O Ministério da Educação anunciou hoje que o professor José Marques de Melo vai presidir a comissão que reformará as novas diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo. Segundo a assessoria de comunicação do MEC, o convite para a empreitada teria partido do próprio ministro Fernando Haddad, a exemplo do que fez com Adib Jatene com os cursos de Medicina.
Conforme ainda o MEC, Marques de Melo terá carta branca para constituir a comissão que reavaliará as diretrizes curriculares do Jornalismo, cujo período de trabalho será de 90 dias. Concluída a missão, um parecer deve seguir para o Conselho Nacional de Educação, órgão que irá bater o martelo para o documento.
Marques de Melo é o nome mais indicado para presidir a comissão, já que é o nome mais representativo da Comunicação no país. É autor renomado, tem fácil trânsito entre as entidades da área, é reconhecido por seus pares, tem articulação nacional e internacional, e trabalha muito.
A revisão das diretrizes é um pedido antigo de pesquisadores e professores da área, já que o documento é um exemplo completo de esquizofrenia. As diretrizes sinalizam competências e habilidades que egressos dos cursos de comunicação – e suas muitas habilitações – devem ter. Mas a leitura do documento e dos perfis esperados angustia o leitor que enxerga facinho a distância entre cineastas e jornalistas, entre publicitários e editores, entre relações públicas e radialistas, todos cobertos pelas mesmas diretrizes curriculares.
A revisão do documento, portanto, é muito bem vinda. Marques de Melo e sua equipe terão bastante trabalho pela frente, mas é preciso vencer os medos, as resistências, os ranços.