A questão mais importante para a mídia é a da credibilidade. Tanto faz se estamos falando de jornais tradicionais ou de novos meios de comunicação. O problema da confiabilidade do veículo e das informações que transmite está intimamente ligado a aspectos como a qualidade do serviço de comunicação prestado, a penetração e manutenção em mercados, e a própria sustentabilidade dos negócios da mídia.
Neste sentido, não é exagerado dizer – como já o fez Eugenio Bucci em seu Sobre Ética e Imprensa – que a credibilidade é o maior patrimônio que um jornalista pode ter. Sem ela, não há respeito por parte dos pares e das fontes de informação, não há respeito por parte dos empregadores e consumidores de informação. Jornalista sem credibilidade é como cirurgião sem mãos. Não há saída.
A dança dos números
Nesta semana, li duas pesquisas que me chamaram a atenção. A primeira delas foi patrocinada pela Associação dos Magistrados do Brasil sobre a imagem e a confiabilidade de instituições públicas. Com margem de erro de 2,2 pontos percentuais, a pesquisa ouviu por telefone 2011 pessoas em todo o Brasil no período de 4 a 20 de agosto passado. Lanço alguns dados aleatórios:
- 75,5% das pessoas disseram confiar na Polícia Federal
- 74,7% disseram confiar nas Forças Armadas
- 81,9% disseram não confiar nos políticos
- 50% não confiam na Justiça, mas 71,8% dizem confiar nos juizados de pequenas causas
- 84,9% dos ouvidos acreditam que a corrupção pode ser combatida
- 59,1% confiam na imprensa enquanto que 32,4% não confiam
A segunda pesquisa a que tive acesso foi desenvolvida pelo Ibope e concentra-se em elementos para determinar sustentabilidade. Para isso, foram ouvidos 537 executivos de 361 grandes empresas brasileiras.
Lanço alguns resultados:
- Instituições governamentais inspiram maior confiabilidade
- No Estado, o setor que ainda se mantém bem é o Correio
- Para 52% dos entrevistados, a Tv aberta é confiável sempre. Mas este percentual era de 61% há dois anos
- Os índices de alta confiabilidade caíram também para os jornais (de 79 a 73%), para a TV fechada (de 74 a 67%) e para as emissoras de rádio (de 81 para 71%)
- Os índices de “confia sempre” se mantiveram entre as revistas (87%)
- Só na internet é que a coisa melhorou um pouquinho, de 49% passou para 50%
- Apesar da queda da confiabilidade alta, o jornal impresso ainda é o de maior credibilidade entre os entrevistados
Quando se olha para outro aspecto, a percepção de eficiência dos meios, um aspecto chama a atenção. Internet e TV fechada são os principais meios. A internet saltou de 29% em 2005 para 75% este ano. TV fechada passou de 24% para 54%. Do outro lado da gangorra, ainda no quesito “percepção de eficiência dos meios”, os jornais despencaram de 34% para 18%, as revistas caíram de 48% para 25%, a TV aberta caiu de 65% para 49% e as emissoras de rádio de 34% para 20%.
Dos números às conclusões
Pesquisas existem aos montes. Umas mais confiáveis, outras menos. Inclusive as pesquisas sobre confiabilidade das instituições. No caso das que acabei de citar, trata-se de estudos que, se não acertam na pinta, não ficam muito longe do alvo. As duas pesquisas convergem no sentido de que a mídia vem perdendo credibilidade como outras instituições nos últimos anos. E é possível perceber – pelo menos no estudo do Ibope – que a queda da credibilidade dos meios tradicionais pode estar diretamente ligada à queda da percepção de suas eficiências como veículos. Basta juntar os números e perceber.
Os meios tradicionais têm caído no conceito das pessoas porque não têm atendido às suas expectativas. Isto é, credibilidade rima como eficiência, com qualidade.
Na verdade, esse vínculo necessário não é nenhuma descoberta milagrosa dessas pesquisas. Os números apenas reforçam e nos lembram que não se pode fazer omeletes sem quebrar ovos. Isto é: jornalismo de qualidade/comunicação eficiente garante os corações e as mentes do público…
É aquela velha questão, que eu e muitos outros vimos repetindo há algum tempo… as empresas de comunicação acreditam que estão atendendo ao público quando fazem matérias sem profundidade, de leitura fácil, sem investigação, baseadas em declarações de fontes oficiais… segundo eles, é isso que o público quer. Mas será mesmo??? Pelo visto as pesquisas mostram que não…