nosso cinema no oscar

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Não ligo para o Oscar. Não acho que seja um grande prêmio nem ao menos que seja um índice de qualidade de produção. Não mesmo. Basta lembrar que “Rocky, o lutador” venceu na categoria melhor filme no comecinho dos anos 80. (Ou a safra estava muito ruim ou o colégio eleitoral que votou no filme de Stallone não ia ao cinema com freqüência).

Então, não entro nessa torcida por um Oscar. Para mim, é besteira. Como se torcêssemos por nossa miss num concurso de beleza. Claro que isso não me impede de dizer que foi uma injustiça Gwineth Paltrow levar a estatueta de melhor atriz por “Shakespeare Apaixonado” ao invés de Fernanda Montenegro por “Central do Brasil”. A veterana é mais atriz e está a milhas de distância segura da loirinha.

De qualquer forma, e dito tudo isso, preciso confessar que gostei bastante da escolha do governo brasileiro do filme que vai representar o país na triagem para a categoria de melhor filme estrangeiro. Escolheram “O ano em que meus pais saíram de férias”. Não pude vê-lo na telona, mas vi em DVD. E foi um assombro.

Em maio deste ano, no meu blog anterior, cheguei a dar minhas impressões nitidamente emocionadas sobre o filme. Ele é belíssimo. Para que você não precise ir ao meu endereço antigo, reproduzo abaixo o que escrevi à época. Hoje, eu quase nem mexeria no texto. A impressão ficou. As imagens permaneceram.

Noite passada, assisti a O Ano Em Que Meus Pais Saíram De Férias, longa de Cao Hamburger. E já de início, é preciso dizer: é um dos filmes mais emocionantes do cinema nacional dos últimos dez anos. Bem realizado, na medida e sem rodeios, o filme é de uma sensibilidade contagiante.A história é simples: 1970, e os jovens pais de um garoto de uns 8 anos deixam o filho com o avô. Os pais “vão sair de férias”, quando na verdade se intui que são perseguidos políticos. Acontece que o avô morre antes mesmo de o menino ser recebido. Então, Mauro – o menino – é acolhido pelo pessoal do bairro do Bom Retiro, notadamente judeus e descendentes de italianos. Os dias se passam e o menino aguarda os pais, pois a promessa era de que a volta se daria na Copa do Mundo. Simples assim.

Mas vai além. Não é um filme de crianças. Não é um filme com crianças só. Mas é um daqueles que nos fazem voltar à infância. Futebol de botão. Bola de capotão batendo na parede encardida do vizinho. Brincar na rua. Apaixonar-se pela bela atendente da padaria. Tanta coisa… Há também a incontornável solidão da infância que todos sentimos: brincar solitário, mergulhar sozinhos no mundo da fantasia e dos sonhos mais eternos.

Se você gosta de comparações, já temos um Cinema Paradiso, mas sem a homenagem à sétima arte. Já temos um Malena, sem Monica Belucci. Mas não só. Meu entusiasmo me faz lembrar da singela trilha sonora, dos planos inteligentes que recortam o cenário da São Paulo moderna e nos mostram apenas a São Paulo amanhecida, amarratoda, periférica, imunda e inesquecível, amável e perdida no tempo.

Gargalhei, me identifiquei, e me emocionei. Lá pelo final, cheguei a pensar que o filme poderia terminar na bela seqüência que recupera as comemorações em Guadalajara do Tri da seleção. Cenas documentais num belo filtro azul-saudade. Mas não. Cao Hamburger ofereceu mais. Inclusive a narração do personagem na última cena: um punhado de frases que me inundou os olhos”.

3 comentários em “nosso cinema no oscar

  1. Esse filme é muito bom. Lembro que assisti para fazer um trabalho de cultura e adorei o filme. Fiquei bem contente que escolheram ele que para mim é um dos melhores filmes brasileiro. A narrativa final do Mauro é a parte do filme que mais me deixou emocionada.

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