blogagens e ativismo

O Global Voices está disponibilizando um manual rápido para quem quer usar blogs a favor de causas, os chamados blogs advocacy. O manual está dividido em cinco seções:

  1. Frequently asked questions about what blog advocacy is
  2. The 5 key elements of any successful advocacy blog
  3. The 4 steps to creating an advocacy blog
  4. How to make your blog a vibrant community of active volunteers
  5. Tips to help blog activists stay safe online

O manual é gratuito, está em inglês e em formato PDF, e tem 21 páginas.
Para baixar, clique aqui.

lessig de graça (claro!)

Daniela Bertocchi, do Intermezzo, avisa que o novo livro de Lawrence Lessig já está na rede para baixar.

Para quem não se lembra, Lessig é o professor de Direito que bagunçou o coreto dos direitos autorais ao criar a licença Creative Commons, que flexibiliza esses direitos e permite maior circulação e compartilhamento das idéias.

Baixe o livro “The Future of Ideas” daqui.

ATUALIZAÇÃO:

Suzana Gutierrez me puxa a orelha. Sim, ela deu antes a notícia: em 15 de janeiro. Veja aqui.

proibição da venda de bebidas nas estradas

Tenho visto e ouvido muita besteira nos últimos dias sobre a medida do governo que proíbe o comércio de bebidas em estradas federais. Tem chiadeira dos comerciantes, lei da mordaça entre os patrulheiros e algumas manifestações de motoristas. O argumento mais usado por quem vende bebidas em postos de gasolina, bares e restaurantes é o de que a medida não irá impedir o consumo de bebidas alcoólicas por quem realmente quer beber. Basta trazer suas garrafas ou latinhas no próprio carro. Ou ainda passar em qualquer estabelecimento em área urbana.

Ok, é verdade. Mas é um sofisma.

A medida do governo não tem a pretensão de erradicar o consumo de bebidas nas estradas. Seria muita pretensão ou alguma ingenuidade. O propósito é simples: não fazer vista grossa para este comércio nas estradas federais, nos locais da sua jurisdição. E claro: não facilitar o acesso.

O governo está certo? Está. E a medida demorou. Deveria ter sido implementada antes, bem antes. O governo tardou em atuar. E agora, faz apenas o necessário, nada mais que isso. A medida vem em bom tempo porque já vale para este carnaval. Mas penso aqui: e se tivesse sido antecipada em seis meses? Certamente, não teríamos os mesmos números vistos nos feriados de Natal e Reveillon…

E a medida precisa ser estendida para as estradas estaduais, por meio de leis específicas. Em São Paulo, já é assim. Minas e Santa Catarina, sempre na dianteira das tristes estatísticas, deveriam fazer o mesmo.

A lei não é a panacéia, mas é uma ação. O governo e a sociedade não podem se omitir. Agir é o contrário de se omitir.

Milhares de pessoas morrem no trânsito todos os anos. Muitos dos acidentes estão diretamente associados ao consumo de álcool. Há campanhas cada vez insistentes sobre a não combinação entre bebida e trânsito. A sociedade cada vez mais está consciente desses riscos.

A proibição da venda de bebidas em estradas federais não é populista, nem moralista. As mortes no trânsito são questões de saúde pública. As estatísticas são suficientemente claras e trágicas. Quem já perdeu alguém assim sabe o que é isso. Quem ainda não perdeu, não pode esperar que isso aconteça. Os argumentos dos comerciantes são movidos apenas por um interesse: o financeiro.

Até quando ficaremos vendo e revendo imagens e fotos de acidentes, com corpos mutilados, metal retorcido e gente sofrendo pelas perdas?

retrato da mídia na iberoamerica

O antenadíssimo Ramón Salaverria, do blog e-periodistas, informa que a Fundação Telefónica acaba de lançar mais uma edição do anuário Tendencias 7 – Medios de Comunicación, que trata do cenário ibero-americano na mídia.

O arquivo pode ser baixado aqui, mas vou avisando que é pesadinho: 10,2 Mb. São 421 páginas em PDF, fartamente ilustrada com gráficos coloridos e demais imagens. Entre os colaboradores do documento estão nomes de peso como Luis Ramiro Beltrán, Octavio Islas, Jesús Martín-Barbero, German Rey. No comitê científico, também: Antonio Fidalgo e Guillhermo Mastrini. Três brasileiros apenas nos créditos: José Marques de Melo, Matías Molina e Maria Immacolatta Lopes.

Se você quer saber sobre blogs, mas tem preguiça ou pressa, Salaverria destaca alguns pontos, que reproduzo:

“En la parte 3, la investigadora Bella Palomo publica un capítulo sobre “Blogs en el espacio iberoamericano” (pp. 215-225), donde expone los resultados de una encuesta realizada entre periodistas-bloggers iberoamericanos, a la que contribuí con mis respuestas. Los resultados principales son:

  • El 75% de los periodistas-bloggers tiene menos de 40 años.
  • Tres de cada diez blogs son elaboradas por mujeres periodistas.
  • La mitad de los periodistas iberoamericanos con blog tiene varias ocupaciones profesionales.
  • Los periodistas menos atraídos por el periodismo 3.0 son los dedicados al sector audiovisual y a la comunicación institucional.
  • Tres de cada cuatro encuestados consideran que con el blog practican periodismo de opinión.
  • El 61,9%cree que el mayor logro de su blog ha sido hablar con la audiencia.
  • El 52,4% ha logrado una libertad editorial que no tiene en el medio para el que trabaja.
  • Sólo un 3% ha logrado por esta vía otra fuente de ingresos.
  • El 63% recibe comentarios ofensivos.
  • El 40% ha recibido ofertas de trabajo a través de su blog.
  • Al 63% no le preocupa la cuestión del copyright.
  • El 35% sabe que en alguna ocasión han plagiado contenidos de su blog.
  • El 60% ha incorporado alguna vez elementos multimedia en su blog.”

Evidentemente, o documento não pode ser resumido a isso.
Há muito mais. Principalmente, nas partes finais, das tendências…
Merece longa degustação… enjoy it.

leis: você não manda em nada

Da promulgação da Constituição Federal, em 1988, até hoje, apenas quatro projetos de iniciativa popular viraram leis. Isso mesmo: quatro. Você acha pouco? E é. Não chega a meio por cento das quase 9,5 mil leis surgidas no período.

A Constituição prevê que as leis possam ser criadas de três formas: pelas mãos de parlamentares (afinal, eles compõem o Poder Legislativo), pelas mãos do Poder Executivo (prefeitos, governadores e presidente da República) e pela vontade da população. Para isso, é necessário juntar 1% de assinaturas do eleitorado, o que hoje significa 1,27 milhão.

Quer dizer, poder fazer lei, o povo pode! Só que a realidade mostra que não faz!

Para saber mais, vá à reportagem da Folha de S.Paulo (para assinantes) ou leia análise no Consultor Jurídico.

TV digital e Rede Pública de TV

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O dia é amanhã, quando começam oficialmente as transmissões da TV digital no Brasil e da Rede Pública de Televisão, o polêmico projeto do governo federal para a criação de um sistema inédito na área da radiodifusão.

Se você não sabe nada de TV Digital, passe por aqui. As informações são do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD), coletivo que assessora o comitê de desenvolvimento do sistema. Para uma visão mais crítica do assunto, veja o que diz a Daniela Alarcon, do Observatório do Direito à Comunicação.

Sobre a Rede Pública, leia um extenso debate sobre ela, produzido pela Radiobras (contendo textos, entrevistas em áudio e vídeo e mais diagnósticos); o Rio Mídia ouviu diversas personalidades do mercado, da academia e da sociedade  que opinaram sobre o assunto; veja quem vai compor o conselho curador da emissora; confira a posição esperançosa de Beth Carmona para o projeto; e tenha um contraponto crítico, com o que escreve João Brant, do Observatório do Direito à Comunicação.

Antene-se!

vai chover dinheiro

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 De acordo com as manchetes e os releases, vai chover dinheiro para pesquisadores, cientistas e laboratórios de todo o país nos próximos três anos.

O governo prometeu aumento de 20% para as bolsas de mestrado e doutorado para março de 2008.

O governo lançou plano que incentiva investimentos na área.

Plano de Ciência e Tecnologia terá R$ 41 bi até 2010.

Será que agora a gente tira o pé da lama?

plágio em trabalhos escolares

Volta e meia, esse assunto retorna. Sim, o plágio em trabalhos escolares, prática secular e inflacionada pela grande disponibilização de textos (e sua fácil cópia) na web. Eu mesmo já tratei aqui deste assunto. Eu me referia ao Farejador de Plágio. Agora, é Marcos Palácios quem indica outra ferramenta bastante útil para apanhar no flagra os falsários-mirins. Trata-se do Ephorus.

Palacios testou a coisa e recomenda, atestando a eficiência. Mas adverte: embora tenha interface em português e funcione bem, é grátis apenas na versão demo. Mas quem sabe não te serve…

Acho importante o desenvolvimento e a oferta dessas soluções tecnológicas. Mas penso que elas precisam vir cercadas de uma discussão ampla sobre a natureza dos trabalhos escolares pedidos na escola e sobre valores éticos que sustentam (ou deveriam sustentar) a prática acadêmica.

Num artigo do ano passado ensaio algum debate sobre isso. Veja aqui. (em pdf)

Mídia, Poder e Democracia: evento

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 Saiu a programação do Fórum Internacional Mídia, Poder e Democracia, promovido pelo CULT – Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura -, pelo Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade, da UFBA, e pelo Observatório Brasileiro de Mídia/Media Watch Global.

O evento acontece de 12 a 14 de novembro em Salvador, Bahia, e tem como patrocinadores a Petrobras e o Governo Federal.

Nomes de peso desembarcam na capital bahiana na semana da República: Marilena Chauí, Emir Sader, Tereza Cruvinel, Bob Fernandes, Beth Carmona, Laurindo Leal Filho, , Marcus Figueiredo… Participo de uma mesa sobre os observatórios de mídia e a democracia, ao lado de Ignácio Ramonet, Bernardo Kucinski e Carlos Tibúrcio.

A programação do evento pode ser encontrada aqui.

wikipedia e a justiça francesa

Stéphane Foucart analisa na edição de hoje do Le Monde a batalha que a Wikipedia trava na justiça contra processos por invasão de privacidade e difamação. O artigo – com o sugestivo título “Wikipedia, nem condenável, nem responsável” – pode ser lido aqui.

A propósito da enciclopédia colaborativa online, há também um estudo do Pew Internet & American Life Project que mostra que 36% dos norte-americanos adultos consultam a Wikipedia, e que ela é mais popular entre estudantes e os mais bem educados. Veja o arquivo em PDF… 

Ainda ouviremos muito dela…

esses gaúchos

Meu post sobre os gaúchos produziu risadas e ranger de dentes. Um pouco de cada, na verdade. E uma ou outra ameaça de morte por parte de umas amigas do Rio Grande. Mas como sou corajoso – sou casado com uma gaúcha, o que significa viver com uma mulher-com-faca-na-bota -, retomo o assunto que me é sempre fascinante: identidades.

Ando por aí e não conheço nenhum povo brasileiro com identidade mais marcada e esbravejada que os gaúchos. Não apenas os reforços dos estereótipos de plantão, mas um conjunto de traços que desaguam num sentimento que me parece genético entre eles: o orgulho. São orgulhosos de seus feitos, de sua história, de sua terra, de sua cultura. São tão orgulhosos que transpiram arrogância ou um pouco de presunção. Alguns são hiperbólicos, outros megalomaníacos. Mas são invejáveis na sua disposição por fazer e acontecer, e na grande satisfação de mostrar seus feitos.

Orgulham-se de um passado sangrento; de lutar pela terra; de seus times de futebol viverem epopéias; de seus livros serem épicos; de suas vidas serem tragédias cantadas em verso e prosa. São fascinantes porque contagiam, porque envolvem e porque teorizam sobre suas existências.

Agora à noitinha, apanhei um livrinho – por conta do tamanho e não da importância, não me trucidem, gaúchos! – de um grande compositor gaúcho, Vitor Ramil: A estética do frio. Na verdade, o livro é a versão escrita bilíngüe (português, francês) de uma conferência que o músico deu na Suíça, sob o pretexto de falar de sua trajetória e de sua relação com a cultura que o cerca e que o ajuda a ser o que é. Pois Vitor Ramil, em vinte e poucas páginas, percorre sua vida e a formação de seu imaginário íntimo para determinar uma busca estética que ajude a unificar seus trabalhos e sua produção musical.

Ramil – o irmão menos conhecido da dupla Cleiton e Cledir, e o mais talentoso de todos – elege o frio como um traço distintivo do que faz e a milonga, como expressão aglutinadora do sentimento-canção que o move no seu fazer cotidiano. Ok, o frio e a milonga, a contemplação e a melancolia, mas o que tem a ver com os gaúchos? Ora, penso que muito. Se há uma intensa alegria nas tertúlias, vigora também uma saudade-de-não-sei-o-quê. Se há um orgulho de ser da terra, esse sentimento lateja em qualquer latitude que os gaúchos estejam: seja porque está feliz junto à terra natal, seja porque sente a nostalgia de um exilado, de um expatriado.

Ainda corroboro com a lenda de que há um grande plano gaúcho para conquistar o mundo. As células de disseminação disso seriam os CTGs (Centros de Tradição Gaúcha), espalhados por todo o globo. Tem gaúcho em tudo o que é lugar. Há CTGs em Rondônia, churrascarias nos Estados Unidos, torrões do pampa no Japão globalizado. Como diria Flávio Rangel, citado por Vinicius de Morais, “são as raízes!”

tecnologia: americanos, argentinos e gaúchos

Minha amiga Laura, que é gaúcha, mandou a seguinte notícia.  Ela jura de pé junto que saiu no jornal. Eu acredito.

“Durante escavações nos EUA arqueólogos descobriram, a 100 m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam de do ano 1000. Os americanos concluíram que seus antepassados já dispunham de uma rede telefônica naquela época.

Os argentinos, para não ficarem para trás, escavaram também seu sub-solo, encontrando restos de fibras ópticas a 200 m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham 2.000 anos de idade. Os argentinos concluíram, triunfantes, que seus antepassados já dispunham de uma rede digital a base de fibra óptica quando Jesus nasceu!

Uma semana depois, no Rio Grande do Sul, foi publicado o seguinte anúncio:
‘Após escavações arqueológicas no sub-solo de Bagé, Santa Maria, Pelotas, Cotiporã, Fagundes Varela, Vila Flores, Vila Maria, Itapuca e diversas outras cidades, até uma profundidade de 500 metros, os cientistas gaúchos não encontraram absolutamente nada. Eles concluem que os antigos gaúchos já dispunham há 5.000 anos de uma rede de comunicações
sem-fio.”

Wikipedia agitou o debate sobre a blogosfera brasileira

Ouvi o arquivo em áudio do debate promovido pelo Digestivo Cultural sobre blogs no Brasil. Com mediação de Julio Daio Borges, a discussão durou quase duas horas e teve na mesa Alexandre Inagaki, Marcelo Tas e Pedro Doria. A conversa, que aconteceu em São Paulo, foi bastante animada, com cara de papo de boteco, bem divertida.

 

Foi interessante ouvir o que pensam alguns dos blogueiros mais antigos e bem sucedidos no país. Inagaki, por exemplo, queixou-se da ainda incipiente profissionalização da blogosfera nacional. Para ele, ainda há muito copia-e-cola e pouca apuração, pouca disciplina de postagem e controle de qualidade. Doria é mais otimista e pensa que o que temos hoje ainda não é a blogosfera brasileira que podemos ter, mas que isso é uma questão de tempo. Tas se diz cada vez mais interessado nas produções em vídeo na internet (e particularmente em blogs), um oásis de criatividade e ousadia que dá um banho na publicidade mainstream.

 

Mas o debate pegou fogo mesmo quando Pedro Doria deu de ombros para a Wikipedia, argumentando que ela não era confiável. Tas, sempre bem humorado, reagiu: “Que isso?! Pedro, fala baixo! Pessoal, pára de gravar. Corta! Corta aí”. A gargalhada foi geral. Polarização. Pedro Doria reforçou sua descofiança com a Wikipedia, dizendo que fraudar verbetes é muito fácil e rápido. Tas rebateu, citando pesquisa recente que compara a enciclopédia virtual à tradicional Britânica e revela margem de erro idêntica entre elas.

De novo a questão de credibilidade, da confiabilidade, assunto que sempre retomo. No Mestrado em Educação da Univali, oriento uma dissertação que investiga essa questão, centrada basicamente no uso da Wikipedia em ambiente escolar e por alunos do ensino superior. Como a pesquisa está em andamento, não posso adiantar seus resultados. No entanto, acho que esse tema já fertiliza os corredores das escolas e as salas de professores. Os mestres discutem se aceitam ou não trabalhos que tenham como referência a Wikipedia. Alunos – numa assustadora maioria – fazem o copy-paste dos verbetes da enciclopédia virtual (como antes faziam à mão das enciclopédias de papel nas bibliotecas).

O que você pensa disso? A Wikipedia é confiável? Você já a usou como referência em trabalhos escolares? Seus professores aceitaram? Você, professor, recomenda a Wikipedia a seus alunos?

credibilidade da mídia: novos números, velhas questões

A questão mais importante para a mídia é a da credibilidade. Tanto faz se estamos falando de jornais tradicionais ou de novos meios de comunicação. O problema da confiabilidade do veículo e das informações que transmite está intimamente ligado a aspectos como a qualidade do serviço de comunicação prestado, a penetração e manutenção em mercados, e a própria sustentabilidade dos negócios da mídia.

Neste sentido, não é exagerado dizer – como já o fez Eugenio Bucci em seu Sobre Ética e Imprensa – que a credibilidade é o maior patrimônio que um jornalista pode ter. Sem ela, não há respeito por parte dos pares e das fontes de informação, não há respeito por parte dos empregadores e consumidores de informação. Jornalista sem credibilidade é como cirurgião sem mãos. Não há saída.

 A dança dos números
Nesta semana, li duas pesquisas que me chamaram a atenção. A primeira delas foi patrocinada pela Associação dos Magistrados do Brasil sobre a imagem e a confiabilidade de instituições públicas. Com margem de erro de 2,2 pontos percentuais, a pesquisa ouviu por telefone 2011 pessoas em todo o Brasil no período de 4 a 20 de agosto passado. Lanço alguns dados aleatórios:

  • 75,5% das pessoas disseram confiar na Polícia Federal
  • 74,7% disseram confiar nas Forças Armadas
  • 81,9% disseram não confiar nos políticos
  • 50% não confiam na Justiça, mas 71,8% dizem confiar nos juizados de pequenas causas
  • 84,9% dos ouvidos acreditam que a corrupção pode ser combatida
  • 59,1% confiam na imprensa enquanto que 32,4% não confiam

A segunda pesquisa a que tive acesso foi desenvolvida pelo Ibope e concentra-se em elementos para determinar sustentabilidade. Para isso, foram ouvidos 537 executivos de 361 grandes empresas brasileiras.

Lanço alguns resultados:

  • Instituições governamentais inspiram maior confiabilidade
  • No Estado, o setor que ainda se mantém bem é o Correio
  • Para 52% dos entrevistados, a Tv aberta é confiável sempre. Mas este percentual era de 61% há dois anos
  • Os índices de alta confiabilidade caíram também para os jornais (de 79 a 73%), para a TV fechada (de 74 a 67%) e para as emissoras de rádio (de 81 para 71%)
  • Os índices de “confia sempre” se mantiveram entre as revistas (87%)
  • Só na internet é que a coisa melhorou um pouquinho, de 49% passou para 50%
  • Apesar da queda da confiabilidade alta, o jornal impresso ainda é o de maior credibilidade entre os entrevistados

Quando se olha para outro aspecto, a percepção de eficiência dos meios, um aspecto chama a atenção. Internet e TV fechada são os principais meios. A internet saltou de 29% em 2005 para 75% este ano. TV fechada passou de 24% para 54%. Do outro lado da gangorra, ainda no quesito “percepção de eficiência dos meios”, os jornais despencaram de 34% para 18%, as revistas caíram de 48% para 25%, a TV aberta caiu de 65% para 49% e as emissoras de rádio de 34% para 20%.

Dos números às conclusões 
Pesquisas existem aos montes. Umas mais confiáveis, outras menos. Inclusive as pesquisas sobre confiabilidade das instituições. No caso das que acabei de citar, trata-se de estudos que, se não acertam na pinta, não ficam muito longe do alvo. As duas pesquisas convergem no sentido de que a mídia vem perdendo credibilidade como outras instituições nos últimos anos. E é possível perceber – pelo menos no estudo do Ibope – que a queda da credibilidade dos meios tradicionais pode estar diretamente ligada à queda da percepção de suas eficiências como veículos. Basta juntar os números e perceber.

Os meios tradicionais têm caído no conceito das pessoas porque não têm atendido às suas expectativas. Isto é, credibilidade rima como eficiência, com qualidade.

Na verdade, esse vínculo necessário não é nenhuma descoberta milagrosa dessas pesquisas. Os números apenas reforçam e nos lembram que não se pode fazer omeletes sem quebrar ovos. Isto é: jornalismo de qualidade/comunicação eficiente garante os corações e as mentes do público…

sobre querer ficar

Durante quatro meses, o Brasil inteiro assistiu à fritura do presidente do Senado e sua insistente autodefesa. Os indícios, as provas, os testemunhos apontavam para uma série de irregularidades, de improbidades e de imoralidades. O lógico apontaria para a cassação do mandato, para o afastamento da presidência, enfim, para a retirada de Renan Calheiros do posto.

Ele bateu o pé, pois não queria sair. Fora eleito para aquilo. Representava a vontade e o interesse de eleitores alagoanos, e depois, representava a vontade do governo e seus aliados para presidir o Senado Federal.

Não queria sair, e não saiu.

Agora, mas não é de agora, assisitimos a outra fritura: a do presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Milton Zuanazzi. Ele também não quer sair. Bate o pé, faz beicinho e manda recado pela assessoria: ninguém tira ele de lá pois tem mandato pra cumprir.

Sabe, eu não votei no Zuanazzi. Nem no Renan. Eu não indiquei nenhum deles. Mas vi estupefato que não fizeram muito nem pelo Senado, nem pelo país, nem pela aviação. Eles não transformaram as suas áreas em campos de excelência. Não mudaram o panorama de suas áreas. Mas querem se manter em seus postos, em seus empregos.

A justificativa é a legimitidade de processos eleitorais. Ok, estamos numa democracia, mas a democracia não prevê apenas a escolha de quem nos representa, mas também a alternância de poder e regras para destituir aqueles que ferem as regras básicas do exercício de suas funções. Zuanazzi não foi eleito, mas indicado. Renan foi escolhido, mas quebrou o decoro.

Não votei em Renan. Não indiquei Zuanazzi. 

Como cidadão brasileiro, não reconheço esses dois servidores públicos investidos nessas funções. Se estivessem na iniciativa privada, já teriam sido punidos ou desligados. No serviço público, escamoteam-se em regras ardilosas pretensamente democráticas. O serviço público deveria ser mais moralizante e exemplar. E se assim o fosse, nem mais lembraríamos os nomes dessas pessoas. 

o terremoto no peru e a blogosfera

Orihuela sugere links para se acompanhar a tragédia no país andino.
O tremor causou mais vítimas em Ica, cidade a 300 km de Lima. Veja o mapa.

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fundamentos da nova ordem

A revista Meio Digital oferece nesta edição um facílimo infográfico dando conta dos 10 Fundamentos da Nova Ordem Mundial Digital. A experiência de navegar pelo novo mundo é por aqui. Mas se você é preguiçoso, impaciente ou apressado, saiba que os 10 fundamentos são:

  • Negócios: o seu agora é meu. O império da desintermediação
  • Filosofia: virtual é real. A vida sem espelho
  • Investimento: maximização em tempo real
  • Sociedade: o poder da inteligência coletiva
  • Economia: menos é mais. A supremacia do pouco
  • Religião: a nova ordem da fraternidade. O paradigma da colaboração
  • Tecnologia: multi-conectividade. O absoluto digital
  • Ética: a era das grandes verdades
  • Tempo-Espaço: a ditadura da relevância
  • Internet: a web é beta. Nada estará pronta

chateação e adolescentes: pesquisa

O Pew Internet & American Life Project publicou agorinha uma pesquisa sobre bullying e adolescentes.
Traduzindo: o instituto de pesquisas na web trouxe dados de estudo sobre o comportamento de jovens na internet em relação a outros jovens. O bullying é uma expressão cada vez mais usada por pedagogos e psicólogos para se referir a um conjunto de atitudes que hostilizam, agridem e oprimem as pessoas. Piadinhas, apelidos, musiquinhas, tudo isso pode ser levado em conta quando se quer humilhar ou constranger.

Embora o estudo seja feito com norte-americanos, vale a pena conhecer