Marcado: crise na mídia

Um seminário aberto de jornalismo

screenshot-2017-05-14-08-12-37Participo amanhã da abertura da sexta edição do Seminário Aberto de Jornalismo, promovido pela linha de pesquisa Linguagens e Práticas Jornalísticas do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unisinos.

Divido a mesa com a professora Roselyne Ringoot, da Universidade de Grenoble (França). Vou tratar de crise do jornalismo e ética profissional. Mais informações aqui.

Quatro notícias sobre a crise do jornalismo

As más notícias sobre a indústria de notícias também chegam pelos jornais…

FNDC cobra de Dilma a regulação da mídia

(reproduzindo…)

NOTA PÚBLICA DO FNDC:
Regulação da mídia é caminho para consolidar democracia brasileira
A campanha eleitoral colocou o debate sobre a regulação dos meios de comunicação de massa no centro da agenda política do país. Diante do comportamento de parcela da grande mídia e da ausência de um debate plural e efetivamente democrático nos diferentes espaços de formação da opinião pública, a necessidade de um novo marco regulatório para o setor – defendida há mais de dez anos por movimentos sociais e organizações da sociedade civil – mostrou-se uma vez mais urgente.
Neste contexto, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), que há 23 anos reúne centenas de entidades em torno da luta pela ampliação do exercício da liberdade de expressão em nosso país, saúda as declarações da Presidenta Dilma Rousseff de que uma das prioridades de seu próximo mandato será a regulação econômica da mídia. Trata-se de uma medida estratégica para a consolidação da democracia brasileira.
Ao contrário de países democráticos como Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Canadá, Espanha e Argentina, o Brasil pode ser caracterizado hoje por uma brutal concentração dos meios de comunicação, tanto na radiodifusão quanto nos veículos impressos. A internet tem cumprido importante papel no sentido de multiplicar as vozes em circulação na esfera midiática, mas neste espaço também atuam os grandes conglomerados de mídia, reforçando a concentração econômica do setor.
Ao mesmo tempo, carecemos de mecanismos transparentes e democráticos para a concessão de outorgas de radiodifusão e não há no país uma política que garanta a complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal de comunicação, como previsto na Constituição Federal. A ausência de um campo público de comunicação robusto aumenta o poder de mercado do setor privado/comercial, enquanto canais comunitários seguem à margem do sistema midiático.
Dispositivos de fomento à produção nacional, regional e independente estão restritos hoje ao Serviço de Acesso Condicionado (TV por assinatura), a partir da Lei 12.485/2011. Na TV aberta, prevalece a concentração da produção no eixo Rio/São Paulo, a maior parte dos canais já tem mais produção estrangeira que nacional, crescem os casos de sublocação das grades de programação e de transferência de concessões de forma irregular e sem qualquer debate público. A ausência de mecanismos para o direito de resposta nos meios de comunicação também cria um ambiente de violação dos direitos humanos e de restrição à liberdade de expressão de indivíduos e grupos sociais.
Neste cenário, torna-se imperativa a atualização do marco legal das comunicações, no sentido de colocar em prática os princípios constitucionais e de estabelecer regras para a configuração e funcionamento do setor, como já acontece nas mais diferentes áreas. Este novo marco regulatório deve responder às mudanças tecnológicas das últimas décadas e às demandas de uma sociedade mais complexa, que clama pela garantia de seu direito à comunicação. E deve ser resultado de um amplo e plural debate com a população brasileira, há tanto tempo interditado por setores que, em nome da manutenção de seus interesses e privilégios, vem se colocando sistematicamente contra a democratização da comunicação no Brasil.
O compromisso assumido pela Presidenta Dilma durante a campanha eleitoral vai, portanto, ao encontro de uma reivindicação histórica da sociedade civil, sistematizada, desde 2013, no Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Mídia Democrática, que já recebeu o apoio de milhares de cidadãos e cidadãs em todo o país.
Enfrentar as disputas em torno de mudanças estruturais no setor não será, no entanto, tarefa simples. Assim como na pauta da Reforma Política, o desafio exigirá, além da mobilização popular e da decisão política da Presidenta, a liderança de um Ministério das Comunicações guiado pelo interesse público e aberto à participação da sociedade na elaboração e acompanhamento das políticas públicas de comunicação. E, não menos importante, dependerá do envolvimento de parlamentares comprometidos com esta luta e com a construção de uma sociedade mais diversa e democrática.
O FNDC reafirma seu engajamento e de seus comitês e entidades no avanço deste debate público, esperando que a conclusão deste processo seja um marco regulatório democrático e representativo da diversidade de ideias e visões que compõem o povo brasileiro. Também seguiremos vigilantes para cobrar da Presidenta reeleita os compromissos assumidos no âmbito da regulamentação do Marco Civil da Internet e da universalização do acesso à banda larga no país, ambos também fundamentais para a garantia da liberdade de expressão de todas e todos os brasileiros.
O momento exige força e muita energia. O FNDC e suas organizações filiadas prometem intensificar a luta e a mobilização popular no próximo período!
Democracia da mídia JÁ!
Brasília, 7 de novembro de 2014.
Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC

a crise dos jornais chegou ao brasil?

Notícia veiculada hoje no Meio & Mensagem coloca mais fogo na fogueira que discute o futuro do jornal como negócio viável no ambiente pós-mídia. A matéria é assinada por Alexandre Zaghi Lemos, e reproduzo abaixo:

CIRCULAÇÃO DOS MAIORES JORNAIS BRASILEIROS CAIU 7% EM 2009!

Caiu 6,9% a circulação somada dos 20 maiores jornais diários brasileiros em 2009. Apenas seis conseguiram melhorar seus desempenhos de acordo com dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC). São eles: Daqui (31%), Expresso da Informação (15,7%), Lance (10%), Correio Braziliense (6,7%), Agora São Paulo (4,8%) e Zero Hora (2%). Mantiveram-se estáveis Correio do Povo, A Tribuna e Valor Econômico, que encerraram o ano passado com circulações bem próximas às do fechamento de 2008.

Onze títulos viram seus números encolherem durante 2009. Os dois que mais caíram foram os do Grupo O Dia, do Rio de Janeiro: O Dia (-31,7%) e Meia Hora (-19,8%). Também tiveram quedas Diário de S. Paulo (-18,6%), Jornal da Tarde (-17,6%), Extra (-13,7%), O Estado de S. Paulo (-13,5%), Diário Gaúcho (-12%), O Globo (-8,6%), Folha de S. Paulo (-5%), Super Notícia (-4,5) e Estado de Minas (-2%).

Não houve alterações significativas nas posições do ranking, a não ser a evolução contínua de títulos populares como o Dez Minutos, de Manaus, que estreia na 17ª posição, com média diária de 60 mil exemplares – não considerados na conta de queda de 6,9%, pois foi lançado no final do ano passado.

A liderança continua com a Folha de S. Paulo (média diária de 295 mil exemplares), seguida por Super Notícia (289 mil), O Globo (257 mil) e Extra (248 mil). Em quinto lugar está O Estado de S. Paulo (213 mil), à frente do Meia Hora (186 mil) e dos gaúchos Zero Hora (183 mil), Correio do Povo (155 mil) e Diário Gaúcho (147 mil). O top 10 se completa com o Lance (125 mil).

Me chama a atenção a queda na circulação de jornais que antes sustentavam a indústria por aqui, notadamente o Meia Hora, o Extra, o Diário Gaúcho e o Super Notícia. Eles fazem parte de um segmento que a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) chamou de “populares de qualidade”, associados a jornais de rápida leitura, com venda exclusiva em bancas, a preços abaixo dos 2 reais, e com linguagem direta e chamativa.

Pois bem, se os “populares de qualidade” eram a última resistência diante da alardeada crise dos jornais impressos no mundo, a indústria brasileira pode estar ingressando o ano num período duro para sua sobrevivência. Além da crise financeira mundial e da emergência voraz das redes sociais e de formas de informação gratuitas, um outro fator poderia contribuir ainda mais com a queda nas tiragens: a expansão da banda larga entre usuários comuns domésticos… É a tal regra dos 30%, onde se sinaliza que quando um mercado atinge esse patamar de cobertura de banda larga, os jornais começam a sofrer.

Se a regra dos 30% funcionará por aqui e se os jornais estarão amargando o início de uma crise sem precedentes, ainda não se sabe. O que se sabe é que é cada vez mais urgente uma revisão não apenas da sustentabilidade desses segmentos informativos, mas sua própria função dentro de um contexto de consumo midiático como o que temos hoje em dia…

sala de prensa 119 na rede

Acaba de sair a edição  119 de Sala de Prensa, umas das principais referências sobre jornalismo na América Latina.

O sumário é diverso, atual e interessante:

La necesidad de informar en democracia -Carlos Diego Mesa Gisbert

El mundo en que vivimos – Mario Vargas Llosa

El futuro del periodismo – Gideon Lichfield / Clay Shirky

Periodismo y terrorismo – Raúl Trejo Delarbre

(Enero – Junio de 2009) Estado de la libertad de prensa en Colombia

Deterioro de la libertad de expresión en Latinoamérica

No hay caminos en el mar – María Mansilla

Editorial ethics for Twitter journalists – David Brewer

La sangre en Chiapas – José Saramago

Argentina:Propuesta de proyecto de Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual

Brasil: Propuesta de enmienda: Titulación obligatoria de periodistas

velhos jornalistas projetam o futuro do jornalismo

Dois nomes muito influentes no jornalismo norte-americano vêm vaticinando os próximos passos da indústria jornalística – a de meios impressos, em particular – diante da avalanche diária de novidades tecnológicas: Bill Kovach e Philip Meyer.

Esses velhos jornalistas tentam enxergar à frente, pontuando o que teremos a seguir. Tudo bem, eles tratam do mercado dos Estados Unidos, mas não se pode ignorar o cenário de lá para pensar soluções por aqui, não é mesmo?

Aos links, portanto:

Bill Kovach lista doze questões para o futuro do jornalismo

Philip Meyer aponta que o fim dos jornais impressos está mais próximo do que pensávamos

o destino do jornal: um livro, um comentário e muitas questões

Acabo de ler “O destino do jornal”, livro de Lourival Sant’Anna, editado pela Record. A leitura é rápida, o texto é claro e atraente, e o assunto – o leitor deste blog já sabe – me interessa muito. Mas para além dessas rápidas impressões, muitas outras coisas ficam dessa leitura.

A primeira delas é que o livro vem em boa hora, afinal é rara no Brasil a bibliografia que discute jornalismo pelo prisma de negócio, pela vertente mais mercadológica. Parece reinar entre nós um pudor ao tratar de notícias e informações como produtos. Como eu disse, há pouquíssimas obras que se debruçam sobre o nosso jornalismo sem melindres para analisá-lo pela ótica de um mercado, de uma indústria. Vém-me à cabeça o livro da Cremilda Medina – “Notícia: um produto à venda” -, mas que foi editado há pelo menos duas décadas. Outros títulos poderiam ser aqui citados, mas a ligação que faço entre “O destino do jornal” é com outro livro: “O papel do jornal”, de Alberto Dines.

Essa correspondência se faz para mim por algumas razões um tanto óbvias: os dois livros partem de ambientes de crise para discutir jornalismo, sua natureza e seu futuro. Os dois livros concentram-se nas empresas nacionais do ramo. Os dois livros já nasceram como clássicos porque, mesmo tratando de questões conjunturais, não deixam de considerar os aspectos estruturais que afetam o negócio do jornalismo. Se o gatilho de Dines havia sido a alta do papel de imprensa nos anos 70, o de Sant’Anna é a alardeada queda nas tiragens dos jornais, detectada no mundo todo, mas com algum respiro visível por aqui na última década.

É verdade que talvez o livro de Dines tenha mais perenidade que o de Sant’Anna, mas os dois volumes não apenas nos convidam a pensar em soluções para esse negócio de vender informações, como também nos incitam a discutir o próprio destino de um meio que sempre foi capital para as sociedades democráticas.

Aspectos como rentabilidade, equilíbrio contábil, busca de receitas e inovação tecnológica são tratados por Sant’Anna na mesma proporção de que se defrontam com “bens intangíveis”, como prestígio, credibilidade e fidelidade do leitor.

O livro de Dines nasceu de suas reflexões à época, enquanto que o de Sant’Anna é a versão livresca de sua dissertação de mestrado. Dines não foca sua análise num meio em especial, mas Sant’Anna se pergunta como três dos maiores jornais brasileiros – a Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S.Paulo – vêm enfrentando um cenário de concorrência maior (com a web, as revistas e a TV a cabo), de mudanças nos hábitos de consumo dos leitores (queda no tempo de leitura e diminuição de tiragens pelo mundo afora) e de necessidade de adaptação e inovação tecnológica.

Outro dia, mencionei o livro de Philip Meyer – “Os jornais podem desaparecer?” -, ressaltando a necessidade de termos uma reflexão brasileira sobre essa transição de mídia tão ruidosa. Bem, o livro de Sant’Anna vem neste sentido, sem esgotar a questão, evidentemente. Poderá abrir espaço para novos lançamentos e discussões. O acento de Sant’Anna – entre o acadêmico e o profissional – também é muito bem vindo, já que essa oposição é improdutiva, preconceituosa e limitante.

Ontem mesmo, meu chapa PHSousa comentou a entrevista de Rosenthal Calmon Alves ao Estadão. PH escreve:

Eu acho que devem abandonar o hard news, que fica para TV e internet. Os jornais de papel devem se voltar para reportagens menos factuais. O que você acha?

Bem, não penso muito diferente, apesar de ter uma certeza: o problema é complexo. Isto é, diversas variáveis incidem na sobrevivência de alguns meios e na própria convivência das diferentes mídias. Não se pode deixar de lado, por exemplo, o conjunto de movimentos na audiência e nos hábitos de consumo. O Pew Research Center for the People and Press publicou esses dias um estudo muitíssimo interessante sobre as mudanças que a audiência vem exibindo a partir do desenvolvimento de novas mídias. O relatório da pesquisa, em suas 129 páginas, aponta para diversas “chaves” para o entendimento do cenário da mídia, a norte-americana, mas que pode se projetar por aqui também.

O estudo mostra que as notícias online ainda está em compasso de crescimento, mas mostra ainda que os consumidores de informação cruzam as mídias, buscam integrá-las em sua dieta informacional, entre outros aspectos.

Gestores e jornalistas precisam estar atentos a isso.

Ao mesmo tempo, ReadWriteWeb aponta para o NewsCred, sistema que promete distribuir as notícias com mais credibilidade, agregando conteúdos de diversos meios. É semelhante ao Digg e ao NewsTrust. Mas quem está por trás do NewsCred se apressa em mostrar as diferenças:

We love Digg and other social ranking sites, but NewsCred is completely different. We are using technology and the ratings from our user community to select the most credible articles. NewsCred selects quality, while Digg presents popularity. This is a fundamental difference in our approach, and we feel this difference is what will change the way we access news content forever.

We’re taking content from traditional, mainstream new sources, combining them with established blogs, and selecting only the highest quality articles that are relevant to you. We’re throwing in some real innovation to make the selection and filtering process the easiest you’ll see on the web, and fun too.

Esta é uma solução? Não sabemos ainda. O fato é que a corrida já está acelerada. Tem muita gente preocupada com o futuro dos jornais, com o presente da internet. O 7º Congresso Brasileiro de Jornais, que aconteceu esta semana, não se esquivou dessas questões. O discurso em uníssono é o de que qualidade e credibilidade andam juntas, mas deve -se atentar sempre para as questões de equilíbrio financeiro. Mesmo assim, os proprietários de jornais têm sorrido de orelha a orelha. A carta de abertura do evento, dirigida aos empresários do setor, não poderia ser mais otimista:

Depois do excelente desempenho do ano passado, quando tiveram aumento de circulação de 11,80% e subiram sua participação no bolo publicitário para 16,28%, os jornais brasileiros continuam a exibir números muito positivos. O mais recente levantamento do Projeto Inter-Meios, principal referência do mercado brasileiro, mostrou que no primeiro trimestre de 2008 os investimentos publicitários nos jornais cresceram 23,72%, comparando-se com igual período do ano passado. Com isso, em março a fatia dos jornais no bolo publicitário chegou a 19,40%.

Então, o livro de Lourival Sant’Anna está vendo fantasmas onde eles não existem?

Claro que não. O livro traz alertas, coloca o dedo nas feridas e deixa nervos expostos. O mercado brasileiro não está isolado numa bolha de prosperidade, blindado contra crises. Há questões estruturais que já afetam a indústria dos jornais por aqui. Sant’Anna não é o arauto do apocalipse, mas está de olho.

jornais vão melhor aqui que lá fora

Eu sei. Pode não ser lá grande novidade, mas vale replicar aqui. Para registro.
Deu na Folha de S.Paulo em 2 de junho.

“A venda de jornais no Brasil avançou 11,8% no ano passado, superando a média mundial, que foi de 2,57%, de acordo com a WAN (Associação Mundial de Jornais, na sigla em inglês). O mesmo cenário já tinha ocorrido em 2006, quando a circulação no Brasil cresceu 6,5%, e a mundial, 2,3%.

Os números brasileiros são idênticos aos que já foram apresentados pela ANJ (Associação Nacional de Jornais), que mostraram que a circulação diária de jornais pagos ultrapassou 8 milhões de exemplares no ano passado.

O crescimento das vendas no Brasil foi o maior na América Latina e um dos mais expressivos no mundo, superado apenas por algumas antigas repúblicas soviéticas, como o Cazaquistão, países da África (Quênia, Gâmbia e Líbia), Malásia e Kuait. Nos últimos cinco anos, a circulação de jornais no país cresceu 24,93%. Na América do Sul, por exemplo, a Argentina teve alta de 22,7% no período, e o Equador, de 15,2%.

Segundo o levantamento da WAN em 232 países e territórios, mais de 532 milhões de exemplares foram vendidos em média todos os dias no mundo em 2007 -17 milhões a mais do que no ano anterior. Ainda de acordo com a associação, o número de pessoas que lêem um jornal diário subiu para 1,7 bilhão, 300 milhões a mais. As vendas cresceram ou ficaram estáveis em aproximadamente 80% dos países pesquisados (elas caíram nos EUA, na União Européia e no Japão).

A China é o país em que mais se vendem jornais: 107 milhões de cópias diárias. Mas, em média, os japoneses são os maiores consumidores: 624 exemplares vendidos para cada 1.000 adultos. O Japão é o terceiro maior mercado, com 68 milhões de exemplares comercializados, atrás também da Índia. Os Estados Unidos e a Alemanha são o quarto e o quinto maiores mercados, respectivamente.

Os turcos passam 74 minutos lendo jornais diariamente, 20 minutos mais que os belgas, que estão em segundo lugar.

O faturamento mundial com publicidade dos jornais pagos aumentou 0,86% em 2007 em relação ao ano anterior -havia crescido quase 4% na comparação entre 2006 e 2005. Nos últimos cinco anos, essa receita avançou 12,84%.

Na América Latina, a receita dos jornais com publicidade se expandiu em 10,77% entre 2006 e o ano passado, só perdendo para o avanço no Oriente Médio e na África, de 13,17%.

Apesar do avanço, os jornais tiveram uma pequena perda na fatia do mercado mundial de publicidade: de 28,7% para 27,5%. Ainda assim, eles continuam como o segundo meio de comunicação que mais fatura com propaganda (atrás da TV, com 38%) e com uma receita superior à de internet, rádio, cinema e mídia ao ar livre somadas, de acordo com a WAN.”

ainda sobre o futuro dos jornais

O caderno Mais! da Folha de ontem veio com o tema que mais preocupa os publishers pelo mundo afora: o futuro dos jornais. Com um texto de abertura da editora executiva Eleonora Lucena, a Folha trouxe um longo artigo do jornalista Eric Alterman, que saiu originalmente na New Yorker em 31 de março passado. Trouxe isso, consumiu 5,5 páginas e deu. Ponto. Nem mais um pio sobre o assunto, ninguém mais escreveu ou discutiu o palpitante momento na edição.

Para um jornal como a Folha, é pouco.
Para a crise que se anuncia sobre o setor, é pouco.
Para o momento da imprensa brasileira, que comemorou no início do mês 200 anos, foi pouco.

Foi insuficiente, mas não só.

Conforme escreveu Adriana Alves Rodrigues no GJOL, o leitor atento percebeu uma certa confusão nos discursos ali estampados. A editora da Folha adota um tom otimista, despejando estatísticas que mostram um desempenho positivo do setor em no Brasil e nas economias emergentes (leia o texto dela aqui: para assinantes). Eleonora Lucena tem razão: por aqui, a coisa ainda não pegou pra valer, e uma certa reinvenção da imprensa se deu com o desembarque nas bancas da chamada penny press, formada por jornais mais baratos, mais quentes e voltados para um público ainda inexplorado.

Já o artigo de Eric Alterman beira o tom sombrio (veja aqui. Para assinantes). Ele escancara a situação norte-americana, a queda das tiragens, a migração de parte do bolo publicitário, uma disputa cada vez mais acirrada entre jornalistas e blogueiros. É uma aula de jornalismo. Uma aula de mercado. Mas jornalismo e mercado norte-americanos.

Neste sentido, a Folha falhou mesmo. Faltou complementar o tema com textos de gente daqui que pudessem oferecer tanta análise e interpretação quanto Alterman. O texto de Eleonora é claro, interessante, mas pouco analítico, mais informativo. Por aqui, já temos uma história de mídia na web e gente como Carlos Castilho, Marcelo Tas, Beth Saad, Pedro Doria, entre outros, poderiam oferecer análises tão densas e amplas quanto à gringa.

Alguns dados fazem pensar:

  • 2,6% é quanto crescem os jornais no mundo atualmente
  • 11,8% é quanto eles crescem no Brasil
  • Os jornais abocanharam em março 19,4% do bolo publicitário no país
  • 42% a menos valem as empresas de jornais nos EUA, e a queda tem sido impiedosa
  • Os leitores têm sido cada vez mais raros entre os mais jovens
  • O mercado norte-americano tem extinguido postos e mais postos de trabalho nas redações
  • Pesquisas lá mostram a queda vertiginosa da confiança na mídia
  • Aqui, também cresce a desconfiança, mas a mídia não é a única instituição a perder terreno

A crise dos jornais, a invenção de novas plataformas de consumo e distribuição de informações e a convergência midiática têm levado a indústria do setor a um comportamento esquizofrênico: tenta ser audaciosa em alguns casos, buscando soluções, mas atirando sem mira; ao mesmo tempo em que fica imóvel, fingindo-se de morta e aguardando uma solução dos céus…

O Mais! de ontem, na Folha, mostra o quanto a mídia ainda peca na análise de seu próprio mètier. Não consegue um distanciamento seguro que lhe permita uma avaliação mais ampla e serena do caso. Não mobiliza mais recursos para o debate que se faz necessário. Não contagia – para além dos diretamente interessados: empresários, jornalistas e pesquisadores da área – mais ninguém com o assunto. Um tema que deveria interessar a todos da esfera pública.

(Se você não é assinante da Folha e não consegue ler os textos da edição de ontem, não desanime. O artigo de Alterman, no original, está aqui… aberto para leitura.)

(Enquanto isso, nos Estados Unidos, durante a FreePress – a conferência internacional que discute reforma na mídia e transformações na democracia -, o jornalista Bill Moyers deixou a platéia eletrizada com sua fala e as perspectivas sobre o futuro das grandes corporações midiáticas. Leia aqui ou assista aqui)

uol ri de orelha a orelha

Deu no Jornalistas da Web:

“Um dos principais portais de mídia online do Brasil, o UOL anunciou nesta semana seus resultados do primeiro trimestre de 2008.

Segundo a empresa, a receita de publicidade e outras somou R$ 53 milhões, representando um crescimento de 56% em comparação com o mesmo período em 2007. O número de assinantes pagantes de banda larga atingiu 1 milhão em março de 2008, um aumento de 20% sobre março de 2007.

Também em março deste ano, de acordo com dados divulgados pelo Ibope/NetRatings, a empresa apresentou um crescimento de 40% em visitantes únicos em relação a março do último ano. Ainda segundo a companhia de aferição, foram 1.848 milhões de páginas vistas e um tempo médio de permanência online de 1:01:02 em março de 2008.

O lucro líquido foi de R$ 24,7 milhões, 11% superior ao mesmo período em 2007″.

 

Os números são mais do que otimistas, mais que alvissareiros!!!

notícia das alagoas

Minha amiga Rossana Gaia é quem manda…

“Conselho de Comunicação se autoconvoca para discutir extinção da Secom

Por solicitação do Sindicato dos Jornalistas e de outras entidades da área de comunicação, será realizada nesta quarta-feira uma reunião extraordinária do Conselho Estadual de Comunicação, para discutir entre outros assuntos a proposta de extinção da Secom, em elaboração pelo governo do Estado.


O projeto de extinção da Secretaria e sua transformação em agência encontra forte resistência não só das entidades de classe da área, mas de toda a imprensa alagoana e de representantes de outros poderes no Conselho Estadual. Um dos que já se declarou contrário foi o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Antônio Albuquerque.


“Se o governador Teotônio Vilela e o secretário Álvaro Machado (Gabinete Civil) tivessem a consideração de ouvir o Conselho, que é consultivo, saberiam que essa proposta não tem eco na sociedade e é prejudicial ao Estado”, disse o presidente do Sindjornal, Carlos Roberto Pereira.
De acordo com o jornalista, Vilela e Machado precisam encarar a Secom não apenas como um órgão administrador de verbas publicitárias e de divulgação dos atos do governo, mas como instrumento para a promoção de políticas públicas na área de comunicação. “A sociedade e a população não precisam de uma agência para fabricar release (matérias promocionais do governo). Precisam de uma Secretaria que seja forte, valorizada, dinâmica e invista em comunicação educativa, comunitária. É papel do poder público contribuir para o fortalecimento e a democratização da comunicação, não relegá-la a segundo plano ou ao papel de coadjuvante”, acrescentou. 
Para o Sindjornal, a Rádio Educativa, a TVE e a Rádio Difusora, que passaram no início do ano a fazer parte da estrutura da Secom, deveriam estar cumprindo, junto com a Secretaria, o papel de canais alternativos, públicos e democráticos de comunicação, mas também não vêm sendo valorizados e recebendo investimentos do governo. Pelo contrário, denuncia a entidade, estão passando por um processo de precarização, inclusive com a contratação de pessoal sem concurso público, quando há concursados esperando por nomeação.
“Estamos com diversos ofícios do Instituto Zumbi dos Palmares onde o órgão solicita a nomeação de concursados. Nenhum pedido, no entanto, foi atendido pelo governador ou teve prosseguimento no Gabinete Civil”, afirma o presidente do Sindjornal. A situação, segundo ele, se repete na administração direta, onde jornalistas ocupam funções técnicas através de cargos comissionados, por serviços prestados ou desviados de função.  Enquanto isso, há dezenas de profissionais aprovados em concurso público que não foram convocados. “O governo deveria dar exemplo, mas é o primeiro a descumprir a legislação”.
Essa situação também será abordada na reunião desta quarta do Conselho Estadual de Comunicação. Participam do Conselho, além do Sindicato dos Jornalistas, representantes do Sindicato dos Radialistas, da Associação Brasileira de Relações Públicas, das rádios comunitárias, dos publicitários, das empresas de comunicação, da Universidade Federal de Alagoas, da Assembléia Legislativa, do Tribunal de Justiça, do Instituto Zumbi dos Palmares e da Secretaria de Comunicação.
Esta será a primeira vez que o Conselho Estadual de Comunicação estará se reunindo no governo Téo Vilela. Diversas entidades reclamam que o governo tem desprestigiado esse fórum de discussão do Poder Executivo, que foi criado na gestão anterior e é pioneiro no Brasil. “Infelizmente, o governo tem desprestigiado não só o Conselho, mas os jornalistas e a imprensa como um todo”, lamenta Carlos Roberto.
O secretário Álvaro Machado tem dito que a extinção da Secom e sua transformação em agência de fomento não mudarão a estrutura de comunicação do Estado. Mas as entidades de classe discordam e acreditam que haverá não só uma diminuição estrutural, mas uma redução do papel do Estado nesse setor. “Se nada muda, porque então extinguir a Secretaria?”, questiona o Sindjornal.”

a salvação do jornalismo cão de guarda?

Kelly McBride, do Everyday Ethics – seção preciosa do Poynter -, se questiona esta semana se não são os serviços de informação sem fins lucrativos a salvação para o jornalismo cão de guarda. Essa expressão soa melhor em inglês mesmo: watchdog journalism. E aponta para repórteres e meios de comunicação que acompanham de perto os movimentos dos poderes, fiscalizando, denunciando e fazendo aquela essencial marcação cerrada.

A questão de Kelly nos parece um pouco alienígena aqui no Brasil. Afinal, não temos por aqui redações mantidas por generosas doações de bilionários, como a ProPublica, mencionada por Kelly. De qualquer forma, o assunto interessa a todos aqueles que vêem no jornalismo uma forma de contrapoder, de instrumento da sociedade frente aos poderes constituídos.

Por aqui, temos soluções como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e ONGs, como a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), que atuam junto aos profissionais, à academia, mas pouco ainda sensibilizam o empresariado e a sociedade como um todo. Claro que isso está condicionado ao tempo e à intensidade dos trabalhos destes atores, mas como seria interessante contar com iniciativas que viessem também das empresas e das elites…

(Para depois: esse assunto me faz lembrar do ótimo Watchdog Journalism in South America, de Silvio Waisbord. Fácil de encontrar na Amazon Books…)

crise da imprensa: novas notas sobre um velho vaticínio

O jornalista e blogueiro Ricardo Noblat esteve esta semana em Florianópolis palestrando a convite da Assembléia Legislativa. Foi enfático, conforme Galarça, e até apocalíptico com relação ao fim dos jornais. Eles vão acabar loguinho e a saída pode ser os blogs, e certamente a internet.

No início do mês, a Comissão de Negócios da Cultura do Senado Francês tornou público um relatório de análise sobre a chamada Crise da Imprensa. O relatório pode ser lido na íntegra aqui, e traça inicialmente um panorama do mercado na Europa, avalia os negócios do ramo, o papel dos sindicatos, dos jornalistas e dos editores e, por fim, faz proposições.

Em resumo, as saídas propostas pelos parlamentares franceses, são:

  • Reencontrar e fidelizar o leitor
  • Conquistar o leitor
  • Sensibilizar as novas gerações
  • Favorecer a entrada dos jornais no universo numérico (leia-se aqui: tornar o negócio dos jornais perene e estável)
  • Garantir o estatuto profissional dos jornalistas (leia-se aqui: reafirmar o ethos profissional e o papel deles na sociedade)

(O relatório tem 58 páginas, em formato PDF e está em francês)

a crise dos jornais e o lugar certo na prateleira

jornais189.jpg

 Gente mais esperta já disse que quando o autor escreve, ele perde a obra para o leitor. Não tem mais domínio, e a leitura é uma outra forma de escritura, de colocação de sentido, de produção de entendimento. Ok, ok. Concordo, mas às vezes o autor perde o “controle da coisa” antes mesmo de o leitor folhear a obra.

Foi o que percebi dia desses lendo o imperdível “Os jornais podem desaparecer?”, de Philip Meyer.

O livro trata da já gritada crise dos jornais impressos e tenta avaliar – com base na evolução da indústria norte-americana – possíveis tendências e saídas para o mercado. Para quem não se lembra, Meyer é um dos nomes mais respeitados das escolas norte-americanas de Jornalismo e foi um experiente profissional naquelas bandas. O “pretexto” do autor para o livro é o seguinte: precisamos entender o problema para tentarmos resolvê-lo. Isto é, o autor nos convida a conhecer o que é “jornalismo enquanto negócio” para que nos mantenhamos em “nossas plataformas”. Assim, o livro tem como público os jornalistas, e tenta estimulá-los a saber um pouco mais do que as técnicas jornalísticas, e se comprometam também com a “salvação” da lavoura.

Até aí tudo bem.

Acontece que em duas livrarias que visitei o livro de Meyer não estava na estante de Jornalismo ou Comunicação. Estava na de Administração e Negócios. Numa terceira loja, o livro não estava à venda, pois a moça argumentou que eles apenas comercializavam obras de ciências humanas. Sei…

Olhei a ficha catalográfica do livro e lá consta na ordem: Jornais. Jornalismo. Jornalismo – aspectos econômicos.

Mesmo assim, quem colocou os livros na prateleira “errada”? Não foi um acidente, afinal vi isso em duas lojas diferentes e concorrentes. Quem?

Parece uma discussão boba essa, mas não. Se há uma corrida para buscar soluções para jornalismo, se as empresas jornalísticas enfrentam quedas constantes de tiragem, se os gestores tentam buscar novas receitas para uma sobrevivência dos jornais, qualquer sinalização de saída  da crise – mesmo que num modesto livro – é bem vinda e deve ser levada adiante. Colocar o livro no lugar errado é como deixar a chave do apartamento em chamas trancada do lado de fora. E com o proprietário dentro…

vou cantar a bola: munição contra o estadão

Ainda sobre a discussão sobre a campanha de O Estado de S.Paulo que desacredita e ridiculariza blogs e blogueiros…

Deu no Observatório da Imprensa uma pesquisa da Harvard que sugere que a internet seja mesmo uma ameaça aos jornais.
Veja aqui.

Alguém vai usar esses dados para “demonstrar” que o Estadão estava mesmo com medo dos blogs.
Quer apostar?