Marcado: jornalismo

Congresso de ética nos países lusófonos amplia prazo

Os organizadores do Colóquio Internacional Ética e Deontologia do Jornalismo no Espaço Lusófono que acontecerá na Universidade de Coimbra (Portugal) decidiram alargar a sua chamada de trabalhos. Agora, quem deseja enviar seu resumo de comunicação científica deve fazê-lo até o dia 30 de setembro.

O evento acontece nos dias 13 e 14 de novembro próximos e faz parte do 5º Congresso Internacional de Comunicação. Mais informações aqui.

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Um exercício de generosidade na pós-graduação

É muito comum que disciplinas no mestrado e doutorado rendam artigos científicos para serem publicados em revistas acadêmicas e ponto final. É assim na área da Comunicação e em campos próximos, e a ideia é matar dois coelhos de uma só vez: o texto serve de instrumento de avaliação da matéria e incrementa a produção, cada vez mais cobrada.

Repeti essa fórmula diversas vezes, mas decidi arriscar mais no primeiro semestre deste ano: propus aos alunos da disciplina de Estudos Avançados em Ética Jornalística que não escrevessem artigos, mas se dedicassem a produzir verbetes para a Wikipedia!

O objetivo era incentivar a produção de novos conhecimentos e a disponibilização disso para um número maior de pessoas. Não é segredo pra ninguém que artigos científicos são muito pouco lidos e ficam praticamente confinados no restritíssimo círculo de pesquisadores. A Wikipedia, ao contrário, é extremamente acessível, muito popular entre os usuários mais jovens da internet e cada vez mais aceita como referência imediata pelas pessoas.

Minha ideia não é nada original. Aliás, me inspirei claramente no trabalho que o professor Ruy de Queiroz já realiza no Centro de Informática da UFPE e vem alimentando a Wikipedia com verbetes sobre inovação, tecnologia e sociedade. Já o meu amigo Carlos D’Andrea, que escreveu uma tese sobre a Wikipedia, nos forneceu detalhes preciosos sobre como ela funciona e como se organiza.

Para minha satisfação, a turma aceitou o desafio de imediato e produziu verbetes que ajudam a abastecer o conhecimento do Jornalismo e da Comunicação em nossa língua naquela enciclopédia. Ao fazer isso, mestrandos e doutorandos desceram da Torre de Marfim e precisaram adaptar as linguagens de seus textos para que pudessem ser absorvidos por um público muito mais amplo que o habitual. Também aprenderam a operar na plataforma de edição da Wikipedia, para além de enfrentarem conceitos muitas vezes complexos e ainda inéditos na versão lusófona da enciclopédia. Como os verbetes não levam assinatura, os pós-graduandos também demonstraram não só rigor científico e capacidade de adaptação de linguagem, mas também desapego e grande generosidade. Afinal, escapando da fogueira das vaidades acadêmicas, ofereceram suas contribuições de forma anônima para ampliar a inteligência coletiva internética, podendo ver seus verbetes serem atualizados, editados e acrescidos a qualquer momento e por outros autores…

O resultado pode ser conferido em verbetes como Credibilidade Jornalística,  Reportagem Investigativa, Legitimidade Jornalística, e Interesse do Público, por exemplo.

Na minha avaliação, foi uma ótima experiência! Na prática, meus queridos alunos responderam a três questões capitais: É possível ser generoso num ambiente competitivo como a pós-graduação? A universidade produz conhecimento para quem? E para quê?

Transparência: dois eventos em Berlim

A capital da Alemanha é também a capital mundial da transparência, pelo menos nesta semana quando dois eventos reúnem especialistas e pesquisadores do tema em diversas áreas do conhecimento. Transparência e Sociedade: entre a promessa e o perigo é o tema da Herrenhausen Conference, promovida pela Fundação Volkswagen, e que acontece de 12 a 14 de junho. O programa pode ser conferido aqui. E veja aqui no Twitter.

Na sequência, no dia 15, acontece a conferência Mídia e Transparência: uma perspectiva global, evento realizado pelo Instituto Erich-Brost de Jornalismo Internacional, ligado à Universidade Técnica de Dortmund. A reunião avança em discussões de um projeto internacional sobre accountability na mídia.

Estou em Berlim para a primeira atividade. É um mergulho nas muitas perspectivas de debate sobre a transparência. Uma pena não poder ficar para a segunda conferência… Mas se você se interessa pelo tema, o caminho das pedras e os nomes a buscar estão nos links acima…

Ética jornalística, uma edição especial

 

cover_issue_249_pt_PTA revista portuguesa Media & Jornalismo, editada pela Universidade Nova de Lisboa, acaba de publicar uma edição com um dossiê sobre ética jornalística, novos e velhos dilemas. O número foi editado por Carla Baptista e Alberto Arons de Carvalho e tem um sumário muito variado:

Reconstructing journalism ethics: disrupt, invent, collaborate – Stephen J. A. Ward
Novas responsabilidades do jornalismo face à liquidificação da profissão: fundamentos normativos, valores, formação – Carlos Camponez
Regulação participada e regulação em parceria como resposta aos desafios da profissão – João Miranda
Direito e proteção à privacidade em códigos deontológicos de jornalismo – Rogério Christofoletti, Giulia Oliveira Gaia
A liberdade de consciência do jornalista precisa de proteção especifica a bem da independência no seu trabalho, do pluralismo e da democracia? – Otília Leitão
O lucro social e financeiro do jornalismo de investigação – Pedro Coelho, Marisa Torres da Silva
Tendências do jornalismo de investigação televisivo a partir do estudo de caso da reportagem da TVI “Segredo dos Deuses” – Carla Baptista
Debates da história: a evolução do conceito de objetividade em Umberto Eco – Marco Gomes
Jornalistas brasileiros no banco dos réus: enquadramentos de sentenças judiciais em ações de dano moral – Caetano Machado, Carlos Locatelli
O ethos do jornal O Globo e a campanha contra as fake news – Vivian Augustin Eichler, Janaína Kalsing, Ana Gruszynski
Fake news nas redes sociais online: propagação e reações à desinformação em busca de cliques – Caroline Delmazo, Jonas C. L. Valente
Journalism at the crossroads of the algorithmic turn – Francisco Rui Cádima
O jornalismo no contexto da Web Semântica – Bruno Viana
Dissimulacro-ressimulação: ensejos da cultura do ódio na era do Brasil pós-verdade – Paulo Quadros
Resenha do livro Radical Media Ethics, de Stephen J. Ward – Dairan Paul

Para baixar os artigos gratuitamente (ou a edição completa), vá por aqui: http://impactum-journals.uc.pt/mj/issue/view/249

Lula preso nas capas de jornais e revistas

Um dos episódios recentes mais tensos da política nacional teve um desfecho ontem à noite: Lula cumpriu o mandado de prisão e está em Curitiba. Veja como os jornais brasileiros e internacionais deram a notícia. E se ainda quiser ver como as principais revistas semanais brasileiras fizeram isso, leia meu texto no objETHOS.

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Uma revista explica fake news para jovens

A edição de abril da revista ITS, voltada ao público jovem em Santa Catarina, traz matéria de capa sobre as chamadas fake news. Em linguagem informal e com dicas úteis, a reportagem assinada por Lucas Inácio cumpre aquilo que muita gente fala como importante, mas não faz: incentivar a alfabetização digital e formar públicos mais críticos.

A ITS é uma publicação impressa, mas você também pode acessar a revista online aqui.

Sobre transparência no jornalismo: um exemplo

Quantos repórteres falam de suas relações com as fontes?
Quantos jornalistas avisam ao público de algum eventual conflito de interesses?
Transparência ainda é um tabu para muitos de nós…
Em um contundente texto para The Intercept Brasil, Glenn Greenwald mostra que esta não é só uma medida de coragem, mas de caráter.

Porque sou candidato à comissão de ética do sindicato dos jornalistas

O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina vai renovar a sua comissão de ética e sou candidato a uma vaga. Por quê?

Sou professor de Legislação e Ética em Jornalismo e de Ética e Deontologia na Universidade Federal de Santa Catarina. Ética profissional é minha área de pesquisa há 18 anos e escrevi alguns livros e muitos artigos científicos sobre isso. É um tema que me interessa e que me preocupa. Tanto é que em 2009 ajudei a criar o Observatório da Ética Jornalística (objETHOS), projeto que tem um site para discutir condutas e ações de jornalistas e veículos de mídia.

Mas a ética jornalística não é uma preocupação minha apenas no campo acadêmico. Acompanho a evolução da nossa profissão e os principais debates da categoria há vinte anos. Entre 2002 e 2004, fui vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas e, nessa função, conduzi eventos e outras realizações que tratavam disso.

Então, por essas razões, sinto que posso colaborar com a comissão de ética do nosso estado.

Acredito que um órgão como esse não deve ser só punitivo e disciplinar. A comissão de ética pode ter um papel mais educativo, que contribua para aperfeiçoarmos os nossos padrões éticos dentro e fora das redações. A comissão pode realizar e promover eventos, e produzir materiais de orientação e aconselhamento, por exemplo. Outras iniciativas podem fazer com que cresçamos enquanto categoria e nos aproximemos mais do que a sociedade espera. Sim, há muito o que fazer!

Estou pessoalmente motivado a trabalhar com outros colegas da comissão e gostaria de oferecer a minha contribuição. Trata-se de um trabalho voluntário, independente e não vinculado à diretoria, e sem qualquer remuneração.

Se você é filiado ao Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, não deixe de participar da eleição da diretoria nos dias 23 e 24 de agosto. Aproveite e escolha também os cinco membros da comissão de ética. Espero poder contar com a sua confiança. Se quiser saber mais da minha trajetória, acesse meu site.

Para mais informações sobre horários e locais de votação, acompanhe os informes da comissão eleitoral.

Que possamos lutar juntos e construir dias melhores para o nosso jornalismo.

Fake news, jornalismo e democracia

As notícias falsas não são resultado do mau jornalismo. Elas sustentam os negócios da economia digital.
O argumento é de Aidan White, da Ethical Journalism Network. A ideia é bem interessante. Vejam:
“Este modelo encoraja um novo espírito empreendedor no mundo da informação, mas não um que favoreça a comunicação responsável e o jornalismo ético”. (…) “O desenvolvimento de modelos de negócios impulsionados por algoritmos que colocam cliques antes do conteúdo já drenaram o sangue da publicidade da indústria tradicional de mídia global e enfraqueceram a capacidade de jornalismo ético; esses negócios abriram a porta para uma nova cultura de comunicação em que a verdade e a honestidade são obscurecidas pela falsa notícia, intolerância e mentiras maliciosas. E também legitimaram a noção de política de fantasia que pode incentivar a ignorância, a incerteza e o medo na mente dos eleitores”.
A fala de White fortalece o raciocínio de que as fake news não ameaçam só o jornalismo, mas a própria democracia.

Que tal uma agenda para a pesquisa em jornalismo no Brasil?

Fui convidado pelos organizadores do 14º Congresso da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo para falar sobre potências da pesquisa em novembro de 2016. Na mesa, estive com Danilo Rothberg, da Unesp, e com Josenildo Luiz Guerra, da UFS.

Deixei aqui no Medium um texto que sintetiza algumas das ideias que expus…

View story at Medium.com

Jornalismo, hackers, cypherpunks e Wikileaks: um debate

Já está disponível a íntegra do debate “A reconfiguração do jornalismo investigativo e a Influência do Hacktivismo, do Movimento Cypherpunks, e do Wikileaks”, que aconteceu no finalzinho de agosto em Recife. O evento foi uma promoção do Núcleo de Pesquisas em Tecnologia, Lei e Sociedade do Centro de Informática da UFPE. Foi muito bom discutir e refletir com a professora Carolina Dantas de Figueiredo (UFPE) e com o professor e jornalista Luiz Carlos Pinto (Unicap e Coletivo Marco Zero Conteúdo). Tivemos a mediação do professor Ruy de Queiroz (CIn/UFPE).

Sobre Florianópolis e a inovação no jornalismo

Tenho uma visão preocupante e a ao mesmo tempo otimista quando o tema é jornalismo. Preocupante não apenas pela crise das empresas do setor, mas também pelas muitas mudanças culturais pelas quais a nossa profissão tem passado nas últimas três décadas. Otimista justamente pela potencialidade do que tais mudanças podem provocar em termos de aperfeiçoamento e correção de rotas.

Um post do Alexandre Gonçalves no seu Primeiro Digital acabou me provocando. Ele se pergunta “Por que Florianópolis não é a ‘capital da inovação’ do jornalismo?”. Ele menciona uma característica que a cidade e seu entorno exibem: uma indústria consolidada de tecnologia e seus recursos humanos altamente qualificados. E exorta que jornalistas, veículos e esse promissor e influente segmento econômico dialoguem, buscando formas inovadoras de apresentação de conteúdos e mesmo de modelo de negócio.

Para além do fetiche que a expressão “capital da inovação” causa por aqui – e pelo que conheço do Alexandre, ele foi irônico -, eu gostaria de apimentar mais as coisas, pois quando se trata de inovação, estamos falando não apenas da obssessão pelo novo, mas acima de tudo, pelo busca do diferente e do inconformado. A inovação é um processo, um conjunto de ações e esforços para não fazer do mesmo, na tentativa de fazer melhor. A inovação também ajuda a fertilizar uma cultura dinâmica de desapego, de empreendimento e – cuidado com o palavrão! – de risco.

As empresas jornalísticas e os profissionais da área estão dispostos a correr riscos? Quais? E suportariam quanto?

O Alexandre Gonçalves conhece melhor as empresas locais de tecnologia do que eu, mas alimento uma desconfiança de que esse setor não esteja assim tão aberto ao jornalismo. Isso implica em formar parcerias e elas só se forjam quando há interesse mútuos e cambiáveis. Neste sentido, será mesmo que a indústria tecnológica de Florianópolis precisa do jornalismo que aqui é produzido? Será que depende dele? Será que iria se beneficiar com ele e com seus profissionais?

Essa minha desconfiança se apoia na observação dos fatos. Os grandes monstros da tecnologia global têm se aproximado do jornalismo tão somente para vampirisá-lo. Facebook e Google fazem isso. Não porque se importem ou se interessem por jornalismo. Eles estão atrás de conteúdos que atraem usuários, que carregam consigo dados e mais dados. Facebook não é uma rede social, é uma empresa de dados. Google não é uma páginas amarelas da web, é uma empresa de dados. Jornalismo, mídia ou entretenimento têm mostrado nos últimos dois séculos que comportam em si condições de atrair a atenção das pessoas, e é dessa maneira que os grandes conglomerados tecnológicos mundiais veem. O jornalismo é uma oportunidade.

Numa escala bem menor – Florianópolis -, não seria o mesmo?

Agora, vamos inverter a equação. O jornalismo que se pratica por aqui depende de nova tecnologia? É dependente dela? Iria se beneficiar com ela e seus desdobramentos?

Não arrisco respostas fáceis. Minhas questões têm um propósito simples: colocar em xeque o fascínio que construímos em torno das soluções tecnológicas como se nossa existência e subsistência dependessem delas. Será mesmo? Não estaríamos nós transferindo a terceiros a necessidade de alcançarmos melhores patamares de apuração e apresentação de conteúdos, de interação com públicos, e de sustentabilidade financeira?

Sim, a cidade tem potenciais incríveis, é verdade. De um lado tem um pólo tecnológico inovador, atuante, produtivo e agressivo. De outro, a região oferece pelo menos quatro opções de formação superior em Comunicação, sem contar o único Doutorado em Jornalismo no país, e uma quantidade respeitável de veículos e profissionais na área. No meio disso tudo, há quem empreenda. É o caso do Barato de Floripa, do Desacato, do Estopim, do Maruim, do Catarinas, e do Farol Reportagem, que chega hoje à rede, sedento por fazer coisas. Essas iniciativas ainda não se consolidaram, mas estão erguendo pilares se não de inovação tecnológica, mas de oferta alternativa de informação. Há outros coletivos e empreendimentos surgindo e essa efervescência só melhora o ambiente de discussão, formulação e implantação.

Numa rede de pesquisadores em torno do projeto GPS-JOR, estamos mapeando o cenário, coletando dados e discutindo modelos de governança, formas de financiamento e arranjos produtivos que transcendam a imagem única e poderosa que se consolidou no mercado: a empresa. É possível pensar em jornalismo de qualidade e que seja sustentável, para além de como funciona uma empresa jornalística? Como isso pode ser feito? Quem ganharia com isso? Quem estaria conosco nessa? Afinal, isso também não é uma forma inovadora de se ver o jornalismo?

Transformações no jornalismo: quer que desenhe?

O pesquisador José García Avilés junta num único post oito infográficos que mostram de forma clara, contundente e direta as muitas mudanças pelas quais passa o jornalismo. É um ótimo exercício de síntese para uma equação complexa e dinâmica.

Trocando em miúdos: economia da atenção + crescimento constante das redes sociais como fonte de informação + redução do papel dos meios impressos + consequente reinvenção desses meios + explosão dos ganhos de publicidade dos gigantes da internet + preferência do mobile + retorno do “textão” + fortalecimento do vídeo na web.

Para ver na íntegra, clique aqui.

Vigilância global e os riscos para o jornalismo investigativo

O aumento e a sofisticação dos mecanismos de vigilância global colocam em perigo a privacidade como um direito individual e o jornalismo investigativo como uma engrenagem importante para a democracia. É o que conclui o artigo de Paul Lashmar, publicado na Journalism Practice no final de maio. Em “No more sources? The impact of Snowden’s revelations on journalists and their confidential sources”, o jornalista e acadêmico entrevista 12 repórteres investigativos que apontam os impactos do recrudescimento do Grande Irmão sobre a atividade daqueles que fiscalizam os poderes…

Mais informações aqui

ATUALIZAÇÃO: O próprio Paul Lashmar escreveu um artigo hoje pedindo mais supervisão das agências de inteligência para que não incorram na vigia dos jornalistas (e dos demais seres humanos)…

Precisamos falar de crise no jornalismo

Em dezembro, vamos lançar em Florianópolis Questões para um Jornalismo em Crise (Ed.Insular), livro em que reúno treze perguntas incômodas para o presente e o futuro do jornalismo.

É irônico, mas as notícias não têm sido nada boas para o jornalismo. Queda nas tiragens dos meios impressos, redução de verbas publicitárias, demissões nas redações e até fechamento de jornais e revistas. Para piorar, os públicos têm dado sinais claros de desinteresse frente ao que a mídia tradicional oferece.

questoes para um jornalismo em crise

O diagnóstico é de crise e ela não se limita à indústria jornalística brasileira. Está em todas as partes. Diante desse quadro, empresas, gestores e jornalistas se dividem entre lamentos, desespero e busca de soluções. Nos meios acadêmicos, também existe muita apreensão. Nas próximas páginas, pesquisadores e profissionais arriscam perguntas que podem ajudar a encontrar respostas para um cenário tão complexo.

Se o jornalismo ainda tem um lugar importante em nossas vidas, o que poderá ser feito para que voltemos a ler boas manchetes sobre ele?

Mais sobre o livro aqui.

Jornalistas, esses apressadinhos…

Outro dia, num encontro do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS), nosso grupo de pesquisa, o professor Francisco José Castilhos Karam falava de um movimento sobre o slow journalism. Na esteira do slow food e de outros esforços para desacelarar a vida, tem repórter combatendo a nossa-pressa-habitual-cotidiana-quase-invencível. Me lembrei de uma revista britânica que tem a mesma orientação, a Delayed Gratification.

Fizemos em tom de comédia, mas não é que tem mais gente achando que a nossa correria não leva a nada?

Vejam o que escreveu o Josh Spector: “ninguém liga mais para furos!”

Leiam mais aqui.

Um estudo sobre consumo e públicos da mídia

Screenshot 2015-06-14 05.35.13Se tivéssemos no Brasil um Conselho de Comunicação Social de verdade, talvez pudéssemos sonhar com a elaboração de um estudo como o que a portuguesa Entidade Reguladora da Comunicação (ERC) lançou recentemente.

A pesquisa analisa o consumo de notícias em plataformas digitais e as relações com seus públicos em Portugal e mais dez países, entre eles o próprio Brasil.

Baixe aqui.

O documento está em português, em PDF, tem 116 páginas e seu arquivo tem 5,5 Megabytes.

Espantando abutres

UnknownÉ preciso apurar os ouvidos para poder captar vozes dissonantes em meio ao coro. Por isso, a leitura de “La prensa ha muerto: viva la prensa!”, de Pascual Serrano, é tão interessante e necessária para esses tempos de desassossego jornalístico.

O jornalista valenciano oferece um punhado de razões para acreditar na sobrevivência do jornalismo, e como a tão propalada crise pode trazer em si muitas oportunidades de revisão de percurso. Não se trata de um rosário otimista e acrítico, mas de um volume que mantém a crença (e isso não é ruim) de que precisamos continuar a caminhar.

Para reforçar seu ponto de vista, Serrano destrincha as estruturas de funcionamento, os contextos de sobrevivência, as estratégias e os recursos (sempre limitados) de mais de uma dezena de meios que, diariamente, dão mostras de vigor e espírito: Le Monde Diplomatique, La Jornada, os já centenários La Jornada e The Nation, Brecha, IPS, junge Welt, Democracy Now! e o que o autor chama de um “boom español”.

Em linguagem clara, num tom que oscila entre o descritivo e o analítico, o livro traz diversos momentos de alento aos mais preocupados, e enfatiza as lições que a indústria do setor vem colhendo nas últimas décadas. Mais do que encher páginas e mais páginas de lamúrias, o momento é de buscar soluções, de reinventar procedimentos, de estabelecer um diálogo efetivo com os públicos e de descartar velhas fórmulas.

Modestamente, estou terminando de organizar um livro que também trata do tema. Questões para um jornalismo em crise é composto por treze capítulos que se dedicam a perguntas incômodas para nossos dias. Tratamos de jornalismo em dispositivos móveis, reportagem multimídia, crítica de mídia, das relações entre amadores e profissionais, das redes sociais, de uso de conteúdo gerado pelo usuário, de jornalismo pós-industrial, ensino e formação, entre outros aspectos. Os textos são assinados por jornalistas e pesquisadores do Mestrado e do Doutorado em Jornalismo da UFSC (Posjor), e o volume deve sair nos próximos meses pela Insular. Mais algumas vozes dissonantes que berram contra os abutres do jornalismo.

O fator confiança

Screenshot 2015-02-27 03.07.27A Ethical Journalism Network acaba de lançar um estudo com dados de 16 países sobre como jornalistas monitoram seus erros e os corrigem. O Brasil está no relatório, e a seção a ele dedicada é assinada pelo jornalista Marcelo Moreira, que já presidiu a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

No geral, o estudo é bastante genérico, mas de alguma forma contribui e estimula os debates sobre auto-regulação no setor, um tabu por essas bandas.

O diretor da rede, Aidan White, considerou surpreendentes os resultados da pesquisa que apontou – à exceção da Noruega, um modelo para a auto-regulação – que na grande maioria das vezes, jornalistas e editores se digladiam com controles legais, interferência política e corrupção. Um mundo nada fácil…

Organizada pelo próprio White, a publicação – intitulada The Trust Factor (O fator confiança) – tem 80 páginas, em inglês e formato PDF.

Para baixar o estudo (arquivo de 7 Mb), vá por aqui.

Violência contra jornalistas brasileiros, um dossiê

Screenshot 2015-02-09 02.40.07O título de um filme bastante conhecido poderia resumir 2014 para os profissionais da imprensa brasileira: O Ano Que Vivemos em Perigo.

Duvida? Então, dê uma olhada nesta pesquisa produzida pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), recentemente divulgada. É para se preocupar…

O documento tem 52 páginas, está em formato PDF e tem menos de um mega de arquivo.

Baixe aqui!

Mais informações: aqui e aqui

Como veremos as notícias em 2020?

6a00e552985c0d883301bb07e755bc970d-500wiA BBC se arrisca em responder. Em “Future of News”, o conglomerado britânico apresenta uma visão de como as notícias vão se apresentar, como a tecnologia, as empresas e os profissionais funcionarão.

Programas de TV mais participativos, audiências mais ativas, publicidade como mecenato, Big Data nas redações e doses cavalares de jornalismo local estão entre as apostas da BBC.

Ficou curioso? Então, espie o futuro aqui.

um clássico renovado

capa karamO professor Francisco José Castilhos Karam, um dos coordenadores do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) está lançando a 4ª edição revista e ampliada de “Jornalismo, Ética e Liberdade”.

Editado pela Summus, o livro foi publicado originalmente em 1997 e se tornou uma leitura obrigatória para pesquisadores, jornalistas e estudantes interessados nos dilemas éticos jornalísticos. Nesta reedição, a editora apresenta novo tratamento gráfico, capítulos completamente revistos e novas seções.

O autor leciona no Departamento de Jornalismo da UFSC desde 1984, já publicou “A ética jornalística e o interesse público” e atualmente é o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR).

(reproduzido de objETHOS)

o que rola com o jornalismo agora?

Imagine uma ocasião em que se reúnem editores, gestores e publishers dos jornais The Telegraph, The Guardian, The Independent e The Times, e das revistas The Economist, Dazed Magazine, Private Eye e Vice para discutir não o futuro do jornalismo, mas o que está acontecendo como ele AGORA.

Este é o propósito do encontro “Forget the Future: What’s Happening in Journalism Now?”, promovido pelo Frontline Club na série de eventos Grapevine, que acontece no dia 11 de setembro, em Londres.

Para saber mais, acesse:
http://www.frontlineclub.com/forget-the-future-whats-happening-in-journalism-now/

 

última chamada para “os correspondentes”

A revista trilingüe Sobre Jornalismo/About Journalism/Sur Le Journalisme está com chamada aberta para artigos para uma edição cujo tema é “Os correspondentes: história, identidade e desafios contemporâneos”

A equipe editorial aceita submissões de resumos até o próximo dia 15 de setembro. Os textos devem ser encaminhados até 15 de janeiro de 2015.

Mais informações: aqui

ética na comunicação, um dossiê

 

cover_issue_148_pt_PTA revista Comunicação e Sociedade, publicada pela Universidade do Minho (Portugal), acaba de chegar à web com um dossiê sobre ética na comunicação.

Ajudei a editar o número com o professor Joaquim Fidalgo, e o sumário dá uma amostra da variedade e atualidade das pesquisas sobre o tema no amplo arco da área da comunicação:

  • Panorâmica da ética dos media no plano internacional  – Clifford G. Christians
  • Sem medo do futuro: ética do jornalismo, inovação e um apelo à flexibilidade – Jane B. Singer
  • Novos desafios para uma deontologia jornalística duradoura: o modelo de negócio dos media face às exigências éticas e à participação cidadã – Carlos Maciá-Barber
  • Entre verdade e respeito – por uma ética do cuidado no jornalismo – Carlos Camponês
  • Ética e teorias da comunicação: poder, interações e cultura participativa – Luis Mauro Sá Martino e Ângela Cristina Salgueiro Marques
  • O respeito pela privacidade começa na recolha de informação – Paulo Martins
  • Credibilidade das redes sociais online: aos olhos dos jornalistas profissionais finlandeses – Mohammad Ofiul Hasnat
  • A (não) regulação da blogosfera: a ética da discussão online – Elsa Costa e Silva
  • Preocupações éticas no jornalismo feito por não-jornalistas – Rogério Christofoletti
  • Para além da propaganda e da Internet: a ética do jornalismo – J. Paulo Serra
  • Agendamento em publicidade: compreender os dilemas éticos de um ponto de vista comunicativo – Marius-Adrian Hazaparu
  • A prioridade ética da retórica publicitária – Paulo Barroso

Editada em português e inglês, a revista pode ser acessada em:
http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/comsoc/issue/current/showToc