é a vez de renan na playboy

Meu amigo Frank Maia tem uns contatos fortes na Playboy.
Como as coisas andam muito bem por lá – a edição da Monica Veloso “tá bombando” -, os caras da Abril querem continuar na mesma linha. Já até decidiram quem será a capa do mês que vem

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dá nojo, viu!

Outro dia, o Luciano Huck fez beicinho por ter sido assaltado e perder o seu relógio caríssimo.

Mês passado, a Hebe e o João Dória Jr. faziam cara de indignados, cantando o Virundum em seu protesto-chique.

Dia desses, vi que Sergio Malandro, Gretchen, Léo Áquila e Rita Cadilac filiaram-se a partidos e devem disputar eleições municipais ano que vem.

Dias atrás, passei pelo programa do Amaury Jr e o vi abraçado com Orestes Quércia, gargalhando no rol do Jóquei Clube de São Paulo.

Soube ainda que Boninho e Narcisa Tamborindengui atiram coisas contra pobres de suas confortáveis sacadas.

Semanas atrás, Aloisio Mercadante defendeu Renan Calheiros, enquanto Ideli Salvati se aliava a José Sarney para a mesma manobra.

Estamos bem. Nossos artistas, nossos modelos de conduta, nossas autoridades mostram – a cada dia – que é possível se superar.

eleições na sbpjor

A Comissão Eleitoral da Sociedade Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) anunciou oficialmente que apenas uma chapa se inscreveu para o processo sucessório da entidade. As eleições acontecem durante o 5º Encontro Nacional dos Pesquisadores em Jornalismo que vai de 14 a 16 de novembro próximo em Aracaju, Sergipe.

A única chapa inscrita é liderada por Carlos Eduardo Franciscato, professor da Federal de Sergipe, que deve suceder Elias Machado, que permaneceu à frente da SBPJor por dois mandatos, desde a sua criação em 2003.

A composição da chapa Diálogo e sua carta-programa podem ser conhecidos aqui: carta-programa-da-chapa.pdf

uma charada para o domingo

 Aos fiéis leitores, aos visitantes bissextos e aos pára-quedistas bem-vindos,

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Afinal, de quem são os olhos monitoradores do banner aí acima neste blog?

(O primeiro a acertar leva como prêmio um livro à escolha)

Wikipedia agitou o debate sobre a blogosfera brasileira

Ouvi o arquivo em áudio do debate promovido pelo Digestivo Cultural sobre blogs no Brasil. Com mediação de Julio Daio Borges, a discussão durou quase duas horas e teve na mesa Alexandre Inagaki, Marcelo Tas e Pedro Doria. A conversa, que aconteceu em São Paulo, foi bastante animada, com cara de papo de boteco, bem divertida.

 

Foi interessante ouvir o que pensam alguns dos blogueiros mais antigos e bem sucedidos no país. Inagaki, por exemplo, queixou-se da ainda incipiente profissionalização da blogosfera nacional. Para ele, ainda há muito copia-e-cola e pouca apuração, pouca disciplina de postagem e controle de qualidade. Doria é mais otimista e pensa que o que temos hoje ainda não é a blogosfera brasileira que podemos ter, mas que isso é uma questão de tempo. Tas se diz cada vez mais interessado nas produções em vídeo na internet (e particularmente em blogs), um oásis de criatividade e ousadia que dá um banho na publicidade mainstream.

 

Mas o debate pegou fogo mesmo quando Pedro Doria deu de ombros para a Wikipedia, argumentando que ela não era confiável. Tas, sempre bem humorado, reagiu: “Que isso?! Pedro, fala baixo! Pessoal, pára de gravar. Corta! Corta aí”. A gargalhada foi geral. Polarização. Pedro Doria reforçou sua descofiança com a Wikipedia, dizendo que fraudar verbetes é muito fácil e rápido. Tas rebateu, citando pesquisa recente que compara a enciclopédia virtual à tradicional Britânica e revela margem de erro idêntica entre elas.

De novo a questão de credibilidade, da confiabilidade, assunto que sempre retomo. No Mestrado em Educação da Univali, oriento uma dissertação que investiga essa questão, centrada basicamente no uso da Wikipedia em ambiente escolar e por alunos do ensino superior. Como a pesquisa está em andamento, não posso adiantar seus resultados. No entanto, acho que esse tema já fertiliza os corredores das escolas e as salas de professores. Os mestres discutem se aceitam ou não trabalhos que tenham como referência a Wikipedia. Alunos – numa assustadora maioria – fazem o copy-paste dos verbetes da enciclopédia virtual (como antes faziam à mão das enciclopédias de papel nas bibliotecas).

O que você pensa disso? A Wikipedia é confiável? Você já a usou como referência em trabalhos escolares? Seus professores aceitaram? Você, professor, recomenda a Wikipedia a seus alunos?

blade runner e o que veio depois

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 A conectada Adriana Amaral comenta a entrevista que Ridley Scott deu à Wired sobre os 25 anos de lançamento de Blade Runner. Na versão eletrônica da badalada revista, pode-se ler e ouvir a entrevista, e é maravilhoso revisitar um futuro tão perturbador numa obra tão poderosa. Tanto é que a própria Wired traz num bem produzido infográfico as influências causadas pelo filme em diversas manifestações culturais, que vão da música à linguagem, da arquitetura aos quadrinhos, do cinema à moda.

Sou suspeitíssimo para comentar Blade Runner. É o filme da minha vida. Onde o policial tromba com o filosófico, onde as aparências chapam a realidade e nos conduzem para equívocos certeiros. Onde o drama de um solitário se espalha como grande questão da humanidade. Ontologia, globalização, sobrevivência, multiculturalismo, podridão ambiental, estética noir, robôs que choram, humanos que não choram.

25 anos depois de ser lançado, Blade Runner não descoloriu, não amarelou, não ficou esmaecido. É recente, é atual, é perene. Não adivinhou o futuro, mas quem disse que ele se propunha a isso? E quem disse que, de certas formas, não tenha antecipado o futuro? Nos acotovelamos com ciborgues nos elevadores, nos submetemos a tratamentos que desafiam a ciência e a lógica, nos afundamos em nossas vidinhas medíocres, sucumbimos à catástrofe ambiental, e cada vez menos sabemos o que é, afinal, ser humano…

bienal ibero-americana de comunicação

Já podem ser lidos, baixados e consultados todos os textos da VI Bienal Iberoamericana de Comunicación, que aconteceu no mês passado em Córdoba, Argentina. O tema foi “Movimentos Sociais e meios na consolidação das democracias”.

Vá à fonte!

credibilidade da mídia: novos números, velhas questões

A questão mais importante para a mídia é a da credibilidade. Tanto faz se estamos falando de jornais tradicionais ou de novos meios de comunicação. O problema da confiabilidade do veículo e das informações que transmite está intimamente ligado a aspectos como a qualidade do serviço de comunicação prestado, a penetração e manutenção em mercados, e a própria sustentabilidade dos negócios da mídia.

Neste sentido, não é exagerado dizer – como já o fez Eugenio Bucci em seu Sobre Ética e Imprensa – que a credibilidade é o maior patrimônio que um jornalista pode ter. Sem ela, não há respeito por parte dos pares e das fontes de informação, não há respeito por parte dos empregadores e consumidores de informação. Jornalista sem credibilidade é como cirurgião sem mãos. Não há saída.

 A dança dos números
Nesta semana, li duas pesquisas que me chamaram a atenção. A primeira delas foi patrocinada pela Associação dos Magistrados do Brasil sobre a imagem e a confiabilidade de instituições públicas. Com margem de erro de 2,2 pontos percentuais, a pesquisa ouviu por telefone 2011 pessoas em todo o Brasil no período de 4 a 20 de agosto passado. Lanço alguns dados aleatórios:

  • 75,5% das pessoas disseram confiar na Polícia Federal
  • 74,7% disseram confiar nas Forças Armadas
  • 81,9% disseram não confiar nos políticos
  • 50% não confiam na Justiça, mas 71,8% dizem confiar nos juizados de pequenas causas
  • 84,9% dos ouvidos acreditam que a corrupção pode ser combatida
  • 59,1% confiam na imprensa enquanto que 32,4% não confiam

A segunda pesquisa a que tive acesso foi desenvolvida pelo Ibope e concentra-se em elementos para determinar sustentabilidade. Para isso, foram ouvidos 537 executivos de 361 grandes empresas brasileiras.

Lanço alguns resultados:

  • Instituições governamentais inspiram maior confiabilidade
  • No Estado, o setor que ainda se mantém bem é o Correio
  • Para 52% dos entrevistados, a Tv aberta é confiável sempre. Mas este percentual era de 61% há dois anos
  • Os índices de alta confiabilidade caíram também para os jornais (de 79 a 73%), para a TV fechada (de 74 a 67%) e para as emissoras de rádio (de 81 para 71%)
  • Os índices de “confia sempre” se mantiveram entre as revistas (87%)
  • Só na internet é que a coisa melhorou um pouquinho, de 49% passou para 50%
  • Apesar da queda da confiabilidade alta, o jornal impresso ainda é o de maior credibilidade entre os entrevistados

Quando se olha para outro aspecto, a percepção de eficiência dos meios, um aspecto chama a atenção. Internet e TV fechada são os principais meios. A internet saltou de 29% em 2005 para 75% este ano. TV fechada passou de 24% para 54%. Do outro lado da gangorra, ainda no quesito “percepção de eficiência dos meios”, os jornais despencaram de 34% para 18%, as revistas caíram de 48% para 25%, a TV aberta caiu de 65% para 49% e as emissoras de rádio de 34% para 20%.

Dos números às conclusões 
Pesquisas existem aos montes. Umas mais confiáveis, outras menos. Inclusive as pesquisas sobre confiabilidade das instituições. No caso das que acabei de citar, trata-se de estudos que, se não acertam na pinta, não ficam muito longe do alvo. As duas pesquisas convergem no sentido de que a mídia vem perdendo credibilidade como outras instituições nos últimos anos. E é possível perceber – pelo menos no estudo do Ibope – que a queda da credibilidade dos meios tradicionais pode estar diretamente ligada à queda da percepção de suas eficiências como veículos. Basta juntar os números e perceber.

Os meios tradicionais têm caído no conceito das pessoas porque não têm atendido às suas expectativas. Isto é, credibilidade rima como eficiência, com qualidade.

Na verdade, esse vínculo necessário não é nenhuma descoberta milagrosa dessas pesquisas. Os números apenas reforçam e nos lembram que não se pode fazer omeletes sem quebrar ovos. Isto é: jornalismo de qualidade/comunicação eficiente garante os corações e as mentes do público…

nova edição do monitor de mídia

Acabamos de colocar na rede a edição nº 133 do Monitor de Mídia.

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www.univali.br/monitor

gaveta do autor atualizado

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Vá ao site

um manual que deixa a desejar

A Fenaj deixou em sua página a versão eletrônica para download do seu Manual de Assessoria de Comunicação Imprensa 2007. Esta é a quarta edição “revista e ampliada” e conta com 45 páginas. Para baixar, clique aqui. Mas não se anime tanto: o manual poderia ser bem melhor. Rapidamente, aponto seis problemas:

  • A contextualização histórica do exercício profissional em assessoria “no mundo” e “no Brasil” é apressada e até primária. Penso até que um manual como esse poderia prescindir disso, mas como ele inicia com isso…
  • A seção “O que o futuro reserva” é limitada, e não traça perspectivas tão claras e confiáveis.
  • No trecho do perfil do profissional, acho que a Fenaj poderia trazer dados de pesquisas que mostrem como é esse assessor no Brasil, por regiões, quem sabe por setores de atuação, etc… Além do que, esses dados permitiria pensarmos em públicos e mercados nesse segmento…
  • Na parte em que o manual afirma que “assessoria de imprensa é função de jornalista”, a Fenaj relaciona trechos da legislação que regulamenta a profissão de jornalista, pinçando frases que podem sustentar uma defesa nesse sentido. Ok, mas há um problema. A Fenaj nem menciona que os relações públicas têm uma regulamentação profissional mais atual que a nossa e que eles, sim, estão tecnicamente habilitados (isto é, regulares diante da lei) para atuar na área.
  • A bibliografia no final do volume não é atual, e conta com títulos que há muito deixaram as estantes das livrarias, pois estão esgotados ou superados;
  • O manual traz a composição da Comissão de Jornalistas em Assessoria de Comunicação da Fenaj desde 1990. A quem interessa isso?

Pra não dizer que só falei mal, destaco dois pontos positivos no manual:

  • Ele traz o novo código de ética dos jornalistas, aprovado há poucos meses;
  • O manual traz um modelo de contrato de prestação de serviços que os jornalistas – enquanto assessores – podem usar.

uma série para não perder de vista

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O Observatório da Imprensa está publicando uma série de quatro artigos de Eugenio Bucci sobre jornalismo, liberdade e responsabilidade social. O conjunto tem o título geral “A imprensa e o dever da liberdade – a responsabilidade social do jornalismo em nossos dias”. Alguns dos textos vão compor um livro que a ANDI deve lançar ainda este ano, articulando conceitos como desenvolvimento humano, políticas públicas e jornalismo responsável.

  • O primeiro artigo do jornalista foi “A missão de servir ao cidadão e vigiar o poder” e pode ser lido aqui.
  • O segundo artigo, publicado esta semana no OI, é “A liberdade de imprensa entendida como um dever”, e pode ser conferido aqui.

Esta é uma série que não pode ser ignorada por aqueles que se interessam por pensar o jornalismo na sua dimensão ética e prática com a sociedade.

claude-jean bertrand: um tributo

Outro dia, estranhei a nota de Manuel Pinto no Mediascopio de que Claude-Jean Betrand teria morrido.

Cacei a informação nas edições eletrônicas dos jornais franceses e norte-americanos e não vi nada. Deixei um comentário no Mediascopio, e Manuel Pinto tornou a confirmar o ocorrido reproduzindo, inclusive, email com a informação encaminhado por familiares.

É uma pena o passamento de Claude-Jean Bertrand. O teórico francês foi responsável internacionalmente por uma retomada – sob um certo viés – da discussão sobre a responsabilização das mídias pelos efeitos que causam as notícias. No Brasil, a Editora da Universidade do Sagrado Coração (Edusc) lançou dois títulos de Bertrand: A Deontologia das Mídias e O Arsenal da Democracia. E temos ainda tão poucos trabalhos de fôlego na área da ética e da deontologia que tais títulos foram fácil e rapidamente absorvidos por professores e alunos, que logo os trouxeram para suas bibliografias básicas.

Betrand cunho o conceito de MARS ou MAS, dependendo do título e da tradução. Trata-se de meios para assegurar a responsabilização dos meios de comunicação. Esse conjunto de dispositivos e ações vão de ombusman a revistas especializadas, conselhos de imprensa a quadros nas redações, etc.

Embora eu tenha uma ligeira crítica ao conceito, ele vem a calhar e muito nos auxilia a pensar um outro lugar para os meios de comunicação no panorama contemporâneo e na vida social como um todo. Bertrand contribuiu, e a perda de um intelectual nos dias de hoje não é luxo que podemos ter. 

saem os premiados do Adelmo Genro Filho

Foram divulgados hoje os vencedores do Prêmio Adelmo Genro Filho, uma promoção da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJOR).

Reproduzo a nota oficial de anúncio:

“A Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo revela os resultados do Prêmio Adelmo Genro Filho – edição 2007. A coordenadora do prêmio, professora Márcia Franz Amaral, da Universidade Federal de Santa Maria, informa que houve 30 trabalhos de 24 instituições diferentes inscritos nas categorias Iniciação Científica, Mestrado, Doutorado e Sênior. A entrega do Prêmio será feita durante o 5º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, na cidade de Aracaju (SE), de 15 a 17 de novembro.As Comissões Julgadoras das categorias Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado foram formadas de cinco membros, designados pela coordenadora da premiação, sendo quatro membros entre os sócios plenos (doutores) da entidade, e o quinto membro escolhido entre os integrantes do Conselho Cientifico da SBPJor. A categoria sênior foi julgada pelo conjunto dos membros do Conselho Científico e da diretoria executiva da SBPJor.
As Comissões avaliaram os seguintes quesitos: mérito científico, adequação ao campo do jornalismo, metodologia, originalidade, uso correto da bibliografia, inovação conceitual/teórica ou experimental/aplicada sobre o jornalismo.
Os vencedores foram os seguintes:

  • Categoria: Sênior
    Profa. Dra. Christa Berger
    Universidade do Vale do Rio dos Sinos
  • Categoria: Doutorado
    Título do Trabalho: Uma trajetória em redes: modelos e características operacionais das agências de notícias: modelos e características operacionais das agências de notícias, das origens às redes digitais: com estudo de caso de três agências de notícias
    Autor: José Afonso da Silva Júnior
    Orientador: Marcos Silva Palácios
    Instituição: Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia
  • Categoria: Mestrado
    Título do Trabalho: A qualidade da informação jornalística: uma análise da cobertura da grande imprensa sobre os transgênicos em 2004
    Autor: Carina Andrade Benedeti
    Orientador: Luiz Gonzaga Figueiredo Motta
    Instituição: Mestrado em Comunicação/Universidade de Brasília (UnB)
  • Categoria: Iniciação Científica
    Título do Trabalho: O uso da infografia na revista Saúde!
    Autor: Elaine Aparecida Manini
    Orientador: Tattiana Teixeira
    Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina
  • *Menção Honrosa na categoria Iniciação Científica
    Título do Trabalho: Nuances de Análise Histórica do Jornalismo: homens, mulheres e a cidade nas páginas do Diário dos Campos (1910-1923)
    Autor: Felipe Simão Pontes
    Orientador: Sérgio Luiz Gadini
    Instituição: Universidade Estadual de Ponta Grossa”

PARABÉNS AOS VENCEDORES E A SEUS ORIENTADORES!!!

a família está completa

Acaba de sair mais uma geração de livros da Coleção Plurais Educacionais, que coordenamos lá no Mestrado em Educação da Univali.

No ano passado, lançamentos Mídia e Conhecimento – Percursos Transversais (org. de Solange Puntel Mostafa e Rogério Christofoletti), Estética e Pesquisa – Formação de Professores (org. de Luciane M. Schlindwein e Angel Pino Sirgado), Currículo e Avaliação – Investigações e Ações (org. de Amândia Maria de Borba, Cassia Ferri e Verônica Gesser) e Ética e Metodologia – Pesquisa na Educação (org. de Antonio Fernando Guerra, Valéria Silva Ferreira e Tânia Raitz).

Agora, saíram Educação Ambiental – Fundamentos, Práticas e Desafios (org. Antonio Fernando Guerra e José Erno Taglieber), Educação e Trabalho – Itinerários de Pesquisa (org. de Tania Raitz e Elisabeth Caldeira Villela), Infância e Linguagem Escrita – Práticas Docentes (org. Valéria Silva Ferreira) e Educação e Lingüística – Ensino de Línguas (org. José Marcelo de Freitas Luna).

Esses títulos serão lançados na 30ª Reunião Anual da Anped, que acontece na semana que vem em Caxambu (MG) e podem ser encontrados na Editora da Univali.

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a crise dos jornais e o lugar certo na prateleira

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 Gente mais esperta já disse que quando o autor escreve, ele perde a obra para o leitor. Não tem mais domínio, e a leitura é uma outra forma de escritura, de colocação de sentido, de produção de entendimento. Ok, ok. Concordo, mas às vezes o autor perde o “controle da coisa” antes mesmo de o leitor folhear a obra.

Foi o que percebi dia desses lendo o imperdível “Os jornais podem desaparecer?”, de Philip Meyer.

O livro trata da já gritada crise dos jornais impressos e tenta avaliar – com base na evolução da indústria norte-americana – possíveis tendências e saídas para o mercado. Para quem não se lembra, Meyer é um dos nomes mais respeitados das escolas norte-americanas de Jornalismo e foi um experiente profissional naquelas bandas. O “pretexto” do autor para o livro é o seguinte: precisamos entender o problema para tentarmos resolvê-lo. Isto é, o autor nos convida a conhecer o que é “jornalismo enquanto negócio” para que nos mantenhamos em “nossas plataformas”. Assim, o livro tem como público os jornalistas, e tenta estimulá-los a saber um pouco mais do que as técnicas jornalísticas, e se comprometam também com a “salvação” da lavoura.

Até aí tudo bem.

Acontece que em duas livrarias que visitei o livro de Meyer não estava na estante de Jornalismo ou Comunicação. Estava na de Administração e Negócios. Numa terceira loja, o livro não estava à venda, pois a moça argumentou que eles apenas comercializavam obras de ciências humanas. Sei…

Olhei a ficha catalográfica do livro e lá consta na ordem: Jornais. Jornalismo. Jornalismo – aspectos econômicos.

Mesmo assim, quem colocou os livros na prateleira “errada”? Não foi um acidente, afinal vi isso em duas lojas diferentes e concorrentes. Quem?

Parece uma discussão boba essa, mas não. Se há uma corrida para buscar soluções para jornalismo, se as empresas jornalísticas enfrentam quedas constantes de tiragem, se os gestores tentam buscar novas receitas para uma sobrevivência dos jornais, qualquer sinalização de saída  da crise – mesmo que num modesto livro – é bem vinda e deve ser levada adiante. Colocar o livro no lugar errado é como deixar a chave do apartamento em chamas trancada do lado de fora. E com o proprietário dentro…

seminário em santa maria

A Universidade Federal de Santa Maria sedia em novembro a terceira edição do Seminário Internacional de Pesquisa em Comunicação (Sipecom).
Para saber mais, vá à fonte.

record news, o começo

Assisti pela TV a abertura oficial do Record News, o auto-alardeado primeiro canal 24 horas de notícias de sinal aberto. A “cerimônia” foi rapidinha, meia hora. Mas foi entre o brega e o paroquial. Explico.

  • Celso Freitas adotou um tom cerimonioso, usando formas de tratamento não usuais na TV, como “excelentíssimo senhor”, “ilustríssimo”, etc.
  • Lula, Serra, Kassab prestigiaram o evento. Ficaram sentadinhos e bonitinhos. Os dois primeiros falaram, o prefeito não. Acho que houve um certo temor de que ele enxotasse alguém aos berros…
  • Celso Freitas confidenciou que em 1989 a Record quase faliu, mas “um projeto inovador” salvou a emissora. Ele tava se referindo à Igreja Universal
  • Celso Freitas anunciou a palavra do “proprietário”, isso mesmo, proprietário da Rede Record, o bispo Macedo. E ele falou. Claro que terminou falando de deus…
  • Lula terminou seu discurso recitando versos do Hino à República: “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós…”
  • Lula e Edir Macedo – no maior estilo inauguração de hidrelétrica ou início de pregão na bolsa – deram início às operações do canal, apertando o botão NO AR.
  • Fafá de Belém, isso mesmo, cantou o hino nacional.
  • Em rápidos takes na platéia, deu pra perceber que havia lugares vazios. Mas não dá pra reclamar: tinha o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, e ministros como o dos Esportes (Orlando Silva) e do Turismo (Marta Suplicy)…
  • Terminou rápido porque os salgadinhos estavam esfriando.

Pode parecer brincadeira, mas foi assim mesmo que aconteceu.

Pessoalmente, torço para que o canal dê certo e que seja mesmo aberto. Eu tenho TV a cabo, mas o sinal da ex-Rede Mulher não chega aqui. Então, de 24 horas de jornalismo em sinal aberto, o “aberto” é só um adjetivo vazio pra mim.

Mas torço pra dar certo, sim. Só que eles podiam me poupar as risadas na abertura…

um mapa (mental) da (ciber) cultura

Alex Primo produziu um utilíssimo material em seu blog: um mapa mental dos principais temas e conceitos da cibercultura. O autor avisa que é uma versão Beta. E como quer fazer a coisa crescer, já abriu um wiki para esticar a coisa…

O mapa você vê aqui.

Para se cadastrar e manda ver no wiki, clique aqui.

empresas jornalísticas: ordem na casa

Reproduzo do site do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina:

Jornal terá que fazer esclarecimento sobre assédio,
assinar autoria de fotos e regularizar os sem registro

24/09 – Uma ação do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina junto ao Ministério Público do Trabalho resultou em ajustamento de conduta com nove itens, que o jornal Notícias do Dia de Florianópolis se compromete em cumprir, a partir de hoje, sob pena de pagamento de R$ 30 mil de multa por infração ou por trabalhador encontrado em situação irregular. As cláusulas que a empresa assumiu o cumprimento são:

1 – orientar os superiores hierárquicos para que deixem de maltratar ou humilhar os trabalhadores;

2 – abster-se de coagir e pressionar os empregados;

3 – promover esclarecimentos quanto ao tema assédio moral, com no mínimo duas palestras e distribuição de material escrito a cada trabalhador. As palestras devem ser realizadas em até 60 dias, assim como a entrega do material impresso;

4 – parar de descontar, dos trabalhadores, qualquer valor que não aqueles legais;

5 – creditar todas as fotos publicadas, inclusive as de arquivo, assim como cessar a comercialização de fotos sem a autorização do autor;

6 – remunerar em dobro o trabalho prestado aos domingos e feriados;

7 – manter registro fidedigno da jornada de trabalho;

8 – remunerar as horas extras com o adicional previsto na convenção coletiva;

9 – proceder, em no máximo 30 dias, o enquadramento dos repórteres-fotográficos e ilustrador que estão sem registro profissional, encaminhando os documentos necessários ao Sindicato dos Jornalistas.”

nosso cinema no oscar

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Não ligo para o Oscar. Não acho que seja um grande prêmio nem ao menos que seja um índice de qualidade de produção. Não mesmo. Basta lembrar que “Rocky, o lutador” venceu na categoria melhor filme no comecinho dos anos 80. (Ou a safra estava muito ruim ou o colégio eleitoral que votou no filme de Stallone não ia ao cinema com freqüência).

Então, não entro nessa torcida por um Oscar. Para mim, é besteira. Como se torcêssemos por nossa miss num concurso de beleza. Claro que isso não me impede de dizer que foi uma injustiça Gwineth Paltrow levar a estatueta de melhor atriz por “Shakespeare Apaixonado” ao invés de Fernanda Montenegro por “Central do Brasil”. A veterana é mais atriz e está a milhas de distância segura da loirinha.

De qualquer forma, e dito tudo isso, preciso confessar que gostei bastante da escolha do governo brasileiro do filme que vai representar o país na triagem para a categoria de melhor filme estrangeiro. Escolheram “O ano em que meus pais saíram de férias”. Não pude vê-lo na telona, mas vi em DVD. E foi um assombro.

Em maio deste ano, no meu blog anterior, cheguei a dar minhas impressões nitidamente emocionadas sobre o filme. Ele é belíssimo. Para que você não precise ir ao meu endereço antigo, reproduzo abaixo o que escrevi à época. Hoje, eu quase nem mexeria no texto. A impressão ficou. As imagens permaneceram.

Noite passada, assisti a O Ano Em Que Meus Pais Saíram De Férias, longa de Cao Hamburger. E já de início, é preciso dizer: é um dos filmes mais emocionantes do cinema nacional dos últimos dez anos. Bem realizado, na medida e sem rodeios, o filme é de uma sensibilidade contagiante.A história é simples: 1970, e os jovens pais de um garoto de uns 8 anos deixam o filho com o avô. Os pais “vão sair de férias”, quando na verdade se intui que são perseguidos políticos. Acontece que o avô morre antes mesmo de o menino ser recebido. Então, Mauro – o menino – é acolhido pelo pessoal do bairro do Bom Retiro, notadamente judeus e descendentes de italianos. Os dias se passam e o menino aguarda os pais, pois a promessa era de que a volta se daria na Copa do Mundo. Simples assim.

Mas vai além. Não é um filme de crianças. Não é um filme com crianças só. Mas é um daqueles que nos fazem voltar à infância. Futebol de botão. Bola de capotão batendo na parede encardida do vizinho. Brincar na rua. Apaixonar-se pela bela atendente da padaria. Tanta coisa… Há também a incontornável solidão da infância que todos sentimos: brincar solitário, mergulhar sozinhos no mundo da fantasia e dos sonhos mais eternos.

Se você gosta de comparações, já temos um Cinema Paradiso, mas sem a homenagem à sétima arte. Já temos um Malena, sem Monica Belucci. Mas não só. Meu entusiasmo me faz lembrar da singela trilha sonora, dos planos inteligentes que recortam o cenário da São Paulo moderna e nos mostram apenas a São Paulo amanhecida, amarratoda, periférica, imunda e inesquecível, amável e perdida no tempo.

Gargalhei, me identifiquei, e me emocionei. Lá pelo final, cheguei a pensar que o filme poderia terminar na bela seqüência que recupera as comemorações em Guadalajara do Tri da seleção. Cenas documentais num belo filtro azul-saudade. Mas não. Cao Hamburger ofereceu mais. Inclusive a narração do personagem na última cena: um punhado de frases que me inundou os olhos”.

lista de pesquisadores-blogueiros: crescendo!

A idéia está se espalhando e muita gente vem mandando suas contribuições.

A lista dos pesquisadores do campo da Comunicação que mantêm seus blogs já ultrapassou os 150 links, vindos de várias partes do mundo, e sempre blogando em Português.

Acesse a lista dos brasileiros aqui.

 Acesse a lista completa, lusófona, aqui.

32 capas de disco que mudaram tudo

Sim, a música muda o mundo.
The Best Article Every Day faz uma listinha de 32 álbuns que chacoalharam o mundo. Não só pelos acordes, mas pelo que mostravam na capa…

Veja e faça a sua lista.

cassandra wilson: é domingo!

É domingo, é primavera!
Começa a semana, começa uma nova estação no ano, mais quente, mais colorida, mais promissora.

Otimismo meu? Talvez.

Mas talvez seja um tempo em que se possa ficar mais perto de quem se queira bem. Mais perto por mais tempo.
Cassandra Wilson canta lindamente Closer To You, de Jakob Dylan, no seu mais recente disco Thunderbird

 

 

How soft a whisper can get
When your’re walking through a
Crowded space
I hear every word being said
And i remember that everyday
I get a little bit closer to you

How long an hour can take
When you’re staring into open
Space
When i feel i’m slipping further
Away
I remember that everyday
I get a little bit closer to you

These are the days
That i won’t get back
I won’t hear you cry
Or hear you laugh
And when it’s quiet
And i don’t hear a thing
I can always hear you breathe

You know there’s nowhere else
I’ve wanted to be
Than be there when you needed me
I’m sorry too
But don’t give up on me
And just remember that when you
Were asleep
I got a little bit closer to you 

(Se não encontrou a canção por aí, mas ainda assim quer ouvir a voz aveludada de Cassandra, vá até o YouTube e acesse um slideshow onde a música serve de tema.
Feche os olhos e abra os ouvidos.
Deixe a nova estação entrar)

sobre querer ficar

Durante quatro meses, o Brasil inteiro assistiu à fritura do presidente do Senado e sua insistente autodefesa. Os indícios, as provas, os testemunhos apontavam para uma série de irregularidades, de improbidades e de imoralidades. O lógico apontaria para a cassação do mandato, para o afastamento da presidência, enfim, para a retirada de Renan Calheiros do posto.

Ele bateu o pé, pois não queria sair. Fora eleito para aquilo. Representava a vontade e o interesse de eleitores alagoanos, e depois, representava a vontade do governo e seus aliados para presidir o Senado Federal.

Não queria sair, e não saiu.

Agora, mas não é de agora, assisitimos a outra fritura: a do presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Milton Zuanazzi. Ele também não quer sair. Bate o pé, faz beicinho e manda recado pela assessoria: ninguém tira ele de lá pois tem mandato pra cumprir.

Sabe, eu não votei no Zuanazzi. Nem no Renan. Eu não indiquei nenhum deles. Mas vi estupefato que não fizeram muito nem pelo Senado, nem pelo país, nem pela aviação. Eles não transformaram as suas áreas em campos de excelência. Não mudaram o panorama de suas áreas. Mas querem se manter em seus postos, em seus empregos.

A justificativa é a legimitidade de processos eleitorais. Ok, estamos numa democracia, mas a democracia não prevê apenas a escolha de quem nos representa, mas também a alternância de poder e regras para destituir aqueles que ferem as regras básicas do exercício de suas funções. Zuanazzi não foi eleito, mas indicado. Renan foi escolhido, mas quebrou o decoro.

Não votei em Renan. Não indiquei Zuanazzi. 

Como cidadão brasileiro, não reconheço esses dois servidores públicos investidos nessas funções. Se estivessem na iniciativa privada, já teriam sido punidos ou desligados. No serviço público, escamoteam-se em regras ardilosas pretensamente democráticas. O serviço público deveria ser mais moralizante e exemplar. E se assim o fosse, nem mais lembraríamos os nomes dessas pessoas. 

novo código de ética dos jornalistas

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou o texto final do novo Código de Ética do Jornalista Brasileiro. O processo de modernização do instrumento começou em 2004 e se estendeu até julho deste ano, com democrático debate nacional.

  • Para saber mais sobre esse andamento, leia aqui.
  • Para saber como especialistas avaliam o novo código, veja aqui.
  • Se você tem fôlego e interesse, leia o que já comentei desse tema aqui. Ou navegue pelas tags (aí ao lado) e busque “Ética Jornalística”

Veja a íntegra do documento:

Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros

Capítulo I – Do direito à informação

Art. 1º O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros tem como base o direito fundamental do cidadão à informação, que abrange seu o direito de informar, de ser informado e de ter acesso à informação.
Art. 2º Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que:
I – a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente de sua natureza jurídica – se pública, estatal ou privada – e da linha política de seus proprietários e/ou diretores.
II – a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público;
III – a liberdade de imprensa, direito e pressuposto do exercício do jornalismo, implica compromisso com a responsabilidade social inerente à profissão;
IV – a prestação de informações pelas organizações públicas e privadas, incluindo as não-governamentais, é uma obrigação social.
V – a obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação, a aplicação de censura e a indução à autocensura são delitos contra a sociedade, devendo ser denunciadas à comissão de ética competente, garantido o sigilo do denunciante.
Capítulo II – Da conduta profissional do jornalista

Art. 3º O exercício da profissão de jornalista é uma atividade de natureza social, estando sempre subordinado ao presente Código de Ética.
Art. 4º O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, razão pela qual ele deve pautar seu trabalho pela precisa apuração e pela sua correta divulgação.
Art. 5º É direito do jornalista resguardar o sigilo da fonte.
Art. 6º É dever do jornalista:
I – opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;
II – divulgar os fatos e as informações de interesse público;
III – lutar pela liberdade de pensamento e de expressão;
IV – defender o livre exercício da profissão;
V – valorizar, honrar e dignificar a profissão;
VI – não colocar em risco a integridade das fontes e dos profissionais com quem trabalha;
VII – combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercidas com o objetivo de controlar a informação;
VIII – respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão;
IX – respeitar o direito autoral e intelectual do jornalista em todas as suas formas;
X – defender os princípios constitucionais e legais, base do estado democrático de direito;
XI – defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, dos adolescentes, das mulheres, dos idosos, dos negros e das minorias;
XII – respeitar as entidades representativas e democráticas da categoria;
XIII – denunciar as práticas de assédio moral no trabalho às autoridades e, quando for o caso, à comissão de ética competente;
XIV – combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.
Art. 7º O jornalista não pode:
I – aceitar ou oferecer trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial, a carga horária legal ou tabela fixada por sua entidade de classe, nem contribuir ativa ou passivamente para a precarização das condições de trabalho;
II – submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação;
III – impedir a manifestação de opiniões divergentes ou o livre debate de idéias;
IV – expor pessoas ameaçadas, exploradas ou sob risco de vida, sendo vedada a sua identificação, mesmo que parcial, pela voz, traços físicos, indicação de locais de trabalho ou residência, ou quaisquer outros sinais;
V – usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime;
VI – realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha sobre organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor, empregado, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas;
VII – permitir o exercício da profissão por pessoas não-habilitadas;
VIII – assumir a responsabilidade por publicações, imagens e textos de cuja produção não tenha participado;
IX – valer-se da condição de jornalista para obter vantagens pessoais.

Capítulo III – Da responsabilidade profissional do jornalista

Art. 8º O jornalista é responsável por toda a informação que divulga, desde que seu trabalho não tenha sido alterado por terceiros, caso em que a responsabilidade pela alteração será de seu autor.
Art 9º A presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística.
Art. 10. A opinião manifestada em meios de informação deve ser exercida com responsabilidade.
Art. 11. O jornalista não pode divulgar informações:
I – visando o interesse pessoal ou buscando vantagem econômica;
II – de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes;
III – obtidas de maneira inadequada, por exemplo, com o uso de identidades falsas, câmeras escondidas ou microfones ocultos, salvo em casos de incontestável interesse público e quando esgotadas todas as outras possibilidades de apuração;
Art. 12. O jornalista deve:
I – ressalvadas as especificidades da assessoria de imprensa, ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, o maior número de pessoas e instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente aquelas que são objeto de acusações não suficientemente demonstradas ou verificadas;
II – buscar provas que fundamentem as informações de interesse público;
III – tratar com respeito todas as pessoas mencionadas nas informações que divulgar;
IV – informar claramente à sociedade quando suas matérias tiverem caráter publicitário ou decorrerem de patrocínios ou promoções;
V – rejeitar alterações nas imagens captadas que deturpem a realidade, sempre informando ao público o eventual uso de recursos de fotomontagem, edição de imagem, reconstituição de áudio ou quaisquer outras manipulações;
VI – promover a retificação das informações que se revelem falsas ou inexatas e defender o direito de resposta às pessoas ou organizações envolvidas ou mencionadas em matérias de sua autoria ou por cuja publicação foi o responsável;
VII – defender a soberania nacional em seus aspectos político, econômico, social e cultural;
VIII – preservar a língua e a cultura do Brasil, respeitando a diversidade e as identidades culturais;
IX – manter relações de respeito e solidariedade no ambiente de trabalho;
X – prestar solidariedade aos colegas que sofrem perseguição ou agressão em conseqüência de sua atividade profissional.

Capítulo IV – Das relações profissionais

Art. 13. A cláusula de consciência é um direito do jornalista, podendo o profissional se recusar a executar quaisquer tarefas em desacordo com os princípios deste Código de Ética ou que agridam as suas convicções.
Parágrafo único. Esta disposição não pode ser usada como argumento, motivo ou desculpa para que o jornalista deixe de ouvir pessoas com opiniões divergentes das suas.
Art. 14. O jornalista não deve:
I – acumular funções jornalísticas ou obrigar outro profissional a fazê-lo, quando isso implicar substituição ou supressão de cargos na mesma empresa. Quando, por razões justificadas, vier a exercer mais de uma função na mesma empresa, o jornalista deve receber a remuneração correspondente ao trabalho extra;
II – ameaçar, intimidar ou praticar assédio moral e/ou sexual contra outro profissional, devendo denunciar tais práticas à comissão de ética competente;
III – criar empecilho à legítima e democrática organização da categoria.

Capítulo V – Da aplicação do Código de Ética e disposições finais

Art. 15. As transgressões ao presente Código de Ética serão apuradas, apreciadas e julgadas pelas comissões de ética dos sindicatos e, em segunda instância, pela Comissão Nacional de Ética.
§ 1º As referidas comissões serão constituídas por cinco membros.
§ 2º As comissões de ética são órgãos independentes, eleitas por voto direto, secreto e universal dos jornalistas. Serão escolhidas junto com as direções dos sindicatos e da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), respectivamente. Terão mandatos coincidentes, porém serão votadas em processo separado e não possuirão vínculo com os cargos daquelas diretorias.
§ 3º A Comissão Nacional de Ética será responsável pela elaboração de seu regimento interno e, ouvidos os sindicatos, do regimento interno das comissões de ética dos sindicatos.
Art. 16. Compete à Comissão Nacional de Ética:
I – julgar, em segunda e última instância, os recursos contra decisões de competência das comissões de ética dos sindicatos;
II – tomar iniciativa referente a questões de âmbito nacional que firam a ética jornalística;
III – fazer denúncias públicas sobre casos de desrespeito aos princípios deste Código;
IV – receber representação de competência da primeira instância quando ali houver incompatibilidade ou impedimento legal e em casos especiais definidos no Regimento Interno;
V – processar e julgar, originariamente, denúncias de transgressão ao Código de Ética cometidas por jornalistas integrantes da diretoria e do Conselho Fiscal da FENAJ, da Comissão Nacional de Ética e das comissões de ética dos sindicatos;
VI – recomendar à diretoria da FENAJ o encaminhamento ao Ministério Público dos casos em que a violação ao Código de Ética também possa configurar crime, contravenção ou dano à categoria ou à coletividade.
Art. 17. Os jornalistas que descumprirem o presente Código de Ética estão sujeitos às penalidades de observação, advertência, suspensão e exclusão do quadro social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.
Parágrafo único – Os não-filiados aos sindicatos de jornalistas estão sujeitos às penalidades de observação, advertência, impedimento temporário e impedimento definitivo de ingresso no quadro social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.
Art. 18. O exercício da representação de modo abusivo, temerário, de má-fé, com notória intenção de prejudicar o representado, sujeita o autor à advertência pública e às punições previstas neste Código, sem prejuízo da remessa do caso ao Ministério Público.
Art. 19. Qualquer modificação neste Código só poderá ser feita em congresso nacional de jornalistas mediante proposta subscrita por, no mínimo, dez delegações representantes de sindicatos de jornalistas.

Vitória, 04 de agosto de 2007.
Federação Nacional dos Jornalistas

controle social das concessões em radiodifusão

Tem campanha nas ruas!

Entidades do movimento social, estudantil e sindical e outras organizações que lutam pelo Direito à Comunicação saem às ruas para exigir critério e transparência na renovação das concessões de rádio e TV.
Leia mais no Intervozes.

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novo piso de jornalista em sc

A notícia foi divulgada hoje mesmo pelo Sindicato dos Jornalistas.
Leia a nota:

“A Delegacia Regional do Trabalho (DRT) acaba de homologar o acordo coletivo dos jornalistas de Santa Catarina, definindo cláusulas econômicas e sociais para a categoria.

O acordo coletivo tem validade entre 1º de maio de 2007 a 30 de abril de 2008.

A partir de 1º de maio de 2007, o piso dos jornalistas que atuam em Santa Catarina passou de R$ 1.010,00 para R$ 1.050,00 – um reajuste de 3.99% -, para jornada de trabalho de 5 horas/dia.

Os demais salários tiveram reposição da inflação do período, que foi de 3.44%.

Os salários acima de R$ 5.001 (cinco mil e um centavo) receberam reajuste de R$ 172,00.

O acordo coletivo 2007/2008 traz uma novidade:a  taxa de reforço, que assegura o desconto de 1% do salário de cada jornalista, uma vez ao ano,  como uma contribuição de fortalecimento sindical. O desconto só será feito mediante a concordância do jornalista. Caso o jornalista não queira contribuir  deve encaminhar documento ao SJSC desautorizando o desconto.  

Para saber mais sobre esta cláusula e ler o acordo coletivo na íntegra, acesse www.sjsc.org.br

as lições do dr. house

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Gregory House me fascina e me desconcerta. O médico rude, que evita contato com pacientes e que faz de diagnósticos verdadeiras peças de mistério, não poderia existir. Não porque não existam médicos briosos e que salvem vidas com a mesma obstinação de House e de seus dedicados pupilos. House não poderia existir porque esbarraria na primeira esquina do corredor. O Hospital-Escola no qual trabalha não admitiria nem manteria um médico como aquele, por mais brilhante que fosse. Isso porque na Medicina (como no Jornalismo), profissionalismo não se escreve apenas com o P de procedimentos técnicos acertados, de perícia. Mas também com o P de prudência, e House é tudo menos prudente.

Seus métodos são heterodoxos, suas condutas são repreensíveis e suas insubordinações mais desviam do que educam os jovens médicos de sua equipe. Ele não é um bom professor, pelo menos no modelo dos velhos mestres. House não tem paciência, não é repetitivo, e nem se preocupa com isso. Não está lá para ensinar.

Alguém poderia completar: está lá para salvar vidas.

Será mesmo?

Não tenho esta certeza. House não é do tipo humanitário. Não é idealista, nem missionário. Pouco ou quase nada lhe interessa. Quando inevitável, atende um ou outro paciente. Com desdém. Mas não porque desrespeite o doente, a dor alheia. Acho que não. House tenta se focar no que interessa. Quando vê que o paciente não tem nada de efetivamente grave, chacoalha os ombros e saca recomendações tão surpreendentes quanto suas tiradas sarcásticas.

House se interessa apenas pelos grandes casos, os mais desafiadores e delicados. Os mais controversos e obscuros. Os mais confusos. O homem é um cerebral, um investigador de casos clínicos. O conjunto mais complexo e improvável de sintomas chama-lhe a atenção de imediato. Atrai seus dois curiosos olhos azuis. E lá vai mancando até a causa.

Aliás, taí uma metáfora inteligentíssima dos produtores da série de TV: o detetive das moléstias arrasta-se até o agente causador da doença. O médico dá passos tortuosos rumo à sanidade. Assim caminha a humanidade.

De quebra, os produtores colocam um médico fora de série com um defeito físico que o fragiliza diante de seus pares e dos pacientes. Mas que nada. O ponto mais sensível de House é em outra parte, mais acima, no ego. Não é à toa que ele gosta dos grandes casos, afinal se considera um grande craque, e com isso não há tempo a perder. A cena clássica que se repete é House, apoiado em sua bengala, inclinado em frente a um quadro branco com um pincel atômico na outra mão. Está numa sala de reuniões e os jovens médicos de sua equipe passam a desfilar prováveis causas que explicariam aquele estranho comportamento do paciente. House vai descartando um a um. Os diagnósticos se liquefazem, derramam-se diante do mestre. Nada passa de teatro. Parece que House já sabe desde o início.

Se sabe, a gente é que não sabe.

Com isso, o indisciplinado médico aterroriza a administradora do Hospital-Escola com seus procedimentos indesejáveis, confunde a jovem Cameron e desagrada a Chase e a Foreman. Apenas o doutor Wilson, o oncologista pouco mais velho que os pupilos, demonstra ter algum acesso à caverna de sentimentos que House guarda.

Mas pouco vemos disso. Há muitas vidas a salvar e doenças as mais absurdas a se esconder atrás de falsos diagnósticos, de leituras equivocadas de raios x, de efeitos colaterais que se travestem de sintomas.

House, embora não queira, ensina muito. A quem o acompanha no cotidiano clínico e a quem assiste a sua performance. Aprendemos que sempre os males têm início em coisas miúdas, microscópicas, invisíveis. Lembre-se: House é um infectologista, e todas as suas respostas apontarão vírus, fungos, bactérias ou coisinhas desse tamanho. Parece o óbvio, mas não é. Na vida, é assim também. Os grandes problemas não são causados por grandes agentes, mas por coisas periféricas, aparentemente sem importância. Nossos maiores impasses começam com picuinhas, com coisinhas mal resolvidas que teimamos em jogar para baixo do tapete.

House ensina ainda que as coisas não são resultados de algo isolado, mas que há uma combinação de fatores. Assim, não é apenas o vírus W3 que provoca a doença, mas a predisposição genética do paciente, e seu comportamento desregrado, associados ainda a um fator do acaso que teria desencadeado toda a seqüência. De novo, na vida, é assim. Não é a gota d´água que transbordou o copo a mais importante. Outras mais possibilitaram aquele estado de coisas, e outros aspectos contribuíram para que deixassem a torneira suficientemente aberta.

House ensina, apronta um monte e faz com que às vezes, a gente ame odiá-lo. Ele manipula os mais jovens, chega a torturar pacientes para que dêem consentimentos a certas tarefas, ignora o risco e parece querer brincar de deus a todo momento. E com a vida alheia.

São raras as vezes que erra. Sua intuição ou persistência, ou sandice, não falham.

Mas House não poderia existir na realidade. Não iria longe, como já foi este post. Foreman o processaria por discriminação. Camerom se apaixonaria por ele, o que pode ser a ruína do médico. Chase faria beicinho. A comissão de ética do hospital o afastaria de suas funções em poucas semanas. O Conselho Federal de Medicina cassaria seu registro. O conselho do hospital o demitiria.

Aí, House iria claudicando até outro seriado. Não chegaria a Lost, pois é muito longe. Talvez se aproximasse de E.R., mas seu ego não passaria da porta. Em C.S.I., nada o atrairia: lá, as pessoas já morreram, e o desafio é outro. Possivelmente, House observasse Monk de longe, vendo nele uma boa oportunidade de clinicar. Mas desistiria em dois minutos: ninguém poderia ser mais esquisito e cheio de manias que ele…