Perdi meu ex-futuro marido

Conheci Frank Maia num casamento.

As véias nunca mais serão as mesmas…

Era o casamento dos jornalistas Cris Fontinhas e Maurício Oliveira na Ingrejinha da Lagoa. E eu estava de penetra porque não conhecia os noivos e fui de  contrabando da minha esposa à época. No final da cerimônia, o Frank veio falar com a gente e foi amor à primeira vista. Uma amizade de milênios reconhecida num segundo. Quem podia resistir àquele sorrisão e um alto astral simplesmente contagioso…

Não deu muito tempo e trabalhamos juntos num jornal, e eu via dia-a-dia como o Frank evoluía no traço, nas gags, na sua arte. Foi pouco tempo, talvez dois anos, sei lá…

Mas a gente se encontrou muitas outras vezes, quase sempre com nossas mãos agarradas a copos, e era sempre como se tivéssemos conversado há dois minutos. Amantes de quadrinhos, trocávamos impressões de um artista ou de outro, e sempre nos prometemos fazer alguma coisa juntos. E rolou uma vez. Escrevi um historinha de duas ou três páginas que ele desenhou. Faz mais de vinte anos e eu nem encontro mais vestígios daquilo. Mas eu não esqueço o que aconteceu depois. Laerte veio a Florianópolis para uma palestra, e estávamos os dois lado-a-lado e perguntamos sobre duplas de criação. Laerte coçou a barba – sim, faz muito tempo – e disse: “Se você tem quem desenhe pra você, se você tem quem escreva pra você, case com essa pessoa!”.

No lançamento do livro que celebrou parte da obra do Frank

Frank gargalhou, e olhou pra mim com aquela cara de louco dele. Gargalhei também, e prometemos repetir a parceria, mas não aconteceu mais. Em compensação, eu pude acompanhar de perto (às vezes de longe) o meu ex-futuro-marido se tornar o melhor chargista que Santa Catarina já teve. Maior ainda que o ídolo dele, o Bonson, que também já partiu.

Frank viveu e sobreviveu  por conta da sua inteligência, do seu traço rápido e de uma alegria que eu nunca entendi de onde vinha. Não havia tempo ruim com ele. Era generoso, estava sempre muito bem informado e não se desgrudava das filhas mais novas. Nos últimos meses, nos encontramos sem querer sempre no centro da cidade, onde frequentamos bar e banca de jornais, desconfio que os lugares que ele mais gostava. Ainda não acredito que ele foi embora. Ele sempre ficava até o final da festa…

Frank casou algumas vezes, teve vários filhos e fez infinitos amigos. Sou um deles. Mas e se a gente tivesse ouvido a Laerte, hein, Frank?!

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