cartola, 100!

Hoje, Cartola faz cem anos.
Um século de lirismo, de poesia, de romantismo, de samba e romance.
Nas composições dele, o coração é um latifúndio, a mulher amada, uma deusa, a dor de amor, a dor maior.

Com Cartola, a letra do samba ganha contornos de verso poético. Com Cartola, a vida no morro até parece bonita e redentora. Com Cartola, sofrer apaixonado não é um mau negócio.

Para quem conhece, para matar a saudade. Para quem nunca ouviu dizer, amostras…

Tive sim

Peito vazio

Alvorada

As rosas não falam

Sala de recepção (a minha favorita!)

um video-livro…

Ana Laux, do Gaveta do Autor, produziu essa semana um material bem interessante para quem gosta de música pop e da vida de celebridades: um video-livro com trechos da autobiografia de Eric Clapton.

Vale a pena!

um clipe basicão mas inteligente

Vamos tentar começar a semana hoje, tá?

Para isso, vamos aumentar o som e chacoalhar as cadeiras.

Adoro esse clipe do OK GO. Simples e inusitado. Parece até sem cortes…

porque é domingo: haja o que houver

Um dia parado, sereno, em que os minutos se esgueiram bem esquecidos no funil da ampulheta.

Um dia em que a gente se permite sentir saudades.

A saudade e a certeza do reencontro na poesia fina de Pedro Ayres Magalhães, na voz de Teresa Salgueiro e nos violões cuidadosos de Madredeus.

“Haja o que houver
Eu estou aqui
Haja o que houver
espero por ti

Volta no vento ô meu amor
Volta depressa por favor
Há quanto tempo, já esqueci
Porque fiquei, longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor…

Eu sei quem és
pra mim
Haja, o que houver
espero por ti…

Há quanto tempo, já esqueci
Porque fiquei, longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor

Eu sei quem és
pra mim
Haja, o que houver
espero por ti…”

 

 

 

você samba de que lado?

sambando.jpg

 Para levantar a poeira e o astral, no radinho deste blog programei: Nereu Mocotó, Mundo Livre S/A e banda Tijuquera. Samba dos bons, pilantragem, cavaquinhos dissonantes e muito groove.

Ela merece um samba + Nêga Ivete + Vista do Canal + Laura Bush tem um senhor problema

Mude a ordem se quiser. Aumente o volume até o teto.

para terminar bem o domingo

De repente, me deu uma saudade mineira…

Beto Guedes em vídeo com Wagner Tiso: Amor de índio

Beto GuedesSol de Primavera

winehouse: será que ela se rendeu?

Amy Winehouse aceitou ser internada numa clínica de desintoxicação. (Para saber mais, leia a notícia no G1, aqui).

Justo ela que canta a plenos pulmões

“Tentaram me mandar pra reabilitação mas eu disse
não não não
Sim, eu tenho estado mal mas quando eu voltar vocês vão saber, saber, saber
Eu não tenho tempo e se meu pai acha que estou bem
Ele tentou me mandar pra reabilitação mas eu não vou, vou, vou”

O trechinho é de Rehab – Rehabilitação – do excelente CD Back to Black.

Será que ela se rendeu mesmo?

férias (4): dois clipes

Jamie Cullum é descolado, talentoso, jovem, pulsante e mal começou a botar pra quebrar.

Porque os dias têm sido lindos por aqui, ofereço dois clipes legaizinhos. 

Everlasting lover

Get your way

férias (3): a queridinha

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 Sim, ela é complicada.

Sim, ela é encrenqueira.

Sim, está viciadona e vem cometendo erro atrás de erro.

Sim, sim, sim. Ela frequenta o noticiário em pelo menos duas editorias: música e policia.

A queridinha da hora é Amy Winehouse, cantora com personalidade, timbre forte e uma estética retrô. Sua música, seus cabelos, as sombras nos olhos, tudo remete a algum lugar perdido nos anos 60, entre o rithim e o blues.

Não sabe de quem estou falando? Vai conferir, vai…

férias (1)

trumpet.jpg 

Tem um monte de blogueiros por aí que estão tirando férias.
Pois bem, faremos o mesmo.

Então, comecemos com três linquezinhos de jazz.

Um. Site oficial de John Coltrane. Você mal entra e ele e seu conjunto já te esperam com A love supreme. Bem recebido assim, você vai adiante, passe por fotos, por músicas e até por um vídeo histórico de 1959, quando ele acompanha Miles Davis. Numa das cenas, dá pra ver Trane solando e Miles atrás conversa com a galera, cigarrinho na mão.

Dois. Já que falamos no homem: site oficial de Miles Davis, onde você encontra um Miles Davis Music Player. Clique e viaje. Design arrojado, como não poderia deixar de ser. Discografia, biografia, fotos… O site promete vídeos e músicas baixáveis para breve.

Três. JazzTrumpetSolos. Nele, você encontra trechinhos de solos antológicos de trompete. Não só, você ouve e acompanha as cifras, caso queira acompanhar. Se não tiver tanta agilidade, não esquenta. Dá pra fazer download das partituras dos solos em arquivos em PDF compactados.

vamos à igreja?

A querida Ana me manda a notícia que saiu no G1: há 25 anos, funciona uma igreja “John Coltrane” em San Francisco.

Ok, você já ouviu falar que Eric Clapton é Deus; que os solos de Hendrix eram demoníacos; que a voz de Billie Holiday te tirava do chão… pois se disserem que os solos de sax tenor de Coltrane eram divinos, isso não é lá exagero.

Na igreja de Coltrane, fundada por um malucão norte-americano, a teologia do jazz funciona. “Você é o que você ouve”. E se você ouve Coltrane, faz contato imediato com o cosmos, com o sagrado, com o místico.

Então, vamos à igreja?

Para se purificar, ouça sete vezes “My Favorite Things”; ouça oito vezes “A love supreme” e mais quatro ou cinco vezes “Central Park West”.

Amém.

ética na edição de áudios

Mary McGuire, professora associada da Carleton University, do Canadá, compilou uma série de cuidados que jornalistas devem ter quando editam materiais em áudio. Me refiro a cuidados éticos no uso técnico de equipamentos, sistemas e conteúdos.

O guia de McGuire é sintético e está dividido em três partes basicamente:

  • Cuidados na edição de entrevistas
  • Cuidados na condução de entrevistas que serão posteriormente editadas
  • Cuidados na gravação e uso de sons em arquivos de áudio

O guia pode ser lido aqui

A página pessoal da professora na universidade está aqui.

Vale a pena ler o guia e não guardar. Isso mesmo. Leia e não guarde. Deixe sempre por perto, visível, pulsante…

32 capas de disco que mudaram tudo

Sim, a música muda o mundo.
The Best Article Every Day faz uma listinha de 32 álbuns que chacoalharam o mundo. Não só pelos acordes, mas pelo que mostravam na capa…

Veja e faça a sua lista.

cassandra wilson: é domingo!

É domingo, é primavera!
Começa a semana, começa uma nova estação no ano, mais quente, mais colorida, mais promissora.

Otimismo meu? Talvez.

Mas talvez seja um tempo em que se possa ficar mais perto de quem se queira bem. Mais perto por mais tempo.
Cassandra Wilson canta lindamente Closer To You, de Jakob Dylan, no seu mais recente disco Thunderbird

 

 

How soft a whisper can get
When your’re walking through a
Crowded space
I hear every word being said
And i remember that everyday
I get a little bit closer to you

How long an hour can take
When you’re staring into open
Space
When i feel i’m slipping further
Away
I remember that everyday
I get a little bit closer to you

These are the days
That i won’t get back
I won’t hear you cry
Or hear you laugh
And when it’s quiet
And i don’t hear a thing
I can always hear you breathe

You know there’s nowhere else
I’ve wanted to be
Than be there when you needed me
I’m sorry too
But don’t give up on me
And just remember that when you
Were asleep
I got a little bit closer to you 

(Se não encontrou a canção por aí, mas ainda assim quer ouvir a voz aveludada de Cassandra, vá até o YouTube e acesse um slideshow onde a música serve de tema.
Feche os olhos e abra os ouvidos.
Deixe a nova estação entrar)

jazz me jazz: listas

milesss.jpg 
(miles davis)

Acordei com todas as blue notes pulsando no corpo.
Daí, resolvi fazer a vitrola trabalhar, pulando de faixa em faixa. DJ mergulhado em cem anos de jazz.
Depois, fiz listinhas muito particulares. Se gostar, faça as suas também. Se não gostar, faça outras contestando…

  • 5 opções para ler jazz:

Ao vivo no Village Vanguard, de Max Gordon.
O proprietário da mais mítica casa de shows de jazz de Nova York conta como ela funcionava e quem passou por lá.

No mundo do jazz, de François Billard.
Sim, os franceses sabem do ritmo também. Nessas páginas, saborosas histórias de anônimos músicos e de suas rotinas de jam sessions, além de contos com monstros sagrados.

História social do jazz, de Eric Hobsbawn.
O famoso historiador escreveu este livro sob o pseudônimo de Francis Newton, só revelando o segredo anos depois. Vale para quem se interessa por contextos e sociologias. Rigor na pesquisa.

Miles Davis – autobiografia
O camaleão conta muita coisa, com absurda sinceridade. Dos tempos em que dividia apartamento com Charlie Parker aos anos em que morou com duas esposas bem mais jovens. Isso sem contar a música…

New jazz – de volta para o futuro, de Roberto Muggiati.
Belo apanhado de músicos, compositores e intérpretes dos últimos vinte ou trinta anos. Para introduzir quem quer conhecer e para revelar quem pensa que já sabe de tudo.

billie-holiday.jpg

(billie holiday)
 

  • 10 discos essenciais

Kind of blue, de Miles Davis

Porgy and Bess, de Miles Davis

Marsalis Standart Time vol. 1, de Winton Marsalis

A love supreme, de John Coltrane

My favorite things, de John Coltrane

The Stockholm Concert, de Ella Fitzgerald e Duke Ellington

Lady in satin, de Billie Holiday

She was too good to me, de Chat Baker

Autumn Leaves, de Gil Evans

Francis Albert Sinata and Antonio Carlos Jobim, dos dois

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(john coltrane) 

  • 10 caras inesquecíveis

Miles Davis: versatilidade, modernidade e nenhum medo de errar

Billie Holiday: a tragédia numa voz

John Coltrane: o sax, o encontro com deus e o músico de olhos parados

Chet Baker: outra tragédia, mas com os lábios no trompete

Duke Ellington: o primeiro grande profissional do jazz

Dizzy Gillespie: um sapo bebop coacha no clarim

Thelonius Monk: tentáculos sobre o piano

Sarah Vaugahn: a voz que vence o eco

Tom Jobim: nosso debussi e muito mais

Nina Simone: uma espécie de religião na música

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(jamie cullum)

  • 10 atualíssimos e indispensáveis

Antonio Hart: sax com propriedade e latinidade

Jamie Cullum: ele compõe, canta, dança e sapateia sobre o piano

Norah Jones: com doçura e fragilidade ela se aproxima perigosamente do country

Nicholas Payton: some Armstrong, Gillespie e King Pim e o resultado é este

Diana Krall: a canadense loira mais negra-do-Harlem que já se viu

Madeleine Peiroux: impossível não lembrar de Lady Day

Joshuah Redman: um jogador de basquete de rua tocando jazz

Terence Blanchard: dedos nervosos tamporilam sobre os pistões

Laura Fygi: rica, classuda, charmosa e com pleno domínio na voz

Cassandra Wilson: porte de diva, voz de musa

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ela é o céu

Estou vidrado no CD Céu, da cantora brasileira de mesmo nome. A menina, com vinte e poucos anos, lançou esse primeiro trabalho ano passado e já é apontada como revelação da música nacional pela crítica. Diga-se, a crítica internacional. Revistas e jornais franceses babam em cima da moça que flerta com bossa, com jazz, com samba e com música eletrônica.  A mídia local também já se rende, mas não é que a mulher é boa mesmo?!

Confira aqui, faixa a faixa.

E se não tiver tempo, vá direto na versão cheia de groove de Concrete Jungle, de Bob Marley.

Céu, que nasceu Maria do Céu, tem voz aveludada, tocante, amadeirada. Sua praia parece não ser a potência vocal, mas o encaixe do que tem nas frestas do possível.

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a love supreme

Olhe pra baixo e imagine um pôster de quase um metro de altura e meio braço de largura.
Pois é. Ontem, ganhei esse pôster da minha mulher.
Adorei.

As fotos são de Francis Wolff, um sortudo que passou pelos principais clubes de jazz clicando gente como Coltrane, Miles Davis, Thelonius Monk e por aí vai.

Quer ver mais imagens do tipo? Vá ao Imagens do Jazz, blog desativado de Portugal, mas que é um museu da estética visual dos álbuns e da fauna do velho jazz.
(Vá ao blog e ligue as caixinhas de som)

O meu pôster pendurei bem cima do aparelho de som. Como se Coltrane velasse e zelasse pelos artistas que estão empilhados por ali, em CD, DVD e Vinil. Pra variar, Coltrane olha para o nada.

My favorite things não deixa de tocar silencioso naqueles lábios fechados.

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