Chegou o outono

Chet Baker e Paul Desmond anunciam a nova estação: Autumn Leaves

Anúncios

Outras 3 coisas que aprendi ao mudar para a Espanha

O tempo voa e já se passaram 50 dias de nossa chegada a Sevilha. Estamos cada vez mais habituados e com os pés enterrados nesse solo arenoso amarelo que mais parece ouro em pó. O calor ainda frita os miolos de quem se atreve a desafiar o sol do meio da tarde. Já não estamos tão desavisados. E por isso, listo mais três coisinhas rápidas que aprendi nesse curto período (se você não viu, há outras 4 aqui).

1. A vida está nas ruas

Os espanhóis lotam os bares à noite, e sentam-se preferencialmente nas mesas e cadeiras das ruas. Estão em busca de brisa e de boa conversa. Famílias inteiras descem dos prédios e se espalham por todos os cantos. Falam alto, riem, brindam, entregam-se às tapas e às bebidas geladas. E ficam até altas horas da noite, já que chegam tarde também, depois das 21 horas, quando o sol se esconde. A vida é pulsante, e os sevilhanos parecem não ser exigentes em termos de local. Importa mais é a situação de convívio, a possibilidade de celebrar a vida. Ela não está encerrada nos apartamentos ou casas. La vida está en las calles…

2. É possível envelhecer com muita dignidade

Adultos, jovens, crianças e velhos saem à noite. A sensação de segurança é plena, embora haja criminalidade e quase não se vejam policiais nas ruas. Septuagenários e octogenários circulam pelas ruas, mesmo os que têm dificuldades de caminhar. Apoiam-se em andadores ou seguem em cadeiras de roda mesmo. No dia seguinte, bem cedo, frequentam os mesmos bares em busca de café da manhã. Geralmente, café com leite e pão tostado com margarina ou azeite. Vivem a vida com uma plenitude invejável, desfrutam da cidade e de suas opções de lazer. São respeitados e isso é tão maravilhoso por aqui!

3. A cidade enaltece os seus

É natural que uma cidade como Sevilha, que tem 3,3 mil anos de existência, seja um museu a céu aberto, e ela é. Não apenas exibe palácios e prédios de várias origens e estilos. Ostenta! Atira na nossa cara a riqueza que o tempo e a vontade de permanecer causam. Mas outra coisa me chama também a atenção: a cidade honra e valoriza os seus pequenos ícones também. Temos estátuas do grande Velázquez, mas também encontramos em qualquer esquina ordinária um azulejo ou placa na parede, lembrando que naquele local viveu o poeta do bairro, a dançarina de flamenco, o toureiro habitual. São lembretes de que os tesouros da cidade são seus personagens, e o que mais importa ali são os traços humanos que deixamos.

Congresso de ética nos países lusófonos amplia prazo

Os organizadores do Colóquio Internacional Ética e Deontologia do Jornalismo no Espaço Lusófono que acontecerá na Universidade de Coimbra (Portugal) decidiram alargar a sua chamada de trabalhos. Agora, quem deseja enviar seu resumo de comunicação científica deve fazê-lo até o dia 30 de setembro.

O evento acontece nos dias 13 e 14 de novembro próximos e faz parte do 5º Congresso Internacional de Comunicação. Mais informações aqui.

Eles vendem nossos dados sim. Precisamos reagir…

De acordo com reportagem de Convergência Digital, “quase metade (48%) dos executivos entrevistados para o relatório  Global State of Digital Trust Survey and Index 2018, encomendado pela CA Technologies e realizado pela Frost & Sullivan, que analisou as opiniões de consumidores, profissionais de cibersegurança e executivos sobre confiança digital, afirma que suas organizações estiveram envolvidas em violações de dados e 43% dos líderes de negócios admitem que vendem informações pessoalmente identificáveis“. O grifo é meu.

A mesma pesquisa mostra que os usuários confiam menos nesses sistemas do que seus próprios executivos. Precisamos ir além de desconfiar.

A reportagem completa está aqui.

4 coisas que aprendi ao mudar para a Espanha

Levei dez meses planejando passar doze em Sevilha para o pós-doutorado. É nessas horas que a gente percebe como estamos amarrados a detalhes da vida que nos fixam aos lugares. Mudar com a família para outro país equivale a uma missão lunar da Nasa: mesmo com toda preparação, dá muito trabalho e rende grandes surpresas.

Passados os primeiros 30 dias, já posso contar as quatro primeiras coisas que aprendi nesse processo:

1. Demora, mas você vai ser atendido

Por aqui, enfrentei fila para tudo: de banco a hospital, de loja a serviço de imigração, passando por escola e outras repartições públicas. Tem fila para tudo, há muita burocracia, e os atendentes não parecem ter pressa nenhuma. Testo minha ansiedade a todo momento. Paciência tem sido o meu mantra. Ser atendido por aqui demora, mas quando chega a sua vez, existe cortesia e atenção. Fui muitíssimo bem atendido por todos, principalmente os funcionários públicos. Parece ser a regra local: as pessoas na fila esperam sem reclamar, não têm chilique, pois sabem que a sua vez chegará.

2. Respeite os horários e o clima

Chegamos em agosto, mês de férias. A cidade esvaziada, o que significa menos gente atendendo no comércio e lojas com horários diferenciados. Então, não adiantava buscar algo entre 14h30 e 17h30, pois tudo (ou quase) estava fechado. Isso vai se estender por todo o horário de verão, que termina no final de outubro. Depois das 17h30, tudo reabre e aí, é ser feliz. Aprendemos também que com o sol não se brinca: o verão na Andaluzia é abrasador. Pegamos 48 graus numa tarde logo na primeira semana. Agora, já ficamos radiantes quando a meteorologia prevê máximas de 35…

3. Esteja aberto às novidades da mesa

Ir ao supermercado é uma festa, pois descobrimos cada coisa! Não se trata apenas de experimentar novos sabores, mas também de encontrar equivalentes dos itens que usamos na culinária brasileira e de conhecer como os locais cozinham. É divertido e surpreendente. Não tenha frescura.

4. Não se engane com os gritos

Espanhóis são muito enfáticos, festivos, afirmativos. Berram, gesticulam e quase nunca falam à voz pequena. Nem sempre é bronca ou briga. É assim que eles se colocam no mundo. Só isso. Existe um latifúndio espanhol entre a bravata e a gentileza, entre o grito e o sorriso.

O que há em comum entre dados pessoais e barrigas de aluguel?

Casais espanhóis inférteis atravessavam a fronteira e contratavam mulheres para gerar seus filhos. Cruzavam vários países em direção à Ucrânia, onde negociavam com agências especializadas e, depois, regularizavam a entrada dos bebês. Alternativa à adoção, o esquema da barriga de aluguel não é barato. Custa até 60 mil euros, e um quarto disso fica com a futura gestante, que também tem outras despesas pagas pelo casal contratante.
Após o parto, o procedimento era a coleta de material genético do pai para comprovação da paternidade. Os resultados positivos do laboratório davam o sinal verde ao consulado que emitia o passaporte espanhol para o bebê. O esquema clandestino, porém, está ameaçado porque o consulado espanhol em Kiev está fechando as portas e porque há um novo impedimento jurídico: o Regulamento Geral de Proteção de Dados. A lei entrou em vigor em maio passado e protege, por exemplo, dados sensíveis como o DNA. Assim, fica dificultada a coleta de material do bebê…
Este é apenas um episódio que ilustra como somos feitos de dados, e como dados são cada vez mais importantes para nossa autodeterminação e para a defesa dos nossos direitos.
O Brasil aprovou há pouco uma Lei de Proteção de Dados, e ela deve passar a funcionar em 2020. Até lá, governos, empresas e cidadãos precisam se ajustar a um novo contexto. Até lá, precisamos também de um órgão fiscalizador que tenha autoridade e legitimidade para efetivamente proteger nossos dados…

A primeira saudade do Brasil…

Estou há quatro semanas em Sevilha para o pós-doutorado e só ontem uma pontinha no peito acendeu a luz da saudade. Não é a primeira vez, é verdade. Já estive fora antes, mas esta saudade do Brasil só foi despertada agora porque devorei a tese de Lilian Juliana Martins: “Antonio Callado jornalista: a narrativa da grande reportagem e o ideal do Brasil possível”. Orientada por Marcelo Bullhões na Unesp de Bauru, a ótima tese é um mergulho inédito e revelador na obra jornalística desse gigante. Ela analise seis grandes reportagens de Callado e as articula a um movimento mobilizador (e idealizador) de um país que teima em não acontecer.

Índios no Xingu, miseráveis na seca nordestina, agricultores engajados pela reforma agrária, tudo isso encharcou de brasilidade as mais de 300 páginas do trabalho, despertando esse sentimento escondido lá no fundo das minhas malas.

As últimas semanas têm sido muito intensas por aqui e mal havia me preparado para isso.

Hoje, Lilian defendeu a tese e seu trabalho foi aprovado. Por Skype, confessei que o trabalho dela havia me provocado a primeira saudade do Brasil nesta jornada espanhola. Ouvi a reação simpática da platéia e dos outros avaliadores. Todos rimos e eu me peguei num redemoinho de emoções: a banca acontecia na universidade onde me formei como jornalista há mais mais de 20 anos; a tese foi orientada por um dos meus mais queridos professores dessa época; e as páginas do trabalho me fizeram lembrar daquele país que não sai de mim.

Lembrar não. Recordar! Porque recordar significa voltar a passar pelo coração…

 

Fake news, educação para a mídia e democratização dos meios

Não vamos vencer as notícias falsas em 2018. Este não é só um problema dos jornalistas. A mídia independente joga um papel importante nessa guerra contra a desinformação.

Eu disse isso e um pouco mais nessa rápida entrevista para o Centro de Crítica de Mídia, projeto da PUC-Minas. A entrevista foi gravada em abril deste ano, durante o concorrido seminário que eles promoveram.

Enfim, uma lei de proteção de dados brasileira!

Foi sancionada ontem a Lei Geral de Proteção de Dados, instrumento que vai ajudar a regular a interceptação, uso, armazenamento e compartilhamento de dados pessoais no Brasil. A lei já era esperada há muito tempo porque os dados hoje são uma moeda cada vez mais importante na economia global. Não tem a ver só com dinheiro. Tem a ver com privacidade, transparência, liberdade e autonomia dos usuários e cidadãos. Todos precisam de segurança jurídica em meio à vida conectada!

O Brasil estava atrasado nesse caso. Mais de 120 países já tinham regras para o setor.

É uma vitória da sociedade, mas o texto sancionado ontem por Michel Temer teve vetos importantes, e o maior deles é com relação à criação de uma autoridade nacional para fiscalizar o setor. Temer ignorou especialistas, empresas de tecnologia, órgãos de defesa do consumidor, ativistas e até mesmo o Comitê Gestor da Internet, que pediam que o texto aprovado na Câmara e Senado fosse sancionado sem vetos.

A lei foi publicada hoje no Diário Oficial da União. Veja aqui.

Para entender os vetos, veja aqui e aqui.

O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) já tem uma avaliação do impacto dos vetos e manifestou preocupação.

O que acontece agora?

  1. A sociedade precisa batalhar pela criação de uma autoridade de dados. Sem ela, a lei é frouxa, manca, caolha… O Poder Executivo pode mandar um projeto de lei ou uma medida provisória para a Câmara. A segunda alternativa é mais rápida, principalmente em ano eleitoral.
  2. A lei passa a vigorar daqui a um ano e meio, em 2020.
  3. A lei complementa o Marco Civil da Internet no que se refere a dados pessoais. Empresas, governos e cidadãos vão precisar se adequar às novas normas. Isso é bom para o usuário, principalmente, que estava totalmente descoberto legalmente nesse assunto.

Brasil precisa de uma agência de proteção de dados

Pesquiso privacidade há poucos anos, mas um dos instrumentos que mais me impressionaram quando conheci a Espanha era a sua Agência de Proteção de Dados (AEPD). Além de zelar pelos direitos dos cidadãos espanhóis na área, este organismo tem importância educativa. Um exemplo pode ser visto na televisão com anúncios que orientam os usuários a como agir depois da aprovação das regras de privacidade na União Europeia, em maio passado.

Recentemente, o Congresso brasileiro aprovou um texto que vai se tornar a nossa lei de proteção de dados. Para virar lei, precisa ser sancionado pela presidência da República. O prazo é 14 de agosto próximo, mas um dos impasses é justamente a criação de uma agência semelhante no país. Temer precisa assinar o texto, sem vetos, sem modificações. O Brasil precisa de mais segurança jurídica nessa área. Todos serão beneficiados com ela: empresas que desejam atuar no mercado brasileiro; empreendedores que querem inovar; usuários que precisam de proteção para seus dados pessoais…

Privacidade e Segurança Online, um curso

O Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITSRio) está com inscrições abertas para um curso online e gratuito sobre privacidade e segurança online. São 4 aulas de uma hora e meia cada, que serão oferecidas entre 21 e 30 de agosto. Para saber mais dos professores e dos conteúdos do curso e para se inscrever, vá por aqui.

Quatro eventos internacionais sobre ética da comunicação

Agende-se porque as dicas abaixo valem muito a pena:

# 5º Congresso Internacional de Comunicação: Ética e Deontologia do Jornalismo no Espaço Lusófono
13 e 14 de novembro de 2018, em Coimbra, Portugal.
Deadline: 10 de setembro
Veja a chamada: aqui

# 5ª International Conference On Media Ethics
28 e 29 de março de 2019, em Sevilha, Espanha.
Deadline: 28 de fevereiro
Veja a chamada: aqui

# International Conference of Center for Journalism Ethics: Gender, Ethics, Journalism
29 de abril de 2019, em Madison, EUA
Mais informações em breve: aqui

# 20ª Annual Convention of the Media Ecology Association: Media Ethics – Human Ecology in a Connected World
27 a 30 de junho de 2019, em Toronto, Canadá.
Deadline: 1 de dezembro
Veja a chamada: aqui

Senado aprova lei de proteção de dados; falta a sanção…

Numa conjunção astral poucas vezes repetidas, setores quase sempre antagônicos se uniram para pressionar os senadores brasileiros para aprovar o texto da lei geral de proteção de dados pessoais. E não é que deu certo? Na tarde do último dia 10 de julho, o Senado apertou o botão Enter do que pode se tornar o marco legal para que empresas, governos e pessoas se ajustem em termos de recolhimento, processamento, comercialização e uso de dados pessoais. O texto já havia sido aprovado na Câmara no finalzinho de maio graças a uma boa costura do relator, Orlando Silva (PCdoB).

Então, já temos lei, certo? Errado.

O texto vai para a sanção presidencial e há disputas intestinos que trazem ao menos duas dúvidas: Michel Temer vai assinar o texto completo (sem vetar nada)? Teremos mesmo um órgão que vai funcionar como autoridade na área?

Na newsletter do The Intercept Brasil, a editora Tatiana Dias conta que o tema é tratado como prioridade para a segurança institucional da presidência da república. Sim, o mesmo setor que dirige (an?) a Abin. No UOL, Cristina De Lucca, que acompanha os passos do projeto de perto, chama a atenção para os movimentos de bastidores. Miriam Aquino, no TeleSíntese, diz que a Casa Civil faz reuniãozinha na semana que vem sobre o tema.

Quem se preocupa com privacidade não pode relaxar ainda…

 

Um exercício de generosidade na pós-graduação

É muito comum que disciplinas no mestrado e doutorado rendam artigos científicos para serem publicados em revistas acadêmicas e ponto final. É assim na área da Comunicação e em campos próximos, e a ideia é matar dois coelhos de uma só vez: o texto serve de instrumento de avaliação da matéria e incrementa a produção, cada vez mais cobrada.

Repeti essa fórmula diversas vezes, mas decidi arriscar mais no primeiro semestre deste ano: propus aos alunos da disciplina de Estudos Avançados em Ética Jornalística que não escrevessem artigos, mas se dedicassem a produzir verbetes para a Wikipedia!

O objetivo era incentivar a produção de novos conhecimentos e a disponibilização disso para um número maior de pessoas. Não é segredo pra ninguém que artigos científicos são muito pouco lidos e ficam praticamente confinados no restritíssimo círculo de pesquisadores. A Wikipedia, ao contrário, é extremamente acessível, muito popular entre os usuários mais jovens da internet e cada vez mais aceita como referência imediata pelas pessoas.

Minha ideia não é nada original. Aliás, me inspirei claramente no trabalho que o professor Ruy de Queiroz já realiza no Centro de Informática da UFPE e vem alimentando a Wikipedia com verbetes sobre inovação, tecnologia e sociedade. Já o meu amigo Carlos D’Andrea, que escreveu uma tese sobre a Wikipedia, nos forneceu detalhes preciosos sobre como ela funciona e como se organiza.

Para minha satisfação, a turma aceitou o desafio de imediato e produziu verbetes que ajudam a abastecer o conhecimento do Jornalismo e da Comunicação em nossa língua naquela enciclopédia. Ao fazer isso, mestrandos e doutorandos desceram da Torre de Marfim e precisaram adaptar as linguagens de seus textos para que pudessem ser absorvidos por um público muito mais amplo que o habitual. Também aprenderam a operar na plataforma de edição da Wikipedia, para além de enfrentarem conceitos muitas vezes complexos e ainda inéditos na versão lusófona da enciclopédia. Como os verbetes não levam assinatura, os pós-graduandos também demonstraram não só rigor científico e capacidade de adaptação de linguagem, mas também desapego e grande generosidade. Afinal, escapando da fogueira das vaidades acadêmicas, ofereceram suas contribuições de forma anônima para ampliar a inteligência coletiva internética, podendo ver seus verbetes serem atualizados, editados e acrescidos a qualquer momento e por outros autores…

O resultado pode ser conferido em verbetes como Credibilidade Jornalística,  Reportagem Investigativa, Legitimidade Jornalística, e Interesse do Público, por exemplo.

Na minha avaliação, foi uma ótima experiência! Na prática, meus queridos alunos responderam a três questões capitais: É possível ser generoso num ambiente competitivo como a pós-graduação? A universidade produz conhecimento para quem? E para quê?

Transparência: dois eventos em Berlim

A capital da Alemanha é também a capital mundial da transparência, pelo menos nesta semana quando dois eventos reúnem especialistas e pesquisadores do tema em diversas áreas do conhecimento. Transparência e Sociedade: entre a promessa e o perigo é o tema da Herrenhausen Conference, promovida pela Fundação Volkswagen, e que acontece de 12 a 14 de junho. O programa pode ser conferido aqui. E veja aqui no Twitter.

Na sequência, no dia 15, acontece a conferência Mídia e Transparência: uma perspectiva global, evento realizado pelo Instituto Erich-Brost de Jornalismo Internacional, ligado à Universidade Técnica de Dortmund. A reunião avança em discussões de um projeto internacional sobre accountability na mídia.

Estou em Berlim para a primeira atividade. É um mergulho nas muitas perspectivas de debate sobre a transparência. Uma pena não poder ficar para a segunda conferência… Mas se você se interessa pelo tema, o caminho das pedras e os nomes a buscar estão nos links acima…

Câmara aprova proteção de dados pessoais; bola está com o Senado

O plenário da Câmara Federal aprovou ontem à noite – 29/05 – projeto de lei de proteção de dados pessoais. Havia uma corrida entre Câmara e Senado para ver quem votaria primeiro, já que tramitavam projetos distintos liderados por PC do B e PSDB. Cruzou o disco final o deputado federal Orlando Silva, que fez a melhor e mais eficiente costura entre as partes na Câmara. (Os detalhes sobre isso são melhor narrados pela jornalista Cristina de Lucca)

O projeto segue agora para o Senado para nova deliberação.

Mas não há como negar: temos uma boa notícia na área, pois um passo decisivo na regulamentação do tema foi dado no país!

Intelectuais internacionais contra a prisão de Lula

O que Tariq Ali, Noam Chomsky, Angela Davis, Leonardo Padura, Thomas Piketty, Slavoj Zizek e Boaventura de Souza Santos têm em comum?

Eles e mais 300 intelectuais internacionais consideram que Lula não é um preso comum. É um preso político.

https://www.geledes.org.br/piketty-angela-davis-e-mais-300-intelectuais-pedem-liberdade-de-lula/

Usa o PGP? Cuidado!

Uma das ferramentas mais celebradas entre ativistas e jornalistas quando se trata de garantia de anonimato e privacidade é o Pretty Good Privacy, o PGP. Ele garante criptografia de ponta a ponta, funcionando à base de chaves individuais públicas, o que só permitia aos destinatários decodificar as mensagens recebidas. Acontece que descobriram uma falha no PGP e a própria comunidade hacker está avisando: evite usar porque estamos buscando consertar as coisas por aqui.

Enquanto isso, a saída é usar serviços como o Signal, por exemplo.

Esta história bem explicadinho está aqui na matéria de Judith Matloff para a Columbia Journalism Review.

Ética jornalística, uma edição especial

 

cover_issue_249_pt_PTA revista portuguesa Media & Jornalismo, editada pela Universidade Nova de Lisboa, acaba de publicar uma edição com um dossiê sobre ética jornalística, novos e velhos dilemas. O número foi editado por Carla Baptista e Alberto Arons de Carvalho e tem um sumário muito variado:

Reconstructing journalism ethics: disrupt, invent, collaborate – Stephen J. A. Ward
Novas responsabilidades do jornalismo face à liquidificação da profissão: fundamentos normativos, valores, formação – Carlos Camponez
Regulação participada e regulação em parceria como resposta aos desafios da profissão – João Miranda
Direito e proteção à privacidade em códigos deontológicos de jornalismo – Rogério Christofoletti, Giulia Oliveira Gaia
A liberdade de consciência do jornalista precisa de proteção especifica a bem da independência no seu trabalho, do pluralismo e da democracia? – Otília Leitão
O lucro social e financeiro do jornalismo de investigação – Pedro Coelho, Marisa Torres da Silva
Tendências do jornalismo de investigação televisivo a partir do estudo de caso da reportagem da TVI “Segredo dos Deuses” – Carla Baptista
Debates da história: a evolução do conceito de objetividade em Umberto Eco – Marco Gomes
Jornalistas brasileiros no banco dos réus: enquadramentos de sentenças judiciais em ações de dano moral – Caetano Machado, Carlos Locatelli
O ethos do jornal O Globo e a campanha contra as fake news – Vivian Augustin Eichler, Janaína Kalsing, Ana Gruszynski
Fake news nas redes sociais online: propagação e reações à desinformação em busca de cliques – Caroline Delmazo, Jonas C. L. Valente
Journalism at the crossroads of the algorithmic turn – Francisco Rui Cádima
O jornalismo no contexto da Web Semântica – Bruno Viana
Dissimulacro-ressimulação: ensejos da cultura do ódio na era do Brasil pós-verdade – Paulo Quadros
Resenha do livro Radical Media Ethics, de Stephen J. Ward – Dairan Paul

Para baixar os artigos gratuitamente (ou a edição completa), vá por aqui: http://impactum-journals.uc.pt/mj/issue/view/249

Seminário de crítica de mídia em BH

Começa amanhã na PUC-Minas o Seminário de Crítica de Mídia, evento que vai até o dia 26. O seminário é promovido e realizado pelo Centro de Crítica de Mídia e a programação está carregada de bons temas e debates.

Darei uma passadinha por lá porque me encarregaram de palestrar sobre ética e crítica de mídia. Estou bastante ansioso para conversar com os colegas mineiros sobre o tema. Uma pena eu não poder ficar por mais tempo. Se você estiver por lá, não perca. Veja a programação:

Dia 24 de abril:
8h50: Conferência de abertura – Cinema e Sociedade, Diálogos Críticos, com Pablo Villaça
10h40: Conferência 2 – Crítica da Mídia: Cobertura do Futebol, com Cândido Henrique e Marcelo Carvalho
15h20: Conferência 3 – Ética e Crítica da Mídia, com Rogério Chistofoletti
17h10: Conferência 4 – Observatórios e Grupos de Pesquisa: Experiências de Crítica Midiática, com  Ercio Sena (CCM), Paula Simões (GRISLAB) e Daniela Lopes (MID)

Dia 25 de abril:
8h50: Conferência 5 – Luta por Reconhecimento e Crítica da Mídia, com Francisco Bosco
10h40: Conferência 6 – Rituais de Consumo Midiatizado, com Bruno Pompeu
15h20: Conferência 7 – Reflexividade no Cinema, com Alice Riff
17h10: Conferência 8 – Música e Memória: Construções Biográficas no Cinema e na Mídia, com Bruna Santos, Graziela Cruz e Mozahir Salomão Bruck

Dia 26 de abril:
8h50: Conferência 9 – Memória, consumo e práticas lúdicas: Cosplay, Medievalismo e Steampunk, com Mônica Ferrari
10h40: Conferência 10 – Semiótica Aplicada à Publicidade, com Clotilde Perez
15h20: Conferência 11 – Dinâmicas Identitárias nas Redes Sociais, com Beatriz Polivanov
17h10: Conferência 12 – Políticas do Streaming: Algoritmos e Curadoria Musical, com Rodrigo Fonseca

Mais informações:
http://ccm.fca.pucminas.br
https://www.facebook.com/ccmpucminas/
https://www.facebook.com/events/169104453789932/

Lula preso nas capas de jornais e revistas

Um dos episódios recentes mais tensos da política nacional teve um desfecho ontem à noite: Lula cumpriu o mandado de prisão e está em Curitiba. Veja como os jornais brasileiros e internacionais deram a notícia. E se ainda quiser ver como as principais revistas semanais brasileiras fizeram isso, leia meu texto no objETHOS.

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

Uma revista explica fake news para jovens

A edição de abril da revista ITS, voltada ao público jovem em Santa Catarina, traz matéria de capa sobre as chamadas fake news. Em linguagem informal e com dicas úteis, a reportagem assinada por Lucas Inácio cumpre aquilo que muita gente fala como importante, mas não faz: incentivar a alfabetização digital e formar públicos mais críticos.

A ITS é uma publicação impressa, mas você também pode acessar a revista online aqui.

Facebook está sugando sua agenda telefônica e espionando seus telefonemas

O escândalo Facebook-Cambridge Analytica coloca mais gasolina na fogueira sobre o recolhimento e a interceptação de dados das pessoas no mundo todo. Ninguém ou quase ninguém está protegido dos abusos do Facebook, de Google e de outros gigantes da tecnologia. Por mais que a gente tome cuidado com privacidade, as capacidades intrusivas deles sempre nos surpreendem. As pessoas mais próximas me consideram paranóico com isso e não tenho vergonha nenhuma desse comportamento. Privacidade é liberdade, é autonomia, é controle sobre as próprias informações.

Claro que revisei minhas configurações de privacidade após mais este escândalo. Antes mesmo era bastante cuidadoso com certas informações. Mas isso não impediu que eu caísse das pernas com o que Facebook fez comigo!

Por precaução adicional, fui ver que dados meus o Facebook coletou ultimamente. Qualquer pessoa pode fazer isso. Basta ir em Configurações/Configurações gerais da conta e clicar em Baixar uma cópia dos seus dados no Facebook. Você recebe um email e depois um segundo email com o link para baixar o pacote. Particularmente, não uso tanto o Facebook, mas mesmo assim, meu arquivo superou 1 giga!

Lá estão minhas postagens, as fotos que subi, meus amigos e… meus contatos telefônicos do meu celular e até mesmo para quem liguei, quando, e quanto duraram as chamadas. Isso mesmo! Se você acessou o Facebook por seu celular alguma vez na vida, ele extraiu toda a sua agenda telefônica e registrou suas ligações nos últimos meses. No meu caso, a lista tinha metadados das chamadas desde setembro de 2017!!! E registros de SMS desde junho de 2016!

Os mais cínicos dirão: ah, mas você deu consentimento ao Facebook para que ele acessasse esses dados.

NÃO! NÃO DEI!

Clicar em um botãozinho não é um consentimento claro, livre e esclarecido. É uma armadilha para os usuários! NÃO AUTORIZEI O FACEBOOK A DOCUMENTAR MINHAS LIGAÇÕES. ELES NÃO TÊM MINHA AUTORIZAÇÃO NEM ESTÃO AMPARADOS POR ORDENS JUDICIAIS.

Convidar a clicar em um botãozinho é uma maneira perversa e maliciosa que pode induzir qualquer pessoa a fazer o que ela não deseja. Então, ninguém no planeta me convence de que eu autorizei o Facebook a interceptar MEUS números, MINHAS chamadas, MINHAS mensagens, até porque nenhuma das ligações foi feita através do Facebook, mas por minha operadora telefônica.

Revoltante. Alarmante.

O Brasil precisa urgente de uma lei de proteção de dados. O Marco Civil da Internet de 2014 já prevê isso, e há projetos de lei para dar conta disso e tentar proteger os usuários. Os países da União Europeia não só têm leis semelhantes como a proteção vai ficar mais rígida este ano a partir de maio, quando novas regras passarão a vigorar. Anotem: vamos assistir a uma guerra entre as autoridades europeias e Facebook etc…

O escândalo Cambridge Analytica mostra de forma contundente como os gigantes da tecnologia precisam de limites. Mostra como os governos – junto com a sociedade – precisam regular o setor. Mostra como não podemos confiar nesses gigantes da tecnologia, e como eles recolhem e utilizam nossos dados sem nosso conhecimento e consentimento. Isso é crime e você já sabe o nome.

Achou meu texto alarmista? Faça você mesmo o teste. Baixe seus arquivos do Facebook e veja como ele está espionando a sua vida privada. Sem o seu conhecimento, e o que é pior: sem a sua concordância e autorização.

Risco e segurança para jornalistas: um curso

O Knight Center para Jornalismo nas Américas da Universidade do Texas em Austin, em conjunto com a International Women’s Media Foundation (IWMF), estão oferecendo a partir de hoje um curso muito interessante e útil para jornalistas: Risco e Segurança no Jornalismo na América Latina: ações práticas para a autoproteção.
É online, dura cinco semanas, é grátis e em espanhol.
Mais detalhes aqui.

Sobre transparência no jornalismo: um exemplo

Quantos repórteres falam de suas relações com as fontes?
Quantos jornalistas avisam ao público de algum eventual conflito de interesses?
Transparência ainda é um tabu para muitos de nós…
Em um contundente texto para The Intercept Brasil, Glenn Greenwald mostra que esta não é só uma medida de coragem, mas de caráter.

Ética Jornalística, um curso

Começo hoje um curso para alunos de mestrado e doutorado sobre estudos avançados em ética jornalística. Esta é uma disciplina eletiva do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC, e nas próximas 15 semanas, pretendo  enfrentar com meus companheiros de aula algumas questões que me parecem cruciais para se pensar a profissão atualmente: ética das redações e ética hacker; verdade, credibilidade e fake news; robôs, algoritmos e automação do jornalismo; privacidade, vigilância e transparência; direito ao esquecimento e vazamentos… esses são alguns dos tópicos que vamos perseguir com uma extensa bibliografia, e é claro que outros podem surgir inadvertidamente.

A turma já está fechada e estarei em excelente companhia. Como talvez o assunto interesse a você, leitor, deixo aqui o plano de ensino na esperança de atrair novos interlocutores. Se não de forma presencial e em sala de aula, que o diálogo se dê pelas muitas vias tecnológicas que temos hoje.

The Post mostra coragem seletiva no caso dos Pentagon Papers

The Post, o filme de Steven Spielberg sobre a divulgação de segredos dos Estados Unidos sobre a guerra do Vietnã, já está em muitas salas de cinema e merece ser conferido. Não chega a ser um filme empolgante, nem mesmo para jornalistas.

A narrativa oscila em ritmo, não tem trilha sonora envolvente e algumas passagens são apressadas. Vez em quando, lá se vai o fio da meada, mas seguimos o baile.

A câmera é certeira, a reconstituição de época – entre o final dos 60 e começo dos 70 – é muito competente e o elenco é irrepreensível. Tom Hanks oferece um Ben Bradlee mal humorado e inquieto, bem distante da atuação carrancuda de Jason Robards em Todos os Homens do Presidente. Meryl Streep traz nuances singulares para Kay Graham, a hesitante e quebradiça dona do Washington Post. Bob Odenkirk esculpe o mítico repórter Ben Bagdikian com traços de implacável correção moral e jornalística. Apesar disso, há uma imensa (e invisível) casca de banana no meio do caminho: The Post deposita todo o heroísmo no colo do jornalismo, mas a história verdadeira é outra.

A trama do filme se concentra no vazamento de milhares de páginas de documentos ultrassecretos dos Estados Unidos que provam ingerência política de vários presidentes, conhecimento de que o país não venceria a guerra tão fácil, entre outros podres. The Post até mostra quem vazou os documentos e como. Um agente de informação copia 7 mil páginas de um longo estudo sobre a presença dos EUA na guerra e distribui partes para The New York Times e Washington Post. Esse denunciante tem nome: Daniel Ellsberg. E foi só por causa dele que o mundo veio a saber dos chamados Papéis do Pentágono. Sim! Foi ele que arriscou o pescoço por meses para transportar caixas e mais caixas de papéis – disfarçados das mais diversas formas – para fora de seus cofres para fazer xerox daquilo tudo.

Andy Greenberg tem um livro ótimo que retoma essa história e compara como são feitos os grandes vazamentos de informação na atualidade. Em poucos minutos, foi possível copiar centenas de milhares de documentos num CD regravável e que depois seriam vazados pelo WikiLeaks em novembro de 2010. Mas imaginem o que é xerocar 7 mil páginas confidenciais, retiradas furtivamente de empresas e órgãos de segurança nacional…

No filme de Spielberg, Ellsberg é apresentado como um sujeito lacônico, com olhar esquisito, jeito misterioso e com importância tão limitada que chega a desaparecer nela. Todos os louros são dados ao editor intransigente que quer levar os segredos ao público e à publisher, que descobre na liberdade de imprensa um corolário para justificar a função da empresa que herdou do marido.

É verdade que Bradlee e Graham se arriscaram bastante. The Post reserva várias cenas em que a coragem como valor republicano é enaltecida e celebrada. Mas o que indigna é que Spielberg mostra uma coragem seletiva, reservada apenas à empresa jornalística e não ao vazador. Ora! Quem deu o primeiro pontapé na bola?!

Tenho uma modesta explicação para isso, amigos.

Nos Estados Unidos, vazador tem um nome pomposo: whistleblower. Isto é, soprador de apito, aquele que berra para apontar um problema grande. A história mostra que esses denunciantes são motivados por valores públicos que os fazem desafiar poderes, correr riscos inimagináveis e a se sacrificarem para que a sociedade se beneficie com o teor de suas revelações. Julian Assange e seu Wikileaks são whistleblowers. Chelsea Manning e Edward Snowden também, bem como Daniel Ellsberg.

Por que, então, Spielberg fez a coragem de Ellsberg evaporar?

Por uma razão só: o Washington Post de hoje não é o mesmo da época retratada pelo cineasta. Hoje em dia, ele não pertence mais à família Graham, mas sim ao magnata Jeff Bezos, dono da Amazon. E embora o Washington Post de Bezos tenha se beneficiado muito com as revelações do whistleblower Edward Snowden, o jornal também defendeu em editorial que ele fosse julgado por espionagem (veja aqui). Sim, é isso mesmo: um jornal desse tamanho e importância voltando suas baterias contra a própria fonte de informação!

Então, o Washington Post atual não gosta muito whistleblowers. Nada melhor que apequenar a presença e importância de Daniel Ellsberg na trama. “Vamos dar um lugar a ele no enredo, mas não precisamos torná-lo um herói, não é mesmo, rapazes?”

Foi por birra, então?! Não só.

Por que Steven Spielberg contrariaria Jeff Bezos, que além de mandar em boa parte do varejo mundial também tem um influente serviço de streaming de TV por onde pode transmitir filmes do cineasta? Por que fechar uma janela que está cada vez mais escancarada?

PS – Não deixe de ler este texto de Rogério de Campos sobre a participação de Ben Bagdikian no episódio dos Pentagon Papers, e este, do Luiz Biajoni, sobre Phil Graham (e cia), o marido de Kate, a dona do Washington Post. Imperdíveis aulas de história.

PS 2 – Atualização de 27/03/18. Matéria da Agência France Press reproduzida no UOL informa que Steven Spielberg vai produzir uma série para o serviço de video streaming da Amazon. Eu não disse?

Nossa Voz Resiste: um documentário sobre liberdades

Uma corajosa comunicadora que não se deixa censurar pelo Estado e denuncia a violência policial na sua comunidade. Uma persistente jornalista independente que tenta driblar os embargos oficiais de informação. Uma valente militante feminista que luta para não ser criminalizada por expressar o que pensa e o que sente. Três mulheres brasileiras num documentário sobre as liberdades no país em nossos dias.

Nossa Voz Resiste é um minidocumentário de 11 minutos de Carolina Caffé, e marca os 10 anos da ONG Artigo 19 no Brasil.

Veja!

3 notícias péssimas para o usuário da internet

Nos Estados Unidos, o órgão que regula o setor de comunicações quer acabar com a neutralidade de rede, o que pode significar que a internet vai ficar cada vez mais comercial, e que ela vai priorizar os interesses de quem paga mais. Alerta vermelho!

Ainda por lá, a Amazon vai fornecer uma nuvem “secreta” para agências de espionagem. A um preço módico de 600 milhões de dólares, ou quase 2 bilhões de reais. Com isso, quem espiona terá serviços adicionais de armazenagem dos dados que ele rouba do usuário. Danou-se!

No Brasil, as empresas de telefonia e de provimento de serviços querem ficar com a maior parte das cadeiras do Comitê Gestor de Internet. Se isso acontecer, a sociedade vai ficar ainda mais nas mãos pegajosas dessa odiosa indústria. Alerta!

Internet sob ataque: uma websérie

A TV Drone e o coletivo Actantes lançaram neste mês XPloit: internet sob ataque, uma websérie em seis capítulos que explica as principais disputas atuais na rede brasileira e mundial. Com didatismo, programetes de até 15 minutos e depoimentos de muita gente inteligente e importante nos rumos da web, XPloit precisa ser assistida e discutida.

O capítulo 1 discute como os conflitos na internet colocam a democracia em risco. No segundo, aborda as perseguições aos ativistas e movimentos sociais. No terceiro capítulo, o tema é a própria estrutura da internet e como ela reproduz as lógicas do colonialismo. Na quarta parte da websérie, estão em foco as estratégias de coleta de dados e vigilantismo, o que também é mais profundamente tratado no quinto capítulo. O vídeo final trata de resistência dos usuários diante das ações intrusivas, antidemocráticas, punitivas e privativas das liberdades e direitos individuais.

Vale muito a pena ver!

Para curtir a iniciativa no Facebook, clique aqui.

A mídia e a morte do reitor da UFSC

A morte trágica do reitor da UFSC Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que aconteceu em 2 de outubro passado, me levou a escrever dois textos, ambos publicados no Observatório da Ética Jornalística (objETHOS):

Recomendo que se leia ainda Qual a responsabilidade dos repórteres no suicídio do reitor da UFSC?, do experiente e competente Carlos Wagner, e Anatomia de uma reputação midiática: um espetáculo de horror na televisão, de Maura Martins.

Precisamos debater os métodos das polícias, os critérios da justiça, os procedimentos do jornalismo e a sanha justiceira da sociedade…

CGI abre consulta pública

No mês passado, disse aqui que fracassou o golpe que o governo quis dar no Comitê Gestor da Internet. Pois é, o governo quis fazer mudanças na surdina, tentando ter legitimidade social, mas não conseguiu. Pouca gente e quase nenhuma organização quis dar opiniões.

Agora, é o próprio CGI que deseja ouvir a sociedade. Aí, o leitor pode perguntar: ah, é um novo golpe? Eu respondo: não. E o leitor pode perguntar mais uma vez: e por que não é? Eu também respondo: porque agora é o próprio comitê quem quer saber a opinião da população, e o comitê é mais plural e muito mais amplo que as cadeiras que cabem ao governo.

Lembrando: o CGI é um órgão estratégico, essencial para a internet no Brasil. Ele pode ser fortalecido ou ser tomado, absorvido por interesses governamentais ou corporativos. Por isso, a participação popular e cidadã é essencial.

Para saber mais, veja aqui e aqui.

Para participar com sugestões, vá por aqui.

ATUALIZAÇÃO DE 20/12/2017: o CGI encaminhou ao governo o resultado da consulta que fez – foram quase 800 contribuições!

A vida, essa teimosa

Chegam notícias de que uma amiga retirou um tumor enorme da cabeça. A quilômetros dali, outra amiga se recupera de dois AVCs. E mais longe ainda, chegam notícias do México, onde um amigo avisa que o terrível terremoto fez ruir diversos prédios. Felizmente, todos passam bem.

A vida insistentemente resiste.

Fracassou o golpe no CGI

Comentei aqui que a decisão do governo federal de abrir uma consulta pública sobre a estrutura do Comitê Gestor da Internet (CGI) tinha cara de golpe. Fazia-se passar por democrática, mas era apressada, não discutida com os próprios membros do comitê e tinha interesses não muito claros.

Pois bem, a consulta pública terminou dia 10 de setembro e sabe quantas propostas ou sugestões foram feitas? 87. Vou repetir: oitenta e sete.

Apenas duas entidades de maior peso se pronunciaram: a Academia Brasileira de Computação e a  Associação dos Servidores do CNPq.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, de Gilberto Kassab, quis atropelar, mas o resultado da consulta mostra duas coisas: 1. A comunidade que acompanha e milita na área não mordeu a isca; 2. A pouca participação tira qualquer legitimidade de mudança agora…

Vamos acompanhar os próximos capítulos da novela…