Vem conversar comigo sobre o novo livro

Hoje (20/05), tem um bate-papo pela web sobre o livro A crise do jornalismo tem solução?, que estou lançando pela Estação das Letras e Cores. É às 16 horas – horário de Brasília – e de graça.

Aliás, quem participar, vai ganhar cupom de desconto na compra do livro.

As vagas são limitadas e a inscrição pode ser feita aqui.

A crise do jornalismo tem solução? está disponível em livro físico (aqui) e em versão ebook (aqui e aqui).

Vem!

Revista sobre qualidade no jornalismo, democracia e ética prorroga prazo

Os editores do número especial sobre qualidade no jornalismo, democracia e ética da revista Estudos em Jornalismo e Mídia informam que o prazo de recebimento de artigos se estendeu um pouquinho. O deadline era 30 de março, mas propostas serão recebidas até dia 7 de abril.

Estudos em Jornalismo e Mídia é o periódico científico do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGJOR). Ele circula desde 2004, é semestral, gratuito, indexado em importantes bases internacionais, e é classificado como uma revista B1 no Qualis/Capes.

O número especial está sendo organizado por Carlos Camponez, da Universidade de Coimbra, e eu.

Para ter acesso à chamada de textos, vá por aqui.

Monitorando as mamatas no novo (?!) governo

E se tivéssemos uma forma de registrar e contabilizar falcatruas e otras cositas más do governo que acaba de completar um mês? O bom é que já temos!

Acabou a Mamata é um site que vem fazendo isso de maneira simples e bem humorada. Confere aqui!

PS – Claro que isso também é função do jornalismo. Por isso, se você acredita na democracia, acredita que tem direito a saber das coisas que te afetam, não deixe de seguir os bons exemplos de jornalismo crítico, responsável e compromissado. Há muitas iniciativas por aí!

Vamos discutir jornalismo e cobertura de desastres?

Na próxima segunda-feira, 4, acontece o Seminário Coberturas Informativas de Desastres, iniciativa do Instituto Universitario para el Desarollo Social Sustenible (INDESS) da Universidad de Cádiz. Estarei com as professoras Marcia Franz Amaral e Esther Puertas, e os professores Carlos Lozano Ascensio e Jose Antonio Aparicio. O evento acontece em Jerez de La Frontera, na Espanha.

Mais detalhes aqui e no vídeo abaixo:

Uma newsletter sobre lei de acesso à informação

O Fiquem Sabendo, projeto independente com objetivo de revelar informações de interesse social e que o poder público não divulga, acaba de lançar a primeira newsletter nacional especializada em Lei de Acesso à Informação (LAI). A newsletter se chama Don’t LAI to Me, é quinzenal, de graça, e “tem tem como objetivo criar uma rede para fomentar a transparência pública e o controle social”.

Nela, notícias, exemplos de reportagens feitas com base na lei de acesso e dicas preciosas para QUALQUER UM usar seu direito e solicitar informações de caráter público na sua cidade, estado ou mesmo em órgãos federais.

Esta é mais uma iniciativa jornalística, mas que marca uma nova fase do projeto. Se o Fiquem Sabendo foi criado para ser um portal de notícias sobre temas como transparência e direito à informação, agora, ele passa a ser uma agência de dados, conforme explica Maria Vitória Ramos. Aliás, a Fiquem Sabendo é ela, Léo Arcoverde, Luiz Fernando Toledo e Matheus Moreira, jovens repórteres com experiência em farejar histórias por trás de dados opacos e escondidos.

Em tempos que prometem ser sombrios para a sociedade, com ocultação de informações e um perverso ambiente de negação do jornalismo profissional e de propagação de desinformação, vale muito a pena assinar a Don’t LAI to Me. Por aqui, por favor!

Mais 10 assuntos de jornalismo para se falar em 2019

O jornalista Alexandre Gonçalves se queixou outro dia que só falamos sobre fake news nos últimos tempos, e que era preciso virar o disco. Não contente, listou 10 assuntos sobre jornalismo, jornalistas e marketing digital para se falar em 2019.

Aceito a provocação porque discordo: penso que ainda é cedo para estarmos cansados do assunto. Precisamos discutir, entender e pensar mais sobre o tema das notícias falsas e da desinformação. E precisamos debater e falar mais e mais e mais sobre jornalismo. Por isso, lanço outras 10 questões de jornalismo para o próximo ano:

Fake news e legado para as redações
Sim, tivemos uma campanha atípica, bastante assimétrica e surpreendente, altamente contaminada por fatores externos, humanos ou robotizados. As verdades ficaram para trás e muita gente foi enganada, manipulada e desorientada. Por isso, precisamos saber o que aprendemos sobre as fake news com as eleições de 2018 e podemos evitar em 2019…

Armas contra as notícias falsas
Que arsenal as redações têm para combater a desinformação na atualidade? Podemos combater as fake news ou vamos ser enredados novamente por elas?

Pautas-bomba e cortinas de fumaça
Parte expressiva dos governantes e parlamentares a assumir em janeiro tem recorrido a boatos, informações enviesadas e polêmicas midiáticas para impor seu discurso no debate público. Os jornalistas conseguirão desviar dessas cascas de banana e assumir seus papéis de fiscalizadores dos poderes?

Spotlights
O jornalismo investigativo é raquítico ainda nas mídias estaduais e locais. O que se pode fazer para criar iniciativas que se dediquem ao jornalismo de grande fôlego e de alto impacto na vida pública? Podemos sonhar com equipes especializadas em jornais de porte médio, por exemplo?

Diversidade no colunismo
O colunismo político está dominado por titulares que expressam o pensamento conservador e parece altamente comprometido com pautas do centro e da direita. A maior parte dos colunistas é homem, mais velho, branco, heterossexual e pertencente a elites intelectuais ou financeiras. Teremos em 2019 um colunismo político mais plural?

Robôs e outras traquitanas
Redações médias e pequenas vão utilizar recursos tecnológicos dotados de inteligência artificial para auxiliarem seu trabalho cotidiano? Vão automatizar sistemas que aperfeiçoem o jornalismo? Que tal usar IA para identificar fake news e frear sua disseminação?

Independência
É visível hoje o comprometimento editorial de algumas seções ou temáticas de cobertura. Será possível para 2019 esperarmos um jornalismo econômico menos refém das pautas do grande capital? Conseguiremos oferecer reportagens sobre tecnologias que não sejam meramente bajuladoras das empresas do setor? Teremos um jornalismo de turismo e viagem que seja crítico e independente?

Verbas públicas e jornalismo
Recentemente, em Florianópolis, foi lançada uma frente parlamentar para discutir a democratização da comunicação na cidade. Promete mexer no vespeiro. Será que finalmente vamos rediscutir a distribuição de verbas públicas publicitárias?

Financiamento dos pequenos
Se conseguirmos mexer no vespeiro das verbas públicas para publicidade, os empreendimentos locais independentes conseguirão mostrar-se competitivos ou “merecedores” desses recursos?

Mais jornalismo na veia
Com novos governos e novos cenários, o jornalismo terá a oportunidade de renovar seus compromissos com seus públicos. Teremos a oportunidade de injetar doses mais generosas (e necessárias) de jornalismo na veia da sociedade. Já pensou na quantidade absurda de oportunidades para grandes investigações que teremos em 2019?

Mais um livro sobre a crise do jornalismo

Estou ausente por aqui porque ando mergulhado na escrita de um livro, que tem como título provisório A crise do jornalismo tem solução?

Nele, discuto aspectos financeiros, de credibilidade, relevância, governança e ética na profissão. Discuto a crise pela perspectiva brasileira, mas dialogo com autores internacionais e analiso movimentos em outros países…

Enfim, é um livro modesto e que vai integrar uma coleção recém-lançada por uma editora paulista. A sair nos primeiros meses de 2019. E é tudo o que posso dizer por enquanto. Torçam para que eu chegue logo ao ponto final…

Mais 10 iniciativas jornalísticas que merecem seu apoio

A Ponte, um dos projetos jornalísticos mais consistentes para cobertura de segurança pública, violência e direitos humanos, publicou outro dia uma lista com 10 iniciativas jornalísticas que merecem o apoio das audiências. A lista é muito boa e chama a nossa atenção para a necessidade de fortalecermos o jornalismo neste momento tão confuso e sombrio da história brasileira.

>>>> Sim, é necessário apostar no jornalismo profissional.

>>>> Sim, é preciso dar suporte ao jornalismo comprometido com valores democráticos e direitos humanos.

>>>> Sim, é urgente não apenas dar likes e compartilhar seus conteúdos, mas sobretudo ajudar a pagar as contas de meios e jornalistas que fazem isso.

Não é caridade. É necessidade. Necessidade de poder contar com gente corajosa e competente buscando narrar o nosso tempo, desmascarar mentiras e nos ajudar a entender melhor o mundo e o momento.

A lista da ponte é tão boa que fiquei entusiasmado para enumerar mais 10 projetos jornalísticos:

Brio

Nexo

The Intercept Brasil

Farol Jornalismo

Catarinas

Maruim

VoltData Lab

Revista Capitolina

Desacato

Fluxo

10 livros necessários sobre ética jornalística

Em março deste ano, o Brio Hunter me pediu uma lista de obras essenciais sobre ética jornalística. Fiz e eles publicaram. Como nas últimas semanas outras pessoas me perguntaram a mesma coisa, repito por aqui.

>>> Lembrando: toda lista é incompleta e tem forte impacto das idiossincrasias de seu autor. Portanto, se você quiser sugerir outros 10 livros, use a caixa de comentários! 😉

Os elementos do jornalismo – Bill Kovach e Tom Rosenstiel
Em linguagem clara e acessível, os autores listam 9 fatores fundamentais para o exercício dos jornalistas, e cravam uma definição muito certeira para a nossa profissão: jornalismo é uma disciplina da verificação. Em tempos de fake news, nada mais atual.
O jornalista e o assassino – Janet Malcom
Como deve ser a relação entre jornalistas e fontes? Somos honestos com elas? Essas questões delicadas e nem sempre enfrentadas são abordadas pela jornalista e escritora, que se apoia num caso verdadeiro que envolveu um médico acusado de homicídio e seu biógrafo jornalista.
Jornalismo, Ética e Liberdade – Francisco José Castilhos Karam
Livro muito útil para novatos, pois traz temas e casos importantes sobre o jornalismo brasileiro. Livro muito importante para os jornalistas mais experientes, pois nos convida a repensar atitudes, procedimentos profissionais e vícios nas redações.
O papel do jornal e a profissão de jornalista – Alberto Dines
Um clássico do jornalismo brasileiro, muitas vezes não lido com a devida atenção. Alberto Dines é um dos jornalistas mais experientes e lúcidos do país e um grande crítico da mídia. O livro foi escrito na década de 1970 para tratar da crise do papel de imprensa e para abordar também a função do jornalista na sociedade. Décadas depois, foi revisado, atualizado e reescrito, permitindo novas discussões sobre o que fazemos pela sociedade.
Atuação da mídia – Dennis McQuail
Uma das expressões mais repetidas pelos jornalistas é “interesse público”. Sob ele, faz-se jornalismo, mas também se cometem muitos abusos. O autor enfrenta a questão, ampliando a reflexão sobre como os meios de comunicação atuam em sociedades complexas como as nossas. Livro mais denso, mas necessário.
Ética aplicada: Comunicação Social – vários autores
Esta é uma coletânea lançada no ano passado que traz autores de língua portuguesa, repensando aspectos da ética não só jornalística, mas de outras áreas relacionadas. Boa oportunidade para quem quer se atualizar e mergulhar no assunto. Alguns capítulos são mais áridos, outros, menos. Mas extremamente útil, ainda mais porque pensado e escrito na nossa língua.
El zumbido y el moscardón – Javier Darío Restrepo
O autor é um dos mais renomados jornalistas especializados em ética profissional da América Latina. Colombiano, Restrepo se dedica a responder num site perguntas práticas sobre o cotidiano de repórteres e editores. É o que o leitor encontra nos dois volumes da obra. Em espanhol.
Online Journalism Ethics – Jane B Singer & Cecilia Friend
Já faz mais de dez anos que essas duas professoras lançaram o livro, mas ele é uma das primeiras (e melhores) tentativas de atualizar os dilemas éticos jornalísticos. Há questões ali, como a moderação de comentários em sites e redes sociais, a checagem de fatos, e o uso de conteúdos gerados pelo usuário que ainda são muito discutidas na área. Em inglês.
The new ethics of journalism – Kelly McBride & Tom Rosenstiel
Uma obra para quem quer enfrentar mesmo os dilemas mais atuais da profissão, principalmente as questões mais delicadas envolvendo tecnologia. O livro é resultado de um conjunto de mesas redondas, debates e eventos nos Estados Unidos, e os capítulos são assinados por profissionais reconhecidos e acadêmicos especializados. Em inglês.
Journalism after Snowden – Emily Bell e Taylor Owen
Livro fresquinho que reúne textos de jornalistas e acadêmicos sobre o que tem mudado nas sociedades ocidentais (principalmente, nos Estados Unidos e Reino Unido) após as denúncias de Edward Snowden. Vigilância em massa, espionagem de jornalistas, novos relacionamentos com as fontes, liberdade de imprensa e grandes plataformas de tecnologia. Está tudo lá. É um livro necessário para os nossos tempos. Em inglês.
UM BÔNUS:
Acredite, estou mentindo – Ryan Holiday
Este não é um livro de princípios jornalísticos, nem um manual de como agir corretamente. É um contundente relato de um confesso manipulador de mídias. Com uma sinceridade impressionante, Holiday conta como – por anos! – enganou jornalistas, blogueiros, públicos, anunciantes, usando as próprias ferramentas da mídia. Serve de alerta.