
Já passou das 20 horas e estou exausto.
Preciso de um banho urgente.
Vamos interromper nossa programação para a troca de transmissores.
O encontro da Renoi terminou na noite deste sábado com perspectivas muito positivas para a continuidade dos trabalhos da rede. Entre as próximas ações estão a publicação do livro Observatórios de Imprensa: olhares da cidadania, o estudo para implantação do site da rede, e a definição de uma política de auxílio aos nós em formação da Renoi.
O terceiro e último dia do Encontro da Renoi foi marcado por profundas discussões sobre a natureza da rede, seu foco, direção e futuro. Logo pela manhã, os participantes da rede debateram exaustivamente essas questões, preparando o terreno para a plenária marcada para o final da tarde.
Por consenso, foi alterada a programação do evento, antecipando a plenária para o início da tarde e colocando a mesa de discussão de metodologias de análise de mídia em seguida.
A plenária iniciou depois das 15 horas e só terminou quando já passavam das 18. Cansados, suados e determinados, os heróis da resistência que sobreviveram à maratona do encontro assistiram à apresentação de Victor Gentilli e à proposta de Josenildo Guerra de produção experimental monitorada.
O segundo dia do evento não foi fácil: começou às 8 e não parou antes das 20 horas, exceto para almoço de hora e meia. A programação previa atividades até as 18h30, mas os muitos debates sobre a natureza e função atual do jornalismo estenderam o encontro para além do esperado.
Alunos e professores, valentemente, mantiveram-se na sala até fim.
Por falar em valentia, Valentina – a filha de Angela Loures – deu provas cabais de que não se verga. A garotinha de onze anos acompanhou a mãe o dia inteiro no evento. E não a vi reclamar nem um minuto… bicha braba!
Os mantras mais evocados hoje no segundo dia do encontro da Renoi foram:
– Precisamos ter um diferencial para a rede;
– Precisamos focar mais e definir metodologicamente a Renoi.
Guilherme Canela, da ANDI, defendeu de forma categórica a estreita relação que devem ter imprensa e desenvolvimento como justificativa para uma efetiva crítica de mídia. “Diversas entidades e organismos têm eleito a ligação e a contribuição para o desenvolvimento como suas prioridades. Claro que há muitos conceitos para isso, mas escolhemos essa noção para o trabalho da ANDI e seus parceiros”, disse, lembrando que a Rede ANDI contém onze pólos de atuação no país e reúne treze países na América Latina. (Para se ter uma idéia, a ANDI monitora diariamente 220 jornais no continente!)
Segundo Canela, essa ligação entre meios de comunicação e desenvolvimento dos países pode se manifestar em diversas temáticas. A ANDI percebeu que, ao menos no Brasil e no início dos anos 90, as preocupações com as coberturas de infância e adolescência eram prioritárias no que tange ao desenvolvimento social, fato que ajudou a definir o próprio perfil da entidade.
Para Guilherme Canela, ao se apegar ao conceito de desenvolvimento, os observatórios de imprensa conseguem sair do mero monitoramento dos meios e retroalimentam a imprensa, contribuindo para seu verdadeiro aumento de qualidade.
A mesa com os relatos sobre as experiências mais recentes da Renoi mostrou que esses projetos em formação estão em ritmo acelerado. Ângela Loures, da Renoi Vale do Paraíba, informou que está estruturando sua equipe, já colocou seu site na internet e busca de apoio da Pró-reitoria de Extensão da Unitau para atualizações mais freqüentes e mais infra-estrutura operacional. Em paralelo, a própria Ângela atua junto à imprensa local, dando visibilidade do monitoramento feito pelo seu projeto. A pesquisadora faz parte do Conselho de Leitores do jornal Vale Paraibano, o mais influente na sua região.
No Rio Grande do Sul, Marcos Santuário lidera o Mídia em Foco, projeto em gestação na Feevale. Lá, o site do projeto que deve monitorar a imprensa gaúcha está em fase de preparação e há planos para programas televisivos de debates.
Ananias de Freitas, o Zeca, relatou que na PUC de Minas os esforços para a instalação de mais um observatório de imprensa visam vincular fortemente o projeto à estrutura curricular do curso de Comunicação, onde ele mesmo ministra a disciplina de Ética e Crítica de Mídia. “Vem sendo articulado um outro projeto também, o Observatório das Metrópoles, e queremos acoplar o nosso observatório de meios de comunicação a isso”, completou.
Da Paraíba, Wellington Pereira contou a trajetória de seu grupo de pesquisa, o Grupecj, que existe desde 2002 e sempre se pautou nos estudos da sociologia do jornalismo, imersos nas discussões sobre o cotidiano neste campo. “O Grupecj ainda está buscando parceiros e sustentação para a análise da mídia, e estamos prioritariamente trabalhando com jornais impressos”, disse. Suas preocupações são de ordem metodológica. “Não se trata de fazer da crítica da mídia, a mídia das críticas, é preciso mais”.
Mesmo tendo uma longa trajetória de observador dos meios de comunicação, Victor Gentilli fechou a mesa das experiências recentes da Renoi, relatando a sua trajetória desde o final dos anos 80.
“O que é que nós viemos fazer aqui? O que queremos com a Renoi”. Os questionamentos foram feitos por dois destacados participantes neste segundo dia do 1º Encontro Nacional de Observatórios de Imprensa da Renoi: Luiz Gonzaga Motta, do Mídia e Política, e Guilherme Canela, da ANDI.
As indagações surgiram em meio aos debates da mesa sobre os relatos das experiências mais recentes, logo no meio da manhã. E trouxeram à tona a discussão sobre a estrutura atual que sustenta a rede e os seus futuros passos. “Precisamos discutir como acentuar os laços que unem os projetos da Renoi, e isso passa por uma organização interna”, completou Josenildo Guerra, da UFSE, que sugeriu que abríssemos um espaço na programação do evento, específico para essa discussão.
Os participantes agendaram essa reunião para a manhã deste sábado, esforço que deve ajudar a organizar a plenária final do evento no final da tarde.
Contrariando as lendas que já circulavam sobre a sua real existência, ela apareceu logo cedo no encontro da Renoi. “Jordânia”, a mítica figura que embalou as conversas e o imaginário de alguns participantes do evento, é uma aluna da UniBH, de Minas Gerais, e atua na Rede Andi naquele mesmo estado.
Sorridente e bem informada, ela contava vantagem para as amigas: “Já sou uma celebridade”, brincava.
Após a conferência de Luiz Gonzaga Motta, ontem à noite, Victor Gentilli chamou dois táxis para que deixássemos a UFES em direção a algum restaurante aberto. Um carro chegou em seguida. Outro estacionou logo em seguida. Mas este não queria que alguns de nós embarcasse: ele tinha sido chamado por uma tal “Jordania”.
Acontece que não havia ninguém por ali com aquele nome. O taxista teimou. E tiveram que chamar um outro carro.
Claro que a piada da noite foi a tal “Jordania”. Lendas circularam pela mesa: seria uma aluna da UFES que queria fazer crítica de mídia e teria se frustrado, morrido, e seu fantasma assombrasse os corredores escuros da universidade? seria uma das alunas de Gentilli, envolvida na organização do evento? Afinal, quem é essa “Jordania”?
Quem quer que seja, já é também uma personagem deste 1º Encontro. Mesmo sem querer.
O encontro da Renoi segue hoje com mini-curso oferecido por Luiz Martins da Silva (SOS Imprensa) e relatos das experiências mais consolidadas em crítica de mídia na rede. Participam desta mesa Fábio Pereira (Mídia e Política), Ana Prado (Agência Unama), Luiz Martins da Silva (SOS Imprensa) e eu, pelo Monitor de Mídia.
À tarde, novos relatos, agora dos grupos mais recentes. Marcos Santuário fala do Mídia em Foco; Ananias de Freitas conta como andam as coisas na Puc de Minas; Wellington Pereira fala de seu Grupecj e Angela Loures atualiza as informações da Renoi-Vale do Paraíba.
No final do dia, o evento avança com a mesa A imprensa diante da crítica de dimensão nacional, com Luiz Egypto (Observatório da Imprensa), Guilherme Canela (ANDI) e Thaís Mendonça (Mìdia e Política).
O evento é restrito, verdadeiro petit comité. Com os alunos participantes e os diversos convidados, não devemos ser mais que trinta pessoas. Grupo pequeno, mas muito concentrado. Aliás, ficaremos três, quatro dias no mesmo hotel, com a mesma rotina, convivendo e articulando soluções para a Renoi e o seu futuro. Não é pouco. E pra pouca gente, é muito…
O professor Luiz Gonzaga Motta, da Unb, esbanjou erudição na conferência de abertura do 1º Encontro Nacional de Observatórios de Imprensa. “Talvez pela primeira vez na minha vida acadêmica, eu faça o uso da palavra lendo a minha fala. É que eu gostaria muito de perseguir um raciocínio sem me desviar tanto”, justificou já de início.
Lendo com voz calma e convidativa, Gonzaga Motta atuou mais como um cicerone que conduz seus ouvintes por um sinuoso percurso teórico que foi do surgimento das línguas à prática atual da crítica dos meios de comunicação. Citando George Steiner, Gadamer, Wittgenstein, Habermas, Amartia Sen, entre outros, o conferencista frisou a importância da linguagem na história do homem e no seu próprio desenvolvimento. Fez mais: salientou o exercício da crítica como uma prática hermenêutica, e com isso, a necessidade de sustentar histórica, moral e socialmente essa atividade. Daí a necessidade de se apegar a uma ética universalista que se apóie em conceitos concretos como o desenvolvimento humano. “Tenho dito e repetido que este é um caminho que acredito muito para a crítica dos meios de comunicação. Um caminho para os próprios meios de comunicação”, disse.
Para Gonzaga Motta, o apego a critérios claros do ponto de vista teórico e moral são fundamentais para embasar e legitimar os críticos de mídia em seus tempos. Mais ainda: vincular-se a esses valores auxilia a criar pontes entre as pessoas, traçar aproximações, diálogos, como se todos falássemos a mesma língua, como as ancestrais antes de Babel…
Um depoimento em vídeo do jornalista Alberto Dines abriu os trabalhos no 1º Encontro Nacional de Observatórios da Imprensa, na noite de ontem, 31, em Vitória (ES). A curta fala de Dines atestou o início dos trabalhos em crítica de mídia sistemática no país, lembrando que o projeto Observatório da Imprensa começou numa universidade – a Unicamp – e o encontro da Renoi que ora começava dava continuidade a esse trabalho. “Hoje, é uma rede de universidades, a Renoi, que dá seqüência natural ao nosso trabalho”, disse Dines.
Segundo Victor Gentilli, organizador do evento, a gravação do depoimento em vídeo partiu do próprio Dines, por sua impossibilidade de viajar a Vitória na ocasião.
O 1º Encontro Nacional dos Observatórios de Imprensa tem o patrocínio da Facitec, da UFES e a Prefeitura de Vitória. Apóiam a iniciativa a SBPJor, ANDI, Fest, Ecos, Observatório da Imprensa e Centro Dom João Batista.
Cheguei à capital do Espírito Santo por volta das 12h45, e já peguei um calorão de 24 graus. Pra quem saiu de 9º…
Peguei carona com os pais de Josenildo Guerra, meu amigo de Sergipe, e logo-logo desembarquei no Pier Vitória. Das 13h30 às 16 horas, tentei por todos os meios e vontades me conectar à web. Em vão. Falei diversas vezes com a recepção. Desci, subi e nada. Resolvi correr atrás de uma lan house. Qual nada!
No Jardins Shopping, não tem.
Nos quatro quilômetros ao seu entorno, necas.
Nem MacDonald´s eu encontrei.
Perguntava para policial, taxista, carteiro e ninguém sabia… aí, apelei. Pedi ajuda ao Espírito Santo e não é que deu certo?