
Há dez dias, escrevi que estava de volta ao blogar cotidiano, depois de me reerguer de uma gripe homérica. Vã ilusão a minha.O fato é que desde então, ela me persegue como uma sombra. As dores no corpo foram embora, mas ficou a corisa, o nariz-chafariz e uma tosse de cachorro. Ando combatendo a marvada, mas o friozinho e – agora – a umidade tornam as condições mais favoráveis para a gripe.
Mas eu dizia que escrevi sobre a gripe, mas me lembro também que fiz alusão aos círculos de inferno de Dante, ao deixar o lado enfermo. Pois volto a ele agora. Não o lado enfermo (deus me livre!), mas ao poeta.Por conta do frio e da chuva que tornaram esse domingo mais longo, devorei um livro em que me arrastava há semanas: Os crimes do mosaico, um romance que escala nada menos que Dante Alighieri para investigar um estranho assassinato de um mosaicista na Florença de 1300. O poeta é prior da cidade e sua autoridade é reforçada por astúcia e erudição.
Como em outras situações, o livro transporta o gênero policial para um ambiente clássico, tendo como protagonista um personagem pra lá de interessante. O Dante que Giulio Leoni nos apresenta é irascível, altivo, arrogante, cruel, pavio-curto. É briguento, sangüíneo, temperamental. Deixa a cabeça girar ao contrário por causa de um rabo de saia e é bem beberrão.O livro demora a engrenar, mas lá pela metade a narrativa vai fluída, contagiante. Não vou contar o final, mas descobrir o responsável pelas mortes macabras fica em segundo plano quando se percebe o segredo que provocou toda aquela confusão.
Diversão com ironia fina, inteligência arguta e um personagem que – se conhecêssemos – adoraríamos odiar.
Achei esse livro muito chato. Prolixo, enrola um pouco o leitor. A única sacada é mesmo o final.