6 links estrangeiros sobre jornalismo

Laicom: Laboratório de Análise Instrumental da Comunicação, da Universidade Autônoma de Barcelona. Em espanhol.

Digitalistas: microblog coletivo sobre jornalismo e comunicação. Surgiu agorinha, no início de fevereiro, e é em espanhol.

Stuff Journalists Like: blog de Christopher Ortiz, em inglês, e direto do Colorado.

Congresso Internacional de Comunicação: direto da Universidade de Navarra, em espanhol.

Jornalices: blog português sobre ensino de jornalismo.

Índice da Nova Mídia: indicador para monitorar o conteúdo de blogs. Em inglês e desenvolvido pelo Project for Excellence in Journalism.

comissão das diretrizes curriculares de jornalismo já tem calendário

A comissão de especialistas que irá reformar o documento das diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo já tem um esboço da sua sistemática de trabalho. Segundo informações da Folha-Educação e do próprio Ministério da Educação, a comissão vai receber propostas e sugestões até 30 de março. Ainda não foi definido para onde essas indicações vão seguir, mas isso deve se dar em breve e na forma de uma página eletrônica no portal do MEC.

O presidente da comissão, José Marques de Melo, anunciou ainda que serão realizadas três audiências públicas: dia 20 de março no Rio de Janeiro, dia 24 de abril em Recife e 18 de maio, em São Paulo. “Cada audiência será focada em um público específico. Para a primeira, serão convidados professores e intelectuais da área; na segunda, representantes das associações, entidades de classe e jornalistas profissionais que estejam no mercado de trabalho; e para a terceira, segmentos da sociedade civil, movimentos sociais e organizações não-governamentais”, explicou Marques de Melo à assessoria do MEC.

novas diretrizes para os cursos de jornalismo: o que podemos esperar

O Ministério da Educação divulgou esta semana a formação de uma comissão de especialistas que irá reformar o documento que hoje define as diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. A comissão terá a trabalhosa missão de revisar uma norma que é um verdadeiro monstro de Frankenstein, isso porque o documento de que estou falando é tão amplo que abrange todos os cursos de Comunicação, indo do Jornalismo à Publicidade e Propaganda, da Editoração ao Cinema, da Fotografia ao Radialismo. Isso mesmo! Um único documento do MEC sinaliza para gestores, professores e comunidade como devem se guiar os cursos de graduação nas chamadas habilitações da Comunicação.

Neste sentido, a notícia da criação da dita comissão é uma boa notícia. Outra boa nova é a própria composição desse coletivo, que será presidido pelo professor José Marques de Melo, o mais proeminente nome da área na academia brasileira. Os demais componentes da comissão são os professores Alfredo Vizeu (UFPE), indicado pelo Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), Eduardo Meditsch (UFSC), indicado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Luiz Motta (UnB), indicado pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), Manuel Carlos Chaparro (USP), Sonia Virginia Moreira (UERJ), da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), Sérgio Mattos (UFBA) e Lúcia Maria Araújo, do Canal Futura.

Pelo que pude acompanhar em dois ou três fóruns eletrônicos da área, a comissão foi bem recebida por seus pares, seja pelo histórico que acumula ou ainda pelo amplo arco de entidades que indicaram a sua composição. O trabalho começa já e a comissão tem 180 dias para concluir suas tarefas. Mas o que se pode esperar disso?

Uma chance histórica

Antes de tudo, o momento é muito importante para a área da Comunicação em geral e para o Jornalismo em particular. Relevante porque a comissão de notáveis pode reparar equívocos como a esquizofrenia do documento das diretrizes atuais. Ao propor um documento voltado para o Jornalismo, certamente a comissão vai desencadear movimentos semelhantes nos demais campos assemelhados que compõem o amplo espectro da Comunicação. Assim, se publicitários estiverem bem articulados e suficientemente organizados, eles também poderão trabalhar por Diretrizes Curriculares mais afinadas com os objetivos e especificidades de sua profissão. Mas não só isso.

A elaboração de um documento próprio para o Jornalismo tende a reforçar a luta de diversos segmentos da academia que batalham por uma maior valorização e autonomia do campo entre as áreas de conhecimento. Essa luta vem se dando ultimamente na defesa de uma especificidade do Jornalismo na Tabela de Areas de Conhecimento do CNPq, na proposição de cursos de graduação e pós em Jornalismo – veja o caso da UFSC – e na tentativa de fixação de uma prova exclusiva para o Jornalismo no Enade… (Estive na comissão que prescreveu as diretrizes para essas provas, mas fomos vencidos pela burocracia do INEP e pela indisposição de dedicar mais de recursos nesse produto, objetivando uma avaliação mais condizente e mais coerente…)

A elaboração de um documento voltado para o Jornalismo vem a calhar também num momento delicado para a profissão. Como todos sabem, o Supremo Tribunal Federal está para julgar o mérito da liminar que desobriga o porte de diplomas de ensino superior para a obtenção de registros profissionais de jornalistas. A edição de um documento que padronize, organize e sinalize bons caminhos para os cursos de graduação auxilia na compreensão geral da nação de que estudar faz bem, e que sempre é muito melhor contar com profissionais bem capacitados do que “talentosos de plantão” ou “práticos”.

É importante lembrar ainda que outra comissão – na verdade, um grupo de trabalho – joga outro papel importante nos próximos meses. Desde o final de 2008, o Ministério do Trabalho constituiu um coletivo que tem por missão elaborar uma nova regulamentação profissional para os jornalistas. Conjugados os documentos – uma nova lei da profissão, a decisão do STF e novas diretrizes curriculares -, teremos um novo panorama para o jornalismo no Brasil. Podem apostar…

Melhor ou pior?

É difícil prever o resultado do julgamento do Supremo sobre a liminar de 2001, e não é muito fácil imaginar que tipo de regulamentação teremos nos próximos anos. Mas os resultados do trabalho da comissão de especialistas é possível de adiantar. Os erros do passado – como o currículo mínimo e a esquizofrenia atual – não serão repetidos. A variedade e amplitude das entidades que sustentam os membros das comissão também garantem que não haja um isolamento da academia frente o mercado.

Ouso em dizer que podemos esperar dias melhores. Mas não posso deixar de me preocupar com o longo prazo destinado aos trabalhos. Sei que o trabalho não é pouco, mas seis meses é muito para a discussão, elaboração e redação do documento. Pior: se for demorar seis meses, o MEC vai se encarregar de demorar mais seis até editar a medida, e aí adentraremos 2010. Por isso, acho que a celeridade é fundamental nos encaminhamentos das próximas semanas. Se a comissão for ágil e não comprometer a qualidade, teremos mais condições de colher um documento melhor e mais determinante para o jornalismo. A tarefa não é nada simples, mas seus executores têm totais condições de cumpri-las, digo sem qualquer bajulação.

Se conseguirmos chegar à metade de 2009 com a decisão do STF – qualquer que seja ela -, com uma nova regulamentação profissional e com novas diretrizes curriculares, poderemos iniciar uma nova fase para o jornalismo brasileiro. A partir de 2010, estaremos começando uma nova década e não apenas no calendário…

links para uma sexta-feira 13

zombie

Antes que Jason, Freddy Krugger, zumbis e outros monstros venham te visitar, indico 13 links para exorcizar a sexta-feira assombrada…

1. Sônia Bertochi indica um videozinho de pouco mais de um minuto que explica porque redes sociais são importantes. Aqui.

2. Folha Informática traz matéria sobre estudo espanhol que atesta que videogames ajudam crianças a se desenvolver. Aqui.

3. Apesar da popularidade, o Twitter ainda não deslanchou nos resultados comerciais. Veja no Jornalismo nas Américas.

4. O Pew Internet and American Life Project divulgou pesquisa sobre o uso do Twitter. Leia mais aqui.

5. O Pew Research Center criou o Índice da Nova Mídia. Saiba o que é aqui.

6. Em Navarra, prossegue hoje o Congresso Internacional de Inovação na Comunicação, que a gente pode acompanhar pelo twitter: http://twitter.com/fcomnavarra

7. Já está na rede a chamada para trabalhos para a Sexta Conferência sobre Inovação no Jornalismo. Aqui.

8. As datas para os seminários regionais e para o congresso nacional da Intercom estão disponíveis na página de entrada do site da entidade.

9. Mark Deuze apresenta um slideshow com algumas idéias de seu mais novo livro: Media Life.

10. Pedro Doria expande seu projeto, o agregador brasileiro As Últimas. Tem Política (brasileira e internacional), Futebol, Ciência, Cinema, Culinária, Humor, Personalidades e até Mídia. Veja.

11. Como no faroeste. A Microsoft oferece recompensa para quem dedurar o criador de uma praga da tecnologia. Aqui.

12. A Columbia Journalism Review menciona mais um evento científico no jornalismo, um painel que aconteceu ontem na Woodrow Wilson International Center for Scholars. Aqui.

13. Ok, não dá pra fugir de Jason… ele não morre mesmo… então, veja o site do Friday the 13th.

renoi e unesco fecham parceria para criar indicadores de qualidade para o jornalismo

A Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (Renoi) e a representação da UNESCO no Brasil, por meio do setor de Comunicação e Informação, estabeleceram um acordo de cooperação científica para o desenvolvimento de indicadores da qualidade jornalística. A parceria prevê a execução de uma pesquisa que apontará as bases conceituais de parâmetros para aferir concretamente o que significa informação jornalística de qualidade para os meios brasileiros.

Pesquisadores da Renoi executarão o projeto conjugando debates acadêmicos, aspectos mercadológicos e profissionais e compromissos sociais que os meios de comunicação devem manter com as comunidades a que servem. Neste sentido, o projeto “Indicadores de Qualidade da Informação Jornalística” objetiva propor instrumentos de medição de excelência e contribuir para o desenvolvimento do setor no país. A parceria UNESCO-Renoi se juntará, no Brasil, às discussões do Programa Internacional para o Desenvolvimento da Comunicação (IPDC) que originaram, no ano passado, o documento Media Development Indicators.

A publicação do IPDC sistematizou categorias para compreender de forma equilibrada a tríade mídia, democracia e desenvolvimento, entre elas a que trata de um sistema regulatório que conduza à liberdade de expressão, ao pluralismo e à diversidade da mídia. O projeto “Indicadores de Qualidade da Informação Jornalística” buscará na literatura específica do jornalismo e da gestão de qualidade critérios que reforcem essas ações, sempre envolvendo os profissionais das redações e de empresários do setor na elaboração de conceitos e iniciativas que atestem a excelência na mídia.

A parceria UNESCO-Renoi se estenderá até o final de 2009, quando a etapa conceitual do projeto dos indicadores deve ser concluída. Na sequência, pesquisadores da Renoi agregarão os resultados num sistema informatizado que possa servir de ferramenta para a avaliação da qualidade dos meios de comunicação brasileiros.

ética jornalística: 5 links do momento

@ Robert Niles tem mexido com marimbondos. Leia a primeira parte de suas reflexões sobre jornalismo, ética e publicidade em sites jornalísticos.

@ Leia a segunda parte do texto de Niles.

@ The New York Times se preocupa que os avanços tecnológicos e a web 2.0 interfiram na credibilidade de seu jornalismo. Por isso, estabeleceu uma política para o uso de redes sociais, por exemplo…

@ Que futuro para o jornalismo?, pergunta-se Daniel Cornu, ombudsman dos veículos do grupo suíço Edipresse de mídia.

@ Cristina Charão, do Observatório do Direito à Comunicação, entrevista o jornalista Alberto Dines, do Observatório da Imprensa.

mino carta não deixa pedra sobre pedra

Mino Carta, o lendário publisher de Carta Capital, pendura as chuteiras no blog e promete “se calar” na própria revista. Desiludido, é o que diz em A despedida.

Contundente e lúcido, faz sua leitura pessoal dos últimos 45 anos da história política brasileira, e não deixa ninguém em pé… a não perder de vista.

univali abre mba em mídias digitais

mbalogo

Estão abertas as inscrições para o MBA em Mídias Digitais da Univali. O curso de especialização tem 35 vagas e começa em abril no campus de Itajaí. As inscrições vão até 31 de março, e ex-alunos da Univali tem 15% de desconto sobre as mensalidades.
Com duração de 18 meses, o MBA é voltado para graduados em Comunicação Social, Ciências da Informação, Design Gráfico, Licenciaturas, Bacharelados em Humanas, Ciências Sociais e Artes, além de áreas afins. O público alvo é extensivo ainda a profissionais de instituições públicas ou privadas que tenham relação com produção de conteúdo e processos editoriais para mídias digitais.
O MBA em Mídias Digitais é uma iniciativa multidisciplinar, que reúne professores mestres e doutores de campos distintos do conhecimento: da Comunicação ao Design, passando pela Informática e Educação. Foram convidados ainda professores de outras instituições, como as universidades federais de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
As aulas acontecerão em modernos e bem equipados laboratórios na Univali, quinzenalmente, sempre às sextas-feiras (noite) e sábados (manhã e tarde). O currículo está apoiado em três unidades, cada um com 120 horas. Cada unidade reunirá quatro disciplinas, um seminário e um oficina, totalizando 18 atividades em sala de aula.

Conheça a grade curricular:
Unidade I – Tecnologia e Sociedade
Comunicação e interação mediada por computador (24 horas)
Tecnologia e a informação estratégica (24 horas)
Teorias da Cibercultura (24 horas)
Educação e Comunicação (24 horas)
Seminário: Análise crítica de mídia digital (12 horas)
Workshop: Webwriting (12 horas)

Unidade II – Comunicação Digital
Convergência de mídias (24 horas)
Sociedade em Rede (24 horas)
Ambientes Virtuais de Aprendizagem (24 horas)
Hipermídia e o texto na internet (24 horas)
Seminário: Media Training (12 horas)
Workshop: Webdesign (12 horas)

Unidade III – Produtos Digitais
Produção multimídia (24 horas)
Jogos digitais e plataformas de entretenimento (24 horas)
Ferramentas colaborativas (24 horas)
Metodologia da Pesquisa (24 horas)
Seminário: Direitos autorais na web (12 horas)
Workshop: Produção Multimídia (12 horas)

Saiba quem são os professores:
– Dr. Alex Primo – UFRGS
– Dr. Flávio Anthero Nunes – UNIVALI
– MsC. Valquíria Michela John – UNIVALI
– MsC Carlos Castilho – ASSESC
– MsC Sandro Lauri Galarça – UNIVALI
– MsC Mary Vonni Meurer de Lima – UNIVALI
– MsC Vera Lúcia Sommer – UNIVALI
– Dr. Luís Fernando Máximo – UNIVALI
– MsC. Laura Seligman – UNIVALI
– Esp. Tiago Ficagna – UNIVALI
– Dra. Maria José Baldessar – UFSC
– Dr. Rudimar Scaranto Dazzi – UNIVALI
– Dr. Rogério Christofoletti – UNIVALI

Inscrições:
De 2 de fevereiro a 31 de março. Para isso, junte:
* Formulário para Inscrição totalmente preenchido;
* Diploma de conclusão de graduação (cópia autenticada);
* Histórico escolar de graduação (original ou cópia autenticada);
* “Curriculum Vitae” resumido (atualizado);
* Carteira de Identidade e CPF (cópia);
* Uma foto 3×4 recente

Custos:
Inscrição (R$ 384,00) + 17 parcelas de R$ 384,00. Ex-alunos da Univali pagam R$ 326,00

Mais informações:
Gerência de Pós-Graduação da UNIVALI – Itajaí/SC – Bloco 5 sala 105
Rua Uruguai, 458 – Bairro Centro – Itajaí/SC – CEP 88302-202
Fone: 47-3341-7534 / 47-3341-7652

Contatos:

E-mail: mba.midiasdigitais@gmail.com
Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=54531828
Site: http://www.univali.br/modules/system/stdreq.aspx?P=3230&VID=default&SID=477966633789518&S=1&A=closeall&C=27372

crise ainda não chegou às bancas brasileiras

Na semana que está terminando, a editora do New York Times anunciou um prejuízo de mais de 57 milhões de dólares em 2008. Em 2007, no entanto, havia fechado o exercício com lucro de 208 milhões. Isto é, a crise já chegou por lá. E olha que pegou em cheio um dos grandes: a New York Times Company reúne quase vinte jornais e 50 sites nos Estados Unidos.

Por aqui, a “marolinha” ainda não chegou.

Segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC), a circulação média diária dos jornais brasileiros cresceu 5% no ano passado, alcançando 4,35 milhões de exemplares. Tudo bem que a evolução de 5% fica aquém dos crescimentos registrados em 2006 (6,5%) e 2007 (11,8%). Mas mesmo assim, tá muito bom, afinal é o dobro do crescimento mundial no setor.

Entre os títulos brasileiros, o Super Notícia, de Minas, foi o campeão de crescimento de circulação: 27,02% no período. O jornal popular custa 25 centavos de real. Tudo indica que o setor vem respirando graças aos resultados dos jornais populares e dos regionais. Mas até quando, senhores?

sarkozy despeja dinheiro sobre a mídia

Outro dia, escrevi aqui que camadas organizadas da sociedade francesa manifestaram publicamente sua preocupação sobre a qualidade da mídia local. Pois bem, não é apenas o povo quem coça as rugas da testa com o assunto. Já desde o final do ano passado, o governo também. Na semana que passou, o recado foi público e polpudo: o presidente Nicolas Sarkozy anunciou um pacote de 600 milhões de euros para o setor nos próximos três anos.

Em tempos bicudos como os nossos – quando Bush abre a torneira de 700 bilhões de dólares para bancos e financeiras, e quando Lula reduz impostos para impulsionar a indústria automobilística -, o presidente francês acena com um plano para salvar a imprensa escrita, como deixou claro no Palácio dos Champs Elisées. A operação atende pelo nome de États Généraux de la Presse, ou Estados Gerais da Imprensa. O desafio é melhorar a rentabilidade dos jornais, aumentar suas tiragens, aliviar os custos das empresas do setor e impulsionar os meios online.

Ainda é cedo para medir a temperatura e dizer qual repercussão o anúncio trouxe ao mercado francês, e por extensão à mídia européia.

O Le Monde foi bastante contido, como sempre. Em editorial, ponderou as medidas, salientando a sabedoria da presidência da República em deixar que editores e jornalistas dêem os devidos encaminhamentos à solução da crise que asfixia o setor. O jornal não comemora abertamente, mas o editorial ressalta que a mídia é também uma indústria, o que a legitimaria a receber auxílios financeiros, pode-se ler nas entrelinhas.

Já Le Figaro trouxe editorial do seu diretor de redação Étienne Mougeotte reconhecendo o “ceticismo francês” que acompanhou o setor à mesa de negociação com o governo. Mas sauda a iniciativa. Entretanto, Mougeotte não se fez de rogado: reforçou que o norte do jornal é o leitor e para quem ele trabalha. A preocupação do experiente jornalista é com a credibilidade do veículo, mas não só ele. Um comunicado da AQIT, Associação pela Qualidade da Informação, convocava esta semana jornalistas e editores a conjugar esforços para a formalização de um Conselho de Imprensa. Segundo a AQIT, um novo código deontológico e uma instância que aglutinasse produtores e usuários do sistema seriam condições essenciais para um resgate da confiança ao setor.

Os movimentos são muitos e em direções não necessariamente opostas. Os franceses estão mesmo preocupados com o assunto e tudo leva a crer que arragaçaram as mangas para enfrentar a(s) crise(s) da mídia. No Brasil, já passamos perto disso. No final da década de 90 e começo desta, a revista Carta Capital martelou em várias edições um tal plano do BNDES para salvar a mídia, notadamente a Rede Globo. A revista bateu forte, e o plano de ajuda acabou não saindo. Não porque a revista fosse tão influente assim. Mas a revista também não estava fazendo aquilo por patriotismo, mas por isonomia…

O fato é que as torneiras mantiveram-se fechadas pro setor. Pouco ou quase nada entrou de dinheiro estrangeiro por aqui, mesmo após mudarem a Constituição em 2002. Os jornalistas revisaram seu código deontológico em 2007. Mas ficamos nisso. Talvez porque a crise nas bancas esteja anestesiada pelo sucesso de jornais a preços populares ou ainda porque as redações acreditam contar com a confiança dos seus leitores.

Será mesmo?

ATUALIZAÇÃO: Alberto Dines tratou do assunto, trazendo muito mais detalhes. Vale a pena ler.