velho é você!

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Meu amigo Josenildo manda a notícia, que não é nova, mas a culpa é minha que deixei escapar… Uma vovó de 95 anos ganhou prêmio de melhor blog espanhol (indicado pelo público e pelo júri, é mole?). O UOL deu a notícia (em vídeo e para assinantes). Mas se você quiser conferir o blog da Maria Amélia, clique aqui.

Mas não é modismo não. Maria Amelia é vanguarda desde sempre: foi a primeira socialista da sua região e foi a primeira a usar biquíni, isso nos idos de…

Quem disse que esse negócio de blog é coisa de adolescente?

em aracaju

Troquei Salvador pela capital sergipana há pouco. Hoje, começa o 5º encontro da SBPJor. Ainda devo um post-balanço do Fórum Internacional Mídia, Poder e Democracia. Vou deixar por aqui, logo-logo. Por aqui, continuo fora do horário de verão e o calor é quase senegalês. Sempre na faixa dos 30 graus. O ar condicionado de meu novo quarto é valente, embora barulhento. Estou no Nascimento Praia Hotel, indicação de um amigo. É bem na orla da praia, pena que há muitos afazeres no evento. (Ainda não terminei de preparar minha comunicação, por exemplo…)

O hotel é simples, e acaba de chegar uma turma de motoqueiros, tipo Hell´s Angels, mas com motos mais potentes. House já quer fazer amizade…

house procura uma agenda

Doutor Gregory House usa uma agenda muito pequena. Não passa de dez ou doze centímetros de altura o livrinho. Mais parece um daqueles pequenos volumes do Novo Testamento dos Gideões… Sua estratégia é simples: usar uma agenda pequena para ter uma vida mais tranqüila. Quanto menor a página da agenda, menos espaço no dia para compromissos… é lógico e linear.

Há dois anos, usa agendas do tipo. Já teve grandes como cadernos e livros, e hoje se vale dessas pequenas. Não é fácil encontrar esse tipo de agenda. Nem toda livraria vende, embora seja fabricada por uma empresa bastante conhecida.

Estamos em meados de novembro, e House vê se aproximar o ano novo. Precisará de mais uma agenda. Se não fosse agenda – que é algo que já vem com data de vencimento -, ele comprava uma dúzia delas e não precisaria se preocupar durante a próxima década. Mas não é assim…

House está em Salvador para um congresso médico e foi atrás da tal agenda. Tentou em New Jersey, nos arredores do hospital escola, em São Paulo (nos dois aeroportos que visitou) e nada.

Arrastando a perna no Campo Grande, Centro e arredores da cidade velha, House foi atrás da agenda. Como bofetadas, recebeu todo tipo de resposta:

“Tem não, moço!”

“Ôxi! Precisa ser dessa pequenininha? Leva da grande!”

“Homi, o que tem de agenda tá naquele balaio!”

“Rapaizi, tem essa daqui, que é bem pequititinha!”

House explica que a agenda mostrada é de endereços. Ele procura a de compromissos.

“Ôxi! Num é a mesma coisa? Usa assim mesmo!”

House resmunga, rumina e continua aventurando sua perna arrebentada nas ladeiras íngrimes de calçamento irregular. House já se arrepende de estar em novembro. Se pudesse, voltava para março. O médico não quer mais acabar 2007 e começar um novo ano.

salvador, 31 graus: fútil indispensável

  • Na noite de terça, não teve ensaio do Olodum

  • O ônibus para Pau Miúdo passa de 40 em 40 minutos na rua sete de setembro
  • A conexão de internet cai no hotel; cai na lan house; cai no cybercafe. Baianos ficam irritadíssimos: bufam e esperam “ela voltar”
  • Metade da cidade ontem comemorou o retorno do Vitória à elite do futebol brasileiro. A outra metade foi dormir com dor de cotovelo
  • Nos camelôs, nas lojinhas de uma porta só, em lugar nenhum se acha joguinhos piratas de PlayStation. O rapa passou por aqui?
  • A biografia de Edir Macedo está nas principais livrarias da cidade. Matéria de Heloisa Villela – hoje cedo – mostra que o livro foi lançado na sede da ONU, em New York. O cinegrafista até fechou o foco, mas não deu pra esconder que os presentes eram meia dúzia e que a repórter estava verdadeiramente constrangida: o chefe do jornalismo da Record, Douglas Tavolaro, que escreveu o livro, estava lá, assinando a obra. O nordeste não é a terra do jabá…
  • Acarajés podem ser encontrados a três mangos no Pelourinho.

cardápio de pizzaria gospel

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Parece mentira, mas não é. Kadw me mostrou o folheto que serve de menu e de propaganda de uma pizzaria de Balneário Camboriú (SP SC), que é simplesmente inacreditável.

A pizzaria é a Polonesa Gospel, e a variedade dos pratos é de rolar de rir: são nomes de personagens bíblicos, livros da Bíblia, apóstolos e por aí vai. A chamada no folder já mostra a que veio: “Conheça a Bíblia através das pizzas e lanches gospel! Comerás do trabalho das tua (sic) mãos; feliz serás, e te (sic) irá bem. 128:2”

Destaco cinco sabores especiais:

  • Êxodo – parmesão, tomate e anchovas (será que essa pizza manda todos embora?)
  • Lamentações de Jeremias – mussarela, calabresa, pimentão, cebola e orégano (alguém tem coragem de pedir uma pizza que tem lamentação no nome?)
  • Tomé – mussarela, chocolate e leite condensado (esse sabor é para descrentes?)
  • Evangelho de São João – mussarela, milho verde e orégano (acredite! a pizzaria oferece os quatro evangelhos!)
  • Apocalipse – o já consagrado pepperoni, combinado com champinhon, cebola e azeitonas verdes (com esse nome, a pizza deve ser a última da noite)

Não, a Polonesa não tem site. Mas você pode pedir, que eles entregam. Se quiser conferir todo o cardápio, vá até a própria pizzaria. Ela fica em três endereços, na Vila Real, no Bairro das Nações e no Centro de Balneário Camboriú.

são paulo, campeão!

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 Se não for nesta quarta, será depois, no final de semana ou ainda mais tarde. Mas é irreversível: o São Paulo Futebol Clube será bicampeão brasileiro, acumulando cinco títulos em sua história. Oito razões para isso:

1. A classificação mostra a superioridade do time na competição. A meia dúzia de rodadas do final, temos 70 pontos contra 55 do segundo colocado.

2. Nossa defesa é bem montada, o meio-de-campo é honesto e o ataque até faz gols, embora esteja longe de ser maravilhoso. Não temos nenhum matador.

3. Temos o melhor goleiro do país há anos. Melhor porque sabe se posicionar, porque agarra pênaltis, porque fecha o gol quando é preciso. Basta ver quantos jogos o São Paulo ficou sem levar gols este ano.

4. Rogério Ceni é o melhor porque é o mais moderno goleiro do futebol mundial. Faz a sua obrigação, atua como liderança inteligente em campo, e faz gols, oferecendo uma nova movimentação do time. Bate faltas e pênaltis muito bem, e redefine, redesenha a própria estatura deste personagem que é tão martirizado no futebol que a grana nem cresce sob seus pés. (Olha que eu sei do estou falando. Ceni é o melhor goleiro da história do clube. Sou da época em que tínhamos Toinho, um crioulão que só jogava com camisas cinzas, e de Valdir Peres, careca-frangueiro e que mesmo assim foi pra seleção! O Dunga não sabe de nada!)

5. Dagoberto e Richarlyson são os melhores no país em suas posições.

6. Muricy Ramalho é marrento, mas sabe montar o time (menos contra os Milionários…)

7. O time manteve um ritmo de trabalho que garantiu a pontuação que hoje permite a passagem da faixa a dois meses do final do ano!

8. Não é um time brilhante, nem especial. É um time coeso, regular, linear. Mas é uma equipe que soube impor um ritmo a si mesma e manteve essa coisa por mais rodadas que os demais. O Botafogo tentou. O Santos e o Cruzeiro também. Todos ficaram pelo caminho. A regularidade é o maior trunfo do São Paulo este ano. E não é pouca coisa quando se está falando de um campeonato com tantos competidores e com 38 rodadas…

Claro que estou feliz com essa conquista. É ótimo. Mas será melhor se o Corinthians cair…

PS – Juca Kfoury acaba de dizer uma barbaridade na Linha de Passe, a mesa redonda das segundas à noite na ESPN Brasil. “O São Paulo deveria conquistar o campeonato e dar a taça para o Flamengo, que foi injustiçado em …., quando não lhe deram o quinto campeonato…” Ora, bolas! Quer dizer que uma equipe batalha o ano todo (em mais de uma competição simultaneamente), vence, abre uma diferença de 15 pontos do segundo colocado, e aí, dá o troféu pra quem faz uma campanha medíocre? Em nome do quê? Bom mocismo? Vejam bem: Já deram o Prêmio Nobel da Paz deste ano pro Al Gore… Me poupe!

O futuro do Corinthians

A pouquíssimas rodadas do final do Brasileirão deste ano, recebi previsões do que os corinthianos lerão nas manchetes dos cadernos de esportes em 2008.
 
Maio/2008
  • Timão estréia com otimismo na série B
  • Derrota na fazendinha na estréia não desanima, diz Nelsinho
  • Empate heróico com o Remo motiva jogadores
  • Corinthians perde para o CRB no Pacaembu
 
Junho/2008
  • Contra o Marília é tudo ou nada
  • Nelsinho cai após derrota no interior
  • Felipe reclama dos companheiros
  • Betão pede respeito com a camisa do Timão
  • Timão é goleado em Jundiaí. Paulista jogou com 9
Agosto/2008
  • Candinho assume no Parque
  • Fortaleza quer aproveitar o mau momento do Timão
  • Após derrota, Corinthians é lanterna
  • Corinthians vence a primeira em Brasília
  • Gustavo Néri afirma que agora vai
  • Everton Santos ansioso para o clássico de terça à noite com o Azulão
Setembro/2008
  • Com ajuda do juiz, Timão vence o Santo André
  • Santa Cruz complica e Corinthians perde mais uma no Canindé
  • Candinho ameaçado. Kalunga promete Felipão
  • Candinho pede demissão e assume Luis Carlos Ferreira
  • Moradei será o capitão contra o Sport
  • Zelão faz contra e é demitido após nova derrota
  • Luis Carlos Ferreira deixa o Corinthians
  • Corinthians teria sondado Luxemburgo
 Outubro/2008
  • Pitú assume como técnico interino
  • Vampeta é reintegrado, ele tem moral com a torcida, diz Pitú
  • Corinthians vence de virada fora de casa e dá o troco no CRB
  • Garcia diz: Pitú é o melhor técnico do Brasil
  • Com gol no finalzinho, Avaí Mirim bate timão
  • Pitú cai e Timão fica sem técnico
  • Corinthians faz proposta oficial a Oswaldo de Oliveira
  • Oswaldo prefere ficar no Gama
  • Oswaldo justifica: Aqui recebo em dia 
Novembro/2008
  • Ricardo Teixeira fala em Série A com 80 clubes em 2008
  • Corinthians perde no ABC e torcida intercepta ônibus do time
  • Tiãozinho (técnico do Barueri) fala em poupar jogadores contra o Timão
  • Jair Pereira assume e critica Dunga por não convocar Finazzi
  • Zelão garante: Não seremos rebaixados
  • Finazzi volta a ser titular contra o Ceará
  • Ceará faz 4 a 0 e está próximo dos líderes
  • Ponte bate o Corinthians na Javari por 4 a 1 e foge do rebaixamento
Dezembro/2008
  • Ninguém sabe onde está o Citadini
  • Corinthians apela à CBF a duas rodadas do final
  • PCC faz rebelião nos presídios após rebaixamento
  • Vampeta mesmo afastado pede calma a Torcida
  • Bahia e Bragantino sobem para a Série B
  • Corinthians cai para a Série C superando somente o Remo na tabela
  • Relojoaria Pagé briga com Supermercado do Bairro para ser patrocinador da nova camisa
  • Citadini vem com novidades depois de 4 meses na Europa; anuncia Rincon como técnico para o ano que vem

o fim está próximo, mas quem liga?

Meu time perdeu ontem e está fora da Copa Sulamericana.

No emprego, eu trabalho, trabalho e não dou conta.

Estou perdendo cabelos, mais do que antes.

Briguei com a balança.

Os ursos polares estão se ferrando com o degelo no pólo norte.

Mas nem tudo está perdido.

 

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Segundo o G1, nas bancas de Paris, na segunda…

esses gaúchos

Meu post sobre os gaúchos produziu risadas e ranger de dentes. Um pouco de cada, na verdade. E uma ou outra ameaça de morte por parte de umas amigas do Rio Grande. Mas como sou corajoso – sou casado com uma gaúcha, o que significa viver com uma mulher-com-faca-na-bota -, retomo o assunto que me é sempre fascinante: identidades.

Ando por aí e não conheço nenhum povo brasileiro com identidade mais marcada e esbravejada que os gaúchos. Não apenas os reforços dos estereótipos de plantão, mas um conjunto de traços que desaguam num sentimento que me parece genético entre eles: o orgulho. São orgulhosos de seus feitos, de sua história, de sua terra, de sua cultura. São tão orgulhosos que transpiram arrogância ou um pouco de presunção. Alguns são hiperbólicos, outros megalomaníacos. Mas são invejáveis na sua disposição por fazer e acontecer, e na grande satisfação de mostrar seus feitos.

Orgulham-se de um passado sangrento; de lutar pela terra; de seus times de futebol viverem epopéias; de seus livros serem épicos; de suas vidas serem tragédias cantadas em verso e prosa. São fascinantes porque contagiam, porque envolvem e porque teorizam sobre suas existências.

Agora à noitinha, apanhei um livrinho – por conta do tamanho e não da importância, não me trucidem, gaúchos! – de um grande compositor gaúcho, Vitor Ramil: A estética do frio. Na verdade, o livro é a versão escrita bilíngüe (português, francês) de uma conferência que o músico deu na Suíça, sob o pretexto de falar de sua trajetória e de sua relação com a cultura que o cerca e que o ajuda a ser o que é. Pois Vitor Ramil, em vinte e poucas páginas, percorre sua vida e a formação de seu imaginário íntimo para determinar uma busca estética que ajude a unificar seus trabalhos e sua produção musical.

Ramil – o irmão menos conhecido da dupla Cleiton e Cledir, e o mais talentoso de todos – elege o frio como um traço distintivo do que faz e a milonga, como expressão aglutinadora do sentimento-canção que o move no seu fazer cotidiano. Ok, o frio e a milonga, a contemplação e a melancolia, mas o que tem a ver com os gaúchos? Ora, penso que muito. Se há uma intensa alegria nas tertúlias, vigora também uma saudade-de-não-sei-o-quê. Se há um orgulho de ser da terra, esse sentimento lateja em qualquer latitude que os gaúchos estejam: seja porque está feliz junto à terra natal, seja porque sente a nostalgia de um exilado, de um expatriado.

Ainda corroboro com a lenda de que há um grande plano gaúcho para conquistar o mundo. As células de disseminação disso seriam os CTGs (Centros de Tradição Gaúcha), espalhados por todo o globo. Tem gaúcho em tudo o que é lugar. Há CTGs em Rondônia, churrascarias nos Estados Unidos, torrões do pampa no Japão globalizado. Como diria Flávio Rangel, citado por Vinicius de Morais, “são as raízes!”

tecnologia: americanos, argentinos e gaúchos

Minha amiga Laura, que é gaúcha, mandou a seguinte notícia.  Ela jura de pé junto que saiu no jornal. Eu acredito.

“Durante escavações nos EUA arqueólogos descobriram, a 100 m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam de do ano 1000. Os americanos concluíram que seus antepassados já dispunham de uma rede telefônica naquela época.

Os argentinos, para não ficarem para trás, escavaram também seu sub-solo, encontrando restos de fibras ópticas a 200 m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham 2.000 anos de idade. Os argentinos concluíram, triunfantes, que seus antepassados já dispunham de uma rede digital a base de fibra óptica quando Jesus nasceu!

Uma semana depois, no Rio Grande do Sul, foi publicado o seguinte anúncio:
‘Após escavações arqueológicas no sub-solo de Bagé, Santa Maria, Pelotas, Cotiporã, Fagundes Varela, Vila Flores, Vila Maria, Itapuca e diversas outras cidades, até uma profundidade de 500 metros, os cientistas gaúchos não encontraram absolutamente nada. Eles concluem que os antigos gaúchos já dispunham há 5.000 anos de uma rede de comunicações
sem-fio.”

meme da página 161

Dauro Veras me incumbiu (e a mais quatro blogueiros) a dar continuidade a este meme, surgido originalmente no Inagaki . Como Dauro manda…  passo adiante:

1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abrir na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) Repassar para outros 5 blogs.

O meu livro é Os jornais podem desaparecer?, de Philip Meyer.

A frase é:
“Primeiro, vamos fazê-lo do ponto de vista do leitor e contar apenas a percentagem bruta de erros”
Repasso a mais cinco blogueiros a missão de prosseguir com a corrente: Joel Minusculi, RogerKW, Larissa Tjelsen, Marcia Benetti e Adri Amaral.

pitacos sobre a mídia

Como é domingo, e como estamos no final dele, nada demais em jogar conversa fora. Ainda mais sobre a mídia.

Nas bancas de jornal, três capas me chamaram muito a atenção ontem. Duas delas trouxeram um assunto de fundamental importância, de interesse altamente público, pauta histórica para nossas redações: o assalto a Luciano Huck.

A Revista da Semana veio com “Os ricos não podem reclamar?” Nem vou mostrar. De vergonha…

A Época – veja abaixo – faz um close-up em preto e branco e coloca uma tarja na boca do apresentador, como se tivesse sido censurado. A sorte é que a tarja não é preta, e mais parece um post-it. Só falta o Huck fazer mais beicinho e dizer que foi perseguido, silenciado…

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Mas nas bancas há coisas que nos aborrecem menos. A capa da Exame deste mês – anunciada como uma das três especiais de celebração dos 40 anos da revista – é um primor de planejamento gráfico, de criatividade e de equilíbrio. Para mim, uma das melhores capas do ano. Layout de dar inveja!!!

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Comecei com as revistas, mas terminar com a TV. TV fechada. Há poucas horas, eu me dividia entre três emissoras na transmissão da excepcional estréia brasileira nas Eliminatórias da Copa de 2010: Globo, ESPN Brasil e BandSports. Enquanto as duas primeiras enviaram narradores, repórteres e comentaristas para Bogotá, a BandSports colocou Silvio Luiz para narrar o jogo de seus estúdios em São Paulo. O repórter – vez em quando – falava ao celular com o narrador. E o comentarista era ninguém menos que o Ademar, aquele carequinha do São Caetano, lembra?

Nossa! Foi chato até. Teve uma hora em que a geradora colombiana mostrou imagens de baixo para cima que focalizavam as luzes do estádio se acendendo e gotículas de chuva ainda manchavam a lente da câmera. Silvio Luiz confundiu tudo aquilo com a chegada da lua aos céus de Bogotá…

Pior que isso só mesmo a final do Mundial de Futebol Feminino. A Band não mandou ninguém pra China e Luciano do Vale narrou o jogo daqui mesmo. No final, na hora de entrevistar as craques, a Band precisou que Pedro Bassan – da Globo – fizesse perguntas a Marta… Pode?

é a vez de renan na playboy

Meu amigo Frank Maia tem uns contatos fortes na Playboy.
Como as coisas andam muito bem por lá – a edição da Monica Veloso “tá bombando” -, os caras da Abril querem continuar na mesma linha. Já até decidiram quem será a capa do mês que vem

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uma charada para o domingo

 Aos fiéis leitores, aos visitantes bissextos e aos pára-quedistas bem-vindos,

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Afinal, de quem são os olhos monitoradores do banner aí acima neste blog?

(O primeiro a acertar leva como prêmio um livro à escolha)

gaveta do autor atualizado

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Vá ao site

32 capas de disco que mudaram tudo

Sim, a música muda o mundo.
The Best Article Every Day faz uma listinha de 32 álbuns que chacoalharam o mundo. Não só pelos acordes, mas pelo que mostravam na capa…

Veja e faça a sua lista.

as lições do dr. house

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Gregory House me fascina e me desconcerta. O médico rude, que evita contato com pacientes e que faz de diagnósticos verdadeiras peças de mistério, não poderia existir. Não porque não existam médicos briosos e que salvem vidas com a mesma obstinação de House e de seus dedicados pupilos. House não poderia existir porque esbarraria na primeira esquina do corredor. O Hospital-Escola no qual trabalha não admitiria nem manteria um médico como aquele, por mais brilhante que fosse. Isso porque na Medicina (como no Jornalismo), profissionalismo não se escreve apenas com o P de procedimentos técnicos acertados, de perícia. Mas também com o P de prudência, e House é tudo menos prudente.

Seus métodos são heterodoxos, suas condutas são repreensíveis e suas insubordinações mais desviam do que educam os jovens médicos de sua equipe. Ele não é um bom professor, pelo menos no modelo dos velhos mestres. House não tem paciência, não é repetitivo, e nem se preocupa com isso. Não está lá para ensinar.

Alguém poderia completar: está lá para salvar vidas.

Será mesmo?

Não tenho esta certeza. House não é do tipo humanitário. Não é idealista, nem missionário. Pouco ou quase nada lhe interessa. Quando inevitável, atende um ou outro paciente. Com desdém. Mas não porque desrespeite o doente, a dor alheia. Acho que não. House tenta se focar no que interessa. Quando vê que o paciente não tem nada de efetivamente grave, chacoalha os ombros e saca recomendações tão surpreendentes quanto suas tiradas sarcásticas.

House se interessa apenas pelos grandes casos, os mais desafiadores e delicados. Os mais controversos e obscuros. Os mais confusos. O homem é um cerebral, um investigador de casos clínicos. O conjunto mais complexo e improvável de sintomas chama-lhe a atenção de imediato. Atrai seus dois curiosos olhos azuis. E lá vai mancando até a causa.

Aliás, taí uma metáfora inteligentíssima dos produtores da série de TV: o detetive das moléstias arrasta-se até o agente causador da doença. O médico dá passos tortuosos rumo à sanidade. Assim caminha a humanidade.

De quebra, os produtores colocam um médico fora de série com um defeito físico que o fragiliza diante de seus pares e dos pacientes. Mas que nada. O ponto mais sensível de House é em outra parte, mais acima, no ego. Não é à toa que ele gosta dos grandes casos, afinal se considera um grande craque, e com isso não há tempo a perder. A cena clássica que se repete é House, apoiado em sua bengala, inclinado em frente a um quadro branco com um pincel atômico na outra mão. Está numa sala de reuniões e os jovens médicos de sua equipe passam a desfilar prováveis causas que explicariam aquele estranho comportamento do paciente. House vai descartando um a um. Os diagnósticos se liquefazem, derramam-se diante do mestre. Nada passa de teatro. Parece que House já sabe desde o início.

Se sabe, a gente é que não sabe.

Com isso, o indisciplinado médico aterroriza a administradora do Hospital-Escola com seus procedimentos indesejáveis, confunde a jovem Cameron e desagrada a Chase e a Foreman. Apenas o doutor Wilson, o oncologista pouco mais velho que os pupilos, demonstra ter algum acesso à caverna de sentimentos que House guarda.

Mas pouco vemos disso. Há muitas vidas a salvar e doenças as mais absurdas a se esconder atrás de falsos diagnósticos, de leituras equivocadas de raios x, de efeitos colaterais que se travestem de sintomas.

House, embora não queira, ensina muito. A quem o acompanha no cotidiano clínico e a quem assiste a sua performance. Aprendemos que sempre os males têm início em coisas miúdas, microscópicas, invisíveis. Lembre-se: House é um infectologista, e todas as suas respostas apontarão vírus, fungos, bactérias ou coisinhas desse tamanho. Parece o óbvio, mas não é. Na vida, é assim também. Os grandes problemas não são causados por grandes agentes, mas por coisas periféricas, aparentemente sem importância. Nossos maiores impasses começam com picuinhas, com coisinhas mal resolvidas que teimamos em jogar para baixo do tapete.

House ensina ainda que as coisas não são resultados de algo isolado, mas que há uma combinação de fatores. Assim, não é apenas o vírus W3 que provoca a doença, mas a predisposição genética do paciente, e seu comportamento desregrado, associados ainda a um fator do acaso que teria desencadeado toda a seqüência. De novo, na vida, é assim. Não é a gota d´água que transbordou o copo a mais importante. Outras mais possibilitaram aquele estado de coisas, e outros aspectos contribuíram para que deixassem a torneira suficientemente aberta.

House ensina, apronta um monte e faz com que às vezes, a gente ame odiá-lo. Ele manipula os mais jovens, chega a torturar pacientes para que dêem consentimentos a certas tarefas, ignora o risco e parece querer brincar de deus a todo momento. E com a vida alheia.

São raras as vezes que erra. Sua intuição ou persistência, ou sandice, não falham.

Mas House não poderia existir na realidade. Não iria longe, como já foi este post. Foreman o processaria por discriminação. Camerom se apaixonaria por ele, o que pode ser a ruína do médico. Chase faria beicinho. A comissão de ética do hospital o afastaria de suas funções em poucas semanas. O Conselho Federal de Medicina cassaria seu registro. O conselho do hospital o demitiria.

Aí, House iria claudicando até outro seriado. Não chegaria a Lost, pois é muito longe. Talvez se aproximasse de E.R., mas seu ego não passaria da porta. Em C.S.I., nada o atrairia: lá, as pessoas já morreram, e o desafio é outro. Possivelmente, House observasse Monk de longe, vendo nele uma boa oportunidade de clinicar. Mas desistiria em dois minutos: ninguém poderia ser mais esquisito e cheio de manias que ele…

quando nietzsche chorou

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Ontem à noite, assisti à versão cinematográfica do best-seller de Irvin Yalom. Muito se tem dito sobre o livro e sobre o autor, cujos títulos circulam pelas livrarias brasileiras. Já pensei em ler, mas ainda não consegui. Mas na verdade, este post está mais interessado mesmo no filme, em como é contado o encontro fictício entre Breuer e Nietzsche.

Vamos por partes, como disse aquele rapaz dos becos de Londres…

Breuer é um médico conhecido na mítica Viena do final do século retrasado, o 19. É rico, afamado, e professor de um jovem médico, o doutor Freud. Aliás, a ele confiou a paciente Bertha, codinome Ana O.

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Pois Breuer é procurado pela irriquieta e irresistível Lou Salomé, amiga íntima de Nietzsche e muito preocupada com seu estado de saúde. O filósofo, ainda desconhecido, anda deprimidíssimo, à beira do suicídio. Lou roga para que Breuer trate do amigo. Breuer se convence – não pela causa em si – mas pela moça em si.

A aproximação do médico e paciente será o fio condutor da história, convidando os demais pacientes a pensar sobre filosofia, sonhos, psicologia, desejos, viva e morte, sentidos da existência, dor e felicidade.

O filme é ruim, seja pela precária ambientação ou pelos desastrados efeitos especiais (defeitos especiais?) que retratam os sonhos e pesadelos de Breuer. Lou Salomé é retratada de forma frívola, superficial, volúvel. Breuer chega a ser caricato. Mas apesar de tudo, algo que se sobresai e ganha a noite. Armand Assante na pele do filósofo. Assante compõe um personagem pulsante, arcado pela culpa e pela dor, carregado de sentimentos represados.

O espectador é devorado pelos olhos esbugalhados de um Nietzsche já adoentado e atormentado. Aliás, com a cabeleira revolta e um imenso bigode cobrindo-lhe a boca, resta ao ator a expressividade de seus olhos e os olhares que dispara. O corpo se movimenta em cena com rapidez, de forma inesperada. O ritmo é sobressaltado, e as mãos do filósofo ganham envergadura de tenazes. Pouco se vê delas. Assim como o próprio tenta esconder seus sentimentos, suas frustrações e medos.

Ele tenta.

As cenas finais, com um Nietzsche em estado de total vulnerabilidade, são lindíssimas, tocantes, transbordantes. A fortaleza rui e os cacos se espalham, mas a uma distância controlada. Por alguns segundos, o filósofo deixa cair-lhe a máscara e revela a si e ao doutor o que tanto estremece seu peito e quase faz explodir sua cabeça.

É um belíssimo trabalho de ator. Foi o que me valeu ao ver o filme.

Gostei muito do Nietzsche que Assante nos apresenta. Ele está nas páginas dos seus livros, nas metáforas poderosas como golpes de martelo, na pregação anti-cristã, na ousadia de contestar a moral vigente.
O Nietzsche de Assante é humano, demasiado humano.

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comunicação: ruídos

Notei hoje que meus emails não estavam sendo devidamente recebidos pelas pessoas. Percebi também que minha caixa postal estava mais vazia do que habitualmente.

Também, pudera!

Os correios estão em greve!

tempo, ele ainda

Na circunferência mais próxima do bambolê que chamo de blogosfera, tá todo o mundo assim.

Adri Amaral reclama da pauleira.

Raquel Recuero diz que passa depois.

Marcia Benetti não tem tempo, mas sono e saudade de sobra.

o coelho de alice

Hoje, não estou sem assunto. Estou sem tempo.

O coelho de Alice vive me perseguindo. Impertinente, bate com o indicador no vidro do relógio, e tamborila o chão com a patinha.

Para exorcizá-lo, invoco Caetano Veloso e sua “Oração ao tempo”:

És um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho 
Tempo Tempo Tempo Tempo, 
vou te fazer um pedido 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
Compositor de destinos, 
tambor de todos os ritmos 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
entro num acordo contigo 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
Por seres tão inventivo e pareceres contínuo 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
és um dos deuses mais lindos 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
Que sejas ainda mais vivo no som do meu estribilho 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
ouve bem o que te digo 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
Peço-te o prazer legítimo e o movimento preciso 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
quando o tempo for propício 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
De modo que o meu espírito ganhe um brilho definido 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
e eu espalhe benefícios 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
O que usaremos pra isso fica guardado em sigilo 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
apenas contigo e migo 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
E quando eu tiver saído para fora do círculo 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
não serei nem terás sido 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
Ainda assim acredito ser possível reunirmo-nos 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
num outro nível de vínculo 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
Portanto peço-te aquilo e te ofereço elogios 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
nas rimas do meu estilo 
Tempo Tempo Tempo Tempo 
 

aBUNDAncias

Consta que Drummond era um bundófilo. Vinicius de Morais também, e Ziraldo até lançou revista enaltecendo as abundâncias metafórico-metafísicas nacionais. Embora bunda ainda não tenha sido tombada pelos órgãos patrimoniais, ela é um monumento que se reverencia nas praças, nos museus, nas ruas, no ônibus, na praia, em casa, pela TV, em qualquer lugar.

A bunda mobiliza todos os sentidos humanos, ninguém fica de fora.

E a apropriação da palavra em diversos outros sentidos, mostram não apenas a incoerência da dialética bundal mas também a amplitude do que ela significa para todos nós. Nascer de bunda pra lua é ser bafejado pela sorte. Bundão é um sujeito pusilânime. Povinho-bunda é uma nação desarticulada. Bunda-molice é atestado de incompetência, inaptidão. Bunda-suja é um cidadão reles. E mesmo achincalhando com a bunda na boca, cultivamo-la na sua singeleza curvilínea.

Elas são paradoxais. São únicas, mas são plurais. Afinal, na matemática-dos-quadris, uma bunda tem duas bandas. Tal como o cérebro tem dois lobos. Neste país, há quem pense com a bunda. E por que não?

Já vimos a banda passar, mas continuamos a ver a bunda passar. Ela nos obriga a olhar de revés, encarar o verso das pessoas, o que há por trás delas. Sejam as nádegas, o bumbum ou qualquer sinônimo que a anatomia permita.

Drummond foi certeiro ao escrever:

A bunda, que engraçada

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda
redunda.

Vinicius cantou a bunda de diversas formas. Em verso e canção.

Ziraldo dizia que sua revista Bundas “era a cara do Brasil”.

Certa noite, num lugar público qualquer, João Ubaldo Ribeiro foi interpelado por uma senhora indignada com seu mais recente livro A Casa dos Budas Ditosos (eu disse budas!). “O senhor é um devasso mesmo! Escreveu um monte de pornografias nesse livro. Parece que sabe muito do que escreveu. Por acaso o senhor já deu a bunda?”
Mais rápido que de costume, o escritor respondeu: “Não, minha senhora. Mas já comi muitas”

O fato é que só há pouco as mulheres também vêm se manifestando sobre ela, a bunda. Mas o movimento ainda é muito tímido, localizado, como as celulites. As mulheres têm comentado a preferência no que tange jogadores de futebol, atores e celebridades em geral. Não se trata, portanto, de machismo o culto à coisa em si. Mas de prazer estético, o que às vezes descamba também para o erótico.

Há doutores no assunto. Bundablog é um site carioca que presta serviço público, reunindo bundófilos, bundólogos, bundófagos e bundólatras. Perceba a importância dessa iniciativa e o contingente populacional a que serve. Há milhões de bundófilos no Brasil. Alguns são bundófagos, outros sofrem de bundolatria. Mas bundólogos há poucos, por isso é importante recorrer a especialistas em momentos especiais.

Se você se encaixa em algum dos perfis acima, vá direto à coisa.
Se achou esse post bunda-demais, levanta a sua da cadeira e vá exercitar os glúteos.

faz pouco tempo, mas faz uma diferença…

Algumas coisas parecem ter mudado há milhões de anos, mas faz pouco, muito pouco…

  • O cep só tinha cinco dígitos, lembra?
  • As placas dos veículos eram amarelas…
  • … e tinham duas letras e quatro algarismos…
  • Os números de telefone tinham seis dígitos, e você discava. Isso mesmo: os telefones não tinham teclas.
  • Lutar pelo meio ambiente era coisa de gente sem ter o que fazer.
  • Você comprava filmes e mandava revelar fotos.
  • Aparelhos de telefone celular eram grandes, pesados, caros e só faziam ligações.
  • Ninguém tinha e-mail.
  • Todo mundo tinha medo da inflação e se sobrasse uma graninha, você investia no over night…
  • Havia telefones públicos em quase todas as esquinas e eles funcionavam à base de fichas, lembra?
  • Leite se comprava em saquinhos.
  • Professores usavam mimeógrafos e retroprojetores.
  • Contabilistas usavam papel-carbono.
  • Você comprava discos de vinil e nem imaginava baixar músicas ou comprá-las por unidade na internet.
  • Havia cigarrinhos feitos de chocolate, e eles eram vendidos em bares para as crianças.
  • A Varig era a empresa número 1 da aviação.
  • Você não precisava usar o número da operadora em ligações interurbanas.
  • Sedex 10 era coisa de Flash Gordon.
  • Os meninos se deliciavam com as chacretes.
  • Não havia cartão eletrônico de banco, e você conferia o saldo no caixa…
  • Trabalhos escolares eram feitos à base de Barsa e à máquina de escrever.
  • Cantávamos o Hino Nacional no início das aulas às sextas-feiras.
  • Levantávamos das cadeiras assim que o professor entrasse na sala.
  • Quando a gente aprontava, assinávamos o temível livro-preto na diretoria.
  • Éramos condenados a ficar de castigo na biblioteca da escola.(Bem, ainda é assim. Biblioteca é sinônimo de masmorra. Por isso é que tanta gente lê, gosta e compra livros por aí. Por isso é que há tantos escritores milionários nas cidades. Por isso é que temos administradores, gurus e picaretas diversos palestrando e fazendo micagens a preço de ouro em convenções corporativas… Viva o futuro!)

porque é 7 de setembro…

… e porque Vinicius está em toda a parte, lembro trecho da Carta ao Tom, datada do feriado de um fatídico ano:

“Porto do Havre, 7 de setembro de 1964
Tomzinho querido,
Estou aqui num quarto de hotel que dá para uma praça, que dá para toda a solidão do mundo. São dez horas da noite e não se vê viv’alma. Meu navio só sai amanhã à tarde e é impossível alguém estar mais triste do que eu. (…)
A coisa ruim é que hoje é sete de setembro, a data nacional, e eu sei que em nossa Embaixada há uma festa que me cairia muito bem, com o Baden mandando brasa no violão. Há pouco telefonei para lá para cumprimentar o Embaixador, e veio todo o mundo ao telefone. (…) Você já passou um 7 de setembro, Tomzinho, sozinho, num porto estrangeiro, numa noite sem qualquer perspectiva? (…)
Vou agora escrever para casa e pedir dois menus diferentes para a minha chegada. Para o almoço, um tutuzinho com torresmo, um lombinho de porco, bem tostadinho, uma couvinha mineira – e doce de coco. Para o jantar, uma galinha ao molho pardo, com um arroz bem soltinho – e papos-de-anjo. Mas daqueles como só a mãe da gente sabe fazer; daqueles que se a pessoa fosse honrada mesmo só comeria metida num banho morno, em trevas totais, pensando no máximo na mulher amada. Por aí você vê como eu estou me sentindo: nem cá nem lá”.

[Ouça o poeta lendo a carta no disco que reconstitui o show ao vivo que fez grande sucesso na boate Zum-Zum nos anos 60, quando Vinicius se juntou ao Quarteto em Cy, o Conjunto Oscar Castro Neves e Dorival Caymmi. A capa abaixo é a original do LP, em seguida a remasterizada agora em CD]

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recalls da temporada e uma idéia para as editoras

Uma vez, foi advertido que comprar brinquedos no camelô era perigoso. Não por causa da polícia ou de alguma brigada anti-pirataria, mas porque a maioria dos produtos era made in China e lá corantes e tintas usadas eram venenosos e cheios de metais pesados. Sabe como é, os brinquedos são baratinhos porque os chineses usariam mão-de-obra semi-escrava, além de matérias-primas prejudiciais à saúde…

Pois é. Esta semana, soube de duas notícias que me descadeiraram:

  • A Mattel – a gigante fabricante da Barbie – chamava para um recall de 7 mil brinquedos no Brasil
  • A Fischer-Price – que também é da Mattel e que produz aqueles brinquedos legais e caros – também tem produtos em novo recall

As notícias caem como bombas um mês antes do Dia das Crianças, e deixam os pais, tios, avós e padrinhos de cabelos em pé, pois boa parte das traquitanas foi produzida na China. Sim, sim. Se você gastou 10 reais numa Barbie na esquina ou 40 na loja, tanto faz em termos de segurança pra sua filhinha…

Globalização, my friend. Inclusive de perigos…

Mas falando de recall, me lembro de ter ouvido chamados de indústrias automobilísticas, brinquedos, telefones celulares, baterias de aparelhos… Porém, nunca ouvi falar de recall de bens culturais, como CDs e livros, por exemplo. Esta semana, conversando com minha amiga Valquíria John, falávamos de um livro de autor da Comunicação cheio de problemas conceituais, erros e até impropriedades. Uma amiga nossa chegou a mandar email para a editora, apontando os problemas. A resposta que teve foi de que as falhas seriam sanadas nas próximas edições. “Quer dizer, continuem comprando nossos livros com problemas até esgotarmos os estoques. Depois, venderemos novos revisados”, disse a Valquíria.

E se a editora fizesse um recall???

as 10 maiores pegadinhas

Porque ainda é sábado e porque não fui ao show da Beth Carvalho, anuncio as 10 maiores pegadinhas de todos os tempos. A seleção é de 2spare.com

  • A foto do monstro do Lago Ness
  • Encontrado o diário de Hitler
  • Descoberto o plano judeu para dominar o mundo
  • Estado norte-americano tem nome criado a partir de um engano
  • Alien é autopsiado no caso Roswell
  • Encontrado crânio do elo perdido
  • O papa que era mama
  • A máquina que enganou Napoleão
  • A Microsoft comprou a Igreja Católica
  • Marcianos invadiram a terra

house compra a estante

Finalmente.

Depois de tanto perambular – mancando – pra lá e pra cá, dr. Gregory House encontrou uma estante de livros pra comprar.

Claro que o sensível homem queria um modelo como o abaixo.

aestante.jpg

Entretanto, não foi possível. A divisão de narcóticos está rastreando a área do doutor.
Então, arrematou o modelo a seguir.

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box e blog

Parece trocadilho ou trava-línguas, mas não é.

Alessandro Martins conta o que Muhamad Ali ensina a um blogueiro em seis rounds.

Inspirado e divertido.

frank e a cmpf

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