Vencemos o PAGF 2025 de pesquisa aplicada!

Nosso projeto Índice de Credibilidade Jornalística – ICJOR – venceu o Prêmio Adelmo Genro Filho na categoria Pesquisa Aplicada! O prêmio é o maior reconhecimento da área no país, e coroa um trabalho de três anos envolvendo dezenas de cientistas de cinco universidades públicas brasileiras!

Para saber mais sobre o ICJOR, visite o site do projeto.

O prêmio será entregue em novembro, em Ponta Grossa (PR), durante o 23º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo.

Violência contra jornalistas em Santa Catarina: um debate

O Portal Desacato promoveu um debate muito importante e urgente nesta semana sobre os ataques que sofrem os jornalistas catarinenses que ousam fazer seu trabalho com crítica, independência, ética e responsabilidade. Amanda Miranda e Marcelo Lula contaram suas experiências mais recentes de perseguição nas redes, assédio judicial, xingamentos, cancelamentos e ameaças. Fazer jornalismo não é fácil, mas em alguns lugares, como em Santa Catarina (um santuário bolsonarista) é mais difícil.

Comissões de ética e o aperfeiçoamento do jornalismo

Nesta semana, publiquei um artigo no Observatório da Imprensa sobre como as comissões regionais de ética, ligadas aos sindicatos, podem contribuir para o aperfeiçoamento contínuo da profissão jornalística.

O texto traz algumas ideias sobre a necessidade de criarmos no país as condições para uma formação permanente para jornalistas, e que também leve em consideração as preocupações com a ética na prática.

Os desafios são muitos, e é claro que eu não tenho respostas e soluções para muitos deles. De qualquer forma, dei meus dois centavos sobre a questão.

Leia o texto na íntegra em: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/etica-no-jornalismo/293152/

A condenação de Bolsonaro nas capas dos jornais

O julgamento mais importante da democracia brasileira declarou culpados Jair Bolsonaro, Walter Braga Netto, Anderson Torres, Almir Garnier, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Alexandre Ramagem e Mauro Barbosa Cid.

Golpe de Estado e abolição violenta do estado de direito foram os principais crimes das sentenças proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, e elas variaram de 2 anos a 27 anos e 3 meses. Pela primeira vez, foram julgados publicamente um ex-presidente da República e militares de alta patente, contrariando um passado de tolerância e impunidade nacional.

O Brasil ressignificou uma emblemática data no calendário e o 11 de setembro de 2025 será lembrado de outra forma a partir de agora.

Veja as capas dos principais jornais do dia seguinte.

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Fux, Hübner Mendes e uma lição para jornalistas

O extenso e acrobático voto do ministro Luiz Fux no julgamento mais importante da democracia brasileira traz lições sobre política, retórica, psicologia e até doutrina jurídica. Se nós – os mortais que nada sabemos de Direito – ficaremos semanas discutindo isso, imagine quem entende do assunto… mas um efeito direto da performance de Fux me chamou mais a atenção, e ela funciona como uma aula de jornalismo.

Estou falando da coluna do professor Conrado Hübner Mendes na Folha de S.Paulo: Já ganhei aposta com Fux

O autor é um conhecido crítico de regalias, privilégios e desvios das cortes brasileiras, e ele sabe o que diz porque é da área. Já até escreveu livro reunindo textos sobre o tema. Mas a coluna do dia em que Fux falou por mais de 13 horas ajuda tanto a entender traços da mentalidade do ministro quanto a como exercer uma crítica contundente, elegante e segura. Lançando mão do que parecem ser elogios, o colunista vai mostrando ao leitor detalhes da conduta pessoal do ministro que não são motivos de orgulho. Enfileirando atitudes que parecem positivas, o colunista revela que generosidade e seriedade esfarelam diante de uma leitura mais ampla da cena.

Leia com calma o texto de Hübner Mendes. Perceba como suas frases lustram o busto de Fux e expõem trincas no mármore. Se precisar, leia em voz alta para perceber o jogo de palavras e sentidos, o encadeamento de ideias e a clareza do raciocínio. Note como ele exerce a crítica de forma dura, mas não apela para xingamentos ou desaforos. E perceba ainda que ele faz sem subir o tom, sem desafinar a voz ou irritar nossos ouvidos. Sobra pouco ou quase nada para a fúria pretensiosa dos advogados do ministro.

Há mais de 25 anos dou aulas de jornalismo, e em todos os semestres tento convencer os alunos dos limites éticos e jurídicos da profissão. E nesse tempo todo aprendi que é difícil para qualquer pessoa equilibrar liberdade e responsabilidade, e para jovens que nasceram no caldo das redes sociais, mais ainda. Parece que lá tudo pode. Mas a realidade se impõe, e logo eles percebem como é difícil denunciar sem acusar, relatar sem distorcer, descrever sem exagerar, criticar sem xingar. Há sempre um fantasma na redação: o processo judicial. Ninguém com uma dose moderada de juízo quer ser processado pelo que escreve…

Costumo dedicar uma aula inteira com orientações para fazer jornalismo desviando-se dessas ameaças e caso elas apareçam, o que se deve fazer. Gasto muito tempo e energia para mostrar alguns caminhos possíveis, e nem sempre me faço entender ou sou ouvido. Sempre conto com o auxílio de alguns colegas. Sem saber, desta vez, o professor Hübner Mendes me ajudou muito nesta tarefa.

Vem aí mais um seminário do objETHOS

No próximo dia 26 de setembro, o Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) marca seus 16 anos de existência com mais um evento de referência: o seminário Jornalismo, Democracia e Liberdade de Expressão.

São dois painéis com especialistas que acontecem no Auditório Elke Hering na Biblioteca Universitária da UFSC:

  • Jornalismo, democracia e liberdade de expressão: regulação das plataformas e desafios à profissão, com Letícia Cesarino e Jacques Mick (ambos da UFSC), mediação de Vanessa Pedro.
  • Jornalismo e o futuro da democracia: como cobrir governos de extrema-direta?, com Katia Brembatti (Abraji) e Mateus Vargas (Folha de S.Paulo), com mediação de Marco Britto.

Mais informações no site do objETHOS.