Influência no desenvolvimento pode sustentar atuação dos observatórios

Guilherme Canela, da ANDI, defendeu de forma categórica a estreita relação que devem ter imprensa e desenvolvimento como justificativa para uma efetiva crítica de mídia. “Diversas entidades e organismos têm eleito a ligação e a contribuição para o desenvolvimento como suas prioridades. Claro que há muitos conceitos para isso, mas escolhemos essa noção para o trabalho da ANDI e seus parceiros”, disse, lembrando que a Rede ANDI contém onze pólos de atuação no país e reúne treze países na América Latina. (Para se ter uma idéia, a ANDI monitora diariamente 220 jornais no continente!)

Segundo Canela, essa ligação entre meios de comunicação e desenvolvimento dos países pode se manifestar em diversas temáticas. A ANDI percebeu que, ao menos no Brasil e no início dos anos 90, as preocupações com as coberturas de infância e adolescência eram prioritárias no que tange ao desenvolvimento social, fato que ajudou a definir o próprio perfil da entidade.

Para Guilherme Canela, ao se apegar ao conceito de desenvolvimento, os observatórios de imprensa conseguem sair do mero monitoramento dos meios e retroalimentam a imprensa, contribuindo para seu verdadeiro aumento de qualidade.

Projetos em consolidação aceleram

A mesa com os relatos sobre as experiências mais recentes da Renoi mostrou que esses projetos em formação estão em ritmo acelerado. Ângela Loures, da Renoi Vale do Paraíba, informou que está estruturando sua equipe, já colocou seu site na internet e busca de apoio da Pró-reitoria de Extensão da Unitau para atualizações mais freqüentes e mais infra-estrutura operacional. Em paralelo, a própria Ângela atua junto à imprensa local, dando visibilidade do monitoramento feito pelo seu projeto. A pesquisadora faz parte do Conselho de Leitores do jornal Vale Paraibano, o mais influente na sua região.

No Rio Grande do Sul, Marcos Santuário lidera o Mídia em Foco, projeto em gestação na Feevale. Lá, o site do projeto que deve monitorar a imprensa gaúcha está em fase de preparação e há planos para programas televisivos de debates.

Ananias de Freitas, o Zeca, relatou que na PUC de Minas os esforços para a instalação de mais um observatório de imprensa visam vincular fortemente o projeto à estrutura curricular do curso de Comunicação, onde ele mesmo ministra a disciplina de Ética e Crítica de Mídia. “Vem sendo articulado um outro projeto também, o Observatório das Metrópoles, e queremos acoplar o nosso observatório de meios de comunicação a isso”, completou.

Da Paraíba, Wellington Pereira contou a trajetória de seu grupo de pesquisa, o Grupecj, que existe desde 2002 e sempre se pautou nos estudos da sociologia do jornalismo, imersos nas discussões sobre o cotidiano neste campo. “O Grupecj ainda está buscando parceiros e sustentação para a análise da mídia, e estamos prioritariamente trabalhando com jornais impressos”, disse. Suas preocupações são de ordem metodológica. “Não se trata de fazer da crítica da mídia, a mídia das críticas, é preciso mais”.

Mesmo tendo uma longa trajetória de observador dos meios de comunicação, Victor Gentilli fechou a mesa das experiências recentes da Renoi, relatando a sua trajetória desde o final dos anos 80.

petit comité

O encontro da Renoi segue hoje com mini-curso oferecido por Luiz Martins da Silva (SOS Imprensa) e relatos das experiências mais consolidadas em crítica de mídia na rede. Participam desta mesa Fábio Pereira (Mídia e Política), Ana Prado (Agência Unama), Luiz Martins da Silva (SOS Imprensa) e eu, pelo Monitor de Mídia.

À tarde, novos relatos, agora dos grupos mais recentes.  Marcos Santuário fala do Mídia em Foco; Ananias de Freitas conta como andam as coisas na Puc de Minas; Wellington Pereira fala de seu Grupecj e Angela Loures atualiza as informações da Renoi-Vale do Paraíba.

No final do dia,  o evento avança com a mesa A imprensa diante da crítica de dimensão nacional, com Luiz Egypto (Observatório da Imprensa), Guilherme Canela (ANDI) e Thaís Mendonça (Mìdia e Política).

O evento é restrito, verdadeiro petit comité. Com os alunos participantes e os diversos convidados, não devemos ser mais que trinta pessoas. Grupo pequeno, mas muito concentrado. Aliás, ficaremos três, quatro dias no mesmo hotel, com a mesma rotina, convivendo e articulando soluções para a Renoi e o seu futuro. Não é pouco. E pra pouca gente, é muito…

Gonzaga Motta faz conferência de abertura

O professor Luiz Gonzaga Motta, da Unb, esbanjou erudição na conferência de abertura do 1º Encontro Nacional de Observatórios de Imprensa. “Talvez pela primeira vez na minha vida acadêmica, eu faça o uso da palavra lendo a minha fala. É que eu gostaria muito de perseguir um raciocínio sem me desviar tanto”, justificou já de início.

Lendo com voz calma e convidativa, Gonzaga Motta atuou mais como um cicerone que conduz seus ouvintes por um sinuoso percurso teórico que foi do surgimento das línguas à prática atual da crítica dos meios de comunicação. Citando George Steiner, Gadamer, Wittgenstein, Habermas, Amartia Sen, entre outros, o conferencista frisou a importância da linguagem na história do homem e no seu próprio desenvolvimento. Fez mais: salientou o exercício da crítica como uma prática hermenêutica, e com isso, a necessidade de sustentar histórica, moral e socialmente essa atividade. Daí a necessidade de se apegar a uma ética universalista que se apóie em conceitos concretos como o desenvolvimento humano. “Tenho dito e repetido que este é um caminho que acredito muito para a crítica dos meios de comunicação. Um caminho para os próprios meios de comunicação”, disse.

Para Gonzaga Motta, o apego a critérios claros do ponto de vista teórico e moral são fundamentais para embasar e legitimar os críticos de mídia em seus tempos. Mais ainda: vincular-se a esses valores auxilia a criar pontes entre as pessoas, traçar aproximações, diálogos, como se todos falássemos a mesma língua, como as ancestrais antes de Babel…

começa o 1º encontro da Renoi

Um depoimento em vídeo do jornalista Alberto Dines abriu os trabalhos no 1º Encontro Nacional de Observatórios da Imprensa, na noite de ontem, 31, em Vitória (ES). A curta fala de Dines atestou o início dos trabalhos em crítica de mídia sistemática no país, lembrando que o projeto Observatório da Imprensa começou numa universidade – a Unicamp – e o encontro da Renoi que ora começava dava continuidade a esse trabalho. “Hoje, é uma rede de universidades, a Renoi, que dá seqüência natural ao nosso trabalho”, disse Dines.

Segundo Victor Gentilli, organizador do evento, a gravação do depoimento em vídeo partiu do próprio Dines, por sua impossibilidade de viajar a Vitória na ocasião.

O 1º Encontro Nacional dos Observatórios de Imprensa tem o patrocínio da Facitec, da UFES e a Prefeitura de Vitória. Apóiam a iniciativa a SBPJor, ANDI, Fest, Ecos, Observatório da Imprensa e Centro Dom João Batista.

observatórios ignoram caso RCTV

Vasculhei alguns dos observatórios de meios da América Latina e percebi que quase todos estão ignorando solenemente o caso da RCTV na Venezuela.

Passei pelo Observatório Fucatel do Chile, e nada. Pelo Observatorio Ciudadano de la Comunicación, do Equador, e nada; fui até o Foro de Periodismo Argentino e o Observatório da Union de los Trabajadores de Prensa de Buenos Aires (UTPBA) e nada também.

Na Colômbia, há sinais: o blog do Observatorio Independiente de los Medios trouxe em seu blog um breve post com vídeo para o YouTube. No Medios de La Paz, não há nada, embora figure logo no início da página a chamada para o Seminário Internacional Libertad de Prensa: herramientas y estratégias, que acontece amanhã e quinta, dias 30 e 31 de maio.

Victor Solano, em seu blog Comunicación?, traz um post com links para os últimos minutos da RCTV

No Brasil, o Observatório da Imprensa veio à carga contra a ação de fechamento do canal por Hugo Chávez.

Perturbador, foi perceber que no Observatorio Global de los Medios, capítulo Venezuela, nada havia sobre o assunto. Ao invés disso, hoje pela manhã, a entidade distribuía links para um longo estudo sobre o comportamento da imprensa local nas eleições de 2006.

Não entendi, confesso…

an.jpg

Renoi e seu primeiro encontro

Esta semana sigo para Vitória (ES), onde devo me encontrar com pesquisadores de jornalismo de todo o país, principalmente aqueles que se ocupam de crítica de mídia. É que a na bela capital capixaba acontece o 1º Encontro Nacional de Observatórios de Imprensa. O evento é promovido pela Renoi, a Rede Nacional que criamos em 2005 reunindo as principais iniciativas brasileiras nas universidades e no terceiro setor sobre crítica de mídia.

Estarão lá representantes da ANDI, do Observatório da Imprensa, do Canal da Imprensa, do Mídia e Política, do SOS Imprensa e de outros nós da rede. A organização e coordenação local do evento está a cargo de Victor Gentilli. Como coordeno a rede, sou um dos convidados e participo de duas mesas: uma sobre as experiências mais consolidadas de observatórios de imprensa no país, no caso o nosso Monitor de Mídia; e outra sobre os desafios metodológicos que se impõem sobre os leitores da mídia.

Veja a programação:

DIA 31 de Maio (Quinta-Feira)

Solenidade de abertura
20h Auditório do CEFD (Centro de Educação Física e Desportos)

Conferência de abertura
Prof. Dr. Luiz Gonzaga Motta UnB – Mídia & Política – impasses e desafios da crítica de mídia na nova realidade brasileira

Dia 1 de Junho (Sexta-Feira)

8h às 10h – Atividades, oficinas, mini-cursos voltados para estudantes, bolsistas (aplicações e atividades-piIloto de metodologias)

10h30 às 12h30 Mesa 1 (Cemuni V sala 3) – As experiências dos grupos mais consolidados
Rogério Christofoletti (Monitor de Mídia); Allan Novaes (Canal da Imprensa), Ana Prado – Unama e Luiz Martins – UnB (SOS Imprensa)

14h30 às 16h30h  Mesa 2 (Cemuni V Sala 11) – Os grupos mais recentes: problemas e dificuldades
Marcos Santuário Feevale; (Mídia em Foco), Jussara Carvalho de Oliveira (Unilinhares),  Kelly Prudêncio (UPG); Wellington Pereira (UFPB) e Angela Loures (Unitau)

16h30 às 18h30 Mesa 3 (Cemuni V sala 11) – A imprensa diante da crítica de dimensão nacional
Luiz Egypto (Observatório da Imprensa); Guilherme Canela (Andi) e Thaïs de Mendonça (Midia & Política)

Dia 2 de junho (Sábado)

8h às 10h – atividades, oficinas, mini-cursos voltados para estudantes, bolsistas (aplicações e atividades-polito de metodologias)

10h30 às 12h30 Mesa 5 (Cemuni V sala 3) – Apresentações de trabalhos de IC, TCCs, Projetos Experimentais Apresentação de posters

14h30 às 16h30 Mesa 5 (Cemuni V sala 3) – Os novos desafios metodológicos para a crítica de mídia
Josenildo Luiz Guerra – UFS, Fábio Henrique Pereira – UnB; Rogério Christofoletti – Univali; Victor Gentilli – Ufes

14h30  (auditório pequeno) – Reunião plenária