a crise dos jornais e o lugar certo na prateleira

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 Gente mais esperta já disse que quando o autor escreve, ele perde a obra para o leitor. Não tem mais domínio, e a leitura é uma outra forma de escritura, de colocação de sentido, de produção de entendimento. Ok, ok. Concordo, mas às vezes o autor perde o “controle da coisa” antes mesmo de o leitor folhear a obra.

Foi o que percebi dia desses lendo o imperdível “Os jornais podem desaparecer?”, de Philip Meyer.

O livro trata da já gritada crise dos jornais impressos e tenta avaliar – com base na evolução da indústria norte-americana – possíveis tendências e saídas para o mercado. Para quem não se lembra, Meyer é um dos nomes mais respeitados das escolas norte-americanas de Jornalismo e foi um experiente profissional naquelas bandas. O “pretexto” do autor para o livro é o seguinte: precisamos entender o problema para tentarmos resolvê-lo. Isto é, o autor nos convida a conhecer o que é “jornalismo enquanto negócio” para que nos mantenhamos em “nossas plataformas”. Assim, o livro tem como público os jornalistas, e tenta estimulá-los a saber um pouco mais do que as técnicas jornalísticas, e se comprometam também com a “salvação” da lavoura.

Até aí tudo bem.

Acontece que em duas livrarias que visitei o livro de Meyer não estava na estante de Jornalismo ou Comunicação. Estava na de Administração e Negócios. Numa terceira loja, o livro não estava à venda, pois a moça argumentou que eles apenas comercializavam obras de ciências humanas. Sei…

Olhei a ficha catalográfica do livro e lá consta na ordem: Jornais. Jornalismo. Jornalismo – aspectos econômicos.

Mesmo assim, quem colocou os livros na prateleira “errada”? Não foi um acidente, afinal vi isso em duas lojas diferentes e concorrentes. Quem?

Parece uma discussão boba essa, mas não. Se há uma corrida para buscar soluções para jornalismo, se as empresas jornalísticas enfrentam quedas constantes de tiragem, se os gestores tentam buscar novas receitas para uma sobrevivência dos jornais, qualquer sinalização de saída  da crise – mesmo que num modesto livro – é bem vinda e deve ser levada adiante. Colocar o livro no lugar errado é como deixar a chave do apartamento em chamas trancada do lado de fora. E com o proprietário dentro…

seminário em santa maria

A Universidade Federal de Santa Maria sedia em novembro a terceira edição do Seminário Internacional de Pesquisa em Comunicação (Sipecom).
Para saber mais, vá à fonte.

record news, o começo

Assisti pela TV a abertura oficial do Record News, o auto-alardeado primeiro canal 24 horas de notícias de sinal aberto. A “cerimônia” foi rapidinha, meia hora. Mas foi entre o brega e o paroquial. Explico.

  • Celso Freitas adotou um tom cerimonioso, usando formas de tratamento não usuais na TV, como “excelentíssimo senhor”, “ilustríssimo”, etc.
  • Lula, Serra, Kassab prestigiaram o evento. Ficaram sentadinhos e bonitinhos. Os dois primeiros falaram, o prefeito não. Acho que houve um certo temor de que ele enxotasse alguém aos berros…
  • Celso Freitas confidenciou que em 1989 a Record quase faliu, mas “um projeto inovador” salvou a emissora. Ele tava se referindo à Igreja Universal
  • Celso Freitas anunciou a palavra do “proprietário”, isso mesmo, proprietário da Rede Record, o bispo Macedo. E ele falou. Claro que terminou falando de deus…
  • Lula terminou seu discurso recitando versos do Hino à República: “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós…”
  • Lula e Edir Macedo – no maior estilo inauguração de hidrelétrica ou início de pregão na bolsa – deram início às operações do canal, apertando o botão NO AR.
  • Fafá de Belém, isso mesmo, cantou o hino nacional.
  • Em rápidos takes na platéia, deu pra perceber que havia lugares vazios. Mas não dá pra reclamar: tinha o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, e ministros como o dos Esportes (Orlando Silva) e do Turismo (Marta Suplicy)…
  • Terminou rápido porque os salgadinhos estavam esfriando.

Pode parecer brincadeira, mas foi assim mesmo que aconteceu.

Pessoalmente, torço para que o canal dê certo e que seja mesmo aberto. Eu tenho TV a cabo, mas o sinal da ex-Rede Mulher não chega aqui. Então, de 24 horas de jornalismo em sinal aberto, o “aberto” é só um adjetivo vazio pra mim.

Mas torço pra dar certo, sim. Só que eles podiam me poupar as risadas na abertura…

um mapa (mental) da (ciber) cultura

Alex Primo produziu um utilíssimo material em seu blog: um mapa mental dos principais temas e conceitos da cibercultura. O autor avisa que é uma versão Beta. E como quer fazer a coisa crescer, já abriu um wiki para esticar a coisa…

O mapa você vê aqui.

Para se cadastrar e manda ver no wiki, clique aqui.

empresas jornalísticas: ordem na casa

Reproduzo do site do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina:

Jornal terá que fazer esclarecimento sobre assédio,
assinar autoria de fotos e regularizar os sem registro

24/09 – Uma ação do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina junto ao Ministério Público do Trabalho resultou em ajustamento de conduta com nove itens, que o jornal Notícias do Dia de Florianópolis se compromete em cumprir, a partir de hoje, sob pena de pagamento de R$ 30 mil de multa por infração ou por trabalhador encontrado em situação irregular. As cláusulas que a empresa assumiu o cumprimento são:

1 – orientar os superiores hierárquicos para que deixem de maltratar ou humilhar os trabalhadores;

2 – abster-se de coagir e pressionar os empregados;

3 – promover esclarecimentos quanto ao tema assédio moral, com no mínimo duas palestras e distribuição de material escrito a cada trabalhador. As palestras devem ser realizadas em até 60 dias, assim como a entrega do material impresso;

4 – parar de descontar, dos trabalhadores, qualquer valor que não aqueles legais;

5 – creditar todas as fotos publicadas, inclusive as de arquivo, assim como cessar a comercialização de fotos sem a autorização do autor;

6 – remunerar em dobro o trabalho prestado aos domingos e feriados;

7 – manter registro fidedigno da jornada de trabalho;

8 – remunerar as horas extras com o adicional previsto na convenção coletiva;

9 – proceder, em no máximo 30 dias, o enquadramento dos repórteres-fotográficos e ilustrador que estão sem registro profissional, encaminhando os documentos necessários ao Sindicato dos Jornalistas.”

nosso cinema no oscar

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Não ligo para o Oscar. Não acho que seja um grande prêmio nem ao menos que seja um índice de qualidade de produção. Não mesmo. Basta lembrar que “Rocky, o lutador” venceu na categoria melhor filme no comecinho dos anos 80. (Ou a safra estava muito ruim ou o colégio eleitoral que votou no filme de Stallone não ia ao cinema com freqüência).

Então, não entro nessa torcida por um Oscar. Para mim, é besteira. Como se torcêssemos por nossa miss num concurso de beleza. Claro que isso não me impede de dizer que foi uma injustiça Gwineth Paltrow levar a estatueta de melhor atriz por “Shakespeare Apaixonado” ao invés de Fernanda Montenegro por “Central do Brasil”. A veterana é mais atriz e está a milhas de distância segura da loirinha.

De qualquer forma, e dito tudo isso, preciso confessar que gostei bastante da escolha do governo brasileiro do filme que vai representar o país na triagem para a categoria de melhor filme estrangeiro. Escolheram “O ano em que meus pais saíram de férias”. Não pude vê-lo na telona, mas vi em DVD. E foi um assombro.

Em maio deste ano, no meu blog anterior, cheguei a dar minhas impressões nitidamente emocionadas sobre o filme. Ele é belíssimo. Para que você não precise ir ao meu endereço antigo, reproduzo abaixo o que escrevi à época. Hoje, eu quase nem mexeria no texto. A impressão ficou. As imagens permaneceram.

Noite passada, assisti a O Ano Em Que Meus Pais Saíram De Férias, longa de Cao Hamburger. E já de início, é preciso dizer: é um dos filmes mais emocionantes do cinema nacional dos últimos dez anos. Bem realizado, na medida e sem rodeios, o filme é de uma sensibilidade contagiante.A história é simples: 1970, e os jovens pais de um garoto de uns 8 anos deixam o filho com o avô. Os pais “vão sair de férias”, quando na verdade se intui que são perseguidos políticos. Acontece que o avô morre antes mesmo de o menino ser recebido. Então, Mauro – o menino – é acolhido pelo pessoal do bairro do Bom Retiro, notadamente judeus e descendentes de italianos. Os dias se passam e o menino aguarda os pais, pois a promessa era de que a volta se daria na Copa do Mundo. Simples assim.

Mas vai além. Não é um filme de crianças. Não é um filme com crianças só. Mas é um daqueles que nos fazem voltar à infância. Futebol de botão. Bola de capotão batendo na parede encardida do vizinho. Brincar na rua. Apaixonar-se pela bela atendente da padaria. Tanta coisa… Há também a incontornável solidão da infância que todos sentimos: brincar solitário, mergulhar sozinhos no mundo da fantasia e dos sonhos mais eternos.

Se você gosta de comparações, já temos um Cinema Paradiso, mas sem a homenagem à sétima arte. Já temos um Malena, sem Monica Belucci. Mas não só. Meu entusiasmo me faz lembrar da singela trilha sonora, dos planos inteligentes que recortam o cenário da São Paulo moderna e nos mostram apenas a São Paulo amanhecida, amarratoda, periférica, imunda e inesquecível, amável e perdida no tempo.

Gargalhei, me identifiquei, e me emocionei. Lá pelo final, cheguei a pensar que o filme poderia terminar na bela seqüência que recupera as comemorações em Guadalajara do Tri da seleção. Cenas documentais num belo filtro azul-saudade. Mas não. Cao Hamburger ofereceu mais. Inclusive a narração do personagem na última cena: um punhado de frases que me inundou os olhos”.

lista de pesquisadores-blogueiros: crescendo!

A idéia está se espalhando e muita gente vem mandando suas contribuições.

A lista dos pesquisadores do campo da Comunicação que mantêm seus blogs já ultrapassou os 150 links, vindos de várias partes do mundo, e sempre blogando em Português.

Acesse a lista dos brasileiros aqui.

 Acesse a lista completa, lusófona, aqui.

32 capas de disco que mudaram tudo

Sim, a música muda o mundo.
The Best Article Every Day faz uma listinha de 32 álbuns que chacoalharam o mundo. Não só pelos acordes, mas pelo que mostravam na capa…

Veja e faça a sua lista.

cassandra wilson: é domingo!

É domingo, é primavera!
Começa a semana, começa uma nova estação no ano, mais quente, mais colorida, mais promissora.

Otimismo meu? Talvez.

Mas talvez seja um tempo em que se possa ficar mais perto de quem se queira bem. Mais perto por mais tempo.
Cassandra Wilson canta lindamente Closer To You, de Jakob Dylan, no seu mais recente disco Thunderbird

 

 

How soft a whisper can get
When your’re walking through a
Crowded space
I hear every word being said
And i remember that everyday
I get a little bit closer to you

How long an hour can take
When you’re staring into open
Space
When i feel i’m slipping further
Away
I remember that everyday
I get a little bit closer to you

These are the days
That i won’t get back
I won’t hear you cry
Or hear you laugh
And when it’s quiet
And i don’t hear a thing
I can always hear you breathe

You know there’s nowhere else
I’ve wanted to be
Than be there when you needed me
I’m sorry too
But don’t give up on me
And just remember that when you
Were asleep
I got a little bit closer to you 

(Se não encontrou a canção por aí, mas ainda assim quer ouvir a voz aveludada de Cassandra, vá até o YouTube e acesse um slideshow onde a música serve de tema.
Feche os olhos e abra os ouvidos.
Deixe a nova estação entrar)

sobre querer ficar

Durante quatro meses, o Brasil inteiro assistiu à fritura do presidente do Senado e sua insistente autodefesa. Os indícios, as provas, os testemunhos apontavam para uma série de irregularidades, de improbidades e de imoralidades. O lógico apontaria para a cassação do mandato, para o afastamento da presidência, enfim, para a retirada de Renan Calheiros do posto.

Ele bateu o pé, pois não queria sair. Fora eleito para aquilo. Representava a vontade e o interesse de eleitores alagoanos, e depois, representava a vontade do governo e seus aliados para presidir o Senado Federal.

Não queria sair, e não saiu.

Agora, mas não é de agora, assisitimos a outra fritura: a do presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Milton Zuanazzi. Ele também não quer sair. Bate o pé, faz beicinho e manda recado pela assessoria: ninguém tira ele de lá pois tem mandato pra cumprir.

Sabe, eu não votei no Zuanazzi. Nem no Renan. Eu não indiquei nenhum deles. Mas vi estupefato que não fizeram muito nem pelo Senado, nem pelo país, nem pela aviação. Eles não transformaram as suas áreas em campos de excelência. Não mudaram o panorama de suas áreas. Mas querem se manter em seus postos, em seus empregos.

A justificativa é a legimitidade de processos eleitorais. Ok, estamos numa democracia, mas a democracia não prevê apenas a escolha de quem nos representa, mas também a alternância de poder e regras para destituir aqueles que ferem as regras básicas do exercício de suas funções. Zuanazzi não foi eleito, mas indicado. Renan foi escolhido, mas quebrou o decoro.

Não votei em Renan. Não indiquei Zuanazzi. 

Como cidadão brasileiro, não reconheço esses dois servidores públicos investidos nessas funções. Se estivessem na iniciativa privada, já teriam sido punidos ou desligados. No serviço público, escamoteam-se em regras ardilosas pretensamente democráticas. O serviço público deveria ser mais moralizante e exemplar. E se assim o fosse, nem mais lembraríamos os nomes dessas pessoas. 

novo código de ética dos jornalistas

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou o texto final do novo Código de Ética do Jornalista Brasileiro. O processo de modernização do instrumento começou em 2004 e se estendeu até julho deste ano, com democrático debate nacional.

  • Para saber mais sobre esse andamento, leia aqui.
  • Para saber como especialistas avaliam o novo código, veja aqui.
  • Se você tem fôlego e interesse, leia o que já comentei desse tema aqui. Ou navegue pelas tags (aí ao lado) e busque “Ética Jornalística”

Veja a íntegra do documento:

Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros

Capítulo I – Do direito à informação

Art. 1º O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros tem como base o direito fundamental do cidadão à informação, que abrange seu o direito de informar, de ser informado e de ter acesso à informação.
Art. 2º Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que:
I – a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente de sua natureza jurídica – se pública, estatal ou privada – e da linha política de seus proprietários e/ou diretores.
II – a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público;
III – a liberdade de imprensa, direito e pressuposto do exercício do jornalismo, implica compromisso com a responsabilidade social inerente à profissão;
IV – a prestação de informações pelas organizações públicas e privadas, incluindo as não-governamentais, é uma obrigação social.
V – a obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação, a aplicação de censura e a indução à autocensura são delitos contra a sociedade, devendo ser denunciadas à comissão de ética competente, garantido o sigilo do denunciante.
Capítulo II – Da conduta profissional do jornalista

Art. 3º O exercício da profissão de jornalista é uma atividade de natureza social, estando sempre subordinado ao presente Código de Ética.
Art. 4º O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, razão pela qual ele deve pautar seu trabalho pela precisa apuração e pela sua correta divulgação.
Art. 5º É direito do jornalista resguardar o sigilo da fonte.
Art. 6º É dever do jornalista:
I – opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;
II – divulgar os fatos e as informações de interesse público;
III – lutar pela liberdade de pensamento e de expressão;
IV – defender o livre exercício da profissão;
V – valorizar, honrar e dignificar a profissão;
VI – não colocar em risco a integridade das fontes e dos profissionais com quem trabalha;
VII – combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercidas com o objetivo de controlar a informação;
VIII – respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão;
IX – respeitar o direito autoral e intelectual do jornalista em todas as suas formas;
X – defender os princípios constitucionais e legais, base do estado democrático de direito;
XI – defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, dos adolescentes, das mulheres, dos idosos, dos negros e das minorias;
XII – respeitar as entidades representativas e democráticas da categoria;
XIII – denunciar as práticas de assédio moral no trabalho às autoridades e, quando for o caso, à comissão de ética competente;
XIV – combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.
Art. 7º O jornalista não pode:
I – aceitar ou oferecer trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial, a carga horária legal ou tabela fixada por sua entidade de classe, nem contribuir ativa ou passivamente para a precarização das condições de trabalho;
II – submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação;
III – impedir a manifestação de opiniões divergentes ou o livre debate de idéias;
IV – expor pessoas ameaçadas, exploradas ou sob risco de vida, sendo vedada a sua identificação, mesmo que parcial, pela voz, traços físicos, indicação de locais de trabalho ou residência, ou quaisquer outros sinais;
V – usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime;
VI – realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha sobre organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor, empregado, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas;
VII – permitir o exercício da profissão por pessoas não-habilitadas;
VIII – assumir a responsabilidade por publicações, imagens e textos de cuja produção não tenha participado;
IX – valer-se da condição de jornalista para obter vantagens pessoais.

Capítulo III – Da responsabilidade profissional do jornalista

Art. 8º O jornalista é responsável por toda a informação que divulga, desde que seu trabalho não tenha sido alterado por terceiros, caso em que a responsabilidade pela alteração será de seu autor.
Art 9º A presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística.
Art. 10. A opinião manifestada em meios de informação deve ser exercida com responsabilidade.
Art. 11. O jornalista não pode divulgar informações:
I – visando o interesse pessoal ou buscando vantagem econômica;
II – de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes;
III – obtidas de maneira inadequada, por exemplo, com o uso de identidades falsas, câmeras escondidas ou microfones ocultos, salvo em casos de incontestável interesse público e quando esgotadas todas as outras possibilidades de apuração;
Art. 12. O jornalista deve:
I – ressalvadas as especificidades da assessoria de imprensa, ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, o maior número de pessoas e instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente aquelas que são objeto de acusações não suficientemente demonstradas ou verificadas;
II – buscar provas que fundamentem as informações de interesse público;
III – tratar com respeito todas as pessoas mencionadas nas informações que divulgar;
IV – informar claramente à sociedade quando suas matérias tiverem caráter publicitário ou decorrerem de patrocínios ou promoções;
V – rejeitar alterações nas imagens captadas que deturpem a realidade, sempre informando ao público o eventual uso de recursos de fotomontagem, edição de imagem, reconstituição de áudio ou quaisquer outras manipulações;
VI – promover a retificação das informações que se revelem falsas ou inexatas e defender o direito de resposta às pessoas ou organizações envolvidas ou mencionadas em matérias de sua autoria ou por cuja publicação foi o responsável;
VII – defender a soberania nacional em seus aspectos político, econômico, social e cultural;
VIII – preservar a língua e a cultura do Brasil, respeitando a diversidade e as identidades culturais;
IX – manter relações de respeito e solidariedade no ambiente de trabalho;
X – prestar solidariedade aos colegas que sofrem perseguição ou agressão em conseqüência de sua atividade profissional.

Capítulo IV – Das relações profissionais

Art. 13. A cláusula de consciência é um direito do jornalista, podendo o profissional se recusar a executar quaisquer tarefas em desacordo com os princípios deste Código de Ética ou que agridam as suas convicções.
Parágrafo único. Esta disposição não pode ser usada como argumento, motivo ou desculpa para que o jornalista deixe de ouvir pessoas com opiniões divergentes das suas.
Art. 14. O jornalista não deve:
I – acumular funções jornalísticas ou obrigar outro profissional a fazê-lo, quando isso implicar substituição ou supressão de cargos na mesma empresa. Quando, por razões justificadas, vier a exercer mais de uma função na mesma empresa, o jornalista deve receber a remuneração correspondente ao trabalho extra;
II – ameaçar, intimidar ou praticar assédio moral e/ou sexual contra outro profissional, devendo denunciar tais práticas à comissão de ética competente;
III – criar empecilho à legítima e democrática organização da categoria.

Capítulo V – Da aplicação do Código de Ética e disposições finais

Art. 15. As transgressões ao presente Código de Ética serão apuradas, apreciadas e julgadas pelas comissões de ética dos sindicatos e, em segunda instância, pela Comissão Nacional de Ética.
§ 1º As referidas comissões serão constituídas por cinco membros.
§ 2º As comissões de ética são órgãos independentes, eleitas por voto direto, secreto e universal dos jornalistas. Serão escolhidas junto com as direções dos sindicatos e da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), respectivamente. Terão mandatos coincidentes, porém serão votadas em processo separado e não possuirão vínculo com os cargos daquelas diretorias.
§ 3º A Comissão Nacional de Ética será responsável pela elaboração de seu regimento interno e, ouvidos os sindicatos, do regimento interno das comissões de ética dos sindicatos.
Art. 16. Compete à Comissão Nacional de Ética:
I – julgar, em segunda e última instância, os recursos contra decisões de competência das comissões de ética dos sindicatos;
II – tomar iniciativa referente a questões de âmbito nacional que firam a ética jornalística;
III – fazer denúncias públicas sobre casos de desrespeito aos princípios deste Código;
IV – receber representação de competência da primeira instância quando ali houver incompatibilidade ou impedimento legal e em casos especiais definidos no Regimento Interno;
V – processar e julgar, originariamente, denúncias de transgressão ao Código de Ética cometidas por jornalistas integrantes da diretoria e do Conselho Fiscal da FENAJ, da Comissão Nacional de Ética e das comissões de ética dos sindicatos;
VI – recomendar à diretoria da FENAJ o encaminhamento ao Ministério Público dos casos em que a violação ao Código de Ética também possa configurar crime, contravenção ou dano à categoria ou à coletividade.
Art. 17. Os jornalistas que descumprirem o presente Código de Ética estão sujeitos às penalidades de observação, advertência, suspensão e exclusão do quadro social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.
Parágrafo único – Os não-filiados aos sindicatos de jornalistas estão sujeitos às penalidades de observação, advertência, impedimento temporário e impedimento definitivo de ingresso no quadro social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.
Art. 18. O exercício da representação de modo abusivo, temerário, de má-fé, com notória intenção de prejudicar o representado, sujeita o autor à advertência pública e às punições previstas neste Código, sem prejuízo da remessa do caso ao Ministério Público.
Art. 19. Qualquer modificação neste Código só poderá ser feita em congresso nacional de jornalistas mediante proposta subscrita por, no mínimo, dez delegações representantes de sindicatos de jornalistas.

Vitória, 04 de agosto de 2007.
Federação Nacional dos Jornalistas

controle social das concessões em radiodifusão

Tem campanha nas ruas!

Entidades do movimento social, estudantil e sindical e outras organizações que lutam pelo Direito à Comunicação saem às ruas para exigir critério e transparência na renovação das concessões de rádio e TV.
Leia mais no Intervozes.

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novo piso de jornalista em sc

A notícia foi divulgada hoje mesmo pelo Sindicato dos Jornalistas.
Leia a nota:

“A Delegacia Regional do Trabalho (DRT) acaba de homologar o acordo coletivo dos jornalistas de Santa Catarina, definindo cláusulas econômicas e sociais para a categoria.

O acordo coletivo tem validade entre 1º de maio de 2007 a 30 de abril de 2008.

A partir de 1º de maio de 2007, o piso dos jornalistas que atuam em Santa Catarina passou de R$ 1.010,00 para R$ 1.050,00 – um reajuste de 3.99% -, para jornada de trabalho de 5 horas/dia.

Os demais salários tiveram reposição da inflação do período, que foi de 3.44%.

Os salários acima de R$ 5.001 (cinco mil e um centavo) receberam reajuste de R$ 172,00.

O acordo coletivo 2007/2008 traz uma novidade:a  taxa de reforço, que assegura o desconto de 1% do salário de cada jornalista, uma vez ao ano,  como uma contribuição de fortalecimento sindical. O desconto só será feito mediante a concordância do jornalista. Caso o jornalista não queira contribuir  deve encaminhar documento ao SJSC desautorizando o desconto.  

Para saber mais sobre esta cláusula e ler o acordo coletivo na íntegra, acesse www.sjsc.org.br

as lições do dr. house

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Gregory House me fascina e me desconcerta. O médico rude, que evita contato com pacientes e que faz de diagnósticos verdadeiras peças de mistério, não poderia existir. Não porque não existam médicos briosos e que salvem vidas com a mesma obstinação de House e de seus dedicados pupilos. House não poderia existir porque esbarraria na primeira esquina do corredor. O Hospital-Escola no qual trabalha não admitiria nem manteria um médico como aquele, por mais brilhante que fosse. Isso porque na Medicina (como no Jornalismo), profissionalismo não se escreve apenas com o P de procedimentos técnicos acertados, de perícia. Mas também com o P de prudência, e House é tudo menos prudente.

Seus métodos são heterodoxos, suas condutas são repreensíveis e suas insubordinações mais desviam do que educam os jovens médicos de sua equipe. Ele não é um bom professor, pelo menos no modelo dos velhos mestres. House não tem paciência, não é repetitivo, e nem se preocupa com isso. Não está lá para ensinar.

Alguém poderia completar: está lá para salvar vidas.

Será mesmo?

Não tenho esta certeza. House não é do tipo humanitário. Não é idealista, nem missionário. Pouco ou quase nada lhe interessa. Quando inevitável, atende um ou outro paciente. Com desdém. Mas não porque desrespeite o doente, a dor alheia. Acho que não. House tenta se focar no que interessa. Quando vê que o paciente não tem nada de efetivamente grave, chacoalha os ombros e saca recomendações tão surpreendentes quanto suas tiradas sarcásticas.

House se interessa apenas pelos grandes casos, os mais desafiadores e delicados. Os mais controversos e obscuros. Os mais confusos. O homem é um cerebral, um investigador de casos clínicos. O conjunto mais complexo e improvável de sintomas chama-lhe a atenção de imediato. Atrai seus dois curiosos olhos azuis. E lá vai mancando até a causa.

Aliás, taí uma metáfora inteligentíssima dos produtores da série de TV: o detetive das moléstias arrasta-se até o agente causador da doença. O médico dá passos tortuosos rumo à sanidade. Assim caminha a humanidade.

De quebra, os produtores colocam um médico fora de série com um defeito físico que o fragiliza diante de seus pares e dos pacientes. Mas que nada. O ponto mais sensível de House é em outra parte, mais acima, no ego. Não é à toa que ele gosta dos grandes casos, afinal se considera um grande craque, e com isso não há tempo a perder. A cena clássica que se repete é House, apoiado em sua bengala, inclinado em frente a um quadro branco com um pincel atômico na outra mão. Está numa sala de reuniões e os jovens médicos de sua equipe passam a desfilar prováveis causas que explicariam aquele estranho comportamento do paciente. House vai descartando um a um. Os diagnósticos se liquefazem, derramam-se diante do mestre. Nada passa de teatro. Parece que House já sabe desde o início.

Se sabe, a gente é que não sabe.

Com isso, o indisciplinado médico aterroriza a administradora do Hospital-Escola com seus procedimentos indesejáveis, confunde a jovem Cameron e desagrada a Chase e a Foreman. Apenas o doutor Wilson, o oncologista pouco mais velho que os pupilos, demonstra ter algum acesso à caverna de sentimentos que House guarda.

Mas pouco vemos disso. Há muitas vidas a salvar e doenças as mais absurdas a se esconder atrás de falsos diagnósticos, de leituras equivocadas de raios x, de efeitos colaterais que se travestem de sintomas.

House, embora não queira, ensina muito. A quem o acompanha no cotidiano clínico e a quem assiste a sua performance. Aprendemos que sempre os males têm início em coisas miúdas, microscópicas, invisíveis. Lembre-se: House é um infectologista, e todas as suas respostas apontarão vírus, fungos, bactérias ou coisinhas desse tamanho. Parece o óbvio, mas não é. Na vida, é assim também. Os grandes problemas não são causados por grandes agentes, mas por coisas periféricas, aparentemente sem importância. Nossos maiores impasses começam com picuinhas, com coisinhas mal resolvidas que teimamos em jogar para baixo do tapete.

House ensina ainda que as coisas não são resultados de algo isolado, mas que há uma combinação de fatores. Assim, não é apenas o vírus W3 que provoca a doença, mas a predisposição genética do paciente, e seu comportamento desregrado, associados ainda a um fator do acaso que teria desencadeado toda a seqüência. De novo, na vida, é assim. Não é a gota d´água que transbordou o copo a mais importante. Outras mais possibilitaram aquele estado de coisas, e outros aspectos contribuíram para que deixassem a torneira suficientemente aberta.

House ensina, apronta um monte e faz com que às vezes, a gente ame odiá-lo. Ele manipula os mais jovens, chega a torturar pacientes para que dêem consentimentos a certas tarefas, ignora o risco e parece querer brincar de deus a todo momento. E com a vida alheia.

São raras as vezes que erra. Sua intuição ou persistência, ou sandice, não falham.

Mas House não poderia existir na realidade. Não iria longe, como já foi este post. Foreman o processaria por discriminação. Camerom se apaixonaria por ele, o que pode ser a ruína do médico. Chase faria beicinho. A comissão de ética do hospital o afastaria de suas funções em poucas semanas. O Conselho Federal de Medicina cassaria seu registro. O conselho do hospital o demitiria.

Aí, House iria claudicando até outro seriado. Não chegaria a Lost, pois é muito longe. Talvez se aproximasse de E.R., mas seu ego não passaria da porta. Em C.S.I., nada o atrairia: lá, as pessoas já morreram, e o desafio é outro. Possivelmente, House observasse Monk de longe, vendo nele uma boa oportunidade de clinicar. Mas desistiria em dois minutos: ninguém poderia ser mais esquisito e cheio de manias que ele…

blogueiros no brasil e em portugal (2)

As listas de pesquisadores da comunicação que mantêm blogs no Brasil e nos países de Língua Portuguesa continuam crescendo. Na última atualização, contamos com 114 links do Brasil e mais 25 de Portugal. Agradeço a todos que vêm mandando sugestões e apontando correções.

Para facilitar, criei dois botões no menu para que os visitantes cheguem mais rápido às listas.

micos jornalísticos

Existem centenas de trapalhadas jornalísticas espalhadas no YouTube, em blogs e sites especializados. Mas Ana Laux reúne em seu blog o que se pode chamar de tudo menos de jornalismo. Tentou-se até fazer jornalismo, mas o acaso rouba a cena e vigora a Lei de Murphy.

Se o seu dia não foi bom, acesse. Vai ficar mais leve…

Se foi bom, por que não terminar melhor ainda?

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publique ou morra!

9ª EDIÇÃO DA REVISTA PJ:Br (ISSN 1806-2776) CONVIDA ACADÊMICOS E PROFISSIONAIS A PUBLICAR ARTIGOS, ENSAIOS E ENTREVISTAS

De 10 de outubro a 30 de novembro de 2007, a Revista PJ:BR Jornalismo Brasileiro (ISSN 1806-2776) recebe trabalhos para a sua edição nº.9.
TEMAS – Os trabalhos, em qualquer linha de pesquisa, podem ser sobre aspectos locais, regionais, nacionais ou internacionais do Jornalismo (impresso, audiovisual ou digital), desde que atendam à prerrogativa de reflexão acadêmica e/ou profissional.
AUTORES – O envio de colaborações é indicado a pesquisadores, professores, escritores, profissionais e graduandos de comunicação, mas não há restrições à participação de autores de outras áreas, desde que restrita à temática.
FORMATO – Os textos (acompanhados pelas respectivas autorizações de publicação) devem ter até 20 páginas (A4), em formato doc ou rtf, tipo Times New Roman, corpo 12, espaço simples, justificado, com bibliografia imprescindível e notas (indicadas no texto, sem sobrescrito e entre chaves; exemplo [1], e não:1) no final do texto, além de uma breve (até 5 linhas) biografia do autor. As imagens devem estar no formato jpg, com 72 dpi e legendadas.
Serão privilegiados os texto inéditos, mas reproduções também serão aceitas, sob avaliação. Os trabalhos devem ser enviados para os endereços:marcelojanuario@terra.com.br – Marcelo Januário (Editor) e valkneip@usp.br – Valquíria Passos Kneipp (Editora-Assistente).
PJBr –  Jornalismo Brasileiro é uma publicação acadêmica eletrônica e está disponível no endereço www.eca.usp/pjbr , um projeto vinculado à Escola de Comunicações e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo (USP), com a coordenação de José Marques de Melo.

evento em portugal

Jorge Pedro Sousa manda avisar:

 “Abertas inscrições com e sem comunicação nas III Jornadas Internacionais de Jornalismo
(Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal, 14 de Março de 2008)

Estão abertas as inscrições para participação, com e sem comunicação, nas III Jornadas Internacionais de Jornalismo, organizadas pelo Centro de Estudos da Comunicação da Universidade Fernando Pessoa e subordinadas ao tema genérico “Jornalismo e Democracia Representativa”.

As comunicações plenárias, que reflectirão o tema central das Jornadas, estarão a cargo de prestigiados professores e pesquisadores de diversas universidades portuguesas, europeias, brasileiras e norte-americanas, bem como de jornalistas de diferentes meios, esperando os organizadores contribuir, dessa forma, para uma discussão alargada sobre a pesquisa em jornalismo.

Serão admitidas, em paralelo, 32 comunicações de tema livre, desde que relacionadas com o jornalismo.

Todas as comunicações admitidas, entregues dentro do prazo e formatadas de acordo com as normas constantes na chamada para trabalhos serão publicadas em CD-ROM com ISBN.

A ficha de inscrição, informações sobre o programa do evento, chamada para trabalhos (call for papers), normas para inclusão dos textos no CD de actas das Jornadas, prazos e lista de inscritos encontram-se disponíveis on-line em:

http://www.ufp.pt/events.php?intId=10046

É de salientar que a simples assistência às Jornadas é inteiramente livre, mas não confere direito a documentação, CD de actas e certificado de participação. Os participantes que desejem obter certificado de participação e restante material têm de se inscrever formalmente no evento e pagar a respectiva taxa, havendo preços especiais para estudantes de graduação e pós-graduação, jornalistas, bolseiros e grupos.

Mais informações podem ser obtidas através deste e-mail

quando nietzsche chorou

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Ontem à noite, assisti à versão cinematográfica do best-seller de Irvin Yalom. Muito se tem dito sobre o livro e sobre o autor, cujos títulos circulam pelas livrarias brasileiras. Já pensei em ler, mas ainda não consegui. Mas na verdade, este post está mais interessado mesmo no filme, em como é contado o encontro fictício entre Breuer e Nietzsche.

Vamos por partes, como disse aquele rapaz dos becos de Londres…

Breuer é um médico conhecido na mítica Viena do final do século retrasado, o 19. É rico, afamado, e professor de um jovem médico, o doutor Freud. Aliás, a ele confiou a paciente Bertha, codinome Ana O.

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Pois Breuer é procurado pela irriquieta e irresistível Lou Salomé, amiga íntima de Nietzsche e muito preocupada com seu estado de saúde. O filósofo, ainda desconhecido, anda deprimidíssimo, à beira do suicídio. Lou roga para que Breuer trate do amigo. Breuer se convence – não pela causa em si – mas pela moça em si.

A aproximação do médico e paciente será o fio condutor da história, convidando os demais pacientes a pensar sobre filosofia, sonhos, psicologia, desejos, viva e morte, sentidos da existência, dor e felicidade.

O filme é ruim, seja pela precária ambientação ou pelos desastrados efeitos especiais (defeitos especiais?) que retratam os sonhos e pesadelos de Breuer. Lou Salomé é retratada de forma frívola, superficial, volúvel. Breuer chega a ser caricato. Mas apesar de tudo, algo que se sobresai e ganha a noite. Armand Assante na pele do filósofo. Assante compõe um personagem pulsante, arcado pela culpa e pela dor, carregado de sentimentos represados.

O espectador é devorado pelos olhos esbugalhados de um Nietzsche já adoentado e atormentado. Aliás, com a cabeleira revolta e um imenso bigode cobrindo-lhe a boca, resta ao ator a expressividade de seus olhos e os olhares que dispara. O corpo se movimenta em cena com rapidez, de forma inesperada. O ritmo é sobressaltado, e as mãos do filósofo ganham envergadura de tenazes. Pouco se vê delas. Assim como o próprio tenta esconder seus sentimentos, suas frustrações e medos.

Ele tenta.

As cenas finais, com um Nietzsche em estado de total vulnerabilidade, são lindíssimas, tocantes, transbordantes. A fortaleza rui e os cacos se espalham, mas a uma distância controlada. Por alguns segundos, o filósofo deixa cair-lhe a máscara e revela a si e ao doutor o que tanto estremece seu peito e quase faz explodir sua cabeça.

É um belíssimo trabalho de ator. Foi o que me valeu ao ver o filme.

Gostei muito do Nietzsche que Assante nos apresenta. Ele está nas páginas dos seus livros, nas metáforas poderosas como golpes de martelo, na pregação anti-cristã, na ousadia de contestar a moral vigente.
O Nietzsche de Assante é humano, demasiado humano.

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brasileiro gosta de blogar, viu!

Sabe qual o blog brasileiro com maior autoridade no Technorati? O Burajiru! Isso mesmo: se pronuncia como se fosse japonês. Com força e entonação, inclinando o tronco e a cabeça. E sabe o que mais? É um blog de uma brasileira que escreve do Japão para brasileiros por lá e por toda a parte.

Quer dizer, brasileiro gosta de blogar em qualquer lugar. E onde quer que esteja, passa e comenta e linka os blogs que gosta. O Burajiru! está bombando!

Tá, isso é puramente empírico. Não há de científico nisso. Mas precisa ser?
É domingo, meu!

blogueiros no brasil e em portugal

Atualizei a lista lusófona dos pesquisadores em comunicação que também são blogueiros.

Para se ter uma idéia, são 19 links de Portugal e mais 109 do Brasil.

Se você tem alguma sugestão, mande pra cá.
E veja: valem também os blogs da África e de outras partes do mundo onde se fala português.

Confira a lista aqui.

monitor de mídia em nova fase

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Colocamos hoje na rede mais uma edição do Monitor de Mídia, site que acompanha a imprensa catarinense desde 2001. Mas desta vez, chegamos aos leitores com novo site, novas preocupações e uma renovada proposta de monitoramento da mídia local.

A reforma não foi só estética, pelo que se pode constatar. Ficamos mais um de mês em reuniões de revisão do projeto, de planejamento de ações e de ajustes na rotina interna da equipe para que tudo pudesse funcionar.

Em meio a isso, o sistema de criação e alimentação de páginas web da Univali mudou, e com isso, sofremos diversos problemas operacionais. A edição que já está na rede resistiu a uma avalanche de entraves tecnológicos, mas está pronta para ser lida e criticada pelos leitores.

O que mudou? Ora, vá lá conferir.

Se você já era nosso leitor, entre e fique à vontade. Se não era, seja bem-vindo. Se gostou do que viu, conte pros amigos. Se não gostou, já sabe: indique para os inimigos.

comunicação: ruídos

Notei hoje que meus emails não estavam sendo devidamente recebidos pelas pessoas. Percebi também que minha caixa postal estava mais vazia do que habitualmente.

Também, pudera!

Os correios estão em greve!

senadores catarinas e renan

Só pra constar. O G1 trouxe matéria em que 46 senadores teriam votado contra Renan ontem. Isso mesmo 46, mas o placar só mostrou 35… epa… se não fossem senadores, eu até poderia acusá-los de estar mentindo…

Como os senadores por Santa Catarina votaram?

Raimundo Colombro (DEM) afirmou ter votado pela cassação.

Neuto de Conto (PMDB) não abriu o voto.

Ideli Salvati (PT) não divulgou o voto.

Nem precisa. Ideli respondeu aos repórteres que a decisão foi “soberana”.
Neuto é do mesmo partido que Renan.

pesquisa em jornalismo no sul: evento

O Mestrado em Jornalismo da UFSC promove de 18 a 20 de setembro, na semana que vem, um simpósio sobre a pesquisa em jornalismo nos estados do sul. 

Programação

18 de setembro de 2007 – terça-feira
9 horas – Abertura do Evento
9h 30min – Mesa 1:
A experiência da pesquisa em Jornalismo nos Programas de Pós-Graduação da Região Sul

  • Profa. Dra. Christa Berger – Unisinos
  • Profa. Dra. Cláudia Quadros – Tuiuti
  • Prof. Dr. Jacques Wainberg – PUC-RS
  • Profa. Dra. Luciana Mielniczuk – UFSM
  • Profa. Dra. Virgínia Fonseca – UFRGS

14 horas – Reunião (restrita) entre os representantes dos programas para articulação de Rede de Pesquisa

19 de setembro de 2007 – quarta-feira
9 horas – Mesa 2:
Oportunidades de inovação e demandas do setor produtivo na Pesquisa Avançada em Jornalismo

  • Professor Doutor Elias Machado – Presidente da SBPJor
  • Jornalista Marcelo Rech – Diretor Editorial da Associação Nacional dos Jornais
  • Jornalista Luiz Fernando Rocha Lima, diretor de Jornalismo do grupo O Popular, de Goiânia, membro do Comitê Editorial da ANJ
  • Jornalista Cláudio Thomas – Editor Chefe do Diário Catarinense e co- coordenador da Cátedra UFSC-RBS
  • Jornalista José Roberto Garcez – Presidente da Radiobras
  • Jornalista Maria José Braga – Secretária Geral da Federação Nacional de Jornalistas

12 horas – Reunião (restrita) entre os representantes do setor produtivo e os pesquisadores para prospectar possibilidades de parceria

15 horas – Mesa 3:
A Pesquisa em Fundamentos do Jornalismo no Mestrado da UFSC (Linha 1)

  • Prof. Dr. Francisco Karam
  • Prof. Dr. Orlando Tambosi
  • Profa. Dra. Gislene Silva
  • Profa. Dra. Daisi Vogel

17 horas: Mesa 4:
A Pesquisa em Processos e Produtos Jornalísticos no Mestrado da UFSC (Linha 2)

  • Prof. Dr. Nilson Lemos Lage
  • Prof. Dr. Eduardo Meditsch
  • Prof. Dr. Elias Gonçalves
  • Profa. Dra. Tattiana Teixeira

20 de setembro de 2007 – quinta-feira
9 horas – Mesa 5:
A Pesquisa Avançada em Jornalismo e as Agências de Fomento: Experiência e Perspectivas

  • Prof. Dr. Juremir Machado da Silva – Representante da Área de Comunicação no CNPq
  • Prof. Dr. Marcius Freire – Representante da Área de Comunicação na Capes
  • Prof. Dr. Representante da Fapesc
  • Prof. Dr. Luiz Martins da Silva – Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação – UnB

11 horas – Conferência de Encerramento:
A importância da memória e da tradição na Pesquisa Avançada em Jornalismo
Prof. Dr. José Marques de Melo – Presidente da Intercom e Titular da Cátedra Unesco-Umesp

tempo, ele ainda

Na circunferência mais próxima do bambolê que chamo de blogosfera, tá todo o mundo assim.

Adri Amaral reclama da pauleira.

Raquel Recuero diz que passa depois.

Marcia Benetti não tem tempo, mas sono e saudade de sobra.

brasília é uma festa!

Um minuto após sair o resultado no painel do Senado, minha esposa chamou no celular. Com voz desanimado, deu a absolvição de Renan Calheiros. Eu andava pelo campus, indo de um prédio a outro, e deixei escapar uma risadinha. “Com esse placar, alguém roeu a corda. Esses seis aí é que decidiram”, eu disse.

A análise não é nem um pouco brilhante ou profunda. Mas a frase me saiu como um soluço. E o fato é que – mais uma vez – quem venceu, quem deu as cartas foi o baixo clero, os parlamentares menos decididos ou não suficientemente convencidos de um relatório que antes fora acachapante: 11 a 4 no Conselho de Ética.

Como na eleição de Severino Cavalcanti, os menos-midiáticos, os mais-apáticos mostraram que a engenharia das urnas é complexa, como os intestinos da nação.

Cheguei em casa, minutos depois da ligação, e corri pra ver o que Noblat dava em seu blog. Um repórter secreto, infiltrado na sessão, mandava informes e o blogueiro reproduzia. Os portais ficaram a reboque. As emissoras, perdidinhas, já que a decisão de manter a sessão secreta atou-lhe as mãos.

Agora há pouco, zapeando pelos diversos telejornais, vi e ouvi uma montanha de mentiras e frase de efeito que – de tão pretensiosas – não chegarão vivas até o domingo. “O Senado morreu!”. “Este é o pior dia da política brasileira”. “Oposição e situação terão que trabalhar juntas para restituir a credibilidade do senado”. Mentiras, cinismo, pantomimas.

Quem está preocupado com isso? Ideli Salvati? Mercadante? Renan? Demóstenes Torres? Gabeira? Eu? Você?

Um amigo está de malas prontas para o Planalto. Vai assumir a assessoria de imprensa de um órgão federal. Antes de ir a um boteco em Santana para fazer seu bota-fora e ver o jogo da seleção, ele prometeu: “Se tiver oportunidade, empurro o Renan na rampa!”

correio arrasa com a capa de hoje

O Correio Braziliense de hoje oferece aos seus leitores mais uma daquelas capas antológicas.
Não vou dizer mais nada. Veja você mesmo…

(clique para ampliar)

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do velho chico via-blog

A dica é da Zeca Baldessar.

“Colegas, indico o blog das  minhas orientandas, Carol e Ticiani, que estão percorrendo Pernambuco para conhecer de fato o que é essa tal de transposição.  Depois da viagem o material recolhido vai ser transformado em dois produtos: uma grande reportagem em texto e um produto cross mídia”.

Fui conferir. E gostei. Boa, meninas!!!