RBS: atrás do din-din

Deu no Valor Econômico, ontem. Transcrevo…

RBS faz captação para investir e alongar dívida

Maior grupo de mídia da região Sul, a RBS concluiu a captação, em reais, de R$ 300 milhões em bônus de dez anos colocados no mercado internacional. Emitidos pela controlada Zero Hora Editora Jornalística, que reúne oito jornais impressos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, os títulos foram tomados por investidores institucionais dos Estados Unidos, Europa e Ásia e servirão para alongar e reduzir o custo do endividamento atual, informou o diretor executivo de finanças, Eduardo Damasceno Ferreira.

Os recursos também ajudarão a financiar investimentos na área de TV digital, na modernização do parque gráfico e em projetos ligados à Internet. Hoje o grupo dispõe de dois portais na web. Segundo Ferreira, os planos prevêem o crescimento orgânico das operações e eventuais aquisições dependem do surgimento de ‘oportunidades’ de novos negócios. A última incorporação feita pela RBS foi o jornal ‘A Notícia’, de Santa Catarina.

De acordo com o executivo, a emissão concluída sexta-feira é uma operação de características inéditas para uma empresa privada não-financeira do Brasil. A demanda pelos bônus foi mais de duas vezes superior à oferta e a remuneração aos investidores ficou em 11,25% ao ano, prefixados, com desembolso semestral de juros em junho e dezembro e pagamento do principal em 15 de junho de 2017. A captação foi liderada pelo Standard Bank e os títulos receberam rating ‘BB-‘ da Standard & Poor’s (S&P).

Parte dos recursos será utilizada na liquidação antecipada de US$ 56,8 milhões em bônus externos remanescentes de uma emissão de US$ 125 milhões realizada em 1997 para financiar, na época, operações nas áreas de telecomunicações e TV a cabo. Os títulos venceriam em 2010 comjuros anuais de 11% e a quitação vai eliminar os custos com hedge atrelados ao financiamento. A RBS já abriu uma oferta pública para recompra dos papéis, válida até 29 deste mês e com pagamento de um prêmio aos credores que aderirem até o dia 22, explicou Ferreira.

O grupo também utilizará parte da captação no pagamento de dívidas bancárias domésticas com custos mais elevados do que os novos bônus, disse o executivo. A RBS tem cerca de R$ 60 milhões em vencimentos a pagar por ano até 2009 e, segundo o diretor financeiro, a operação elevou o prazo médio doendividamento financeiro de dois a três anos para oito a nove.