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Democracia está em risco e depende muito do jornalismo

Nesses dias conturbados, de perseguições, censura e ataques a diversas camadas da sociedade, a democracia brasileira corre perigo e o jornalismo profissional pode ajudar muito a protegê-la. Falo sobre isso nesta entrevista que dei à colega Vera Sommer para a revista Vozes & Diálogo, da Univali.

Live do sindicato discute pós-graduação em jornalismo

O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina promove amanhã, quinta-feira (06/08), às 20h, o debate “Mestrado e doutorado em jornalismo: ajuda ou atrapalha?”. O evento é a quarta live da série “Sindicato Ao Vivo”. Participo do debate junto com os jornalistas Amanda de Souza Miranda, Maurício Frighetto e Magali Moser.

O debate tem mediação da jornalista Cristina De Marco.

Para acompanhar a live, basta acessar Facebook do SJSC.

Alcancei meu pai

De partida para o espaço sideral, Cooper dá um relógio para a filha Murphy, de 10 anos, e sincroniza com o que está em seu pulso. Para onde eu vou, o tempo passa muito devagar. Quando eu voltar, talvez a gente tenha a mesma idade, ele diz.

Muitos anos depois, Murphy manda uma mensagem para a nave do pai. Agora eu já tenho a sua idade, e talvez seja o momento de você voltar, diz aos prantos.

As cenas são de Interestelar, filme de 2014, dirigido por Christopher Nolan. Elas exploram elementos de física teórica sobre a relatividade do tempo em situações singulares. É um filme sci-fi de grande carga emotiva e dramática, e gosto de vê-lo com meu filho.

Meu pai morreu aos 48 anos, e eu cheguei a essa mesma idade na semana passada. Há um ano atrás, fiquei aflito de não conseguir alcançá-lo. Fiz exames, mudei hábitos, sempre com a esperança de que isso garantisse encontrá-lo em uma esquina do tempo. As mudanças ajudaram, claro, mas sabemos que não asseguram por completo. A vida é misteriosa e cheguei até aqui por mil outros motivos.

Meu pai morreu com 48 anos e 17 dias. O plano agora é ultrapassá-lo. Falta pouco, mas nunca se sabe.

De repente, me lembrei de Valter Hugo Mãe que oferece ao próprio pai o seu A máquina de fazer espanhóis. Ele dedica o livro àquele que “não viveu a terceira idade”.

Sem o relógio de Murphy, fico aqui pensando: Quantas idades vou completar?

Tenho um blog e ele faz 15 anos hoje!

Talvez você já nem lembre mais o que é um blog. Eles estão fora da moda, eu sei.

Mas eu ainda mantenho um, sabe? Aliás, hoje, ele faz 15 anos. Foi em 20 de maio de 2005 que decidi abrir um bloco de notas onde pudesse opinar, compartilhar coisas que eu gostava e me colocar no mundo digital. Era isso o que a gente tinha naquela época e o tempo se encarregou de oferecer substitutos mais atraentes e ágeis dos blogs: redes sociais!

É, já tive contas em algumas delas. No orkut, no Facebook, no Twitter, no Facebook de novo, e hoje no Twitter mais uma vez.

Quem me conhece mais de perto sabe que ando beeeeeeeemmmm descontente com as redes sociais. Há razões de sobra para deletar as nossas presenças por lá, né, Jaron Lanier? Trabalhamos de graça para essas redes, alimentamos monstros nelas, azedamos algumas de nossas relações nesses ambientes, nos domesticamos, inflamos nosso ego e auto-importância, torramos nosso tempo diante dos teclados, fortalecemos gigantes oligopólios exploradores de mão-de-obra em todo o mundo… ah, tanta coisa!

Por outro lado, cada vez mais, valorizo esse espacinho aqui. Ele não substitui as redes sociais, nem quer. É um obsoleto blog, um terreno ocupado, embora não totalmente meu, pois o wordpress e outros intermediários me lembram disso de quando em vez. Mas aqui eu me sinto bem, como a pessoa que adora dormir no sofá velho de casa, com o estofado rasgado, mas com o cheiro familiar daquilo que já embalou seus sonhos.

Nesses 15 anos, deixei muita coisa por aqui. Até resisto a olhar o arquivo para não me arrepender. Afinal, até as cotidianas besteiras fazem parte de nós!

Nesses 15 anos, envelheci e vivi muita coisa. Sou diferente do que era, e é pra ser assim mesmo.

Quantos anos ainda tenho para mim? Quantos posts vou publicar por aqui? Não sei.

Na verdade, não perco tempo pensando nisso. Em algum momento, sem aviso ou cerimônia, os posts ficarão mais raros, o tempo para a escrita pessoal vai se tornar menos importante e, aí sim, esse blog – como registro de uma pessoa qualquer num tempo qualquer – terá cumprido sua função.

Intelectuais do mundo, uni-vos!

Um grupo altamente qualificado de ativistas mundiais acaba de criar a Internacional Progressista, um movimento para conectar e construir alternativas contra o autoritarismo e a exploração no planeta.

Sim! Você já viu esse filme antes, mas a verdade é que o velho filme nunca deixou de passar: continuamos a destruir o planeta, a nos matar e a produzir os piores resultados sociais e coletivos.

O que há de diferente desta coalizão comparada às anteriores? A urgência.

Precisamos nos juntar para sonhar, imaginar e realizar saídas. Já.

Noam Chomsky, Naomi Klein, Celso Amorim, Gael García Bernal, Fernando Haddad e Yanis Varoufakis são alguns dos nomes mais peso-pesados do conselho da entidade, que se declara democrática, decolonial, justa, igualitária, solidária, libertadora, ecológica, sustentável, pacífica, próspera, plural e pós-capitalista.

A Internacional Progressista, a meu ver, é também um movimento que desafia os intelectuais a saírem de seus gabinetes, assim como a provocação recente de um influenciador digital brasileiro. Quem se cala diante do atual estado das coisas contribui para a manutenção do caos que governa atualmente as coisas…

SBPJor promove debate sobre ética e desinformação

Acontece hoje (8) à tarde, a partir das 16 horas, um debate promovido pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) sobre ética jornalística e desinformação. O evento faz parte do ciclo “A pesquisa em Jornalismo em tempos de Covid-19”, e é o segundo debate da série.

Estarei com a Silvia Moretzsohn falando sobre o assunto, com mediação do Rafael Bellan.

Para acompanhar e fazer perguntas, basta “sintonizar” nos perfis oficiais da SBPJor no Youtube e no Facebook.