Um exercício de generosidade na pós-graduação

É muito comum que disciplinas no mestrado e doutorado rendam artigos científicos para serem publicados em revistas acadêmicas e ponto final. É assim na área da Comunicação e em campos próximos, e a ideia é matar dois coelhos de uma só vez: o texto serve de instrumento de avaliação da matéria e incrementa a produção, cada vez mais cobrada.

Repeti essa fórmula diversas vezes, mas decidi arriscar mais no primeiro semestre deste ano: propus aos alunos da disciplina de Estudos Avançados em Ética Jornalística que não escrevessem artigos, mas se dedicassem a produzir verbetes para a Wikipedia!

O objetivo era incentivar a produção de novos conhecimentos e a disponibilização disso para um número maior de pessoas. Não é segredo pra ninguém que artigos científicos são muito pouco lidos e ficam praticamente confinados no restritíssimo círculo de pesquisadores. A Wikipedia, ao contrário, é extremamente acessível, muito popular entre os usuários mais jovens da internet e cada vez mais aceita como referência imediata pelas pessoas.

Minha ideia não é nada original. Aliás, me inspirei claramente no trabalho que o professor Ruy de Queiroz já realiza no Centro de Informática da UFPE e vem alimentando a Wikipedia com verbetes sobre inovação, tecnologia e sociedade. Já o meu amigo Carlos D’Andrea, que escreveu uma tese sobre a Wikipedia, nos forneceu detalhes preciosos sobre como ela funciona e como se organiza.

Para minha satisfação, a turma aceitou o desafio de imediato e produziu verbetes que ajudam a abastecer o conhecimento do Jornalismo e da Comunicação em nossa língua naquela enciclopédia. Ao fazer isso, mestrandos e doutorandos desceram da Torre de Marfim e precisaram adaptar as linguagens de seus textos para que pudessem ser absorvidos por um público muito mais amplo que o habitual. Também aprenderam a operar na plataforma de edição da Wikipedia, para além de enfrentarem conceitos muitas vezes complexos e ainda inéditos na versão lusófona da enciclopédia. Como os verbetes não levam assinatura, os pós-graduandos também demonstraram não só rigor científico e capacidade de adaptação de linguagem, mas também desapego e grande generosidade. Afinal, escapando da fogueira das vaidades acadêmicas, ofereceram suas contribuições de forma anônima para ampliar a inteligência coletiva internética, podendo ver seus verbetes serem atualizados, editados e acrescidos a qualquer momento e por outros autores…

O resultado pode ser conferido em verbetes como Credibilidade Jornalística,  Reportagem Investigativa, Legitimidade Jornalística, e Interesse do Público, por exemplo.

Na minha avaliação, foi uma ótima experiência! Na prática, meus queridos alunos responderam a três questões capitais: É possível ser generoso num ambiente competitivo como a pós-graduação? A universidade produz conhecimento para quem? E para quê?

Dias melhores virão

Amanhã começo um semestre daqueles!

Estou muito empolgado com o que vem por aí. Na graduação, terei mais uma turma de Políticas de Comunicação, e vou oferecer uma optativa para aprofundar o tema: Políticas de Comunicação 2. A ideia é mergulhar em alguns assuntos, como Marco Civil da Internet, uma Lei Geral para a Comunicação e a realidade da mídia no país… Quero ver também se conseguimos ter uma atuação para além das paredes da universidade, se é que me entendem…

Terei também outro desafio no curso de Jornalismo: vou assumir a disciplina de Legislação e Ética. Sim, já lecionei a matéria por quase dez anos na Univali e ela é meu objeto de pesquisa há mais de quinze. No entanto, herdo a responsabilidade do grande mestre Francisco José Castilhos Karam, referência nacional nesses estudos. Espero dar conta… Na pós-graduação, dividirei com o mesmo Karam a disciplina Estudos Avançados em Ética Jornalística, um privilégio para mim, para alunos do Mestrado e do Doutorado…

No mais, os desafios do semestre envolvem ainda a continuidade de minhas pesquisas, a renovação do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS), a chegada de novos orientandos (mestrandos e graduando) e o lançamento de Questões para um Jornalismo em crise, a sair pela Editora Insular. Há outros projetos e parcerias sendo costurados, mas ainda é cedo pra contar.

O que posso adiantar é que eu e Ana Paula Laux terminamos o primeiro romance policial assinado por Chris Lauxx. O título ainda é segredo, pelo menos até assinarmos com uma editora…

Bem, eu avisei: estou empolgado. Dias melhores virão, e eles estão logo ali na esquina…

Fórum Sul de Professores de Jornalismo

Esta semana a Furb, em Blumenau, sedia a terceira edição do principal evento sobre ensino de jornalismo da região sul. O capítulo regional do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo tem como tema os novos currículos e o impacto profissional. Esta é uma oportunidade única para debater o assunto, já que os cursos estão reformando suas grades curriculares por conta das Novas Diretrizes Curriculares para os Cursos de Jornalismo, do MEC.

É também um momento de rever amigos e reforçar os laços de luta e união. Ainda mais depois do espetáculo dantesco protagonizado pela polícia e pelo governo do Paraná contra os professores na semana passada.

Farei a conferência de abertura, motivo de honra e de extrema responsabilidade…

Mais informações em www.fnpj.org.br

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pesquisa em jornalismo investigativo

Se você se interessa pelo assunto, veja a oportunidade: a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo vai promover um seminário específico com pesquisadores.
Reproduzo a chamada:
O 9º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da ABRAJI, a ser realizado de 24 a 26 de julho de 2014 na cidade de São Paulo, incluirá em sua programação o I Seminário de Pesquisa em Jornalismo Investigativo.
Esta chamada de trabalhos pretende selecionar de 10 a 15 artigos inéditos para apresentação e discussão no seminário, tendo como foco os temas a seguir:
● A teoria e a prática do jornalismo investigativo no Brasil
 ● Aspectos jurídicos da investigação jornalística
● Lei de Acesso à Informação no Brasil e no mundo
 ● Jornalismo Guiado por Dados e Reportagem Assistida por Computador
 ● Pedagogia do jornalismo investigativo, RAC e Jornalismo Guiado por Dados
Os artigos submetidos para avaliação podem discutir quaisquer aspectos dos temas mencionados acima e não devem ter sido apresentados em eventos acadêmicos anteriores, nem veiculados em periódicos. Os trabalhos apresentados serão publicados em anais eletrônicos do seminário.
Instruções
 ● Enviar um artigo em português com até 40.000 caracteres com espaços (levar em conta notas de rodapé, bibliografia, títulos e outros elementos paratextuais na contagem) para o endereço cfp@abraji.org.br até 15 de abril de 2014.
 ● O artigo deve ser escrito a partir do modelo específico, disponível em formatos .DOCX e .ODT.
● Os artigos serão submetidos a avaliação cega por um comitê de pareceristas ad-hoc.
 ● O resultado da seleção será divulgado até o dia 15 de maio de 2014.
 ● Os autores selecionados deverão arcar com os custos da viagem e hospedagem. Não precisarão realizar o pagamento da inscrição no Congresso.
 ● A publicação dos artigos nos anais está condicionada à apresentação dos mesmos no seminário.

vem fazer pos-doc na ufsc!

O Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina informa que estão abertas as inscrições para seleção de um pesquisador para pós-doutorado, no âmbito do Programa Nacional de Pós-Doutoramento (PNPD) com bolsa correspondente da Capes.

O processo seletivo, seu cronograma e demais regras podem ser conferidos em http://ppgjor.posgrad.ufsc.br/files/2013/09/edital-POSJOR-PNPD.pdf

sbpjor divulga trabalhos aprovados

(reproduzido do site da entidade)

A SBPJor divulga as Comunicações Livres e as Comunicações Coordenadas aprovadas pelos pareceristas para o 11º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, e as Comunicações Livres aprovadas pelos pareceristas para o III Encontro de Jovens Pesquisadores em Jornalismo.
Acesse aqui:

hoje tem simpósio de pesquisa em jornalismo

Acontece hoje e amanhã no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo o 3ª Simpósio de Pesquisa Avançada em Jornalismo, reunindo pesquisadores, coordenadores de cursos de pós-graduação, representantes das agências de fomento nacionais e de associações científicas da comunicação.

As atividades acontecem no Auditório Henrique da Silva Fontes, no CCE/UFSC, Florianópolis. O evento é gratuito, com inscrições no local e com transmissão ao vivo.

O Simpósio tem patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa e à Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e apoio da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da UFSC, Associação Catarinense de Imprensa (ACI) e Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (SJSC).

Confira a programação:
DIA 18 DE ABRIL

Das 14h30 às 16h15
Mesa 1: Fomento à Pesquisa em Jornalismo
> Maria Helena Weber (coordenadora da área de Comunicação na Capes)
> Othon Jambeiro (representante de área no CNPq)
Mediadora: Gislene Silva (POSJOR/UFSC)

Das 16h30 às 18h30
Mesa 2: Pesquisa em Jornalismo, o olhar das sociedades científicas
> Luciana Mielniczuk (diretora científica da SBPJor)
> Antonio Hohlfeldt (presidente da Intercom)
> Itânia Gomes (vice-presidente da Compós)
Mediador: Eduardo Meditsch (POSJOR/UFSC)

DIA 19 DE ABRIL

Das 9h às 12h30
Mesa 3: Inovação, Projetos e Perspectivas da Pesquisa em Jornalismo (parte 1)
> Kelly Prudencio (coordenadora do PPGCom da UFPR – PR)
> Antonio Carlos Hohlfeldt (pesquisador representante do PPGCom da PUC-RS)
> Claudia Quadros (coordenadora do PPGCom da UTP – PR)
> Beatriz Marocco (pesquisadora representante do PPGCom da Unisinos-RS)
> Sérgio Luiz Gadini (coordenador do PPGCom da UEPG – PR)
Mediador: Francisco José Castilhos Karam (POSJOR/UFSC)

Das 14h30 às 17h30

Mesa 4: Inovação, Projetos e Perspectivas da Pesquisa em Jornalismo (parte 2)
> Eugenia Maria Mariano da Rocha Barichello (coordenadora do PPGCom da UFSM – RS)
> Alberto Carlos Augusto Klein (pesquisador representante do PPGCom da UEL-PR)
> Virginia Pradelina da Fonseca (pesquisadora representante do PPGCom da UFRGS – RS)
> Rogério Christofoletti (coordenador do POSJOR – SC)
Mediadora: Cárlida Emerim (POSJOR/UFSC)

narrativa e construção do herói

Desde ontem acontece no campus de Mariana da Universidade Federal de Ouro Preto a quarta edição da Semana de Comunicação. O evento tem como tema “Narrativa e construção do herói” e segue até amanhã. Estou afivelando a mochila para dar uma passadinha por lá, já que participo da mesa “A mídia (des)construindo um personagem” com Renne França e o professor Lalo Leal, da USP.

Toda a cobertura pode ser conferida no Facebook da IV Secom e no Twitter.

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(a programação de amanhã)

novas diretrizes para os cursos de jornalismo

(reproduzido do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo)

O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou, na última semana, o Projeto que estabelece as novas Diretrizes Curriculares para os Cursos de Jornalismo. Este fato altera a nomenclatura dos cursos da área de comunicação que até então eram designados como cursos de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo ou Publicidade/Propaganda ou Relações Públicas ou Rádio e TV ou Cinema ou Editoração. Com exceção dos cursos de Cinema e Audiovisual que tem diretrizes próprias desde 2006, os demais cursos, por enquanto, mantém a nomenclatura curso de Comunicação Social, habilitação nos diversos campos de trabalho. Agora os cursos de Jornalismo também tem nomenclatura própria e serão designados como Curso de Bacharelado em Jornalismo.

A nomenclatura em si havia sido aprovada pelo Ministério da Educação, em 2009, quando normatizou os Parâmetros Curriculares Nacionais e estabeleceu, a despeito das diretrizes curriculares, o nome dos cursos. Assim, conforme esses Parâmetros (PCN) os cursos ficaram com os nomes que definem as áreas profissionais, ou seja, por exemplo, curso de Publicidade e Propaganda. Segundo a Secretaria da Educação Superior (SESu) do Ministério da Educação, os Parâmetros Curriculares Nacionais “deverão constituir-se em referência para o aprimoramento dos projetos pedagógicos, para orientar estudantes nas escolhas profissionais e para facilitar a mobilidade interinstitucional, assim como propiciar aos setores de recursos humanos das empresas, órgãos públicos e do terceiro setor maior clareza na identificação da formação necessária aos seus quadros de pessoal”.

Além dos PCNs, agora as Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Jornalismo definem as políticas, o processo pedagógico, o perfil técnico e a filosofia de formação dos cursos. O projeto foi elaborado por uma Comissão, constituída pelo então ministro da Educação, Fernando Haddad em 2009, presidida pelo professor catedrático da Escola de Comunicação da USP, Dr. José Marques de Melo e constituída pelos professores Alfredo Vizeu (UFPE), Luiz Motta (UnB), Sônia Virgínia Moreira (UERJ), Manuel Chaparro (USP), Sérgio Mattos (UFBA), Eduardo Meditsch (UFSC) e Lúcia Araújo (Canal Futura). Todos os membros da Comissão são doutores, jornalistas, pesquisadores e professores nos cursos de Jornalismo, exceção de Lúcia Araújo.

Do projeto original da Comissão de 2009 ficaram definidos que o curso teria uma nomenclatura específica – Bacharelado em Jornalismo, uma carga horária total de 3200 horas, a instituição do estágio curricular obrigatório, distribuição de disciplinas de formação específica e atividades laboratoriais a partir do primeiro semestre do curso, entre outras recomendações. Desse projeto se definia ainda a especificidade da formação em jornalismo. Dizia o documento que “o Jornalismo é uma profissão reconhecida internacionalmente, regulamentada e descrita como tal no Código Brasileiro de Ocupações do Ministério do Trabalho. A Comunicação Social não é uma profissão em nenhum país do mundo, mas sim um campo que reúne várias diferentes profissões”, se pode dizer que a comunicação é uma área de conhecimento.

O parecer do relator do processo que estabelece as novas Diretrizes Curriculares, no geral, foi aprovado pela Câmara da Educação Superior e agora aguarda a homologação do ministro da Educação para ser publicado no Diário Oficial da União. As novas diretrizes curriculares, entre outros temas, estabelece que os cursos terão estágio curricular obrigatório, uma carga horária total mínima de 3000 horas, atualmente está em 2700 horas; que o Trabalho de Conclusão de Curso possa ser realizado ou de forma prática, com elaboração de um produto jornalístico ou na forma monográfica, que incentiva, na graduação, a pesquisa científica; e ainda no contexto das recomendações politico-pedagógicas dos cursos ter por objetivo a formação de profissionais dotados de competência teórica, técnica, tecnológica, ética, estética; estar focado teórica e tecnicamente na especificidade do jornalismo, com grande atenção à prática profissional, sem detrimento da formação científica no âmbito das ciências humanas e sociais.

As nova diretrizes, conforme o documento elaborado pela Comissão de 2009, ainda estabelece alguns eixos fundamentais na formação do jornalista, quais sejam de fundamentação humanística, de fundamentação específica, de fundamentação contextual, de formação profissional, de aplicação processual e de prática laboratorial.

 

Agora vai?!