enchentes em itajaí (5)

Retornei ontem à noite para casa. Foram mais de 80 horas de tensão permanente, apreensão, e sofrimento. Voltamos e enfrentamos a lama e a sujeira. Na segunda, barcos passavam na frente de casa, onde o nível da água chegou à minha cintura. Em casa, o lodo marcou 30 cm nas paredes. Foi pouco, muito pouco, perto do que vi pela cidade. Tenho amigos que perderam tudo, pois a água tomou as habitações por completo.

Foi tudo muito rápido. Muitos não acreditavam que seriam atingidos, já que suas casas tinham mais de um piso. Outros nem tiveram tempo para retirar seus carros ou móveis. Felizmente sobreviveram, mas outros não.

A enchente aconteceu no domingo, e conforme os dias iam passando, crescia a ansiedade para conferir o tamanho do estrago. Quem havia deixado sua casa queria logo voltar. No retorno, surpresa, perplexidade, tristeza, solidão. Desolação.

Sorte, azar, destino

Diante de tudo o que vi, diante de tudo o que vejo e leio, não consigo me desviar de um sentimento: fui poupado. Me sinto um afortunado por ter sobrevivido, por ter sido pouco atingido e por tantos amigos que me ligaram, me escreveram, enfim, ofertaram ajuda, conforto e solidariedade.

São quase cem mortos. Os números não estão consolidados. Teremos mais corpos, inevitavelmente. Nas ruas, já desde ontem, restos de móveis, entulho, e lixo se acumulam. Camas, portas, sofás, geladeiras, fogões, berços, guarda-roupas, pedaços de madeira, mesas, todos jogados. Não prestam mais. Em alguns pontos, muros inteiros caíram, trechos de rua cederam, placas e postes tombaram. As ruas estão marrons, com lama ressecada, sujeira e desordem.

Na segunda, o trânsito era caótico. Carros na contramão, semáforos sem funcionar, filas e impaciência. Enxurradas leitosas como café-com-leite. Na terça e na quarta, saques em vários pontos assustaram a todos. Parecia o caos, uma terra sem lei, uma falência completa da ordem. Hoje, decretaram toque de recolher, e após as 22 horas não se pode andar pela cidade sem justificativas. É uma tentativa de restabelecer a segurança, e resgatar a sorte.

Operação de guerra

Na segunda e terça, fiquei impressionado com o circo armado em Itajaí. Havia policiais civis, militares e federais atuando. Chegaram homens da Marinha e do Exército e alguns da Força de Segurança Nacional. Vi o Bope também nas ruas. Vi lanchas nas principais ruas, blindados e muitos caminhões camuflados, como as fardas dos militares. 23 helicópteros coalharam o céu.

No Centro de Eventos da Marejada, chegavam carretas e mais carretas com alimentos, roupas, colchões e cobertores. Cordões de voluntários desembarcavam as cargas fazendo as chegar nas pilhas no canto do imenso pavilhão. Havia um espírito impressionante de preocupação, de urgência, de querer ajudar. Mais impressionante é perceber como as pessoas estão se reerguendo. Nas ruas, ainda impera um silêncio tenso. As pessoas se olham nos olhos, se comunicam num instante, tornam-se cúmplices na desgraça.  Todos aqui têm uma história para contar sobre a tragédia. Todos. Isso é inesquecível, atordoantemente inesquecível.

Mas parece que a coragem dessa gente é maior que o pesadelo, que a devastação. Me arrepiei há pouco com isso, com a vontade sem fim de dar a volta por cima.

Tenho aprendido tanto nesses dias! Tenho visto tanta coisa, e pensado tanto na vida! Esta é uma experiência transformadora. O pesadelo ensina.

Esses são dias em que se envelhece anos.

enchentes em itajaí (4)

Reforçando:

enchentes em itajaí (3)

Uma boa notícia!

A sensação é de que, desde a manhã, os diversos atores envolvidos na operação de salvamento e atendimento aos flagelados pelas cheias estão falando a mesma língua. Defesa Civil, governos municipal, estadual e federal, e outras instituições – como a Univali – estão atuando de forma mais coordenada.

As doações estão sendo encaminhadas para o Centro de Eventos da Marejada. A Univali recebe e atende desabrigados, junto com outros 30 postos pela cidade. Na Univali, os voluntários chegam, fazem um cadastro e são encaminhados para as localidades mais necessitadas. Choveu muito rapidamente no meio da tarde, mas o sol retornou e o nível das águas nas ruas vai diminuindo, sempre dependendo da região. Ainda existem pontos onde há água e lama até o telhado das casas; noutras, nem parece que choveu.

Percebo uma esperança, mesmo que diminuta…

enchentes em itajaí (2)

Muito rapidamente:

(*) Já são 72 mortos, e os números ainda sobem. Ontem à noite, eram 53.

(*) São quase 54 mil desalojados e desabrigados, estatística que dobrou de ontem pra hoje.

(*) Parou de chover e as águas já estão num nível mais baixo.

(*) Um blog foi criado para reunir informações sobre os atingidos: http://www.desabrigadositajai.wordpress.com

A situação na cidade parece, aparentemente, melhorar. No centro, próximo à rotatória da rua Joca Machado Brandão, ontem tomada pelas águas e lama, já havia trânsito agora há pouco. Já se podia ver o asfalto. Saiu o sol pela manhã toda e parte da tarde. Isso fez com que o espírito da cidade ficasse mais aliviado, mais desperto, mais reativo.

enchente em itajaí

Sou um dos mais de 20 mil desalojados nas enchentes que assolam o Vale do Itajaí, em Santa Catarina, neste final de novembro. É um drama, mas não é um drama isolado. Estimativas dão conta de que 1,5 milhão de pessoas tenham sido afetadas pelas fortes e constantes chuvas. São mais de 44 mil pessoas – até o momento – que estão desabrigadas ou desalojadas. Existe uma diferença entre uma coisa e outra: desabrigado é quem não tem onde ficar e vai para abrigos improvisados ou organizados pela Defesa Civil e órgãos de atendimento. Desalojado é quem está em casa de amigos, vizinhos, parentes, como é o meu caso.

Cerca de 80% da cidade de Itajaí está sob as águas, e todas as classes sociais estão atingidas. Dos miseráveis aos ricaços, ninguém foi poupado. Mesmo quem não foi diretamente atingido está sofrendo as conseqüências: veja o caso dos meus amigos Isaías e Raquel, que acolheram a minha família e mais outras duas em seu apartamento. A cidade deve sofrer nas próximas horas com falta de água, alimentos, combustíveis… Boa parte da cidade, metade dela, está sem energia elétrica.

Os gestos

É um lugar comum, um clichê desgastado, mas tem uma verdade incontornável: em momentos trágicos como este, nos surpreendemos com os gestos de solidariedade, amizade, fraternidade das pessoas. Das pequenas às grandes demonstrações: é o empresário carioca que disponibiliza caminhões da sua empresa para distribuir água; é o caminhoneiro anônimo que oferece carona a desconhecidos para atravessar um trecho alagado; são os amigos que se ligam para ter informações; são as pessoas que – mesmo atingidas – se colocam como voluntários para atender os outros.

Deixei minha casa, e depois conferi que cerca de 30 ou 40 cm de água havia invadido o local. Não pude permanecer lá. Saí no domingo de manhã, antes mesmo da água chegar. Fui com mulher e filho para um local seguro, e em seguida, fomos auxiliar no Colégio Dom Bosco, onde centenas de pessoas chegavam molhadas, com frio, com fome, e sem nenhuma esperança. Perderam tudo. Distribuindo roupas para as pessoas, eu via nos olhos delas um misto de vergonha, de desalento, de perplexidade. Um sofrimento intenso, difícil de escrever aqui.

Ontem, à noite, quando fomos à Univali para ajudar mais sofrimento e dor. Desespero e medo.

Tensão

No domingo à noite, passamos pelo Supermercado Angeloni e havia um clima silencioso de grande tensão, de comunhão pelo medo. As águas não paravam de subir e a maré cheia se aproximava. Depois, soube que o Angeloni – ao menos o seu estacionamento – ficou todo tomado pela água barrenta.

É manhã de terça, e os mortos já são 65. Temo que os números disparem assim que o nível da lama baixe e que a Defesa Civil, Bombeiros e Polícia possam chegar aos locais onde houve deslizamentos e quedas de barreira.

Conversei com vários moradores mais antigos da cidade, e que já passaram pelas famigeradas enchentes de 1983 e 1984. Eles me disseram que os dias que vivemos aqui são piores, bem piores. A cidade cresceu muito desde então. A área impermeabilizada aumentou, assim como a quantidade de lixo produzido também. Tudo isso associado às condições atmosféricas fizeram com que um cenário de guerra se descortinasse por aqui.

O caos

Alguém aqui lembrou um livro. Outro alguém, um filme. Acho que os dois exemplos dão uma noção do que estamos passando por aqui. O livro: Ensaio sobre a cegueira. O filme: Guerra dos Mundos. Nos dois, o panorama é de abandono, destruição, hordas de famintos e flagelados; desespero e o inevitável sentimento de perda. Imagens podem ser vistas no blog do meu amigo Robson Souza (http://luzeestilo.wordpress.com), e informações bem atualizadas no blog do Juliano Flor, acadêmico de Jornalismo (http://visaoextra.blogspot.com).

Demorei a postar algo aqui por diversos motivos: viajei a São Bernardo do Campo para o 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo na quarta 19 e só voltei no sábado, 21. No domingo, tudo aconteceu, e fiquei fora de órbita. Na verdade, ainda estamos fora de ordem.

A dor e o sofrimento não vão parar

Assim que as águas baixarem, projeto eu, entraremos em outra fase desse calvário: o de contabilizar os danos, limpar a destruição e passar a reconstruir a vida. Nada será como antes, e isso não é um pessimismo à toa. Quem passa por isso aqui não esquece. Nunca. Então, a vida está andando de lado, está suspensa. Não há aulas. Não há compromissos. Não há agenda a ser cumprida. Não há vida normal. Só existe o essencial: sobreviver.

Por isso, as imagens evocadas pelos meus amigos do livro e do filme não largam a minha cabeça. Calculo que não chegaremos a um nível tal de degradação como o relatado por José Saramago, em seu lindíssimo livro. Também acho que a destruição não será como a protagonizada por Tom Cruise nos cinemas. Mas a mobilização das pessoas, a interrupção brusca do ritmo da existência e a perplexidade com a nossa fragilidade e vulnerabilidade são os mesmos.

Estou bem. Minha família também. Os amigos idem. Aliás, graças à amizade, à generosidade, à imensa capacidade de doação de alguns, muito estão sobrevivendo.

encontro de pesquisadores em jornalismo começa amanhã

sbpjor

Tem início amanhã à noite em São Bernardo do Campo a 6ª edição do Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo, evento que deve reunir cerca de 300 participantes de todas as regiões e alguns estrangeiros. A iniciativa é da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) em parceria com a Universidade Metodista, e apoio do CNPq, Capes e Fapesc. O Santander patrocina.

O site do evento é o http://www.sbpjor.org.br/6sbpjor

A seqüência de apresentação dos trabalhos pode ser acessada aqui.

Embarco pela manhã para São Paulo e sigo direto para o ABC. No evento, vou coordenar uma mesa sobre Qualidade da Informação Jornalística, junto com meus colegas da Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (Renoi), vou frequentar outras reuniões, lançar dois livros – veja no lado direito desta página -, fazer contatos e rever amigos. Na medida do possível, quero postar novidades aqui e também no Twitter.

marques de melo vai liderar revisão de diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo no brasil

O Ministério da Educação anunciou hoje que o professor José Marques de Melo vai presidir a comissão que reformará as novas diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo. Segundo a assessoria de comunicação do MEC, o convite para a empreitada teria partido do próprio ministro Fernando Haddad, a exemplo do que fez com Adib Jatene com os cursos de Medicina.

Conforme ainda o MEC, Marques de Melo terá carta branca para constituir a comissão que reavaliará as diretrizes curriculares do Jornalismo, cujo período de trabalho será de 90 dias. Concluída a missão, um parecer deve seguir para o Conselho Nacional de Educação, órgão que irá bater o martelo para o documento.

Marques de Melo é o nome mais indicado para presidir a comissão, já que é o nome mais representativo da Comunicação no país. É autor renomado, tem fácil trânsito entre as entidades da área, é reconhecido por seus pares, tem articulação nacional e internacional, e trabalha muito.

A revisão das diretrizes é um pedido antigo de pesquisadores e professores da área, já que o documento é um exemplo completo de esquizofrenia. As diretrizes sinalizam competências e habilidades que egressos dos cursos de comunicação – e suas muitas habilitações – devem ter. Mas a leitura do documento e dos perfis esperados angustia o leitor que enxerga facinho a distância entre cineastas e jornalistas, entre publicitários e editores, entre relações públicas e radialistas, todos cobertos pelas mesmas diretrizes curriculares.

A revisão do documento, portanto, é muito bem vinda. Marques de Melo e sua equipe terão bastante trabalho pela frente, mas é preciso vencer os medos, as resistências, os ranços.

chamada de textos: ciência, tecnologia e sociedade

A Revista Brasileira de Ciência, Tecnologia e Sociedade lançou a chamada de artigos e resenhas para sua primeira edição. A publicação, em versão exclusivamente eletrônica, está ligada ao Grupo de Pesquisa Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) do Departamento de Ciência de Informação e Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade Federal de São Carlos. Saiba mais sobre o programa em http://www.ppgcts.ufscar.br/

A revista possui orientação pluralista e publica trabalhos que apresentem contribuições originais, teóricas ou empíricas, relacionadas à área CTS. Seu endereço é http://www.revistabrasileiradects.ufscar.br

Os trabalhos serão recebidos por via eletrônica até 2 de março de 2009. Os autores poderão acompanhar o progresso de sua submissão através do sistema eletrônico da revista.

lançamentos para ficar de olho

Juntei um punhado de títulos de livros que estão chegando às livrarias e que merecem a maior atenção para quem estuda, pesquisa ou se interessa por jornalismo.

Demétrio Soster, Angela Fellipi e Fabiana Piccinin organizaram “Edição de imagens em jornalismo”, segundo livro que aborda o tema – sempre raro – da edição na área.

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Luciene Tófoli faz uma oportuna e bem-vinda reflexão acerca do novo Código de Ética dos jornalistas brasileiros em “Ética no Jornalismo”. O livro se insere numa coleção da Editora Vozes sobre ética das profissões.

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Mauri König é um dos jornalistas brasileiros mais premiados nacional e internacionalmente. Atuando fora do eixo Rio-São Paulo, Mauri vem fazendo um trabalho excepcional no Paraná. Em “Narrativas de um correspondente de rua”, ele reúne algumas das reportagens que lhe renderam prêmios e homenagens. Contundente!

mauri

Roseméri Laurindo adaptou sua tese de doutorado, resultando em “Jornalismo em três dimensões: singular, particular e universal”, onde discute a autoria no jornalismo e retoma a teoria do jornalismo de Adelmo Genro Filho.

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Eduardo Meditsch e Valci Zuculoto organizam o segundo volume de “Teorias do Rádio”, onde convocam os principais pesquisadores do meio no país para revisitar textos seminais da área e refletir sobre eles em perspectiva.

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aprovados na seleção do mestrado em educação

O Programa de Mestrado Acadêmico em Educação da Univali anunciou os candidatos aprovados para compor a Turma 2009.

Veja a lista: selecionados_2009

A Coordenação do PMAE informa que os candidatos não selecionados podem se inscrever como alunos especiais para o próximo semestre. Para este procedimento, informações já estarão disponíveis em dezembro.

Uma nova seleção para mestrandos no programa acontece em maio, para ingresso no segundo semestre.

observatório publica especial sobre 20 anos de constituição

Arte de Henrique Costa para o Observatório do Direito à Comunicação
Arte de Henrique Costa para o Observatório do Direito à Comunicação

O Observatório do Direito à Comunicação acaba de publicar um (ótimo) especial sobre os 20 anos da Constituição Federal e a mídia nacional. Compõem o dossiê textos de Mariana Martins, Henrique Costa, Jonas Valente e Cristiana Charão. Os temas vão da concentração na propriedade dos meios à tensão entre público e privado, passando também pelas concessões de radiodifusão, liberdade de expressão e produção de conteúdos com identidades locais e nacionais.

Não é novidade alguma dizer que esse Observatório realiza um trabalho importantíssimo para a sociedade na medida em que reflete criticamente as relações entre comunicação e sociedade. Desta vez, com este dossiê, mais um material de referência é oferecido.

pesquisa: jornalistas “mais estudados” ganham mais

Deu no Portal Imprensa

(A matéria no site da Fenaj – mais completa – pode ser lida aqui)

A FENAJ concluiu, em outubro de 2008, a etapa nacional de um estudo qualitativo sobre as condições de trabalho dos jornalistas da América Latina e Caribe. Os números expostos pela pesquisa revelam que a maioria dos profissionais atua na área urbana e que há um equilíbrio de gênero nas vagas ocupadas pelo setor e que a escolaridade interfere diretamente nos ganhos salariais. O levantamento também mostra que a violação dos direitos trabalhistas está entre as maiores preocupações dos profissionais. A realização do estudo é de competência da Federação Internacional dos Jornalistas, em parceria com a ONG norte-americana Centro de Solidariedade.

No Brasil, o levantamento foi coordenado pelo Departamento de Mobilização, Negociação Salarial e Direito Autoral da FENAJ. Segundo o diretor do órgão, José Carlos Torves, a amostragem escolhida levou em conta profissionais presentes ao 33º Congresso Nacional de Jornalistas, segundo informa a Federação.

Na divisão entre gêneros, a pesquisa aponta igualdade entre homens e mulheres no quadro de profissionais da categoria, 50,8% e 49,2%, respectivamente. Outro dado fornecido pelo estudo revela que nas redações a faixa etária dos jornalistas fica, em média, entre os 41 e 55 anos.

A pesquisa mostra também que o aumento da remuneração dos profissionais está diretamente relacionado ao nível escolar apresentado. Nos que possuem mestrado e doutorado, os quais somam mais de 12%, os salários giram entre mil a cinco mil dólares.

Com relação às questões trabalhistas, a falta de vínculos empregatícios, o não comprometimento entre empresa e funcionário nas datas e salários fixados e a morosidade no cumprimento de obrigações sociais são pontos mais abordados pelos profissionais do setor.

gaveta do autor, atualizada a edição

Acesse: http://www.gavetadoautor.com

gavvvvvvv

rápido e rasteiro: 4 links sobre jornalismo e cibercultura

Tentando tirar umas teias de aranha que se acumularam de sábado pra cá neste blog, mando ver com uns links represados em meu RSS:

eliane elias, em doses generosas

eliane_elias

Porque hoje é sábado – como diria Vinicius -, quero oferecer refresco.
Para quem gosta de jazz, para quem gosta de talento duplo – voz e dedos afinados -, para quem gosta de música brasileira: Eliane Elias.

Running

Águas de Março

Call me

Samba triste

internet de graça em itajaí só no papel

Internet gratuita na cidade? Hummmm…

Durante a campanha eleitoral deste ano, um tema me chamou a atenção: a cidade teria internet de graça, com o projeto Itajaí Digital. A promessa foi feita pelo candidato à reeleição, Volnei Morastoni (PT), já que o projeto fora iniciado.

Meus meninos do Monitor de Mídia foram a campo ver como está o assunto. A conclusão é de que a promessa está anos-luz da realidade. Você pode conferir uma reportagem na edição 145 do MONITOR DE MÍDIA. O trabalho é assinado por Camila Guerra, Gabriela Forlin e Joel Minusculi.

ética na internet: preocupações jornalísticas

Em Bogotá, jornalistas e pesquisadores discutem os próximos passos das redações e do jornalismo. O Seminário Futuro do Jornalismo na Internet e Profissionalização das Redações On Line está tratando de questões agudas das novas tecnologias e da velha profissão.

Christian Espinosa conta que um dos debates mais interessantes enfocou os dilemas da ética on line, destacando que a audiência, o público já ocupa uma posição de fiel da balança. Citando Andrés Azócar, da escola de jornalismo da Universidad Diego Portales (Chile), Espinosa contrapõe:

Verdade X Veracidade

Fontes vivas X Wikipédia

Jornalismo tradicional X Jornalismo cidadão

Intuição X Confirmação

Direitos autorais X Subsídios cruzados

Participação X Checagem de informação

Um assunto palpitante, interessante, incômodo…

Atualização: Espinosa dá a direção dos slides de Azócar. São 22 slides que ajudam a entender o raciocínio do autor.

15 dias apavorantes

Eu sei, o leitor deste blog detesta queixas. Mas aqui não vai nenhuma reclamação, mas uma satisfação.

As duas últimas semanas foram absorvidas quase que totalmente pelos infindáveis compromissos que me soterraram. Vai aí um resumo dos últimos 15 dias. Do dia 20 de outubro pra cá…

… corrigi provas da seleção de novos alunos no Mestrado em Educação

… dei palestra de abertura na Semana de Comunicação no Ielusc, em Joinville

… preparei e apliquei prova na disciplina de Legislação e Ética em Jornalismo

… preparei e apliquei também a prova da disciplina de Introdução ao Jornalismo

… elaborei relatório de produtividade dos professores do mestrado para a coordenação do programa

… revisei os currículos Lattes do meu grupo de pesquisa na graduação

… corrigi as provas de Legislação e Ética em Jornalismo e de Introdução ao Jornalismo

… reinstalei a rede wi-fi em casa que estava em pandarecos

… troquei de carro, o que implica dizer: instalar alarme, transferir seguro, etc…

… dei aulas no mestrado em duas manhãs

… tive reuniões no Grupo de Pesquisa no Mestrado e no Colegiado do programa

… comecei a editar o livro sobre Cinema e Educação

… iniciei a divulgação de meu novo livro

… fiz revisão final de duas dissertações

… montei as bancas de qualificação de duas orientandas no mestrado

… levei meu filho ao pediatra

… dei aulas na graduação em duas noites

… resolvi burocracias em bancos

… recusei um trabalho legal

… acompanhei minha mulher em dois médicos

… escrevi um editorial para o Monitor de Mídia

… corrigi TCC de uma orientanda da graduação

… fiz loucuras com a patroa no sábado à noite

… revisei reportagem dos meninos do Monitor

… resolvi burocracias em cartório

… fiz entrevistas com candidatos ao mestrado

… terminei a prestação de contas de uma pesquisa para a Fapesc

Fala a verdade: eu mereço umas férias…

um cemitério de jornalistas na web

Alex Gamela apresenta um mapa com os jornalistas mortos em serviço em 2008.
A concentração dos casos dá uma visão dos locais mais perigosos para se trabalhar na área.

De acordo com os Repórteres Sem Fronteiras, até hoje – 3 de novembro – 34 jornalistas foram mortos neste ano, e 127 deles estão presos.

ética no jornalismo, um livro

A Editora Contexto coloca, esta semana, nas principais livrarias do país meu mais recente livro: “Ética no Jornalismo”. Nele, tento reunir algumas das discussões que venho tendo nos últimos nove anos sobre o assunto, tanto com profissionais quanto com pesquisadores e meus alunos nesta disciplina. O livro, portanto, é resultado de um processo de muito aprendizado e crescimento.

Com 128 páginas, o livro aborda dilemas éticos em coberturas especializadas (como as de política e economia, de esportes ou cultura, entre outras), discute o papel dos códigos e das comissões de ética, e ainda inicia um debate sobre o impacto das novas tecnologias na ética jornalística.

Para ler ver o sumário do livro, acesse aqui.

Para conferir a apresentação, clique aqui.

Para comprar, vá ao site da editora.

selecionados ao mestrado em educação da univali: 2ª fase

O Programa de Mestrado Acadêmico em Educação divulga a lista dos candidatos selecionados para segunda fase de seu processo seletivo 2009.

Confira o horário das entrevistas

os anais vêm aí

O coordenador local do 2º Encontro de Professores de Jornalismo de Santa Catarina e 4º do Paraná, Samuel Lima, confirma que em breve estarão prontos os anais dos eventos. O CD ROM sairá conforme manda o figurino: com ISSN, ficha catalográfica, os textos das conferências e dos trabalhos apresentados, além de fotos e vídeos.

Para quem não esteve em Joinville, os eventos foram um sucesso, com participação recorde: 109 inscritos.

começou o congresso de tecnologias da educação

De hoje, 27, a sexta, 31, acontece na web o 1º Congresso de Tecnologias da Educação.
Segundo a comissão organizadora, são 1261 inscritos nos minicursos e 30 trabalhos – sendo 15 artigos e 15 relatos – apresentados.

Para acompanhar, vá direto: http://congresso-tec-educacao.blogspot.com

comentários estão fervendo

Meu post que argumenta que a discussão sobre o diploma está muito ideologizada está rendendo um debate muito, mas muito interessante nos comentários do blog. Em alto nível e atacando aspectos os mais diversos, os leitores Mauricio Tuffani – um dos mais declarados adversários do diploma de jornalista – e Luciano Martins Costa – do Observatório da Imprensa – têm protagonizado o embate, lançando mão de argumentos e contra-argumentos que merecem a leitura de todos.

mec quer revisar diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo

Deu no Comunique-se:

O ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu a criação de uma comissão que vai definir as diretrizes básicas dos cursos de graduação em jornalismo. O objetivo é assegurar a qualidade da formação dos jornalistas, profissão considerada pelo ministro como central para o sistema democrático.

saem os premiados do adelmo genro filho

A Associação Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) divulga os vencedores da edição 2008 do Prêmio Adelmo Genro Filho:

INICIAÇÃO CIENTÍFICA: Gabriela Jardim Rocha (PUC-Minas), “Mediações sociais no jornalismo colaborativo” – orientadora: Geane Alzamora
Menção honrosa: Mariana de Almeida Costa (UFF), “Jornalistas e marginalidade social” – orientadora: Sylvia Moretzsohn

MESTRADO: Marcelo Ruschel Träsel (UFRGS), “A pluralização no webjornalismo participativo” – orientador: Alex Primo
Menção honrosa: Ana Paula Ferrari Lemos Barros (UnB), “Saúde, sociedade e imprensa” – orientadora: Dione Moura

DOUTORADO: Suzana Barbosa (UFBA), “Jornalismo digital em base de dados” – orientador: Marcos Palacios

PESQUISADOR SÊNIOR: Marcos Palacios (UFBA)

hoje, na semana da comunicação do ielusc

Os alunos dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda do Ielusc dão o pontapé inicial a sua Semana da Comunicação, hoje à noite. Para abertura, chamaram-me para falar de “Redemocratização e Comunicação”. Sigo daqui a pouco para Joinville para o evento, que pode ser acompanhado por aqui.

um estrabismo insistente estreita mais a razão

Uma confusão tem sido recorrente no debate que cerca a obrigatoriedade do diploma para jornalistas: tomar por sinônimas as expressões “liberdade de expressão” e “exercício profissional”. Entretanto, existe um abismo entre as duas coisas.

Em resposta ao meu post que criticava a ideologização da discussão, Mauricio Tuffani afirma que o que está em jogo no Supremo Tribunal Federal é

uma concepção do direito de liberdade de expressão que tem um significado muito maior que aquele insistentemente repetido por muitos sindicalistas e professores de jornalismo. Trata-se de um direito que não pertence apenas à categoria dos jornalistas, mas a toda a sociedade.

Mas é evidente que o direito à livre expressão não é e não pode ser um privilégio de jornalistas. Este direito é extensivo a todas as pessoas, na medida em que garante a elas a troca de idéias, a manifestação do pensamento, a formulação de opiniões e juízos. É um direito previsto na legislação e em protocolos consagrados internacionalmente, como a Declaração Universal dos Direitos do Homem, como já citou Tuffani. O artigo 19, em especial, merece uma leitura mais atenta que a realizada pelo autor:

Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Note-se que o artigo não menciona “produzir” ou “elaborar” informações. Isto é, o direito vige numa esfera ampla, generalista, e não restritiva ao mundo do trabalho. Jornalistas também são cidadãos, e também gozam do direito da livre expressão. Mas em sua condição profissional, produzem, elaboram, difundem informações com o propósito de abastecer a sociedade com dados que permitam uma compreensão melhor da realidade.

Não se pode esquecer também que o conjunto das atividades jornalísticas não se resume apenas à livre expressão. Há colunistas, articulistas, editorialistas que, sim, ocupam-se da formulação de idéias e da sua disseminação em escala massiva. Mas os demais profissionais do jornalismo não se expressam em suas lidas diárias. O que fazem é tentar oferecer ao público relatos dos acontecimentos que, por ventura, foram alçados à condição de noticiáveis. Para alcançar essa situação, os fatos devem conter elementos que dialoguem com valores de noticiabilidade, elaborados no mundo do jornalismo e que, cotidianamente, ajudam a organizar essa atividade. Esses valores compõem um rol de saberes específicos da profissão, conhecimentos a que se tem acesso nas escolas de jornalismo.

Mas voltando à Declaração Universal, encontramos o inciso 2 do artigo 29 que é esclarecedor na tensão entre direito e lei.

No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.

Isto é, o direito à livre expressão se estende até a fronteira que inicia a demarcação de uma atribuição profissional, a regulamentação do exercício jornalístico, por exemplo. Note-se que não há contradição entre os artigos, mas complementaridade já que são contemplados o direito do cidadão comum a manifestar sua opinião e o direito do jornalista a exercer sua profissão (conforme o artigo 23).

Se recorrermos à Constituição Federal e ao próprio Tuffani, veremos que os dois direitos são também atendidos.

“É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” (inciso IX do artigo 5º)

 “É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer (inciso XIII do artigo 5º)

Desta forma, insisto que não se deve tomar por idênticos o direito à livre expressão e o exercício profissional do jornalismo. Se assim o fizermos, poderíamos por extensão confundir o direito à justiça com o exercício da advocacia, ou o direito à saúde com a prática da medicina. Em todos esses casos, o direito mais geral não colide com a atribuição profissional, que depende de qualificação técnica, de habilitação legal e de competências e habilidades específicas. Misturar as coisas é fazer prevalecer um estrabismo que prejudica nossa visão e compreensão. Embaçar as fronteiras entre ambos provoca, isso sim, o estreitamento da razão.

Se o que está em discussão no STF no imbróglio sobre o diploma é a concepção de direito à liberdade de expressão, esse debate não pode desconsiderar o lugar estratégico que a mídia (seus veículos, sistemas e profissionais) ocupa na vida social atualmente. Cada vez mais central na existência contemporânea, a dimensão da comunicação social precisa dispor de profissionais altamente capacitados para fazer as mediações necessárias entre os fatos e os públicos, contribuindo para o entendimento e o desenvolvimento humano e social.

O professor Eugenio Bucci formulou uma definição de jornalismo que é, ao mesmo tempo, ampla e precisa: O jornalismo é uma atividade que existe para satisfazer um direito do cidadão comum, o direito à informação. Neste sentido, essa atividade profissional – exercida por pessoas capacitadas e habilitadas – encontra justificativa social, utilidade pública e dimensão coletiva para a sua existência.

Dito dessa forma, o estrabismo insistente se dissolve e o campo de visão de abre para uma compreensão melhor do que temos adiante.

faxina de links

Como vem sobrando tempo por aqui, vou ser curto e grosso e indicar links que estão represados em nossos favoritos…

Os obituários estão mortos, os wikis estão vivos – de Tiago Dória sobre a publicação da “morte” de Steve Jobs

Retransmissora da Record é retirada do ar por monopólio – do FNPJ sobre um veículo do Mato Grosso

O jornalismo cidadão retorna, mas produzindo os mesmos erros? – do blog do Paul Bradshaw

Chris Anderson fala da Cauda Longa em Porto Alegre, do SiteCharles

The Social Media Classroom, uma nova plataforma para a educação – do ReadWriteWeb

Ética e nova mídias, do Editorsweblog

The FutureLab – inovação na educação, direto do Reino Unido

Snackzine, revista multimídia, direto de Porto Alegre

Boring old values and the new media, do Miami Herald