Privacidade, redes e ética: 5 links

Muito bacana o trabalho que o Ética de Bolso vem fazendo. Ele é um projeto do grupo de pesquisa Ética, Comunicação e Consumo, do programa de pós-graduação da ESPM-SP, muito bem liderado pelo professor Luiz Peres-Neto.

Com textos curtos ou vídeos, eles vêm abordando aspectos bastante delicados e urgentes que estão (res)surgindo com o uso massivo de câmeras, celulares e computadores em tempos de isolamento social. O trabalho deles é muito bom e listo aqui 5 links que precisam ser conferidos:

  1. Do limão, uma limonada: reflexões e práticas sobre ética digital em tempos de confinamento
  2. Está tudo dominado? Ética e privacidade digital em tempos de Zoom e de pandemia
  3. Das salas para as telas de aula: a pandemia expondo questões éticas sobre o ambiente educacional
  4. Reputação nas redes (este é um vídeo)
  5. Privacidade e ética nas redes (outro vídeo)

    Divirta-se!

Já pensou se pagassem pelos SEUS dados?

As maiores empresas de tecnologia do mundo ganham fortunas diariamente com nossos dados pessoais. E se elas remunerassem os usuários por usar esses dados? A ideia não é nova, mas a Jennifer Zhu Scott explica bem direitinho em menos de 15 minutos… Vale ver e pensar sobre!

3 links (atrasados) sobre privacidade

Pra não dizer que não falei das flores…

Meus dados, os seus, IA e algoritmos enviesados

O mundo gira rápido e por isso te ofereço 8 links sobre (des)proteção de dados, algoritmos sacanas, inteligência artificial e privacidade. Links para a gente arregalar os olhos!

Um livro sobre privacidade e transparência

Amanheci ontem com uma ótima notícia: a Egregius Ediciones, de Sevilha, publicou o livro “Privacidad, Transparencia y Éticas Renovadas”, que organizei a partir de um simpósio que coordenei no 4º Congreso Internacional Comunicación y Pensamiento.

O livro traz sete capítulos assinados por pesquisadores espanhóis, portugueses e brasileiros tratando de temas emergentes como a proteção de dados, a necessidade de transparência na mídia, e as tensões que a privacidade cria no fazer jornalístico.

Para baixar o livro gratuitamente, basta ir por aqui

Proteção de dados, consentimento e legítimo interesse

A Lei Geral de Proteção de Dados entra em vigor em agosto de 2020, e já tem muita gente se mexendo pra se adequar a novos padrões.

Tão importante quanto isso é refletir sobre as bases da lei.

A jornalista Cristina De Luca é uma das mais atentas observadoras dos bastidores que estão moldando esses novos paradigmas. Por isso, vale a pena acompanhar de perto a cobertura que ela vem fazendo sobre o tema. Nas últimas semanas, destaco dois textos muito esclarecedores:
> Nem sempre o consentimento é o melhor escudo protetor para dados pessoais

> O legítimo interesse não é um cheque em branco para tratar dados pessoais

Mais um jeito de ver o problema dos dados

O economista e professor da USP, Ricardo Abramovay, explica com nitidez cristalina mais um dos muitos problemas da economia baseada em dados pessoais. Ele diz que, no capitalismo convencional, os preços eram uma medida entre oferta e procura, e que oscilavam a partir da tensão entre essas duas forças. Forças que se moviam por diversos fatores.

Agora, com um punhado de empresas que coletam os nossos dados e sabem o que desejamos e quanto podemos pagar por nossos desejos, esse velho esquema sofreu fortes abalos. Afinal, quem oferece agora sabe com muita antecedência a demanda, e tem um controle das regras do mercado que nunca se teve!

Esse é mais um jeito de entender o tamanho do problema da captura, processamento, modulagem e tráfico de nossos dados pessoais!

Abramovay também fala de vigilância, controle social, interferência na democracia e outros temas que atravessam essa questão. Você pode ouvi-lo neste episódio do 451MHz, o podcast da revista QuatroCincoUm.

Deep fake news e rastreamento de olhar: distopias

Dias atrás, um vídeo viralizou nos Estados Unidos mostrando a presidente do Congresso com uma fala arrastada e estranha, mais parecendo estar bêbada. O vídeo não condiz com a verdade porque sua velocidade foi alterada, e o efeito é uma clara manipulação de informação e contexto.

Se antes estávamos preocupados com fake news, nossos problemas aumentaram! Temos agora deep fake news!

O Carlos Affonso explica melhor como isso pode nos afetar e pode funcionar nas eleições do ano que vem. Sim, apertem os cintos.

Ficou preocupado? Ficou preocupada?

Nesta completíssima reportagem, a Vice conta como já estão em uso diversas tecnologias para rastrear os movimentos de nossos olhos, e que isso é o “Santo Graal da publicidade”. Isso já permite que as empresas e agências coletem nossas reações mais íntimas e inconscientes diante de imagens, campanhas e outros estímulos. (Isso é destrinchado de forma bem detalhada pelo Andrew McStay no livro “Privacy and the Media”, que recomendo fortemente a leitura).

E aí, gelou o seu sangue?

Câmara e Senado aprovam autoridade de proteção de dados

O Brasil está muito perto de ter um órgão que zele pelos dados pessoais dos milhões de usuários de internet.  A jornalista Cristina De Luca, que cobre o assunto de perto, dá mais detalhes aqui.

O Portal Privacidade fez um ótimo trabalho juntando o texto aprovado na Câmara e no Senado, e é possível fazer comparações.

Para saber mais sobre privacidade e dados pessoais, vá por aqui e aqui

Após a sanção presidencial, a medida provisória anterior se converte em lei, e a Lei Geral de Proteção de Dados passará a vigorar a partir de 20 de agosto de 2020. Olhos abertos.

Sobre privacidade e transparência algorítmica

Grande parte de nossa privacidade online é corroída pela opacidade com que as grandes plataformas de tecnologia trabalham. Quer dizer: se as big techs fossem transparentes e nos dissessem como funcionam seus sistemas e algoritmos e como eles extraem e processam nossos dados, teríamos mais condições de exigir mais resguardo de nossos dados pessoais. E poderíamos combater abusos, sequestros e usos indevidos.

É o que se chama de transparência algorítmica. Precisamos disso. Queremos isso!

5 links pulsantes para pensar e agir!