3 links sobre jornalismo para 2020

2020 já é!

Que tal três linquezinhos espertos sobre jornalismo no Brasil?

  • Nativojor: o site é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso da jornalista Fernanda Giacomassi, e o objetivo é oferecer um panorama dos veículos nativos digitais brasileiros. Vale navegar com calma, ler as entrevistas e conhecer as iniciativas. É inspirador, ideal para o início de um ano…
  • Por falar em gente inspiradora (e corajosa!), Sérgio Spagnuolo e Alexandre Orrico juntaram alguns cacos e vários talentos para criar o Núcleo, empreendimento de jornalismo de dados, cujo foco é transparência.
  • E para falar de jornalismo por aqui é essencial ler as projeções de especialistas deste especial do Farol Jornalismo e da Abraji.

 

Guerra entre Bolsonaro e jornalistas deve continuar em 2020

O ano de 2019 foi um ano pra lá de tenso nas redações, não só por causa de demissões e fechamento de títulos, mas também porque cobrir os atos do governo de Jair Bolsonaro foi, digamos, mais insalubre do que imaginávamos.

Houve violência verbal, truculência, ameaças e medidas arbitrárias vindas do principal ocupante do Palácio do Planalto…

Você acha que a guerra entre o presidente e o jornalismo profissional vai amainar em 2020? Eu acho que não, e explico tim-tim por tim-tim neste artigo especial para o objETHOS.

ATUALIZAÇÃO de 13/12/2019: Falei um pouco mais sobre isso com a jornalista Kassia Nobre do Portal Imprensa. Veja aqui a entrevista.

Bolsonaro dá uma canetada e acaba com registro de jornalista

(publicado originalmente no objETHOS)

Os ataques do governo Bolsonaro ao jornalismo são tantos e tão frequentes que já deveríamos estar acostumados. Surpresos, já não ficamos mais, é verdade, mas não dá pra se acostumar com homens públicos que desprezam o debate público, que perseguem jornalistas e fazem de tudo para impedir que a sociedade seja bem informada. O presidente já hostilizou repórteres, mandou cancelar assinaturas de jornais, editou atos que interferiram nos negócios de empresas de mídia, distribuiu politicamente verbas publicitárias e vem sufocando o sistema público de comunicação. O que mais pode ser feito para acabar com o jornalismo?, deve ter se perguntado o presidente da república em seu gabinete no terceiro andar do Palácio do Planalto.

A resposta veio na semana passada, na forma de mais uma canetada para atingir em cheio os jornalistas: ao criar modalidades mais flexíveis de contratação – o chamado Programa Verde e Amarelo -, Bolsonaro não perdeu a chance de alterar a legislação trabalhista e de extinguir direitos. Por meio da Medida Provisória 905, o presidente da República simplesmente revogou artigos do Decreto-Lei nº 972/69, que regulamenta a profissão de jornalista. O mais grave ataque foi ao registro profissional, que deixou de ser obrigatório para o exercício da função. Com isso, qualquer pessoa pode atuar no país como jornalista, sem qualquer exigência formativa ou legal.

A medida revoltou setores organizados no jornalismo. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) emitiu nota apontando inconstitucionalidade na decisão presidencial, e entidades acadêmicas como a Intercom, a associação de ensino do jornalismo (Abej) e a de pesquisadores da área (SBPJor) também criticaram publicamente a ação. Escamoteada em meio ao Programa Verde e Amarelo, a extinção da obrigatoriedade dos registros de jornalistas é um golpe direto no exercício desses profissionais, pois desregulamenta o setor, fragiliza a categoria e escancara as portas do mercado a aventureiros, sem qualquer formação específica, responsabilidade social ou preocupação ética.

A edição da MP precipitou reuniões de emergência em sindicatos de todo o país, e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) – que não tem função classista, mas de interface com a sociedade – reproduziu as preocupações da Fenaj e está em articulação com a entidade ações para “enfrentar essa onda de ataques à profissão”. Um das ofensivas é convencer os parlamentares a não aprovar a medida provisória na íntegra, vetando os trechos que colocam em risco as regras de entrada profissional. Pressionado, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), prometeu atuar para deter o ataque.

Em termos práticos, acabar com a obrigatoriedade do registro de jornalista não ajuda o jornalismo, nem a sociedade. Só contribui para quem quer aumentar a disseminação de fake news, de boatos, mentiras e informações mal apuradas. Só auxilia quem quer corroer ainda mais a credibilidade do jornalismo profissional e quem quer controlar por completo o fluxo de informações. A medida é um gesto de truculência à organização de uma categoria profissional que, legitimamente, lutou para ser reconhecida pelas leis e pelo Estado, e que tem finalidade pública. A medida visa a desestabilizar ainda mais repórteres e editores nas redações, precarizando o seu cotidiano e voltando parcelas raivosas da sociedade contra o seu trabalho. A decisão de Bolsonaro não ajuda sequer as empresas de mídia, pois dispensar o registro não significa economia nas contratações. Desde a decisão do Supremo Tribunal Federal de junho de 2009, que tirou a obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo, as empresas do setor perceberam que empregar bons profissionais é investir em jornalistas bem formados. Empregar pessoas que nem tenham registros de jornalistas é apostar na incerteza, na sorte de contar com alguém que possa cumprir uma função tão complexa e delicada.

Imagine, por exemplo, se o governo federal emitisse um decreto dispensando os médicos de obterem seus registros profissionais. Possivelmente, muita gente tentaria se colocar no mercado de trabalho, oferecendo-se para clinicar, mas teríamos uma medicina melhor? A resposta é uma só: não. Assistiríamos a um festival de barbaridades nos consultórios e hospitais. O mesmo vai se dar com o jornalismo. Não é precarizando a profissão, desorganizando a categoria e desregulamentando o setor que melhoramos o jornalismo. Para aumentar a qualidade de nossos produtos e serviços e para reforçar os nossos padrões éticos, precisamos intensificar a qualidade das empresas de mídia e a qualificação dos jornalistas. Com a MP nº 905, podemos esperar um sinistro festival de fake news, de propaganda travestida de informação, e de mentiras.

Acabar com a obrigatoriedade do registro profissional é só mais uma etapa na agenda anti-jornalística de Jair Bolsonaro e de políticos que detestam o debate público, que impedem os cidadãos de ter acesso às notícias críticas ao governo, e que não querem se submeter ao julgamento da sociedade. É um ataque ao jornalismo, mas é uma afronta à democracia e ao direito à informação ética e de qualidade das pessoas.

Ética, mercado de trabalho e crise do jornalismo

Os cursos de Comunicação da Faculdade Ielusc, de Joinville, estão realizando desde ontem, 10 de setembro, a 9ª Semana Integrada de Comunicação. O evento vai até amanhã, 12, e pra fechar, vou falar um pouco de ética jornalística, mercado de trabalho e a crise que se abate sobre o jornalismo. Vou aproveitar também para lançar naquela cidade o livro “A crise do jornalismo tem solução?”

Para saber mais da semana, veja aqui.

Para saber mais do livro, aqui.

Lá se foi Clóvis Rossi

O coração de Clóvis Rossi parou, e o jornalista está morto.

Juca Kfouri escreveu um curto comentário em seu blog, que dá uma dimensão de como é difícil se despedir de amigos.

Eu não conhecia Clóvis Rossi pessoalmente, mas o acompanhava há 30 anos, pelo menos. Eu o li religiosamente durante duas décadas, e ele representou um dos meus horizontes como jornalista. Foi um dos que me influenciou no início de carreira pelo texto, a bagagem profissional, o jeitão de repórter e a compreensão histórica da política na América Latina.

De uns anos para cá, Clóvis Rossi foi caminhando cada vez mais para o epicentro ideológico da classe média, e eu fui me distanciando. Era um moderado, civilizado e até brando. O que ele escrevia já não batia tanto com o que eu acreditava ou via no mundo. Não importa. Hoje, se foi um dos grandes jornalistas do meu tempo. Obrigado, Clóvis.

Um depoimento de como o Twitter afeta nosso comportamento

Marcelo Träsel já foi um usuário inveterado no Twitter. Opinava, informava, discutia, brigava. Mas há um ano está longe daquela rede social.

Algumas razões pessoais o levaram a isso, e o mais corajoso nem é se desligar da rede, mas fazer um profundo exame de consciência e uma revisão de suas atitudes. Passado um ano de abstenção, Träsel faz um relato pungente de como o Twitter continua fabricando babacas, de como pouco se importa com crimes e linchamentos pessoais, e de como isso nos faz cada vez piores.

Leia o Träsel. Pense a partir dele.

Uma série brasileira sobre jornalismo, ética e poder

Contracapa mostra uma equipe de jornalistas de um jornal impresso enfrentando situações de risco ao investigar um esquema de corrupção no Brasil. A série tem 12 episódios e estreou no dia 21 de janeiro na TV Brasil e TV Educativa Paranaense. Com criação de Rafael Waltrick, direção geral de Guto Pasko e produção de Andréia Kaláboa, Contracapa deve ter uma segunda temporada, informa a GP7 Cinema.

Cresce violência contra jornalistas no Brasil

Relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), lançado na última sexta-feira (18), revela que as agressões contra jornalistas cresceram 36,36% em 2018 em comparação ao ano anterior. Foram registradas 135 ocorrências que vitimaram 227 profissionais no Brasil. A greve dos caminhoneiros e transportadoras e as eleições ajudaram a aumentar a violência contra a categoria.

O relatório completo pode ser conferido aqui.