livro combina com vídeo

Sempre adorei comprar livros. Quando vou a uma livraria, não posso ter pressa, compromisso nem nada. Gosto de vasculhar as estantes, pegar os volumes, acariciar as capas, devorar orelhas e contracapas, escanear os sumários. Comprar livros é um prazer sensorial: envolve tato, visão, olfato e até o paladar (quem não lambe a ponta do dedo para folhear?)

Não renunciei a este prazer, mas não resisto e compro também pela internet. As livrarias virtuais estão cada vez mais interessantes. Entre as nacionais, a minha predileta é a Cultura. Tem visual claro, sem a poluição da Amazon ou as cores berrantes da Submarino. É segura, tem promoções interessantes e a entrega é super rápida.

Esta semana, descobri mais uma novidade que eu gostei lá na Cultura: agora, você clica num dos livros e abaixo das informações técnicas e trechos do livro, tem vídeos (do YouTube) relacionados.

Achei uma sacada! Cultura não tem fronteira: nem de país, de língua, de mídia, de nada…

Livro combina com vídeo sim!

fim das férias: séries e a vida que a gente leva

Não é porque é agora não. Mas os anos 90 e esta década são simplesmente o supra-sumo das excelentes séries de TV. Elas são numerosas, bem escritas, bem produzidas, envolventes, viciantes. Sei que antes já tivemos ótimos produtos, mas penso que agora não temos só bons, mas muitos e muito bons. (se você discorda, comente!)

Fiquei parado com Lost. Vi as três temporadas e me intriguei com a trama caleidoscópica.

No final da temporada de 2007, lá por junho ou julho, pensei: e agora? Os episódios só retornariam no final de janeiro. Eu tinha que conseguir algo para “pôr no lugar”, preencher o lobo de entretenimento do cérebro. Parti para os videogames. Enfrentei God of War, e fui até o final. Segui com a sequência e God of War II também foi zerado.

Voltei aos seriados e caí com o queixo em House.

Nestas poucas férias devorei as três temporadas inteirinhas. Terminei ontem mesmo.

Hoje, nos Estados Unidos, recomeça o Lost, a quarta temporada, curta por causa da greve dos roteiristas. Claro que vou voltar a acompanhar…

Mas você, que está aí do outro lado da tela, deve estar pensando: “Que besteira isso tudo. São apenas filmes e personagens que não existem. Tramas rocambolescas, ficção pura”.

Concordo. Claro que é. E é justamente por isso que importa tanto. Precisamos de fantasia, precisamos de ficção. Precisamos de narrativas todos os dias, como de ar ou de alimento. Essas narrativas me desviam o olhar, me mostram novos horizontes, me fazem ver para além da minha vidinha. A arte, a literatura, o cinema, as fofocas cotidianas, tudo isso me leva a surfar na vida contemporânea. Me dá alívio, frescor nas narinas, vento nos cabelos. 

Acompanhar o delegado Espinosa, dos romances de Luiz Alfredo García-Roza, não resolve meus problemas, não paga as minhas contas. Mas eu não o procuro para isso. Procuro para me divertir, para me envolver em outros problemas. Os meus eu faço questão de resolver. E se eu não os resolver, outros tantos ficarão na fila…

navegue por 30 bibliotecas online

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Você precisa daquele livro que só a Biblioteca Nacional de España tem? E não pode ir até lá? Queria dar uma olhadinha no acervo da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos? Então, navegue pelas versões eletrônicas dessas e mais 28 bibliotecas.

Clique e se perca nas estantes…

vá ao teatro

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(clique para ampliar)

sobre paulo autran

A morte torna os clichês tão banais, mas absolutamente necessários no seu uso.

Por isso, dizer que “a morte de Paulo Autran é uma grande perda” é – ao mesmo tempo – um lugar-comum e uma verdade difícil de contornar. O desaparecimento dele deixa uma ferida aberta no teatro brasileiro, e nas artes da interpretação de um modo geral. Ele, que dizia que “o teatro é a arte do ator; o cinema, a arte do diretor; e a TV, a arte do anunciante”, era sim um monstro sagrado, expressão desgastada pelo mau uso, pelo exagero espetaculoso de alguns.

Precisamos reconhecer. Nós, brasileiros, não temos ou tivemos ainda um autor do quilate de um Shakespeare; ou um pintor do naipe de um Van Gogh. Mas já tivemos compositores maiúsculos (como Vila-Lobos e Tom Jobim), que não devem nada a Chopin e Gershwin. E tivemos um ator que estava no mesmo patamar (ou melhor dizendo, tablado) de um Lawrence Olivier, só pra citar um emblemático. Ele era o Paulo Autran.

Alguém que viveu 85 anos, começou tarde na profissão, fez uns 20 filmes, umas quatro ou cinco novelas e noventa (isso mesmo!), noventa peças de teatro. E fez de tudo: da comédia aos clássicos, do moderno ao trágico, encarnando alguns dos personagens mais insondáveis. Basta pensar na galeria mítica de Shakespeare e escolher um grande caracter. Pensou? Pois, Paulo Autran passou por Shakespeare, Moliére, Tennessee Williams, Sófocles, Millôr Fernandes, Pirandello, Sartre, Beckett, Bernard Shaw, Arthur Miller, Flavio Rangel, Mauro Rasi, João Cabral de Mello Neto, Vianinha, Harold Pinter, Ibsen, Brecht, Maria Adelaide Amaral, e tantos mais.

Foi dirigido por dezenas. Contracenou com várias gerações. Foi premiado e homenageado, e tornou-se uma espécie de símbolo do teatro brasileiro, como outros foram em seus países.

 Faz uns quatro anos, eu o vi em “Variações Enigmáticas”, ótimo texto de Eric-Emmanuel Schmitt. Autran dividia o palco com Cécil Thiré, filho de sua parceira em outras tantas produções (Tonia Carrero). Paulo Autran esbanjava. Ocupava a cena com grande facilidade e familiaridade, como se conhecesse cada centímetro do palco. Dava os textos como se pensasse aquelas frases e não apenas as decorasse. Sentia os diálogos e – mais importante para os atores – ouvia os colegas, jogava. Ele já tinha mais de oitenta anos e se mostrava mais em forma que Thiré. Jovial sempre, Paulo Autran morreu num dia da criança.