Desinformação e eleições: uma publicação digital

A Artigo 19 acaba de lançar uma plataforma digital que junta reflexões e recomendações sobre desinformação, liberdade de expressão e eleições. A publicação digital traz ainda casos ocorridos na campanha eleitoral de 2018 no Brasil, episódios de ameaças a comunicadores, e entrevistas com especialistas. Entre os oito capítulos, um específico sobre WhatsApp…

Acesse aqui.

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Comunicação e direitos humanos, uma cartilha

A Associação Henfil e a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania de Minas Gerais lançaram uma cartilha sobre comunicação e direitos humanos. A publicação é gratuita e pode ser baixada aqui.

Na cartilha, o leitor encontra textos sobre democracia, concentração dos meios de comunicação, fake news e a necessidade de democratização da comunicação. No final, há também um roteiro de oficinas para serem livremente replicadas e adaptadas para diversos contextos, para além dos Geraes…

Monitorando as mamatas no novo (?!) governo

E se tivéssemos uma forma de registrar e contabilizar falcatruas e otras cositas más do governo que acaba de completar um mês? O bom é que já temos!

Acabou a Mamata é um site que vem fazendo isso de maneira simples e bem humorada. Confere aqui!

PS – Claro que isso também é função do jornalismo. Por isso, se você acredita na democracia, acredita que tem direito a saber das coisas que te afetam, não deixe de seguir os bons exemplos de jornalismo crítico, responsável e compromissado. Há muitas iniciativas por aí!

Vamos discutir jornalismo e cobertura de desastres?

Na próxima segunda-feira, 4, acontece o Seminário Coberturas Informativas de Desastres, iniciativa do Instituto Universitario para el Desarollo Social Sustenible (INDESS) da Universidad de Cádiz. Estarei com as professoras Marcia Franz Amaral e Esther Puertas, e os professores Carlos Lozano Ascensio e Jose Antonio Aparicio. O evento acontece em Jerez de La Frontera, na Espanha.

Mais detalhes aqui e no vídeo abaixo:

Uma série brasileira sobre jornalismo, ética e poder

Contracapa mostra uma equipe de jornalistas de um jornal impresso enfrentando situações de risco ao investigar um esquema de corrupção no Brasil. A série tem 12 episódios e estreou no dia 21 de janeiro na TV Brasil e TV Educativa Paranaense. Com criação de Rafael Waltrick, direção geral de Guto Pasko e produção de Andréia Kaláboa, Contracapa deve ter uma segunda temporada, informa a GP7 Cinema.

Uma newsletter sobre lei de acesso à informação

O Fiquem Sabendo, projeto independente com objetivo de revelar informações de interesse social e que o poder público não divulga, acaba de lançar a primeira newsletter nacional especializada em Lei de Acesso à Informação (LAI). A newsletter se chama Don’t LAI to Me, é quinzenal, de graça, e “tem tem como objetivo criar uma rede para fomentar a transparência pública e o controle social”.

Nela, notícias, exemplos de reportagens feitas com base na lei de acesso e dicas preciosas para QUALQUER UM usar seu direito e solicitar informações de caráter público na sua cidade, estado ou mesmo em órgãos federais.

Esta é mais uma iniciativa jornalística, mas que marca uma nova fase do projeto. Se o Fiquem Sabendo foi criado para ser um portal de notícias sobre temas como transparência e direito à informação, agora, ele passa a ser uma agência de dados, conforme explica Maria Vitória Ramos. Aliás, a Fiquem Sabendo é ela, Léo Arcoverde, Luiz Fernando Toledo e Matheus Moreira, jovens repórteres com experiência em farejar histórias por trás de dados opacos e escondidos.

Em tempos que prometem ser sombrios para a sociedade, com ocultação de informações e um perverso ambiente de negação do jornalismo profissional e de propagação de desinformação, vale muito a pena assinar a Don’t LAI to Me. Por aqui, por favor!

Cresce violência contra jornalistas no Brasil

Relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), lançado na última sexta-feira (18), revela que as agressões contra jornalistas cresceram 36,36% em 2018 em comparação ao ano anterior. Foram registradas 135 ocorrências que vitimaram 227 profissionais no Brasil. A greve dos caminhoneiros e transportadoras e as eleições ajudaram a aumentar a violência contra a categoria.

O relatório completo pode ser conferido aqui.

Uma resenha sobre o novo livro de Stephen J. Ward

No ano passado, li o mais recente livro de Stephen J. Ward – Disrupting Journalism Ethics – e minha resenha acaba de ser publicada na revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do Posjor/UFSC. O livro reúne algumas das principais ideais desse que é um dos autores mais influentes da ética da comunicação. A resenha está aqui.

A edição da EJM traz também artigos sobre diversidade, produção e recepção, e vale a pena ser consultada. Por aqui, por favor.

Conferência sobre ética na mídia recebe artigos até 28/02

Pesquisadores têm pouco mais de um mês para encaminhar suas propostas de comunicação científica para a 5ª International Conference On Media Ethics, que acontece em Sevilha, em 28 e 29 de março. São 9 eixos temáticos: Autorregulação e deontologia; Cidadania ativa e mídia; Proteção de grupos vulneráveis; Igualdade de gênero e comunicação; Ética na arte e na mídia; Publicidade e Relações Públicas; Media Accountability; Teorias da Comunicação e implicações éticas; Estudos sobre Rádio e TV.

O prazo para recebimento vai até 28 de fevereiro, e são aceitas propostas em português, inglês e espanhol.

A chamada pode ser conferida aqui.

Mais informações em: https://congreso.us.es/mediaethics/

5 links fresquinhos sobre ética e privacidade

  • Marcio Moretto Ribeiro fala sobre o WhatsApp, sua criptografia de ponta a ponta e sua capacidade para espalhar desinformação. Para o autor, que é um dos coordenadores do Monitor do Debate Político no Meio Digital, a privacidade não combina com broadcast. Que dizer: temos um problema de foco aqui.
  • The Guardian informa que o Tribunal de Justiça Europeu decidiu preliminarmente que o direito de esquecimento não vale para todo o mundo, mas apenas se aplica aos países que fazem parte da comunidade européia. Parece óbvio, né? Mas a disputa é mais complexa se levarmos em consideração que a internet não respeita fronteiras e que o direito ao esquecimento é entendido por alguns como um desdobramento dos direitos civis, extensivo portanto a todos os seres humanos…
  • Já que é assim, que tal intensificar seus cuidados digitais? Afinal, segurança digital é o oposto de paranóia, como dizem os caras do Autodefesa. No site deles, dicas, manuais, técnicas, tudo em português e descomplicado. Favorite, navegue à vontade, e volte sempre que puder.
  • Mesmo se protegendo, os Cinco Olhos estão de butuca! O Privacy News Online conta em detalhes e em 4 partes como a NSA espiona todo o mundo.
  • Esta é para pesquisadores: a Rede Latino-Americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade (Lavits) já está recebendo propostas de comunicações para seu 6º simpósio, que acontece em junho em Salvador. Mais detalhes aqui.

Para odiar Facebook, Google, Uber…

A leitura de Big Tech: A ascensão dos dados e a morte da política, de Evgeny Morozov, deixa um recado claro: tudo bem odiar as grandes empresas do Vale do Silício e seus tentáculos espalhados em nossa vida contemporânea.

Se você desconfia da felicidade plena que nos vendem as grandes plataformas, se você não acredita no paraíso digital que nos soterram com seus anúncios, este é um ótimo livro para começar o ano. A coletânea de nove artigos publicados nos últimos anos na imprensa europeia pelo pensador bielorrusso é uma grande oportunidade também para os leitores de língua portuguesa que ainda não conheciam suas ideias críticas.

Morozov é uma das vozes mais ácidas e lúcidas do momento, e seus disparos não são movimentos instintivos de um tecnófobo ou ludista. Com argumentos sólidos, exemplos atuais e linguagem clara, ele se opõe ao que chama de solucionismo tecnológico, denuncia a falácia da economia do compartilhamento, e mostra que as Big Tech são menos o hall colorido dos escritórios do Google e mais uma face cosmética do apetite infinito do capitalismo global. O autor também chama a atenção para a corrosão incessante de nossa privacidade e vida íntima, para as contradições que cercam a ascensão dos dados como “novo petróleo” e para os efeitos na organização política e social dos humanos…

Ouçam o Morozov. Leiam o que ele escreve. Pensem no que ele diz.

Falhamos em 2018. Vamos tentar de novo?

No finalzinho de 2017, postei aqui uma mensagem que traduzia o que eu desejava para o ano que estava começando. “Que em 2018 nossa indignação se torne ação!” Me lembro bem que era um desabafo pelo que estávamos amargando na vida política e social no Brasil, pelos muitos retrocessos que estávamos colecionando e por um inarredável sentimento de apatia.

Bem, o ano voou e os seus ventos não trouxeram as mudanças que eu queria ou esperava. Falhamos nesse sentido. Nossas queixas não se transformaram nos gestos para remoldar a nossa existência. Vamos tentar de novo!

Não estou menos combativo que antes. Mas nessas últimas horas que nos separam de 2019, tenho outro desejo: Que em 2019 tenhamos novos horizontes. Isto é, precisamos voltar a sonhar, a desejar, a imaginar e a criar outros mundos. Vamos?

Gracias Ministério del Tiempo

Foi por acaso (talvez não) que semanas antes de mudar para a Espanha eu tenha encontrado Ministério do Tempo, série televisiva criada por Javier e Pablo Olivares. Na trama, o governo espanhol mantém há séculos uma divisão secreta para zelar pela história daquele país. Para que isso ocorra, patrulhas viajam por portas que se conectam a episódios históricos, e os agentes se encarregam de que as coisas funcionem conforme se espera…

Criativa e divertida, a série conquistou de imediato a mim e a meu filho. Foi uma chance preciosa para conhecer trechos da história da Espanha, alguns personagens importantes e ainda fazer um curso intensivo da língua. Nos tornamos “ministéricos”, como são conhecidos os fãs da atração… É só um programa de TV, eu sei, mas a gente se afeiçoa a alguns personagens, sofre com outros, e com eles convivemos naquelas tantas horas de atenção.

Nos últimos seis meses, fomos devorando os 34 episódios aos poucos, e só ontem, cheguei ao último.

Desta vez, assisti sozinho porque meu filho já tem outros interesses, como o Alonso de Entrerríos da série. Eu nem percebi, mas o tempo passou rápido aqui também.

El mejor del tiempo és vivirlo. Muchas gracias Ministério del Tiempo…

Mais 10 assuntos de jornalismo para se falar em 2019

O jornalista Alexandre Gonçalves se queixou outro dia que só falamos sobre fake news nos últimos tempos, e que era preciso virar o disco. Não contente, listou 10 assuntos sobre jornalismo, jornalistas e marketing digital para se falar em 2019.

Aceito a provocação porque discordo: penso que ainda é cedo para estarmos cansados do assunto. Precisamos discutir, entender e pensar mais sobre o tema das notícias falsas e da desinformação. E precisamos debater e falar mais e mais e mais sobre jornalismo. Por isso, lanço outras 10 questões de jornalismo para o próximo ano:

Fake news e legado para as redações
Sim, tivemos uma campanha atípica, bastante assimétrica e surpreendente, altamente contaminada por fatores externos, humanos ou robotizados. As verdades ficaram para trás e muita gente foi enganada, manipulada e desorientada. Por isso, precisamos saber o que aprendemos sobre as fake news com as eleições de 2018 e podemos evitar em 2019…

Armas contra as notícias falsas
Que arsenal as redações têm para combater a desinformação na atualidade? Podemos combater as fake news ou vamos ser enredados novamente por elas?

Pautas-bomba e cortinas de fumaça
Parte expressiva dos governantes e parlamentares a assumir em janeiro tem recorrido a boatos, informações enviesadas e polêmicas midiáticas para impor seu discurso no debate público. Os jornalistas conseguirão desviar dessas cascas de banana e assumir seus papéis de fiscalizadores dos poderes?

Spotlights
O jornalismo investigativo é raquítico ainda nas mídias estaduais e locais. O que se pode fazer para criar iniciativas que se dediquem ao jornalismo de grande fôlego e de alto impacto na vida pública? Podemos sonhar com equipes especializadas em jornais de porte médio, por exemplo?

Diversidade no colunismo
O colunismo político está dominado por titulares que expressam o pensamento conservador e parece altamente comprometido com pautas do centro e da direita. A maior parte dos colunistas é homem, mais velho, branco, heterossexual e pertencente a elites intelectuais ou financeiras. Teremos em 2019 um colunismo político mais plural?

Robôs e outras traquitanas
Redações médias e pequenas vão utilizar recursos tecnológicos dotados de inteligência artificial para auxiliarem seu trabalho cotidiano? Vão automatizar sistemas que aperfeiçoem o jornalismo? Que tal usar IA para identificar fake news e frear sua disseminação?

Independência
É visível hoje o comprometimento editorial de algumas seções ou temáticas de cobertura. Será possível para 2019 esperarmos um jornalismo econômico menos refém das pautas do grande capital? Conseguiremos oferecer reportagens sobre tecnologias que não sejam meramente bajuladoras das empresas do setor? Teremos um jornalismo de turismo e viagem que seja crítico e independente?

Verbas públicas e jornalismo
Recentemente, em Florianópolis, foi lançada uma frente parlamentar para discutir a democratização da comunicação na cidade. Promete mexer no vespeiro. Será que finalmente vamos rediscutir a distribuição de verbas públicas publicitárias?

Financiamento dos pequenos
Se conseguirmos mexer no vespeiro das verbas públicas para publicidade, os empreendimentos locais independentes conseguirão mostrar-se competitivos ou “merecedores” desses recursos?

Mais jornalismo na veia
Com novos governos e novos cenários, o jornalismo terá a oportunidade de renovar seus compromissos com seus públicos. Teremos a oportunidade de injetar doses mais generosas (e necessárias) de jornalismo na veia da sociedade. Já pensou na quantidade absurda de oportunidades para grandes investigações que teremos em 2019?

Mais um livro sobre a crise do jornalismo

Estou ausente por aqui porque ando mergulhado na escrita de um livro, que tem como título provisório A crise do jornalismo tem solução?

Nele, discuto aspectos financeiros, de credibilidade, relevância, governança e ética na profissão. Discuto a crise pela perspectiva brasileira, mas dialogo com autores internacionais e analiso movimentos em outros países…

Enfim, é um livro modesto e que vai integrar uma coleção recém-lançada por uma editora paulista. A sair nos primeiros meses de 2019. E é tudo o que posso dizer por enquanto. Torçam para que eu chegue logo ao ponto final…

Precisamos de mais redes de afeto

Na semana passada, lançamos em Coimbra a Rede Lusófona pela Qualidade da Informação. “Lançar uma rede” é uma expressão recheada de significados aqui e isso tem a ver com o próprio ato do pescador que desafia a madrugada em busca de sustento. No fundo, esse é um gesto de esperança, de quem deseja colher bons frutos.

Foi um dia especial aquele, e na saída, a tarde se despedia no Pátio das Escolas, no coração de uma das universidades mais antigas do Ocidente. Falei por alguns minutos na cerimônia de criação da RLQI, representando os signatários, e foi mais ou menos assim:

Ao cumprimentar o Magnífico Reitor da Universidade de Coimbra, estendo a saudação às demais autoridades, aos signatários desta rede e ao público presente.

Agradecemos a acolhida da Universidade de Coimbra nesses dias e, em especial, ao professor Carlos Camponez, por seu entusiasmo e profissionalismo, o que resultou na ampla articulação desta Rede Lusófona pela Qualidade da Informação.

Estamos felizes!

Não porque o congresso esteja terminando, mas porque este é um momento muito especial.

Um certo português escreveu certa vez que “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. Sim, a Rede Lusófona pela Qualidade da Informação surge e ela é fruto de sonhos, mas sabemos bem que teremos que trabalhar muito para que ela se torne realidade. O português que escreveu esse verso era muitas pessoas, e ele disse também que “o mesmo mar que separa, une”.

Somos uma rede unida pelo mar, mas não somos uma rede de territórios, de países, de mapas. Somos uma rede unida por algo mais poderoso ainda: a língua portuguesa. Não se pode prender, acabar ou fazer desaparecer uma língua. Ela habita o nosso interior e ajuda a constituir os sujeitos. “A língua é minha pátria”, escreveu mais uma vez aquele português.

A Rede Lusófona pela Qualidade da Informação surge hoje, dia 14 de novembro de 2018. Amanhã é dia 15, e no meu país, o Brasil, se comemora o Dia da Proclamação da República. Muitos colegas vieram nos últimos dias conversar comigo, preocupados com os rumos do Brasil, depois dos resultados das eleições. Eles perguntavam sobre o país e eu tampouco sei explicar o que se passa por lá. E o que é pior, se num futuro breve, teremos república, teremos Brasil…

Temos cada vez mais claro que as eleições deste ano foram atípicas, e que foram contaminadas por notícias falsas, por um sistema sofisticado de desinformação, típico do que estamos chamando mais recentemente de pós-verdade. Neste contexto, é muito oportuno criar uma Rede Lusófona pela Qualidade da Informação, afinal, os meus colegas não estão preocupados apenas com o Brasil, mas com a democracia como um todo. Estão também preocupados com o jornalismo, isso que ajuda as pessoas informadas a tomar decisões pequenas e grandes.

Sim, uma Rede Lusófona pela Qualidade da Informação tem muito a fazer.

Mas uma rede como essa salva a democracia? Não.

Salva o jornalismo? Também não.

Mas por outro lado, vamos ficar parados e calados? Claro que não.

Este é um tempo difícil, e é cada vez mais necessário criar redes de cooperação, elos de trabalho, vínculos coletivos. Precisamos de redes de afeto, de respeito e de conhecimento.

Uma rede é feita de nós, e precisamos fortalecer esses laços. Precisamos tramar novas redes, de afetos e trabalho, e assim, desafiar o mar revolto.

Estamos felizes sim. Muito obrigado!

Qualidade no Jornalismo, democracia e ética: uma revista

A revista Estudos em Jornalismo e Mídia, da Universidade Federal de Santa Catarina, está com chamada de textos aberta para um número especial sobre qualidade no jornalismo, democracia e ética.

A data final de envio de artigos é 30 de março e a edição deve sair no segundo semestre de 2019.

Aceitam-se textos em português, espanhol e inglês. A revista é eletrônica, semestral, aberta, com sistema de double blind review e é avaliada como uma B1 no sistema Qualis/Capes.

Mais informações aqui.

Vem aí uma rede lusófona pela qualidade da informação

Nos dias 13 e 14 próximos estarei em Coimbra para o Congresso Internacional Ética e Deontologia do Jornalismo no Espaço Lusófono, um evento que vai apresentar as mais atuais pesquisas científicas na área entre os países que falam português e que vai lançar oficialmente a Rede Lusófona de Qualidade da Informação (RLQI).

A rede vai integrar membros acadêmicos e profissionais dos nove países da comunidade em língua portuguesa para fazer pesquisas internacionais, para fomentar debates e produzir materiais que contribuam para o aumento da qualidade na área.

Para acompanhar, siga por aqui.

Mais 10 iniciativas jornalísticas que merecem seu apoio

A Ponte, um dos projetos jornalísticos mais consistentes para cobertura de segurança pública, violência e direitos humanos, publicou outro dia uma lista com 10 iniciativas jornalísticas que merecem o apoio das audiências. A lista é muito boa e chama a nossa atenção para a necessidade de fortalecermos o jornalismo neste momento tão confuso e sombrio da história brasileira.

>>>> Sim, é necessário apostar no jornalismo profissional.

>>>> Sim, é preciso dar suporte ao jornalismo comprometido com valores democráticos e direitos humanos.

>>>> Sim, é urgente não apenas dar likes e compartilhar seus conteúdos, mas sobretudo ajudar a pagar as contas de meios e jornalistas que fazem isso.

Não é caridade. É necessidade. Necessidade de poder contar com gente corajosa e competente buscando narrar o nosso tempo, desmascarar mentiras e nos ajudar a entender melhor o mundo e o momento.

A lista da ponte é tão boa que fiquei entusiasmado para enumerar mais 10 projetos jornalísticos:

Brio

Nexo

The Intercept Brasil

Farol Jornalismo

Catarinas

Maruim

VoltData Lab

Revista Capitolina

Desacato

Fluxo

Comércio de dados pessoais no Brasil: um relatório

Os coletivos Tactical Technology e Coding Rights acabam de publicar um importante relatório sobre o comércio de dados no Brasil. Nesses dias pré-eleição, o tema do momento é a avalanche de fake news, mas há mais coisa acontecendo bem debaixo do nosso nariz.

Um resumo pode ser conferido aqui, e a íntegra do estudo, aqui.

Enquanto isso, Tim Cook – o poderoso da Apple – reconhece que privacidade não tem sido uma prioridade lá no Vale do Silício.

 

Contra a ditadura do tempo

Conheci o professor André Barata na semana passada e fiquei particularmente encantado com suas ideias sobre o tempo. Barata é filósofo e professor da Universidade de Beira Interior, de Portugal, e está lançando “E se deixássemos de sobreviver?” No livro, explica e critica o que chama de “ditadura do tempo”. Segundo o autor, somos levados a viver uma experiência de tempo tão acelerada, tão carregada na obsolescência, que sequer temos tempo para fruir o tempo! Não vivemos, sobrevivemos! Daí que a atitude mais radical seja fazer o contrário de correr, seja parar.

Estão em cena conceitos como trabalho, rendimento, produtividade, crescimento e decrescimento. Estão embutidos também realização pessoal, pressão social, competitividade, sucesso e tantos outros.

O tema do tempo é muito complexo e responder sobre o que ele é poderia levar mil anos. Daí que André Barata se faz outras perguntas: Estamos a viver o tempo diferente da maneira como vivíamos? De que maneira nós controlamos a nossa experiência do tempo?

Barata não está sozinho nessa. Acaba de sair aqui na Espanha “No tengo tiempo”, do sociólogo Jorge Moruno, um crítico mordaz das engrenagens capitalistas produtivistas.

Enquanto essas ideias fermentam por aí, tire um tempo pra si e assista a essa entrevista com André Barata…

10 livros necessários sobre ética jornalística

Em março deste ano, o Brio Hunter me pediu uma lista de obras essenciais sobre ética jornalística. Fiz e eles publicaram. Como nas últimas semanas outras pessoas me perguntaram a mesma coisa, repito por aqui.

>>> Lembrando: toda lista é incompleta e tem forte impacto das idiossincrasias de seu autor. Portanto, se você quiser sugerir outros 10 livros, use a caixa de comentários! 😉

Os elementos do jornalismo – Bill Kovach e Tom Rosenstiel
Em linguagem clara e acessível, os autores listam 9 fatores fundamentais para o exercício dos jornalistas, e cravam uma definição muito certeira para a nossa profissão: jornalismo é uma disciplina da verificação. Em tempos de fake news, nada mais atual.
O jornalista e o assassino – Janet Malcom
Como deve ser a relação entre jornalistas e fontes? Somos honestos com elas? Essas questões delicadas e nem sempre enfrentadas são abordadas pela jornalista e escritora, que se apoia num caso verdadeiro que envolveu um médico acusado de homicídio e seu biógrafo jornalista.
Jornalismo, Ética e Liberdade – Francisco José Castilhos Karam
Livro muito útil para novatos, pois traz temas e casos importantes sobre o jornalismo brasileiro. Livro muito importante para os jornalistas mais experientes, pois nos convida a repensar atitudes, procedimentos profissionais e vícios nas redações.
O papel do jornal e a profissão de jornalista – Alberto Dines
Um clássico do jornalismo brasileiro, muitas vezes não lido com a devida atenção. Alberto Dines é um dos jornalistas mais experientes e lúcidos do país e um grande crítico da mídia. O livro foi escrito na década de 1970 para tratar da crise do papel de imprensa e para abordar também a função do jornalista na sociedade. Décadas depois, foi revisado, atualizado e reescrito, permitindo novas discussões sobre o que fazemos pela sociedade.
Atuação da mídia – Dennis McQuail
Uma das expressões mais repetidas pelos jornalistas é “interesse público”. Sob ele, faz-se jornalismo, mas também se cometem muitos abusos. O autor enfrenta a questão, ampliando a reflexão sobre como os meios de comunicação atuam em sociedades complexas como as nossas. Livro mais denso, mas necessário.
Ética aplicada: Comunicação Social – vários autores
Esta é uma coletânea lançada no ano passado que traz autores de língua portuguesa, repensando aspectos da ética não só jornalística, mas de outras áreas relacionadas. Boa oportunidade para quem quer se atualizar e mergulhar no assunto. Alguns capítulos são mais áridos, outros, menos. Mas extremamente útil, ainda mais porque pensado e escrito na nossa língua.
El zumbido y el moscardón – Javier Darío Restrepo
O autor é um dos mais renomados jornalistas especializados em ética profissional da América Latina. Colombiano, Restrepo se dedica a responder num site perguntas práticas sobre o cotidiano de repórteres e editores. É o que o leitor encontra nos dois volumes da obra. Em espanhol.
Online Journalism Ethics – Jane B Singer & Cecilia Friend
Já faz mais de dez anos que essas duas professoras lançaram o livro, mas ele é uma das primeiras (e melhores) tentativas de atualizar os dilemas éticos jornalísticos. Há questões ali, como a moderação de comentários em sites e redes sociais, a checagem de fatos, e o uso de conteúdos gerados pelo usuário que ainda são muito discutidas na área. Em inglês.
The new ethics of journalism – Kelly McBride & Tom Rosenstiel
Uma obra para quem quer enfrentar mesmo os dilemas mais atuais da profissão, principalmente as questões mais delicadas envolvendo tecnologia. O livro é resultado de um conjunto de mesas redondas, debates e eventos nos Estados Unidos, e os capítulos são assinados por profissionais reconhecidos e acadêmicos especializados. Em inglês.
Journalism after Snowden – Emily Bell e Taylor Owen
Livro fresquinho que reúne textos de jornalistas e acadêmicos sobre o que tem mudado nas sociedades ocidentais (principalmente, nos Estados Unidos e Reino Unido) após as denúncias de Edward Snowden. Vigilância em massa, espionagem de jornalistas, novos relacionamentos com as fontes, liberdade de imprensa e grandes plataformas de tecnologia. Está tudo lá. É um livro necessário para os nossos tempos. Em inglês.
UM BÔNUS:
Acredite, estou mentindo – Ryan Holiday
Este não é um livro de princípios jornalísticos, nem um manual de como agir corretamente. É um contundente relato de um confesso manipulador de mídias. Com uma sinceridade impressionante, Holiday conta como – por anos! – enganou jornalistas, blogueiros, públicos, anunciantes, usando as próprias ferramentas da mídia. Serve de alerta.

Manual do Pobre de Direita

1. O pobre de direita é uma classe numerosa de pessoas, que abrange não apenas os que nada têm, mas também a classe média que pensa que tudo pode.

2. Se você não tem avião próprio, escolta particular e depende do salário para pagar suas contas e seus luxos, não se engane! Você não é rico e tem uma grande vocação para ser pobre de direita.

3. Ser pobre de direita traz poderes especiais a alguém. A pessoa não tem sexo, não tem cor, nem condição social. É por isso que o pobre de direita se acha igualzinho ao rico.

4. O pobre de direita é, portanto, um estado de espírito, um jeito de pensar, agir e conspirar contra si mesmo. Ele faz isso com um sorriso no rosto de quem pensa ser mais esperto que os demais.

5. Apesar de já não ser atendido pelo Estado, o pobre de direita é a favor do estado mínimo, pois pensa que acabar com o Estado vai melhorar a sua vida.

6. Altamente resistente e adaptável, o pobre de direita está em toda parte e, mesmo assim, consegue ficar invisível, já que ele só se manifesta em momentos-chave da vida nacional. Nem sempre para melhorá-la, é verdade.

7. O pobre de direita se seduz com candidatos valentões, pois esses são espontâneos e falam as verdades que ninguém quer ouvir. O pobre de direita adora quem diz a verdade.

8. A esta altura, o pobre de direita já parou de ler este texto. Ele detesta verdades sobre si mesmo.

9. O pobre de direita é politicamente conservador. Ele luta com todas as forças para conservar a situação que o oprime.

10. O pobre de direita vive em bandos, mas pensa e age individualmente. Seu umbigo é o centro da galáxia e a consciência de classe só atrapalha seus planos.

11. O pobre de direita engrossa o coro de ataque aos direitos humanos. Embora os direitos humanos reafirmem direitos civis para a busca da igualdade, o pobre de direita não gosta deles. O pobre de direita é um humano que é contra os direitos humanos.

12. Portar armas de fogo e “se defender” é um dos sonhos do pobre de direita. Mesmo que ele não saiba atirar, não tenha dinheiro para comprar armas e, se as tiver, vai atirar em outros pobres. Os ricos estão a salvo da sua mira.

13. O pobre de direita defende o bolso do patrão. Afinal, a economia tem que estar necessariamente favorável para quem o emprega (e o explora) e não necessariamente para o pobre de direita.

14. O pobre de direita vive em fila de banco, é constantemente humilhado na porta giratória, paga taxas altíssimas, mas se emociona com a propaganda do banco na TV.

15. Não se pode reclamar da sua humanidade: o pobre de direita é solidário. Vota com o patrão. Quer ser como ele e trabalha antecipadamente para plantar as condições políticas que possam beneficiá-lo no futuro. Mesmo que isso não aconteça.

16. O pobre de direita não quer que a pobreza acabe. Quer mantê-la para quando for rico, continuar a ver outros pobres sob seus pés. Como já foi muito explorado, o pobre de direita sabe fazer isso como ninguém.

17. Espontaneamente, o pobre de direita não se envolve com política. Por isso, boicota os sindicatos, desdenha dos partidos progressistas, e mesmo assim deseja que as coisas melhorem.

18. O pobre de direita perde a paciência rapidamente com os governos de esquerda. Com os da direita, tem uma complacência infinita.

19. O pobre de direita simula isenção, mas descarrega votos na direita. Seu mantra predileto é: “tudo farinha do mesmo saco”.

20. O pobre de direita intriga a ciência como o Monstro do Lago Ness e o Pé Grande. Com um detalhe: o pobre de direita existe.

Fenaj quer que presidenciáveis se comprometam com estatuto do jornalismo

[reproduzido do site da organização]

Em carta aberta, Federação dos Jornalistas defende o Jornalismo como base da democracia e pede aos candidatos a presidente do Brasil um novo marco regulatório para o setor das comunicações, a ser construído a partir de uma nova Confecom.

Carta aberta aos candidatos à Presidência da República.

Jornalismo integra a base da democracia

Introdução

É obrigação dos candidatos ao cargo de maior importância da República apresentar ao povo o plano de governo que pretende implementar, caso eleito. As propostas a serem debatidas, por necessidade, devem tratar dos grandes temas nacionais e, em especial, dos assuntos que são da competência da União.

O setor das comunicações, entretanto, tem sido esquecido. Não há propostas a discutir; não há reflexões sobre o passado, o presente e o futuro. Esse “esquecimento” é proposital e revelador: não mostra a pouca importância do setor, mas a omissão histórica dos governos brasileiros em relação às comunicações, área estratégica para a vida cultural, política e econômica de qualquer nação.

A Constituição brasileira confere à União – e somente a ela – a exploração e/ou organização dos serviços de telecomunicações e da comunicação social. A exploração desses serviços está majoritariamente nas mãos da iniciativa privada, mas o governo federal não pode deixar de cumprir o seu papel de ser o organizador e fiscalizador do setor, sob pena da prevalência de interesses privados sobre os interesses públicos, como tem ocorrido historicamente.

Assim, o governo federal deve se responsabilizar pelas políticas para a área das comunicações que, em determinados aspectos, é essencial para a garantia da soberania nacional. Também deve assumir a tarefa de fortalecer o sistema público de comunicação, em especial a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), fortemente atacada no atual governo.

A FENAJ, por ser a entidade máxima de representação dos jornalistas brasileiros, chama a atenção especialmente para a Política de Comunicação Social, na qual o Jornalismo deve estar inserido. E reafirma sua reivindicação para que o país se debruce sobre o tema, visando a construção de um novo marco regulatório para o setor e reforça os aspectos que devem ser observados, conforme documento (anexo) do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), do qual a FENAJ é integrante.

O papel do Jornalismo

A ênfase da FENAJ ao Jornalismo brasileiro justifica-se pela natureza da entidade e, principalmente, em razão da importância do Jornalismo para a constituição da cidadania, elemento fundante da democracia. Sem cidadãos e cidadãs com conhecimento da realidade imediata e capacidade de formulação de juízos não há debate público real nem tomada de decisões conscientes.

O Jornalismo surgiu de uma demanda social das sociedades republicanas, assentadas nos valores da liberdade, igualdade e fraternidade. A princípio, foi o local das manifestações de grupos que defendiam causas específicas. Mas evoluiu; deixou de representar interesses particulares (ainda que justos) para tratar dos interesses coletivos. O Jornalismo passou a defender o interesse público, compreendido como o interesse da maioria.

Mas a mercantilização da informação e o predomínio de grupos econômicos na produção da notícia trouxe novas mudanças, frutos dos tempos atuais. O Jornalismo passou a defender os valores desses novos tempos: redução da presença do Estado; defesa do mercado como condutor das coisas econômicas e políticas; desregulamentação do setor financeiro e das relações de trabalho, e outros preceitos neoliberais.

O que se tem, na atualidade, é a imposição do interesse privado sobre o público, a desconstituição da política como mediadora das relações humanas e sociais, a negação e a criminalização dos movimentos sociais e a defesa do lucro como finalidade última das atividades humanas.

O Jornalismo presente, quase sempre, não defende o interesse público, o interesse da maioria. E não trabalha para que a maioria perceba quais são, de fato, os seus interesses.

Mas essa não é uma condição inexorável; é uma construção humana, de uma época, e que pode/deve ser novamente mudada. O Jornalismo não está condenado à falácia e à manipulação e os jornalistas podem mostrar, com sua prática profissional, que é possível informar à sociedade, reportar fatos, promover o debate de ideias e dar aos cidadãos e cidadãs condições de formar seus juízos e agir em sociedade.

É preciso, ainda, reforçar o papel a ser desempenhado pelo sistema público de comunicação, em especial pela EBC, para a produção de um Jornalismo paradigmático, que sirva de referência para a sociedade.

Para o desenvolvimento do Jornalismo brasileiro e para que os jornalistas tenham garantidas suas condições de trabalho e autonomia intelectual. A FENAJ propõe que o presidente eleito:

– Após aprovação pela Confecom, apresente projeto de lei para criação do Estatuto do Jornalismo Brasileiro, como um dos mecanismos de controle público para garantia da qualidade da informação jornalística difundida pelos veículos de comunicação social, sejam impressos, audiovisuais ou digitais.

– Encaminhe ao Congresso Nacional projeto de lei para criação e implementação do Conselho Federal de Jornalistas, para promover a autorregulamentação profissional, a partir do Código de Ética do Jornalistas Brasileiros (proposta já aprovada na 1ª Confecom).

Uma nova Confecom

É grande o déficit democrático no setor da comunicação social no Brasil, a começar pela concentração da propriedade dos meios nas mãos de poucas famílias ou grupos econômicos. Essa concentração permite o monopólio da pauta dos debates públicos, com interdição de temas e de grupos sociais.

Na área das telecomunicações, há uma desastrosa política de desnacionalização que precisa ser revertida, assim como há a necessidade de fortalecimento da Telebrás, como empresa pública do setor, capaz de garantir a universalização dos serviços.

Também é urgente a adoção de uma política de universalização do acesso à banda larga para que toda a população brasileira, independentemente de seu local de moradia e condição social, tenha acesso à internet.

Todos esses temas, além do Jornalismo e da produção cultural, devem ser objeto de amplo debate nacional para que haja, de fato, uma construção democrática de um novo marco regulatório para o setor das comunicações.

A primeira Confecom (Conferência Nacional de Comunicação) foi realizada com êxito, no final de 2009, e resultou em 672 propostas aprovadas. Mas não houve seguimento nas ações.

A FENAJ defende que o presidente eleito convoque uma nova Confecom, como ação inicial para a construção de um novo e democrático marco regulatório para o setor.

Brasília, 27 de setembro de 2018.

Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ.

A primavera das mulheres na mídia de Espanha e Portugal

Neste exílio voluntário só me restou acompanhar as gigantescas manifestações no Brasil protagonizadas pelas mulheres contra o candidato da extrema-direita.

Esta Primavera das Mulheres é o mais potente acontecimento político dessas eleições, uma demonstração clara e inequívoca de que é possível combater a intolerância, o ódio, a discriminação, o machismo, o racismo e a homofobia com união e organização política.

Não adianta tapar o sol com a peneira: sim, elas vão decidir.

Sim, ao que parece, elas já decidiram.

E se você pensa que isso é só “mi mi mi”, dá uma olhada na mídia de Espanha e Portugal na manhã deste domingo, 30.

Parte da homepage de El País, versão espanhola

Bolsonaro: ultra-ameaça no Brasil – El País

Centenas de milhares vão às ruas encarar Bolsonaro – El País

Chamada na homepage de El Español

As mulheres marcham contra Bolsonaro – El Español

Seção Internacional de El Mundo, na Espanha

Mulheres lotam as ruas do Brasil contra a ultra-direita de Bolsonaro – El Mundo, Espanha

Portal da Rádio e Televisão Espanhola

“Ele Não”, o grito de milhares de mulheres no Brasil contra Bolsonaro – RTVE, Espanha

Público, de Portugal, não mede palavras em sua chamada

Contra o fascista Bolsonaro, elas marcharam pela democracia – Público, Portugal

Chamada de capa no site do Diário de Notícias, de Portugal

Protestos contra Bolsonaro em mais de 50 cidades do Brasil – Diário de Notícias, do Portugal

Vazam os seus dados, mas quem recebe a indenização é…

Segundo a Reuters, a Uber vai pagar US$ 148 milhões – mais ou menos R$ 500 milhões – por conta do vazamento de informações de 57 milhões de usuários. O acordo foi fechado entre a gigante de tecnologia, o governo federal norte-americano e os 50 estados daquele país. O incidente aconteceu em 2016, mas a empresa não reportou o ocorrido às autoridades, ocultando o problema inclusive dos usuários.

Foram 10 meses de investigação e se descobriu, por exemplo, que foram expostos 600 mil números de carteira de motorista. Dos 57 milhões de pessoas afetadas, pelo menos 196 mil eram brasileiros, informa o Convergência Digital.

O dinheiro vai todo para os governos estaduais e federal. Sim, isso mesmo! A Uber recolhe os SEUS dados, os deixa vulneráveis a ataques e usos não previstos, os SEUS dados são expostos, e a indenização não vai para as vítimas de violação.

Isso é um senso de justiça, no mínimo, bizarro!

Outras 3 coisas que aprendi ao mudar para a Espanha

O tempo voa e já se passaram 50 dias de nossa chegada a Sevilha. Estamos cada vez mais habituados e com os pés enterrados nesse solo arenoso amarelo que mais parece ouro em pó. O calor ainda frita os miolos de quem se atreve a desafiar o sol do meio da tarde. Já não estamos tão desavisados. E por isso, listo mais três coisinhas rápidas que aprendi nesse curto período (se você não viu, há outras 4 aqui).

1. A vida está nas ruas

Os espanhóis lotam os bares à noite, e sentam-se preferencialmente nas mesas e cadeiras das ruas. Estão em busca de brisa e de boa conversa. Famílias inteiras descem dos prédios e se espalham por todos os cantos. Falam alto, riem, brindam, entregam-se às tapas e às bebidas geladas. E ficam até altas horas da noite, já que chegam tarde também, depois das 21 horas, quando o sol se esconde. A vida é pulsante, e os sevilhanos parecem não ser exigentes em termos de local. Importa mais é a situação de convívio, a possibilidade de celebrar a vida. Ela não está encerrada nos apartamentos ou casas. La vida está en las calles…

2. É possível envelhecer com muita dignidade

Adultos, jovens, crianças e velhos saem à noite. A sensação de segurança é plena, embora haja criminalidade e quase não se vejam policiais nas ruas. Septuagenários e octogenários circulam pelas ruas, mesmo os que têm dificuldades de caminhar. Apoiam-se em andadores ou seguem em cadeiras de roda mesmo. No dia seguinte, bem cedo, frequentam os mesmos bares em busca de café da manhã. Geralmente, café com leite e pão tostado com margarina ou azeite. Vivem a vida com uma plenitude invejável, desfrutam da cidade e de suas opções de lazer. São respeitados e isso é tão maravilhoso por aqui!

3. A cidade enaltece os seus

É natural que uma cidade como Sevilha, que tem 3,3 mil anos de existência, seja um museu a céu aberto, e ela é. Não apenas exibe palácios e prédios de várias origens e estilos. Ostenta! Atira na nossa cara a riqueza que o tempo e a vontade de permanecer causam. Mas outra coisa me chama também a atenção: a cidade honra e valoriza os seus pequenos ícones também. Temos estátuas do grande Velázquez, mas também encontramos em qualquer esquina ordinária um azulejo ou placa na parede, lembrando que naquele local viveu o poeta do bairro, a dançarina de flamenco, o toureiro habitual. São lembretes de que os tesouros da cidade são seus personagens, e o que mais importa ali são os traços humanos que deixamos.

Congresso de ética nos países lusófonos amplia prazo

Os organizadores do Colóquio Internacional Ética e Deontologia do Jornalismo no Espaço Lusófono que acontecerá na Universidade de Coimbra (Portugal) decidiram alargar a sua chamada de trabalhos. Agora, quem deseja enviar seu resumo de comunicação científica deve fazê-lo até o dia 30 de setembro.

O evento acontece nos dias 13 e 14 de novembro próximos e faz parte do 5º Congresso Internacional de Comunicação. Mais informações aqui.

Eles vendem nossos dados sim. Precisamos reagir…

De acordo com reportagem de Convergência Digital, “quase metade (48%) dos executivos entrevistados para o relatório  Global State of Digital Trust Survey and Index 2018, encomendado pela CA Technologies e realizado pela Frost & Sullivan, que analisou as opiniões de consumidores, profissionais de cibersegurança e executivos sobre confiança digital, afirma que suas organizações estiveram envolvidas em violações de dados e 43% dos líderes de negócios admitem que vendem informações pessoalmente identificáveis“. O grifo é meu.

A mesma pesquisa mostra que os usuários confiam menos nesses sistemas do que seus próprios executivos. Precisamos ir além de desconfiar.

A reportagem completa está aqui.

4 coisas que aprendi ao mudar para a Espanha

Levei dez meses planejando passar doze em Sevilha para o pós-doutorado. É nessas horas que a gente percebe como estamos amarrados a detalhes da vida que nos fixam aos lugares. Mudar com a família para outro país equivale a uma missão lunar da Nasa: mesmo com toda preparação, dá muito trabalho e rende grandes surpresas.

Passados os primeiros 30 dias, já posso contar as quatro primeiras coisas que aprendi nesse processo:

1. Demora, mas você vai ser atendido

Por aqui, enfrentei fila para tudo: de banco a hospital, de loja a serviço de imigração, passando por escola e outras repartições públicas. Tem fila para tudo, há muita burocracia, e os atendentes não parecem ter pressa nenhuma. Testo minha ansiedade a todo momento. Paciência tem sido o meu mantra. Ser atendido por aqui demora, mas quando chega a sua vez, existe cortesia e atenção. Fui muitíssimo bem atendido por todos, principalmente os funcionários públicos. Parece ser a regra local: as pessoas na fila esperam sem reclamar, não têm chilique, pois sabem que a sua vez chegará.

2. Respeite os horários e o clima

Chegamos em agosto, mês de férias. A cidade esvaziada, o que significa menos gente atendendo no comércio e lojas com horários diferenciados. Então, não adiantava buscar algo entre 14h30 e 17h30, pois tudo (ou quase) estava fechado. Isso vai se estender por todo o horário de verão, que termina no final de outubro. Depois das 17h30, tudo reabre e aí, é ser feliz. Aprendemos também que com o sol não se brinca: o verão na Andaluzia é abrasador. Pegamos 48 graus numa tarde logo na primeira semana. Agora, já ficamos radiantes quando a meteorologia prevê máximas de 35…

3. Esteja aberto às novidades da mesa

Ir ao supermercado é uma festa, pois descobrimos cada coisa! Não se trata apenas de experimentar novos sabores, mas também de encontrar equivalentes dos itens que usamos na culinária brasileira e de conhecer como os locais cozinham. É divertido e surpreendente. Não tenha frescura.

4. Não se engane com os gritos

Espanhóis são muito enfáticos, festivos, afirmativos. Berram, gesticulam e quase nunca falam à voz pequena. Nem sempre é bronca ou briga. É assim que eles se colocam no mundo. Só isso. Existe um latifúndio espanhol entre a bravata e a gentileza, entre o grito e o sorriso.

O que há em comum entre dados pessoais e barrigas de aluguel?

Casais espanhóis inférteis atravessavam a fronteira e contratavam mulheres para gerar seus filhos. Cruzavam vários países em direção à Ucrânia, onde negociavam com agências especializadas e, depois, regularizavam a entrada dos bebês. Alternativa à adoção, o esquema da barriga de aluguel não é barato. Custa até 60 mil euros, e um quarto disso fica com a futura gestante, que também tem outras despesas pagas pelo casal contratante.
Após o parto, o procedimento era a coleta de material genético do pai para comprovação da paternidade. Os resultados positivos do laboratório davam o sinal verde ao consulado que emitia o passaporte espanhol para o bebê. O esquema clandestino, porém, está ameaçado porque o consulado espanhol em Kiev está fechando as portas e porque há um novo impedimento jurídico: o Regulamento Geral de Proteção de Dados. A lei entrou em vigor em maio passado e protege, por exemplo, dados sensíveis como o DNA. Assim, fica dificultada a coleta de material do bebê…
Este é apenas um episódio que ilustra como somos feitos de dados, e como dados são cada vez mais importantes para nossa autodeterminação e para a defesa dos nossos direitos.
O Brasil aprovou há pouco uma Lei de Proteção de Dados, e ela deve passar a funcionar em 2020. Até lá, governos, empresas e cidadãos precisam se ajustar a um novo contexto. Até lá, precisamos também de um órgão fiscalizador que tenha autoridade e legitimidade para efetivamente proteger nossos dados…

A primeira saudade do Brasil…

Estou há quatro semanas em Sevilha para o pós-doutorado e só ontem uma pontinha no peito acendeu a luz da saudade. Não é a primeira vez, é verdade. Já estive fora antes, mas esta saudade do Brasil só foi despertada agora porque devorei a tese de Lilian Juliana Martins: “Antonio Callado jornalista: a narrativa da grande reportagem e o ideal do Brasil possível”. Orientada por Marcelo Bullhões na Unesp de Bauru, a ótima tese é um mergulho inédito e revelador na obra jornalística desse gigante. Ela analise seis grandes reportagens de Callado e as articula a um movimento mobilizador (e idealizador) de um país que teima em não acontecer.

Índios no Xingu, miseráveis na seca nordestina, agricultores engajados pela reforma agrária, tudo isso encharcou de brasilidade as mais de 300 páginas do trabalho, despertando esse sentimento escondido lá no fundo das minhas malas.

As últimas semanas têm sido muito intensas por aqui e mal havia me preparado para isso.

Hoje, Lilian defendeu a tese e seu trabalho foi aprovado. Por Skype, confessei que o trabalho dela havia me provocado a primeira saudade do Brasil nesta jornada espanhola. Ouvi a reação simpática da platéia e dos outros avaliadores. Todos rimos e eu me peguei num redemoinho de emoções: a banca acontecia na universidade onde me formei como jornalista há mais mais de 20 anos; a tese foi orientada por um dos meus mais queridos professores dessa época; e as páginas do trabalho me fizeram lembrar daquele país que não sai de mim.

Lembrar não. Recordar! Porque recordar significa voltar a passar pelo coração…

 

Fake news, educação para a mídia e democratização dos meios

Não vamos vencer as notícias falsas em 2018. Este não é só um problema dos jornalistas. A mídia independente joga um papel importante nessa guerra contra a desinformação.

Eu disse isso e um pouco mais nessa rápida entrevista para o Centro de Crítica de Mídia, projeto da PUC-Minas. A entrevista foi gravada em abril deste ano, durante o concorrido seminário que eles promoveram.

Enfim, uma lei de proteção de dados brasileira!

Foi sancionada ontem a Lei Geral de Proteção de Dados, instrumento que vai ajudar a regular a interceptação, uso, armazenamento e compartilhamento de dados pessoais no Brasil. A lei já era esperada há muito tempo porque os dados hoje são uma moeda cada vez mais importante na economia global. Não tem a ver só com dinheiro. Tem a ver com privacidade, transparência, liberdade e autonomia dos usuários e cidadãos. Todos precisam de segurança jurídica em meio à vida conectada!

O Brasil estava atrasado nesse caso. Mais de 120 países já tinham regras para o setor.

É uma vitória da sociedade, mas o texto sancionado ontem por Michel Temer teve vetos importantes, e o maior deles é com relação à criação de uma autoridade nacional para fiscalizar o setor. Temer ignorou especialistas, empresas de tecnologia, órgãos de defesa do consumidor, ativistas e até mesmo o Comitê Gestor da Internet, que pediam que o texto aprovado na Câmara e Senado fosse sancionado sem vetos.

A lei foi publicada hoje no Diário Oficial da União. Veja aqui.

Para entender os vetos, veja aqui e aqui.

O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) já tem uma avaliação do impacto dos vetos e manifestou preocupação.

O que acontece agora?

  1. A sociedade precisa batalhar pela criação de uma autoridade de dados. Sem ela, a lei é frouxa, manca, caolha… O Poder Executivo pode mandar um projeto de lei ou uma medida provisória para a Câmara. A segunda alternativa é mais rápida, principalmente em ano eleitoral.
  2. A lei passa a vigorar daqui a um ano e meio, em 2020.
  3. A lei complementa o Marco Civil da Internet no que se refere a dados pessoais. Empresas, governos e cidadãos vão precisar se adequar às novas normas. Isso é bom para o usuário, principalmente, que estava totalmente descoberto legalmente nesse assunto.

Brasil precisa de uma agência de proteção de dados

Pesquiso privacidade há poucos anos, mas um dos instrumentos que mais me impressionaram quando conheci a Espanha era a sua Agência de Proteção de Dados (AEPD). Além de zelar pelos direitos dos cidadãos espanhóis na área, este organismo tem importância educativa. Um exemplo pode ser visto na televisão com anúncios que orientam os usuários a como agir depois da aprovação das regras de privacidade na União Europeia, em maio passado.

Recentemente, o Congresso brasileiro aprovou um texto que vai se tornar a nossa lei de proteção de dados. Para virar lei, precisa ser sancionado pela presidência da República. O prazo é 14 de agosto próximo, mas um dos impasses é justamente a criação de uma agência semelhante no país. Temer precisa assinar o texto, sem vetos, sem modificações. O Brasil precisa de mais segurança jurídica nessa área. Todos serão beneficiados com ela: empresas que desejam atuar no mercado brasileiro; empreendedores que querem inovar; usuários que precisam de proteção para seus dados pessoais…

Quatro eventos internacionais sobre ética da comunicação

Agende-se porque as dicas abaixo valem muito a pena:

# 5º Congresso Internacional de Comunicação: Ética e Deontologia do Jornalismo no Espaço Lusófono
13 e 14 de novembro de 2018, em Coimbra, Portugal.
Deadline: 10 de setembro
Veja a chamada: aqui

# 5ª International Conference On Media Ethics
28 e 29 de março de 2019, em Sevilha, Espanha.
Deadline: 28 de fevereiro
Veja a chamada: aqui

# International Conference of Center for Journalism Ethics: Gender, Ethics, Journalism
29 de abril de 2019, em Madison, EUA
Mais informações em breve: aqui

# 20ª Annual Convention of the Media Ecology Association: Media Ethics – Human Ecology in a Connected World
27 a 30 de junho de 2019, em Toronto, Canadá.
Deadline: 1 de dezembro
Veja a chamada: aqui

Senado aprova lei de proteção de dados; falta a sanção…

Numa conjunção astral poucas vezes repetidas, setores quase sempre antagônicos se uniram para pressionar os senadores brasileiros para aprovar o texto da lei geral de proteção de dados pessoais. E não é que deu certo? Na tarde do último dia 10 de julho, o Senado apertou o botão Enter do que pode se tornar o marco legal para que empresas, governos e pessoas se ajustem em termos de recolhimento, processamento, comercialização e uso de dados pessoais. O texto já havia sido aprovado na Câmara no finalzinho de maio graças a uma boa costura do relator, Orlando Silva (PCdoB).

Então, já temos lei, certo? Errado.

O texto vai para a sanção presidencial e há disputas intestinos que trazem ao menos duas dúvidas: Michel Temer vai assinar o texto completo (sem vetar nada)? Teremos mesmo um órgão que vai funcionar como autoridade na área?

Na newsletter do The Intercept Brasil, a editora Tatiana Dias conta que o tema é tratado como prioridade para a segurança institucional da presidência da república. Sim, o mesmo setor que dirige (an?) a Abin. No UOL, Cristina De Lucca, que acompanha os passos do projeto de perto, chama a atenção para os movimentos de bastidores. Miriam Aquino, no TeleSíntese, diz que a Casa Civil faz reuniãozinha na semana que vem sobre o tema.

Quem se preocupa com privacidade não pode relaxar ainda…

 

Um exercício de generosidade na pós-graduação

É muito comum que disciplinas no mestrado e doutorado rendam artigos científicos para serem publicados em revistas acadêmicas e ponto final. É assim na área da Comunicação e em campos próximos, e a ideia é matar dois coelhos de uma só vez: o texto serve de instrumento de avaliação da matéria e incrementa a produção, cada vez mais cobrada.

Repeti essa fórmula diversas vezes, mas decidi arriscar mais no primeiro semestre deste ano: propus aos alunos da disciplina de Estudos Avançados em Ética Jornalística que não escrevessem artigos, mas se dedicassem a produzir verbetes para a Wikipedia!

O objetivo era incentivar a produção de novos conhecimentos e a disponibilização disso para um número maior de pessoas. Não é segredo pra ninguém que artigos científicos são muito pouco lidos e ficam praticamente confinados no restritíssimo círculo de pesquisadores. A Wikipedia, ao contrário, é extremamente acessível, muito popular entre os usuários mais jovens da internet e cada vez mais aceita como referência imediata pelas pessoas.

Minha ideia não é nada original. Aliás, me inspirei claramente no trabalho que o professor Ruy de Queiroz já realiza no Centro de Informática da UFPE e vem alimentando a Wikipedia com verbetes sobre inovação, tecnologia e sociedade. Já o meu amigo Carlos D’Andrea, que escreveu uma tese sobre a Wikipedia, nos forneceu detalhes preciosos sobre como ela funciona e como se organiza.

Para minha satisfação, a turma aceitou o desafio de imediato e produziu verbetes que ajudam a abastecer o conhecimento do Jornalismo e da Comunicação em nossa língua naquela enciclopédia. Ao fazer isso, mestrandos e doutorandos desceram da Torre de Marfim e precisaram adaptar as linguagens de seus textos para que pudessem ser absorvidos por um público muito mais amplo que o habitual. Também aprenderam a operar na plataforma de edição da Wikipedia, para além de enfrentarem conceitos muitas vezes complexos e ainda inéditos na versão lusófona da enciclopédia. Como os verbetes não levam assinatura, os pós-graduandos também demonstraram não só rigor científico e capacidade de adaptação de linguagem, mas também desapego e grande generosidade. Afinal, escapando da fogueira das vaidades acadêmicas, ofereceram suas contribuições de forma anônima para ampliar a inteligência coletiva internética, podendo ver seus verbetes serem atualizados, editados e acrescidos a qualquer momento e por outros autores…

O resultado pode ser conferido em verbetes como Credibilidade Jornalística,  Reportagem Investigativa, Legitimidade Jornalística, e Interesse do Público, por exemplo.

Na minha avaliação, foi uma ótima experiência! Na prática, meus queridos alunos responderam a três questões capitais: É possível ser generoso num ambiente competitivo como a pós-graduação? A universidade produz conhecimento para quem? E para quê?

Transparência: dois eventos em Berlim

A capital da Alemanha é também a capital mundial da transparência, pelo menos nesta semana quando dois eventos reúnem especialistas e pesquisadores do tema em diversas áreas do conhecimento. Transparência e Sociedade: entre a promessa e o perigo é o tema da Herrenhausen Conference, promovida pela Fundação Volkswagen, e que acontece de 12 a 14 de junho. O programa pode ser conferido aqui. E veja aqui no Twitter.

Na sequência, no dia 15, acontece a conferência Mídia e Transparência: uma perspectiva global, evento realizado pelo Instituto Erich-Brost de Jornalismo Internacional, ligado à Universidade Técnica de Dortmund. A reunião avança em discussões de um projeto internacional sobre accountability na mídia.

Estou em Berlim para a primeira atividade. É um mergulho nas muitas perspectivas de debate sobre a transparência. Uma pena não poder ficar para a segunda conferência… Mas se você se interessa pelo tema, o caminho das pedras e os nomes a buscar estão nos links acima…

Câmara aprova proteção de dados pessoais; bola está com o Senado

O plenário da Câmara Federal aprovou ontem à noite – 29/05 – projeto de lei de proteção de dados pessoais. Havia uma corrida entre Câmara e Senado para ver quem votaria primeiro, já que tramitavam projetos distintos liderados por PC do B e PSDB. Cruzou o disco final o deputado federal Orlando Silva, que fez a melhor e mais eficiente costura entre as partes na Câmara. (Os detalhes sobre isso são melhor narrados pela jornalista Cristina de Lucca)

O projeto segue agora para o Senado para nova deliberação.

Mas não há como negar: temos uma boa notícia na área, pois um passo decisivo na regulamentação do tema foi dado no país!

Usa o PGP? Cuidado!

Uma das ferramentas mais celebradas entre ativistas e jornalistas quando se trata de garantia de anonimato e privacidade é o Pretty Good Privacy, o PGP. Ele garante criptografia de ponta a ponta, funcionando à base de chaves individuais públicas, o que só permitia aos destinatários decodificar as mensagens recebidas. Acontece que descobriram uma falha no PGP e a própria comunidade hacker está avisando: evite usar porque estamos buscando consertar as coisas por aqui.

Enquanto isso, a saída é usar serviços como o Signal, por exemplo.

Esta história bem explicadinho está aqui na matéria de Judith Matloff para a Columbia Journalism Review.

Ética jornalística, uma edição especial

 

cover_issue_249_pt_PTA revista portuguesa Media & Jornalismo, editada pela Universidade Nova de Lisboa, acaba de publicar uma edição com um dossiê sobre ética jornalística, novos e velhos dilemas. O número foi editado por Carla Baptista e Alberto Arons de Carvalho e tem um sumário muito variado:

Reconstructing journalism ethics: disrupt, invent, collaborate – Stephen J. A. Ward
Novas responsabilidades do jornalismo face à liquidificação da profissão: fundamentos normativos, valores, formação – Carlos Camponez
Regulação participada e regulação em parceria como resposta aos desafios da profissão – João Miranda
Direito e proteção à privacidade em códigos deontológicos de jornalismo – Rogério Christofoletti, Giulia Oliveira Gaia
A liberdade de consciência do jornalista precisa de proteção especifica a bem da independência no seu trabalho, do pluralismo e da democracia? – Otília Leitão
O lucro social e financeiro do jornalismo de investigação – Pedro Coelho, Marisa Torres da Silva
Tendências do jornalismo de investigação televisivo a partir do estudo de caso da reportagem da TVI “Segredo dos Deuses” – Carla Baptista
Debates da história: a evolução do conceito de objetividade em Umberto Eco – Marco Gomes
Jornalistas brasileiros no banco dos réus: enquadramentos de sentenças judiciais em ações de dano moral – Caetano Machado, Carlos Locatelli
O ethos do jornal O Globo e a campanha contra as fake news – Vivian Augustin Eichler, Janaína Kalsing, Ana Gruszynski
Fake news nas redes sociais online: propagação e reações à desinformação em busca de cliques – Caroline Delmazo, Jonas C. L. Valente
Journalism at the crossroads of the algorithmic turn – Francisco Rui Cádima
O jornalismo no contexto da Web Semântica – Bruno Viana
Dissimulacro-ressimulação: ensejos da cultura do ódio na era do Brasil pós-verdade – Paulo Quadros
Resenha do livro Radical Media Ethics, de Stephen J. Ward – Dairan Paul

Para baixar os artigos gratuitamente (ou a edição completa), vá por aqui: http://impactum-journals.uc.pt/mj/issue/view/249