Fico pensando aqui o que faz de um professor professor…
Um diploma?
O conhecimento acumulado?
Uma paixão ou uma missão de ensinar?
A vocação, aquele chamado interior?
Pode ser uma dessas respostas, ou todas juntas, ou apenas algumas, ou ainda: nenhuma.
Ok, ok. Onde estou querendo chegar afinal? Não me atrevo a responder o que faz de um professor professor. Apenas passei a pensar e a repensar isso com mais intensidade nesses dias de janeiro depois de ler Ei, professor, de Frank McCourt.

Não sabe quem é McCourt?
Eu também não sabia, mas vou te apresentar.
O cidadão nasceu nos Estados Unidos de família irlandesa e passou sua infância toda na Irlanda. Um período bem difícil, conforme ele já contou em seu primeiro livro As cinzas de Angela, que não só virou filme, como lhe deu o Prêmio Pulitzer e outros tantos. Sabe o que é ganhar o tal prêmio com um livro de estréia aos 67 anos? É para poucos…
E por que tanto alarde?
Bem, McCourt lecionou no ensino médio em diversas escolas de Nova York onde mora há décadas. Seus livros são pungentes e verdadeiros, e se prendem ao seu cotidiano de professor. McCourt mostra como uma vida errante, cheia de medos, de inconsistências, de fragilidades pode encontrar algum sentido. Não porque o professor queira, trabalhe nisso ou faça desse propósito o seu caminhar. Mas porque a vida parece se rearranjar a cada passo que damos.
Os episódios que o autor conta em Ei, professor são de uma sinceridade absurda, constrangedora até. McCourt nunca é o herói, nunca tem a ação imediata ou corajosa. São suas deficiências como professor, os desafios, as impossibilidades que constróem seu cotidiano. Sem dourar a pílula, sem Happy End, sem idealismos. Ele não quer moralismos, não quer revelar seus feitos grandiosos, nem nada. Apenas ele se narra, apenas se detém ao que aconteceu, sem grandes recursos retóricos, sem ambições.
Isso não significa uma narrativa fria, ressentida ou rancorosa. Que nada! Há humor, há momentos de grande poesia e sensibilidade nas páginas de McCourt.
Ei, professor nos faz pensar, nos faz lembrar de histórias semelhantes que já assistimos ou protagonizamos. Tanto como alunos quanto como professores. O que fez Frank McCourt manter-se por 35 anos à frente de cinco turmas diariamente e centenas de adolescentes barulhentos? O que fez com que se mantivesse nesse calvário sem grandes satisfações ou honrarias? O que nos faz dar continuidade a isso? Para que servem, então, os professores, se seus alunos mal se lembram de seus nomes após um ano de convívio? Que tipo de falta fariam à educação desses caras? Dá pra pensar a educação sem mestres e mestras?
As perguntas são muitas, como as que os irriquietos alunos de McCourt lhe faziam nos três turnos de aula. As respostas são mínimas, como as que McCourt deixa escorrer pelo seu excelente texto. Biografias são bons pretextos para repensarmos nossas vidas. Ainda mais no início de um novo ano, quando as esperanças, os projetos e os horizontes se refazem.
Por favor, como faço para adquirir esse livro?
Grato
Elias