Comunicação e direitos humanos, uma cartilha

A Associação Henfil e a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania de Minas Gerais lançaram uma cartilha sobre comunicação e direitos humanos. A publicação é gratuita e pode ser baixada aqui.

Na cartilha, o leitor encontra textos sobre democracia, concentração dos meios de comunicação, fake news e a necessidade de democratização da comunicação. No final, há também um roteiro de oficinas para serem livremente replicadas e adaptadas para diversos contextos, para além dos Geraes…

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EBC leva mais um golpe

Um projeto verdadeiro de comunicação pública fica muito mais distante a partir de hoje, com a publicação da Medida Provisória 744, que afeta diretamente a governança da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
A MP é assinada por Rodrigo Maia, presidente em exercício, e provoca três efeitos práticos que bombardeiam a comunicação pública. Primeiro: dá amplos poderes para o presidente da República exonerar o presidente da EBC. Temer tentou isso, mas a Justiça mandou voltar atrás. Segundo: tira qualquer participação da sociedade na cúpula da empresa, pois a MP extingue com o Conselho Curador. Terceiro: Temer coloca seus tentáculos na cumbuca, ao colocar cargos estratégicos nas mãos de Mendonça Filho e Marcelo Calero, aparelhando a diretoria.
Para quem pensa numa governança de mídia mais plural, equilibrada, diversa e participativa. Para quem pensa numa comunicação pública e não estatal… Taí!

um mapa nacional da mídia digital

Mapeamento da Mídia Digital no Brasil imagesgstsAcaba de cair na rede um estudo amplo e aprofundado sobre os meios digitais no país. “Mapeamento da Mídia Digital no Brasil” é uma iniciativa da Open Society, assinado por Pedro Mizukami, Jhessica Reia e Joana Varon. Tem oito capítulos espalhados em 173 páginas que tratam de consumo, relações com a sociedade, jornalismo, tecnologia, negócios e formas de financiamento, leis, regulações e políticas. Em linguagem clara, com textos analíticos e recorrendo a diversas fontes, o estudo merece leitura atenta e muita discussão. Tem mais: está bem atualizado, já que a ele foram adicionadas informações sobre o Marco Civil da Internet, aprovado e sancionado em abril passado.

Acesse aqui. (em PDF, em português e com arquivo de 7,6 Mega)

narrativa transmídia, experiências com produtos e marcas e outros birinaites

A dica é da Sandra Montardo, que me mandou a matéria que reproduzo abaixo. Deu na versão eletrônica da Meio & Mensagem. Quem leu Henry Jenkins e o seu “Cultura da Convergência”, sabe que boa parte do futuro – talvez uma das mais divertidas – passe por essas vias…

The Alchemists nasce com bases no Brasil e nos EUA

Empresa propõe que marcas se tornem contadoras de histórias e invistam em estratégias transmídia

Alexandre Zaghi Lemos

23/04/2009 – 13:54

Transformar marcas em contadoras de histórias, cujos enredos possam se desdobrar em estratégias transmídia, parece ser uma das saídas para os anunciantes contornarem problemas como a maior dispersão da audiência dos formatos tradicionais da publicidade.

O desenvolvimento de propriedades originais para marcas, e também para distribuidores de conteúdo, é uma atividade que vem atraindo atenção crescente e acaba de ganhar mais um player. A The Alchemists nasce com bases no Rio de Janeiro e em Los Angeles, fundada pelo brasileiro Maurício Mota e o norte-americano Mark Warshaw, além de um sócio investidor.

“Um dos nossos objetivos mais importantes é o de mostrar às marcas que elas têm todos os ativos para se transformarem em estúdios. Podem desenvolver propriedades intelectuais para seus consumidores – que agora, no novo panorama midiático, são público, co-autores e até parceiros. Esta é uma boa época para contar histórias”, detalha Warshaw, que se notabilizou pelo projeto de desdobramento transmídia do seriado Heroes.

“Os ativos dos estúdios são talentos, marketing, distribuição e recursos financeiros e físicos. As marcas também dispõem de todos eles. O que nossa empresa pretende é facilitar o desenvolvimento de propriedades originais e planejar desdobramentos transmídia, aproveitando o que cada mídia tem de melhor”, acrescenta Maurício Mota. Para se dedicar à nova empreitada, ele acaba de deixar a direção de núcleo da New Content. Antes disso, passou pelas equipes da F/Nazca S&S e da Thymus.

A sociedade entre Mota e Warshaw vem sendo idealizada desde 2007, quando se conheceram em evento no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Desde então, passaram a expor suas teses sobre transmedia storytelling no blog Os Alquimistas Estão Chegando, em eventos como o MaxiMídia de 2008 e em workshops para empresas como o iG.

Mota e seu parceiro norte-americano também se empenham em esclarecer as diferenças entre branded entertainment e transmedia storytelling. Segundo eles, enquanto a primeira ferramenta cria awareness para produtos integrados a conteúdos de entretenimento, o transmedia storytelling desenvolve narrativas proprietárias para as marcas. “São histórias que só poderiam ser desenvolvidas para aquela marca e que serão disseminadas em várias plataformas, criando audiências paralelas. Além disso, podem ser atemporais”, acrescenta Mota.

“As novas ferramentas que temos para envolver o público-alvo, informar os clientes e entreter as pessoas são muito mais poderosas do que todas já usadas pela história da comunicação”, garante Warshaw.

A The Alchemists já efetivou associações estratégicas com duas empresas brasileiras: a Moonshot Pictures – que tem a Fábrica de Ideias Cinemáticas (Fics), que desenvolve roteiros e produz projetos dramáticos, realities e séries, como a 9MM São Paulo, exibida pela Fox – e a Colmeia, produtora interativa do Grupo Ink.

Entre os projetos iniciais estão uma revista em quadrinhos digital para o mercado norte-americano, a elaboração e produção dos desdobramentos transmídia para a nova versão da série Melrose Place e a criação de uma plataforma de transmedia storytelling que será usada em projeto educacional voltado para 300 mil jovens brasileiros.

Além disso, a The Alchemists passa a atuar como representante para a América Latina do Convergence Culture Consortium (C3), grupo de trabalho do MIT focado em estudar e desenvolver projetos de convergência em mídia, entretenimento, publicidade e educação, ao qual já aderiram duas empresas brasileiras: Petrobras e iG. “Teremos uma atuação muito forte no fomento e na disseminação da cultura de convergência do transmedia storytelling”, frisa Mota.

usp oferece curso de comunicação pública e de governo

A Escola de Comunicações e Artes da USP vai oferecer um curso sobre comunicação pública e de governo no próximo mês. Veja o comunicado oficial:

O professor Bernardo Kucinski vai ministrar a partir de março, na USP, um curso pioneiro sobre a comunicação pública e de governo, no qual pretende compartilhar suas experiências como assessor do presidente da república, assim como seus estudos in loco sobre comunicação da Casa Branca e de Downing Street.
O curso terá doze aulas, uma por semana, ás quintas-feiras, das 14h00 às 17h00, começando em 05 de março e terminando em 21 de maio. Abordará também os conceito de comunicação pública, sociedade da informação, e governo eletrônico; o lugar estratégico da comunicação na política e as estratégias de comunicação de políticas públicas e de propostas políticas controversas.
Entre os estudos de casos propostos estão a estratégia de comunicação da Embrapa, o episódio da expulsão do correspondente do New York Times Larry Rohter, o projeto editorial do Suplemento Agrícola do O Estado de S. Paulo, a batalha midiática em torno do projeto de captação das águas do São Francisco e a experiência das Cartas Criticas, que o professor Bernardo e sua pequena equipe produziam todas as manhãs para o presidente.
O curso foi concebido para ter como público alvo estrategistas de comunicação de governos e suas instituições e empresas , incluindo os estaduais e municipais, assim como de movimentos sociais, centrais sindicais, grandes sindicatos, Ongs e partidos políticos. Uma das intenções do professor é fazer do curso um espaço de intercâmbio das experiências desses participantes.
O curso será ministrado no Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA/USP, à Av. Prof Lucio Martins Rodrigues 443, prédio 2, sala 1, Cidade Universitária, São Paulo ( CEP 05508-000). As vagas foram limitadas a 40 e serão preenchidas por ordem de pedido de matrícula. As matriculas abrem no dia 09 de fevereiro, indo até o dia
03 de março, no endereço acima.

Mais informações com Paulo Cesar ou Tânia, pcbontempi@usp.br.
Ou no endereço http://www.eca.usp.br/cultexte/cursexte/cje.asp

univali abre mba em mídias digitais

mbalogo

Estão abertas as inscrições para o MBA em Mídias Digitais da Univali. O curso de especialização tem 35 vagas e começa em abril no campus de Itajaí. As inscrições vão até 31 de março, e ex-alunos da Univali tem 15% de desconto sobre as mensalidades.
Com duração de 18 meses, o MBA é voltado para graduados em Comunicação Social, Ciências da Informação, Design Gráfico, Licenciaturas, Bacharelados em Humanas, Ciências Sociais e Artes, além de áreas afins. O público alvo é extensivo ainda a profissionais de instituições públicas ou privadas que tenham relação com produção de conteúdo e processos editoriais para mídias digitais.
O MBA em Mídias Digitais é uma iniciativa multidisciplinar, que reúne professores mestres e doutores de campos distintos do conhecimento: da Comunicação ao Design, passando pela Informática e Educação. Foram convidados ainda professores de outras instituições, como as universidades federais de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
As aulas acontecerão em modernos e bem equipados laboratórios na Univali, quinzenalmente, sempre às sextas-feiras (noite) e sábados (manhã e tarde). O currículo está apoiado em três unidades, cada um com 120 horas. Cada unidade reunirá quatro disciplinas, um seminário e um oficina, totalizando 18 atividades em sala de aula.

Conheça a grade curricular:
Unidade I – Tecnologia e Sociedade
Comunicação e interação mediada por computador (24 horas)
Tecnologia e a informação estratégica (24 horas)
Teorias da Cibercultura (24 horas)
Educação e Comunicação (24 horas)
Seminário: Análise crítica de mídia digital (12 horas)
Workshop: Webwriting (12 horas)

Unidade II – Comunicação Digital
Convergência de mídias (24 horas)
Sociedade em Rede (24 horas)
Ambientes Virtuais de Aprendizagem (24 horas)
Hipermídia e o texto na internet (24 horas)
Seminário: Media Training (12 horas)
Workshop: Webdesign (12 horas)

Unidade III – Produtos Digitais
Produção multimídia (24 horas)
Jogos digitais e plataformas de entretenimento (24 horas)
Ferramentas colaborativas (24 horas)
Metodologia da Pesquisa (24 horas)
Seminário: Direitos autorais na web (12 horas)
Workshop: Produção Multimídia (12 horas)

Saiba quem são os professores:
– Dr. Alex Primo – UFRGS
– Dr. Flávio Anthero Nunes – UNIVALI
– MsC. Valquíria Michela John – UNIVALI
– MsC Carlos Castilho – ASSESC
– MsC Sandro Lauri Galarça – UNIVALI
– MsC Mary Vonni Meurer de Lima – UNIVALI
– MsC Vera Lúcia Sommer – UNIVALI
– Dr. Luís Fernando Máximo – UNIVALI
– MsC. Laura Seligman – UNIVALI
– Esp. Tiago Ficagna – UNIVALI
– Dra. Maria José Baldessar – UFSC
– Dr. Rudimar Scaranto Dazzi – UNIVALI
– Dr. Rogério Christofoletti – UNIVALI

Inscrições:
De 2 de fevereiro a 31 de março. Para isso, junte:
* Formulário para Inscrição totalmente preenchido;
* Diploma de conclusão de graduação (cópia autenticada);
* Histórico escolar de graduação (original ou cópia autenticada);
* “Curriculum Vitae” resumido (atualizado);
* Carteira de Identidade e CPF (cópia);
* Uma foto 3×4 recente

Custos:
Inscrição (R$ 384,00) + 17 parcelas de R$ 384,00. Ex-alunos da Univali pagam R$ 326,00

Mais informações:
Gerência de Pós-Graduação da UNIVALI – Itajaí/SC – Bloco 5 sala 105
Rua Uruguai, 458 – Bairro Centro – Itajaí/SC – CEP 88302-202
Fone: 47-3341-7534 / 47-3341-7652

Contatos:

E-mail: mba.midiasdigitais@gmail.com
Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=54531828
Site: http://www.univali.br/modules/system/stdreq.aspx?P=3230&VID=default&SID=477966633789518&S=1&A=closeall&C=27372

observatório publica especial sobre 20 anos de constituição

Arte de Henrique Costa para o Observatório do Direito à Comunicação
Arte de Henrique Costa para o Observatório do Direito à Comunicação

O Observatório do Direito à Comunicação acaba de publicar um (ótimo) especial sobre os 20 anos da Constituição Federal e a mídia nacional. Compõem o dossiê textos de Mariana Martins, Henrique Costa, Jonas Valente e Cristiana Charão. Os temas vão da concentração na propriedade dos meios à tensão entre público e privado, passando também pelas concessões de radiodifusão, liberdade de expressão e produção de conteúdos com identidades locais e nacionais.

Não é novidade alguma dizer que esse Observatório realiza um trabalho importantíssimo para a sociedade na medida em que reflete criticamente as relações entre comunicação e sociedade. Desta vez, com este dossiê, mais um material de referência é oferecido.

henry jenkins no maximídia

Henry Jenkins, do MIT, falou de um assunto sobre o qual é bastante conhecido: convergência midiática. Na verdade, a proposta era de que contrapusesse a confluência dos meios e a divergência de interesses, de públicos, de consumos. A palestra de Jenkins se deu durante o MaxiMídia, evento que foi transmitido de São Paulo para várias cidades do país. Vi Jenkins em Itajaí, num dos auditórios da Univali, e a transmissão deixou um pouco a desejar. Não pela qualidade de áudio e vídeo, mas por conta da direção de imagens. Nem sempre, era possível ver os slides que Jenkins apresentava. Isso porque os realizadores do MaxiMídia insistiram em mostrar o palestrante, sem dividir a tela e conjugar os conteúdos…

De qualquer forma, a fala de Jenkins reforçou o que vem se lendo dele há alguns meses. Aliás, seu livro “Cultura da Convergência” já circula em edição brasileira… Jenkins bateu em teclas já bastante conhecidas:

(*) A entrada da grande mídia em novas plataformas ajuda a desenvolver a convergência midiática, já que esses players sabem muito bem fazer o que já fazem, além de não quererem perder mercado nem dinheiro.

(*) Digitalização e Culturas Participatórias também contribuem para este cenário, mas trazem novos contornos para os públicos e para o próprio negócio da mídia. Isto é, de consumers passamos a prosumers: não só consumimos, mas também produzimos conteúdos consumíveis… Jenkins citou dois números altamente expressivos: 52% dos adolescentes dos Estados Unidos já produziram conteúdos de mídia e outro terço já distribuiu esses conteúdos.

(*) Associados aos pontos acima está a idéia de Inteligência Coletiva, conceito que entrevê, por exemplo, que as pessoas estão formando comunidades para resolver seus problemas. Isso muda o conhecimento, os públicos e a própria mídia. Muda ainda o relacionamento entre meios e públicos, produtores e receptores.

(*) Contar histórias transmídia, fazendo cruzamentos e extensão de conteúdos para outras plataformas, amplia narrativas, de acordo com diversos formatos.

(*) Colaboracionismo. Jenkins afirmou a necessidade de conjugar interesses no novo cenário onde o público, muitas vezes, transgride direitos autorais dos realizadores para consumir seus produtos. Segundo ele, é preciso incentivar a criatividade dos públicos, dos consumidores, mas esses devem também cooperar com os proprietários das marcas. Isso faz parte de uma economia moral, onde se deve restituir a confiança entre as partes. Há um choque entre compartilhamento e pirataria, entre consumo pago e tráfico de produtos, entre ações legais e ilegais, por exemplo.

A fala de Jenkins foi dinâmica, bem ilustrada e esclarecedora em alguns pontos. A chatice mesmo ficou por conta de Luiz Fernando Vieira, da agência África, que se encarregou de fazer perguntas ao palestrante. Atrapalhado com os conceitos, inseguro na fala e pouco à vontade, Vieira fez perguntas redundantes e circunscritas basicamente aos interesses dos publicitários. Uma pena… Os organizadores do Maxi Mídia deveriam ter trazido alguém da academia – notadamente, um pesquisador que conhecesse mais a obra e o pensamento de Jenkins – ou algum jornalista – geralmente, mais afeitos e preparados para o posto de perguntador…

ATUALIZAÇÃO (10 DE SETEMBRO DE 2008): Tiago Caminada fez um relato do que Mark Warshaw tratou no segundo dia do MaxiMídia. Aqui.

armínio fraga de olho na rbs

RBS negocia venda de parte de suas ações a fundo do ex-presidente do Banco Central

O grupo RBS, que possui TVs, rádios e jornais no sul do Brasil, está negociando a venda de 15% de seu capital ao fundo de investimentos Gávea, segundo O Estado de S.Paulo. O fundo pertence a Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central. O negócio deve ser concluído até 30 de setembro.

É a primeira incursão de Fraga no negócio da comunicação. Nos últimos meses, seu fundo comprou participação em diversas empresas, da aviação ao entretenimento.

Segundo o jornal O Globo, o negócio pode ter sido intermediário por Pedro Parente, vice-presidente executivo da RBS, que foi colega de Armínio Fraga na equipe econômica do governo Fernando Henrique Cardoso.

A RBS existe há 50 anos. Possui atualmente 21 emissoras de TV, 26 de rádio, oito jornais, dois portais de internet, uma editora, uma gravadora e uma empresa de logística, entre outras, segundo o jornal. Até poucos dias atrás, o presidente do grupo, Nelson Sirotsky, presidia a Associação Nacional de Jornais.

Em junho, a Standard & Poor’s considerou consistente a situação financeira da empresa e melhorou sua classificação de risco para investimentos.

(Notícia dada no blog do Knight Center for Journalism in the Americas)

200 blogs de comunicação em português

Em julho de 2007, criamos aqui uma lista de blogs de pesquisadores da comunicação.
Pouco mais de um ano depois, chegamos a 200 links para blogueiros brasileiros e portugueses, que tratam de diversos assuntos: de suas pesquisas a amenidades, de hobbies a especialidades pessoais antes desconhecidas.

São 157 blogs do Brasil e 43 de Portugal.
Evidentemente, esses números não esgotam a criatividade e expressão dos blogueiros da área, mas dão uma amostra considerável do global.

Agradeço aos colegas que levaram essa lista adiante, dando links e sugerindo novos endereços. Bem como corrigiram alguns pontos inativos ou quebrados.
Do primeiro post sobre a lista até hoje, atualizei 40 vezes o rol de blogueiros nacionais, e outras 31 vezes os dos patrícios portugas.

Nos 200 anos da imprensa no Brasil, esses 200 links são apenas uma amostra de como buscamos incessantemente nos comunicar, expressar nossas paixões e ódios e nos fazermos sujeitos de nossos próprios posts.

Adiante!

criou fakes no orkut e foi pro xilindró

Deu na Folha:

Um advogado foi preso na noite de quarta-feira (13) em Florianópolis, sob suspeita de criar perfis falsos para difamar uma colega de trabalho e o noivo dela. Segundo a Polícia Civil, ele deve ser indiciado sob acusação de falsidade ideológica e difamação.

A prisão, realizada em uma LAN house da cidade, ocorreu após cerca de oito meses de investigação. De acordo com a polícia, o advogado criou três perfis falsos no Orkut –dois com imagens da vítima e um com o noivo dela. No momento da prisão, foi encontrado com o suspeito um CD com fotos das vítimas.

A polícia afirma que o advogado trabalhava com a mulher no Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) e ele “provavelmente tinha atração, amor pela vítima”. “Como não era correspondido, ele começou a fazer perfis falsos no Orkut”, diz o investigador André Gustavo da Silveira, do 1º Departamento de Polícia.

Em um deles, o noivo da vítima era colocado como homossexual e em outro, com o nome da funcionária do banco, havia imagens pornográficas. O terceiro perfil, com fotos “normais” da vítima, era utilizado pelo advogado para conversar com outras pessoas no Orkut.

Segundo os investigadores, não houve rastreamento do IP (protocolo de internet) do suspeito durante as investigações. Para chegar ao advogado, a vítima apresentou uma lista de nomes que poderiam ser os responsáveis pela ação. Depois, a polícia comparou o modo de escrever do suspeito em seu perfil verdadeiro e os falsos e afirma ter encontrado muitas semelhanças.

A LAN frequentada pelo sujeito também colaborou com as investigações e monitorou suas ações nos computadores da loja.

censura na web e capitulação dos gigantes

Com informações do senador norte-americano Dick Durbin, o ReadWriteWeb informa que estaria em curso o fechamento de um acordo entre Google, Yahoo e a Microsoft para estabelecer uma espécie de código de conduta para operar nas restritíssimas condições de mercados como o chinês. Essa informação ganha maior vulto agora, a poucos dias do início dos Jogos Olímpicos de Pequim (sim, é Pequim e não Beijing).

No acordo de cavalheiros dos gigantes, estariam previstos itens como Princípios para a Liberdade de Expressão e Preservação de Privacidade, a implamentação de regras gerais de atuação, governança e transparência.

Como eu sou um cara muito desconfiado, fico só olhando se não estaria em curso uma capitulação dessas megacorporações apenas para ingressarem no riquíssimo e rentável mercado chinês, abrindo mão de valores essenciais como liberdade de expressão apenas para meter a mão em bilhões de verdinhas…

A se conferir…

“em brasília, 19 horas”: uma leitura

Eugênio Bucci é hoje um dos mais atentos e criativos leitores da mídia nacional. Seus argumentos são equilibrados, seus comentários aprofundados e a clareza de seu discurso não só convence, como contagia.

Bucci publicou no início deste ano mais um livro, desta vez, um híbrido que mescla memórias, ensaio e prestação de contas. Presidente da Radiobrás durante o primeiro governo Lula, Bucci assumiu a frente da estatal com o claro propósito de resgatá-la do pântano chapa-branca em que sempre viveu e cresceu para um patamar de empresa pública de comunicação, orientada pelo interesse público e avessa ao patrimonialismo, aparelhamento e clientelismo endêmicos.

“Em Brasília, 19 horas” chegou ao mercado editorial com alguma surpresa. Afinal, não é à toda hora que um insider do governo vem à tona com livro desse porte. Algumas hienas devem ter tremido no Planalto; outros chacais rido nervosamente; as serpentes requebraram no cerrado do DF… Viriam daquelas páginas revelações, escândalos, indiscrições? Nada disso.

O livro de Bucci é, na sua quase integridade, um rigoroso relatório, dando contas de como quis imprimir seu projeto e fazer tomá-lo curso. Claro, há uns rompantes aqui, umas rusgas ali, mas o volume – na minha leitura muito personal – tem ao menos quatro bons motivos para ser lido:

1. O livro nos mostra uma Radiobrás que sempre esteve debaixo de nossos narizes e quase nunca nos interessou. Fale a verdade: a gente sempre pensou naquilo como um setor de Publicidade ou Relações Públicas de qualquer governo de plantão. Não se atrelava a estatal a um lugar onde se pudesse fazer jornalismo mesmo. Bucci relembra a experiência que liderou, comparando com outros momentos da empresa, o que é muito instrutivo.

2. O livro detalha como se pode conceber uma tarefa quase-impossível e como se conduz um projeto desses. Para quem vai assumir cargos semelhantes ou empreendimentos análogos, o livro já valeria como uma envolvente fonte de exemplos.

3. Bucci dá verdadeiras aulas sobre ética jornalística, princípios democráticos, valores republicanos e senso de civilidade. Quem conhece Bucci de outros carnavais ou leu outros livros seus, quem já viu isso sabe que não é só discurso da parte dele.

4. O livro dá dimensões muito precisas das distâncias entre os setores de Publicidade, Relações Públicas e Jornalismo. Cada um tem a sua função e importância. Mas Bucci separa joio e trigo, aveia e centeio. Com isso, revigora as fronteiras entre um campo e outro da área da comunicação, fortalecendo cada qual com seu ethos, seu espírito, suas demandas. Não é pouco isso…

Se o tom do autor no livro é quase sempre relatorial, não há distanciamento. Afinal, ele estava lá, no centro da arena, dos confrontos. Nos últimos capítulos, Bucci fica nu, despe-se de qualquer pudor de falar de si e da sua história e se entrega para o final que prepara. Ele está prestes a deixar o governo e a presidência da Radiobrás e a longa agonia que o separa da porta de saída é contada na riqueza dos sentimentos e nas memórias mais latejantes. O final do livro, bem, o final é matador. Não deixe de ler.

políticos avançam na mídia

271. Este é o número de políticos brasileiros que são sócios, proprietários ou diretores de emissoras de rádio e TV, contrariando a lei. O assédio de políticos sobre a mídia é muito maior, se fôssemos considerar ainda os meios impressos…

O levantamento é recente, e foi feito pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom).

A maioria deles é prefeito, seguidos dos deputados estaduais. DEM, PMDB e PSDB são os partidos com mais “donos da mídia”, o que é uma notícia desairosa: afinal, somadas, essas legendas detêm a grande maioria das cadeiras no Congresso, o que impossibilitaria – por exemplo – mudanças na legislação que contrariasse tais interesses.

Veja o estudo do Epcom em detalhes.

retrato da mídia na iberoamerica

O antenadíssimo Ramón Salaverria, do blog e-periodistas, informa que a Fundação Telefónica acaba de lançar mais uma edição do anuário Tendencias 7 – Medios de Comunicación, que trata do cenário ibero-americano na mídia.

O arquivo pode ser baixado aqui, mas vou avisando que é pesadinho: 10,2 Mb. São 421 páginas em PDF, fartamente ilustrada com gráficos coloridos e demais imagens. Entre os colaboradores do documento estão nomes de peso como Luis Ramiro Beltrán, Octavio Islas, Jesús Martín-Barbero, German Rey. No comitê científico, também: Antonio Fidalgo e Guillhermo Mastrini. Três brasileiros apenas nos créditos: José Marques de Melo, Matías Molina e Maria Immacolatta Lopes.

Se você quer saber sobre blogs, mas tem preguiça ou pressa, Salaverria destaca alguns pontos, que reproduzo:

“En la parte 3, la investigadora Bella Palomo publica un capítulo sobre “Blogs en el espacio iberoamericano” (pp. 215-225), donde expone los resultados de una encuesta realizada entre periodistas-bloggers iberoamericanos, a la que contribuí con mis respuestas. Los resultados principales son:

  • El 75% de los periodistas-bloggers tiene menos de 40 años.
  • Tres de cada diez blogs son elaboradas por mujeres periodistas.
  • La mitad de los periodistas iberoamericanos con blog tiene varias ocupaciones profesionales.
  • Los periodistas menos atraídos por el periodismo 3.0 son los dedicados al sector audiovisual y a la comunicación institucional.
  • Tres de cada cuatro encuestados consideran que con el blog practican periodismo de opinión.
  • El 61,9%cree que el mayor logro de su blog ha sido hablar con la audiencia.
  • El 52,4% ha logrado una libertad editorial que no tiene en el medio para el que trabaja.
  • Sólo un 3% ha logrado por esta vía otra fuente de ingresos.
  • El 63% recibe comentarios ofensivos.
  • El 40% ha recibido ofertas de trabajo a través de su blog.
  • Al 63% no le preocupa la cuestión del copyright.
  • El 35% sabe que en alguna ocasión han plagiado contenidos de su blog.
  • El 60% ha incorporado alguna vez elementos multimedia en su blog.”

Evidentemente, o documento não pode ser resumido a isso.
Há muito mais. Principalmente, nas partes finais, das tendências…
Merece longa degustação… enjoy it.

credibilidade da mídia: novos números, velhas questões

A questão mais importante para a mídia é a da credibilidade. Tanto faz se estamos falando de jornais tradicionais ou de novos meios de comunicação. O problema da confiabilidade do veículo e das informações que transmite está intimamente ligado a aspectos como a qualidade do serviço de comunicação prestado, a penetração e manutenção em mercados, e a própria sustentabilidade dos negócios da mídia.

Neste sentido, não é exagerado dizer – como já o fez Eugenio Bucci em seu Sobre Ética e Imprensa – que a credibilidade é o maior patrimônio que um jornalista pode ter. Sem ela, não há respeito por parte dos pares e das fontes de informação, não há respeito por parte dos empregadores e consumidores de informação. Jornalista sem credibilidade é como cirurgião sem mãos. Não há saída.

 A dança dos números
Nesta semana, li duas pesquisas que me chamaram a atenção. A primeira delas foi patrocinada pela Associação dos Magistrados do Brasil sobre a imagem e a confiabilidade de instituições públicas. Com margem de erro de 2,2 pontos percentuais, a pesquisa ouviu por telefone 2011 pessoas em todo o Brasil no período de 4 a 20 de agosto passado. Lanço alguns dados aleatórios:

  • 75,5% das pessoas disseram confiar na Polícia Federal
  • 74,7% disseram confiar nas Forças Armadas
  • 81,9% disseram não confiar nos políticos
  • 50% não confiam na Justiça, mas 71,8% dizem confiar nos juizados de pequenas causas
  • 84,9% dos ouvidos acreditam que a corrupção pode ser combatida
  • 59,1% confiam na imprensa enquanto que 32,4% não confiam

A segunda pesquisa a que tive acesso foi desenvolvida pelo Ibope e concentra-se em elementos para determinar sustentabilidade. Para isso, foram ouvidos 537 executivos de 361 grandes empresas brasileiras.

Lanço alguns resultados:

  • Instituições governamentais inspiram maior confiabilidade
  • No Estado, o setor que ainda se mantém bem é o Correio
  • Para 52% dos entrevistados, a Tv aberta é confiável sempre. Mas este percentual era de 61% há dois anos
  • Os índices de alta confiabilidade caíram também para os jornais (de 79 a 73%), para a TV fechada (de 74 a 67%) e para as emissoras de rádio (de 81 para 71%)
  • Os índices de “confia sempre” se mantiveram entre as revistas (87%)
  • Só na internet é que a coisa melhorou um pouquinho, de 49% passou para 50%
  • Apesar da queda da confiabilidade alta, o jornal impresso ainda é o de maior credibilidade entre os entrevistados

Quando se olha para outro aspecto, a percepção de eficiência dos meios, um aspecto chama a atenção. Internet e TV fechada são os principais meios. A internet saltou de 29% em 2005 para 75% este ano. TV fechada passou de 24% para 54%. Do outro lado da gangorra, ainda no quesito “percepção de eficiência dos meios”, os jornais despencaram de 34% para 18%, as revistas caíram de 48% para 25%, a TV aberta caiu de 65% para 49% e as emissoras de rádio de 34% para 20%.

Dos números às conclusões 
Pesquisas existem aos montes. Umas mais confiáveis, outras menos. Inclusive as pesquisas sobre confiabilidade das instituições. No caso das que acabei de citar, trata-se de estudos que, se não acertam na pinta, não ficam muito longe do alvo. As duas pesquisas convergem no sentido de que a mídia vem perdendo credibilidade como outras instituições nos últimos anos. E é possível perceber – pelo menos no estudo do Ibope – que a queda da credibilidade dos meios tradicionais pode estar diretamente ligada à queda da percepção de suas eficiências como veículos. Basta juntar os números e perceber.

Os meios tradicionais têm caído no conceito das pessoas porque não têm atendido às suas expectativas. Isto é, credibilidade rima como eficiência, com qualidade.

Na verdade, esse vínculo necessário não é nenhuma descoberta milagrosa dessas pesquisas. Os números apenas reforçam e nos lembram que não se pode fazer omeletes sem quebrar ovos. Isto é: jornalismo de qualidade/comunicação eficiente garante os corações e as mentes do público…

radiodifusão e políticos: erundina quer moralizar

A informação é da Agência Brasil, reproduzida no Observatório da Imprensa. A Câmara quer regulamentar a proibição de concessões a detentores de cargos públicos, principalmente o que diz o artigo 54 da Constituição Federal.

A presidente da Subcomissão de radiodifusão da Câmara – deputada Luiz Erundina – está à frente das brigas:

A deputada afirmou que está na hora de corrigir tudo isso. Para ela, a incorporação de novas tecnologias, como o sistema digital, que amplia o aspecto de freqüência, pode possibilitar maior poder, se ficar concentrado nas mãos dos parlamentares. A parlamentar disse que é preciso se antecipar e impedir a formação do monopólio, que é o que tem acontecido no sistema analógico, evitando que essas irregularidades continuem”.