educação e jornalismo

Manuel Pinto, do Mediascopio, informa que a Unesco publicou em seu site um modelo de currículo para cursos de formação de jornalistas visando o desenvolvimento dos países em democracias emergentes. O documento (em PDF, em inglês e com 150 páginas) pode ser lido aqui.

Confesso que só passei os olhos por ele, mas destaco:

– A proposta tem muita coisa boa, embora se estruture meio que em módulos, o que lembra o antigo currículo mínimo na área;

– Nem tudo o que é proposto é fácil de se encaixar na realidade brasileira para formação de jornalistas;

– Mesmo imperfeito, o documento deveria ser lido por todas as coordenações de curso e pelos professores interessados;

– A proposta traz esquemas para cursos curtos (de um ano) a mais longos (de quatro), tanto de graduação quanto de mestrado;

– As ementas são interessantes, mas as bibliografias são todas estrangeiras;

– Um dos colaboradores na elaboração do documento foi o professor Rosenthal Calmon Alves, brasileiro que dirige o Knight Center for Journalism in Americas da Universidade de Austin, Texas (EUA);

– Outra colaboradora foi a professora Sonia Virginia Moreira, da UERJ

– Por último: se o documento é voltado às democracias emergentes, ele bem que poderia ter versões em português, espanhol, francês (lembre-se das ex-colônias africanas), árabe, etc…

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fechamento

O jornal O Estado – o mais antigo diário em circulação em Santa Catarina – anunciou que vai deixar de ser diário e só chegará às bancas nos finais de semana. É uma pena!

Por aqui, quase ninguém deu isso. Cesar Valente deu em sua coluna no Diarinho e na transcrição para o seu blog. O Sindicato dos Jornalistas não deu uma linha sequer. O Monitor de Mídia publica um editorial sobre isso na próxima edição, que cai na rede na segunda. Mas adianto o texto por aqui.

Hora de fechamento

A imprensa catarinense sofreu novo golpe na semana que passou. O diário mais antigo de Santa Catarina – O Estado – anunciou que circulará apenas nos finais de semana por conta da gravíssima crise que o corrói há anos.

A notícia é ruim, muito ruim. Não apenas para o mercado jornalístico que vê fechar postos de trabalho, fornecedores amargarem com as dívidas e uma empresa cair de joelhos. O anúncio é ruim para a sociedade como um todo, que perde uma tribuna para manifestar sua opinião, uma alternativa informativa e um patrimônio da comunicação.

Mas o leitor deve estar pensando que este MONITOR DE MÍDIA está se antecipando ao velar o jornal, já que O Estado apenas comunicou a mudança de sua periodicidade, e que ainda manterá sua circulação. Na verdade, não. Entendemos que a decisão dos controladores da empresa tenta apenas adiar o inevitável: o fechamento do jornal. Até porque a empresa que edita O Estado vem se arrastando há anos em condição pré-falimentar, amargando dívidas, e vendo a qualidade do produto despencar vertiginosamente. Para quem chegou a tirar 20 mil exemplares por dia e cobrir todo o estado, o retrato dos últimos anos é desolador: a tiragem não passa dos 5 mil e fica restrita à Grande Florianópolis.

Sob o título “Sacrifício Inevitável”, uma nota oficial foi publicada na edição do domingo, 17 de junho, e dizia que a decisão de apenas circular aos finais de semana só foi tomada “depois de muita reflexão, angústia e sofrimento” e que isso se tornou “inadiável”. Por isso, a empresa optou por suspender “por tempo indeterminado” as edições diárias. A mesma nota tenta afastar o boato – sempre constante – de que o portal fechará as portas em seguida. Segundo o comunicado, a medida “não é definitiva” e vai durar o tempo necessário para a recuperação da empresa.

Este MONITOR DE MÍDIA vê com pesar o desfecho dessa crise na imprensa catarinense. Afinal, o fim de um jornal não é bom para ninguém, nem mesmo para a concorrência, pois ela se acomoda, perde referências e o ímpeto de competir. Alguns historiadores da imprensa local afirmam que O Estado adoeceu quando o Diário Catarinense foi lançado, em 1986. Pode ser, pois o Grupo RBS trouxe um novo jornalismo e um novo tipo de gestão de empresas no setor. O Estado, por sua vez, apegou-se a uma tradição insustentável, pois esse ramo produtivo é muito mutável. O jornal não se modernizou, perdeu mercado, definhou e agora está na UTI.

Torcemos para que ele surpreenda e se recupere, voltando às bancas com saúde suficiente para caminhar com as próprias pernas. Torcemos para que a expressão “fechamento” – que no jornalismo significa “hora de concluir a edição” – não tenha outro significado para O Estado.

RBS: atrás do din-din

Deu no Valor Econômico, ontem. Transcrevo…

RBS faz captação para investir e alongar dívida

Maior grupo de mídia da região Sul, a RBS concluiu a captação, em reais, de R$ 300 milhões em bônus de dez anos colocados no mercado internacional. Emitidos pela controlada Zero Hora Editora Jornalística, que reúne oito jornais impressos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, os títulos foram tomados por investidores institucionais dos Estados Unidos, Europa e Ásia e servirão para alongar e reduzir o custo do endividamento atual, informou o diretor executivo de finanças, Eduardo Damasceno Ferreira.

Os recursos também ajudarão a financiar investimentos na área de TV digital, na modernização do parque gráfico e em projetos ligados à Internet. Hoje o grupo dispõe de dois portais na web. Segundo Ferreira, os planos prevêem o crescimento orgânico das operações e eventuais aquisições dependem do surgimento de ‘oportunidades’ de novos negócios. A última incorporação feita pela RBS foi o jornal ‘A Notícia’, de Santa Catarina.

De acordo com o executivo, a emissão concluída sexta-feira é uma operação de características inéditas para uma empresa privada não-financeira do Brasil. A demanda pelos bônus foi mais de duas vezes superior à oferta e a remuneração aos investidores ficou em 11,25% ao ano, prefixados, com desembolso semestral de juros em junho e dezembro e pagamento do principal em 15 de junho de 2017. A captação foi liderada pelo Standard Bank e os títulos receberam rating ‘BB-‘ da Standard & Poor’s (S&P).

Parte dos recursos será utilizada na liquidação antecipada de US$ 56,8 milhões em bônus externos remanescentes de uma emissão de US$ 125 milhões realizada em 1997 para financiar, na época, operações nas áreas de telecomunicações e TV a cabo. Os títulos venceriam em 2010 comjuros anuais de 11% e a quitação vai eliminar os custos com hedge atrelados ao financiamento. A RBS já abriu uma oferta pública para recompra dos papéis, válida até 29 deste mês e com pagamento de um prêmio aos credores que aderirem até o dia 22, explicou Ferreira.

O grupo também utilizará parte da captação no pagamento de dívidas bancárias domésticas com custos mais elevados do que os novos bônus, disse o executivo. A RBS tem cerca de R$ 60 milhões em vencimentos a pagar por ano até 2009 e, segundo o diretor financeiro, a operação elevou o prazo médio doendividamento financeiro de dois a três anos para oito a nove.

direito de imagem

PARA MEUS ALUNOS DE LEGISLAÇÃO E ÉTICA:

Em São Paulo, mãe e filho ganham na Justiça indenização por IG publicar foto e vinculá-la à Parada Gay.
Leia no Consultor Jurídico.

Em Belo Horizonte, um lixeiro não conseguiu o mesmo ganho por ter sua foto divulgada no caderno de Meio Ambiente.
Leia no Consultor Jurídico também.

As duas sentenças saíram na mesma semana e parace que a Justiça é louca, não é mesmo? Na verdade, os dois casos são bem diferentes, mas a alegação da mãe paulistana também não cola. Isto é: vale reclamar dano moral diante da orientação sexual; não vale reclamar frente à discriminação social e pobreza.