desplugaram paulo henrique

A notícia não é nova. É de quatro dias atrás. O IG tirou o blog de Paulo Henrique Amorim do ar, sem avisar o leitor, sem comunicar ao autor. André Deak faz um apanhado da história, com base no Renato Rovai.

Não é a primeira vez que isso acontece: desplugarem jornalista. Nem ao menos com Paulo Henrique, que já foi escanteado pelo UOL uma vez. Assim como o próprio Observatório da Imprensa, de Alberto Dines, Luiz Egypto e tantos mais.

Outros exemplos poderiam vir à tona para mostrar que jornalistas e seus comentários podem se tornar muito incômodos (e até insuportáveis) em blogs que alcançam altos contingentes de leitores e constrangem empresas e governos. Essa zona de tensão faz parte do próprio DNA do jornalismo, qualquer que seja a sua plataforma de difusão.

Paulo Henrique, no caso mais recente, menciona algo, meio em tom de resignação, meio na forma de desdenho: grandes blogs, blogs influentes no terreno da política não se penduram em portais. Era o caso dele. É o caso de outros, como o do Fernando Rodrigues, do Jozias de Souza, de William Waack para citar só alguns dos mais proeminentes. Na verdade, na verdade, não são blogs, conforme já bem diferenciou Marcos Palacios: são colunas eletrônicas, que se limitam a oferecer links apenas para sites e blogs do mesmo portal, que reforçam uma chamada “endogenia explícita” em detrimento da heterogeneidade inerente à web.

Ricardo Noblat fez o caminho contrário. Iniciou independente, depois foi para Estadão, Globo…

O caso Paulo Henrique não será o último capítulo tenso entre formadores de opinião e grandes portais com grandes interesses. Talvez o episódio até recheie a seção que cabe ao Brasil por violações a direitos de expressão no relatório anual dos Repórteres Sem Fronteiras. Talvez Paulo Henrique seja nominado como um ciberdissidente por lá… O fato é que – ao menos para mim – este caso nos lembra em alto e bom som a dinâmica tensa, delicada, perigosa e às vezes insustentável que o jornalismo tem com os poderes financeiro e político.

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