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 Na noite passada, devorei O gosto da guerra, de José Hamilton Ribeiro.

O livro é o texto clássico do repórter que conta a sua ida ao Vietnã para cobrir a guerra e o acidente que teve no front, ao pisar numa mina, perder uma perna e quase morrer por lá. Para quem não se lembra, o jornalista foi à guerra em 1968 como correspondente da já mítica revista Realidade. O repórter acabou virando a notícia, e Zé Hamilton foi se construindo o repórter-símbolo do jornalismo no país. Não por causa de seu acidente, mas pelo que fez depois disso, ganhando dezenas de prêmios (sete Esso de Jornalismo, só…) e oferecendo centenas de reportagens com R maiúsculo.

O relato é quente, vibrante, cheio de adrenalina. Foi feito à época, mas o livro que me chegou às mãos traz um bônus: uma segunda parte em que Zé Hamilton narra o seu retorno ao Vietnã 23 anos depois. A emoção, a aventura, o jornalismo são espelidos pelos poros das páginas. Por isso, a gente devora o volume.

A apresentação é feita pelo genro de Zé Hamilton, o também excelente repórter Sérgio Dávila, que cobriu o 11 de setembro e a ofensiva ao Iraque, só pra citar os mais famosos.

O gosto da guerra é leitura obrigatória para quem é jornalista ou quer sê-lo. É recomendável para quem se interessa por história contemporânea ou relatos de guerra. É agradável para todos que apreciam uma narrativa ágil, intensa e sem pruridos para mostrar sentimentos.

Em 2008, faz 40 anos que Zé Hamilton perdeu a perna numa mina terrestre.

Não sabe o gosto da guerra? Zé Hamilton conta: é uma mistura de terra, pólvora e sangue que toma a sua boca, que permanece por dias, causa náuseas, vertigens e intensas transformações pessoais.

Um comentário em “jornalistas…

  1. Caro
    O Bandido da Chacrete, Ascensão e Queda de um Fundador do Comando Vermelho – resgata os últimos quarenta anos da história da sangrenta periferia do Rio de Janeiro. Tem de tudo. Tem uma infância quase idílica em um Copacabana bossanovista de Paulo Cesar Chaves, um dos fundadores do Comando Vermelho. Tem a mudança para o morro da Providência, onde ele faz uma ligação quase direta para o crime depois de ser abandonado pelo pai judeu. Há ainda o casamento com a chacrete Martinha, que, quando ambos são presos no início da década de 1970, recebe o tratamento de Bonnie and Clyde por parte de uma mídia ruidosa. Vem em seguida a relação com os presos políticos dentro de uma Ilha Grande remota, antes da construção da Rio Santos, que mudará a relação tanto de São Paulo como do Rio de Janeiro com a Costa Verde.
    Por intermédio da história de Paulo Cesar Chaves, visito o momento em que o Comando Vermelho domina a Ilha Grande, o sistema penitenciário e as favelas cariocas. Essa mesma geração, formada por assaltantes de banco, vai perder o controle da facção para os grandes traficantes ao longo da década de 1980 a partir de que seus principais nomes promovem fugas espetaculares e deixam a cadeia sob o controle de uma nova geração.
    Há ainda uma nova história de amor, dessa vez com uma jornalista gaúcha que o ajudará a fugir e tentará em vão se estabelecer em Florianópolis. Essa história de amor terminará quando o repórter policial adentra a redação onde esta jornalista era secretária com a foto dela e da filha que ela dera a ele. Há por fim a total derrocada de Paulo Cesar, que, depois de uma cadeia de trinta anos, sai para confirmar a máxima de Graciliano Ramos, que, em Memórias do Cárcere, afirma que os presos vão para a Ilha Grande não para mudar, mas para morrer. Encontrei-o em meio ao mar de camelôs do centro do Rio, com as sequelas de uma série de AVCs. Achei comovente a história deste personagem, na qual estou mergulhado desde 2004. Espero que goste dela tanto quanto eu.

    O bandido da chacrete

    A origem do Comando Vermelho na trajetória de um homem

    Julio Ludemir faz um mergulho no tempo e volta ao período de formação da maior facção criminosa do Rio de Janeiro – o Comando Vermelho – através da trajetória de Paulo Cesar Chaves, um dos mais intrigantes fundadores do grupo na década de 70. Ludemir guia o leitor pelos sinuosos corredores de favelas, pelos porões dos presídios da Ilha Grande, até o burburinho dos camelôs do centro do Rio. É entre esses cenários que transita PC e sua memória do submundo do crime. História paralela de um Brasil contemporâneo, O BANDIDO DA CHACRETE acaba de sair da gráfica da Editora Record e chega às livrarias no dia 11 de outubro.

    O BANDIDO DA CHACRETE

    Julio Ludemir

    Editora Record

    462 páginas

    Preço: R$ 60,00

    Formato: 16 x 23 cm

    ISBN: 978-85-01-07885-8

    Depois de No coração do comando, onde explora o sistema carcerário, e Sorria: você está na Rocinha , onde fala da indústria da miséria nos morros cariocas, o jornalista pernambucano Julio Ludemir mergulha de novo no submundo. Em O BANDIDO DA CHACRETE, ele acompanha a trajetória de Paulo César Chaves, o PC, um dos mais intrigantes fundadores do Comando Vermelho.

    Ludemir guia o leitor pelos sinuosos corredores de favelas, pelos porões dos presídios da Ilha Grande, até o burburinho dos camelôs do centro do Rio. É entre esses cenários que transita PC, um dos mais temidos assaltantes a banco da década de 1970. O BANDIDO DA CHACRETE mostra sua ascensão e queda. A infância quase idílica em Ipanema. A paixão pela chacrete Martinha. A convivência com os presos políticos, as guerras nas cadeias e as fugas espetaculares.

    O livro traz a história paralela de um Brasil contemporâneo. Revela sua linguagem própria, com termos como faxina, uruba, aviões, cachorrinhos, sujo, robô, cafofo, etc. Segue a rápida evolução de PC: de usuário de drogas a traficante e assaltante de bancos. Conta também um pouco da vida de outros bandidos, a chegada do Comando Vermelho às favelas cariocas, o maior assalto a banco da história do Sul do Brasil.

    Nos bastidores das aventuras de Chaves, muitas sem qualquer glamour – com balas e facadas -, esta pesquisa oferece ao leitor uma rara oportunidade de conhecer as relações de ética que estão na base da fundação da facção que virou sinônimo de impunidade no país.

    Julio Ludemir nasceu no Rio de Janeiro em 1960, mas foi criado em Olinda, Pernambuco. Tem a alegria de ser rubro-negro e a capacidade de fazer filhos lindos, de que Pablo e Juliana são provas irrefutáveis. É autor de No coração do Comando, Sorria, você está na Rocinha e Lembrancinha do Adeus, além da novela infanto-juvenil Mais um pai.

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