Marcado: internet

3 notícias péssimas para o usuário da internet

Nos Estados Unidos, o órgão que regula o setor de comunicações quer acabar com a neutralidade de rede, o que pode significar que a internet vai ficar cada vez mais comercial, e que ela vai priorizar os interesses de quem paga mais. Alerta vermelho!

Ainda por lá, a Amazon vai fornecer uma nuvem “secreta” para agências de espionagem. A um preço módico de 600 milhões de dólares, ou quase 2 bilhões de reais. Com isso, quem espiona terá serviços adicionais de armazenagem dos dados que ele rouba do usuário. Danou-se!

No Brasil, as empresas de telefonia e de provimento de serviços querem ficar com a maior parte das cadeiras do Comitê Gestor de Internet. Se isso acontecer, a sociedade vai ficar ainda mais nas mãos pegajosas dessa odiosa indústria. Alerta!

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Fracassou o golpe no CGI

Comentei aqui que a decisão do governo federal de abrir uma consulta pública sobre a estrutura do Comitê Gestor da Internet (CGI) tinha cara de golpe. Fazia-se passar por democrática, mas era apressada, não discutida com os próprios membros do comitê e tinha interesses não muito claros.

Pois bem, a consulta pública terminou dia 10 de setembro e sabe quantas propostas ou sugestões foram feitas? 87. Vou repetir: oitenta e sete.

Apenas duas entidades de maior peso se pronunciaram: a Academia Brasileira de Computação e a  Associação dos Servidores do CNPq.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, de Gilberto Kassab, quis atropelar, mas o resultado da consulta mostra duas coisas: 1. A comunidade que acompanha e milita na área não mordeu a isca; 2. A pouca participação tira qualquer legitimidade de mudança agora…

Vamos acompanhar os próximos capítulos da novela…

 

Tudo sobre tod@s, o livro

O professor Sérgio Amadeu da Silveira não é propriamente um sujeito alto. Mas ele se agiganta quando começa a falar, e como fala! Seu sorriso permanente, os braços cabeludos e os olhinhos saltitantes atrás dos óculos largos ajudam a compor a performance de fala ágil e quase gritada. Se a cena fosse muda, poderíamos supor que ele está comentando o final da temporada de uma série de TV ou a apoteose de um videogame. Seu entusiasmo é transbordante, e em muitas vezes contagioso. Ao chegar mais perto, ouviremos que ele está tratando de assuntos seriíssimos que afetam a nossa vida diretamente, como a violação de direitos humanos, os perigos à democracia, e as manobras perversas do capitalismo para não só se perpetuar, mas nos convencer de que está tudo muito bem, obrigado.

Quem nunca viu ou ouviu o professor Sérgio Amadeu tem uma nova chance. Ele acaba de lançar Tudo sobre tod@s: redes digitais, privacidade e venda de dados pessoais, um livro eletrônico que explica tim-tim por tim-tim como empresas (e governos) capturam, organizam e comercializam os dados dos usuários da internet. Todos. Sim, você também. Não só: essas corporações de tecnologia coletam esses dados para aprimorar sites e aplicativos e propor “soluções para o nosso cotidiano”. Muitas delas totalmente desnecessárias e não pedidas. Claro que não se trata de bondade das empresas, mas business, totalmente apoiado no nosso não consentimento, na intrusão de nossos hábitos, no monitoramento pessoal e na vigilância massiva.

Segundo Amadeu, o livro quer demonstrar que a sociedade da informação modificou o capitalismo e fez com que o mercado ficasse dependente de uma microeconomia de interceptação de dados pessoais. Isto é: não existe grande ou pequena empresa do ciberespaço que consiga prosperar sem usar informações sobre os hábitos de consumo, tendências políticas, desejos, segredos, características físicas ou emocionais de alguém. Essas informações são coletadas a todo momento de navegação ou uso de aplicativos (inclusive agora na leitura deste post). E um mercado colossal desses dados sustenta esse novo capítulo capitalista, atropelando flagrantemente o direito à privacidade, convencendo muitos de que ela é desnecessária, obsoleta e errada (!!!!!).

Sérgio Amadeu é um conhecido ativista do software e da internet livres. Mas também é acadêmico reconhecido pelos seus pares. Foi membro do Comitê Gestor da Internet (CGI.br), órgão que ajuda a dar as cartas sobre a web no país, e recentemente foi indicado como um dos representantes da sociedade no (infelizmente desidratado) Conselho de Comunicação Social. Em seu livro, vemos menos o ativista que o cientista, tão importante e estratégico para os nossos tempos que o primeiro. Afinal, precisamos de massa crítica para compreender a realidade que nos compõe.

De forma didática e clara, o autor nos explica conceitos da sociologia, da economia e da própria tecnologia; e oferece um panorama abrangente sem ser superficial. O capítulo em que explica como as empresas vasculham a internet atrás de nossos dados, como hierarquizam tudo aquilo e formam perfis de usuários e como apresentam “soluções” à nossa vidinha infeliz deveria compor o currículo do ensino médio e fundamental. Sem exageros. Precisamos todos saber como isso funciona porque isso só funciona porque empresas e governos usam os NOS-SOS dados.

Para além do didatismo e do alcance do livro, um de seus maiores trunfos me parece ser o fato de que é um dos poucos, raríssimos, que temos no momento em português. Mais de 90% das referências de minha pesquisa sobre privacidade são internacionais. Não porque assim eu queira, mas pelo simples fato de que temos ainda pouca bibliografia na área. Se uma desvantagem do livro de Sérgio Amadeu é tratar de um tema que se modifica a cada segundo (o que pode torná-lo defasado em pouco tempo), sua maior vantagem é apresentar ao público brasileiro um livro eletrônico barato (custa o equivalente a um pedaço de torta de chocolate), bem escrito e bem escorado teoricamente, e acima de tudo estratégico para os nossos dias.

Na verdade, eu até pegaria uma carona no jeitão hiperbólico de Sérgio Amadeu e proporia que o livro fosse adotado em escolas, e que seus cinco capítulos pudessem se transformar naquelas palestrinhas bacanas do TED. Em poucos minutos, o autor poderia nos arrebatar mostrando os intestinos da maravilhosa engenharia social que ajudamos a mover. Teríamos um curso de sobrevivência ao shopping de dados que alimentamos todos os instantes…

 

Trump não liga para a privacidade do seu povo

Pensa que o desmonte é só no Brasil? Que nada! Os EUA também têm lá seus problemas…

Donald Trump sancionou regras aprovadas pelo Congresso que permitem que provedores de serviço de internet comercializem dados pessoais dos usuários sem nem avisá-los. Isso mesmo! Liberou geral! A medida faz parte de um pacote de maldades que sepulta os movimentos de seu antecessor, Obama, e que coloca na mira o fim da neutralidade de rede.

O golpe de Trump aconteceu na mesma semana em que uma pesquisa mostrava crescente rejeição dos norte-americanos à perda de suas privacidades. De acordo com o estudo da Reuters, 75% dos ouvidos não abriria mão da confidencialidade de seus emails e mensagens nem para ajudar o governo a caçar terroristas…

Snowden: Certo e errado é diferente de legal e ilegal

Edward Snowden lembra que em diversos momentos de progresso da história dos Estados Unidos, as leis foram quebradas. Não por mera ilegalidade, mas porque era o certo a se fazer. Certo e errado não é a mais coisa que legal e ilegal…

Se fôssemos traduzir para a realidade brasileira, seria mais ou menos assim: Funcionamento regular das instituições não garante legitimidade política.

um mapa nacional da mídia digital

Mapeamento da Mídia Digital no Brasil imagesgstsAcaba de cair na rede um estudo amplo e aprofundado sobre os meios digitais no país. “Mapeamento da Mídia Digital no Brasil” é uma iniciativa da Open Society, assinado por Pedro Mizukami, Jhessica Reia e Joana Varon. Tem oito capítulos espalhados em 173 páginas que tratam de consumo, relações com a sociedade, jornalismo, tecnologia, negócios e formas de financiamento, leis, regulações e políticas. Em linguagem clara, com textos analíticos e recorrendo a diversas fontes, o estudo merece leitura atenta e muita discussão. Tem mais: está bem atualizado, já que a ele foram adicionadas informações sobre o Marco Civil da Internet, aprovado e sancionado em abril passado.

Acesse aqui. (em PDF, em português e com arquivo de 7,6 Mega)

trolladores amadores

O pré-candidato à presidência da República Aécio Neves (PSDB) torceu o nariz para uma série de páginas e ações na web que o teriam caluniado, difamado e injuriado. Entrou na justiça para saber quem estava por trás daquilo e chegou a processar Facebook e Twitter em sua cruzada digital. Contratou um super escritório de advogados e foi à forra. A Folha de S.Paulo de hoje informa que uma prefeitura petista estaria por trás das ações. Ao menos uma servidora pública da Prefeitura de Guarulhos teria atuado no caso, e equipamentos e instalações da Secretaria de Comunicação teriam sido usados.

A briga segue na justiça, mas se essas informações se confirmarem, teremos um caso de muito amadorismo em ataques políticos. É muita ingenuidade, burrice ou total desconhecimento de como funciona a internet e a informática tentar ferrar um inimigo político dessa forma tão primitiva

o cerco a assange

Faz tempo que você não ouve mais nada sobre o WikiLeaks?

Não tem mais novidades de Julian Assange?

O WikiLeaks informa que seu principal homem está há 1246 dias enfrentando algum tipo de detenção, 686 deles recluso na Embaixada do Equador em Londres. O site denuncia ainda que um júri secreto trabalha há 1539 dias para interromper os trabalhos do WikiLeaks, e que Chelsea Manning está preso há 1436 dias.

Não sabe do que estou falando? Veja aqui e aqui. E se o interesse aumentar, assista a O Quinto Poder (trailer abaixo):

marco civil corre risco; ainda!

A novela não terminou.

Embora tenha sido aprovado na Câmara Federal o projeto de lei que significa uma espécie de constituição da internet no Brasil, a regra ainda não virou lei. No Senado, o projeto emperrou novamente. Mais uma vez, o PMDB trava a roda da história! (sim, você já leu algo parecido)

O relator da matéria na câmara alta, o senador Luiz Henrique (PMDB-SC), está fazendo doce. “Não creio que a melhor alternativa seja essa urgência urgentíssima que querem nos impor para aprovar este projeto. Acho que o Senado tem todo direito de analisar detalhadamente o projeto para que ele, que já é bom, receba aprimoramento. Da minha parte, vou devagar com o andor, que o santo é de barro”, disse hoje aos repórteres do UOL. Segundo o relator da matéria, o Senado precisa ter tempo para analisar o assunto. Tempo?! Claro, afinal, tudo foi corrido até agora…

> O projeto de lei está tramitando há dois anos!

> O projeto passou por todas as comissões técnicas esperadas!

> A Câmara Federal abriu – pelo seu sistema eletrônico – uma consulta pública que permitiu que qualquer cidadão brasileiro sugerisse ou comentasse o projeto!

> Um relator se cercou de um punhado de experts na área para sistematizar as sugestões de forma a dar nova redação ao projeto!

> O plenário da Câmara adiou por oito (OI-TO!) vezes a votação, já que havia tensão entre deputados, empresas de telefonia e de informática, lobbies diversos e chantagem dos partidos aliados para aprovar o texto!

> Enquanto isso, vieram à tona informações de que a NSA (e vai saber mais quem?!) andou espionando a Petrobras, a presidente da República, ministros, tudo pela internet…!

> Dezenas de emendas foram propostas, e o relator costurou muitas delas no texto final do projeto. Negociações diversas aconteceram. O governo cedeu. As telecoms perderam em outros trechos, enfim, a Câmara aprovou o projeto em votação simbólica!

Pelo rito, a matéria seguiu para o Senado, e agora – mais uma vez! – o PMDB senta em cima do projeto. A presidente tem pressa. Vai ser a anfitriã do mais importante evento global que discute governança na internet – a NetMundial – e quer sinalizar ao mundo que o país pode sair na frente com uma regulamentação no setor que privilegie a privacidade, a neutralidade na rede e os direitos autorais. O evento acontece em São Paulo daqui a 13 dias… Para que os planos de Dilma dessem certo, em menos de duas semanas, o Senado deveria relatar e aprovar o projeto, sem mudanças. Se houver mudanças, a matéria voltaria para a Câmara, e aí, a presidente perderia essa vitrine global…

Para além da exibição pública, o que está em jogo é um marco regulatório para usuários, empresas e diversos grupos interessados, inclusive o Estado. Direitos precisam ser mantidos. Deveres devem ser imputados aos operadores do sistema. Responsabilidades precisam ser compartilhadas. A história reserva momentos importantes em que alguns valores devem prevalecer, acima das vaidades pessoais, das ambições políticas, das sacanagens partidárias, dos achaques.

O senador Luiz Henrique pretende ficar conhecido nacionalmente como aquele que enterrou o Marco Civil da Internet? O PMDB quer pagar a fatura de partido chantagista e que se equilibra em manobras regimentais para aumentar seu valor na república? O governo Dilma não vai se mexer? Os internautas vão assistir a tudo passivamente? A conferir…

ATUALIZAÇÃO de 14/abril/2014, às 16h40:  O jornalista Upiara Boschi informa no blog de Moacir Pereira que o senador Luiz Henrique agendou audiência públicas para discutir o tema. Veja aqui.

querem acabar com a sua internet

O Marco Civil da Internet é uma dessas novelas típicas do proselitismo e dos instintos mais baixos da política nacional. O projeto de lei pretende estabelecer regras gerais e essenciais para um setor muito pouco regulamentado no país. O documento foi amplamente discutido por meses e chegou a receber emendas e sugestões de cidadãos em consultas públicas. Teve um relator comprometido, paciente e incansável. Mas vem tropeçando desde 2012 nas pressões que as empresas de tecnologia e telefonia fazem sobre os parlamentares.

Isso se explica porque elas podem perder mercado ou mesmo poder de influência. Também se explica porque elas devem – caso o projeto seja aprovado conforme o texto original – ter obrigações adicionais com os dados dos usuários, por exemplo.

Para se ter uma ideia, o impasse é tão grande que a matéria teve sua votação adiada oito vezes.

Depois que vazaram as informações de que Dilma Rousseff fora espionada pela ANS, que seus ministros têm seus celulares monitorados pelo governo norte-americano e que eles vêm bisbilhotando a maior empresa do país – a Petrobras -, o governo rangeu os dentes. Colocou como uma prioridade aprovar o Marco Civil, como um sinal claro de que o Brasil se preocupa com direitos autorais, privacidade e neutralidade de rede, para citar aspectos mais evidentes do caso.

Dilma colocou sua tropa de choque para trabalhar, e o projeto foi colocado em regime de urgência para votação. Na prática, essa condição obriga o Congresso Nacional a analisar o projeto de lei, pois se não o fizer, não poderá votar outros da fila.

Não adiantou. Um deputado do PMDB – o maior partido aliado de Dilma no governo!!! – se amotinou e conseguiu atrair a atenção de outros parlamentares descontentes. A rebelião ganhou o nome de Blocão e, no momento, usa de chantagem para conseguir aprovar emendas parlamentares, indicação de cargos e outras migalhas. Como bem escreveu o jornalista e pesquisador Marcelo Träsel, a mesquinharia do PMDB pode derrubar a neutralidade da rede.

Vou além: se o governo ceder aos chantagistas e abrir as pernas para as grandes corporações da tecnologia e telefonia, vai acabar com a internet da forma que estamos acostumados. O que temos hoje é uma rede aberta, que não prioriza quem paga mais e que incentiva a criatividade. Tudo isso pode acabar de uma hora para outra. A culpa, você já sabe: vai ser do PMDB. Vai ser do governo. Vai ser dos demais aliados que votarem contra o projeto original. Vai ser dos demais parlamentares que sepultarem o Marco Civil.

Estamos numa encruzilhada sim: o Brasil pode se tornar um pioneiro importante na discussão dos direitos dos usuários na internet ou se juntar aos países que controlam conteúdos de email, que confiscam dados, que vasculham informações pessoais, que traficam conteúdos, que derrubam o sinal de internet, que intercepta comunicações…

Qual internet você quer? 

nsa para desavisados

Já que estamos sendo monitorados pela NSA, não custa nada saber um pouco mais sobre ela:

1. Claro que você já ouviu falar de CIA e FBI. A NSA pode ser uma novidade para muitos de nós, mas pasme: os EUA têm dezesseis (isso mesmo!), dezesseis agências de inteligência governamentais.

2. A NSA não é nova. Ela surgiu em 1952, o que significa dizer que a agência existe há mais de 60 anos…

3. O objetivo inicial da NSA era investigar fora dos EUA, filtrando informações de outros países que colocassem em risco a segurança norte-americana. As revelações de Edward Snowden mostraram que a agência também atuava internamente, bisbilhotando cidadãos estadunidenses.

4. Aliás, estima-se que 80% das comunicações que passem pelos EUA sejam filtradas pela NSA por meio de seus modernos recursos.

5. A NSA não trabalha sozinha. Ela conta com a colaboração – em diferentes graus de envolvimento e dedicação – de empresas de tecnologia e telecomunicações. Quem? Ora, Facebook, Google, Microsoft, Apple, Vodafone, Verizon, entre outras…

6. O Prism é apenas um dos softwares usados pela NSA para espionar pessoas, governos e empresas, Na verdade, ela dispõe de diversos sistemas para colher, filtrar, agregar e compreender dados.

7. A agência também tem altos investimentos e esforços para a quebra de criptografia, para o uso de alçapões em softwares, para a exploração de falhas deliberadas em máquinas e sistemas para extração de dados, e para a coleta de dados diretamente em cabos submarinos…

8. Na maioria das vezes, não importa muito o conteúdo das mensagens interceptadas, mas sim os dados de geolocalização. Com isso, a NSA consegue “ver” onde você está, por onde passa, com quem estabelece relações, etc…

9. Os dados não são tratados manualmente; há sistemas que comportam grandes quantidades de informação, que são sistematizados e convertidos em unidades compreensíveis.

10. Se você pensa que a NSA fica num sótão, num porão escondido, secreta, esqueça! Ela fica em imensos prédios, cercados por gigantescos estacionamentos. Confira aqui.

facebook, whatsapp e você com isso…

A semana passou e cansei de ver jornalistas na TV anunciarem com um indisfarçável sorriso a compra do WhatsApp pelo Facebook por US$ 16 bilhões. Fiquei intrigado: por que tanta alegria? Quem ganha com um negócio desses?

Os mais entusiastas dirão: os usuários porque agora o WhatsApp vai bombar. Besteira. Nada garante isso.

Pergunto de novo: quem ganha com isso? Só o Facebook. Tenta conter a já alardeada e preocupante sangria de usuários, dá um passo na direção dos mais jovens que uatsapam e concentra mais o mercado da internet.

A concentração de mercado só é uma boa jogada para os peixes grandes que devoram os pequenos. Só.

a internet do mundo e a máquina de moer carne dos eua

Responda rápido: o que há de comum entre Aaron Swartz, Bradley Manning, Julian Assange e Edward Snowden?

Muitas coisas ligam esses nomes, a começar pelo fato de que usam a internet para revelar informações e fatos que muitos tentam ocultar. Mas não só isso. Nenhum deles tem mais de 45 anos, e todos pertencem a gerações diretamente afetadas pelas novas tecnologias de informação e comunicação. Todos desafiaram agências de inteligência e o governo norte-americano trazendo à luz iniciativas mesquinhas, neuróticas e moralmente questionáveis.

Bradley Manning é o ex-oficial acusado de ter vazado centenas de milhares de dados sigilosos dos Estados Unidos e que municiaram o WikiLeaks no maior escândalo da história da diplomacia mundial. Foi caçado, preso e está sendo julgado por diversos “crimes”, entre os quais “traição”. Ele tem 25 anos e exibiu uma face simplesmente abjeta do Império. Pode pegar prisão perpétua.

Por falar em WikiLeaks, seu líder, o australiano Julian Assange, também encarou o Monstro. Foi perseguido por norte-americanos, suecos e ingleses e ficou detido em prisão domiciliar. Para além dos vazamentos que constrangeram diplomatas e poderosos, mostrou como helicópteros Apache metralharam civis e jornalistas em suas ações “táticas”. Refugiou-se na Embaixada do Equador em Londres. Precisa viver clandestino para sobreviver. Nada nem ninguém podem garantir isso.

Aaron Swartz era um prodígio da web e tinha colaborado diretamente com algumas das soluções mais inteligentes e solidárias para compartilhamento de informação e conhecimento. Foi perseguido pela justiça norte-americana por ter “roubado” milhões de artigos científicos em bases de dados por assinatura. Detalhe: a maioria das pesquisas relatadas naqueles artigos havia sido financiada por recursos públicos, mas mesmo assim as tentaculares empresas do ramo cobram pelo acesso a esses textos, e os seus autores nada ganham com isso… Aaron foi perseguido, preso, acusado por diversos “crimes” e ameaçado a pegar 35 anos de prisão mais multa milionária. Tinha 26 anos e não suportou a pressão, e se suicidou em janeiro deste ano.

Edward Snowden é a bola da vez. O ex-assistente técnico da CIA denunciou os sistemas de vigilância interna dos Estados Unidos a telefones e emails. Jogou um facho de luz sobre o rosto do Big Brother. Republicanos e democratas se alternam nas condenações ao ato antipatriótico do rapaz, que precisou sumir. Nada nem ninguém pode garantir sua integridade física diante da caçada que se anuncia.

As campanhas difamatórias aos quatro sujeitos acima aconteceram nos últimos cinco anos. As perseguições não foram perpretadas por George W.Bush ou Ronald Reagan, mas por Barack Obama, o democrata, sedutor, liberal e popular presidente da era das redes sociais. A instauração do terror virtual, a truculência e o abuso de poder vêm de um governo supostamente mais conciliador que o isolacionista anterior. Vem de um presidente jovem, com uma biografia admirável, que já ganhou o Nobel da Paz e que sinalizava uma transformação real no panorama das relações globais.

Não, isso não é um filme de ficção. A neutralidade da rede está em perigo, a internet como arena global corre riscos reais, e os usuários do sistema estão sendo monitorados, quando não criminalizados, oprimidos e eliminados. A inocência é uma palavra amarelada no dicionário, mas a política é um instrumento movido a ideias, palavras e ações. A política se faz nas ruas e diante dos teclados. Como a ética, a lei e a guerra, a política é uma invenção humana para buscar o equilíbrio. Arregace as mangas, então!

assange promete mais uma…

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, anunciou que deve lançar no próximo mês o livro Cypherpunks: Freedom and the Future, em que manifesta – junto com Jacob Appelbaum, Jérémie Zimmermann e Andy Müller-Maguhn, entre outros ativistas da internet – suas preocupações sobre o controle e o futuro da internet.

Vem aí mais uma bomba do australiano de cabelos prateados…

hoje começa o pentálogo

João Pessoa sedia a partir de amanhã, 17, e até a próxima sexta, 21, a terceira edição do Pentálogo, um evento promovido pelo Centro Internacional de Semiótica e Comunicação (Ciseco). O encontro tem como tema “Internet: viagens no espaço e no tempo”, e sua programação é muitíssimo tentadora para quem se interessa por aspectos culturais, econômicos, políticos e sociais da web.

Estarei lá, a convite de Antonio Fausto Neto, e devo apresentar parte do que venho pesquisando sobre os pontos de contato entre as éticas dos jornalistas e dos hackers. Mas o Pentálogo vai muito além disso. Veja a programação:


17/09 – As redes na história da midiatização

9h: Una nueva etapa de convergencia entre dispositivos, naturaleza y cultura

Mario Carlon – Universidade de Buenos Aires (Argentina)

11h: Redes, Marginálias e Zeitgeist: os comentários de leitores na constituição da memória do tempo presente

Marcos Palácios – Universidade Federal da Bahia (Brasil)

14h30: Los 10.000 dias que estremecieron el mundo. Redes, interfaces e hipermediaciones

Carlos Scolari – Universidade Pompeu Fabra (Espanha)

16h30: Dimensiones de la semiosis, redes y modalidades de acceso: Internet en perspectiva histórica

Eliseo Verón – Universidade de San Andrés (Argentina)


18/09 – Internet, sociedade civil e atores individuais

8h30: Narcomundo y nuevos medios: de la impresión a la expresión

Beatriz Quiñones – Universidade Nacional de Colombia (Colômbia)

10h30: De hackers a curadores – competencias estéticas en la era de la sobre/información

Cecília Sluga e Lucas Worcel – Consultores em Comunicação (Argentina)

14h: Web y alimentación: acerca de la publicidad destinada a los niños

Oscar Traversa – Instituto Universitário Nacional da Arte (Argentina)

15h45: Cultura e Média Digitais. Elegias e Ditirambos

Antonio Fidalgo – Universidade Beira do Interior (Portugal)

17h15: El periodismo en internet: acerca del lenguaje en la pantalla

Silvia Ramirez Gelbes – Universidad de Buenos Aires (Argentina)


19/09 – MANHÃ e TARDE – DIA DO COLÓQUIO SEMIÓTICA DAS MÍDIAS

19h: CONFERÊNCIA MAGISTRAL

Internet, globalisation, politique: une perspective anthropologique

Marc Abèlés – Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (França)


20/09 – Internet e política

8h30: A multidão e a economia política da Máquina de Turing: biolutas, mais valia de rede e o governo do comum

Henrique Antoun – Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil)

10h30: A participação dos cidadãos nos sítios Web dos partidos políticos: o caso português

Paulo Serra – Universidade Beira do Interior (Portugal)

14h: Mediatización y protesta social

Sandra Valdettaro – Universidade Nacional de Rosário (Argentina)

16h: Jornalistas, hackers e novas políticas de valores

Rogério Christofoletti – Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil)


21/09 – Internet e economia

8h30: O socius eletrônico

Muniz Sodré – Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil)

10h30: Complejidad polifónica y politemporal de rumores con efecto económico en foros financieros de Internet

Manuel Libenson – Universidade de Buenos Aires (Argentina)

14h: Internet y procesos discursivos en las finanzas individuales

Sergio Ramos – Universidade de Buenos Aires (Argentina)

16h: Impacto da digitalização na televisão e no cinema

Guido Lemos de Souza Filho – Universidade Federal da Paraíba (Brasil)

17h30: SÍNTESE FINAL (O horário dessa sessão poderá ser antecipado)

Antônio Fausto Neto, Antônio Heberlê Oliveira, Eliseo Verón, Giovandro Ferreira, Paulo César Castro e Sandra Moura

liberdade digital no brasil

A ONG Artigo 19 produziu um relatório sobre a liberdade digital no Brasil. O relatório aborda questões como censura online, projetos em gestação no Poder Legislativo, acesso a serviços de banda larga, entre outras questões. O documento analisa o contexto nacional e o compara ao cenário internacional, imperdível para quem estuda, pesquisa, atua na web ou se interessa por ela.

São 50 páginas, em formato PDF, com 1,7 mega de arquivo e em português. Baixe aqui.

desconecte-se! um pouco…

Não adianta negar! Você é um cara comum: tem perfis em algumas redes sociais, passa por sites e portais diariamente, participa de umas listas eletrônicas, tem mais de um endereço de e-mail e checa suas caixas postais com frequência. Vez ou outra deixa comentários em blogs, cutuca um amigo no Facebook, compartilha um arquivo de áudio, baixa o último episódio da sua série favorita, e retuíta uma mensagem engraçadinha que recebeu. Faz isso tudo ao mesmo tempo, no meio do ambiente do trabalho ou mesmo enquanto estuda para a prova de amanhã. Você não diz uma palavra, mas está em contato com dezenas de pessoas, “conversando” com elas simultaneamente. Não está fazendo uma, mas várias operações ao mesmo tempo, e isso te dá aquela sensação de onipresença, versatilidade e produtividade.

Não adianta negar! Se você fica mais de oito horas por dia plugado na web, sabe do que estou falando. Você faz isso também. “Todo o mundo faz!”, pode até argumentar. Isso não quer dizer que seja o certo, o normal, o natural, dirá o escritor William Powers, autor de “O BlackBerry de Hamlet”, um best-seller no ano passado nos Estados Unidos e lançado por aqui recentemente.

A tese central de Powers é que precisamos desconectar pelo menos um pouco. Jornalista aficionado por tecnologia e colunista da área em importantes veículos norte-americanos, ele teria razões de sobrar de dizer justamente o contrário. Já fez isso, mas alterou drasticamente seu comportamento e, neste livro, chama a atenção do leitor dos perigos da “ultraconexão”. Sim, Powers nada contra a corrente. Talvez sozinho…

A questão que ele coloca é que estamos muitíssimos mergulhados nas telas (do desktop, do notebook, do tablet, do smartphone…), que consumimos um tempo infinito administrando nossas vidas online e que isso tem repercussões negativas. Segundo Powers, é falsa, então, a sensação de que estamos mais produtivos, que o comportamento multi-tarefa é sinal de versatilidade e que somos tão populares e aceitos quanto nos mostram as redes sociais. O raciocínio é que, mediados pelas muitas telas, construímos e alimentamos relacionamentos breves, frágeis, superficiais; que nossa vida se apequena diante das telas (ao invés do contrário); que priorizamos a vida virtual compartilhada em detrimento de vivências interiores mais intensas e profundas.

Ainda está aí? Imagino que alguns leitores já torceram o nariz e abandonaram o post. Sim, você pode discordar totalmente de William Powers, mas não pode ignorar os argumentos ou os fatos que ele apresenta. De forma esperta, você pode até aproveitar para refletir sobre a sua situação particular à frente das telas, e – quem sabe? – mudar algum hábito (ou não). Você verá que ele tem razão em muitos aspectos…

Powers não pede nem espera que você se desconecte por completo. Nem ele fez isso! “O BlackBerry de Hamlet” não é desses livros que ditam-regras tão somente. O autor parte de sua experiência pessoal para pensar em voz alta sobre como as coisas podem não estar bem. A chave parece passar pela moderação, uso racional e equilíbrio.

Escrito com leveza e bom humor, o livro merece atenção em tempos de pensamento único e deslumbrado pela tecnologia. Sai da frente desta tela e se conecte no livro de Powers…

debata a liberdade de expressão

O jornalista Timothy Garton Ash e uma equipe internacional de estudantes ligados à Oxford University estão à frente de um projeto bem interessante: um site em 13 línguas que propõe 10 princípios para a liberdade de expressão, e que convida a debatê-los. Basta se cadastrar e participar, opinando, votando, clicando.

O site tem interfaces em inglês, português, espanhol, alemão, francês, japonês, chinês, russo, turco, hindi, árabe, farsi e urdu. Os responsáveis pelo projeto que acreditam que cobrem 80% dos 2 bilhões de pessoas conectadas à internet com este leque linguístico.

Os princípios propostos são:

1. Nós, seres humanos, devemos ser livres e ter as garantias necessárias para expressar, receber e comunicar informações e ideias, independentemente de fronteiras.

2. Defendemos a internet e todas as outras formas de comunicação contra os abusos ilegítimos tanto do poder público quanto da iniciativa privada.

3. Exigimos e criamos mídias abertas e diversificadas que possam nos ajudar a tomar decisões bem informadas, e com isso participar plenamente da vida política.

4. Falamos abertamente e com civilidade sobre todas as diferenças entre os seres humanos.

5. Não permitimos que tabus interfiram na discussão e disseminação do conhecimento.

6. Não fazemos ameaças de violência nem tampouco aceitamos intimidações violentas.

7. Nós respeitamos a pessoa que tenha uma opinião ou crença, mas não necessariamente o conteúdo dessa opinião ou crença.

8. Temos o direito a uma vida privada mas devemos aceitar investigações que sejam de interesse público.

9. Devemos ter meios de combater ofensas às nossas reputações sem com isso silenciar um debate legítimo.

10. Devemos ser livres para questionar todos os limites à liberdade de expressão que tenham como justificativa questões de segurança nacional, ordem pública e/ou princípios morais.

Ficou interessado? Quer debater?
Acesse: http://freespeechdebate.com/pt/

“compartilhar” é o verbo mais importante hoje

Houve um tempo em que “compartilhar” era uma ação muito mais ligada a motivações religiosas, na tentativa de igualar as pessoas, nivelar oportunidades, reduzir as distâncias entre as pessoas. Na igreja, era o momento de compartilhar o pão, de dividir uma metáfora do corpo do salvador. A eucaristia se resumia a um ato de compartilhar, uma expressão de afeto e desapego.

Atualmente, compartilhar vai além disso. É tornar comum, é comungar também para além das filiações religiosas. Compartilhamos fotos, textos, arquivos de áudio e de vídeo, experiências, gostos, opiniões, desagravos, conselhos, nossas vidas… Isso impactou nossos hábitos, nossas culturas, nossas formas de sociabilidade e nossa economia.
Somos todos, de alguma maneira, personagens desta nova conjugação do verbo.

“Sharing: culture and the economy in the internet age”, de Philippe Angrain, é um bom estudo sobre as transformações mais recentes que este hábito contagiante está provocando. Vale conhecer. Baixe aqui
(em inglês, em PDF, com 243 páginas e 2,5 mega de arquivo)

vida digital, um estudo global

Foram apresentados publicamente os resultados de um amplo estudo sobre hábitos e apropriações de usuários digitais em 60 países, incluindo o Brasil. “Digital Life” é uma pesquisa que traz dados de 2011 a partir de entrevistas a 72 mil usuários de 16 a 65 anos, uma amostra de 93% da população mundial conectada. A pesquisa foi feita pela TNS, multinacional de pesquisa de mercado.

Alguns dados que chamam a atenção:

  • Dos 2,1 bilhões de internautas, 84% estão nas redes sociais e 33% elegem marcas como “amigas”
  • 80% deles usam o meio digital para conseguir informação e 78% levam em consideração comentários sobre marcas, produtos e serviços
  • No planeta, a média é que se destine 18 horas semanais à internet, quase um quinto disso nas redes sociais
  • O tempo conectado por dispositivos móveis vem crescendo e já ocupa 11% do total global
  • Esses dispositivos impulsionam o crescimento das redes sociais e dos comentários, e em países emergentes acaba sendo uma das únicas formas de estar conectado
  • Em junho de 2011, contava-se 200 milhões de tweets ao dia
  • 64% de quem posta comentários sobre uma marca, o faz para oferecer conselhos ou compartilhar uma experiência; 53% para criticar

O estudo interessa a empresas do setor de tecnologia e mídia, mas também a pesquisadores da área e a usuários comuns, que podem ter uma compreensão maior dos fenômenos atuais da comunicação.

Saiba mais sobre o estudo aqui

Veja a apresentação dos resultados dirigida à mídia!
(em formato PDF, em espanhol, 65 páginas e arquivo com 1,6 Mb)

o assunto mais falado da web hoje…

… não vai ser naufrágio, abuso sexual, escândalos políticos… será o confronto entre um modelo e outro de distribuição de conteúdos, de compartilhamento de experiências, de divisão de conhecimentos.
Conheça as iniciativas que podem acabar com a internet como a conhecemos.

Saiba mais ainda

o ai-5 digital em debate na “politics”

Recebi esta semana a edição impressa da revista poliTICs, editada pelo Nupef e com apoio da Fundação Ford. O tema deste número de agosto é a chamada Lei Azeredo, projeto de Lei Sobre Crimes de Informática (PL 84/99), apontado por ciberastivistas como um “Cavalo de Troia” legislativo. O tema é polêmico e os textos da edição são vitais para a compreensão e discussão do assunto.

Vejam o sumário:

A internet e o novo Cavalo de Troia – Sergio Amadeu da Silveira

Nomeação de domínios na internet – Avri Doria

Os guerreiros dos Dados Abertos estão lutando a favor de Robin Hood ou do xerife? – Michael Gurstein

A febre dos princípios da internet – Wolfgang Kleinwächter

Quer a melhor notícia? Você pode conferir tudo isso de graça e pela internet.
direito à fonte!

presentinho 3: guia para gerir marcas na web

A Lewis PR, empresa espanhola de relações públicas e de consultoria em comunicação, lançou um guia para administrar marcas na web “sem barreiras”. O manual pode ser útil para empresas e organizações, mesmo que elas estejam em outras partes do globo.

O arquivo tem 6 Megabytes, está em espanhol, em PDF e tem 28 páginas.

Baixe aqui.

uso de mídia define gerações: será mesmo?

O Link, caderno de tecnologia de O Estado de S.Paulo, trouxe matéria sobre estudo da agência Adge/Magid Generational Strategies que apontaria uma ligação direta entre consumo de certas mídias por grupos etários em faixas de horário do dia. Quer dizer: o uso do meio ajuda a definir a sua geração. Típico caso de determinismo biotecnológico, fácil da gente “comprar” mas igualmente fácil de desbancar.

Veja a matéria aqui, o estudo aqui e um infográfico aqui.

Digo que a gente embarca nessa história com facilidade porque estudos deste tipo nos “ajudariam a explicar as mudanças pelas quais estamos passando nos últimos anos”, separando em gavetinhas as espécies de usuários e organizando a bagunça em que vivemos. Mas a coisa não é assim tão tranquila.

Se as gerações funcionam assim, como explicar os casos de velhinhos que estão nas redes sociais, que blogam, que se comunicam com seus netinhos pelo Skype, que postam suas fotos familiares no Flickr ou coisas do tipo? Como explicar que existem jovens usuários que não são necessariamente heavy users ou nerds de plantão, apesar de seus colegas serem? Eles são desvios da norma? São exceções à regra? Não se pode afirmar porque não há dados científicos que o coloquem dessa maneira…

Isto é, embora gostemos da piadinha que elogia as novas gerações por estas “virem software embarcado atualizado”, as formas de apropriação dos meios seguem regras que transcendem as biológicas: são culturais, sociais, contextuais, históricas. Quem dá bons argumentos nessa direção é o sagaz Clay Shirky, professor da Universidade de New York e autor de um livro inspiradíssimo: Cultura da Participação. Segundo Shirky, as gerações podem se diferenciar no uso dos meios não por aspectos inatos, ligados a sua genética ou coisa do tipo. Hiatos podem surgir entre elas por conta das oportunidades diferentes que elas têm de se apropriar de algo, de trazer isso para suas vidas e de transformar suas existências com essas novas chances.

O raciocínio de Shirky ajuda a explicar porque hoje milhões de pessoas – de todas as gerações – compartilham mais suas experiências nas novas mídias, articulam-se mais em torno de causas cívicas (ou não), buscam se organizar pela web e forçam a porta da participação nos meios convencionais. Temos atualmente mais oportunidades de fazer coisas que antes ficavam relegadas a grupos mais restritos. Temos capacidade de nos conectar mais rapidamente e mais facilmente a grupos de semelhantes, o que facilitaria trabalhar de forma coletiva. Não é, portanto, um fenômeno geracional; é histórico; é o momento. Segundo Shirky, temos os meios, os motivos intrínsecos para fazer isso e as oportunidades. Junte tudo, bata e coloque no forno. O resultado é o que o autor chama de “excedente cognitivo”.

Não disse que essa coisa do determinismo geracional era fácil de contrariar?

Não disse que as ideias do Shirky são interessantes?

apesar do mimimi dos deputados, ele vai voltar…

Ao que tudo indica, o site mais polêmico de Santa Catarina deve voltar em breve. A Facisc emitiu nota anunciando que retomará o ranking dos parlamentares locais em seu Deputadômetro. A iniciativa causou irritação de suas excelências e a pressão fez com que a organização classista recuasse. Baixada a poeira e com um punhado de manifestações de apoio, o site deve ser atualizado em 30 dias.

Tomara que o site retorne rapidamente e que não volte atrás na sanha de observar os políticos catarinenses…

Veja a nota da Facisc

A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) vai voltar a publicar o ranking dos deputados estaduais no site Deputadômetro (www.deputadometro.com.br). A decisão foi da diretoria da entidade após o recebimento de inúmeras manifestações de apoio e ponderações da sociedade, através de entidades empresariais e cidadãos. A FACISC também recebeu solicitações de entidades empresariais de outros estados para implantar a ferramenta nas suas assembleias legislativas.

Segundo o presidente da FACISC, Alaor Tissot, a intenção é rever alguns critérios, mas publicar novamente o ranking. “Nós vamos analisar outros itens sugeridos para ampliar a avaliação”, ressaltou.  A Federação ressalta que o site faz uma análise quantitativa da atividade parlamentar dentro da Assembleia Legislativa através de dados oficiais disponibilizados
pela própria Alesc.

Na próxima semana a Federação tem uma reunião agendada com o diretor executivo Cláudio Abramo do portal Transparência Brasil para troca de ideias. “Vamos buscar informações com a entidade a fim de promovermos as melhorias necessárias”.

Sobre a data do retorno a diretoria avalia que deve ser o mais rápido possível. “Temos que fazer as adequações e retornar com o ranking num prazo de 30 dias, que é o tempo necessário para coletar dados e adaptar a tecnologia”.

mas, afinal, por que as pessoas compartilham?

Alguém por aí já disse que to share é um dos verbos do momento. Sim, compartilhar está na moda. Compartilhar vídeos, fotos, músicas, textos, livros, enfim, todo tipo de conteúdo online. Atitudes simples de dividir têm modificado hábitos de consumo, têm provocado terremotos na indústria dos bens simbólicos e têm feito muita gente queimar as pestanas para responder porque isso acontece.

The New York Times Customer Insight Group, a divisão de pesquisas de marketing do jornal mais influente do mundo, produziu um estudo sobre o que vem chamando de Psicologia do Compartilhamento (Psicology of Sharing).

Para reforçar o tema, vou compartilhar com vocês o estudo
(18,6 Megas, 47 páginas, em inglês e no formato PDF).

deputadômetro: política e transparência na rede

Foi lançado ontem em Florianópolis o Deputadômetro, site que deve permitir o acompanhamento dos parlamentares na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. A iniciativa não vem de uma ONG, de um grupo de ativistas políticos, nem de hackers que querem complicar a vida dos políticos. O projeto é da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina, a Facisc.

Claro que é uma grande ideia e é óbvio que já está incomodando. Ontem mesmo os deputados já chiaram, queixando-se do fato de que o Legislativo é o poder mais fiscalizado e o que mais apanha; que um ranking com os deputados mais assíduos e produtivos não leva a nenhum lugar; que é uma irresponsabilidade, etc…. O deputado Gilmar Knaesel (PSDB) disse para que desistissem do Deputadômetro, afinal ele não contribui para a democracia. Ora, se a transparência do trabalho de homens com cargos públicos não ajuda a democracia e promove a cidadania, ocultar ajuda?

O pior foi ler no Diário Catarinense o que considerei uma ameaça do deputado Manoel Motta (PMDB): ele sugeriu que os deputados fizessem também consultas junto à Secretaria da Fazenda sobre possíveis dívidas de empresas no estado. É isso mesmo o que você viu. O digno representante do povo não quer ser monitorado, não quer ser acompanhado e ainda insinua que pode retaliar as empresas catarinenses com devassas fiscais.

Ninguém é bobo aqui. O Deputadômetro é uma ação dos empresários para “enquadrar” os políticos e convencê-los a gritar “numa voz única”, em torno dos interesses dos empreendedores locais. É uma estratégia política do empresariado. Os parlamentares não querem cabresto. Só eles querem fazer política.

E você com isso? Ora, você pode acompanhar os políticos pelo novo site, e cobrar que o próprio site de Transparência da Assembleia traga informações de interesse público…

uma conferência sobre cultura pirata

Vai ser no dia 6 de Outubro de 2011 (uma quinta-feira), na sala polivalente do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. A entrada é livre e o evento vai das 10 às 19 horas.
Inscrições: http://culturapirata2011.w​ordpress.com

PROGRAMAÇÃO

10h – Sessão de Abertura

10h15 – 11h15
Conferência de abertura | As contradições da Sociedade da Informação
José Luis Garcia (ICS-UL)

11h30 – 13h00
Impactos da Pirataria na Economia Contemporânea
Moderação: Marta Sofia Pinho Alves (ICS-UL)
Patrícia Dias da Silva (ICS-UL)
Manuel Lopes Rocha (PLMJ)
Paula Simões (UC)
Cristina Susigan (IPP| CEMRI-UAB)

14h30 – 16h00
Militância pirata: Activismos, sistemas de governo e propostas políticas
Moderação: Flávia Santos (FCSH – UNL)
Inês Pereira (CIES – IUL)
Pedro Jacobetty (CIES-IUL)
Alcimar Queiroz (CIES-IUL)
Rodrigo Saturnino (ICS-UL| CEMRI-UAB)

16h15 – 17h45
Consumismo e comunismo na Cultura Pirata
Moderação: Pedro Pereira Neto
Ludwig Krippahl (FCT – UNL)
Miguel Caetano (CIES-IUL)
Jorge Vieira (CIES-IUL)
Jorge Martins Rosa (FCSH – UNL)

18h00 – 19h30 | Mesa Redonda
Copyfight: Fronteiras entre a crise da propriedade privada e do bem público
Mediação: Patrícia Dias da Silva (ICS-UL)
Nuno Pereira (ACAPOR)
Rui Seabra (ANSOL)
Eduardo Simões (AFP)
André Rosa (Movimento Partido Pirata Português)

internet das coisas: baixe um ebook

A exemplo do post anterior, temos aqui um estudo da Fundación de la Innovación Bankinter e da Accenture agora sobre a chamada “internet das coisas”, que nada mais é senão a conexão de objetos, utensílios, equipamentos por meio de rede, de forma a transmitir informações e otimizar serviços.

Esta publicação é de 2011, tem 78 páginas, 2,4 Megabytes de arquivo, em formato PDF e está em espanhol.

Baixe aqui.

guia de segurança e privacidade na web

Não é segredo nenhum que se deixa um monte de rastros na internet e que isso pode ser pessoal demais. Tem gente que não liga para isso, que se lixa para manter a própria privacidade. Outros ignoram cuidados mais básicos de segurança. Independente do seu perfil, vale a pena dar uma olhada neste Guia Completo de Privacidade e Segurança na Web, produzido pelo The Edublogger, e que traz dicas úteis para Twitter, Google + e Facebook.

Baixe o guia aqui. (PDF, 13 páginas, 740 Kb)

um guia online sobre direitos autorais

Imagine a cena: você escreve um texto, ele circula pela internet, um engraçadinho qualquer tira o seu nome de autor e coloca o de Luis Fernando Verissimo. Aí, a coisa se espalha feito rastilho de pólvora: muita gente reutiliza o texto, reforçando a qualidade da crônica e até a republicam numa coletânea francesa.

Você fica desesperado, afinal, é tudo um equívoco. Estão usando seu texto, usurparam sua autoria e estão atribuindo erroneamente a crônica a alguém muito mais conhecido. Você não ganhou nada com aquilo; na verdade, só perdeu… O que fazer? Como agir nessas situações?

Um guia pode te ajudar nessas horas. É o Proteja o seu Texto, que acaba de chegar à web.

A história acima é verdadeira e aconteceu com a jornalista Sarah Westphal Batista da Silva, e, dez anos depois, motivou-a a produzir um site que auxilie autores pelo Brasil afora a como lidar com embaraços como este. Detalhes da legislação, ações por danos morais, licenciamento de obras, creative commons, está tudo lá.

O guia é o trabalho de conclusão de curso de Sarah aqui na UFSC e conseguiu a nota máxima da banca, da qual felizmente participei. Se você “arrisca” alguns textos na web, se quer se manter na condição de autor deles ou se quer ceder os seus direitos, o guia online tem que estar nos seus favoritos…

melhor site de literatura policial!!!

Sherlock Holmes, Poirot, Maigret, Sam Spade, Nero Wolfe, Philip Marlowe, Dupin, Mandrake, Espinosa e Miss Marple, todos juntos num lugar fácil de ser encontrado e com muito conteúdo multimídia.

Se você se interessa por literatura policial, narrativas noir, mistérios e investigação, um site vem bem a calhar: Grandes Detetives.com

O trabalho é assinado pela jornalista Ana Laux, que ampliou seu Trabalho de Conclusão de Curso (antes, um livro sobre o tema) para plataformas mais ricas em conteúdos. A proposta é bem interessante: abordar a literatura policial por meio dos personagens mais charmosos, inteligentes, sagazes e esquisitos do gênero. No site, é possível encontrar perfis, curiosidades, vídeos, ilustrações, objetos para colecionador, notícias fresquinhas, fóruns de discussão, links e até mesmo testes de conhecimento.


Pode conferir: não há nenhum site brasileiro mais completo sobre este gênero, considerado maldito por uns e absolutamente irresistível para a maioria das pessoas. Romances policiais não só oxigenam a literatura como garantem vendagens bem generosas aos campeões do gênero…

Vale conhecer os Grandes Detetives.

PS – Antes que alguém pergunte: sim, o site em questão foi concebido, produzido e é alimentado exclusivamente por minha Ana Laux. Mas antes que alguém julgue mal esta minha indicação, sugiro que vá ao site (ou siga pelo Twitter) e confira a sua qualidade insuspeita.

mídia desavisada não sabe o que é hacker

Os ataques recentes a páginas eletrônicas do governo federal trouxeram à tona no noticiário um festival de desinformação, ignorância e preconceito. Para a maioria dos meios de comunicação, as sobrecargas em sites e as pichações virtuais foram obras de hackers. Mas não foram hackers os autores. Veja porque…

Para saber um pouco mais, volte algumas casas no tabuleiro…

 

 

 

liberdade de conexão; liberdade de expressão

A Unesco lançou uma publicação de 105 páginas abordando o estado das coisas em termos de liberdade de conexão à web e suas implicações no desenvolvimento da liberdade de expressão para os cidadãos. O planeta tem pouco mais de 1,97 bilhão de internautas, o que significa que menos de um terço da população tem acesso a uma quantidade quase infinita de informações. “Freedom of Connection-Freedom of Expression” ataca o tema, apoiando-se em pesquisa empírica e estudos de casos da normas e regulamentos ao redor do mundo.

São seis frentes de estudo:

  • Iniciativas técnicas relacionadas à conexão e desconexão, a exemplo de filtros de conteúdo
  • Direitos digitais
  • Política industrial e regulação, incluindo direitos autorais, TICs e propriedade intelectual
  • Cuidados com o usuário
  • Padrões e políticas para a rede
  • Segurança da rede, como o controle de pragas virtuais

Vale conhecer o estudo. Baixe aqui

assange na trip (2)

Outro dia, comentei aqui que Julian Assange – rosto, cérebro e espírito do WikiLeaks – estava na capa da revista Trip, que dedicara suas páginas negras para entrevistá-lo. Li há pouco a entrevista assinada por Lino Bocchini (e que pode ser conferida aqui). Gostei do que vi e a Trip conseguiu – mais uma vez! – mostrar uma faceta inédita dos personagens a que consagra suas grandes entrevistas. Assange está descuidado, barbado e com a camisa da seleção brasileira…

Na ocasião, abril passado, trechos da entrevistas foram captados em vídeo. Veja a seguir:

 

contemporânea chama para textos sobre wikileaks

Reproduzo mensagem de André Lemos e Edson Dalmonte, editores da revista Contemporânea.

Edição – Agosto 2011
“WIKILEAKS – CIBERCULTURA E POLÍTICA”
A Revista Contemporanea lança um call for papers sobre o tema “Cibercultura e Política”, tendo como ênfase principal a discussão sobre o fenômeno “Wikileaks”. No final de 2010, o “Wikileaks” difundiu importantes e constrangedores documentos secretos que incomodaram as principais potências mundiais (EUA, China, França, GB) e alguns países emergentes, entre eles o Brasil. O papel das tecnologias de comunicação e informação (TICS) na reconfiguração do jogo político não é um fato novo, desde as ações ativistas e micropolíticas, até o uso por candidatos, políticos eleitos, partidos políticos, bem como governos e instituições públicas. O caso “Wikileaks” (“Wiki”, plataforma colaborativa online e “Leak”, vazamento, circulação de informação) é a mais nova faceta do ciberativismo global e coloca em discussão o papel do jornalismo, da diplomacia mundial e dos novos meios de comunicação. Segundo Manuel Castels, uma nova etapa da comunicação política foi inaugurada. A revista Contemporanea quer investigar essas questões.

Calendário:
Recebimento de artigos: até 31 de maio
Resultado da seleção: 20 de junho
Trabalho de revisão: 21 a 30 de junho
Publicação da Revista: 15 de agosto

nova revista sobre comunicação e tecnologias

   Já está circulando na rede o primeiro número da revista Tinta Electrónica, voltada para temas da comunicação e das novas possibilidades tecnológicas. A publicação é editada pelos jornalistas Sandro Medina Tovar (do Peru) e Emiliano Cosenza (da Argentina), e na edição de estreia traz textos de Mario Tascón (Espanha), Pedro Jerónimo (Portugal), Anderson Paredes (Venezuela), María Pastora Sandoval (Chile), Martín Fernández (Argentina), Rolly Valdivia Chávez (Peru), Susana Morán (Equador), Lina Ceballos (Colômbia) e Gerardo Albarrán de Alba (México).

A publicação está no formato PDF, é fácil de baixar, e deve sair sempre em abril, agosto e dezembro. O número 1 tem 28 páginas e o layout é bem modesto, talhado para facilitar a leitura do conteúdo. O tema de abertura da nova revista eletrônica é “Fazer jornalismo num novo ecossistema informativo”.

Para saber mais sobre a revista, leia a entrevista que a jornalista Esther Vargas fez com Sandro Medina. Para baixar, clique aqui.

internet, informática e astronomia

Não é mais privilégio dos astrônomos trabalhar com números imensos e grandezas vertiginosas. A internet e a informática já cuidaram disso também. Quer exemplos?

  • 107 trilhões é o número de emails enviados por ano no mundo
  • 294 bilhões é a quantidade de emails trocadas por dia no planeta
  • 50 bilhões de toneladas é o quanto produziremos de lixo tecnológico na Terra até o final de 2011

Impressionante, né?

(Dados da revista Info de abril)

 

redes sociais, jovens e crianças

Orkut, Facebook e Twitter já são tão populares entre as novas gerações que parece que alguns bebês abrem suas contas nesses ambientes antes mesmo de fazer o teste do pezinho. Apesar do meu exagero, tem gente mais qualificada que se preocupa com o uso (ou intenso uso) das redes sociais por crianças e jovens.
É o caso da Academia Americana de Pediatria, que produziu e está circulando um estudo sobre o tema em seu periódico oficial. Em pauta, benefícios dos usos, impactos na aprendizagem, acesso a informações de saúde, ciberbullyng, pressões para o consumo, preocupações com a garantia da privacidade dos pequenos.

Tudo bem que a publicação é localizada – originária dos Estados Unidos -, mas pode servir como um bom roteiro para ser replicada em outras partes, inclusive aqui. (São 303 Kb, sete páginas, em PDF e em inglês)

Baixe!

 

um blog sobre o futuro do jornalismo

O principal jornal espanhol, El País, lançou esta semana um blog para debater as transformações pelas quais o jornalismo vem passando. Trata-se de Periodismo con Futuro, cujos propósitos seus editores explicam:

Com todas as incógnitas do momento, o título deste blog é uma afirmação naquilo que acreditamos sem duvidar. O Como, Quem, Onde e Quando já não estão tão claros. Queremos abrir um debate sobre o presente e o futuro do jornalismo e sua indústria, sobre novas tendências, conteúdos, tecnologia, suportes e modelos de negócio, com informação e análise. E viver em primeira mão um novo ecossistema informativo tão apaixonante quanto incerto.

Entre os destaques do que já foi postado, há vídeos de entrevistas curtas com publishers do El País, do New York Times e da Der Spiegel.
Acesse o blog!

 

 

 

 

 

 

 

um livro que faltava

A Sulina acaba de lançar um título bastante esperado para os pesquisadores das áreas da Comunicação, da Educação, da Antropologia e da Tecnologia: Métodos de Pesquisa para Internet, de Suely Fragoso, Raquel Recuero e Adriana Amaral.

Segundo a editora,

O interesse pelas abordagens empíricas a respeito das tecnologias digitais de comunicação tem avançado de forma perceptível no Brasil. “Como fazer”, “como aplicar” e “como pensar” metodologias que sejam eficientes e que permitam coletar e analisar dados compatíveis com os seus problemas de pesquisa e com suas perspectivas teóricas constitui um dos maiores desafios que se colocam para os pesquisadores.
O livro Métodos de pesquisa para internet, escrito por Suely Fragoso, Raquel Recuero e Adriana Amaral, nasceu da percepção desse contexto e tematiza e exemplifica perspectivas metodológicas específicas a respeito da internet. Além disso, fornece subsídios para estudos sobre outros temas em que a internet desempenhe o papel de lugar ou de instrumento de pesquisa. É um livro construído a partir das próprias experiências de pesquisa empírica das autoras ao longo de anos de estudo e experimentação com diferentes métodos.

Tem 239 páginas e custa R$ 33,00. O prefácio é assinado por Alexander Halavais, e a orelha é de Simone de Sá.

O sumário é este:

Introdução

Parte I – Perspectivas sobre a pesquisa empírica

Panorama dos Estudos de Internet

Construção de Amostras

Teoria Fundamentada

Parte II – Apropriações Metodológicas

Estudos de Redes Sociais

Análises de Hiperlinks

Abordagens Etnográficas

Referências

Sobre as autoras

Glossário

Índice Remissivo

 

o que penso do wikileaks?

Se você leu o título deste post e se perguntou “o que é esse tal Wikileaks?”, desculpe, mas ou você não é deste planeta ou anda bem distraído. Afinal, este é o assunto das últimas duas semanas. Tanto que todo o mundo está opinando sobre o site que disponibiliza documentos secretos vazados. Até eu estou dando meus pitacos. Quer saber? Então, veja o que escrevi lá no Observatório da Ética Jornalística, o objETHOS!

um observatório para as eleições

Que tal uma vitrine online das eleições?
Talvez o Observatório das Eleições possa servir a esse propósito.

Segundo seus realizadores,

O Observatório das Eleições 2010 é um dos projetos de pesquisa do Observatório da Web, desenvolvido pelo InWeb – Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para a Web (http://www.inweb.org.br/). Com o objetivo de entender, em tempo real, o que está sendo veiculado nas várias mídias e pelos vários usuários, o portal utiliza dezenas de softwares e ferramentas inéditas de captura e análise de dados baseadas em código livre ou aberto.

Os dados obtidos pelo Observatório das Eleições 2010 ajudam a traçar um panorama do cenário eleitoral do ponto de vista das informações e das opiniões que circulam na Web. As análises, no entanto, não refletem intenção de voto.

Vale a navegada!