O que os jornalistas da CNN não podem fazer
O prisma da conversação na web
A cara do jornalismo no futuro
Para ler e guardar…
Dias 17 e 18 de outubro acontece em Joinville a 3ª edição do Encontro de Professores de Jornalismo do Paraná e o 2º Encontro de Professores de Jornalismo de Santa Catarina. Pra quem não sabe, os docentes dos dois estados resolveram “casar” seus eventos para fortalecer a área e dar mais visibilidade aos seus fóruns.
A coordenação geral é do professor Samuel Pantoja Lima, o Samuca, do Ielusc, com importante apoio da professora Maria José Baldessar, a Zeca, da UFSC.
Como nos anos anteriores e como no Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, há diversos grupos de trabalho, focados nas mais diversas atividades docentes: Extensão, Pesquisa na Graduação, Ensino de Ética e Teorias do Jornalismo, Projetos Pedagógicos e Metodologias de Ensino, Produção Laboratorial (Eletrônicos e Impressos), além da reunião dos coordenadores de cursos.
Estão envolvidos professores de jornalismo da Unicemp, Unochapecó, Univali, UEL, Ielusc, Unidavi, UFSC, Unisul, Cesumar e Unicentro.
Mais informações em breve.
Meu chapa Dauro Veras lista dez livros sobre jornalismo investigativo (ou não) que merecem nota.
Não, ele não quis criar um meme, mas vou na cola.
Listo mais dez:
1. Hiroshima, de John Hersey
2. Meninas da noite, de Gilberto Dimenstein
3. Fábrica de notícias, de Günther Wallraff
4. Watchdog journalism in South America, de Silvio Waisbord
5. Morcegos negros, de Lucas Figueiredo
6. Todos os homens do presidente, de Bob Woodward e Carl Bernstein
7. O homem secreto, de Bob Woordward
8. Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias, de Philip Gourevitch
9. Murro na cara, de Vitor Paolozzi
10. Notícias do Planalto, de Mario Sergio Conti
O Comunique-se traz informações sobre uma pesquisa feita com 509 jornalistas brasileiros sobre seu nível de satisfação na profissão. O estudo foi feito pela FSB Comunicações e constatou, entre outras coisas, que jornalistas de meios impressos e online são os mais “felizes”, com índices superiores a 50% de satisfação.
Veja a matéria aqui.
E aí, ficou contente?
É incômoda a constatação, mas ela é verdadeira: a mídia não cobre a mídia, os jornalistas não se ocupam de acompanhar e registrar, e investigar e inquirir os próprios jornalistas. Salvo raras exceções.
No episódio atual do racha do sindicato (a que me referi aqui, aqui e aqui), poucos colunistas da imprensa tocaram na questão. Moacir Pereira foi lacônico ao mencionar o manifesto divulgado pelo grupo que discorda da condução da sucessão na entidade. Alessandro Bonassoli, do Notícias do Dia, escreveu algo também. Mas foi Cesar Valente, do Diário do Litoral, quem mais vem tratando do tema. Ontem mesmo voltou à carga, respondendo a comentários em seu blog, um meu e outro de Maria José Baldessar, professora da UFSC.
Cesar justifica seus comentários de que o grupo queixante estaria “morrendo de vontade de entrar na chapa”.
Ao ler o manifesto ficou-me a impressão que se tratava disso: um grupo ficou de fora da composição da chapa única e estava reclamando porque gostaria de estar na chapa. É provável que tenha entendido errado, porque dois dos signatários do manifesto dizem que não foi bem isso que quiseram dizer.
Ora, vai me desculpar, mas qual é a obrigação do jornalista? Checar os lados. Cesar conhece boa parte dos signatários do manifesto, ele mesmo disse. O colunista conhece gente da chapa em questão. Por que não ligou, não mandou email? Por que não perguntou, não foi confirmar informações? Dessa forma, evita-se uma série de atropelos e deslizes jornalísticos. É lição básica de jornalismo, checar as informações, apurar os dados, mesmo que eles sejam oficiais. Se não, a coisa fica muito mais parecida com fofoca, com comentário na esquina do Senadinho, com diz-que-diz.
A surpresa que muitos colegas jornalistas e blogueiros manifestam sobre o racha demonstra claramente o afastamento, a distância que estão mantendo do sindicato. E por várias razões, inclusive do próprio sindicato. Já fui dirigente e sei das imensas dificuldades de se atrair os colegas para as discussões, da colossal dificuldade de demolir uma cultura de crítica cega e intransigente diante de qualquer ação desta natureza. Parece que sindicato – no Brasil – é tudo igual, todos são mal intencionados, todos querem “se beneficiar”, todos são partidários.
E reafirmo: não é assim.
Pensar assim é se entregar ao senso comum, e – do ponto de vista jornalístico – errar, já que não se checou a informação, já que não foi conhecer aquele fragmento de realidade.
O manifesto que divulguei ontem aqui reverberou do lado da Chapa 1 que busca a reeleição no Sindicato dos Jornalistas. A Chapa reagiu com um manifesto que pode ser lido aqui. (Note que o manifesto sequer foi publicado no blog da Chapa, mas circulou em emails hoje).
A resposta da Chapa 1insiste em dizer que o processo de composição da chapa foi democrático porque se baseou em “plenárias” em diversas cidades do estado. Ora, a realização de reuniões não garante que tenha havido condução democrática. Vou citar apenas um caso, do qual posso dizer com a certeza de quem estava por lá:
Itajaí, noite de 12 de junho. Um diretor do sindicato me informa que a plenária de Itajaí iria acontecer na sala da assessoria de imprensa da Prefeitura. Vou até lá e bato com a cara na porta. Nem o porteiro sabia do ocorrido. Ligo para o mesmo diretor do SJSC e pergunto pela reunião. Ele me chama até um bar no Mercado Público. Lá, encontro ele e mais uma colega, que já foi diretora da entidade. A “plenária” recebeu ainda a visita de um casal de jornalistas, e se resumiu a cinco pessoas. Fui consultado para compor a chapa, recusei. “Tiramos” como indicativo a proposta de que a colega seria indicada para compor a chapa. Resultado 1: seu nome foi vetado pelas instâncias que comandavam as negociações. Resultado 2: dois profissionais que sequer estiveram na “plenária” foram convidados para compor a chapa.
Pergunto: Houve plenária? A plenária foi legítima? Pode ser chamada de reunião com legitimidade para tal? Se ela não pode ser considerada, que fatores fizeram com que a “proposta” tirada fosse substituída pela inclusão de outros dois profissionais que nem atenderam à convocação do sindicato?
Soube que Itajaí não foi caso isolado. Aliás, os colegas que estiveram presentes nas “plenárias” poderiam postar aqui seus relatos…
A questão que levanto não é a composição em si, os nomes dos integrantes da chapa. Conheço muitos deles, respeito e reconheço a cada um. O que mais me chama a atenção é o assodamento, o centralismo democrático, a capacidade de auto-engano. Um sindicato precisa ir além disso.
Sindicato forte é Sindicato de e para Todos
A respeito das eleições para o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, que acontecem no dia 6 de agosto, os abaixo-assinados vêm a público fazer os seguintes esclarecimentos:
1. A chapa única que concorre ao SJSC não expressa a unidade que tentamos construir. Entendíamos que este processo deveria ser mais amplo e coroado com uma plenária estadual de definição da chapa. Entretanto, quem capitaneou a formação da atual chapa única para o SJSC sempre rejeitou tal proposta.
2. Mesmo assim, e como nosso objetivo, fraterno e sincero, era a construção democrática de uma chapa que expressasse a unidade do movimento dos Jornalistas em nosso estado, continuamos participando no esforço de construir uma alternativa unitária junto aos que lideraram a formação da atual chapa única. Na última plenária, realizada em Florianópolis, aceitamos indicar representantes para uma comissão que definiria a constituição da chapa entre aqueles colegas que haviam oferecido seus nomes nas plenárias.
3. Entretanto, esse processo foi bruscamente interrompido a poucos dias do prazo de inscrições de chapas, por intransigência dos que lideraram a formação da atual chapa na tal comissão. Eles não se contentaram em exigir a indicação à Presidência, Vice-Presidência e Tesouraria, o que, na prática, significaria o prosseguimento de uma única posição política a ditar os rumos cotidianos de nossa entidade. Também vetaram nomes e passaram a impor quem aceitariam ou não na chapa, desprezando as discussões anteriores e inviabilizando a construção de uma diretoria que expressasse a heterogeneidade e riqueza de visões presentes em nosso movimento.
4. Por isso, alertamos os colegas que, apesar do processo eleitoral do SJSC ter uma única chapa inscrita, ela não é expressão da construção democrática que defendíamos: verdadeiramente unitária, sem interesses político-partidários e posturas autoritárias, e representativa da diversidade da nossa categoria. Embora tenhamos razoável identidade programática com a chapa inscrita, ela foi montada com determinadas práticas e métodos com os quais não podemos conciliar.
5. Aproveitamos para esclarecer que tal chapa inclui vários valorosos companheiros, que optaram por apoiar a proposta daquele grupo, decisão que respeitamos, mas com a qual não podemos concordar.
6. Vamos prosseguir defendendo o fortalecimento de nossa entidade e de nossas lutas por dignidade e respeito profissional. Neste sentido, reafirmamos nosso compromisso de luta por melhores condições de trabalho e salários, fiscalização do exercício da profissão e respeito às relações trabalhistas, gestão sindical democrática e transparente com presença em todo o Estado, inserção no movimento sindical nacional da categoria e na política geral do país, defesa da regulamentação, formação, atualização e ética profissionais e da democratização da comunicação.
7. Finalmente, convidamos todos os nossos colegas a, mais do que nunca, participarem ativamente e fortalecerem o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. Afinal, movimento sindical não se faz apenas com a ocupação de cargos na direção de uma entidade, como já mostrou o movimento que, na década de 80, resgatou nossa entidade do imobilismo, do qual muitos de nós participamos. O Sindicato somos nós!
ASSINAM:
Adauri Antunes – Jornalista
Aderbal Filho – Ex-diretor do SJSC
Adriane Canan – Diretora do SJSC
Ayrton Kanitz – 1o candidato a presidente do SJSC pelo MOS e ex-integrante da Comissão Nacional de Ética
Aureo Moraes – Ex-diretor do SJSC
Celso Vicenzi – Ex-presidente do SJSC
Cláudia Sanz – Diretora do SJSC
Daniella Haendchen – Jornalista
Denise Christians – Jornalista
Doroti Port – Jornalista
Eduardo Marques – Repórter Fotográfico
Eduardo Meditsch – Ex-integrante da Comissão de Ética/SC
Elaine Borges – Integrante da Comissão de Ética/SC
Fernando Crócomo – Jornalista
Francisco Karam – Ex-integrante da Comissão de Ética/SC e da Comissão Nacional de Ética
Gastão Cassel – Ex-diretor do SJSC
Hermínio Nunes – Ex-diretor do SJSC
Ivan Giacomelli – Ex-diretor do SJSC
Laudelino José Sarda – Jornalista
Lena Obst – Jornalista
Linete Martins – Jornalista
Luis Fernando Assunção – Ex-presidente do SJSC
Márcia Barentin da Costa – Ex-diretora do SJSC
Maria José Baldessar – Ex-diretora do SJSC
Mário Medaglia – Jornalista
Mário Xavier Antunes de Oliveira – Integrante da Comissão de Ética/SC
Mylene Margarida – Ex-diretora do SJSC
Orestes Araújo – Ex-diretor do SJSC
Osvaldo Nocetti – Repórter Fotográfico
Rogério Christofoletti – Ex-vice-presidente do SJSC
Sandra Werle – Ex-diretora do SJSC
Samuel Pantoja Lima – Jornalista
Suely Aguiar – Jornalista
Sara Caprário – Jornalista
Silvio Pereira dos Santos – Jornalista
Suzete Antunes – Ex-diretora do SJSC
Tânia Machado – Jornalista
Terezinha Silva – Jornalista
Tina Braga – Ex-diretora do SJSC
Valci Zuculoto – Diretora do SJSC
Valdir Cachoeira – Ex-diretor do SJSC
Valentina Nunes – Jornalista
Vanessa Campos – Jornalista
Os jornalistas catarinenses elegem no próximo dia 6 a nova diretoria do seu sindicato.
Nova não. Pois só há uma chapa e ela pouco altera os nomes da diretoria anterior.
Por conta disso e por conta da condução do processo de discussão da sucessão, um grupo de jornalistas está se movimentando contrário. O grupo é composto por novos e velhos profissionais do mercado e da academia e discorda frontalmente da pouca discussão acerca dos rumos do sindicato.
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Sim, eu também faço parte do grupo.
Tentei acompanhar as discussões para a montagem da nova chapa.
Fui a uma reunião em Itajaí, que pareceu patética. Éramos em cinco, se contarmos o representante do sindicato.
A articulação era tamanha que o encontro havia sido marcado na prefeitura, na assessoria de imprensa. Chegando lá, nem o guarda sabia do evento, e não deixou ninguém entrar.
Fomos a um bar no Mercado Público, e lá pouco ou nada se viu sobre novos rumos para a entidade.
O plano já parecia fechado.
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Semanas depois, soube que o nome que havíamos indicado para ser o representante de Itajaí e região na Executiva havia sido “vetado” pelo atual presidente, Rubens Lunge, que encabeça mais uma vez a chapa.
Soube ainda que a mesma democracia havia prevalecido em outros pontos do estado.
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O atual grupo que está à frente do sindicato se gaba de ter interiorizado a atuação do sindicato. Mas pouco ou nada foi feito além disso. Aliás, é preciso dizer que isso vem se repetindo há várias gestões. Mesmo na fase em que fui vice-presidente do SJSC, as coisas por lá eram travadas, lentas e sem imaginação.
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Aliás, por falar em imaginação, faço coro ao Cesar Valente que hoje publicou em seu blog notícia semelhante a esta. Ele também pede mais criatividade.
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Criatividade é bem-vinda sim, mas é pouco. É necessário discutir e construir um novo modelo de sindicalismo, de atuação classista. Nossos sindicatos ainda são muito tacanhos, com discurso envelhecido e sem presença forte nas redações. É necessário articular melhor com a academia – onde se pode ajudar a formar novos quadros e idéias -, é preciso discutir seriamente a relação tensa entre jornalismo e assessoria de imprensa, é preciso engendrar novos canais de comunicação entre as entidades e os seus associados. Nosso sindicato ainda é muito cartorial.
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Adotar novo modelo não é se despir de ideologia. Aceitar trabalhar com pragmatismo não é se vender ao outro lado do balcão. Iniciar novas práticas não é ser frouxo na hora de dialogar e negociar. Articular novos contatos e abrir-se para novas batalhas não é compor com o inimigo. É necessária uma mudança de mentalidade. De cultura organizacional dentro do sindicato, de postura frente ao interlocutor. Carranca não assusta mais ninguém. E não dá atestado moral ou de idoneidade para a representação política.
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Precisamos de um novo sindicato sim.
Precisamos discutir esses novos rumos.
Precisamos brigar e encarar as próprias limitações.
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Sim, não vou negar: insistiram para que eu me lançasse presidente, cabeça de uma chapa de oposição. Não aceitei. Não porque desacredite. Não aceitei porque o problema não se resolve com a composição de um nova chapa. O processo é mais lento, e merece amadurecimento. Foi assim – pelo que me dizem os amigos – nos anos 80, quando um grupo altamente comprometido construiu um movimento legítimo e forte de oposição sindical. Precisamos de algo semelhante, efervescente e vibrante, positivo e propositivo. Uma proposta coletiva, descolada de interesses partidários e sintonizada com a base, com as mudanças que o jornalismo está sofrendo.
(Do site da Fenaj)
O Diário da União publicou na edição desta sexta-feira (25/07) a portaria 342/08 instituindo grupo de estudos com o objetivo de “propor alterações na legislação em vigor para viabilizar a regulamentação da profissão de jornalistas”. A publicação é um compromisso recentemente assumido pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, em reunião com dirigentes sindicais dos jornalistas.
No dia 10 de julho, representantes da FENAJ informaram ao Ministro que partiu do próprio Governo a proposta de constituição de um Grupo de Trabalho para encaminhar a atualização da regulamentação profissional dos jornalistas. “A constituição de tal GT, adiada durante quase dois anos, seria uma medida compensatória após o veto do governo federal, no final de 2006, ao PLS 079/04, que havia sido aprovado no Senado”, explica o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade. Para Murillo, a iniciativa do Ministro vem em boa hora e não tumultua a campanha de defesa do diploma — questão em análise no Supremo Tribunal Federal. “São processos relacionados, mas absolutamente independentes”, avalia.
Entre as atualizações previstas no PLS 079/04, estavam as caracterizações de novas funções profissionais, inclusive a de assessor de imprensa. A Portaria 342/08 estabelece a composição do GT com participação dos trabalhadores, empresários e governo, cada qual com três representantes, e com prazo de 90 dias para apresentar relatório final.
Esbarrei num interessante levantamento da Fundação Konrad-Adenauer sobre como a mídia chilena tem acesso a informações naquele país. O estudo é uma consulta com mais de 400 jornalistas que apontam as suas maiores dificuldades para trabalhar, os piores lugares para conseguir informações e as principais causas dessas barreiras.
O estudo pode ser lido aqui. O relatório – de novembro de 2007, e o quarto de uma série – está em espanhol, formato PDF e tem 42 páginas, fartamente ilustradas com gráficos. Não conheço nada tão abrangente da mesma temática aqui no Brasil, mas está aí uma pesquisa oportuna e necessária para ser feita no país. As conclusões a que chegaram nossos vizinhos são de que “la ‘poca disposición de las autoridades e instituciones’ para entregar información, junto a la ‘autocensura’ de los propios medios, son dos de los aspectos que más dificultan el acceso a la información pública en el país”.
Acho que por aqui não seria lá muito diferente…
Do boletim do FNDC e da Fenaj, reproduzo:
Nesta segunda-feira (07/07), em julgamento do recurso – 2008-02-01 REC – apresentado pelo jornalista Francisco Luciano Luque dos Santos contra decisão da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas do Ceará, a Comissão Nacional de Ética dos Jornalistas (CNE), acolheu em parte os argumentos do recorrente. A decisão original foi reformada, mas a Comissão entendeu que houve infração ao Código de Ética da profissão, determinando a suspensão por quatro anos de dois jornalistas filiados ao Sindicato e o encaminhamento de denúncia contra os profissionais ao Ministério Público.
O processo original teve grande repercussão na imprensa cearense em 2007, quando três então membros da diretoria da Associação Cearense de Imprensa (o ex-presidente, o ex-vice e o tesoureiro) foram denunciados por fraude na escolha dos vencedores do “Prêmio ACI de Jornalismo”. Acionada por 66 jornalistas signatários de um abaixo assinado, a diretoria do Sindicato encaminhou o caso para sua Comissão de Ética e, depois, puniu dois dos envolvidos no caso – que eram sindicalizados – com expulsão de seu quadro de associados, além de declarar o ex-presidente da ACI persona non grata.
Na reunião da Comissão Nacional de Ética estiveram presentes quatro membros (Armando Rollemberg faltou por motivo justificado). Após ouvir extensa explanação e o voto do relator do processo Washington Mello, os jornalistas Rossini Barreira e Regina Deliberai acompanharam o voto. A presidente da CNE, Carmen Lúcia Ribeiro Pereira, não votou por não haver necessidade de desempate.
A CNE decidiu aplicar a pena de suspensão do quadro social do Sindicato do Ceará, por quatro anos, dos jornalistas Paulo Tadeu Sampaio de Oliveira e Francisco Luciano Luque dos Santos, com a publicação da decisão em veículo de grande circulação na capital do Ceará. A penalidade passará a valer após o Sindicato dos Jornalistas do Ceará cumprir procedimentos previstos em seu Estatuto.
A CNE também recomendou ao Sindicato do Ceará que “se utilize da prerrogativa dada pelo art. 16, item VI, do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, individualmente ou de comum acordo com a Associação Cearense de Imprensa, ou seja, levar ao conhecimento do Ministério Público a denúncia da fraude geradora deste processo ético”.
Deu no Consultor Jurídico, ontem:
O jornal Diário do Litoral, de Santa Catarina, terá de indenizar em R$ 10 mil por danos morais o policial militar Jéferson Schmidt, por ter relacionado o seu nome a um homicídio. A decisão é da 3ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que confirmou sentença da comarca de Balneário Camboriú.
A Sociedade Editora Balneense Ltda EPP e o advogado Carlos Cesário Pereira, diretor do jornal quando da publicação da notícia, deverão arcar, solidariamente, com a compensação ao policial.
Para a relatora do processo, desembargadora Maria do Rocio Luz Santa Ritta, as acusações proferidas foram precipitadas. A publicação no periódico local, segundo ela, tinha grandes chances de repercutir no meio social. “O direito de informar afigura-se condicionado à observância de outros direitos coexistentes, tais quais a honra e a vida privada, que se lhe superpõem e cujas violações acarretam dever de indenizar”, destacou. A decisão foi unânime.
Histórico
Em abril de 2000, o Diário do Litoral, conhecido como Diarinho, acusou Jefferson pelo assassinato de Luiz Gustavo de Oliveira Leitão, encontrado morto nas dependências do Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) de Balneário Camboriú.
Por ser policial militar e por atuar como árbitro de futebol, Jefferson Schmidt disse que sua imagem — tanto na carreira esportiva como militar — ficou arranhada. Já a editora alegou que o texto publicado apenas transcrevera informações repassadas pelo delegado de polícia, sem a intenção de ofender a honra, imagem ou reputação do PM.
Tá, o jornal perdeu.
Mas a indenização é pequenininha perto do estrago.
10 mil não limpa a honra de ninguém!!!
Eu sei. Pode não ser lá grande novidade, mas vale replicar aqui. Para registro.
Deu na Folha de S.Paulo em 2 de junho.
“A venda de jornais no Brasil avançou 11,8% no ano passado, superando a média mundial, que foi de 2,57%, de acordo com a WAN (Associação Mundial de Jornais, na sigla em inglês). O mesmo cenário já tinha ocorrido em 2006, quando a circulação no Brasil cresceu 6,5%, e a mundial, 2,3%.
Os números brasileiros são idênticos aos que já foram apresentados pela ANJ (Associação Nacional de Jornais), que mostraram que a circulação diária de jornais pagos ultrapassou 8 milhões de exemplares no ano passado.
O crescimento das vendas no Brasil foi o maior na América Latina e um dos mais expressivos no mundo, superado apenas por algumas antigas repúblicas soviéticas, como o Cazaquistão, países da África (Quênia, Gâmbia e Líbia), Malásia e Kuait. Nos últimos cinco anos, a circulação de jornais no país cresceu 24,93%. Na América do Sul, por exemplo, a Argentina teve alta de 22,7% no período, e o Equador, de 15,2%.
Segundo o levantamento da WAN em 232 países e territórios, mais de 532 milhões de exemplares foram vendidos em média todos os dias no mundo em 2007 -17 milhões a mais do que no ano anterior. Ainda de acordo com a associação, o número de pessoas que lêem um jornal diário subiu para 1,7 bilhão, 300 milhões a mais. As vendas cresceram ou ficaram estáveis em aproximadamente 80% dos países pesquisados (elas caíram nos EUA, na União Européia e no Japão).
A China é o país em que mais se vendem jornais: 107 milhões de cópias diárias. Mas, em média, os japoneses são os maiores consumidores: 624 exemplares vendidos para cada 1.000 adultos. O Japão é o terceiro maior mercado, com 68 milhões de exemplares comercializados, atrás também da Índia. Os Estados Unidos e a Alemanha são o quarto e o quinto maiores mercados, respectivamente.
Os turcos passam 74 minutos lendo jornais diariamente, 20 minutos mais que os belgas, que estão em segundo lugar.
O faturamento mundial com publicidade dos jornais pagos aumentou 0,86% em 2007 em relação ao ano anterior -havia crescido quase 4% na comparação entre 2006 e 2005. Nos últimos cinco anos, essa receita avançou 12,84%.
Na América Latina, a receita dos jornais com publicidade se expandiu em 10,77% entre 2006 e o ano passado, só perdendo para o avanço no Oriente Médio e na África, de 13,17%.
Apesar do avanço, os jornais tiveram uma pequena perda na fatia do mercado mundial de publicidade: de 28,7% para 27,5%. Ainda assim, eles continuam como o segundo meio de comunicação que mais fatura com propaganda (atrás da TV, com 38%) e com uma receita superior à de internet, rádio, cinema e mídia ao ar livre somadas, de acordo com a WAN.”
Robert Niles anunciou ontem que a University of Southern California´s suspendeu a Online Journalism Review, prestigiosa publicação da Annenberg School for Communication que existia há dez anos.
Sob o título de Goodbye, Niles se despede e faz um balanço do legado da revista eletrônica:
“After a decade, the University of Southern California’s Annenberg School for Communication has suspended publication of OJR.
One of OJR’s goals over the years has been to help mid-career journalists make a successful transition from other media to online reporting and production. I’m pleased to say that USC Annenberg will continue to provide support in that area, through the Knight Digital Media Center. I encourage OJR readers to click over to the KDMC website and its blogs, if you are not already a regular reader there.
The decision to suspend OJR for now means that I have left the University of Southern California. But I am not going offline. I will continue to write, daily, about new media and journalism at my new website, SensibleTalk.com. I hope that many of you will click over and visit me there.
Finally, on behalf of OJR, I want to thank you. Thank you for your readership, tips, corrections, kind words and support. And I want to wish you success as you work to build engaging, informative and sustainable websites, to better serve your audiences.
So… in that spirit, I suppose that I will borrow a classic sign-off from the world of journalism, one that’s been borrowed by another recently:
Good night, and good luck”.
Este ano tem eleição para a nova diretoria do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina.
O calendário eleitoral prevê que até dia 26 de junho chapas possam se inscrever na disputa.
Ao que se sabe, apenas a atual diretoria manifesta interesse e disposição para conduzir a entidade. No entorno, não se vê nenhuma movimentação maior para a formação de uma chapa de oposição. Até porque – geralmente – o elemento surpresa é uma eficiente arma nesse tipo de contenda.
O fato é que a atual diretoria, motivada por outros jornalistas, deflagrou um processo de discussão junto à categoria para a montagem de uma chapa mais representativa. A agenda leva em conta as principais praças do estado, e é a seguinte:
A iniciativa – claro! – é importante, oportuna e saudável. Não existe sindicato sem categoria. Não existe movimento sem diálogo, sem troca, sem ação conjunta. Tenho acompanhado de longe esses lances porque acredito que o sindicato precisa se aproximar mais da categoria, repensar-se como entidade e jogar um outro papel na luta de classes e junto à sociedade.
O caderno Mais! da Folha de ontem veio com o tema que mais preocupa os publishers pelo mundo afora: o futuro dos jornais. Com um texto de abertura da editora executiva Eleonora Lucena, a Folha trouxe um longo artigo do jornalista Eric Alterman, que saiu originalmente na New Yorker em 31 de março passado. Trouxe isso, consumiu 5,5 páginas e deu. Ponto. Nem mais um pio sobre o assunto, ninguém mais escreveu ou discutiu o palpitante momento na edição.
Para um jornal como a Folha, é pouco.
Para a crise que se anuncia sobre o setor, é pouco.
Para o momento da imprensa brasileira, que comemorou no início do mês 200 anos, foi pouco.
Foi insuficiente, mas não só.
Conforme escreveu Adriana Alves Rodrigues no GJOL, o leitor atento percebeu uma certa confusão nos discursos ali estampados. A editora da Folha adota um tom otimista, despejando estatísticas que mostram um desempenho positivo do setor em no Brasil e nas economias emergentes (leia o texto dela aqui: para assinantes). Eleonora Lucena tem razão: por aqui, a coisa ainda não pegou pra valer, e uma certa reinvenção da imprensa se deu com o desembarque nas bancas da chamada penny press, formada por jornais mais baratos, mais quentes e voltados para um público ainda inexplorado.
Já o artigo de Eric Alterman beira o tom sombrio (veja aqui. Para assinantes). Ele escancara a situação norte-americana, a queda das tiragens, a migração de parte do bolo publicitário, uma disputa cada vez mais acirrada entre jornalistas e blogueiros. É uma aula de jornalismo. Uma aula de mercado. Mas jornalismo e mercado norte-americanos.
Neste sentido, a Folha falhou mesmo. Faltou complementar o tema com textos de gente daqui que pudessem oferecer tanta análise e interpretação quanto Alterman. O texto de Eleonora é claro, interessante, mas pouco analítico, mais informativo. Por aqui, já temos uma história de mídia na web e gente como Carlos Castilho, Marcelo Tas, Beth Saad, Pedro Doria, entre outros, poderiam oferecer análises tão densas e amplas quanto à gringa.
Alguns dados fazem pensar:
A crise dos jornais, a invenção de novas plataformas de consumo e distribuição de informações e a convergência midiática têm levado a indústria do setor a um comportamento esquizofrênico: tenta ser audaciosa em alguns casos, buscando soluções, mas atirando sem mira; ao mesmo tempo em que fica imóvel, fingindo-se de morta e aguardando uma solução dos céus…
O Mais! de ontem, na Folha, mostra o quanto a mídia ainda peca na análise de seu próprio mètier. Não consegue um distanciamento seguro que lhe permita uma avaliação mais ampla e serena do caso. Não mobiliza mais recursos para o debate que se faz necessário. Não contagia – para além dos diretamente interessados: empresários, jornalistas e pesquisadores da área – mais ninguém com o assunto. Um tema que deveria interessar a todos da esfera pública.
(Se você não é assinante da Folha e não consegue ler os textos da edição de ontem, não desanime. O artigo de Alterman, no original, está aqui… aberto para leitura.)
(Enquanto isso, nos Estados Unidos, durante a FreePress – a conferência internacional que discute reforma na mídia e transformações na democracia -, o jornalista Bill Moyers deixou a platéia eletrizada com sua fala e as perspectivas sobre o futuro das grandes corporações midiáticas. Leia aqui ou assista aqui)
Sou um cara relativamente educado. Mas isso não faz com que eu doure a pílula para meus alunos. Para eles, sou franco e direto: jornalismo não é uma profissão cor-de-rosa, fácil, glamourosa, tranquila. Digo sempre dos perigos, dos riscos e da quantidade enorme de razões que podem fazer gente equilibrada desistir. Eu alerto: precisamos de gente capaz tecnicamente, comprometida eticamente e consciente do papel a ser exercido.
Se é uma profissão de riscos também é um exercício fascinante, empolgante, pulsante. Uma redação é um ambiente que fervilha, que fermenta, que transborda vida. Nossa rotina é estressante mas traz recompensas. É o furo de reportagem. É a matéria pacata que orienta e instrui o público. É a informação que interessa e ajuda o cidadão comum. É a publicação de algo que estava oculto, privando a coletividade de saber dos detalhes…
Rogério Kreidlow reflete com muita propriedade sobre os limites perigosos do jornalismo. Seu foco inicial é a fotografia, mas a coisa não muda nas demais funções que exercemos. É preciso coragem, vontade, paciência, insistência e preparo. Às vezes físico, e sempre emocional. Acho que não se trata de se queixar, de achar que a profissão é um martírio, um inferno. Quem pensa e age assim – na minha visão -, tem dois caminhos: deixar a coisa pra trás ou atuar para fazer a coisa melhorar. Seja na luta por melhores condições de trabalho; seja na lida diária, oferecendo o sangue e o suor para aperfeiçoar as práticas e procedimentos jornalísticos.
Ficar choramingando não é a melhor atitude. Submeter-se a qualquer degradação também. É preciso estar atento e forte. Há uma escalada da precarização das condições de trabalho, mas não apenas para jornalistas. Há também uma demanda ainda não satisfeita do público de saber das coisas, de se informar. Sim, ainda somos muito úteis.
Kreidlow conta a história de uma fotógrafa que se arrisca pra valer, ficando a poucos passos do risco real de morte. Alguém pode se perguntar: mas vale a pena? Claro que vale. Acho que a própria profissional responderia com a mesma ênfase. O prazer profissional, a realização nesse que é uma das dimensões mais importantes da nossa vida – o trabalho -, a sensação de estar sendo útil para a sociedade, tudo isso, seja no jornalismo, na medicina ou em qualquer ofício, isso é o que nos move. Dinheiro, fama, notoriedade, respeito são substratos do trabalho incansável.
Discutir a profissão nos faz rever percursos, alinhavar novas metas e redimensionar os esforços que nos propomos a tornar a vida melhor. Mesmo que estejamos no limite dela.
Deu no Consultor Jurídico:
Um jornal de Uberaba (MG) foi condenado a pagar indenização de R$ 15 mil por ter publicado uma reportagem considerada sensacionalista pela Justiça. Segundo os desembargadores da 10ª Câmara Cível do TJ-MG, o jornal extrapolou seu direito de informar ao expor a intimidade de uma médica da cidade.
Para ler na íntegra, clique aqui.
Reproduzo matéria do Portal Imprensa:
Grupo Folha da Manhã é condenado a indenizar garoto envolvido no caso Escola Base
- 28/05/2008 |
- Redação
- Portal Imprensa
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou, 14 anos depois, o Grupo Folha da Manhã no caso da Escola Base. Para o TJ, o jornal usou uma manchete escandalosa e sensacionalista que extrapolou a liberdade de informar, e não resguardou a honra moral de uma criança de quatro anos.
Em março de 1994, o jornal Folha da Tarde, assim como outros veículos de comunicação, afirmou – com informações repassadas pelo delegado que conduzia o inquérito policial, a partir dos depoimentos de duas mães de alunos – que seis pessoas estavam envolvidas no abuso sexual de crianças numa escola de educação infantil, localizada no bairro da Aclimação.
O jornal saiu com a chamada de primeira página: “Perua escolar carregava as crianças para a orgia”. A empresa terá de pagar indenização de R$ 200 mil para o garoto R.F.N, que hoje tem 18 anos. Ele foi apontado pelo jornal como vítima de abuso sexual dos próprios pais.
A empresa Folha da Manhã sustentou que a manchete se limitou a reproduzir as informações oficiais, tomando todo o cuidado para evitar pré-julgamentos ou especulações de ordem subjetiva, e que não existiria prova de dano moral. Mas a Justiça entendeu de forma contrária.
Outras empresas de comunicação já sofreram condenação pelas notícias divulgadas na época, que resultaram no fechamento da escola, na prisão e no julgamento público de inocentes. A Folha de S.Paulo e o Estado de S.Paulo foram condenados a pagar R$ 750 mil, a Rede Globo R$ 1,35 milhão, e a Editora Três, responsável pela publicação da revista IstoÉ, R$ 360 mil.
Na área cível, várias ações foram propostas. A primeira delas, contra o Estado, para pedir indenização por danos morais e materiais. Em 1996, o juiz Luís Paulo Aliende mandou o governo paulista pagar cem salários mínimos – R$ 30 mil em valores atuais – ao casal proprietário da escola e ao motorista Maurício Alvarenga. O advogado Kalil Rocha Abdalla, considerou o valor baixo e recorreu ao TJ paulista reclamando 25 mil salários mínimos.
O TJ paulista julgou o recurso o fixou o valor de R$ 100 mil para cada um, por danos morais, e uma quantia a ser calculada para ressarcir os danos materiais. Pela decisão, a professora Maria Aparecida Shimada iria receber, ainda, uma pensão vitalícia por ter sido obrigada a abandonar a profissão.
Alfredo Vizeu manda avisar:
O Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE, promove, nesta quarta-feira (28), o I Seminário de Jornalismo Contemporâneo, no mini-auditório do Centro de Artes e Comunicação da instituição.
O evento, que contará com a participação de pesquisadores das universidades federais de Sergipe, Paraíba e Pernambuco, tratará de temas como jornalismo e cotidiano, novas tecnologias, objetividade e pesquisa/metodologia. As inscrições, que foram gratuitas, estão esgotadas desde a semana passada.
Todas as palestras e discussões serão transmitidas online por estudantes de Jornalismo da UFPE. A cobertura será realizada no site do grupo (http://jornalismocontemporaneo.wordpress.com)
Programação
28/05/2008
Manhã – das 9h às 12h
Estudos, Teorias e Metodologias do Jornalismo
Mediador: Prof. Dr. Alfredo Vizeu, vice-coordenador PPGCOM UFPE
Prof. Dr. Carlos Franciscato, Departamento de Comunicação UFSE, presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor)Jornalismo e Objetividade
Prof Dr. Josenildo Guerra, Departamento de Comunicação UFSETarde – das 14 às 17h
Jornalismo e Cotidiano
Prof. Dr. Wellington Pereira, vice-coordenador PPGCOM da UFPB e professor do Programa de Pós-Graduação em SociologiaJornalismo e Novas Tecnologias
Prof. Dr. Afonso Jr, Programa de Pós-Graduação em Comunicação/UFPE
Local: mini-auditório do CAC – UFPE, Recife
Promoção: PPGCOM/UFPEINFORMAÇÕES:
email: jornalismocontemporaneo@grupos.com.br
Site: http://jornalismocontemporaneo.wordpress.com
Marcelo Träsel manda avisar:
Maratona de 24 horas na Famecos discute uma década de jornalismo na internet
Para discutir o jornalismo praticado em uma década de internet, a Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS realizará durante 24 horas ininterruptas o evento “10/24 – Notícia não tem hora”. As atividades ocorrerão das 18h desta quarta-feira (28/5) até as 18h de quinta-feira com um duplo objetivo: integrar a programação do + SET (série de eventos preparatórios para o 21º SET Universitário) e comemorar os 10 anos de funcionamento da Cyberfam, a pioneira das revistas eletrônicas desenvolvidas em um estágio de jornalismo online no Brasil.Pela primeira vez no país, ocorrerá uma transmissão em alta definição (HD) via internet. Tudo que ocorrer nesta maratona poderá ser acompanhado no site http://cyberfam.pucrs.br. No site, haverá links para teleconferências, bate-papo online e apresentação de imagens captadas por câmeras instaladas na Famecos. Ainda ocorrerá transmissão de aulas do curso de Jornalismo por celular.
Para marcar os 10 anos da Cyberfam, serão entrevistados professores e alunos que já trabalharam na publicação. Um time de profissionais que atuam em Porto Alegre e em outras cidades do Brasil, dos Estados Unidos e da China foi convidado para a discussão sobre o impacto da internet no jornalismo. Os vários debates e entrevistas planejados podem ser acompanhados pelo site da Cyberfam ou por meio de televisões de plasma instaladas no saguão da Famecos (Av. Ipiranga, 6.681, prédio 7 – Porto Alegre).
No Observatório da Imprensa desta semana – que acaba de chegar à rede -, há vários textos comentando o erro jornalístico mais ruidoso da imprensa nacional em 2008. Isso mesmo! A suposta queda de um avião de passageiros da Pantanal sobre um prédio em São Paulo. Na verdade, tratava-se apenas de um incêndio. Mas a blogosfera reagiu mal à pressa dos jornalistas.
Para saber mais:
Sobre as contradições do jornalismo – texto de Venício A. Lima no Observatório da Imprensa
Noticiário de telejornal derruba avião – de Gilson Caroni Filho, também no OI
Avião atinge prédio, ou loja de colchões, ou de tapetes – de Urariano Mota, no OI
Guerra dos Mundos nas chamas de Moema – Mauricio Pontes, no OI
GloboNews derruba avião da Pantanal – Manuel Muñiz, no OI
Divulga-se primeiro, para se confirmar depois – Adriano Faria, também no OI
No blog do GJOL, há três links:
UOL derruba avião da Pantanal em cima de loja de colchões
Avião que Record, Globo e UOL derrubaram chega à Espanha e Alemanha
Como se derruba um avião: efeito dominó
Nota no Expresso Digital, o boletim eletrônico do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, alfineta o empresariado do ramo:
Profetas que previram o fim do meio jornal: aproveitem para ler o caderno de empregos. A frase acima faz parte da campanha promovida pela Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e foi veiculada na edição de hoje do Diário Catarinense, pg 10. Em linhas gerais, os textos destacam a alegria do patronal com o aumento na venda de exemplares, ampliação da publicidade no setor e, conseqüentemente, os lucros produzidos pela mídia impressa, que crescem anualmente.
O presidente da ANJ, Nelson Sirotsky, também presidente do grupo RBS, é o principal negociador com o Sindicato dos Jornalistas.
A peça publicitária da Associação destaca ainda: “Quem poderia prever que o jornal iniciaria o ano crescendo? Qualquer pessoa bem informada, já que ele fechou o ano passado com números extremamente positivos”.
“No primeiro trimestre de 2008 a tendência se acentuou e o investimento publicitário aumentou 23,72%, segundo a Intermeios. Em março, o percentual de participação dos jornais no bolo publicitário ficou em 19,4%, contra 18,3% no mesmo mês do ano anterior. Mas ainda sobrou um espaço para quem disse que o jornal iria acabar: a errata”.
Os dados da campanha publicitária mostram que o patronal tem amplas condições de pagar o piso mínimo de R$ 1.500,00 para os trabalhadores jornalistas.
A nota do SJSC bate forte porque a categoria está em plena negociação salarial. O período é delicado, sentar à mesa com os interlocutores é sempre complicado, uma cantilena de reclamações dos patrões: sempre a situação está difícil, quase nunca há condições de se pagar melhor os trabalhadores, etc…
Agrava a situação o fato de que a categoria é pouquíssimo unida e quase nada articulada. Quase sem respaldo, os dirigentes sindicais tentam desobstruir os diálogos, mostrando a necessidade de aumento e a incorporação de novos direitos e garantias. Não é fácil. Participei de ao menos duas negociações do tipo quando fui vice-presidente do SJSC, e ao final das reuniões o cansaço mental e emocional de todos era visível. Havia também outros sentimentos: uma raiva diante do teatro dos patrões e uma indignação incontornável. Apesar de tudo, é preciso resistir, de forma intransigente. É necessário sentar e negociar, brigar por direitos, pois eles nunca são concedidos, são conquistados.
Lia Seixas, conforme prometido, postou ontem a segunda parte da entrevista que fez com José Marques de Melo sobre os gêneros jornalísticos.
Aqui, você lê (ou ouve) a primeira parte .
(Aproveite pra ouvir a rádio do blog dela também. De primeira linha…)
A perspicaz Lia Seixas entrevistou – no último sábado – o professor José Marques de Melo, a “maior referência brasileira no assunto gêneros jornalísticos”.
A primeira parte da entrevista foi ao ar hoje. Veja aqui.
A segunda virá na próxima terça.
(A entrevista, longa, com bom ritmo e com diversas surpresas, vale uma aula e um seminário sobre o tema)
Se os negros aparecem pouco na mídia catarinense, as mulheres negras freqüentam muito menos espaço nos jornais. Esta é uma das principais conclusões de uma pesquisa desenvolvida no curso de Jornalismo da Univali, em Itajaí, e que conta com financiamento do CNPq. “Essas mulheres aparecem em apenas 2,3% das fotos publicados nos três principais jornais do Estado”, revela Roberta Watzko. A pesquisadora se debruçou sobre as páginas do Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e A Notícia durante cinco meses, observando as fotos e catalogando cada imagem conforme a etnia e o gênero das pessoas retratadas.
“Foram mais de 34 mil fotos registradas entre outubro de 2007 e fevereiro de 2008”, completa o orientador da pesquisa Rogério Christofoletti. “Os resultados apontam para uma quase invisibilidade da mulher negra na imprensa. Nossos dados mostram que estatisticamente essas mulheres aparecem menos do que correspondem na população no estado”, completa. Segundo o Censo de 2000, mulheres pardas e negras somam 4,5% dos habitantes em Santa Catarina, números que hoje são mais significativos, já que a Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (PNAD) de 2006 sinaliza um contingente bem maior dessas etnias.
De acordo com Roberta Watzko, a pesquisa ainda está em desenvolvimento. “Já concluímos a fase de levantamento estatístico da presença desses sujeitos na imprensa. Agora, voltaremos a esses dados e observaremos onde e como essas mulheres aparecem nos jornais”. A acadêmica de Jornalismo afirma que os dados da pesquisa não permitem concluir quais as razões da pouca presença das mulheres negras nas páginas da imprensa. “Sabemos que há preconceito na sociedade, e a imprensa parece reforçar esse comportamento, promovendo um certo ‘branqueamento’”.
Denominada “Mulheres Negras nas páginas dos jornais catarinenses”, a pesquisa é continuação de outro estudo desenvolvido em 2005 e 2006, quando foi identificada a presença dos negros nas fotos dos mesmos jornais. “Naquela época, não estávamos preocupados com a questão de gênero”, lembra Christofoletti. “Nossos resultados mostraram pouca visibilidade dos negros nas fotos, mas o que mais nos chamou a atenção foi onde eles apareceram. Quase sempre estavam nas páginas de esportes e cultura, restritos a jogadores de futebol ou músicos”. Parte dos resultados da primeira pesquisa foi apresentada em eventos científicos e publicada em uma revista portuguesa.
(Do press-release distribuído pelo Monitor de Mídia)
Se aqui no Brasil já temos a Rede Alfredo de Carvalho (a Rede Alcar), que se encarrega de um gigantesco inventário das histórias das diversas mídias, no México, há a Red de Historiadores de la Prensa y el Peridosimo en Iberoamérica.
Vale a pena passar por lá e cruzar antenas com nuestros amigos de la lengua de Cervantes…
Eugênio Bucci é hoje um dos mais atentos e criativos leitores da mídia nacional. Seus argumentos são equilibrados, seus comentários aprofundados e a clareza de seu discurso não só convence, como contagia.
Bucci publicou no início deste ano mais um livro, desta vez, um híbrido que mescla memórias, ensaio e prestação de contas. Presidente da Radiobrás durante o primeiro governo Lula, Bucci assumiu a frente da estatal com o claro propósito de resgatá-la do pântano chapa-branca em que sempre viveu e cresceu para um patamar de empresa pública de comunicação, orientada pelo interesse público e avessa ao patrimonialismo, aparelhamento e clientelismo endêmicos.
“Em Brasília, 19 horas” chegou ao mercado editorial com alguma surpresa. Afinal, não é à toda hora que um insider do governo vem à tona com livro desse porte. Algumas hienas devem ter tremido no Planalto; outros chacais rido nervosamente; as serpentes requebraram no cerrado do DF… Viriam daquelas páginas revelações, escândalos, indiscrições? Nada disso.
O livro de Bucci é, na sua quase integridade, um rigoroso relatório, dando contas de como quis imprimir seu projeto e fazer tomá-lo curso. Claro, há uns rompantes aqui, umas rusgas ali, mas o volume – na minha leitura muito personal – tem ao menos quatro bons motivos para ser lido:
1. O livro nos mostra uma Radiobrás que sempre esteve debaixo de nossos narizes e quase nunca nos interessou. Fale a verdade: a gente sempre pensou naquilo como um setor de Publicidade ou Relações Públicas de qualquer governo de plantão. Não se atrelava a estatal a um lugar onde se pudesse fazer jornalismo mesmo. Bucci relembra a experiência que liderou, comparando com outros momentos da empresa, o que é muito instrutivo.
2. O livro detalha como se pode conceber uma tarefa quase-impossível e como se conduz um projeto desses. Para quem vai assumir cargos semelhantes ou empreendimentos análogos, o livro já valeria como uma envolvente fonte de exemplos.
3. Bucci dá verdadeiras aulas sobre ética jornalística, princípios democráticos, valores republicanos e senso de civilidade. Quem conhece Bucci de outros carnavais ou leu outros livros seus, quem já viu isso sabe que não é só discurso da parte dele.
4. O livro dá dimensões muito precisas das distâncias entre os setores de Publicidade, Relações Públicas e Jornalismo. Cada um tem a sua função e importância. Mas Bucci separa joio e trigo, aveia e centeio. Com isso, revigora as fronteiras entre um campo e outro da área da comunicação, fortalecendo cada qual com seu ethos, seu espírito, suas demandas. Não é pouco isso…
Se o tom do autor no livro é quase sempre relatorial, não há distanciamento. Afinal, ele estava lá, no centro da arena, dos confrontos. Nos últimos capítulos, Bucci fica nu, despe-se de qualquer pudor de falar de si e da sua história e se entrega para o final que prepara. Ele está prestes a deixar o governo e a presidência da Radiobrás e a longa agonia que o separa da porta de saída é contada na riqueza dos sentimentos e nas memórias mais latejantes. O final do livro, bem, o final é matador. Não deixe de ler.