wiki e youtube: dicas para professores

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 Juha Suoranta e Tere Vadén assinam Wikiworld: policital economy of digital literacy, and the promise of participatory media. O livro – disponível aqui em PDF – foi recentemente editado pelo Paulo Freire Research Center, pelo Open Source Research Group, Hypermedialab, todos da Finlândia.

Com 215 páginas, em inglês, a obra reflete as modificações paradigmáticas que as novas tecnologias – e em especial as muitíssimas possibilidades colaborativas (wiki) – têm provocado nos meios educativos, e na sociedade em geral. São Seis capítulos:

  • A critical paradigm of education
  • Digital literacy and political economy
  • Radical monopolies: schools, computer softwares and social media
  • The world divided in two
  • Edutopias and the promise of active citizenship
  • From social media to socialist media

E se falamos em wiki, em web 2.0, não podemos deixar de mencionar o maior fenômeno em sites de vídeo da internet: o YouTube. Pois já postei aqui que existem diversas modalidades para diferentes públicos – do religioso ao pornográfico. Se você é professor e quer ter acesso a vídeos de aulas e apresentações didáticas, a opção é o TeacherTube.

O repositório funciona, mas ainda está pouco recheada de conteúdos. A imensa maioria deles em inglês. Mas vale uma navegada…

steven johnson no roda viva

A TV Cultura exibiu há pouco o Roda Viva, que entrevistou o professor e crítico cultural Steven Johnson, bastante conhecido por quem se interessa pelas discussões sobre games, mídias digitais e desenvolvimento humano.

Johnson, como sabem também, esteve no Brasil para a Campus Party, onde deu autógrafos, palestras, sorrisos e ainda lançou seu mais novo livro, O mapa fantasma. Mas Johnson é mais conhecido por outros dois títulos polêmicos: Cultura da interface, Every thing bad is good for you.

A coletiva do Roda Viva ficou bastante centrada na relação entre games e aprendizagem, uso de games para além da diversão. Em praticamente metade do programa, muitas perguntas bateram na mesma tecla, fazendo com que o professor tivesse que explicar seus argumentos de que games, TV e sites de relacionamento, por exemplo, embora pareçam nocivos às pessoas, podem deixa-las mais inteligentes, já que despertam nelas potencialidades pouco exigidas nas mídias tradicionais e livrescas. Johnson se refere a coisas como tomadas de decisão rápidas, resolução de problemas mais simples e – em seguida – mais complexos, raciocínio rápido e destreza manual, amplitude e orientação espacial, etc…

A concentração das perguntas sobre games me pareceu demasiada, mas também sinaliza uma situação: fora a PlayTV – voltada para o público gamer -, não há oportunidades na TV brasileira para se discutir e pensar o assunto. Geralmente, os games viram notícia em duas situações: no seu lançamento – e aí, é jabá – ou na sua proibição ou condenação pelos “malefícios que provoca às novas gerações”. Para a grande mídia, game ainda é brincadeira de criança, e não a indústria de entretenimento que mais cresce no planeta e que já até desbancou a cinematográfica em movimentação de ativos.

De qualquer forma, me fez pensar…

(Neste blog, já tratei de games e educação aqui e aqui)

(O blog do Steven Johnson está aqui)

mídia, adolescência e deficiência

Um estudo inédito observou como adolescentes com deficiência se relacionam com a TV no Brasil, Argentina e Paraguai. A pesquisa foi divulgada hoje pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância, ANDI.

Uma prévia: os adolescentes não se consideram retratados na mídia desses países.

“Garotas e garotos com deficiência pouco se reconhecem na programação de tevê, nos jornais e nas revistas. É o que revela o estudo ‘Mais Janela que Espelho: a percepção dos adolescentes com deficiência sobre os meios de comunicação na Argentina, no Brasil e no Paraguai’, lançado hoje (11/02) pela ANDI, Rede ANDI América Latina e Save the Children Suécia.  A pesquisa ouviu 67 adolescentes, a maioria na faixa dos 11 a 13 anos, com deficiência, de diferentes classes sociais, em três países latino-americanos – Brasil, Argentina e Paraguai – divididos em oito grupos focais nas cidades de São Paulo, Salvador, Buenos Aires e Assunção. A maioria esmagadora deles não se recordou de nenhuma notícia ou personagem televisivo que abordavam essa condição. ‘Apenas depois de diretamente questionados eles lembravam de algo e falavam no assunto’, conta Guilherme Canela, coordenador de Relações Acadêmicas da ANDI e do estudo”.

Conheço a pesquisa e os dados que ela traz nos ajudam muito a (re) pensar essas relações entre adolescentes, pessoas com deficiência e meios de comunicação.

Para ter acesso ao PDF com 41 páginas, clique aqui.

A Folha de S.Paulo deu uma nota no sábado, dia 2. Veja aqui.

fim das férias: séries e a vida que a gente leva

Não é porque é agora não. Mas os anos 90 e esta década são simplesmente o supra-sumo das excelentes séries de TV. Elas são numerosas, bem escritas, bem produzidas, envolventes, viciantes. Sei que antes já tivemos ótimos produtos, mas penso que agora não temos só bons, mas muitos e muito bons. (se você discorda, comente!)

Fiquei parado com Lost. Vi as três temporadas e me intriguei com a trama caleidoscópica.

No final da temporada de 2007, lá por junho ou julho, pensei: e agora? Os episódios só retornariam no final de janeiro. Eu tinha que conseguir algo para “pôr no lugar”, preencher o lobo de entretenimento do cérebro. Parti para os videogames. Enfrentei God of War, e fui até o final. Segui com a sequência e God of War II também foi zerado.

Voltei aos seriados e caí com o queixo em House.

Nestas poucas férias devorei as três temporadas inteirinhas. Terminei ontem mesmo.

Hoje, nos Estados Unidos, recomeça o Lost, a quarta temporada, curta por causa da greve dos roteiristas. Claro que vou voltar a acompanhar…

Mas você, que está aí do outro lado da tela, deve estar pensando: “Que besteira isso tudo. São apenas filmes e personagens que não existem. Tramas rocambolescas, ficção pura”.

Concordo. Claro que é. E é justamente por isso que importa tanto. Precisamos de fantasia, precisamos de ficção. Precisamos de narrativas todos os dias, como de ar ou de alimento. Essas narrativas me desviam o olhar, me mostram novos horizontes, me fazem ver para além da minha vidinha. A arte, a literatura, o cinema, as fofocas cotidianas, tudo isso me leva a surfar na vida contemporânea. Me dá alívio, frescor nas narinas, vento nos cabelos. 

Acompanhar o delegado Espinosa, dos romances de Luiz Alfredo García-Roza, não resolve meus problemas, não paga as minhas contas. Mas eu não o procuro para isso. Procuro para me divertir, para me envolver em outros problemas. Os meus eu faço questão de resolver. E se eu não os resolver, outros tantos ficarão na fila…

uma campanha mentirosa

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Quem tem TV a cabo sabe o que estou dizendo.

No meio da programação, um rapaz levemente calvo com ar grave e tom ameaçador diz que se um tal projeto de lei for aprovado haverá uma hecatombe na TV a cabo. Não poderemos mais escolher o que assistimos, pois “eles” escolherão pra gente. A liberdade vai acabar. Oh!!!

Uma pinóia!

A discussão gira em torno do projeto de lei 29/2007, que – entre outras coisas – define cotas de programação nacional na TV por assinatura. O anúncio da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) é super apelativo (veja aqui). O tom é apocalíptico. E mentiroso, sejamos claros.

Afinal, não é o telespectador quem define o que assiste. Se fosse assim, na minha casa, não teria os canais Canção Nova, Shoptime, Mercado Persa, Canal do Boi, TV Turfe, e por aí vai. A gente escolhe o pacote e a operadora, e olhe lá. Então, os caras vêm fazer beicinho porque alguns parlamentares querem instituir uma reservinha de mercado para os produtores nacionais (o que gera emprego e renda AQUI, promove a cultura regional, a diversidade de conteúdos, coisas sem importância, né?)…

Os caras são tão manipuladores que, no alto do site da campanha, acima do contador, eles colocam “Até agora são …. pessoas participando”. Como se quem passasse por ali estivesse engajado numa batalha.

Ora, faça-me o favor!

Para saber mais, veja o site da campanha da ABTA ou leia a resposta do deputado Jorge Bittar ao ataque.

Em tempo: O projeto de lei prevê cota de 50% para canais pagos brasileiros , mais 10% de programação nacional nos canais estrangeiros – que hoje somam 75% da programação da TV por assinatura no Brasil.

TV digital e Rede Pública de TV

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O dia é amanhã, quando começam oficialmente as transmissões da TV digital no Brasil e da Rede Pública de Televisão, o polêmico projeto do governo federal para a criação de um sistema inédito na área da radiodifusão.

Se você não sabe nada de TV Digital, passe por aqui. As informações são do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD), coletivo que assessora o comitê de desenvolvimento do sistema. Para uma visão mais crítica do assunto, veja o que diz a Daniela Alarcon, do Observatório do Direito à Comunicação.

Sobre a Rede Pública, leia um extenso debate sobre ela, produzido pela Radiobras (contendo textos, entrevistas em áudio e vídeo e mais diagnósticos); o Rio Mídia ouviu diversas personalidades do mercado, da academia e da sociedade  que opinaram sobre o assunto; veja quem vai compor o conselho curador da emissora; confira a posição esperançosa de Beth Carmona para o projeto; e tenha um contraponto crítico, com o que escreve João Brant, do Observatório do Direito à Comunicação.

Antene-se!

vídeos na web para todos os gostos

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 O YouTube foi o site do ano em 2006? Sim, afinal, provocou uma revolução nos hábitos de consumo, produção e difusão de filmes em câmeras domésticas, webcams, câmeras digitais e celulares. O YouTube é o rei dos sites que hospedam vídeos na internet. Mas há de tudo por aí.

Se o seu perfil é mais acadêmico, uma boa opção é o Videolectures.

Se você é do tipo mais religioso, há o GodTube.

Para os mais safadinhos, há o PornoTube.

Para os mais genéricos, há o GoogleVideos, o Videolog, o WeShow …

Divirta-se!

record news, o começo

Assisti pela TV a abertura oficial do Record News, o auto-alardeado primeiro canal 24 horas de notícias de sinal aberto. A “cerimônia” foi rapidinha, meia hora. Mas foi entre o brega e o paroquial. Explico.

  • Celso Freitas adotou um tom cerimonioso, usando formas de tratamento não usuais na TV, como “excelentíssimo senhor”, “ilustríssimo”, etc.
  • Lula, Serra, Kassab prestigiaram o evento. Ficaram sentadinhos e bonitinhos. Os dois primeiros falaram, o prefeito não. Acho que houve um certo temor de que ele enxotasse alguém aos berros…
  • Celso Freitas confidenciou que em 1989 a Record quase faliu, mas “um projeto inovador” salvou a emissora. Ele tava se referindo à Igreja Universal
  • Celso Freitas anunciou a palavra do “proprietário”, isso mesmo, proprietário da Rede Record, o bispo Macedo. E ele falou. Claro que terminou falando de deus…
  • Lula terminou seu discurso recitando versos do Hino à República: “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós…”
  • Lula e Edir Macedo – no maior estilo inauguração de hidrelétrica ou início de pregão na bolsa – deram início às operações do canal, apertando o botão NO AR.
  • Fafá de Belém, isso mesmo, cantou o hino nacional.
  • Em rápidos takes na platéia, deu pra perceber que havia lugares vazios. Mas não dá pra reclamar: tinha o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, e ministros como o dos Esportes (Orlando Silva) e do Turismo (Marta Suplicy)…
  • Terminou rápido porque os salgadinhos estavam esfriando.

Pode parecer brincadeira, mas foi assim mesmo que aconteceu.

Pessoalmente, torço para que o canal dê certo e que seja mesmo aberto. Eu tenho TV a cabo, mas o sinal da ex-Rede Mulher não chega aqui. Então, de 24 horas de jornalismo em sinal aberto, o “aberto” é só um adjetivo vazio pra mim.

Mas torço pra dar certo, sim. Só que eles podiam me poupar as risadas na abertura…

sobre o top-top e o direito de imagem (2)

Outro leitor deste blog, Celio Penteado, discorda do que escrevi sobre o fato de jornalistas terem desrespeitado o direito de imagem dos assessores do governo ao gravarem suas reações. Ele escreve: “Que bobagem essa história de autorização do uso da imagem. Se for assim não se poderia documentar um seqüestro. Deveríamos pedir primeiro, e por escrito, a autorização do seqüestrador. Se quisesse manter a privacidade, deixasse a cortina fechada”.

Também concordo em partes. Começo pelo final. Claro! Se o governo quer privacidade, que construa as condições para tal. No episódio, era fácil. Basta fechar as cortinas. Basta zelar pela confidencialidade. Não se expor. Como fez o presidente: não apareceu. Só o fez 72 horas depois. (Que agilidade! Onde estava Franklin Martins, que poderia aconselhar melhor o presidente?) Já disse aqui: quem faz a foto é o modelo, quem zela pela pose é o fotografado. E em tempos de regime das imagens, todo cuidado é mínimo.

Entretanto, a questão do direito de imagem vai mais além. Segundo o direito, a coisa é assim: todas as pessoas têm direito sobre as suas imagens e não podem abdicar delas. O que podem é autorizar a exploração e o uso delas. Todas as pessoas, inclusive os famosos, têm esse direito.

Neste sentido, a Justiça entende que há dois tipos de imagem: imagem-retrato e imagem-atributo. A primeira se refere ao físico, ao visual, à projeção visível e apreensível de alguém, como um retrato da pessoa. A segunda tem relação com sua reputação, decoro, imagem pública, honra, etc. Por que os juristas dividem? Porque, na verdade, a exposição de alguém fazendo algo pode não constituir em danos para essa mesma pessoa e só o fará quando for violada a imagem-atributo. Explico: se sou fotografado numa praia da Espanha conversando com a Daniella Cicarelli, não posso argumentar que sofri algum dano com essa exposição. Agora, se estiver na mesma praia me esfregando em Marco Aurélio Garcia (em pleno ato de traição à minha esposa e em flagrante atentado ao pudor), posso argumentar que a veiculação das imagens foi nociva a minha pessoa. Foi nociva porque constrangeu a mim e aos que me cercam, e porque me vinculou a alguém com quem eu não gostaria de ser visto.

Nesse episódio, eu poderia processar o fotógrafo? Sim. Mas eu teria legitimidade? Aí, já são outros quinhentos. Primeiro, a coisa aconteceu fora do país e lá as leis são outras. É necessário observar se a coisa se aplica. Segundo, podem argumentar que eu estava fazendo duas coisas erradas (adultério e atentado ao pudor, tipificados em nosso Código Penal) e meus delitos são maiores que os danos que sofri com a violação de minha imagem. E é justamente aí que as coisas emperram no escritório do advogado: quando o causídico vê a coisa nesse impasse, orienta – na maioria dos casos – a não entrar na Justiça para não fazer mais alarde ao caso, e porque a causa tem altos riscos de ser perdida.

É claro que o meu exemplo é canhestro. Mas as condições de análise podem ser plenamente transpostas ao episódio do top-top. Marco Aurélio e seu assessor tiveram sim seu direito à imagem desrespeitado pelos jornalistas que os flagraram vendo o Jornal Nacional. Mas não têm força, legitimidade ou – no popular – moral para contestarem as imagens veiculadas, cujo significado simbólico é mais arrasador que a gravação das cenas. 

cenas do top-top, ética na política e a ética jornalística

Marcos Palacios convida e eu topo a tarefa. Ele se refere ao vídeo obtido de forma clandestina que mostra importantes assessores do governo federal vendo a matéria do Jornal Nacional que sinalizaria falhas de ordem mecânica como causadoras do acidente da TAM esta semana. Os assessores deixam escapar algum júbilo por meio de gestos obscenos. Um faz o tradicional top-top, batendo a mão espalmada sobre a outra em forma de punho. Outro estende os braços e os contrai, como se estivesse remando…

Se você não viu o vídeo, acesse aqui.

Veja também o pedido de desculpas de Marco Aurélio Garcia.

Mas vamos aos fatos:

1. As imagens dos assessores foram obtidas sem as suas autorizações, pela fresta de uma janela, do lado de fora de um prédio.

2. Os gestos não foram feitos publicamente. Os gestos parecem demonstrar reações privadas dos assessores, mesmo que sejam revoltantes a quem assiste.

3. Mesmo pessoas públicas, como os assessores em questão, têm direito à privacidade.

4. Mesmo pessoas públicas, como os assessores do episódio, podem ter reações infelizes, basta lembrar do caso da ministra Marta Suplicy.

5. Tecnicamente, os jornalistas da Rede Globo invadiram a privacidade dos assessores.

6. Mas tecnicamente também estavam fazendo o seu trabalho, marcando de perto o governo nos dias seguintes à maior tragédia da aviação brasileira.

7. Embora tenham desrespeitado um direito particular, os jornalistas o fizeram em nome do interesse público. Pelo menos é o que se depreende, já que os jornalistas em questão não são notadamente paparazzi e os seus objetos não são celebridades. O flagra foi importante, embora traga também elementos de ordem política. A imprensa – e a população, pode-se dizer – esperava uma reação rápida do governo frente ao acidente, mas o Planalto demorou a aparecer.

8. A imprensa ficou em cima, e pinçou a imagem dos assessores, trazendo para dentro da arena o governo. Arrastando o governo para o debate.

9. A invasão de privacidade justifica a obtenção daquelas imagens? A cobertura do acidente poderia prescindir daquelas imagens, pois elas não trazem nenhuma informação adicional sobre as causas do desastre. Trazem, sim, elementos políticos que corroem ainda mais as desastradas ações do governo nesta crise aérea. Por outro lado, a invasão de privacidade traz elementos desconhecidos do público, como a postura de compostura de autoridades em alguns momentos. O episódio lembra o flagra de câmeras da própria Globo em 1997, quando o ministro Rubens Ricupero disse as célebres frases: “O que é bom a gente mostra. O que é ruim, esconde. Eu não tenho escrúpulos quanto a isso”. Deu no que deu: o ministro do Real caiu em seguida. Afinal, parabólicas em todo o Brasil retransmitiram de forma inconfidente as confissões do chefe da Economia nacional.

10. Um velho ditado diz o seguinte: quem tira a foto não é o fotógrafo, mas o modelo. Isto é, a pose quem faz é o objeto da câmera. Neste sentido, celebridades e famosos, notáveis e autoridades devem sempre zelar (ou super zelar) por suas posturas, mesmo em locais prvados.

11. Os assessores poderiam processar a Globo por uso indevido da imagem? Tecnicamente, sim. Afinal, não lhes foi pedida autorização para uso da imagem, patrimônio inabdicável de toda pessoa. Entretanto, compensaria buscar reparação na justiça? Evidentemente que não. Pois o constrangimento gerado pelas imagens despe de qualquer legitimidade uma autoridade que age de forma tão desrespeitosa com o fato.

12. Resumo da ópera, pela minha ótica: A mídia estava no calcanhar do governo e setores subalternos do Planalto se deixaram flagrar em momentos infelizes. O governo errou (mais uma vez) na estratégia de se comunicar com o público, atrasando a sua aparição diante da tragédia. Os jornalistas agiram em nome do interesse público, muito possivelmente motivados pelas prováveis repercussões políticas que as imagens trariam. Os jornalistas desrespeitaram o direito à privacidade dos assessores, mas no cenário atual, de constantes frustrações do público diante da crise aérea, isso pouco importa. As imagens não ajudam a explicar o acidente, nem trazem qualquer alento às vítimas.