso contribui para o desenvolvimento de novas técnicas e de novos métodos para averiguar e investigar jornalisticamente. Cabe aos profissionais da informação se habilitarem a explorar essas oportunidades e a recolherem as melhores lições desses usos. Há que se pensar e agir com senso de oportunidade!

O livro que o leitor tem em mãos objetiva fustigar o debate em torno da necessidade do método na reportagem. Resultado do 2º Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo (Bapijor), que aconteceu em abril de 2012 em Florianópolis, o livro reúne textos de acadêmicos e jornalistas num diálogo impetuoso e franco. O evento foi uma promoção do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (POSJOR/UFSC) e Observatório da Ética Jornalística (objETHOS), com patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). Como em “Jornalismo Investigativo e Pesquisa Científica: Fronteiras” (também editado pela Insular em 2011), este volume atrai formulação científica, experiência profissional, observação de cenários e proposição de reflexões e práticas. São nossos interlocutores nas próximas páginas os jornalistas Daniela Arbex, James Alberti, Leandro Fortes, Luciana Kraemer, Mylton Severiano e Sandra Crucianelli, bem como os pesquisadores Antonio Claudio Brasil, Francisco José Karam, Guillermo Mastrini, Lila Luchessi, Samuel Lima e Valci Zuculoto, a quem agradecemos pela generosidade no compartilhamento de suas ideias e angústias pessoais sobre o tema.

Agradecemos ainda aos mediadores dos painéis do Bapijor – Antonio Brasil, Carlos Castilho, Luís Meneghim e Simone Kafruni – e à equipe de trabalho que tornou o evento possível: Cândida de Oliveira, Carolina Dantas, Carolina Pompeo Grando, Gian Kojikowski, Janara Nicoletti, Lucas Pasqual, Patricia Pamplona, Vanessa Hauser, Vinicius Schmidt e Wesley Klimpel.

As páginas a seguir retomam pontos importantes dos debates já ocorridos, devidamente ampliados e atualizados. Os lugares de fala são variados, o que reforça uma rica heterogeneidade, evidenciando também a multiplicidade de caminhos a perseguir. Nada mal. Talvez esteja aí a primeira atitude a assumir no jornalismo investigativo: compreender e conjugar o método numa perspectiva plural.

10 anos que abalaram a mídia

Lembra do livro do John Reed? “Dez dias que abalaram o mundo” trazia um relato pungente e testemunhal da revolução de 1917 na Rússia. É obra importante e influente do jornalismo. Pois o Instituto Reuters para Estudo do Jornalismo acaba de lançar um relatório de pesquisa cujo título lembra bastante o livro de Reed: “Dez anos que chocaram o mundo da mídia”.

O estudo se debruça sobre a primeira década deste século e milênio, observando os mercados de seis democracias fortes e ricas e dois países emergentes, um deles o Brasil. São 75 páginas, em inglês, formato PDF e com arquivo de 4,8 megas de tamanho. Acesse aqui.

(cabalístico: este é o post número 2012 deste blog…)