Europa vai atualizar regras de privacidade eletrônica

(reproduzido da EPIC)

A Comissão Europeia apresentou hoje (10/1) a sua proposta de atualização da legislação da União Europeia relativa às salvaguardas em matéria de privacidade e segurança para as comunicações electrônicas. A renovação do regulamento de privacidade eletrônica estenderia novas e importantes proteções aos usuários de todos os serviços de comunicações on-line, incluindo e-mail, mensagens instantâneas e mídias sociais. A proposta protege tanto o conteúdo das comunicações como os metadados, limitando o rastreamento dos usuários da Internet. Nos Estados Unidos, a Federal Comission Communication adotou recentemente modestas regras de privacidade que se aplicam apenas aos serviços de banda larga oferecidos pelas empresas de telecomunicações, apesar dos conselhos repetidos da EPIC à FCC para abordar “toda a gama de problemas de privacidade de comunicações enfrentados pelos consumidores norte-americanos”. A atualização da diretiva relativa à privacidade eletrônica da Comissão Europeia segue o recentemente adotado Regulamento Geral para a Proteção de Dados e deve ser adotada pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho Europeu.

Snowden: Certo e errado é diferente de legal e ilegal

Edward Snowden lembra que em diversos momentos de progresso da história dos Estados Unidos, as leis foram quebradas. Não por mera ilegalidade, mas porque era o certo a se fazer. Certo e errado não é a mais coisa que legal e ilegal…

Se fôssemos traduzir para a realidade brasileira, seria mais ou menos assim: Funcionamento regular das instituições não garante legitimidade política.

Um blog a menos sobre a mídia britânica?

Roy Greenslade é um importante observador da imprensa britânica. Tem mais de 50 anos de jornalismo e há mais de uma década mantém um blog influente e certeiro. Como meus conhecimentos sobre a paisagem midiática inglesa são limitados, devo bastante à Greenslade sobre o que sei de lá. Acompanho seus textos há alguns anos e essa leitura foi determinante durante o escândalo dos grampos telefônicos do The News of The World, um verdadeiro terremoto sobre os jornais locais.

Acontece que Roy está fechando seu blog, o que é uma pena!

Ontem, 6, ele confirmou que vai escrever até o final do mês, que vai continuar a fazer análises – agora semanais – para jornais e que vai aumentar sua dedicação ao ensino universitário. Como eu disse, é uma pena, e eu estava habituado a lê-lo no The Guardian…

Num mini-balanço, Greenslade diz que quando começou a blogar sobre mídia, considerava-se um revolucionário. Hoje, depois das redes sociais, das muitas turbulências que chacoalham a indústria e das irreversíveis transformações culturais no consumo e produção de conteúdos, ele se considera um contra-revolucionário.

Ele acha que o futuro da mídia é digital, mas admite que talvez seja o caso de considerarmos que perderemos o que antes chamávamos de “grande mídia”. A pergunta que ele deixa ao final do post é das mais importantes para a sobrevivência dessa coisa: “Podemos realizar essa tarefa sem a escala e o alcance de uma mídia que, para o bem ou para o mal, é o locus da nossa conversa nacional?”

Desprestígio

Fugimos dos sentidos de algumas palavras. Às vezes, até fazemos um leve esforço para fingir que esquecemos aqueles significados, como se pudéssemos engavetar tudo.

É o que se passa com “desprestígio”.

Quase nunca usamos, não é? Gostamos mais do antônimo. É nome de chocolate, é algo que nos enaltece, uma forma de capital, que ajuda a nos destacar dos demais.

Desprestígio, não. Revela que – por mais que façamos, por mais que provemos o nosso valor -, de nada valeu. Não somos reconhecidos como esperávamos. Não somos tidos como queríamos. Não somos especiais em nada. Mãos e bolsos estão vazios.

Não se trata de paparico, de ter vantagem adicional sobre os demais, de afagos no ego. O desprestígio só mostra que a tabela pela qual fomos valorizados está zerada, e nesse cálculo de si, o resultado é mais que negativo.

O desprestígio exibe um pouco de nós. Mas também mostra quem nos cerca: o quanto nos querem bem, o quanto nos conhecem, o quanto estão conosco.

Que tal uma agenda para a pesquisa em jornalismo no Brasil?

Fui convidado pelos organizadores do 14º Congresso da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo para falar sobre potências da pesquisa em novembro de 2016. Na mesa, estive com Danilo Rothberg, da Unesp, e com Josenildo Luiz Guerra, da UFS.

Deixei aqui no Medium um texto que sintetiza algumas das ideias que expus…

View story at Medium.com

Quatro notícias sobre a crise do jornalismo

As más notícias sobre a indústria de notícias também chegam pelos jornais…

Jornalismo, localidade e vida comunitária

A revista Sobre Jornalismo/About Journalism/Sur Le Journalisme está com chamada de trabalhos aberta para uma edição especial sobre “Notícias Locais: sustentabilidade, participação e vida comunitária”.

A publicação é trilíngue (português, francês, inglês) e é dirigida por um consórcio internacional de pesquisadores que vêm fazendo um trabalho muito interessante na aproximação de universos acadêmicos.

São esperados textos de 30 mil a 50 mil caracteres com espaço até 30 de março de 2017. Sim, eu sei que parece longe, mas você sabe como o tempo voa…

Os coordenadores dessa edição especial são David Domingo (Université Libre de Bruxelles), Josep-Àngel Guimerà i Orts (Universitat Autònoma de Barcelona) e Andy Williams (Cardiff University).

A chamada completa está aqui:
http://surlejournalisme.com/wp-content/uploads/2016/10/Local-news_cfp_PT.pdf

Dois faróis para o nosso jornalismo

Se os dias são de trevas e de pessimismo na indústria jornalística, há sempre quem converta a preocupação em entusiasmo. E assim, constrói saídas, pensa soluções, indica caminhos. Entre os bravos dessa tribo tenho grande admiração e respeito por dois projetos, que – coincidência ou não! – escolheram o mesmo símbolo para figurar de brasão: um farol.

Me refiro ao Farol Jornalismo e ao Farol Reportagem.

logo-mini2O primeiro é um projeto de pesquisa, discussão, debate e empreendimento, sediado em Porto Alegre e movido pelos braços de Moreno Osório e Marcela Donini. Semanalmente, sempre no finalzinho da tarde de sexta, eles disparam a melhor newsletter brasileira sobre jornalismo, comunicação, convergência midiática e o que há de mais interessante e pulsante nessa área e seus entornos. Num clima sempre amistoso, sem perder a crítica e o discernimento, a dupla abastece seus leitores com as melhores fontes, os debates mais importantes e as novidades que ninguém pode perder nesse terreno. Não bastasse a newsletter, agora, eles também oferecem um canal com um precioso podcast.

Para assinar a newsletter, clique aqui. Para acessar o podcast, vá por aqui. Para apoiar a iniciativa, já sabe

logofffffDe Florianópolis, pulsa outro facho de luz. O Farol Reportagem é um site que se dedica a dados públicos, transparência e direitos humanos, sempre com reportagens contundentes e relevantes para quem mora sobretudo na capital catarinense. Lúcio Lambranho é o jornalista por trás da máquina, e o site acaba de completar quatro meses de grandes serviços prestados à comunidade local. Uma proposta muito bem-vinda num mercado tão amarrado como o nosso, com ousadia milimétrica…

Considero o Farol Reportagem tão importante para esse momento da mídia local que me aproximei dele com uma proposta: contribuir para uma cobertura mais aprofundada das eleições municipais de 2016. Daí saiu o projeto Farol Eleitoral, que une o site e a minha turma de alunos da disciplina de Reportagem Especializada em Política. Ainda estamos no meio da parceria, mas os resultados já podem ser conferidos em grandes reportagens realizadas por jovens jornalistas.

Para acessar o site, vá por aqui. Para apoiar, clique aqui.

Se o tempo não é de sol claro, se as sombras da incerteza nublam o nosso olhar, por que não seguir as luzes desses faróis?

Mudanças no jornalismo, evento no Canadá

A 4ª edição do Colóquio Internacional Mudanças Estruturais no Jornalismo (Mejor) já tem data e local definidos: vai acontecer de 3 a 6 de maio de 2017 na Université de Laval, em Quebec, Canadá.

O tema é “O jornalismo incapaz?  Projeto secular do jornalismo e contextos extremos”.

O encontro anterior do Mejor aconteceu em Florianópolis, na UFSC, e foi uma extraordinária ocasião para aproximar pesquisadores brasileiros, belgas, franceses e canadenses.

Mais informações aqui, na chamada de textos, que termina em 20 de outubro.

EBC leva mais um golpe

Um projeto verdadeiro de comunicação pública fica muito mais distante a partir de hoje, com a publicação da Medida Provisória 744, que afeta diretamente a governança da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
A MP é assinada por Rodrigo Maia, presidente em exercício, e provoca três efeitos práticos que bombardeiam a comunicação pública. Primeiro: dá amplos poderes para o presidente da República exonerar o presidente da EBC. Temer tentou isso, mas a Justiça mandou voltar atrás. Segundo: tira qualquer participação da sociedade na cúpula da empresa, pois a MP extingue com o Conselho Curador. Terceiro: Temer coloca seus tentáculos na cumbuca, ao colocar cargos estratégicos nas mãos de Mendonça Filho e Marcelo Calero, aparelhando a diretoria.
Para quem pensa numa governança de mídia mais plural, equilibrada, diversa e participativa. Para quem pensa numa comunicação pública e não estatal… Taí!

Jornalismo, hackers, cypherpunks e Wikileaks: um debate

Já está disponível a íntegra do debate “A reconfiguração do jornalismo investigativo e a Influência do Hacktivismo, do Movimento Cypherpunks, e do Wikileaks”, que aconteceu no finalzinho de agosto em Recife. O evento foi uma promoção do Núcleo de Pesquisas em Tecnologia, Lei e Sociedade do Centro de Informática da UFPE. Foi muito bom discutir e refletir com a professora Carolina Dantas de Figueiredo (UFPE) e com o professor e jornalista Luiz Carlos Pinto (Unicap e Coletivo Marco Zero Conteúdo). Tivemos a mediação do professor Ruy de Queiroz (CIn/UFPE).

O Brasil me faz perder o sono

103522_Papel-de-Parede-Coruja-Guinchando_1600x1200Tem sido muito difícil fechar os olhos esses dias. O Brasil me faz perder o sono. Não só a mim, claro!, mas muita gente padece disso. Ando amarrotado por aí.

O Brasil me faz perder o sono porque chegamos a esse estado, como se a vida fosse uma correnteza que nos arrastasse apenas e não adiantasse remar.

O Brasil me faz perder o sono porque julgaram não apenas uma presidente, mas seu governo, seu partido, o modelo de país que construíram, um conjunto impressionante de direitos que querem cassar, um punhado de utopias que estão para destruir.

O Brasil me faz perder o sono não apenas por causa do impedimento de Dilma, mas porque o mesmo Congresso Nacional que a estraçalhou vai continuar por mais alguns anos. Deputados despreparados, senadores rancorosos, parlamentares conservadores, congressistas corruptos, todos os 594 seres que compõem o legislativo brasileiro vão seguir suas vidas após a deposição de Dilma. (Note: não foi um erro escrever o nome do poder em minúsculas na linha anterior. Não existe grandeza que justifique o uso de outras letras).

O Brasil me faz perder o sono porque a política e a economia não vão melhorar, pois a esperança e os sonhos estão soterrados pela dúvida de uns, pelo inconformismo de outros e pelo ódio de terceiros. Não estamos nem unidos nem pacificados, Michel. Não se engane. Não nos engane, não mais.

O Brasil me faz perder o sono porque Dilma cai antes de Eduardo Cunha, de Romero Jucá e outros canalhas que conspiram e dinamitam a vida nacional. E talvez eles se arvorem em algum artifício para sobreviver politicamente, já que são sobre-humanamente espertos.

O Brasil me faz perder o sono porque perdemos também o senso de justiça, não confiamos mais no voto direto, na manutenção da vontade popular, nas instituições, na democracia. Desconfiamos da mídia, da isenção do judiciário (de novo, minúsculas), do colega do trabalho, do vizinho, do parente querido, das parcas certezas que cultivávamos.

O Brasil me faz perder o sono porque, em muitos de nós, o senso de decência não pode ser mais percebido, a verdade é meramente retórica e o projeto coletivo de país se esfarelou.

Enfim, o Brasil me faz perder o sono porque apesar disso tudo, há quem ainda consiga dormir tranquilo.