monitor de mídia, nova edição na rede!

Acaba de chegar à web a edição 147 do MONITOR DE MÍDIA!

Veja as novidades:

DIAGNÓSTICO: O cardápio dos telejornais do meio-dia em Santa Catarina. O que mostram os jornais locais de maior audiência no Vale do Itajaí ao meio-dia? A equipe do MONITOR acompanhou as edições durante uma semana.

REPORTAGEM: Resquícios da grande enchente ainda prejudicam a população. O MONITOR investigou os principais problemas das redes de esgoto de Itajaí e Balneário Camboriú depois da grande enchente de novembro.

PERFIL: A magia do Photoshop nos cliques de Altair Hoppe. A acadêmica Sílvia Mendes conversa com o jornalista Altair Hoppe, referência nacional em tratamento digital de imagens.

EDITORIAL: Liberdade é uma idéia que está na moda. O mês de abril dá sinais de que o tema será bastante debatido.

mais chuva de concursos para professores de jornalismo

Agendem-se e preparem-se!

UFPE: 4 vagas para professor assistente + 4 vagas para adjunto
Inscrições até 14 de abril
Mais informações: http://www.proacad.ufpe.br

UFSM: 1 vaga para adjunto com especialidade em Produção Audiovisual
Inscrições até 10 de abril
Mais informações: http://www.ufsm.br

UnB: 10 vagas para professores adjuntos e assistentes
Inscrições até 19 de abril (alguns) e 23 de abril (outros)
Mais informações:

http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_299_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_305_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_312_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_313_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_314_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_315_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_318_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_320_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_321_09.pdf

UFAL: 1 vaga para adjunto
Inscrições até 27 de abril
Mais informações: http://www.copeve.ufal.br/concursos/concurso.php?id=27

Veja ainda esses

decisão sobre o diploma fica pro dia 22

Embora a presidência do Supremo Tribunal Federal tenha adiantado que a retomada sobre o julgamento sobre a Lei de Imprensa seja em 15 de abril, informações da Agência Brasil e do Consultor Jurídico dão que isso só irá acontecer no dia 22 de abril.

A razão é que a pauta do STF do dia 15 já foi publicada e não poderia ser modificada. Daí o adiamento por mais uma semana. Neste sentido, o provável é que a decisão sobre a exigência do diploma, que também estava programada para a sessão de ontem, aconteça no dia 22.

Esta informação, no entanto, não consta ainda da pauta eletrônica no site do STF.

No final da sessão de ontem, o ministro Celso de Mello chamou a atenção dos colegas para a necessidade de cumprimento das pautas agendadas e publicizadas pelo “sítio” do Supremo.

Paciência, meus caros… paciência!

diploma: fica pra outra hora

Reproduzo a Fenaj, o comunicado recentíssimo: (De acordo com o presidente do STF, Gilmar Mendes, a discussão fica para 15 de abril, quando da próxima sessão. A própria discussão sobre a Lei de Imprensa não foi concluída na sessão de hoje)

O recurso contra o diploma foi retirado da pauta de votações do STF. Está em debate no plenário a Adin contra a Lei de Imprensa. O Ato Público Nacional prossegue. A Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma vão se reunir para traçar novas estratégias de continuidade do movimento.Às 16h45 desta quarta-feira (1º/04) a coordenação do movimento foi informada que, a pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal e relator do RE 511961, ministro Gilmar Mendes, o advogado que representa a FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na ação foi oficialmente comunicado da retirada do tema da pauta. Não foi divulgada nova data para julgamento do recurso contra o diploma.Dirigentes da campanha continuam no plenário do STF acompanhando a votação da Adin contra a Lei de Imprensa. “Após o Ato Nacional a Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha vão definir novas ações, mas desde já a orientação é para que a movimentação nos estados e os preparativos para o Dia do Jornalista, 7 de abril, prossigam”, disse o diretor da FENAJ Luiz Spada.

 

lei de imprensa no banco dos réus

O julgamento do diploma ofusca a avaliação que o mesmo STF fará da Lei de Imprensa (5250/67). Como essa lei vem sendo bombardeada há tempos e praticamente perdeu as duas pernas recentemente com a supressão de 22 dispositivos nela constante, mais parece cachorro morto.

Mas para quem se interessar, é o primeiro ponto da pauta do Supremo hoje à tarde. O relator é o ministro Ayres Brito.

Pelo que imagino, a decisão deve ser pela inconstitucionalidade da 5250, o que irá sepultar a Lei de Imprensa que temos vigorando desde o tempo da ditadura. Como as cortes já se apoiam nos códigos Civil e Penal para arbitrar crimes de opinião, a lei de 1967 é mesmo um zumbi. O que me preocupa, no entanto, é que – caso a Lei de Imprensa deixe de valer – teremos que criar um novo dispositivo que preveja o Direito de Resposta, uma boa herança da 5250…

polêmica do diploma: aguardando o julgamento

Enquanto a sessão do plenário do STF não começa – isso vai se dar lá pelas 14 horas -, e se você está querendo saber mais sobre a polêmica sobre a exigência do diploma de jornalista, por que não passa pelos links abaixo?

Todos foram publicados no Observatório da Imprensa de ontem…

Uma decisão histórica sobre o diplomaElias Machado

Diploma, uma exigência legalRoberto Ramalho

Jornalista, só com diploma Sérgio Murillo de Andrade

Diploma é resquício da ditadura Laerte Braga

diploma de jornalismo: dois possíveis desfechos

O Supremo Tribunal Federal deve decidir amanhã uma pendência que se arrasta há quase oito anos: a contestação jurídica da exigência de diploma universitário para o exercício do jornalismo. Na última década, não houve assunto mais palpitante entre as redações e as escolas de Comunicação. As entidades classistas, como a Fenaj e os sindicatos, promoveram eventos, manifestações e lançaram livros sobre o tema, contribuindo muito para a discussão sobre a natureza da profissão e seu papel na atualidade. Publicações especializadas – como o Observatório da Imprensa – dispersaram uma torrente de idéias e argumentos contra e a favor do canudo, discutindo aspectos como o corporativismo e as mudanças pelas quais o jornalismo passa nas últimas décadas. Na academia, professores, alunos e pesquisadores deram suas contribuições, martelando a necessidade do diploma ou simplesmente descartando-o, como quem joga a criança junto com a água da banheira.

Previsível

O fato é que amanhã – 1º de abril, evento com a piada pronta – a suprema corte brasileira deve colocar um ponto final nessa história. Acompanho o processo desde outubro de 2001, quando do despacho da juíza Carla Rister. Participei de diversos eventos, escrevi textos e me posicionei sempre a favor da exigência do diploma. Reitero tudo isso. Mas o fato é que depois de amanhã, teremos um cenário distinto dos últimos oito anos: um cenário de definição sobre a regulamentação profissional.

O que antevejo são dois desfechos possíveis e fáceis de prever: 1) O SFT manter a exigência do diploma; 2) O STF descartar a exigência. Em ambos os casos, a regulamentação da profissão – como a conhecemos – estará em vias de extinção.

Comecemos pelo final.

Se os juízes do STF decidirem que não é mais necessário portar diploma universitário para exercer a profissão, os dispositivos de regulamentação profissional – o decreto -lei 972/69 e a lei 83284/79 – caem por terra, levam um golpe fatal. O marco de regulação perde o sentido com essa decisão da corte.

Mas mesmo que os juízes do STF decidam pela manutenção do diploma, a regulamentação dos jornalistas deve sofrer mudanças importantes nos próximos meses. O desgaste do chamado “entulho autoritário” fez com que o Ministério do Trabalho compusesse um grupo que fizesse estudos para uma nova redação para a regulamentação. Governo, patrões e jornalistas – por meio de seus representantes – compõem essa comissão, que deve gerar um ante-projeto de lei que vá substituir a atual regulamentação. Por isso, qualquer que seja a decisão do STF, a regulamentação como a conhecemos está com os dias contados.

Day after

As pessoas se perguntam sobre como será se a decisão sepultar a necessidade do diploma. Penso que é preciso ter clareza da situação e ausência de paixões. Se o STF decidir pelo descarte do diploma, o mundo não acaba. O jornalismo não acaba. As escolas de Comunicação não perdem a sua razão. E os estudantes que nelas estão matriculados não ficam totalmente desamparados.

Se a solução abstrair o diploma, será um processo natural se buscar uma saída para uma nova regulamentação. A via é o Ministério do Trabalho. Profissão regulamentada é profissão respeitada e assegurada de direitos. Penso que os jornalistas não vão abrir mão disso.

Se a suprema corte brasileira decidir pelo fim da necessidade do diploma, as escolas terão que buscar novos caminhos para se manterem, para oferecerem seus serviços e suas contribuições para a formação de novos profissionais. A discussão atual sobre as diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo vai ser encharcada com as consequências da decisão do STF.

As coisas estão ligadas, e finalmente no Brasil – mesmo que de forma enviesada -, discute-se jornalismo e política, direito e exercício profissional, comunicação e poder.

O julgamento do diploma é o segundo ponto da pauta de amanhã. A sessão tem início às 14 horas e muitas redações e salas de aula vão estar sintonizadas na TV Justiça. A expectativa é grande e o clima, às vezes, beira o de final de campeonato. Vamos ver quem sai ganhando…

brazilian journalism research, 2008(2): na web!

Está disponível o número 2, volume 4 da Brazilian Journalism Research, periódico internacional editado pela SBPJor. A edição é do segundo semestre de 2008, e em breve, estará com artigos também em português.

O sumário é o seguinte:

Editorial
QUALITY IN THE TEACHING OF JOURNALISM
Claudia Quadros e Tattiana Teixeira

Dossier
TRENDS IN JOURNALISTS’ TRAINING: In the Spanish and Portuguese language environments in the 21st century
Xosé Lopes Garcia

RESEARCH ON PARTICIPATORY JOURNALISM IN BRAZIL: A survey of the state of the art
André Holanda, Claudia Quadros, Jan Alyne Barbosa Silva e Marcos Palacios

CHALLENGES AND NEW WAYS OF TEACHING JOURNALISM IN TIMES OF MEDIA CONVERGENCE
Lorena Tárcia e Simão Pedro P. Marinho

GRASSROOTS ONLINE JOURNALISM: Public intervention in Kuro5hin and Wikinews
Marcelo Träsel

Articles
IMAGES IN THE HEAT OF THE MOMENT OR THE REBORN PHOENIX OF THE DOCUMENTAL IMAGE
Kati Caetano

THE END OF OBJECTIVITY AND NEUTRALITY IN CIVIC AND ENVIRONMENTAL JOURNALISM
Beatriz Dornelles

ECONOMIC JOURNALISM AND THE CONCEPTION OF MARKET: A content analysis of the economy sections of Folha de S.Paulo and O Estado de S.Paulo
Maria Lucia Jacobini

THE RULE OF TRANSPARENCY: as an element of democratization in the journalism production process
Marta Regina Maia

THE BODY OF THE POWER: A semiotic study of Lula’s figure in the 1989 presidential campaign as portrayed in the Brazilian weekly newsmagazines Veja and Istoé
Dalva Ramaldes e José Luiz Aidar Prado

THE DELICATE RELATIONSHIP IN JOURNALISM: Where content and production meet in the content management system. A comparative study of US and Brazil Newsroom Operations
Amy Schmitz Weiss e Carla Schwingel

Book reviews
CONECTADO: O que a Internet fez com você e o que você pode fazer com ela
Maria José Baldessar

Cultura da Convergência
Rogério Christofoletti

***

E por falar em SBPJor, em breve, estarão disponíveis mais informações sobre a edição 2009 do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. A Diretoria Científica da SBPJor e a Coordenação do prêmio estão revisando o regulamento e logo, logo, estarão abertas as inscrições. O objetivo é ampliar o alcance do PAGF, que já é uma referência importante na área.

diretrizes curriculares do jornalismo: temperatura aumenta

O clima parece estar realmente mudando no terreno em que acontecem as discussões sobre a reforma das diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. A temperatura vem aumentando gradativamente, e isso não é obra do aquecimento global. É fruto da participação maior de pesquisadores do campo principalmente nas listas eletrônicas das entidades da área.

Na semana passada, por exemplo, o presidente do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo, Edson Spenthof, distribuiu um farto documento na lista da entidade, sinalizando as posições do Fórum sobre a reforma. O documento fermentou nas caixas de correio de muita gente, e ontem, um vigoroso email do professor José Salvador Faro espalhou brasas em muitas direções. Em suma, Faro – num tom elegantemente lúcido – questionou o fato de a  nova proposta de diretrizes estar apoiada no texto das vigentes. Se as atuais estão ruins a ponto de serem reformadas, por que tê-las como ponto de partida? E na sequência desse raciocínio, criticou com veemência a proliferação desenfreada de cursos pelo país, fato que foi defendido e elogiado pelo representante do MEC na primeira audiência pública que se deu no dia 20, no Rio.

Faro mexeu ainda num nervo exposto que incomoda a muitos quando se discute os cursos de jornalismo: sua vinculação (ou subserviência) aos de Comunicação Social. O professor da Metodista e PUC enfatizou que o jornalismo é um processo comunicacional, e como tal também precisa ser estudado na dimensão das teorias da comunicação, de maneira a preservar a dialética de sua natureza e surgimento.

Bem, o email de Faro – como já disse – espalhou a questão nas listas do FNPJ e da Associação Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). Diversos colegas se seguiram levantando questões ligadas ao debate, e tudo indica que teremos uma participação mais efetiva de nossos teóricos e professores. Tomara!

polêmica do diploma: mais um texto

Às vésperas do julgamento do STF sobre a obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo, é muito natural que abundem por aí textos de lado a lado tratando da polêmica. Aliás, é muito bom isso. Os argumentos ganham relevância, as paixões se acirram, o entendimento pode ser buscado.

Hoje, recomendo o que o Cesar Valente escreveu sobre o assunto. Vai lá ver.

convergência midiática e mudanças na profissão de jornalista

Curto e grosso para dois links:

Converge Magazine é uma revista eletrônica brasileira que trata de transição de mídia, convergência e tecnologia. Na verdade, é um clipping de notícias, e pode ser adquirido por assinaturas.

Manuel Pinto disponibiliza em e-book gratuito as atas do seminário que realizou na Universidade do Minho e que tratou das mudanças na formação de jornalistas com as novas tecnologias. Baixe o livro aqui e leia, por exemplo, a conferência de Jane B.Singer.

realidade regional em comunicação: o livro

Clóvis Reis me avisa que o livro “Realidade Regional em Comunicação” acaba de sair. O volume, organizado por ele, reúne capítulos que tratam das origens e perspectivas da comunicação em Santa Catarina. O lançamento é da Edifurb, tem 156 páginas e custa R$ 28,00.

stf vai julgar obrigatoriedade do diploma em 1º de abril

A polêmica do diploma de jornalismo pode terminar em 1º de abril. E não é pegadinha.

A informação é da Fenaj:

O Recurso Extraordinário RE 511961, que questiona a constitucionalidade da exigência do diploma em Jornalismo como requisito para o exercício da profissão, entrará na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) em 1º de abril. Sua apreciação deve se dar no mesmo período do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Lei de Imprensa.

De acordo com a própria Fenaj, seus diretores iriam se reunir hoje – terça – para definir ações para as duas pendências. E prossegue a nota…

Segundo fontes, a decisão de incluir o RE 511961 e a Adin contra a Lei de Imprensa na pauta de julgamentos do STF em abril já estava tomada no final da tarde de segunda-feira (23) e sua formalização seria questão de horas. Com reunião já agendada anteriormente para as 14 horas desta terça-feira, a Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma e da Regulamentação buscarão operacionalizar movimentos de sensibilização da Corte. “Agora temos ainda mais motivos de construir a Semana e o Dia Nacional do Jornalista, 7 de abril, com um grau maior de mobilização da categoria e da sociedade”, diz o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade.

A iminência do julgamento das duas ações naturalmente obrigará dirigentes sindicais e apoiadores das causas que advogam a constitucionalidade da exigência do diploma e a aprovação de uma nova e democrática Lei de Imprensa a alterarem suas agendas. “Sabemos que o julgamento destas questões começará no dia 1º de abril, mas não se pode prever quando será o seu desfecho” destaca Murillo. Ele considera que os dirigentes de entidades sindicais e do campo do jornalismo, bem como de outras organizações da sociedade deverão se preparar para estarem presentes em Brasília no momento decisivo.

Já era cogitada entre os apoiadores do movimento a organização de caravanas dos estados a Brasília na data do julgamento do RE 511961. Agora, mais do que o caráter comemorativo, a Semana Nacional dos Jornalistas se converterá efetivamente numa Semana Nacional de Luta.

Novas mobilização nos estados deverão ganhar maior dinâmica a partir dos próximos dias, inclusive na perspectiva de conquistar novos apoios políticos. De lado porque a exigência do diploma como requisito para o exercício do Jornalismo é um dos pilares da profissão. De outro porque a regulamentação das relações entre jornalistas, empresas de comunicação e a sociedade é considerada fundamental para consagrar e assegurar a liberdade de imprensa.

Vamos ver se não haverá novos adiamentos nos julgamentos…

diretrizes curriculares: um relato da primeira audiência

Sylvia Moretzsohn, professora da UFF, fez um arguto relato sobre a primeira audiência que discutiu as reformas nas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo, que aconteceu na sexta, 20 de março.

Saiu no Observatório da Imprensa, mas transcrevo aqui também:

Duas surpresas na audiência do MEC

Duas grandes surpresas – uma no início, outra no final – marcaram a primeira audiência pública para a reformulação das diretrizes curriculares de Jornalismo, na sexta-feira (20/3), no Palácio Capanema, sede da representação do MEC no Rio de Janeiro. A primeira foi notada por todos e dizia respeito ao tema central da reunião. A segunda, aparentemente, passou despercebida da maioria, mas é talvez mais relevante, pois revela uma concepção constrangedoramente simplória do sentido da expansão dos cursos superiores no Brasil.

Ao apresentar os objetivos da audiência, o representante do Ministério da Educação, Paulo Roberto Wollinger, diretor de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, provocou um burburinho na platéia ao afirmar que o pomo da discórdia da comunidade acadêmica do setor não estava em pauta: “Em momento algum pensamos em separar o Jornalismo da Comunicação Social”. Disse isso a título de esclarecimento, mas só poderia causar confusão, uma vez que a iniciativa de revisão das diretrizes provocou o recrudescimento desse debate e levou integrantes da própria comissão de especialistas a se manifestar a favor da autonomia para Jornalismo. No entanto, talvez a frase tivesse outro sentido, porque logo em seguida Wollinger diria algo ainda mais surpreendente: “Não existe curso de Comunicação Social; o que existe é essa grande área da Comunicação, da qual o jornalismo é uma das especialidades”.

Era uma afirmação contra toda evidência, a começar pelo nome do curso que vem gravado ano após ano nos diplomas de quem se forma na habilitação em Jornalismo. Porém, se interpretada de outra forma, a declaração inicial faria sentido: afinal, como o que existe de fato são jornalistas, publicitários, relações públicas – e não esse “comunicador” genérico –, seria ocioso discutir se o “curso de Jornalismo” deve ser autônomo, porque esta já seria sua condição inevitável. Assim, não se destacaria da “grande área” da Comunicação – porque, afinal, é Comunicação –, mas obedeceria a diretrizes curriculares próprias, sem qualquer relação com as das outras especialidades do setor. Na prática, portanto, seria já um curso autônomo.

O que, naturalmente, não resolve nada, porque o problema original persiste: quais serão as bases para uma adequada formação de jornalistas? E aqui retornamos à velha questão que divide duas correntes substancialmente distintas, cristalizadas na oposição entre “academicistas” e “tecnicistas”, “comunicólogos” e “jornalistas”, numa simplificação que jamais ajudou qualquer debate. E que não chegou a ser enfrentada na primeira audiência pública para discutir as diretrizes curriculares.

Polêmica antiga

Os cursos de Comunicação Social são contestados desde que foram criados. Seria excessivo tentar resumir aqui essa história, mesmo porque muita coisa mudou nas duas últimas décadas: basta dizer que até meados dos anos 1980 praticamente não havia jornalistas ou professores com essa experiência profissional dando aula de jornalismo, as escolas não eram dotadas de um mínimo de estrutura laboratorial e a pesquisa específica praticamente inexistia. Tudo isso contribuía para que os cursos se fechassem em torno de teorizações distanciadas da realidade que o futuro jornalista deveria enfrentar e fossem, portanto, desdenhados pelos profissionais formados “na prática” e pelos próprios estudantes.

Hoje ainda estamos longe do ideal – e mais ainda de um consenso sobre o que deva ser esse ideal –, mas a situação é radicalmente distinta. Apesar disso, frequentemente repetem-se os argumentos daqueles velhos tempos. Foi o que ocorreu há 10 anos, quando se iniciou o processo de avaliação das condições de oferta da habilitação em Jornalismo dos cursos de Comunicação Social. A avaliação exclusiva desta habilitação era uma tentativa de forçar a criação de um curso específico, desligado da “geléia geral” da Comunicação.

Este Observatório refletiu e estimulou a intensa polêmica durante meses seguidos. Então, como agora, prevalecia o pragmatismo entre os partidários do curso autônomo. Na época, um dos argumentos mais exuberantes nesse sentido valorizava a formação de profissionais comparados à excelência de um i-Mac: era “só ligar na tomada e começar a trabalhar”. Hoje, talvez em decorrência da preocupação com a inserção mais imediata do estudante num mercado de trabalho ao mesmo tempo tão diversificado e precário, defende-se um perfil de prestador de serviços. Num caso e noutro, o que prevalece é a concepção de universidade operacional.

O consenso sobre o óbvio

Na reunião com a comissão de especialistas, passou-se ao largo dessa questão. Nós, da Universidade Federal Fluminense, apresentamos um documento sintético, de quatro páginas, defendendo o jornalismo como “um `campo de saber´ do abrangente campo de conhecimento da Comunicação”, que exige a articulação entre uma sólida base humanística e uma oferta ampliada de opções para a formação profissional específica, de modo que o aluno possa “direcionar seus estudos para as áreas de atuação com as quais melhor se identifica, ampliando as alternativas de conhecimento e de prática profissional”. Mas a ênfase é na formação ética do jornalista e na conscientização sobre as dificuldades e as responsabilidades envolvidas no desempenho de seu papel de mediador.

Uma decorrência lógica dessa concepção é o entendimento de que a universidade não está aí para formar prestadores de serviço, mas sujeitos dotados de autonomia intelectual, capazes de exercer competentemente a profissão que escolheram. Mas essa questão central não foi discutida e as discordâncias praticamente não apareceram, a ponto de uma professora enaltecer o consenso em torno da melhoria da qualidade dos cursos.

Além de óbvio, tratava-se de um consenso prévio. Evidentemente, ninguém pode ser contra a qualidade: o problema é saber o que cada um entende por isso. Porém um ponto essencial foi levantado pelo presidente do Fórum Nacional de Professores do Jornalismo, Edson Spenthof: a necessidade de se responder à pergunta sobre “o que é jornalismo” para uma definição mais clara das novas diretrizes. Imagine-se o grau de controvérsia que esse debate há de gerar, especialmente nesses tempos de enaltecimento da figura do “jornalista-cidadão”.

Spenthof também fez uma observação conceitual relevante sobre as recorrentes demandas pela formação “multimídia”, normalmente associada à simultaneidade: não era disso que se tratava, mas sim do desenvolvimento de habilidades diversificadas. Desempenhar várias funções ao mesmo tempo representaria a tentativa, previamente frustrada, de assoviar e chupar cana, uma impossibilidade física que – acrescento eu – resulta na precariedade sistematicamente verificada no noticiário cotidiano.

A universidade redentora

As divergências certamente aparecerão nas propostas a serem enviadas diretamente à comissão até o fim do mês. Ali, no Salão Portinari do Palácio Capanema, ícone da arquitetura modernista brasileira no Centro do Rio, preservou-se o ambiente ameno. Mas, já perto do encerramento da audiência, um comentário mais geral do representante da Executiva Nacional dos Estudantes em Comunicação, Felipe Melo, sobre as diferenças entre cursos privados e públicos e sobre a política de expansão do ensino superior, provocou a segunda grande surpresa do dia. Ao responder à crítica, o representante do MEC defendeu enfaticamente a criação de mais cursos, “se possível um em cada esquina”, para sanar o déficit no contingente de brasileiros com formação universitária.

Se ficasse por aí, poderíamos apenas condenar o estímulo à proliferação de franquias no melhor estilo McDonald´s e o empenho na fabricação de números, que nos faz recordar o saudoso ministro Paulo Renato Souza. Mas Paulo Wollinger completou, com a fé dos justos: “Cada curso que se abre é um ponto de drogas que se fecha”.

Pena que pouca gente notou, ou não percebeu esse detalhe – justamente o detalhe, que é onde mora o diabo. Pois, salvo melhor juízo, essa justificativa para a abertura de novos cursos superiores é inédita. Mais que isso: é simplesmente inacreditável.


diretrizes curriculares de jornalismo: a primeira audiência e uma sugestão para as demais

A comissão de especialistas para a reforma das Diretrizes Curriculares para os cursos de Jornalismo avança no seu trabalho. Na última semana, na sexta, realizou junto com o Ministério da Educação a primeira das três audiências públicas que se comprometeu fazer para discutir o tema e colher sugestões para o novo documento.

Na própria sexta, tentei buscar informações na web sobre como teria sido o encontro. Mas ao final da busca, encontrei apenas dois registros: um do próprio MEC e outro do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro. O primeiro é uma nota oficial que pouco ou nada informa além do acontecimento da audiência (leia aqui), e o segundo é mais preciso, mas limitado no seu alcance (veja aqui).

O que fiz há pouco na lista eletrônica do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) e faço neste blog é uma sugestão para a segunda e terceira audiências que acontecem nos próximos meses: usarmos alguns recursos tecnológicos para ampliar o acesso a essas discussões. Por exemplo, poderíamos contar com cobertura em vídeo streaming da audiência? Seria possível que essas reuniões tivessem relatos mais específicos e pontuais em blogs? As audiências poderiam ter um canal no Twitter para difusão das informações?

Isto é, o que estou propondo em voz alta é que os colegas que acompanham as audiências in loco disponibilizem materiais para os que não puderam estar presente. Somos professores de Jornalismo e podemos oferecer mais do que os links das notas oficiais do MEC; podemos oferecer notícias; podemos oferecer vídeos; ou mesmo discutir mais esse assunto na web. Quase nem tenho visto na blogosfera brasileira essa discussão. O que está nos acontecendo?

Numa das listas eletrônicas de professores que circulam por aí, li da necessidade de se formar jornalistas multimídia. Ótimo! Acho pertinente, oportuno e relevante. Mas como podemos formar jornalistas multimídia se os professores ainda nos restringimos a poucos canais informativos? O episódio da primeira audiência sobre as Diretrizes mostra isso.

Não se trata de uma crítica minha ao processo e aos colegas que lá estiveram. Apenas considero que esse é um momento muito importante para a formação dos jornalistas no Brasil, e não apenas uma hora para se mudar documentos, mas alterarmos atitudes e mentalidades nos cursos. Os professores também precisam mudar, e não apenas os cursos e os alunos. Estamos dispostos a isso? Que o episódio de reforma das Diretrizes Curriculares dos cursos de Jornalismo sirva também para que arejemos nossas posturas como professores, para que agilizemos nossos trâmites e que isso permita a circulação mais fácil dessas informações.

diretrizes curriculares do jornalismo: audiências começam amanhã

Nesta sexta, 20, no Rio de Janeiro, acontece a primeira das três audiências públicas para discussão sobre as diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. Os eventos são promovidos pela comissão de especialistas designada pelo Ministério da Educação para reformar o documento que orienta a criação e a direção dos cursos de graduação.

Não sei se teremos cobertura ao vivo pela web ou se alguém vai tuitar do Rio, mas se algum leitor aí souber e der a dica, vai ser bem bom…

números mostram mudanças estruturais na mídia nacional

Luis Nassif compara dados do Ibope e do IVC e conclui que modificações estão em curso na indústria de comunicação no Brasil. Alguns trechos:

“a Globo tinha um share de audiência de 50,7% em 2001. Chegou a bater em 56,7% em 2004 – coincidindo com a queda de audiência do SBT. Hoje está em 40,6% – coincidindo com a subida da TV Record – que saiu de 9,2% em 2001 para 16,2%.”

“Nas três últimas semanas, o Jornal Nacional deu 26% de audiência em São Paulo. Seis anos atrás, era de 42%.”

“De 2001 a 2009, os [jornais impressos] tradicionais perderam 300 mil exemplares diários”

 Será que a crise está à porta?

Leia o artigo de Nassif na íntegra no Observatório da Imprensa.

coleção de livros quer sistematizar teoria brasileira do jornalismo

O Mestrado em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina e a Editora Insular acabam de lançar “Jornalismo, fatos e interesses”, de Wilson Gomes, livro que inaugura a série Jornalismo a Rigor.

A série tem propósitos ousados. “Objetiva publicar reflexões acadêmicas de alto nível que contribuam para elevar o senso crítico e a qualidade da prática do Jornalismo como atividade intelectual” e “procura assim ajudar na superação do complexo de inferioridade de uma área que se deixou colonizar intelectualmente”, afirma o diretor da série, Eduardo Medistch. Os livros da série tendem a se fixar em aspectos conceituais, rompendo a dicotomia teoria-prática na medida em que se põem a enxergar a prática jornalística de uma outra maneira, com o intuito de transformá-la.

“Jornalismo, fatos e interesses” abre o caminho, e os editores pretendem lançar três ou quatro volumes a cada ano, atualizando a bibliografia brasileira sobre o jornalismo e apontando novos patamares para a discussão teórica. Autores internacionais também podem ser publicados, não se descarta. Os livros são voltados prioritariamente ao público acadêmico – alunos e professores da graduação e pós-graduação -, mas os títulos são extensivos também aos profissionais das redações que se dispõem a pensar a atividade.

O próximo volume será sobre padrões de qualidade no jornalismo, assinado por Carina Benedetti e com previsão de lançamento em maio no 12º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, que acontece em Belo Horizonte (MG). Outros títulos já estão no forno, informa o diretor da série Eduardo Meditsch.

diretrizes curriculares do jornalismo: as entidades ouvem os associados

Já disse aqui que estão agendadas as audiências públicas promovidas pela comissão que reformará as Diretrizes Curriculares para os cursos de Jornalismo. Serão três encontros:

  • 20 de março, no Rio de Janeiro: quando será ouvida a comunidade acadêmica
  • 24 de abril, em São Paulo: quando entidades classistas e profissionais, e a categoria participará dos debates
  • 18 de maio, em Recife: quando movimentos organizados da sociedade em geral estarão debatendo

As sugestões estão sendo recolhidas por email (consulta.jornalismo@mec.gov.br). Mas entidades como o Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) e a Associação Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) estão fazendo um corpo-a-corpo com seus associados, pedindo sugestões para compor intervenções mais práticas e pontuais.

Essas consultas estão sendo feitas nas listas eletrônicas e serão sistematizadas por comissões internas das entidades. O trabalho é de formiguinha, e altamente necessário não apenas para dar legitimidade ao processo, mas qualificar e adiantar o debate. Mas o que está em debate, alguém aí pode se perguntar…

1. A comissão de reforma das Diretrizes quer saber qual o perfil desejável de jornalista diante das transformações política, culturais, sociais e tecnológicas contemporâneas.

2. A comissão também quer saber quais as competências a serem construídas na formação superior desses profissionais em termos de conhecimento, habilidades, atitudes e valores.

3. A comissão quer saber a opinião sobre a possibilidade de criação de cursos de graduação e mestrado e doutorado em jornalismo, e não meras habilitações ou linhas de pesquisa de cursos de comunicação.

4. Está em debate também a dupla diplomação. Isto é, “deve o exercício profissional do jornalismo ser permitido a profissionais de outras áreas após uma formação complementar em jornalismo? Em caso afirmativo, como deveria ser essa complementação?”

5. A comissão se preocupa com a formação dos profissionais multimídia. Como ela deve ser feita e com qual perfil?

Pelos questionamentos acima, e pelos que serão deles derivados, dá pra ver o tamanho da reforma que se pode fazer no documento das Diretrizes e no próprio desenho dos cursos de Jornalismo no país. Como já comentei, esta é uma chance histórica.

monitor de mídia, edição 146

Confira na edição 146 do MONITOR DE MÍDIA

REPORTAGEM
É ilegal, imoral, mas acontece – Pirataria e Descaminho
Nossa equipe percorreu os chamados “camelódromos” de Balneário Camboriú e descobriu que a pirataria é apenas um dos crimes contra o sistema.

DIAGNÓSTICO
O Rótulo dos Jornais
O Monitor de Mídia analisou as capas dos seis jornais da região e constatou que eles seguem os padrões jornalísticos.

EDITORIAL
Um diálogo que interessa a comunidade
O Diálogo que Interessa: setores organizados da sociedade se preparam para a primeira conferência de comunicação.

MUNDO
Soy loco por ti, Obama
Karis Cozer analisou como jornais norte-americanos retrataram Barak Obama em sua primeira semana de governo.

BIBLIOTECA
Glossário de Termos Técnicos Científicos
Alunos de jornalismo elaboraram e o Monitor publica glossário de termos científicos para sanar dúvidas do dia-a-dia.

chuva de concursos para professores de jornalismo

Por forças astrológicas ou meteorológicas, está acontecendo uma saraivada de concursos para professores de jornalismo, principalmente em instituições federais, mas não as únicas. Alguns desses processos de seleção já estão em andamento, como os da UFSC, da USP, e da UFRJ, entre outras. Mas outras estão com editais abertos. Veja algumas:

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Universidade Estadual de Ponta Grossa

Universidade Federal do Paraná

Universidade Federal de Pernambuco

Pra quem vai se aventurar, boa sorte!

fachos de luz sobre o futuro dos jornais

Jorge Rocha, codinome ExuCaveira Cover, publicou em seu blog um quilométrico post em que discute questões essenciais sobre o jornalismo que temos e o jornalismo que teremos muito em breve. Engana-se quem passa correndo pelo blog do Exu e lê no banner de entrada que o jornalismo morreu. Exu é uma dessas entidades malandras, provocativas, que fazem gags até mesmo de si. Jorge, não. Jorge é um cara preocupado com o jornalismo, mesmo que ele não reconheça isso. Jorge é um intelectual, meio ogro, é verdade, mas é um cidadão das letras e das ciências.

Então, dia desses, Pedro Dória escreveu um post que incomodou Jorge. Este mastigou os dentes um tempinho e cuspiu umas tantas perguntas para alguns dos blogueiros-jornalistas mais influentes e interessantes da esfera nacional. O resultado é o tal post quilométrico de que falei no início. Se você se interessa por jornalismo e se preocupa com o futuro dele, tome um atalho até lá e leia.

comissão das diretrizes recebe sugestões até dia 30

(nota da assessoria de imprensa do Ministério da Educação)

Alunos, professores, pesquisadores, profissionais e representantes dos diversos segmentos da sociedade civil poderão participar, até o dia 30 de março, da consulta pública para a revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de jornalismo.

Durante esse período, a comissão de especialistas constituída pela Secretaria de Educação Superior para subsidiar o Ministério da Educação no trabalho de revisão das diretrizes receberá contribuições sobre dois principais temas: o perfil desejável do profissional do jornalismo e as principais competências a serem adquiridas durante a graduação. O endereço eletrônico é consulta.jornalismo@mec.gov.br

A intenção da comissão, presidida pelo professor José Marques de Melo, é receber sugestões de segmentos ligados às universidades, ao mercado de trabalho, aos movimentos sociais, além da sociedade civil de maneira geral. Veja a nota da comissão de especialistas sobre a consulta pública.

As diretrizes curriculares orientam as instituições de ensino superior para a formulação do projeto pedagógico de um curso de graduação e são estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), por solicitação do MEC. Audiências públicas – Durante a reunião de instalação, no último dia 19, em Brasília, a comissão de especialistas também definiu a realização de três audiências públicas nos estados do Rio de Janeiro (20 de março), Pernambuco (24 de abril) e São Paulo (18 de maio) e devem envolver públicos específicos. Para a primeira, serão convidados professores e intelectuais da área; na segunda, representantes das associações, entidades de classe e jornalistas profissionais que estejam no mercado de trabalho; e para a terceira, segmentos da sociedade civil, movimentos sociais e organizações não-governamentais.

fórum de professores de jornalismo: prazo está esgotando

Daqui a poucas horas termina o prazo de envio de trabalhos para a 12ª edição do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, que acontece em abril em Belo Horizonte. As informações podem ser obtidas aqui e se você quiser seguir o evento de perto, antes mesmo dele começar, a organização criou um perfil do encontro no Twitter.

(Com licença que ainda não terminei de escrever meu paper e o tempo está acabando…)

objetividade, transparência e credibilidade no jornalismo

Eu sei que o título deste post é sério demais para uma terça de Carnaval. Mas é que esbarrei em dois textos que não podem esperar a Quarta de Cinzas. Pedro Doria faz uma madura reflexão a partir dos comentários que recebeu em seu blog. O jornalista afirmou que nunca antes a imprensa brasileira havia sido tão profissional e objetiva quanto nos tempos atuais. Recebeu uma saraivada, o que o motivou a pensar (em voz alta) sobre objetividade e credibilidade no jornalismo.

Como um tema puxa o outro, Doria descambou na já cristalizada falta de transparência da indústria da mídia. Vale a pena ler com calma o post de Doria. Mesmo que você não concorde com ele, mesmo que não seja jornalista, ou nem se preocupe com essas questões. Comunicação e Jornalismo são assuntos que afetam a todos, de alguma forma e indistintamente.

Outro post muito interessante é o de Nick Diakopoulos sobre noções de transparência. O texto dele articula preopcupações interessantes comumente vistas no blog News Games, dedicado a pesquisas que ligam o jornalismo ao desenvolvimento de videogames. Diakopoulos parte do clássico “Elementos do Jornalismo”, de Bill Kovach e Tom Rosenstiel (e já publicado no Brasil), para tecer algumas considerações sobre esse nó que angustia redações, institutos de pesquisa e – por que não dizer? – escritórios de contabilidade. Vale a pena ler, mesmo que você não pense em desenvolver um game ou tente mudar a cultura de sua empresa.

6 links estrangeiros sobre jornalismo

Laicom: Laboratório de Análise Instrumental da Comunicação, da Universidade Autônoma de Barcelona. Em espanhol.

Digitalistas: microblog coletivo sobre jornalismo e comunicação. Surgiu agorinha, no início de fevereiro, e é em espanhol.

Stuff Journalists Like: blog de Christopher Ortiz, em inglês, e direto do Colorado.

Congresso Internacional de Comunicação: direto da Universidade de Navarra, em espanhol.

Jornalices: blog português sobre ensino de jornalismo.

Índice da Nova Mídia: indicador para monitorar o conteúdo de blogs. Em inglês e desenvolvido pelo Project for Excellence in Journalism.

liberdade de expressão, acesso à informação e empoderamento

wpfd_2008_proceedings_160A UNESCO acaba de disponibilizar um documento que interessa a todos aqueles que pesquisam políticas de comunicação, democracia e direitos. Trata-se de Freedom of Expression, Access to Information and Empowerment of People. O volume está em formato PDF, em inglês, e tem 106 páginas.

O sumário diz a que veio:

  • Press Freedom Contributes to Empowerment
  • Press Freedom and the Empowerment of People
  • Community Broadcasting: Good Practice in Policy, Law and Regulation
  • Working Conditions of Journalists in Africa
  • Freedom of Expression, the Right to Communication: Old Challenges, New Questions
  • Towards a Third Generation of Activism for the Right to Freedom of Information
  • Supporting Democracy Requires Combating New Media Censorship
  • Access to Information
  • Right to Information and Sustainable Development
  • Challenges for Advocacy and Implementation of Right to Information Laws
  • Freedom of Information Visibility on the Development Agenda
  • A Perspective on India’s Recent Experiences

Para ter acesso, clique aqui.

novas diretrizes para os cursos de jornalismo: o que podemos esperar

O Ministério da Educação divulgou esta semana a formação de uma comissão de especialistas que irá reformar o documento que hoje define as diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. A comissão terá a trabalhosa missão de revisar uma norma que é um verdadeiro monstro de Frankenstein, isso porque o documento de que estou falando é tão amplo que abrange todos os cursos de Comunicação, indo do Jornalismo à Publicidade e Propaganda, da Editoração ao Cinema, da Fotografia ao Radialismo. Isso mesmo! Um único documento do MEC sinaliza para gestores, professores e comunidade como devem se guiar os cursos de graduação nas chamadas habilitações da Comunicação.

Neste sentido, a notícia da criação da dita comissão é uma boa notícia. Outra boa nova é a própria composição desse coletivo, que será presidido pelo professor José Marques de Melo, o mais proeminente nome da área na academia brasileira. Os demais componentes da comissão são os professores Alfredo Vizeu (UFPE), indicado pelo Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), Eduardo Meditsch (UFSC), indicado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Luiz Motta (UnB), indicado pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), Manuel Carlos Chaparro (USP), Sonia Virginia Moreira (UERJ), da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), Sérgio Mattos (UFBA) e Lúcia Maria Araújo, do Canal Futura.

Pelo que pude acompanhar em dois ou três fóruns eletrônicos da área, a comissão foi bem recebida por seus pares, seja pelo histórico que acumula ou ainda pelo amplo arco de entidades que indicaram a sua composição. O trabalho começa já e a comissão tem 180 dias para concluir suas tarefas. Mas o que se pode esperar disso?

Uma chance histórica

Antes de tudo, o momento é muito importante para a área da Comunicação em geral e para o Jornalismo em particular. Relevante porque a comissão de notáveis pode reparar equívocos como a esquizofrenia do documento das diretrizes atuais. Ao propor um documento voltado para o Jornalismo, certamente a comissão vai desencadear movimentos semelhantes nos demais campos assemelhados que compõem o amplo espectro da Comunicação. Assim, se publicitários estiverem bem articulados e suficientemente organizados, eles também poderão trabalhar por Diretrizes Curriculares mais afinadas com os objetivos e especificidades de sua profissão. Mas não só isso.

A elaboração de um documento próprio para o Jornalismo tende a reforçar a luta de diversos segmentos da academia que batalham por uma maior valorização e autonomia do campo entre as áreas de conhecimento. Essa luta vem se dando ultimamente na defesa de uma especificidade do Jornalismo na Tabela de Areas de Conhecimento do CNPq, na proposição de cursos de graduação e pós em Jornalismo – veja o caso da UFSC – e na tentativa de fixação de uma prova exclusiva para o Jornalismo no Enade… (Estive na comissão que prescreveu as diretrizes para essas provas, mas fomos vencidos pela burocracia do INEP e pela indisposição de dedicar mais de recursos nesse produto, objetivando uma avaliação mais condizente e mais coerente…)

A elaboração de um documento voltado para o Jornalismo vem a calhar também num momento delicado para a profissão. Como todos sabem, o Supremo Tribunal Federal está para julgar o mérito da liminar que desobriga o porte de diplomas de ensino superior para a obtenção de registros profissionais de jornalistas. A edição de um documento que padronize, organize e sinalize bons caminhos para os cursos de graduação auxilia na compreensão geral da nação de que estudar faz bem, e que sempre é muito melhor contar com profissionais bem capacitados do que “talentosos de plantão” ou “práticos”.

É importante lembrar ainda que outra comissão – na verdade, um grupo de trabalho – joga outro papel importante nos próximos meses. Desde o final de 2008, o Ministério do Trabalho constituiu um coletivo que tem por missão elaborar uma nova regulamentação profissional para os jornalistas. Conjugados os documentos – uma nova lei da profissão, a decisão do STF e novas diretrizes curriculares -, teremos um novo panorama para o jornalismo no Brasil. Podem apostar…

Melhor ou pior?

É difícil prever o resultado do julgamento do Supremo sobre a liminar de 2001, e não é muito fácil imaginar que tipo de regulamentação teremos nos próximos anos. Mas os resultados do trabalho da comissão de especialistas é possível de adiantar. Os erros do passado – como o currículo mínimo e a esquizofrenia atual – não serão repetidos. A variedade e amplitude das entidades que sustentam os membros das comissão também garantem que não haja um isolamento da academia frente o mercado.

Ouso em dizer que podemos esperar dias melhores. Mas não posso deixar de me preocupar com o longo prazo destinado aos trabalhos. Sei que o trabalho não é pouco, mas seis meses é muito para a discussão, elaboração e redação do documento. Pior: se for demorar seis meses, o MEC vai se encarregar de demorar mais seis até editar a medida, e aí adentraremos 2010. Por isso, acho que a celeridade é fundamental nos encaminhamentos das próximas semanas. Se a comissão for ágil e não comprometer a qualidade, teremos mais condições de colher um documento melhor e mais determinante para o jornalismo. A tarefa não é nada simples, mas seus executores têm totais condições de cumpri-las, digo sem qualquer bajulação.

Se conseguirmos chegar à metade de 2009 com a decisão do STF – qualquer que seja ela -, com uma nova regulamentação profissional e com novas diretrizes curriculares, poderemos iniciar uma nova fase para o jornalismo brasileiro. A partir de 2010, estaremos começando uma nova década e não apenas no calendário…

crise ainda não chegou às bancas brasileiras

Na semana que está terminando, a editora do New York Times anunciou um prejuízo de mais de 57 milhões de dólares em 2008. Em 2007, no entanto, havia fechado o exercício com lucro de 208 milhões. Isto é, a crise já chegou por lá. E olha que pegou em cheio um dos grandes: a New York Times Company reúne quase vinte jornais e 50 sites nos Estados Unidos.

Por aqui, a “marolinha” ainda não chegou.

Segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC), a circulação média diária dos jornais brasileiros cresceu 5% no ano passado, alcançando 4,35 milhões de exemplares. Tudo bem que a evolução de 5% fica aquém dos crescimentos registrados em 2006 (6,5%) e 2007 (11,8%). Mas mesmo assim, tá muito bom, afinal é o dobro do crescimento mundial no setor.

Entre os títulos brasileiros, o Super Notícia, de Minas, foi o campeão de crescimento de circulação: 27,02% no período. O jornal popular custa 25 centavos de real. Tudo indica que o setor vem respirando graças aos resultados dos jornais populares e dos regionais. Mas até quando, senhores?

franceses preocupados com a qualidade do jornalismo

Foi anunciada ontem – dia 20 de janeiro – uma declaração contendo 14 proposições voltadas a garantir a qualidade de informação para qualquer cidadão francês. O documento foi gerado em Paris, por meio de um conjunto de jornalistas e usuários do sistema da mídia – Assises Internationales du Journalisme.

O documento não ignora a crise econômica que afeta o setor, mas reforça a necessidade de fazer valer o direito do público a ter noticiário de qualidade. Os 14 pontos elencados são considerados prioritários neste esforço. São eles:

  • Inserir na Constituição o direito do público a uma informação honesta e de qualidade;
  • Promover a mediação;
  • Incluir na convenção coletiva nacional dos profissionais do jornalismo um código deontológico unificado;
  • Criar uma instância nacional confiável para atuar como observatório das mídias;
  • Dotar as redações jornalísticas de um estatuto jurídico que possa ampará-las e protegê-las;
  • Reforçar a figura do jornalista profissional;
  • Flexibilizar os direitos autorais dos jornalistas;
  • Incentivar a pesquisa para a evolução do jornalismo;
  • Garantir uma formação inicial mínima para a prática jornalística;
  • Buscar a formação em escolas reconhecidas;
  • Atentar para o cada vez mais numeroso e variado contingente de estudantes de jornalismo;
  • Assegurar que as escolas dêem acesso a estudantes com diversidade social e cultural;
  • Combater a precarização da profissão;
  • Lutar contra a informação de baixo custo, que geralmente resulta em má qualidade jornalística.

Listei acima de maneira muito rápida, mas se quiser conhecer a declaração na íntegra, acesse aqui.

Todos sabemos que documentos como este não modificam o panorama real da situação, já que a problemática da qualidade, do direito do público e da presença da mídia na vida social é muito complexa. Entretanto, essas manifestações servem ao menos como um recado: o de que parte da sociedade se interessa pelo tema da mídia, e se preocupa com o que fazem dela.