um novo observatório e o futuro do jornalismo

Curto e grosso:

Um observatório dos negócios da imprensa escrita – em francês

A revista Journalism completa 10 anos e faz um sensacional dossiê sobre o futuro do jornalismo – em inglês

gripe suína, mídia e cobertura de situações de risco

gripe_aviariaO alarme já soou nos meios de comunicação!
Em jornais e revistas, na TV e nas estações de rádio, na internet e nas ruas, não se fala de outra coisa senão a gripe suína. Desinformação, sensacionalismo, pressa e outros elementos podem transformar o medo em pânico generalizado. Por isso, vale a pena conferir o estudo “Jornalismo Preventivo e cobertura de situações de risco”, produzido pela Rede Andi América Latina e Unicef em novembro de 2007.

Originária dos debates sobre a gripe aviária – que também assustou muita gente! -, a publicação de 56 páginas é um guia para jornalistas de como cobrir situações de risco. Explica o assunto, sugere enquadramentos do tema e até mesmo fontes de informação.

twitter cai nas graças dos jornalistas

Para os jornalistas brasileiros, o Twitter é uma ferramenta essencial para o cotidiano das redações. A informação vem de uma enquete que o site Jornalistas da Web fez. Dos 113 votos da consulta, 47% disseram que o microblog é fundamental.

fnpj intensifica coleta de sugestões para novas diretrizes curriculares do jornalismo

Não poderia ser diferente, mas a iniciativa merece destaque. O fato é que o Fórum Nacional de Professores de Jornalismo está tomando a frente nos debates sobre as novas diretrizes curriculares para os cursos da área. Não poderia ser diferente porque se trata de uma entidade que congrega professores, gente ligada diretamente ao ensino do jornalismo. Mas, como disse, merece destaque pelo empenho dos envolvidos.

A seguir, reproduzo comunicado assinado pelo diretor editorial e de comunicação do FNPJ, Paulo Roberto Botão.

Em reunião de diretoria mantida em Belo Horizonte na última semana, após o término do XII Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, a diretoria do FNPJ decidiu manter a coleta de sugestões ao documento “Proposta do FNPJ para a reformulação das diretrizes curriculares em Jornalismo”.

Aprovado na assembléia de encerramento do Encontro Nacional, o documento servirá para balizar as discussões sobre as diretrizes curriculares, que devem prosseguir pelo menos até o dia 18 de maio, quando está programada para acontecer, em São Paulo, a terceira audiência pública proposta pela Comissão do MEC que estuda o assunto. A assembléia do FNPJ também aprovou indicação para solicitar novas audiências à comissão de especialistas nomeada pelo governo, a fim de que a mesma submeta a sua proposta à comunidade.

O Fórum também continuará acompanhando o assunto e aprofundando as discussões no âmbito de uma comissão de entidades do campo do jornalismo, que tem também representação da Fenaj e SBPjor.

A proposta do FNPJ pode ser lida no blog consulta instituído para receber contribuições e comentários, no seguinte endereço: www.diretrizesjornalismofnpj.blogspot.com.

Os professores e demais interessados que quiserem apresentar propostas podem fazê-lo diretamento no blog, ou através de e-mails criados para direção do FNPJ: diretrizesjornalismo@fnpj.org.br e dirfnpj@gmail.com.

O prazo definido para o recebimento de críticas e sugestões vai até o dia 18 de maio.

Após esta data e considerando já os debates da última audiência pública, uma comissão interna do Fórum vai implementar eventuais alterações ao texto inicial e finalizar um novo documento, a ser encaminhado à Comissão do MEC.

lei de imprensa volta a ser julgada dia 30

Sim, é mesmo uma novela o julgamento da Lei de Imprensa. O primeiro capítulo decisivo se deu no dia 1º de abril, mas a análise do mérito não foi concluída. Dois dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal votaram apenas. No final da sessão, o presidente do STF, Gilmar Mendes, previu a retomada do julgamento no dia 15. Depois, a própria assessoria da Corte informou que o processo estava previsto para dia 22, e depois, para a semana seguinte. A informação mais recente é de que o julgamento recomeça no dia 30 de abril, logo no início da tarde. É o que está na pauta do STF. Pode mudar? Pode. Sempre pode…

diretrizes dos cursos de jornalismo: a segunda audiência

Aconteceu hoje de manhã, em Recife, a segunda audiência pública convocada pela comissão de especialistas que trabalham para reformar as Diretrizes Curriculares dos Cursos de Jornalismo. No final de semana, o professor Alfredo Vizeu – membro da comissão – informou que o evento teria transmissão para todo o Brasil, de forma a ampliar o alcance das discussões. O blog do Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade anunciou que sediaria a transmissão, mas acho que “tivemos problemas, Houston”. Não houve transmissão por canais de áudio ou vídeo, e os operadores do blog atualizavam as notícias colando uma em cima da outra, impedindo a geração de um histórico das matérias. Cheguei a postar comentários por lá, mas não cheguei a ter nenhuma resposta se era assim mesmo ou se eu havia me confundido. No Twitter, outros colegas se queixavam também da sistemática que acabou sendo frustrante.

No final, mais uma vez, a audiência pública – que desta vez deveria ouvir profissionais e empresas – ficou restrita a quem estava por lá. Uma pena.

(ATUALIZAÇÃO de 25/04/2009: Alfredo Vizeu entrou em contato para saber mais detalhes das falhas detectadas. A professora Adriana Santana, que coordenou o trabalho de alunos da UFPE na cobertura, reconheceu que houve problemas, e atribuiu os bugs ao sistema de postagem do WordPress, onde está hospedado o blog. Os alunos chegaram a postar fotos e vídeos que sequer chegaram à rede, conta a professora que já estuda outras sistemáticas de cobertura, como o próprio Twitter)

Até o meio da tarde de hoje – são 15 horas! -, nos sites da Fenaj, do Sindicato de Jornalistas de Pernambuco e em outros meios nada traziam sobre a discussão desta manhã, ficando apenas no anúncio do evento em Recife. Quem trouxe matéria é o Comunique-se. Veja abaixo a matéria assinada por Miriam Abreu:

Comissão do MEC quer garantir liberdade curricular dos cursos de Jornalismo

O Presidente da Comissão formada pelo Ministério da Educação para aplicar novas diretrizes curriculares aos cursos de Jornalismo, José Marques de Mello, deixou claro que o objetivo do grupo é garantir “a liberdade curricular nas universidades e estabelecer diretrizes que não sejam uma camisa de força. Vamos respeitar as diversidades regionais, não queremos um tipo de jornalismo chapado. Defendemos uma formação básica genérica e unificada, mas cada curso deve procurar uma vocação”, explicou ele ao Comunique-se, ao término da audiência realizada na manhã desta sexta-feira, no Recife.

Ele avaliou como produtivo o encontro com representantes das associações, entidades de classe e jornalistas profissionais. “Todos nos trouxeram propostas concretas do perfil do novo jornalista, das competências deste profissional”.

O presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo de Andrade, apresentou um resumo das sugestões da entidade para o estimulo à qualidade do ensino do jornalismo (leia na íntegra aqui). “Somos contrários à dupla formação, à complementação da formação, favoráveis ao curso específico dentro do campo da comunicação. Pedimos também uma audiência depois da que será realizada em São Paulo, em 18/05, para a apresentação da conclusão do resultado final do trabalho desse grupo de especialistas”, contou Murillo.

Ele lamentou a ausência de representantes das entidades patronais, como a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert). “Espero que essa ausência não signifique que essas entidades sejam contra a formação superior, já que são contra a obrigatoriedade do diploma. Acho um desrespeito ao trabalho que esse grupo voluntário está desenvolvendo no sentido de qualificar o ensino no País”.

“Na verdade essa ausência não significa boicote. As entidades patronais têm mandado sugestões, não estão ausentes. Nem sempre as datas das audiências são viáveis para todos”, respondeu Mello.

As audiências têm sido um avanço, na avaliação do presidente da Comissão. Ele está ciente de que há posições contrárias e deixou claro que o grupo vai estabelecer diretrizes “consensuais, que atendam à sociedade”.

Sobre as contribuições recebidas por e-mail até 30/03, ele conta que o grupo já leu as sugestões. “Há muita coisa pontual, repetitiva. Uma equipe do MEC está fazendo uma grade com essas contribuições”.

encontro de professores, só pra fechar

Terminou ontem em Belo Horizonte o 12º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo. Para um rapidíssimo balanço pessoal, lanço seis itens:

* Ainda persistem queixas e reclamações sobre o sistema eletrônico de submissão de trabalhos para o evento. O SOAC não é prático, amigável e dá bugs. Eu mesmo tive seriíssimos problemas para postar meu texto. A diretoria sabe do problema e estuda soluções para a questão. O SOAC não apenas ajuda a gerenciar o processo de sumissão e avaliação dos trabalhos, mas também é uma ferramenta de administração do evento.

* O encontro foi bem organizado e com uma programação intensa. Embora estivesse rolando em BH o projeto Comida Di Buteko – uma espécie de festival de quitutes em 41 bares -, não houve tempo para quase nada de passeio ou diversão. A organização do próximo poderia pegar mais leve e dedicar parte do período para alguma programação cultural.

* Conversei com diversos colegas que atestaram grande qualidade de boa parte dos trabalhos apresentados. O nível de discussão, de pesquisa e extensão sobre o ensino de jornalismo está se elevando…

* A presença dos convidados estrangeiros – de Portugal, Argentina, Colômbia e da Espanha – foi muito boa tanto em termos de contatos quanto no intercâmbio de idéias.

* A cobertura pelo twitter não foi apenas pra inglês ver. A professor Joana Ziller tomou as rédeas da coisa e fez um trabalho atento, ágil e muito importante para quem não estava por lá e queria estar informado.

* A assembléia do Fórum referendou a proposta de realizar em anos pares o Encontro Nacional e em ímpares os regionais. Este redimensionamento deve fortalecer os eventos e organizar melhor a agenda dos participantes.

pitadas do segundo dia de encontro de jornalismo

Eu que achava que o 12º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo seria encharcado de discussões sobre o diploma e sobreas novas diretrizes curriculares, acabei não errando. Mas também não acertei em cheio. A crise mundial e a crise identidade do jornalismo – por conta de mudanças estruturais e conjunturais – também são signos fortes nesses dias em Belo Horizonte.

Ontem, por exemplo, no primeiro painel do dia, as falas foram convergentes neste sentido. Baixou climão no auditório. Na sequência, o outro painel refrescou o ambiente, na medida em que os membros da mesa – Josenildo Guerra, Carlos Eduardo Franciscato e Marcos Palácios – trataram de pesquisa aplicada e perspectivas outras para o jornalismo.

Uma questão mineira

No redemoinho da crise, o jornalista Álvaro Teixeira da Costa, diretor dos jornais Estado de Minas e Correio Braziliense e da Associação Nacional de Jornais (ANJ), disse no primeiro painel do dia: “Quedê a ética do jornalismo, sô?”

A indagação em bom mineirês é uma reação à luta intestina entre as emissoras de TV locais: alguns telejornais enfrentam como concorrência programas que apelam para tudo para ter audiência. “Tem um aqui que o apresentador se vestiu de Batman e estava sorteando salários mínimos pros telespectadores”, contou Teixeira da Costa.

GPs

Antes mesmo de Rubinho Barrichello correr no Grande Prêmio da China, houve GPs aqui em BH: os Grupos de Pesquisa, a ocasião em que os pesquisadores apresentam suas pesquisas, seus relatos, suas experiências. Estavam inscritos 76 trabalhos nos seis GPs do Encontro. Nem todos foram apresentados, e a presença de alunos de jornalista das três instituições organizadoras – UNA, UniBH e Faculdades Pitágoras – foi marcante e bem ativa.

A 12ª edição do ENPJ continua hoje com o 2º Colóquio Ibero-Americano de Ensino de Jornalismo. Os convidados são João Canavilhas (Universidade da Beira Interior, Portugal), Miguel Wiñazki (Máster em Jornalismo do jornal Clarín com as universidades de San Andrés, Colúmbia e Bologna, Argentina), Carlos Gerardo Agudelo Castro (Universidade de Antioquia, Medellín–Colômbia) e Sérgio Luiz Gadini (UEPG, Brasil). Gerson Martins faz a mediação.


A transmissão ao vivo pelo Twitter continua em http://twitter.com/12enpj

5 links pra pensar o ensino e o jornalismo

Como estamos em pleno Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, remexo as gavetas aqui e encontro cinco links que podem ser inspiradores a todos que se preocupam com a qualidade do ensino de Jornalismo, ou da educação em geral…

Em tempos de crise, colunista questiona papel da universidade na formação de jornalistas

Será que as escolas de Jornalismo pegaram o caminho errado?

É a hora de fechar as escolas de Jornalismo?

Literacias e letramentos para o século 21

A importância da presença física na educação

começa o encontro de professores em bh

Começou ontem a 12ª edição do Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, em Belo Horizonte. A conferência de abertura ficou por conta do professor Alfredo Vizeu (UFPE), um dos membros da Comissão de especialistas que trabalha sobre novas Diretrizes Curriculares para os Cursos de Jornalismo.

Vizeu fez uma revisão histórica das “idas e vindas” dos atores envolvidos na busca por qualidade no ensino de Jornalismo no país. Sua função, reforçou, era mostrar que existe uma tradição, uma trajetória percorrida desde a década de 1940, com discussões sobre currículos, conteúdos e orientações pedagógicas. Os trabalhos da comissão continuam, informou Vizeu. Na próxima semana, por exemplo, Recife sedia a segunda audiência pública (de um total de três), que deve colher informações, sugestões e encaminhamentos de setores interessados na questão, assumidamente a academia e o mercado.

Selo de qualidade

Na esteira do aperfeiçoamento do ensino de Jornalismo, o Fórum Nacional de Professores trabalha numa proposta de Selo de Qualidade para os Cursos, adiantou ontem o presidente da entidade Edson Spenthof. A idéia ainda está em fase de discussão interna, mas deve apontar para uma ação positiva, de sinalização para a sociedade das experiências acadêmicas na área que devem ser destacadas pela sua qualidade na inovação de processos didáticos e de organização pedagógica.

Segundo dados do INEP, atualmente, existem quase 900 cursos de Comunicação no país, sendo 375 só de Jornalismo, enumerou Alfredo Vizeu.

Quadro da morte e a piada da noite

Entre os presentes à abertura, o presidente da Fenaj Sergio Murillo de Andrade voltou a falar da expectativa na categoria sobre a decisão do STF sobre a polêmica do diploma. Segundo ele, um veredicto deve sair nas próximas semanas, ainda neste semestre, sem um agendamento ainda. A projeção é que maio possa trazer os votos dos ministros do Supremo e encerrar esta etapa da discussão. A Fenaj não está apenas atenta a este episódio, mas vem acompanhando também os chamados reflexos da crise mundial nas redações.

A entidade vem fazendo um “quadro da morte”, estudo que contabiliza os desligamentos nas empresas jornalísticas desde o final do ano passado. Segundo Sergio Murillo, de lá pra cá, 206 jornalistas foram pra rua em todo o Brasil, sob a alegação de que a “marolinha” chegou aos departamentos de Recursos Humanos.

O número assusta, e não tem graça nenhuma. Mas para que este post não termine tão apocalíptico, repito a piada que meu amigo Josenildo Guerra contou ontem à noite. Segundo Josenildo, os intelectuais gremistas estavam em pé de guerra com o conceito de “intersubjetividade”. Disseram que até podem aceitar a noção se for criada também uma “gremio-subjetividade”.

PS – Josenildo dá os créditos da piada. Devem ser atribuídos ao também amigo Luiz Martins da Silva.

encontro de professores de jornalismo, lá vou eu!

Começa hoje em Belo Horizonte a 12ª edição do Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, promovido pelo FNPJ. O evento acontece em três instituições de ensino da capital mineira: Faculdades Pitágoras, UNA e Uni-BH. São 76 trabalhos divididos em seis grupos de pesquisa. Já estou em Minas para participar do encontro, onde apresento o trabalho “Formação ético-profissional: presença e evolução nos currículos de um curso de Jornalismo” no GP Ensino de Ética e de Teorias de Jornalismo.

Na medida do possível, vou postar algumas informações por aqui, ou mesmo pelo twitter. Mas o leitor não se engane: na ordem do dia, devem estar nas rodas de discussões dois assuntos. A proximidade do julgamento pelo STF da polêmica do diploma e o trabalho da comissão que trabalha nas Novas Diretrizes Curriculares para os cursos de Jornalismo.

(Aliás, o próprio evento conta com blog e com twitter para manter sua cobertura. Acompanhem!)

crítica de mídia, o estado da arte

Reproduzo um super convite:

Como tem sido feita a crítica da mídia no Brasil?

Doze anos após o lançamento do primeiro site de media watching, o Observatório da Imprensa, a análise crítica sobre a cobertura jornalística se consolidou no Brasil. Desse pontapé inicial, multiplicaram projetos de crítica da mídia em diferentes regiões do país. Eles se propõem a realizar diagnósticos do que é produziro nas redações e abrir espaço para discussões entre diferentes setores da sociedade – a comunidade acadêmica, o mercado de trabalho, as entidades corporativas e os consumidores de produtos informativos.

Tendo esse cenário como pano de fundo, o Observatório Mídia&Política, coordenado pelo Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da UnB, quer discutir o estado da arte da crítica da mídia no Brasil. Este é o tema de edição que será lançada em maio de 2009. Convidamos pesquisadores, jornalistas, analistas e observadores da mídia a discutir o assunto, relatar sobre suas experiências, enfim, fazer uma crítica da crítica da mídia no país.

As normas de redação e outras informações estão no site Mídia&Política ou http://www.midiaepolitica.unb.br/normas.htm. Os artigos devem ter em torno de 1.000 palavras. Os textos podem ser enviados para os editores Thaïs de Mendonça Jorge (thaisdemendonca@uol.com.br) e Fábio Pereira (fabiop@gmail.com)

Prazo: 8 de maio de 2009.

lei de imprensa volta a ser julgada dia 29; diploma pode ficar pra maio

A novela continua. O alerta vem do colega Tales Tomaz. Veja comunicado de imprensa do STF:

O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deve retomar no dia 29 de abril o julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 130, ajuizada pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), que questiona a Lei de Imprensa (Lei 5.250/67). O julgamento foi suspenso na sessão plenária do dia 1º deste mês, quando o relator do caso, ministro Carlos Ayres Britto, votou pela procedência integral da ação. Para ele, a Lei de Imprensa não pode permanecer no ordenamento jurídico brasileiro, por ser incompatível com a Constituição Federal de 1988.

Naquela sessão, o entendimento do ministro-relator foi seguido pelo ministro Eros Grau, que adiantou seu voto.

Com isso e como outros nove ministros ainda não deram seu voto sobre a questão, a decisão pode se estender por toda a sessão do dia 29 e ainda respingar para o dia seguinte. O julgamento do STF sobre a polêmica do diploma, previsto como ponto de pauta seguinte, pode mesmo ficar para maio…

acesso à informação: um livro gratuito!

acesso_a_informacao_finalOutro dia, mencionei aqui a realização de um seminário internacional sobre direito de acesso a informações públicas. Na mesma direção, chega a informação de que a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) e a Artigo 19 lançaram o livro “Acesso à informação e controle social das políticas públicas”.

O volume é resultado das discussões ocorridas sobre um seminário ocorrido em Brasília, em 2007, e reúne especialistas de diversas áreas que enfrentam o tema espinhoso da liberdade de acesso a informações, e os papéis do Executivo, dos controladores e da imprensa.

Disponível para download gratuito, o livro tem 136 páginas e não chega a ter 1 Mb de tamanho de arquivo. A organização do volume é de Guilherme Canela e Solano Nascimento. Obra essencial para quem quer discutir democracia, meios de comunicação, política e mídia. Imprescindível para quem quer compreender parcela importante das relações de força no Brasil recente.

Para uma amostra, leia a introdução, publicada pelo Observatório da Imprensa.

2º fórum de liberdade de imprensa

A Revista Imprensa promove em 4 de maio, em São Paulo, a segunda edição do seu Fórum sobre Liberdade de Imprensa e Democracia. O evento tem o apoio da Rede Globo, ABI, OAB e Fiesp, onde acontece.
As inscrições são gratuitas, mas limitadas.
Veja no site do evento.

dia do jornalista: um pensamento corriqueiro

Sim, 7 de abril é o dia do jornalista. Datas são apenas marcas no calendário, mas que nos provocam a pensar, a refletir sobre uma situação, uma idéia, uma coisa. Penso sobre o jornalismo todos os dias, e hoje não pensei mais por conta da data comemorativa.

Mas a Miriam de Abreu, do Comunique-se, me escreveu pedindo umas palavras sobre a data e o momento atual do jornalismo brasileiro. Muito rapidamente, escrevi o que segue:

Acho que estamos vivendo um momento bastante importante para o jornalismo no Brasil, seja pelo que acumulamos historicamente e ganhamos com a evolução da profissão, seja ainda pelas decisões que 2009 deve trazer para a profissão. Os debates em torno das diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo são cruciais para modernizarmos as bases pelas quais as escolas de comunicação se orientam para criar e manter cursos. Mas são vitais também para repensarmos e refundarmos a identidade do jornalista e a função do jornalismo nos tempos contemporâneos.
As decisões que virão do STF este ano – sobre a constitucionalidade ou não da Lei de Imprensa , e sobre a exigência ou não de diploma universitário para a obtenção do registro profissional -, essas decisões vão tornar claros os limites legais para o exercício do jornalismo, mexendo com o mercado e provocando consequências na qualidade dos produtos oferecidos à sociedade.
Mas não é só isso. O Ministério do Trabalho deve concluir em breve um estudo para uma nova regulamentação da profissão. Um grupo de trabalho foi formado e o resultado disso deve ser uma lei que auxilie não só os profissionais e as empresas, mas a população que anseia por informação responsável, de qualidade e com ética.
Vejo com grande otimismo esse momento, independente de quais sejam os rumos que tomaremos. O mais importante é refletir sobre a nossa profissão, discuti-la e reforçar suas bases que desembocam inevitavelmente na função social que o jornalismo deve encarnar. É um momento histórico, e isso não é exagero. Sairemos de 2009 com novas bases para o jornalismo brasileiro. Em poucas ocasiões tivemos tantas definições concentradas num período tão curto.

Claro que esse pensamento corriqueiro não resume o que eu penso e o que espero do jornalismo. É só uma declaração para uma matéria (leia aqui), e por isso limitada nas palavras, na abordagem e na profundidade. Quem passa por este blog sabe que tudo isso é muito mais complexo e demanda discussões intermináveis e palpitantes. De qualquer forma, faço o registro acima como quem anota uma idéia que teve durante a caminhada, como quem cuida para não perder um fio da meada.

O jornalismo, bem, o jornalismo continua e a vida também. Sigo confiante na profissão, na carreira, na função social que ele pode exercer. Sigo acreditando que o jornalismo pode ser um instrumento para que a sociedade se melhore e que a vida alcance dimensões mais positivas para todos.

qualidade da informação jornalística em livro

qualidadeSaiu o segundo título da série Jornalismo a Rigor, que o Mestrado em Jornalismo da UFSC está editando com a Insular. Trata-se de “A Qualidade da Informação Jornalística: do conceito à prática”, de Carina Andrade Benedeti.

Veja o que diz o relise do livro:

Os fundamentos da qualidade na informação jornalística têm sido uma questão menosprezada na área científica da Comunicação. Mas o esforço crítico da Academia perde a sua eficácia quando já não consegue distinguir entre o bom e o mau jornalismo, e condena a Mídia como um todo, gerando preconceito contra ela em vez de contribuir para transformá-la. Nas faculdades de Jornalismo, este erro contumaz coloca os estudantes diante do dilema de acreditar na profissão a que se sentem vocacionados ou numa teoria que nega a sua razão de ser. O texto da professora Carina Andrade Benedeti vem romper com esta lógica insensata, propondo uma Teoria Normativa do Jornalismo que ajude a compreendê-lo e a praticá-lo melhor. Fruto de uma dissertação de mestrado defendida na Universidade de Brasília e laureada com o Prêmio Adelmo Genro Filho da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), torna-se uma referência indispensável para os cursos de graduação e pós-graduação da área, assim como para os jornalistas profissionais interessados em refletir sobre a qualidade de seu fazer.

Interessou? Então, vá por aqui.

diretrizes curriculares: mais um relato

Há duas semanas, observei a carência de relatos sobre a primeira audiência pública que discutiu aspectos importantes para as novas diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo. O evento aconteceu em 20 de março no Rio. Recebi de membro da Comissão que lidera as discussões um email com um texto do professor, José Marques de Melo, sobre o assunto. Marques de Melo preside a Comissão, e o texto que reproduzo abaixo é uma versão da aula inaugural do curso de Jornalismo recém-criado na Universidade Federal de São João Del Rey (MG).

Por que reproduzo o texto? Ora, porque ele reforça a discussão sobre a reforma das diretrizes, e porque é assinado por alguém mais do que credenciado para este debate.

Ao texto, portanto!

Repensar o ensino de jornalismo para fortalecer a democracia[1]

Durante seis décadas o Brasil acumulou experiência na formação universitária de jornalistas, construindo uma matriz pedagógica que lhe confere singularidade no panorama mundial.

Mesclando o padrão europeu (estudo teórico) com o modelo americano (aprendizagem pragmática), logramos uma via crítico-experimental de ensino-pesquisa.

Entretanto, o jornalismo adquiriu maior complexidade, principalmente em função da convergência midiática e das transformações da sociedade.

Capitalizando meio século de imersão em atividades jornalísticas, tenho consciência de que o nosso ensino do jornalismo precisa ser reinventando para fortalecer a democracia. Por isso, aceitei a convocação do ministro Fernando Haddad para presidir a comissão encarregada de rever as diretrizes curriculares do curso de Jornalismo.

Formada pela Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação, a comissão tomou posse em Brasília, no dia 19 de fevereiro, decidindo preliminarmente debater a questão com os segmentos representativos da sociedade.

Metas e compromissos

Constituída por jornalistas com experiência no mercado e na academia [Fazem parte da comissão Alfredo Vizeu (UFPE), Eduardo Meditsch (UFSC), Lucia Araújo (Canal Futura), Luiz Gonzaga Motta (UnB), Manuel Carlos Chaparro (USP), Sergio Matos (UFRB), e Sonia Virginia Moreira (UERJ)],  a Comissão de Especialistas foi criada para rever e atualizar exclusivamente as diretrizes curriculares do Curso de Jornalismo, dentro da área da Comunicação Social, focalizando dois aspectos: o perfil do jornalista demandado pela sociedade e suas competências ou habilidades profissionais.

Além de promover audiências públicas no Rio de Janeiro (academia),  Recife (mercado e profissão) e São Paulo (sociedade civil), a comissão vem mantendo canais abertos para dialogar com todos os segmentos da área, através das suas entidades representativas. Pela internet,  vem recebendo propostas e sugestões de todo o país. Cada audiência contempla, portanto, um segmento do universo jornalístico.

Realizada no Rio de Janeiro, no dia 20 de março, a primeira contou com a participação da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo – SBPJOR, do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo – FNPJ, da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação – COMPÓS, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação –  INTERCOM, Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação –  ENECOS, de alguns diretores de faculdades e coordenadores de cursos, além de professores, pesquisadores e estudantes.

Os empresários e os trabalhadores da área serão ouvidos, na cidade do Recife, no próximo dia 24 de abril. Os proprietários de empresas jornalísticas estarão representados pela Associação Nacional de Jornais – ANJ, Associação Nacional de Revistas – ANER, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – ABERT, Associação Brasileira das Assessorias de Comunicação – ABRACOM, etc. Por usa vez, a representação dos jornalistas se fará pela Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ e associações setoriais, como a Associação Brasileira de Jornalismo Científico – ABJC.

A sociedade civil se manifestará em São Paulo, no dia 18 de maio, através de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, Associação Brasileira de Imprensa – ABI, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, Associação Brasileira das Organizações Não-Governamentais – ABONG,  movimentos de mulheres, afro-descentes,  e congêneres.

A comissão está aberta a contribuições de todas as entidades interessadas na melhoria da qualidade do ensino de jornalismo.  Pretendendo cumprir o cronograma previamente estabelecido, a equipe apela a todos os segmentos interessados para que enviem suas propostas e recomendações até maio, quando se encerram as audiências públicas.

Na primeira semana de junho, em Brasília, o grupo se reúne com representantes de órgãos vinculados ao Ministério da Educação para avaliar a natureza e a exeqüibilidade das recomendações  a serem propostas, antes de entregar seu relatório final ao ministro Fernando Haddad.

Balanço

A audiência do Rio de Janeiro foi muito produtiva. Há consenso sobre a questão da qualidade, e por isso mesmo surgiram propostas no sentido de que as diretrizes curriculares não se esgotem em si mesmas, mas incluam a avaliação de desempenho dos cursos e a fiscalização da suas condições de funcionamento. Por outro lado, ficou clara a necessidade de fortalecer a comunicação como grande área do conhecimento, à qual pertencem o jornalismo e outras áreas profissionais como publicidade e relações públicas.

Também aflorou a problemática da formação dos professores de jornalismo, demandando articulação com os programas de pós-graduação. Da mesma forma, foram anotadas propostas para assegurar oportunidades de estágio  aos formandos,  nas empresas do ramo, bem como o incentivo à iniciação científica para fomentar a pesquisa desde a graduação. Destacou-se, finalmente, a responsabilidade de repensar o jornalista como profissional que tem papel decisivo na consolidação e aperfeiçoamento da sociedade democrática.

Ao ser entrevistado pelos repórteres que cobriram a audiência pública do Rio de Janeiro, tive oportunidade de reiterar algumas questões, a seguir resumidas.

As minhas idéias sobre a formação dos jornalistas estão contidas  nos livros que publiquei, sobretudo os mais recentes: Jornalismo Brasileiro (Sulina, 2003), Teoria dó Jornalismo (Paulus, 2006), Vestígios da Travessia: da imprensa à internet (Paulus, 2009), Jornalismo, forma e conteúdo (Difusão, 2009) e Jornalismo, conhecimento e reinvenção (Saraiva, 2009).

Seus parâmetros pedagógicos foram testados no Curso de Jornalismo que fundei em 1967 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA-USP, mas também aplicados no Curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, onde trabalho atualmente. Trata-se de modelos que, durante vários anos, servem de referência para tantos outros cursos em todo o país. Além de atualizada formação teórica e experimentação pratica, no campo do jornalismo, o futuro profissional deve ter uma sólida formação humanística (geral ou especializada).

Contudo, o maior desafio que deve enfrentar o jornalista diplomado é de natureza ética. Ser fiel à destinação do jornalismo como serviço público, sem perder de perspectiva as inovações tecnológicas que atualizam constantemente seus gêneros e formatos, garantindo plena interação com as demandas da sociedade.

Perspectivas

Amparados em princípios que preservem a vocação educativa e missão civilizatória do jornalismo, além de balizados pela cidadania e comprometidos com a preservação da democracia, os novos profissionais não podem ignorar as forças que atuam nos bastidores da profissão, tanto as econômicas quanto as políticas.
Nesse sentido, torna-se fundamental exercer vigilância para assegurar a qualidade, a diversidade e a liberdade nos processos de formação acadêmica.

Quero, a título de conclusão, anotar alguns princípios que podem ajudar nessa tarefa.

Tenho consciência de que formar profissionais responsáveis e competentes constitui dever inquestionável dos cursos de jornalismo.

Creio também que esses cursos devem praticar a diversidade, preservando as diferenças regionais e dialogando com as organizações onde os formandos irão exercer a profissão.
Defendo finalmente um modelo de universidade mais aberto e menos engessado, capaz de assegurar liberdade aos estudantes.  Somos legatários de uma tradição cartorial, mantendo programas de ensino que enclausuram os jovens ingressantes em grades curriculares compulsórias.

O direito de mobilidade, dentro do campus, não pode ser manietado, principalmente numa conjuntura em que as fronteiras do conhecimento estão em processo de mutação.

São estes, na minha maneira de ver, os requisitos básicos para formar profissionais competentes, criativos e empreendedores.

Desejo firmemente que eles possam servir como eixos norteadores deste Curso de Jornalismo que a Universidade Federal de São João del Rei em boa hora decidiu criar, sob a responsabilidade de um corpo docente idealista.

Não tenho dúvida de que esse resultado será atingido plenamente, tendo em vista a sabedoria do reitor Helvécio Luiz Reis ao confiar a  liderança do Curso de Jornalismo ao Prof. Dr. Guilherme Rezende, cuja trajetória acadêmica acompanho há mais de 30 anos. Trata-se de intelectual admirado por todos, não só pela tranqüilidade, seriedade, disciplina e motivação, mas, sobretudo,   por seu cativante humanismo, temperado pela generosidade peculiar ao modo de ser mineiro.

monitor de mídia, nova edição na rede!

Acaba de chegar à web a edição 147 do MONITOR DE MÍDIA!

Veja as novidades:

DIAGNÓSTICO: O cardápio dos telejornais do meio-dia em Santa Catarina. O que mostram os jornais locais de maior audiência no Vale do Itajaí ao meio-dia? A equipe do MONITOR acompanhou as edições durante uma semana.

REPORTAGEM: Resquícios da grande enchente ainda prejudicam a população. O MONITOR investigou os principais problemas das redes de esgoto de Itajaí e Balneário Camboriú depois da grande enchente de novembro.

PERFIL: A magia do Photoshop nos cliques de Altair Hoppe. A acadêmica Sílvia Mendes conversa com o jornalista Altair Hoppe, referência nacional em tratamento digital de imagens.

EDITORIAL: Liberdade é uma idéia que está na moda. O mês de abril dá sinais de que o tema será bastante debatido.

mais chuva de concursos para professores de jornalismo

Agendem-se e preparem-se!

UFPE: 4 vagas para professor assistente + 4 vagas para adjunto
Inscrições até 14 de abril
Mais informações: http://www.proacad.ufpe.br

UFSM: 1 vaga para adjunto com especialidade em Produção Audiovisual
Inscrições até 10 de abril
Mais informações: http://www.ufsm.br

UnB: 10 vagas para professores adjuntos e assistentes
Inscrições até 19 de abril (alguns) e 23 de abril (outros)
Mais informações:

http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_299_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_305_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_312_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_313_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_314_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_315_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_318_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_320_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_321_09.pdf

UFAL: 1 vaga para adjunto
Inscrições até 27 de abril
Mais informações: http://www.copeve.ufal.br/concursos/concurso.php?id=27

Veja ainda esses…

decisão sobre o diploma fica pro dia 22

Embora a presidência do Supremo Tribunal Federal tenha adiantado que a retomada sobre o julgamento sobre a Lei de Imprensa seja em 15 de abril, informações da Agência Brasil e do Consultor Jurídico dão que isso só irá acontecer no dia 22 de abril.

A razão é que a pauta do STF do dia 15 já foi publicada e não poderia ser modificada. Daí o adiamento por mais uma semana. Neste sentido, o provável é que a decisão sobre a exigência do diploma, que também estava programada para a sessão de ontem, aconteça no dia 22.

Esta informação, no entanto, não consta ainda da pauta eletrônica no site do STF.

No final da sessão de ontem, o ministro Celso de Mello chamou a atenção dos colegas para a necessidade de cumprimento das pautas agendadas e publicizadas pelo “sítio” do Supremo.

Paciência, meus caros… paciência!

diploma: fica pra outra hora

Reproduzo a Fenaj, o comunicado recentíssimo: (De acordo com o presidente do STF, Gilmar Mendes, a discussão fica para 15 de abril, quando da próxima sessão. A própria discussão sobre a Lei de Imprensa não foi concluída na sessão de hoje)

O recurso contra o diploma foi retirado da pauta de votações do STF. Está em debate no plenário a Adin contra a Lei de Imprensa. O Ato Público Nacional prossegue. A Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma vão se reunir para traçar novas estratégias de continuidade do movimento.Às 16h45 desta quarta-feira (1º/04) a coordenação do movimento foi informada que, a pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal e relator do RE 511961, ministro Gilmar Mendes, o advogado que representa a FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na ação foi oficialmente comunicado da retirada do tema da pauta. Não foi divulgada nova data para julgamento do recurso contra o diploma.Dirigentes da campanha continuam no plenário do STF acompanhando a votação da Adin contra a Lei de Imprensa. “Após o Ato Nacional a Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha vão definir novas ações, mas desde já a orientação é para que a movimentação nos estados e os preparativos para o Dia do Jornalista, 7 de abril, prossigam”, disse o diretor da FENAJ Luiz Spada.

 

lei de imprensa no banco dos réus

O julgamento do diploma ofusca a avaliação que o mesmo STF fará da Lei de Imprensa (5250/67). Como essa lei vem sendo bombardeada há tempos e praticamente perdeu as duas pernas recentemente com a supressão de 22 dispositivos nela constante, mais parece cachorro morto.

Mas para quem se interessar, é o primeiro ponto da pauta do Supremo hoje à tarde. O relator é o ministro Ayres Brito.

Pelo que imagino, a decisão deve ser pela inconstitucionalidade da 5250, o que irá sepultar a Lei de Imprensa que temos vigorando desde o tempo da ditadura. Como as cortes já se apoiam nos códigos Civil e Penal para arbitrar crimes de opinião, a lei de 1967 é mesmo um zumbi. O que me preocupa, no entanto, é que – caso a Lei de Imprensa deixe de valer – teremos que criar um novo dispositivo que preveja o Direito de Resposta, uma boa herança da 5250…

polêmica do diploma: aguardando o julgamento

Enquanto a sessão do plenário do STF não começa – isso vai se dar lá pelas 14 horas -, e se você está querendo saber mais sobre a polêmica sobre a exigência do diploma de jornalista, por que não passa pelos links abaixo?

Todos foram publicados no Observatório da Imprensa de ontem…

Uma decisão histórica sobre o diploma – Elias Machado

Diploma, uma exigência legal – Roberto Ramalho

Jornalista, só com diploma – Sérgio Murillo de Andrade

Diploma é resquício da ditadura – Laerte Braga

diploma de jornalismo: dois possíveis desfechos

O Supremo Tribunal Federal deve decidir amanhã uma pendência que se arrasta há quase oito anos: a contestação jurídica da exigência de diploma universitário para o exercício do jornalismo. Na última década, não houve assunto mais palpitante entre as redações e as escolas de Comunicação. As entidades classistas, como a Fenaj e os sindicatos, promoveram eventos, manifestações e lançaram livros sobre o tema, contribuindo muito para a discussão sobre a natureza da profissão e seu papel na atualidade. Publicações especializadas – como o Observatório da Imprensa – dispersaram uma torrente de idéias e argumentos contra e a favor do canudo, discutindo aspectos como o corporativismo e as mudanças pelas quais o jornalismo passa nas últimas décadas. Na academia, professores, alunos e pesquisadores deram suas contribuições, martelando a necessidade do diploma ou simplesmente descartando-o, como quem joga a criança junto com a água da banheira.

Previsível

O fato é que amanhã – 1º de abril, evento com a piada pronta – a suprema corte brasileira deve colocar um ponto final nessa história. Acompanho o processo desde outubro de 2001, quando do despacho da juíza Carla Rister. Participei de diversos eventos, escrevi textos e me posicionei sempre a favor da exigência do diploma. Reitero tudo isso. Mas o fato é que depois de amanhã, teremos um cenário distinto dos últimos oito anos: um cenário de definição sobre a regulamentação profissional.

O que antevejo são dois desfechos possíveis e fáceis de prever: 1) O SFT manter a exigência do diploma; 2) O STF descartar a exigência. Em ambos os casos, a regulamentação da profissão – como a conhecemos – estará em vias de extinção.

Comecemos pelo final.

Se os juízes do STF decidirem que não é mais necessário portar diploma universitário para exercer a profissão, os dispositivos de regulamentação profissional – o decreto -lei 972/69 e a lei 83284/79 – caem por terra, levam um golpe fatal. O marco de regulação perde o sentido com essa decisão da corte.

Mas mesmo que os juízes do STF decidam pela manutenção do diploma, a regulamentação dos jornalistas deve sofrer mudanças importantes nos próximos meses. O desgaste do chamado “entulho autoritário” fez com que o Ministério do Trabalho compusesse um grupo que fizesse estudos para uma nova redação para a regulamentação. Governo, patrões e jornalistas – por meio de seus representantes – compõem essa comissão, que deve gerar um ante-projeto de lei que vá substituir a atual regulamentação. Por isso, qualquer que seja a decisão do STF, a regulamentação como a conhecemos está com os dias contados.

Day after

As pessoas se perguntam sobre como será se a decisão sepultar a necessidade do diploma. Penso que é preciso ter clareza da situação e ausência de paixões. Se o STF decidir pelo descarte do diploma, o mundo não acaba. O jornalismo não acaba. As escolas de Comunicação não perdem a sua razão. E os estudantes que nelas estão matriculados não ficam totalmente desamparados.

Se a solução abstrair o diploma, será um processo natural se buscar uma saída para uma nova regulamentação. A via é o Ministério do Trabalho. Profissão regulamentada é profissão respeitada e assegurada de direitos. Penso que os jornalistas não vão abrir mão disso.

Se a suprema corte brasileira decidir pelo fim da necessidade do diploma, as escolas terão que buscar novos caminhos para se manterem, para oferecerem seus serviços e suas contribuições para a formação de novos profissionais. A discussão atual sobre as diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo vai ser encharcada com as consequências da decisão do STF.

As coisas estão ligadas, e finalmente no Brasil – mesmo que de forma enviesada -, discute-se jornalismo e política, direito e exercício profissional, comunicação e poder.

O julgamento do diploma é o segundo ponto da pauta de amanhã. A sessão tem início às 14 horas e muitas redações e salas de aula vão estar sintonizadas na TV Justiça. A expectativa é grande e o clima, às vezes, beira o de final de campeonato. Vamos ver quem sai ganhando…

brazilian journalism research, 2008(2): na web!

Está disponível o número 2, volume 4 da Brazilian Journalism Research, periódico internacional editado pela SBPJor. A edição é do segundo semestre de 2008, e em breve, estará com artigos também em português.

O sumário é o seguinte:

Editorial
QUALITY IN THE TEACHING OF JOURNALISM
Claudia Quadros e Tattiana Teixeira

Dossier
TRENDS IN JOURNALISTS’ TRAINING: In the Spanish and Portuguese language environments in the 21st century
Xosé Lopes Garcia

RESEARCH ON PARTICIPATORY JOURNALISM IN BRAZIL: A survey of the state of the art
André Holanda, Claudia Quadros, Jan Alyne Barbosa Silva e Marcos Palacios

CHALLENGES AND NEW WAYS OF TEACHING JOURNALISM IN TIMES OF MEDIA CONVERGENCE
Lorena Tárcia e Simão Pedro P. Marinho

GRASSROOTS ONLINE JOURNALISM: Public intervention in Kuro5hin and Wikinews
Marcelo Träsel

Articles
IMAGES IN THE HEAT OF THE MOMENT OR THE REBORN PHOENIX OF THE DOCUMENTAL IMAGE
Kati Caetano

THE END OF OBJECTIVITY AND NEUTRALITY IN CIVIC AND ENVIRONMENTAL JOURNALISM
Beatriz Dornelles

ECONOMIC JOURNALISM AND THE CONCEPTION OF MARKET: A content analysis of the economy sections of Folha de S.Paulo and O Estado de S.Paulo
Maria Lucia Jacobini

THE RULE OF TRANSPARENCY: as an element of democratization in the journalism production process
Marta Regina Maia

THE BODY OF THE POWER: A semiotic study of Lula’s figure in the 1989 presidential campaign as portrayed in the Brazilian weekly newsmagazines Veja and Istoé
Dalva Ramaldes e José Luiz Aidar Prado

THE DELICATE RELATIONSHIP IN JOURNALISM: Where content and production meet in the content management system. A comparative study of US and Brazil Newsroom Operations
Amy Schmitz Weiss e Carla Schwingel

Book reviews
CONECTADO: O que a Internet fez com você e o que você pode fazer com ela
Maria José Baldessar

Cultura da Convergência
Rogério Christofoletti

***

E por falar em SBPJor, em breve, estarão disponíveis mais informações sobre a edição 2009 do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. A Diretoria Científica da SBPJor e a Coordenação do prêmio estão revisando o regulamento e logo, logo, estarão abertas as inscrições. O objetivo é ampliar o alcance do PAGF, que já é uma referência importante na área.

diretrizes curriculares do jornalismo: temperatura aumenta

O clima parece estar realmente mudando no terreno em que acontecem as discussões sobre a reforma das diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. A temperatura vem aumentando gradativamente, e isso não é obra do aquecimento global. É fruto da participação maior de pesquisadores do campo principalmente nas listas eletrônicas das entidades da área.

Na semana passada, por exemplo, o presidente do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo, Edson Spenthof, distribuiu um farto documento na lista da entidade, sinalizando as posições do Fórum sobre a reforma. O documento fermentou nas caixas de correio de muita gente, e ontem, um vigoroso email do professor José Salvador Faro espalhou brasas em muitas direções. Em suma, Faro – num tom elegantemente lúcido – questionou o fato de a  nova proposta de diretrizes estar apoiada no texto das vigentes. Se as atuais estão ruins a ponto de serem reformadas, por que tê-las como ponto de partida? E na sequência desse raciocínio, criticou com veemência a proliferação desenfreada de cursos pelo país, fato que foi defendido e elogiado pelo representante do MEC na primeira audiência pública que se deu no dia 20, no Rio.

Faro mexeu ainda num nervo exposto que incomoda a muitos quando se discute os cursos de jornalismo: sua vinculação (ou subserviência) aos de Comunicação Social. O professor da Metodista e PUC enfatizou que o jornalismo é um processo comunicacional, e como tal também precisa ser estudado na dimensão das teorias da comunicação, de maneira a preservar a dialética de sua natureza e surgimento.

Bem, o email de Faro – como já disse – espalhou a questão nas listas do FNPJ e da Associação Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). Diversos colegas se seguiram levantando questões ligadas ao debate, e tudo indica que teremos uma participação mais efetiva de nossos teóricos e professores. Tomara!

polêmica do diploma: mais um texto

Às vésperas do julgamento do STF sobre a obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo, é muito natural que abundem por aí textos de lado a lado tratando da polêmica. Aliás, é muito bom isso. Os argumentos ganham relevância, as paixões se acirram, o entendimento pode ser buscado.

Hoje, recomendo o que o Cesar Valente escreveu sobre o assunto. Vai lá ver.

convergência midiática e mudanças na profissão de jornalista

Curto e grosso para dois links:

Converge Magazine é uma revista eletrônica brasileira que trata de transição de mídia, convergência e tecnologia. Na verdade, é um clipping de notícias, e pode ser adquirido por assinaturas.

Manuel Pinto disponibiliza em e-book gratuito as atas do seminário que realizou na Universidade do Minho e que tratou das mudanças na formação de jornalistas com as novas tecnologias. Baixe o livro aqui e leia, por exemplo, a conferência de Jane B.Singer.

realidade regional em comunicação: o livro

Clóvis Reis me avisa que o livro “Realidade Regional em Comunicação” acaba de sair. O volume, organizado por ele, reúne capítulos que tratam das origens e perspectivas da comunicação em Santa Catarina. O lançamento é da Edifurb, tem 156 páginas e custa R$ 28,00.