notas e números sobre a pesquisa em jornalismo

A pesquisa em Jornalismo no Brasil caminha a largos passos, e isso se deve ao esforço conjunto de alguns influentes cientistas nacionais, à definição de um foco claro para o dispêndio da energia produzida e a um bom momento da ciência nacional, entre outros fatores.

A última década tem sido pródiga no aumento da produção de artigos e livros sobre a área e na formação de capacitados recursos humanos para a pesquisa, notadamente mestres e doutores. O trabalho da SBPJor, neste sentido, tem sido capital, aliado a uma estratégia de conjugação de esforços com outras entidades, como a Intercom, o FNPJ, a Fenaj, a Compós, etc… Com isso, os pesquisadores do jornalismo vêm ganhando prestígio e respeito pelos seus pares, e vêm conseguindo – em alguma proporção – financiamento para seus projetos.

Alguns dados ajudam a moldar o perfil da área nos últimos anos: o Brasil tende a puxar a pesquisa em Jornalismo na América Latina, apesar da língua. E, no Brasil, o Rio Grande do Sul já chama a atenção pela articulação e coordenação de seus pesquisadores, pela presença em eventos e pela produção qualificada.

A diretora científica da SBPJor, Marcia Benetti Machado, e o coordenador do Grupo de Trabalho de Jornalismo na Alaic, Eduardo Meditsch, distrincharam a produção científica nacional na área numa mesa redonda durante o 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, em São Bernardo do Campo, em novembro passado. Sim, já faz dois meses que esses dados foram publicizados, mas não houve mudanças significativas.

  • O Brasil tem 33 programas de pós-graduação em Comunicação;
  • Apenas o Brasil tem doutorado na área! O que significa dizer que os pesquisadores latinos geralmente buscam se doutorar em outros países;
  • Dois terços dos países da América Latina nunca apresentou trabalhos no GT de Jornalismo da Alaic nos últimos dez anos;
  • O GT de Jornalismo é forte na Alaic: ele reuniu 194 dos 203 trabalhos no período;
  • O Brasil é forte no GT: respondeu por 59% dos trabalhos na década assinalada. Argentina ficou em segundo – com 20% -, seguida do Chile;
  • Nelson Traquina e Mauro Wolf são os autores mais citados nos trabalhos do GT da Alaic. Na seqüência, vêm Miguel Alsina, Eliseo Verón, Teun Van Djik. Entre os brasileiros, Nilson Lage é o mais mencionado;
  • 64 autores foram citados ao menos duas vezes de 1998 a 2008 nos trabalhos do GT de Alaic, sem considerar autoc-citação.  Os brasileiros são os mais citados  (em 32% dos casos), seguidos de autores franceses e norte-americanos;
  • Em termos de categorias, Meditsch identificou que o GT de Jornalismo da Alaic agregou 28% de seus trabalhos em “Enquadramentos, Temáticas e Coberturas” e 17% de “Linguagens, Narrativas, Formas e Formatos”, as categorias mais produtivas;
  • Nos trabalhos apresentados nos eventos da SBPJor de 2006 a 2008, os microcampos “Jornalismo e Linguagem” e “Jornalismo Online” somam praticamente 50%. Microcampos identificam mais do que temáticas, mas também áreas de atuação;
  • A diretora científica da SBPJor identificou ao menos nove microcampos entre os trabalhos apresentados no período;
  • A SBPJor surgiu há apenas seis anos, e já promoveu seis encontros nacionais e dois internacionais. Conta com mais de 370 associados, a maioria doutores.

Evidentemente, os dados acima auxiliam na definição de um perfil da produção nacional, mas também projetam a força da investigação científica em jornalismo do Brasil sobre o continente. Nada além do que se poderia esperar, dadas a trajetória histórica da área no país e as atuais condições de emergência do campo. Crescer é bom, mas é preciso manter a saúde, o vigor, o equilíbrio.

(A propósito: o UOL abriu inscrições para o seu programa de bolsas. Entre as áreas de interesse, estão Jornalismo, blogs e redes sociais, que podem muito bem ser desenvolvidas por pesquisadores da área. Estão previstas bolsas para graduandos, mestrandos e doutorandos, além das bolsas aos seus orientadores. Entre 2006 e 2007, conduzi uma pesquisa pelo mesmo programa na modalidade iniciação científica. A experiência foi muito boa porque a equipe do Bolsa UOL é muito competente, profissional e respeitosa com os pesquisadores. A iniciativa de uma empresa de tecnologia como esta precisa ser louvada num país onde a ciência quase nunca tem apoio da iniciativa privada. As inscrições para projetos vão até 15 de fevereiro)

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