um clássico renovado

capa karamO professor Francisco José Castilhos Karam, um dos coordenadores do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) está lançando a 4ª edição revista e ampliada de “Jornalismo, Ética e Liberdade”.

Editado pela Summus, o livro foi publicado originalmente em 1997 e se tornou uma leitura obrigatória para pesquisadores, jornalistas e estudantes interessados nos dilemas éticos jornalísticos. Nesta reedição, a editora apresenta novo tratamento gráfico, capítulos completamente revistos e novas seções.

O autor leciona no Departamento de Jornalismo da UFSC desde 1984, já publicou “A ética jornalística e o interesse público” e atualmente é o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR).

(reproduzido de objETHOS)

o que rola com o jornalismo agora?

Imagine uma ocasião em que se reúnem editores, gestores e publishers dos jornais The Telegraph, The Guardian, The Independent e The Times, e das revistas The Economist, Dazed Magazine, Private Eye e Vice para discutir não o futuro do jornalismo, mas o que está acontecendo como ele AGORA.

Este é o propósito do encontro “Forget the Future: What’s Happening in Journalism Now?”, promovido pelo Frontline Club na série de eventos Grapevine, que acontece no dia 11 de setembro, em Londres.

Para saber mais, acesse:
http://www.frontlineclub.com/forget-the-future-whats-happening-in-journalism-now/

 

ética na comunicação, um dossiê

 

cover_issue_148_pt_PTA revista Comunicação e Sociedade, publicada pela Universidade do Minho (Portugal), acaba de chegar à web com um dossiê sobre ética na comunicação.

Ajudei a editar o número com o professor Joaquim Fidalgo, e o sumário dá uma amostra da variedade e atualidade das pesquisas sobre o tema no amplo arco da área da comunicação:

  • Panorâmica da ética dos media no plano internacional  – Clifford G. Christians
  • Sem medo do futuro: ética do jornalismo, inovação e um apelo à flexibilidade – Jane B. Singer
  • Novos desafios para uma deontologia jornalística duradoura: o modelo de negócio dos media face às exigências éticas e à participação cidadã – Carlos Maciá-Barber
  • Entre verdade e respeito – por uma ética do cuidado no jornalismo – Carlos Camponês
  • Ética e teorias da comunicação: poder, interações e cultura participativa – Luis Mauro Sá Martino e Ângela Cristina Salgueiro Marques
  • O respeito pela privacidade começa na recolha de informação – Paulo Martins
  • Credibilidade das redes sociais online: aos olhos dos jornalistas profissionais finlandeses – Mohammad Ofiul Hasnat
  • A (não) regulação da blogosfera: a ética da discussão online – Elsa Costa e Silva
  • Preocupações éticas no jornalismo feito por não-jornalistas – Rogério Christofoletti
  • Para além da propaganda e da Internet: a ética do jornalismo – J. Paulo Serra
  • Agendamento em publicidade: compreender os dilemas éticos de um ponto de vista comunicativo – Marius-Adrian Hazaparu
  • A prioridade ética da retórica publicitária – Paulo Barroso

Editada em português e inglês, a revista pode ser acessada em:
http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/comsoc/issue/current/showToc

 

jornalistas e o netmundial

(publicado originalmente em objETHOS)

Como você pretende estar em 2039, daqui a 25 anos? Como estarão organizadas as nossas sociedades no planeta? De que maneira as pessoas vão se divertir, buscar informações, organizar-se e tomar decisões?
É difícil responder com precisão a cada uma dessas perguntas, mas há quem não só se preocupe com isso mas também queira ajudar a determinar cada uma dessas condições. Vinte e cinco anos é mais ou menos a duração de uma geração, o que sinaliza uma medida para nossas ocorrências. A World Wide Web está completando 25 anos em 2014 e já é possível observar algumas das muitas transformações humanas decorrentes desse evento. São mudanças na comunicabilidade humana, na nossa sociabilidade, na maneira como nos relacionamos com o conhecimento, a informação e os ambientes que habitamos. E um detalhe importante: não apenas assistimos a tais modificações como temos participado delas, fazendo escolhas, alterando hábitos, aderindo a protocolos, aceitando situações ou delegando poderes.
A web – é preciso reconhecer – tem características que muito a diferenciam de qualquer outro empreendimento humano coletivo na história. A rapidez de sua disseminação, o alcance e a profundidade das mudanças que vem provocando, tudo isso, reforça esse entendimento. Mas a web é um ambiente tão distinto dos demais mercados de mídia? Tim Wu, professor da Escola de Direito da Universidade de Columbia (EUA), resiste em responder a pergunta de uma forma definitiva. Em “Impérios da Comunicação: do telefone à internet, da AT&T ao Google”, o especialista analisa um século da evolução da indústria norte-americana e de como invenções como o telefone, o cinema, o rádio, a televisão e a internet se inseriram na vida social contemporânea de uma forma tão intensa, rentável e poderosa. Monopólios, oligopólios, roubos de patentes, cartelização, violações de direitos autorais e todo tipo de trapaça são listadas para mostrar como grandes conglomerados se formaram, como dominaram mercados inteiros e como se perpetuaram por décadas. Sob as barbas dos governos, em conjunção carnal com eles e a despeito de seus interesses contrariados. Com os gigantes Google e Facebook, a internet é diferente? Se formos pensar no poder que apenas esses dois impérios têm, veremos que eles ignoram fronteiras geográficas, linguísticas, sociais, financeiras, culturais. Que lançam mão de estratégias agressivas para se apossar de fatias generosas dos mercados consumidores, ao mesmo tempo em que buscam anular suas concorrências e ganhar os corações e mentes de seus clientes/usuários.

Terra de gigantes
Professor Wu, com a web é diferente? Assistiremos a um mercado mais equilibrado, não concentrado, aberto à concorrência? Ele reconhece que agora o público tem um poder muito maior do que já teve, mas só isso não basta. “Quando escolhemos as opções mais convenientes, cedemos coletivamente o controle às grandes empresas baseados numa série de pequenas escolhas cujas consequências mal levamos em conta. Nossos hábitos têm muito mais poder que as leis para moldar o mercado”, explica Tim Wu.
Eli Pariser, em “O filtro invisível: o que a internet está escondendo de você”, faz revelações assustadoras sobre como Facebook, Google, Amazon e outras tantas empresas da web se valem dos dados de seus usuários para criar um sistema de circulação de informações que retroalimenta infinitamente os seus ganhos e presenças no mercado. A tese do autor é simples: todo internauta oferece dados pessoas em sua navegação e esses traços ajudam a compor complexos perfis consumidores que serão consultados pelas maiores empresas do ramo. Quanto mais completo estiver o perfil desse usuário, mais condições as empresas terão de lhe oferecer produtos e serviços conforme seus gostos e hábitos. A publicidade dirigida se apoia no detalhamento das informações sobre o comportamento do consumidor, na relevância desses dados e na oferta de praticidade e conveniência. Que pessoa não quer receber ofertas que tenham a sua cara, ao invés das toneladas de anúncios para todos os públicos?
Pariser alerta que as grandes empresas hoje estão criando uma bolha de filtros invisíveis que fecham a web cada vez mais em torno do usuário. Se a ideia da rede era poder conectar uma pessoa a qualquer outra (mesmo desconhecida), agora cada internauta encontra apenas o que está buscando (ou o que acha que necessita). Os resultados de uma mesma busca no Google são distintos para duas pessoas. Graças a dispositivos informáticos, os sistemas “identificam” e “lembram” de suas pesquisas mais recentes, seus hábitos de navegação, suas características e oferecem os resultados mais próximos de sua conveniência ou raio de interesse. Pode parecer prático, mas também é nefasto, já que oculta parte que pode ser relevante dos resultados. O serviço – que antes se pensava ser desinteressado, técnico – revela-se sensível a influências mercadológicas, a fatores desconhecidos.
A cada operação na web, deixamos rastros e dados sobre quem somos, onde estamos, o que queremos. Imagine a imensa quantidade de dados que você oferece todos os dias com suas buscas no Google, com os e-mails que dispara do Gmail (ou qualquer serviço semelhante), com as curtidas que deu no Facebook, com as estrelinhas que deu para os livros que comprou na Amazon, com as notas que deu ao vendedor do Mercado Livre, entre outras ações. Se existe um mercado customizado de produtos como roupas ou livros, como evitar que haja também algo parecido com o seu noticiário?

Moldando o futuro
Quando se trata de informação jornalística, o assunto fica mais sério. Afinal, este é um tipo de produto que ajuda o cidadão comum não apenas a se atualizar sobre o que acontece na sua comunidade como também permite que ele compreenda como funciona aquele ecossistema e tome decisões sobre os rumos dele. Isto é, o noticiário ajuda a entender o que está se passando e o que se pode fazer para mudar as coisas. Por isso, discutir o futuro imediato das sociedades é também pensar sobre as nossas próximas decisões políticas, tecnológicas e culturais. E isso não se posterga.
No mesmo ano em que a web completa o seu primeiro quarto de século, acontece em São Paulo o Encontro Multissetorial Global sobre o Futuro da Governança da Internet, oNetMundial. O evento é uma oportunidade para reunir empresas, governos, organizações e usuários do planeta inteiro para definir políticas para a web, de maneira a poder moldar boa parte de seu perfil num futuro próximo. Marcado para os dias 23 e 24 de abril, o NetMundial vai colocar nas mesmas mesas gente como governantes mundiais e gênios da computação, internautas e ativistas, empreendedores e investidores. Um documento de base foi elaborado a partir de consultas públicas, e chegou a receber mais de 180 contribuições de quase cinquenta países. É este documento – veja aqui – que vai orientar os debates para a definição de princípios de governança da internet e um roteiro de evolução futura dessas bases.
Estão em pauta temas como liberdade de expressão e de informação, acessibilidade, privacidade, diversidades cultural e linguística; segurança e estabilidade da internet, arquitetura aberta e distribuída, inovação e criatividade; governança aberta e participativa, transparência e confiabilidade; colaboração, inclusão e igualdade; agilidade e padrões abertos. São aspectos importantes para definir limites, contrapartidas, responsabilidades, deveres e direitos de usuários, empresas, governos e demais interessados. Não é pouca coisa e interessa a todo o mundo, todos os usuários de internet e principalmente aos jornalistas.
Por quê?
Porque um encontro como este ajuda a decidir como pode funcionar a web e para onde ela vai se orientar nos anos seguintes. Porque as escolhas que surgirem do NetMundial e que forem implementadas vão ajudar a desenhar os mercados de informação e comunicação onde o jornalismo se insere. Porque as definições de público, usuário, cliente ou consumidor de informação estão mudando e se fundindo, e os jornalistas precisam saber para quem estarão trabalhando. Porque a web é o grande terreno onde novas relações estão sendo engendradas entre jornalistas e audiências, a exemplo de participação ativa e colaboração. Porque uma rede mundial de computadores em contínua mutação e aprimoramento requer melhores serviços de informação (entre os quais a jornalística). Porque novos parâmetros éticos e novos valores podem surgir a partir das emergentes relações entre os diversos grupos envolvidos nos processos comunicativos on line. Por essas razões e outras mais, os jornalistas devem estar atentos ao NetMundial. Se ficarem míopes diante de um acontecimento como este, não vão perder apenas boas notícias. Vão perder também a oportunidade de participar dos debates e das decisões que afetam inexoravelmente a sua profissão e seu campo de atuação.
Volto a perguntar: Como você pretende estar daqui a 25 anos? Como estarão organizadas as nossas sociedades no planeta? De que maneira as pessoas vão se divertir, buscar informações, organizar-se e tomar decisões? O NetMundial não resolve todas essas questões, mas certamente nos motiva a pensar em possíveis respostas.

Referências
PARISER, Eli. O filtro invisível: o que a internet está escondendo de você. RJ: Jorge Zahar, 2012.
WU, Tim. Impérios da Comunicação: do telefone à internet, da AT&T ao Google. RJ: Jorge Zahar, 2012.

3º bapijor acontece na argentina esta semana

Screenshot 2014-04-21 06.34.43Em 2011 e 2012, a UFSC sediou o Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação Jornalística (Bapijor). Foram duas experiências muito ricas para pesquisadores e profissionais, professores e estudantes que acompanharam debates e trocas de experiências. O evento foi gestado no Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) por mim e pelo professor Francisco José Castilhos Karam. O amigo Samuel Lima, à época como visitante na UFSC, também participou da concepção, organização e realização dos dois primeiros capítulos dessa história. Juntos, editamos dois livros: “Jornalismo Investigativo e Pesquisa Científica: Fronteiras” e “Reportagem, Pesquisa e Investigação”.

O terceiro episódio acontece nesta semana – nos dias 24 e 25 de abril – na entrada da Patagônia, na centenária cidade de Viedma, capital da província de Río Negro, Argentina. Quem lidera os movimentos é a professora Lila Luchessi, que escolheu como tema do evento Periodismo y Sociedad. El rol del periodismo en la sociedad del conocimiento. A programação pode ser conferida aqui.

O professor Francisco José Karam participa do painel “Prosumidores: cuando la audiencia hace periodismo” e me incumbiram de fazer a conferência de encerramento, onde devo tratar de ética jornalística, novas tecnologias e novos atores no ecossistema de comunicação.

Entre os brasileiros, participam ainda Daniela Arbex (Tribuna de Minas), Marcelo Soares (Folha de S. Paulo) e Ariel Palacios (Estado de S. Paulo/Globo News). Entre os convidados argentinos, estão Martín Becerra (Conicet/Universidad Nacional de Quilmes), Lila Luchessi (Universidad Nacional de Río Negro) , Guillermo Mastrini (Quilmes e Universidad de Buenos Aires), Fernando Irigaray (Universidad de Rosário), Adriana Amado (Universidad de La Matanza), além dos jornalistas Santiago Rey (ANB), Guillermo Berto (Diário de Río Negro), Gastón Roitiberg (La Nación), Juan Gorosito (Diario Noticias de La Costa) e Josefina Licitra (revista Orsai).

Mais informações em: http://bapijor.unrn.edu.ar

quem pode ser jornalista?

A resposta polêmica e incômoda de Jean-François Fogel é “qualquer um”. Pois quem decide é o público!

A declaração foi dada num evento recente no México e arrepiou a nuca de muita gente. Para um bom resumo da abordagem de Fogel, leia “No ambiente da nova mídia, o público decide quem é jornalista”, artigo de James Breiner.

Para ouvir as palavras do próprio Fogel, assista ao videozinho abaixo:

Você concorda?

erros e mais erros…

Os erros jornalísticos têm sido um assunto recorrente em minhas pesquisas. Em 2005, junto com um inquieto aluno de graduação, abordei o erro como um problema que afetava a qualidade no produto jornalístico. Nós nos debruçamos sobre três diários locais e observamos como eles lidavam com as próprias falhas, se as reconheciam, se as explicitavam, se as corrigiam…

Tempos depois, o assunto voltou à carga, e uma rigorosa e atenta aluna de mestrado me procurou para levarmos adiante um outro estudo, mais focado nas versões online de importantes jornais brasileiros. Esta mestranda não só fez um intenso monitoramento de como as empresas jornalísticas erram, como propôs uma tipologia de erros e as bases para uma política de gestão de identificação de erros e qualidade editorial. O resultado é a dissertação “Parâmetros éticos para uma política de correção de erros no jornalismo online”, que Lívia de Souza Vieira defende publicamente na próxima sexta-feira, 11 de abril, no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR/UFSC).

Um segundo orientando também se envolveu com esse assunto e está lustrando seu projeto de dissertação, para ser defendida em 2015. Enquanto isso, ele mergulha no tema, lendo, discutindo e escrevendo sobre erros jornalísticos. Na segunda-feira passada – ontem! -, ele assinou um artigo na seção Comentário da Semana do site Observatório da Ética Jornalística (objETHOS). Sob o título “O alargamento do espaço de reverberação e suas consequências, o caso Ipea”, o artigo de Thiago Amorim Caminada merece leitura, e comentários… Como se pode perceber, o autor tratou da derrapada de um dos institutos de pesquisa mais influentes do país e de como a mídia embarcou nessa história.

Como se pode perceber rapidamente, os erros jornalísticos são assuntos palpitantes, instigantes e muito férteis para debates profissionais e acadêmicos. Se o leitor se resigna e acredita que isso é mais que natural e que errar é humano, sugiro que olhe ao redor e perceba que o equívoco não é só das órbitas humanas. Robôs também erram, e robôs jornalísticos o fazem sem qualquer dor na consciência. Nicholas Diakopoulos mostra isso em seu artigo “Bots on the Beat”, publicado no Slate, com uma versão brasileira assinada por Fernanda Lizardo e Leticia Nunes, no Observatório da Imprensa.

Essa coisa de robôs fazendo notícias malucas me lembrou uma história recente. Em 2008, tropas russas invadiram a Geórgia, em mais um daqueles embates separatistas da região que já foi uma união de repúblicas soviéticas.  Acontece que os robôs do GoogleNews “montaram” relatos da ação e ilustraram as matérias com um mapa do estado norte-americano da Geórgia e não o país vizinho russo… Os mais afobados ficaram muito preocupados: os russos estão atacando os Estados Unidos… pura barbeiragem dos robôs!

 

seminário de inverno no paraná

Reproduzindo…

Seminário de Inverno divulga chamada de trabalho para 2014inscrições (gratuitas) ao evento, que acontece entre 2 e 6 de junho na UEPG, podem ser feitas até dia 30 de abril O XVII Seminário de Inverno de Estudos em Comunicação está confirmado para a primeira semana de Junho 2014: entre os dias 2 e 6, das 19 às 22 horas. O envio de textos deve ser feito diretamente no site do evento (http://jornalismouepg.net.br/seminariodeinverno/).

O evento reúne estudantes (de graduação e/ou pós-graduação), profissionais e docentes dos cursos da UEPG e demais IES/PR. Para apresentar trabalho, os autores devem ser graduados ou estudantes-pesquisadores que realizam estudos em projetos ou ações sob responsabilidade/orientação de professores universitários. Cada autor/orientador pode inscrever (como autor ou co-autor) até dois trabalhos no evento. Os textos devem ser inéditos (em apresentação e publicação). Só recebem certificados o autor ou co-autor que efetivamente realizar a apresentação no dia previsto. Cada trabalho terá um tempo de 15 minutos para apresentação e, ao final da sessão, acontece o debate entre os autores e demais participantes do evento.Os trabalhos devem apresentar a seguinte formatação: título (até duas linhas, incluindo linha de apoio/complementar), resumo (de 7 a 10 linhas), três palavras-chave, identificação autoral de até duas linhas cada, texto completo, em times New Roman, corpo 12, espaço 1,5, e as indicações bibliográficas conforme as normas da ABNT, com tamanho total entre 10 e 15 páginas. Cada trabalho pode ter no máximo um autor e dois co-autores.

Os trabalhos selecionados e efetivamente apresentados serão publicados nos Anais do XVII Seminário de Inverno de Estudos em Comunicação (edição 2014), em versão digital com registro ISBN. Para isso, o(a) autor(a) deve enviar versão completa, até 30 de abril, atendendo às orientações editoriais da organização.O Evento é organizado pelo Programa de Mestrado em Jornalismo e Curso de Jornalismo da UEPG, com apoio do Centro Acadêmico João do Rio, Fundação Araucária (Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná), Programa de Extensão Agência de Jornalismo UEPG e Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) da UEPG.

As inscrições para envio de trabalhos vão até 30 de abril e os autores que tiverem trabalhos aprovados recebem aceite no dia 15 de maio. A palestra de abertura, na noite de 2 de junho, será feita pelo pós-doutorando (junto ao PPGJor UEPG pelo PNPD/Capes) Boanerges Lopes Filho. E a palestra de encerramento será realizada pela Drª Tattiana Teixeira, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), membro do quadro docente do Mestrado em Jornalismo UEPG. O tema da edição 2014 foca “o Jornalismo entre a crise de modelos e a legitimidade profissional”.

Informações:http://jornalismouepg.net.br/seminariodeinverno/

o golpe de 64 e a folha

Screenshot 2014-03-23 12.00.59A Folha de S. Paulo publicou em sua versão online uma extensa reportagem multimídia sobre os 50 anos do Golpe Militar de 1964. O trabalho é exaustivo, aprofundado, abrangente e fartamente ilustrado. Assinado por Ricardo Balthazar, Lucas Ferraz, Érica Fraga, Bernardo Mello Franco, Fabiano Maisonnave e Ricardo Mendonça,  “Tudo sobre a Ditadura Militar” é um bom documento, mas obviamente não traz TUDO, como indica o título. Claro que se trata de um rótulo típico do jornal que, de forma recorrente, exagera na sua auto-importância. Tudo bem, tudo bem…

O material merece e deve ser conferido.

Senti falta de três coisas:

1. Depoimentos do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff, cujas trajetórias estão ligadas ao episódio.

2. Mais depoimentos de militares envolvidos. Alguém pode argumentar que muitos já morreram, e é verdade, mas outros tantos estão vivinhos da silva e precisavam ser ouvidos. Os depoimentos do tenente-coronel da reserva Lício Maciel, por exemplo, são contundentes na reportagem, mostrando o “outro lado”…

3. Uma explicação melhor sobre uma eventual participação da própria Folha de S.Paulo na sustentação e apoio às ações dos golpistas. Veja o trecho pinçado abaixo:

Screenshot 2014-03-23 11.59.56

Notem que o texto, em determinado momento, deixa de fazer uma narrativa do passado obscuro para fazer propaganda de um episódio mais interessante ou menos vergonhoso, como se o jornal quisesse justificar suas ações pretéritas. Curioso é notar que o sociólogo Marcelo Ridenti, na própria reportagem da Folha, explica que os participantes de esquerda e de direita usam as mesmas estratégias discursivas para legitimar suas ações, mistificando o passado…

Diante do trabalhão que tiveram os repórteres para fazer tal esforço de investigação jornalística, custa muito tentar trazer à tona as respostas às acusações de cessão de veículos do jornal aos agentes da repressão? É difícil tentar olhar para as próprias vísceras? Claro que sim.

Entretanto, seria um momento mais do que oportuno para esclarecer o leitor e a sociedade. Ora, se até as Organizações Globo admitiram ter sido um erro o apoio ao golpe

pesquisa em jornalismo investigativo

Se você se interessa pelo assunto, veja a oportunidade: a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo vai promover um seminário específico com pesquisadores.
Reproduzo a chamada:
O 9º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da ABRAJI, a ser realizado de 24 a 26 de julho de 2014 na cidade de São Paulo, incluirá em sua programação o I Seminário de Pesquisa em Jornalismo Investigativo.
Esta chamada de trabalhos pretende selecionar de 10 a 15 artigos inéditos para apresentação e discussão no seminário, tendo como foco os temas a seguir:
● A teoria e a prática do jornalismo investigativo no Brasil
 ● Aspectos jurídicos da investigação jornalística
● Lei de Acesso à Informação no Brasil e no mundo
 ● Jornalismo Guiado por Dados e Reportagem Assistida por Computador
 ● Pedagogia do jornalismo investigativo, RAC e Jornalismo Guiado por Dados
Os artigos submetidos para avaliação podem discutir quaisquer aspectos dos temas mencionados acima e não devem ter sido apresentados em eventos acadêmicos anteriores, nem veiculados em periódicos. Os trabalhos apresentados serão publicados em anais eletrônicos do seminário.
Instruções
 ● Enviar um artigo em português com até 40.000 caracteres com espaços (levar em conta notas de rodapé, bibliografia, títulos e outros elementos paratextuais na contagem) para o endereço cfp@abraji.org.br até 15 de abril de 2014.
 ● O artigo deve ser escrito a partir do modelo específico, disponível em formatos .DOCX e .ODT.
● Os artigos serão submetidos a avaliação cega por um comitê de pareceristas ad-hoc.
 ● O resultado da seleção será divulgado até o dia 15 de maio de 2014.
 ● Os autores selecionados deverão arcar com os custos da viagem e hospedagem. Não precisarão realizar o pagamento da inscrição no Congresso.
 ● A publicação dos artigos nos anais está condicionada à apresentação dos mesmos no seminário.

os jornais mais belos do mundo

A Society For News Design (SND) apontou os cinco jornais mais bem desenhados do planeta.

Para os avaliadores, os critérios que permitiram apontar os diários mais agradáveis de se ler e ver foram: design que permanece ao longo do tempo, força, enfoque audaz, aparente hierarquia dos elementos gráficos, desenho funcional aos leitores, visuais instigantes, criatividade, consistência e coragem.

Quais são os melhores jornais nesses quesitos?

Confira!

revista chama textos sobre ditadura

A revista Estudos em Jornalismo e Mídia anuncia a chamada de artigos para suas edições de 2014:

V. 11 nº 1 – janeiro a junho de 2014
Eixo Temático: 50 anos do Golpe Militar de 64

Em 31 de março de 2014, completa-se meio século do movimento que instaurou uma ditadura militar no Brasil. A revista Estudos em Jornalismo e Mídia aproveita a efeméride para incentivar a análise, a reflexão e o debate sobre esse marco histórico e suas relações com a sociedade e a mídia. São esperados artigos que relatem pesquisas sobre o tema, bem como textos de aporte teórico. Subtemas de interesse: jornalismo e repressão; censura e liberdade de expressão no contexto da ditadura e da democracia; tensões sociais e coberturas jornalísticas; propaganda política, do Estado e de mercado; militarismo e ativismo civil nos meios de comunicação; poderes e contrapoderes; revolução, golpe e contra-revolução; contextos, cenários e personagens, entre outros.

Também serão aceitos artigos com outros temas, mas serão priorizados para análise os que se enquadrarem no eixo temático da edição.

Deadline: 20 de março de 2014

V. 11 nº 2 – julho a dezembro de 2014
Eixo Temático: Esporte e Mídia

Num curto intervalo de quatro anos, o Brasil vai sediar três importantes competições globais: a Copa das Confederações (2013), o Mundial de Seleções da Fifa (2014) e os Jogos Olímpicos (2016). A revista Estudos em Jornalismo e Mídia incentiva autores e pesquisadores a refletir sobre as relações e sentidos entre esportes e meios de comunicação. São aguardados artigos que relatem pesquisas sobre o tema, assim como textos teóricos. Subtemas de interesse: Coberturas de grandes eventos esportivos; problemas e desafios das coberturas cotidianas; política e esporte; políticas do esporte; jornalismo esportivo; grupos de pressão, relações de interesse, disputa política e atividade esportiva; gastos públicos, legado estrutural, acompanhamento cidadão e transparência, entre outros.

Também serão aceitos artigos com outros temas, mas serão priorizados para análise os que se enquadrarem no eixo temático da edição.

Deadline: 20 de setembro de 2014

Mais informações sobre como submeter artigos, aqui.

previsões para o jornalismo em 2014

mae-dinah-foto
mãe dinah…

Não tenho bola de cristal, mas há quem tenha. Vale a pena conferir o que alguns dos principais produtores, teóricos e críticos do mundo têm a dizer sobre o jornalismo em 2014. Vale a pena também retornar a este post em janeiro de 2015 para conferir quem acertou e quem fracassou miseravelmente… (marque na sua Google Agenda)

O site britânico Journalism.co.uk lista dez tendências (um resumo em português aqui, com o Newsgames):

  • Mobile e design responsivo
  • Conteúdo geolocalizado
  • Redes sociais privadas
  • Jornalismo feito por drones
  • Vídeos curtos
  • Análise de dados e audiência em tempo real
  • Windows phones
  • Tecnologia “vestível”
  • Notícias “antecipatórias”
  • Publicidade nativa

O Nieman Journalism Lab publicou uma série especial sobre o assunto, ouvindo 52 especialistas, que vão de Amy Webb a Alfred Hermida, passando por Rick Edmonds e Michael Schudson. Tem chute pra todo lado, mas há ideias bem instigantes (confira aqui).

Mas se você ainda não virou a página e ainda está em 2013, não tem problema. The New York Times juntou um punhado de ótimas reportagens multimídia e interativas que você pode ver aqui (sem pressa nenhuma).

o jornalismo para além de sua indústria

O clichê mais desgastado do jornalismo é que ele está mudando muito e rapidamente.

Enquanto quase todo o mundo repete o mantra, alguns alongam a vista e lançam opiniões, previsões e análises. Tem de tudo! Há quem preveja dia, mês, ano e horário em que os jornais pararão de circular; há os que se apeguem às rotativas e às broadcasting com todo o fervor; e há ainda os que culpam as redes sociais pelo colapso da cultura, da civilização e de toda a humanidade.

No mar dos profetas, volta e meia, aparece quem tenha algo robusto e interessante a dizer. Foi assim no ano passado quando C.W. Anderson, Emily Bell e Clay Shirky produziram um alentado relatório sobre o tema para o Tow Center for Digital Journalism da Escola de Jornalismo da Universidade Columbia, uma das mais prestigiadas do mundo. Sob o título “Jornalismo Pós-Industrial”, o documento é o que os autores chamaram de um ensaio para tentar entender o que se passa no mundo do jornalista, entre os profissionais e organizações a que se dedicam a isso, e ao entorno (o que é mais impressionante!).

O documento tem 60 páginas em média e pode ser acessado na íntegra (em PDF e em inglês aqui ou em espanhol aqui). Uma versão para o português foi especialmente traduzida por Ada Félix para a Revista de Jornalismo ESPM. O Observatório da Imprensa reproduziu essa versão em capítulos, que você pode acessar aqui: Introdução (Adaptação aos novos tempos), capítulo 1 (Os jornalistas), capítulo 2 (As instituições), capítulo 3 (O ecossistema) e conclusão (Movimentos Tectônicos).

O jornalista Carlos Castilho, colunista do Observatório, publicou em seu blog dois posts que oferecem um bom resumo do documento (aqui e aqui), mas se você é jornalista, pesquisador, estudante da área ou apenas um interessado no assunto, NÃO DEIXE DE LER o trabalho de cabo a rabo. Claro, faça os devidos descontos: foi elaborado a partir de referências e especialistas norte-americanos e reflete o estado da coisa por lá; é composto por análises, mas também por uma boa dose de futurologia; não tece considerações a longo prazo (sabiamente!); não tem caráter científico, embora se apoie em alguma metodologia… Particularmente, senti falta também de ponderações mais amplas e aprofundadas sobre aspectos éticos na profissão e para os usuários em geral, mas isso é uma cisma minha…

De qualquer maneira, “Jornalismo Pós-Industrial” é hoje uma leitura obrigatória para a área. Não chega a ser um mapa que nos guie para fora da alardeada crise. Não chega também a ser uma bíblia cuja leitura esconjure as muitas ameaças que nos rondam. Mas é um esforço sistematizado, equilibrado e atualizado não apenas dos tremores que nos assustam, mas das muitas oportunidades que se descortinam. Só por isso já vale a pena conferir…

jornalismo científico e amazônia

Os professores Samuel Lima e Manuel Dutra estão lançando “Jornalismo científico e pesquisa na Amazônia”, ebook que traz dezessete entrevistas com jornalistas e pesquisadores daquela região. A obra – editada pela Insular – lança luz sobre um assunto que muitos evitam: como se faz ciência em regiões ao mesmo tempo afastadas dos grandes centros e estratégicas para o país?

Confira aqui.

jornalismo-drone: questões éticas

O Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) retoma suas atualizações semanais hoje com um comentário que fiz sobre o uso de drones por organizações jornalísticas. Os drones são aqueles aviões-robôs, veículos aéreos não tripulados, criados com objetivos militares, mas já devidamente apropriados para outros fins, inclusive os jornalísticos. Meu comentário (que você pode ler na íntegra aqui) aborda cinco questões éticas para o jornalismo…

7 questões éticas para o jornalismo digital

Andrés Azocar, diretor de Meios Digitais do grupo midiático chileno Copesa, perguntou no Webinário de hoje à tarde na Red Ética Segura de Fundación de Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI):

  • Os critérios éticos do jornalismo convencional servem para a web?
  • Deve-se aceitar o erro como forma de evolução?
  • De quem são os cliques: dos meios ou dos agregadores?
  • O que é melhor: opinar ou informar?
  • O que fazer: ser o primeiro ou ser o melhor?
  • Editar ou censurar os comentários?
  • Qual a ética da tecnologia?

Questões muito, muito importantes…

cada uma que aparece…

Deu entrada ontem na Câmara de Vereadores de Itajaí um projeto de lei que ilustra o despreparo e o desconhecimento dos vereadores sobre o funcionamento da imprensa e da própria sociedade. O proponente, Douglas Cristino (PSD), quer agora que a imprensa local seja obrigada a informar, em matérias de crime, a naturalidade dos suspeitos e acusados.

Isso mesmo!

O vereador acha que jornalistas que cobrem a polícia têm acesso a todas as informações…

O vereador acha que essa informação é mesmo relevante…

O vereador acha que pode decidir sobre o que a imprensa deve informar…

O vereador acha que, com a medida, vai provar que os criminosos na cidade são de fora…

O vereador acha que a atitude criminosa esteja ligada à origem do autor de um delito…

O vereador acha que, provando que os criminosos são forasteiros, ele estará fazendo o seu trabalho como parlamentar municipal…

O vereador acha que sua proposta é constitucional, necessária e importante… Nada disso.

perfil do jornalista: lançamento

capa-livro-jornalistas-01O Núcleo de Estudos sobre Transformações no Mundo do Trabalho da Universidade Federal de Santa Catarina (TMT/UFSC) lança, na próxima segunda-feira (6 ), o relatório Perfil do jornalista brasileiro – Características demográficas, políticas e do trabalho jornalístico em 2012.

A publicação apresenta os resultados de enquete com 2.731 profissionais, realizada entre setembro e novembro do ano passado pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política (PPGSP), em convênio com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). O projeto teve o apoio da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ).

O estudo foi coordenado pelos professores Alexandre Bergamo, Jacques Mick e Samuel Lima. O lançamento ocorre às 19h, no miniauditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas. A programação prevê a apresentação dos principais resultados da pesquisa e análises sobre a relevância do estudo para os campos da sociologia e do jornalismo no Brasil, pelos coordenadores do PPGSP, Ricardo Gaspar Müller, e do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC (POSJOR), eu, e pela professora do PPGSP Maria Soledad Etcheverry Orchard e pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Valmor Fritsche.

padrões éticos para o jornalismo online

Os jornalistas britânicos andam bastante preocupados com o nível de seu jornalismo, afinal não está fácil pra ninguém, né? Grampos do News of the World… Relatório Leveson… as últimas denúncias de abusos sexuais de apresentadores da BCC…

Comentei no objETHOS sobre um evento que discutiu padrões éticos para o jornalismo online. O News:Rewired acaba de publicar um vídeo com um painel dessa discussão. Vale ver…

links para um domingo à noite

Fiz uma faxina nos links recolhidos na semana e destaco cinco cliques:

  • Práticas Jornalísticas é o blog do projeto de pesquisa O controle discursivo que toma forma e circula nas práticas jornalísticas, coordenado pela Beatriz Marocco, professora e pesquisadora da Unisinos. Vale conferir as entrevistas com jornalistas brasileiros falando de seus métodos de trabalho.
  • De olho na cobertura das explosões na Maratona de Boston, o blog Chat Girl fez um resumão dos erros jornalísticos pela mídia, por causa da pressa, da checagem de informações mal feita…
  • Por falar na montanha dos erros, o colunista da Reuters Jack Shafer aborda as muitas repercussões do tema, e a importância da audiência em apontar as derrapadas dos jornalistas.
  • Conheça o Manual de Periodismo de Datos, resultado de um curso em 2011 do European Journalism Centre e a Open Knowledge Foundation em Londres. A versão está em espanhol e em contínua atualização.
  • Adivinhem quem é o campeão mundial em pedidos para retirada de conteúdos online? Segundo um relatório de transparência do Google, é o Brasil…

hoje tem simpósio de pesquisa em jornalismo

Acontece hoje e amanhã no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo o 3ª Simpósio de Pesquisa Avançada em Jornalismo, reunindo pesquisadores, coordenadores de cursos de pós-graduação, representantes das agências de fomento nacionais e de associações científicas da comunicação.

As atividades acontecem no Auditório Henrique da Silva Fontes, no CCE/UFSC, Florianópolis. O evento é gratuito, com inscrições no local e com transmissão ao vivo.

O Simpósio tem patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa e à Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e apoio da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da UFSC, Associação Catarinense de Imprensa (ACI) e Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (SJSC).

Confira a programação:
DIA 18 DE ABRIL

Das 14h30 às 16h15
Mesa 1: Fomento à Pesquisa em Jornalismo
> Maria Helena Weber (coordenadora da área de Comunicação na Capes)
> Othon Jambeiro (representante de área no CNPq)
Mediadora: Gislene Silva (POSJOR/UFSC)

Das 16h30 às 18h30
Mesa 2: Pesquisa em Jornalismo, o olhar das sociedades científicas
> Luciana Mielniczuk (diretora científica da SBPJor)
> Antonio Hohlfeldt (presidente da Intercom)
> Itânia Gomes (vice-presidente da Compós)
Mediador: Eduardo Meditsch (POSJOR/UFSC)

DIA 19 DE ABRIL

Das 9h às 12h30
Mesa 3: Inovação, Projetos e Perspectivas da Pesquisa em Jornalismo (parte 1)
> Kelly Prudencio (coordenadora do PPGCom da UFPR – PR)
> Antonio Carlos Hohlfeldt (pesquisador representante do PPGCom da PUC-RS)
> Claudia Quadros (coordenadora do PPGCom da UTP – PR)
> Beatriz Marocco (pesquisadora representante do PPGCom da Unisinos-RS)
> Sérgio Luiz Gadini (coordenador do PPGCom da UEPG – PR)
Mediador: Francisco José Castilhos Karam (POSJOR/UFSC)

Das 14h30 às 17h30

Mesa 4: Inovação, Projetos e Perspectivas da Pesquisa em Jornalismo (parte 2)
> Eugenia Maria Mariano da Rocha Barichello (coordenadora do PPGCom da UFSM – RS)
> Alberto Carlos Augusto Klein (pesquisador representante do PPGCom da UEL-PR)
> Virginia Pradelina da Fonseca (pesquisadora representante do PPGCom da UFRGS – RS)
> Rogério Christofoletti (coordenador do POSJOR – SC)
Mediadora: Cárlida Emerim (POSJOR/UFSC)

com criança pode?

Só hoje assisti ao vídeo em que José Genoino “fala” ao CQC, transmitido na segunda passada, 25. E confesso: pensei três, quatro vezes se escreveria sobre isso. Na verdade, me fez mal o que vi. Fiquei incomodado. Não com o cerco que os personagens do programa fazem aos políticos em Brasília, nem com a pegação de pé habitual com Genoino. Duas coisas me chamaram a atenção no vídeo: a gana do CQC Mauricio Meireles para humilhar o deputado e a cilada que armou para que Genoino respondesse ao programa.

Eu poderia descrever, mas é melhor ver com os próprios olhos:

Viu? Pois é, não vou discutir se Genoino é corrupto ou não. Fato é que ele foi condenado pelo STF pelo escândalo do Mensalão. Outro fato que também não pode ser ignorado é a sua biografia na vida política nacional. Mas, como disse, não vou entrar nessa polêmica. Só vou me prender aos dois aspectos que me causaram mal estar ao ver o vídeo. E para isso vou lançar perguntas ao léu, que você – leitor – pode se atrever a responder ou não…

– é correto ensaiar uma criança para repetir perguntas capciosas para alguém?

– é certo que o seu pai filme uma conversa em ambiente privado – um gabinete – para tentar “flagrar” algum deslize do político?

– a criança em questão sabia o que estava fazendo? se não sabia, de quem é a responsabilidade por aquilo?

– o homem que a acompanhava era mesmo seu pai?

– durante meses, o CQC tentou arrancar declarações de Genoíno e sempre em ambientes públicos. É legítimo que se valha de uma troca de palavras em ambiente privado para fazer tanto alarde?

– o CQC precisava usar uma criança para ter esse efeito?

– a frase de Genoíno – de que o PSDB tinha “lábia” e por isso não saía o julgamento do Mensalão tucano – era alguma confissão de culpa ou algo que o incriminasse?

– o CQC é um programa jornalístico ou humorístico?

– se o CQC for um programa jornalístico, quem é o diretor responsável que deveria responder por eventual uso indevido de um menor no vídeo?

– se for um programa jornalístico, o CQC se baseia em que princípios jornalísticos? E quais princípios éticos?

– se for um programa humorístico, o CQC deve ter limites? Quais?

– pode-se discutir limites de programas humorísticos sem despencarmos para a velha discussão sobre censura?

– programas humorísticos transmitidos pela TV aberta também se enquadram no que dizem a Constituição Federal, a legislação sobre radiodifusão pública e o Estatuto da Criança e do Adolescente?

– a declaração de Genoíno traz algo de novo (jornalisticamente falando) ao caso do Mensalão ou a qualquer outro?

– pegadinha é um recurso jornalístico?

– pegação no pé é uma técnica jornalística?

– usar uma criança para armar uma arapuca com alguém (quem quer que seja!) é engraçado?

– onde está a graça em humilhar e ofender as pessoas, mesmo as condenadas na justiça?

– até onde pode-se ir na tv brasileira?

Sim, isso tudo me embrulhou o estômago…

narrativa e construção do herói

Desde ontem acontece no campus de Mariana da Universidade Federal de Ouro Preto a quarta edição da Semana de Comunicação. O evento tem como tema “Narrativa e construção do herói” e segue até amanhã. Estou afivelando a mochila para dar uma passadinha por lá, já que participo da mesa “A mídia (des)construindo um personagem” com Renne França e o professor Lalo Leal, da USP.

Toda a cobertura pode ser conferida no Facebook da IV Secom e no Twitter.

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(a programação de amanhã)

mudanças no mundo do trabalho dos jornalistas: os vídeos

O Centro de Pesquisa Comunicação e Trabalho (CPCT-USP) acaba de divulgar alguns vídeos do Ciclo de Seminários As Mudanças no Mundo do Trabalho dos Jornalistas, realizado em outubro de 2012.

No evento, foram apresentados os resultados da pesquisa O perfil do jornalista e os discursos sobre o jornalismo. Um estudo das mudanças no mundo do trabalho do jornalista profissional em São Paulo. A organização teve a liderança da professora Roseli Fígaro.

chyperpunks, criptojornalismo e assange

capa-cypherpunks-provisc3b3riaCoincidências, ah, as coincidências… Bem na semana em que começo a ler “Cypherpunks – liberdade e futuro da internet”, o novo livro de Julian Assange, tropeço em “Cryptoperiodismo – manual ilustrado para periodistas”, de nelson fernandes (assim mesmo, sem iniciais maiúsculas) e Pablo Mancini. O primeiro traz quase 170 páginas de diálogo do rosto à frente do Wikileaks com três importantes ativistas e programadores sobre quebra de privacidade na web, segurança, vigilância e outros temas relacionados. Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn e Jérémie Zimmermann dividem com Assange preocupações sobre a nossa convivência online no presente e além. De quebra, fortalecem o movimento dos chyperpunks, os criptopunks, que defendem privacidade para as pessoas comuns e transparência para os poderosos. Polêmico, instigante, atual.

“Cryptoperiodismo” não mergulha tanto, mas vai na mesma trilha: a necessidade de os jornalistas se resguardarem em ambientes virtuais, preservando identidade, fontes e informações. É um guia, em espanhol, e disponível no site do livro.

Se você é jornalista ou não, pouco importa. Mas se eu fosse você, não desviaria dos alertas que esses dois livros trazem. Na pior das hipóteses, fazem a gente pensar.