As capas dos jornais neste 7 de setembro

Alguns dos diários brasileiros farejaram hoje os odores golpistas em suas primeiras páginas. Vale analisar, guardar e acompanhar. Nesta manhã do dia da independência, ainda é cedo para dizer o que pode acontecer, se algo mais grave e violento ou apenas cenas patéticas, alucinadas e reveladoras do charco em que o país mergulhou com aquele homem terrível.

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Limites éticos no jornalismo e na publicidade

No próximo sábado, participo do painel de abertura do 8º Seminário de Pesquisa da Abraji, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo.

Estarei com o ombudsman da Folha de S.Paulo, José Henrique Mariante, para falar sobre limites éticos no jornalismo e em anúncios publicitários. A ideia é abordar o caso do polêmico anúncio dos Médicos pela Vida, assinado por profissionais da saúde e que prescrevia o uso de substâncias comprovadamente ineficazes no tratamento de sintomas da Covid-19.

Um pouco do que eu penso sobre isso está neste artigo. O resto eu conto no debate.

Taxar as big techs e salvar o jornalismo: um debate

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) tem realizado um conjunto de seminários regionais para discutir a proposta que vem defendendo junto com a federação internacional (FIJ) para taxar as grandes companhias de internet e criar um fundo de apoio financeiro ao jornalismo.

Hoje à noite, a partir das 19 horas, participo de um desses debates, ao lado de Beth Costa e de Celso Schroeder.

Você pode acompanhar por aqui.

E a ética jornalística na pandemia?

Participo amanhã, dia 28, de um debate com a Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, e com o Mauri König, da Uninter, sobre reflexos da pandemia na ética jornalística. É às 19 horas, ao vivo pela página do Facebook do Sindijor-PR, com acesso público para perguntas e comentários.

A jornalista e professora Lenise Klenk, presidenta da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas do Paraná, será a mediadora. Aliás, o evento é uma realização da Comissão Estadual de Ética.

Inaceitáveis 500 mil mortes

O Brasil alcançou hoje, 19 de junho de 2021, ao trágico marco de meio milhão de mortos oficiais por Covid-19.

Não podemos normalizar essa ferida escancarada.

Não podemos aceitar que famílias se dilacerem, se dissolvam, se esfacelem.

Não queremos mais mortes que poderiam ser evitadas.

Jair Bolsonaro é o maior responsável por chegarmos a este cenário dantesco. É o presidente da República, a autoridade que deveria liderar o combate à doença, o ocupante de cargo público que deveria apontar caminhos para enfrentarmos a pandemia.

Por incompetência, inabilidade, descaso, despreparo, insensibilidade e perversidade, Jair Bolsonaro pouco ou nada fez. Não é o único responsável por tantos cadáveres, mas é o maior responsável. A ausência de liderança, de uma política pública nacional nos trouxe até aqui.

Que os cidadãos deste país e que as instituições que compõem isso que resta de sociedade possam ter a dignidade e a força para responsabilidade Jair Bolsonaro e todos os outros que, por ação ou inação, produziram esse genocídio.

Transparência no jornalismo, em dois livros recentes

Dois livros recém-lançados no exterior por prestigiadas editoras internacionais trazem textos meus sobre um tema a que venho me dedicando há três anos: transparência no jornalismo.

“Cultures of Transparency: Between Promise and Peril” acaba de sair pela Routledge e é organizado por Susanne Fengler (Erich Brost Institute for International Journalism da TU Dortmund University), Stefan Berger, Dimitrij Owetschkin e Julia Sittmann, docentes da  Ruhr University Bochum. O volume reúne textos de autores de diversas partes do mundo abordando criticamente o conceito de transparência na vida social contemporânea. Eu assino o capítulo “Whistleblowers, Media, and Democracy in Latin America”, onde analiso como denunciantes na mídia se comportam nos países latino-americanos.

Este livro surgiu de um evento em Berlim, patrocinado pela Fundação Volkswagen, que reuniu pesquisadores de diversas partes para discutir as promessas e os perigos da transparência. Foi em 2018 e foi uma experiência muito bacana participar…

“News Media Innovation Reconsidered” é um lançamento da Wiley Blackwell, organizado por Maria Luengo e Susanna Herrera-Damas, ambas da Universidad Carlos III, da Espanha. A coletânea traz textos que discutem como a ética e os valores jornalísticos estão impactando e sendo afetados por esforços inovadores de reconstrução da indústria de mídia. Entre os autores estão Stephen J. Ward, José Alberto García-Avilése Alfred Hermida. “Transparency, Innovation, and Journalism” é o título do meu capítulo, onde a transparência é analisada como um fator de inovação que pode distinguir positivamente alguns empreendimentos jornalísticos.

Por que a EBC não deve ser privatizada

Em carta à população, a “Frente em Defesa da EBC e da Comunicação Pública”, que reúne dezenas de entidades da sociedade brasileira, em conjunto com as trabalhadoras e trabalhadores da EBC, manifestou-se sobre o tema.

Carta à sociedade: por que a EBC não deve ser privatizada

O Ministério das Comunicações anunciou recentemente o envio da Empresa Brasil de Comunicação ao Programa Nacional de Desestatização (PND). A decisão parece ser uma resposta a setores da imprensa ligados ao sistema financeiro, reproduzindo a lógica de dependência dos “mercados” da própria comunicação privada. Embora o movimento ainda envolva estudos sobre possíveis formas de privatização da empresa, foi um passo perigoso rumo à destruição da estatal. Neste sentido, trabalhadores que atuam nos setores da companhia vêm dialogar com a sociedade sobre sua natureza e importância.

Desde o seu nascimento, em 2007, a TV Brasil e a EBC são alvos de intensas campanhas negativas e, mais recentemente, pela sua privatização. Os argumentos vão desde um suposto déficit que a empresa daria ao governo até o valor gasto com salários e baixa audiência de seus veículos. Os trabalhadores vêm aqui trazer alguns esclarecimentos que esperamos sejam incluídos nas matérias, em geral com somente um lado.

A EBC foi criada a partir do que manda a Constituição Federal. O Artigo 223 da Carta Magna prevê a complementaridade dos sistemas público, privado e estatal. A Lei que criou a estatal (11.652, de 2008) regulamenta esta diretriz, criando a empresa. Assim, a EBC não foi um feito de um governo, mas a materialização tardia do que a Constituição já determinava desde sua promulgação, no fim dos anos 1980.

A comunicação pública não é uma invenção brasileira, mas, ao contrário, é realidade na grande maioria dos países do mundo. Enquanto alguns segmentos buscam atacar a existência deste serviço, outros países com democracias consolidadas (até mesmo de caráter bastante liberal) entendem e estimulam o papel da comunicação pública para atender ao direito à informação dos cidadãos, investir em conteúdos sem apelo comercial e pautar temas de interesse público. É o caso da BBC no Reino Unido, da RTP em Portugal, da NHK no Japão ou da PBS nos Estados Unidos.

A EBC não dá “prejuízo” ou “déficit”. Ela é uma empresa pública dependente, e não autossuficiente como Correios ou Banco do Brasil. Embora ela consiga arrecadar recursos com patrocínios e prestação de serviços, suas fontes de financiamento não servem e nunca servirão para torná-la autônoma, já que ela não deve se tornar refém do próprio mercado para garantir ainda mais sua autonomia. Assim como ministérios e universidades não dão “prejuízo”, a EBC (assim como outras estatais dependentes, como Embrapa) também não dá.

Este modelo de negócio não é inovação da EBC, ele ocorre no mundo inteiro. Só conseguem autonomia financeira empresas custeadas a partir de impostos, como a BBC do Reino Unido ou a RAI na Itália. Não é o caso do Brasil. Ao contrário, a EBC tem uma fonte de receita própria complementar (a Contribuição para o Fomento à Radiodifusão Pública), que, do total arrecadado, só foi reservado R$ 2,8 bilhões em todos os anos de contribuição à EBC, mesmo que quase nada tenha sido repassado à empresa (tanto por uma contenda judicial quanto por falta de vontade política dos governos).

Matérias na imprensa reproduzem o argumento do governo, afirmando que o orçamento de R$ 550 milhões por ano é “muito”. E ressaltam sempre valores gastos com salários. Não se mantém uma empresa que tem duas TVs, oito rádios, duas agências nacionais, produz conteúdo e presta serviços ao governo federal sem recursos. Tampouco se faz comunicação sem pessoas – que devem ser contratadas conforme prevê a legislação, e não fraudando a lei com contratações por pessoa jurídica (PJ). É o que a maioria das empresas de radiodifusão o fazem, como Band, Globo e SBT, o que levou a multas milionárias da Receita Federal e problemas graves na Justiça trabalhista. É de se esperar, naturalmente, que as empresas públicas cumpram, minimamente, a lei.

Colunistas e o próprio governo reclamam do “desempenho” da EBC e falam em melhoria e “otimização” por conta da audiência. Os veículos da EBC não foram criados para disputar audiência, embora devam buscar sempre esse alcance. A TV Brasil já chegou a ser a 7ª emissora nacional e é a única aberta com programação infantil de fato. Poderia ter avançado em marcas mais efetivas, mas a falta de investimento e prioridade política dificultaram o ganho de visibilidade da empresa.

Mesmo com a falta de apoio e desmonte recente, a Agência Brasil produz conteúdos gratuitos que abastecem milhares de grandes e pequenos veículos de comunicação. A Radioagência Nacional faz o mesmo com estações de rádio. A Rádio Nacional da Amazônia serve centenas de milhares de ouvintes nos rincões do país. Além disso, a empresa tem caráter educativo, com difusão de programas e reportagens para contribuir com a formação dos cidadãos.

O questionamento da privatização da EBC vai muito além de seus empregos – embora essa preocupação seja legítima, uma vez que estamos falando de famílias que são sustentadas por esses empregos em um país com mais de 14 milhões de desempregados. Mesmo assim, é necessário restabelecer informações diante de uma campanha de ataque e que esconde a relevância social da empresa. Se é fato que o governo atual vem aparelhando editorialmente e desmontando muitos programas e serviços, a saída não pode ser extinguir ou privatizar, mas sim corrigir os erros e dar a devida estrutura para que a empresa possa, de fato, cumprir sua missão constitucional de fazer comunicação pública.

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Jornalismo, pandemia e liberdade de imprensa: uma palestra

Participo daqui a pouco  – às 17 horas – da abertura do ano letivo 2021 no curso de Jornalismo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) com a palestra Jornalismo, pandemia e liberdade de imprensa. Estarão comigo nesta atividade as professoras do curso Flora Daemon, Rejane Moreira e Ivana Barreto.

Vai ser por sistema de videoconferência com transmissão pelo canal do curso de Jornalismo no YouTube: aqui.