um estrabismo insistente estreita mais a razão

Uma confusão tem sido recorrente no debate que cerca a obrigatoriedade do diploma para jornalistas: tomar por sinônimas as expressões “liberdade de expressão” e “exercício profissional”. Entretanto, existe um abismo entre as duas coisas.

Em resposta ao meu post que criticava a ideologização da discussão, Mauricio Tuffani afirma que o que está em jogo no Supremo Tribunal Federal é

uma concepção do direito de liberdade de expressão que tem um significado muito maior que aquele insistentemente repetido por muitos sindicalistas e professores de jornalismo. Trata-se de um direito que não pertence apenas à categoria dos jornalistas, mas a toda a sociedade.

Mas é evidente que o direito à livre expressão não é e não pode ser um privilégio de jornalistas. Este direito é extensivo a todas as pessoas, na medida em que garante a elas a troca de idéias, a manifestação do pensamento, a formulação de opiniões e juízos. É um direito previsto na legislação e em protocolos consagrados internacionalmente, como a Declaração Universal dos Direitos do Homem, como já citou Tuffani. O artigo 19, em especial, merece uma leitura mais atenta que a realizada pelo autor:

Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Note-se que o artigo não menciona “produzir” ou “elaborar” informações. Isto é, o direito vige numa esfera ampla, generalista, e não restritiva ao mundo do trabalho. Jornalistas também são cidadãos, e também gozam do direito da livre expressão. Mas em sua condição profissional, produzem, elaboram, difundem informações com o propósito de abastecer a sociedade com dados que permitam uma compreensão melhor da realidade.

Não se pode esquecer também que o conjunto das atividades jornalísticas não se resume apenas à livre expressão. Há colunistas, articulistas, editorialistas que, sim, ocupam-se da formulação de idéias e da sua disseminação em escala massiva. Mas os demais profissionais do jornalismo não se expressam em suas lidas diárias. O que fazem é tentar oferecer ao público relatos dos acontecimentos que, por ventura, foram alçados à condição de noticiáveis. Para alcançar essa situação, os fatos devem conter elementos que dialoguem com valores de noticiabilidade, elaborados no mundo do jornalismo e que, cotidianamente, ajudam a organizar essa atividade. Esses valores compõem um rol de saberes específicos da profissão, conhecimentos a que se tem acesso nas escolas de jornalismo.

Mas voltando à Declaração Universal, encontramos o inciso 2 do artigo 29 que é esclarecedor na tensão entre direito e lei.

No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.

Isto é, o direito à livre expressão se estende até a fronteira que inicia a demarcação de uma atribuição profissional, a regulamentação do exercício jornalístico, por exemplo. Note-se que não há contradição entre os artigos, mas complementaridade já que são contemplados o direito do cidadão comum a manifestar sua opinião e o direito do jornalista a exercer sua profissão (conforme o artigo 23).

Se recorrermos à Constituição Federal e ao próprio Tuffani, veremos que os dois direitos são também atendidos.

“É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” (inciso IX do artigo 5º)

 “É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer (inciso XIII do artigo 5º)

Desta forma, insisto que não se deve tomar por idênticos o direito à livre expressão e o exercício profissional do jornalismo. Se assim o fizermos, poderíamos por extensão confundir o direito à justiça com o exercício da advocacia, ou o direito à saúde com a prática da medicina. Em todos esses casos, o direito mais geral não colide com a atribuição profissional, que depende de qualificação técnica, de habilitação legal e de competências e habilidades específicas. Misturar as coisas é fazer prevalecer um estrabismo que prejudica nossa visão e compreensão. Embaçar as fronteiras entre ambos provoca, isso sim, o estreitamento da razão.

Se o que está em discussão no STF no imbróglio sobre o diploma é a concepção de direito à liberdade de expressão, esse debate não pode desconsiderar o lugar estratégico que a mídia (seus veículos, sistemas e profissionais) ocupa na vida social atualmente. Cada vez mais central na existência contemporânea, a dimensão da comunicação social precisa dispor de profissionais altamente capacitados para fazer as mediações necessárias entre os fatos e os públicos, contribuindo para o entendimento e o desenvolvimento humano e social.

O professor Eugenio Bucci formulou uma definição de jornalismo que é, ao mesmo tempo, ampla e precisa: O jornalismo é uma atividade que existe para satisfazer um direito do cidadão comum, o direito à informação. Neste sentido, essa atividade profissional – exercida por pessoas capacitadas e habilitadas – encontra justificativa social, utilidade pública e dimensão coletiva para a sua existência.

Dito dessa forma, o estrabismo insistente se dissolve e o campo de visão de abre para uma compreensão melhor do que temos adiante.

sobre nossa precariedade e insuficiência teóricas

Fiquei particularmente satisfeito com a conferência de Jacques Mick no segundo dia do Encontro de Professores de Jornalismo do Paraná e Santa Catarina, que aconteceu em Joinville na sexta e ontem. O foco de Mick eram os novos desafios à pesquisa, ensino e extensão na perspectiva do jornalismo do futuro, e sua fala foi secundada por comentários de Maria José Baldessar (UFSC), Tomás Barreiros (Universidade Positivo) e Elaine Tavares (SJSC).

Mick centrou sua fala na crítica de que os professores de jornalismo ainda sofremos de grande insuficiência teórica para justificar a profissão e o campo que constituímos. Para o autor, avançou-se pouco no Brasil em termos de Teoria do Jornalismo desde o lançamento de O Segredo da Pirâmide, de Adelmo Genro Filho, em 1987. Nos últimos anos, o país viu se espalharem as escolas de Jornalismo e os cursos de pós-graduação em Comunicação, condições que ajudaram a formar quadros qualificados para a academia e o mercado, mas para Mick, esses esforços se traduziram muito pouco em avanços verdadeiros na teorização do campo. “Esse desenvolvimento, o desenvolvimento teórico é uma necessidade do jornalismo”.

Em tom acadêmico, mas flagrantemente provocativo, Jacques Mick apontou dois aspectos que são marcantes na academia: a) Persiste uma obediência à normatividade técnica, reforçando e reproduzindo práticas do mercado, em detrimento da inovação; b) Há pouco espaço para a produão teórica na área.

Esses aspectos, segundo Mick, acabam criando um cenário bastante complacente, permissivo até entre os autores brasileiros. É “raro o pensamento novo”; as obras são quase sempre recebidas sem muita discussão; parece prevalecer entre os acadêmicos um compadrio – este termo não é dele -, sobrando generosidade e generalidades nas resenhas de livros e artigos. Mick põe o dedo na ferida de todos nós, com muita razão (ouso dizer), alertando para o pouco enfrentamento teórico, prática que torna vulnerável a nossa produção teórica.

Para Mick, hoje – vinte anos depois de Adelmo Genro Filho -, quando dispomos de mais escolas, de mais força na academia, de mais doutores e mestres nos corpos das universidade, os desafios para o ensino-pesquisa-extensão no jornalismo são mais acadêmicos que institucionais. Isto é, a bola está no nosso pé…

Minha satisfação ao ouvir Jacques Mick não se deve ao fato de que torço contra o campo do jornalismo. Claro que não. Mas é preciso reconhecer que ainda temos muito o que fazer, muito o que amadurecer na compreensão do jornalismo e nos seus entornos. Essa insuficiência, essa carência, essa precariedade teórica vem minando nossos passos. Já disse isso com relação à discussão sobre o diploma.

Enfrentar essa realidade é olhar-se no espelho e reconhecer falhas, para depois, traçar novos rumos e passar a caminhar com mais força e vigor.

encontro de professores de jornalismo

Começa hoje e segue até amanhã (sábado, 18), o 2º Encontro de Professores de Jornalismo de Santa Catarina, evento que acontece colado à 4ª edição do encontro dos mestres paranaenses.

O tema dos encontros, no Ielusc (de Joinville – SC), é “O futuro do jornalismo e o jornalismo futuro”.

Vejam a programação:

17/10/2008, sexta-feira
14h às 18h: Reunião de Coordenadores de Curso de Jornalismo.
Pauta: Questões gerais de ensino, pesquisa e extensão.
Coordenador: Prof. Márcio Fernandes (UNICENTRO)

16 às 19h: Credenciamento
Local: Associação Educacional Luterana Bom Jesus/Ielusc.
Endereço: Rua Princesa Isabel, 438 – Centro, Joinville/SC.

19h: Cerimônia de abertura
Local: Anfiteatro do Bom Jesus/Ielusc.

19h30: Conferência do Encontro, pelo jornalista Carlos Castilho.
Tema: “O futuro do jornalismo e o jornalismo do futuro”.
Local: Anfiteatro do Bom Jesus/Ielusc
Mediador: Prof. Dr. Juciano Lacerda (coordenador do NECOM/Ielusc).

18/10/2008, sábado
9h: Mesa Redonda – Os novos desafios à pesquisa, ensino e extensão na perspectiva do jornalismo do futuro.
Conferencista: Prof. Dr. Jacques Mick (Bom Jesus/Ielusc)
Debatedores: Profa. Dra. Maria José Baldessar (UFSC) e Prof. MsC Tomás Barreiros (Universidade Positivo)

13h às 14h30 – Almoço

15h às 19h: Grupos de Trabalho.
Local: Bom Jesus/Ielusc, Centro – Joinville/SC

19h30: Plenária de Encerramento: aprovação das deliberações do
Encontro e da Carta de Joinville

discussão sobre o diploma está muito ideologizada

As últimas semanas têm sido muito agitadas no que tange a discussão em torno da formação dos jornalistas. A Fenaj divulgou ostensivamente uma pesquisa que mostrava que a maioria da população prefere que os profissionais do jornalismo passem por cursos superiores na área. O resultado da sondagem serviu de munição para a entidade que mobiliza a categoria para o julgamento no Supremo Tribunal Federal da liminar que desobrigou a exigência de diploma universitário para jornalistas.

(Para quem não se lembra, em outubro de 2001, a juíza Carla Rister atendeu a uma ação civil pública que pedia essa desobrigatoriedade. A ação foi movida por grandes empresas jornalística e, concedida a liminar, permitiu que mais de sete mil pessoas obtivessem registros profissionais independente de diploma na área)

Dias depois, uma matéria do site Congresso Em Foco colocou mais lenha na fogueira, informando que a maioria dos magistrados que julgarão a matéria já sinalizou pela rejeição à obrigatoriedade. O próprio ministro da Educação, Fernando Haddad, chegou a sinalizar que os cursos de graduação poderiam não ser as únicas portas de entrada de profissionais no jornalismo.


Gritaria na web
Na internet e entre jornalistas, estudantes e pesquisadores da área, o assunto tem rendido discussões acaloradas. No Observatório da Imprensa, todas as semanas, artigos são publicados e versões são confrontadas. Numa lista eletrônica restrita a professores e pesquisadores da área, o professor Marcos Palácios insistiu em discutir aprofundadamente a possibilidade de mestrados profissionalizantes serem uma alternativa na formação de quadros mais qualificados para a profissão. Em poucos dias, a mensagem de Palácios foi objeto de reações as mais diversas, quase todas muito, mas muito apaixonadas, fazendo prevalecer argumentos corporativos e questionáveis.

Na blogosfera, gente influente do mercado e da academia vem se posicionando. Carlos Castilho (Código Aberto), por exemplo, ressalta o fato de que as escolas de comunicação não têm sido capazes de formar profissionais que possam enfrentar os novos desafios do jornalismo, provocados pelas novas tecnologias.

Alex Primo, por sua vez, afirma que a defesa do diploma não poder ser uma defesa do diploma per se, mas da formação de qualidade dos profissionais. Marcelo Träsel pega o gancho e envereda para o impacto que as novas tecnologias vêm provocando na atuação cotidiana desses profissionais. Já Márcia Benetti criticou violentamente a morosidade da inteligentsia brasileira, esperando uma atitude mais pró-ativa na condução e elevação do nível dos debates. Cética, ela acha que a batalha no STF está perdida e com a desregulamentação no jornalismo, não só os jornalistas perderão.


Os sofismas da liminar
Discuto a obrigatoriedade do diploma desde 2001, a partir da concessão da liminar. De 2002 a 2005, debati o tema, mesclando preocupações conceituais e corporativas, já que ocupava a vice-presidência do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. Desde então, tenho feito uma autocrítica que me faz ver que a condução da questão não pode seguir essa orientação. Isto é, hoje, o debate está muito, mas muito ideologizado, o que é uma pena. Afinal, as questões centrais são deixadas de lado.

Primeiro, é sofismático o raciocínio que sustenta a liminar da juíza Carla Rister. Grosso modo, ela afirma que restringirmos o exercício do jornalismo àqueles que detêm diplomas universitários é um desrespeito à liberdade de expressão e a manutenção de um privilégio elitista. As premissas estão incorretas. Não se pode confundir o direito à liberdade de expressão com o exercício profissional do jornalismo. São coisas de natureza distinta. O primeiro é um direito, previsto em diversos protocolos, inclusive na Declaração Universal dos Direitos do Homem. O segundo é uma atribuição específica que depende de uma habilitação para tal. Isto é, o exercício de uma profissão exige conhecimentos técnicos, competências e habilidades para ser efetivado. No caso das profissões regulamentadas – e o jornalismo é uma delas -, há outras exigências, inclusive burocráticas para a obtenção de registro profissional. A inclusão da obrigatoridade de diploma universitário é uma maneira de contribuir para que os quadros que exerçam o jornalismo passem por uma formação mais ampla, mais específica, mais qualificada. Isso garante que essa formação aconteça? Claro que não. Mas as leis prescrevem e outros instrumentos devem garantir a efetivação das políticas previstas em lei.

Se formos confundir o direito à liberdade de expressão com o exercício profissional no jornalismo poderemos também nos exceder e misturar acesso à justiça (um direito) com a possibilidade de ser advogado (um exercício profissional regulamentado, previsto em lei e consolidado como prática social há anos)…


Cortar a cabeça do paciente
Outro sofisma na liminar é o que condena a elitização. É verdade que nem todos têm acesso aos bancos escolares universitários. É verdade também que o salário mínimo previsto na Constituição não garante o sustento pleno de uma família de quatro pessoas. Nem por isso se defende por aí o fim do salário mínimo. O que se faz é a reivindicação de seu aumento, e da sua extensão como uma remuneração mínima, referencial para o mundo do trabalho. Da mesma maneira, não se pode atribuir à regulamentação dos jornalistas um insucesso da política pública nacional de universalização do ensino superior. Se as universidades ainda são um sonho e uma realidade de poucos, deve-se trabalhar para transformar essa realidade, e não atentar contra os cursos ou as instituições.

Retirar a obrigatoriedade do diploma para jornalistas é recuar na história na medida em que reforçamos o entendimento de que não é necessário estudar, não é preciso se habilitar ou se capacitar para uma dada profissão. Com isso, antipedagogicamente, contribui-se para a idéia de que a escola não forma, não ajuda no desenvolvimento do sujeito, tem um papel sobressalente e descartável.

Pensando assim, agimos como o médico que decide cortar a cabeça do paciente que se queixa da dor. Decepar a parte doente não resolve o problema. Não se cura a dor. Pior: mata-se o paciente…

De qualquer forma, cabe pensar. Se as escolas brasileiras de comunicação são incapazes de despejar no mercado de trabalho profissionais qualificados, por que as empresas – de todos os portes e de todas as partes do país – continuam contratando esses jovens jornalistas?


Qualidade na formação
A discussão acerca do diploma para jornalistas sempre traz à tona uma suspeita sobre a capacidade das escolas de formar bons profissionais. Um argumento recorrente é o de que o mercado poderia fazer o mesmo, de forma mais barata e mais direcionada aos seus propósitos. Esse argumento é facilmente derrotado quando se lembra que o mercado não tem prerrogativa nem atribuição para formar profissionais, já que esta função é das escolas, das instituições e sistemas de ensino, que existem para isso. A idéia pode ser derrubada também pelo fato de que o mercado não tem condições de treinar e aprimorar todos os contingentes que anseiam por isso. O mercado não ensina, as empresas não têm infra-estrutura nem tempo ou prioridade para fazê-lo.

Cabe e deve caber às escolas de comunicação esse serviço: preparar profissionais para os desafios do mercado e as demandas sociais. As escolas de comunicação precisam ter (e muitas já têm) as condições necessárias para formar bons profissionais, já que reúnem quadros qualificados (e em constante aperfeiçoamento), infra-estrutura, experiência pedagógica. Há escolas ruins? Sim. Mas há boas também. USP, UFBA, Cásper Líbero, as PUCs, a UFSC, a UFRJ e a UnB não são bons exemplos de escolas de jornalismo?

Como em outras áreas do conhecimento, há exemplos e contra-exemplos. Veja o caso do Direito. Existem centenas de escolas no país que despejam milhares de novos profissionais todos os semestres no mercado. Apesar dessa quantidade, a OAB – volta e meia – se queixa que os concursos para juízes não preenchem a totalidade de suas vagas por conta da performance insuficiente dos candidatos. Nem por isso se prega o final das escolas de Direito no país… O que a OAB faz é recomendar as boas escolas, e com isso – de maneira afirmativa – sinaliza saídas positivas, esquenta a concorrência e obriga os cursos pouco recomendados a correr atrás…

As escolas de comunicação têm muito a melhorar? Sim, e precisam se preocupar com isso. Professores e pesquisadores da área precisam construir instrumentos e indicadores que afiram qualidade de ensino, eficiência na formação. Com isso em mãos, é mais fácil visualizar os resultados dos cursos, seus impactos nos mercados regionais, suas influências nas práticas e processos cotidianos, e até mesmo em procedimentos inovadores.

Nos anos 90, setores da academia que formavam a Fenaj concluíram um documento bastante importante para a qualificação do ensino na área do jornalismo. O Programa Nacional de Estímulo à Qualidade da Formação em Jornalismo é um instrumento detalhado, abrangente e aprofundado. Sabe-se que o texto de 1997 passou por avaliações e ajustes, e mesmo assim, passada mais de uma década, poucas escolas colocaram tais políticas em funcionamento. Não porque a proposta seja ruim. Pelo contrário: de tão boa, de tão comprometida, as escolas sentem dificuldade de contemplar todos os pontos, o que inviabiliza a sua implementação.

Entre outras coisas, significa que só o documento da Fenaj não basta e são necessários outros elementos para influenciar positivamente as instituições de ensino.


Debate ideologizado
O que, modestamente, venho percebendo é que a discussão em torno do diploma tem sido contaminada muito mais por elementos ideológicos do que racionais ou práticos. Isto é, a defesa do diploma fica muito circunscrita a argumentos circulares que endeusam o diploma por sua essência e não pelas qualidades ou potencialidades que pode reservar. Com isso, a defesa da formação universitária em jornalismo alcança contornos meramente corporativos.

É preciso entender que é legítima a atuação corporativista de sindicatos e da própria Fenaj, afinal, são entidades classistas e têm a função de defender os interesses da categoria. Entretanto, a questão da (boa) formação dos jornalistas transcende os interesses profissionais, já que jornalismo e comunicação são atividades de finalidade pública, de clara interferência no cotidiano e no imaginário das pessoas. Isto é, essa questão afeta a todos, produtores ou consumidores de informação. Como é o caso da Medicina ou da Engenharia, por exemplo. Imaginem se estivesse em questão a formação universitária (ou não) de médicos ou engenheiros? Isso não afeta toda a sociedade que se serve de seus serviços?

Como disse, é legítima a defesa corporativa do diploma, mas é insuficiente. A sociedade ou o STF não se comovem ou se mobilizam por isso. É necessário mostrar que o jornalismo é uma atividade de caráter social, e o seu exercício dependem de preparo técnico, de rigor ético, de comprometimento com o interesse público, entre outros fatores que incidem concretamente na vida das pessoas.

A campanha pela defesa do diploma que a Fenaj tem levado adiante tenta mostrar essa faceta mais social do jornalismo, mas não sei se vem causando os efeitos desejados. Por quê? Porque a Fenaj é parte interessada na manutenção do diploma, por uma questão de reserva de mercado, de controle da entrada dos profissionais no ramo. E porque é parte interessada, sempre será olhada como suspeita…

Por isso, hoje, não sei mais se a Fenaj deveria liderar e conduzir o debate acerca da formação dos jornalistas. Não porque seja ilegítima. Não porque não seja representativa. Não. A Fenaj é uma instituição legitimada e representa 31 sindicatos de jornalistas em todo o Brasil. Tem 60 anos de grandes contribuições à categoria e à profissão. Mas há tempos vêm sofrendo desgastes políticos internos e externos que combalem a sua imagem, e isso dificulta a sua atuação.

O discurso compreensivelmente ideológico da Fenaj em torno do diploma cumpriu um papel fundamental de colocar a questão na agenda nacional, de mobilizar setores nas redações e assessorias, nas escolas e nas instituições. A Fenaj e os sindicatos devem manter suas palavras de ordem, suas falas e seus discursos de mobilização, já que não podem (nunca) renunciar as suas funções políticas e aglutinadoras. Mas, insisto, a ideologização do debate sobre o diploma não cumpre propósitos além dos da mobilização.

Mas se não a Fenaj, quem deve liderar esse processo? O Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo? A Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo? A Associação Brasileira de Imprensa? O Conselho Nacional de Comunicação Social? A Sociedade de Estudos Interdisciplinares de Comunicação? Sinceramente, não sei que entidade conseguiria reunir legitimidade, representatividade e autoridade para tanto. Talvez nem uma nem outra. Talvez um novo coletivo, especialmente formado para isso. Não tenho essa resposta. Mas é fundamental que a academia, o mercado e outros setores da sociedade possam qualificar o debate, dando mais nível e direção às discussões. É importante que esses atores contribuam para a compreensão da questão, que pensem e proponham saídas, e que tenham no seu horizonte de trabalho um único objetivo: atender às demandas da sociedade.

Se conseguirmos mostrar que o jornalismo é algo relevante e essencial para a sociedade; se conseguirmos mostrar que o jornalismo deve ser exercido por profissionais especializados e bem formados; e se conseguirmos mostrar que o nosso sistema de ensino pode responder por essa demanda social; aí, sim, estaremos contribuindo substancialmente para uma sociedade e um jornalismo melhores.

ATUALIZAÇÃO de 20/10/2008: O professor Jacques Mick (Ielusc) também tratou de nossa insuficiência e precariedade teóricas na conferência que deu no 2º Encontro de Professores de Jornalismo de Santa Catarina e 4º do Paraná. Um resumo aqui.

ATUALIZAÇÃO de 21/10/2008: Retomo esse assunto para debater com Mauricio Tuffani aqui.

renoi terá duas mesas coordenadas na sbpjor

A Renoi estará com duas mesas coordenadas no 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, da SBPJor.
Agende-se!

Mesa Coordenada – 20/11/2008, às 14 horas
ENSINO DE JORNALISMO E A QUALIDADE DA INFORMAÇÃO
Coordenação: Gerson Luiz Martins

Qualidade da informação jornalística: o jornal laboratório em questão
Ana Prado

As potencialidades do ciberjornalismo no ensino de jornalismo
Gerson Luiz Martins

A pós-graduação em Jornalismo e a aproximação com os jornalistas que atuam no mercado de trabalho
Marcos Santuário

Mídia e intolerância: trabalhando a questão da alteridade com alunos de jornalismo
Valquíria Michela John

A hora da nova utopia
Victor Gentilli

Mesa Coordenada – – 21/11/2008, às 14 horas
QUALIDADE DA INFORMAÇÃO JORNALÍSTICA
Coordenação: Rogério Christofoletti

Jornalismo e informação de diagnóstico: um valor para a democracia
Danilo Rothberg

Responsabilidade social da mídia: análise conceitual e perspectivas de aplicação no Brasil, Portugal e Espanha
Fernando O. Paulino

Avaliação de qualidade jornalística: desenvolvendo uma metodologia a partir da análise da cobertura sobre segurança pública
Josenildo Luiz Guerra

Jornais populares de qualidade: ética e sensacionalismo em um novo fenômeno no mercado de jornalismo impresso
Laura Seligman

O jornalismo como teoria democrática
Luiz Martins da Silva

Concentração de mídia, padronização jornalística e qualidade do noticiário: o caso de Santa Catarina
Rogério Christofoletti

velhos jornalistas projetam o futuro do jornalismo

Dois nomes muito influentes no jornalismo norte-americano vêm vaticinando os próximos passos da indústria jornalística – a de meios impressos, em particular – diante da avalanche diária de novidades tecnológicas: Bill Kovach e Philip Meyer.

Esses velhos jornalistas tentam enxergar à frente, pontuando o que teremos a seguir. Tudo bem, eles tratam do mercado dos Estados Unidos, mas não se pode ignorar o cenário de lá para pensar soluções por aqui, não é mesmo?

Aos links, portanto:

– Bill Kovach lista doze questões para o futuro do jornalismo

– Philip Meyer aponta que o fim dos jornais impressos está mais próximo do que pensávamos

maioria quer jornalista com diploma

Reproduzindo…

Mais de 70% da população brasileira quer jornalista com diploma

A pesquisa de opinião nacional CNT/Sensus, divulgada hoje (22), em Brasília, pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), registra que a grande maioria da população brasileira é a favor da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Dos dois mil entrevistados em todo Brasil, 74,3% se disseram a favor do diploma, 13,9% contra e 11,7% não souberam ou não responderam.

Os dados foram muito comemorados pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e pelos sindicatos de jornalistas. Para o presidente da FENAJ, Sergio Murillo de Andrade, este é melhor apoio
que a campanha poderia obter e o resultado da pesquisa renova as forças dos que estão lutando pela regulamentação profissional. “Esses números da pesquisa CNT/Sensus mostram que a população brasileira tem a real dimensão da importância do jornalismo para o País e que quer receber informações de qualidade, apuradas por jornalistas formados”.

Murillo afirmou, também, que esses dados ficam ainda mais importantes com a proximidade da votação da exigência do diploma pelo STF e espera que ministros percebam o desejo da sociedade. “O STF tem a chance de mostrar à população que anda junto com seus anseios, reconhecendo que
jornalismo precisa ser feito por profissionais com formação teórica, técnica e ética e que o jornalismo independente e plural é condição indispensável para a verdadeira democracia”.

A Pesquisa CNT/Sensus quis saber, também, o que a população acha da criação do Conselho Federal dos Jornalistas. Para a pergunta: o sr. (a) acha que deveria ou não deveria ser criado um Conselho Federal dos Jornalistas, para a regulamentação do exercício da profissão no País – como as OAB’s para os Advogados e os CREA’s para os Engenheiros, o resultado foi que 74,8 % acham que o Conselho deveria ser criado, 8,3% que não deveria ser criado, para 6,5% depende e 10,4% não sabem ou não responderam.

A última pergunta relacionada ao tema foi sobre a credibilidade das notícias. Parte dos entrevistados, 42,7%, disseram que acreditam nas notícias que lêem, ouvem ou assistem, 12,2% que não acreditam, 41,6% que acreditam parcialmente e 3,5% não sabem ou não responderam.

A Pesquisa foi realizada de 15 a 19 de setembro, com dois mil questionários aplicados em cinco regiões brasileiras e 24 estados, com sorteio aleatório de 136 municípios pelo método da Probabilidade Proporcional ao Tamanho – PPT. A margem de erro é de mais ou menos 3%.

é daqui a pouco…

… o lançamento de “Observatórios de Imprensa: Olhares da Cidadania” no campus da Quintino da Unama, aqui em Belém (PA). O evento é aberto ao público, começa às 17h30, e terá ainda a presença de três das autoras do volume: Ana Prado, Danila Cal e Vânia Torres, professoras da Universidade da Amazônia.

O livro foi organizado por mim e Luiz Gonzaga Motta, é editado pela Paulus e tem 230 páginas.

O pessoal do Jornalismo da Unama até produziu um material para o lançamento: cartazlancamentolivro

Amanhã, sábado (20), faremos o lançamento no Hangar, em plena Feira Pan-Americana do Livro, na Exposição 200 anos da Imprensa no Brasil, organizada pela CDN e patrocinada pela Vale. É às 19h30.

mas o que é mesmo o jornalismo?

A professora Ann Cooper, da Escola de Jornalismo de Columbia, escreve um interessante artigo na edição mais recente da Columbia Journalism Review (setembro-outubro de 2008). Para ela, pouco importa discutir o que é o jornalista na atualidade, mas sim o que é jornalismo.

Ela discute a emergência de novas formas de comunicação, a chegada de novos atores no processo da informação – como os blogueiros – e novas concepções sobre as competências que jornalistas devem ter. A partir do influente Jay Rosen – que propôs que se pensasse um modelo híbrido de produzir notícias online -, Ann Cooper chama a atenção para o fato de que a sugestão de Rosen muda o foco da questão. Não mais interessa saber quem é que faz a coisa, mas como é a coisa em si, o que a define e tal.

A autora sinaliza os próximos passos. Se vamos pensar um modelo híbrido de jornalismo, precisamos articular esforços entre os tradicionais e os recém-chegados:

Old media will have to let go of some attitudes and assumptions that are no longer relevant, and new media will need to recognize standards that can infuse credibility and trust into this new journalism. Working together will require everyone in the bigger tent to drop their animosities and check their egos. It’s not about us, after all. It’s about keeping watch on those in power, about ensuring an informed citizenry, about maintaining a democratic culture that is strengthened by vibrant reporting on vital institutions.

Claro. Esta luz no final do túnel não é inteiramente nova, mas é sempre bom repensar a questão e revisar os passos dados anteriormente.

mec estuda: outros profissionais poderiam exercer o jornalismo

Deu na Folha, hoje:

O MEC (Ministério da Educação) estuda autorizar profissionais que tenham formação universitária em qualquer área a exercer a profissão de jornalista. O ministro Fernando Haddad (Educação) também quer discutir as diretrizes dos cursos oferecidos na área que passarão por uma supervisão, a exemplo do que ocorreu com direito, medicina e pedagogia.

Ainda neste mês, o ministro disse que vai constituir um grupo de trabalho para apresentar, em 90 dias, uma proposta nesse sentido. “A comissão fará uma análise das diretrizes curriculares do jornalismo e, sobretudo, das perspectivas de graduados em outras áreas, mediante formação complementar, poderem fazer jus ao diploma.”

Ele disse à Folha que seu objetivo não é entrar na discussão travada no STF (Supremo Tribunal Federal) e no Ministério do Trabalho sobre a obrigatoriedade do diploma, mas tratar da formação do jornalista. Do ponto de vista prático, se o STF –que deve julgar ação neste semestre– entender que o diploma de jornalista é obrigatório, a discussão se tornará inócua.

“No mundo inteiro as pessoas se formam nessa área, mesmo onde não há obrigatoriedade. Sou favorável à boa formação. Não discuto a questão do exercício profissional.”

Para um profissional formado em outra área ser habilitado ao diploma de jornalista, ele precisaria cursar disciplinas essenciais para a formação na área, como técnica de reportagem, ética e redação, disse ele.

Para Max Monjardim, chefe da comunicação do Trabalho, a discussão poderia se dar no grupo que discute a regulamentação da profissão, do qual participa: “Seria bom se o ministro indicasse algum representante da Educação para participar do grupo que já está funcionando [no Trabalho]”.

O presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Sérgio Murillo de Andrade, considerou a proposta de Haddad “inoportuna”. Ele também participa do grupo criado pelo Trabalho. “É uma proposta feita por alguém que está distante da realidade da profissão.” A ANJ (Associação Nacional de Jornais) disse que não comentaria a idéia por ser só uma proposta e porque o assunto está sob o exame do STF.

No Supremo, o relator é Gilmar Mendes, que já autorizou profissionais da área a se registrarem sem possuir o diploma.

livros grátis no monitor de mídia

O Monitor de Mídia disponibilizou mais três e-books, reunindo boa parte de sua produção desde 2001. TODOS DISPONÍVEIS NA SEÇÃO BIBLIOTECA MONITOR.
Jornalismo: a tela, a lousa e a quadra
128 páginas (2,2 Mega)

 Ética e Mercado no jornalismo catarinense
152 páginas (4,46 Mega)

 Jornalismo: Olhares de dentro e de fora
141 páginas (4,1 Mega)

debate hoje sobre qualidade da imprensa catarinense

Acontece hoje à noite, a partir das 19h30, no Auditório do Centro de Vivência da Univali (em Itajaí-SC), um debate sobre a Qualidade da Imprensa Catarinense. A discussão reúne os professores Laura Seligman, Valquíria John e eu, que trarão suas turmas de alunos da sexta para uma atividade conjunta. O debate deve apresentar pesquisas em andamento sobre o tema e um balanço do projeto Monitor de Mídia, que acaba de completar sete anos.

Após o debate, teremos ainda o lançamento do livro “Observatórios de Mídia: Olhares da Cidadania”.

o futuro do jornalismo e o jornalismo futuro

Este é o tema de partida do 4º Encontro de Professores de Jornalismo do Paraná e do 2º Encontro de Professores de Jornalismo de Santa Catarina, que acontecem juntos nos dias 17 e 18 de outubro no Ielusc, em Joinville (SC).

A programação pode ser consultada aqui.

São seis os Grupos de Trabalho:

(1) Atividades de Extensão;
(2) Pesquisa na Graduação;
(3) Projetos Pedagógicos e Metodologia de Ensino:
(4) Produção Laboratorial – Impressos;
(5) Produção Laboratorial – Eletrônicos;
(6) Ética e Teorias do Jornalismo

As normas de envio de trabalhos estão aqui.

Inscrições até 30 de setembro.

observatórios de mídia: lançamento!

Chega às principais livrariarias do país esta semana o volume “Observatórios de Mídia: Olhares da Cidadania”, que organizei com o professor Luiz Gonzaga Motta.

O livro sai pela Paulus e conta com 230 páginas. É uma reunião de textos de 17 pesquisadores brasileiros, de todas as regiões do país, e que compõem a Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (Renoi), surgida em 2005. O prefácio é assinado pelo jornalista Alberto Dines, fundador do Observatório de Imprensa.

Veja o sumário:

Introdução

A cidadania se mobiliza para monitorar a mídia

Parte 1 – Por que observar?

Observatórios: da resistência ao desenvolvimento humano– Luiz Gonzaga Motta

A mídia e a construção do cotidiano: uma epistemologia do social-midiático – Wellington Pereira

Monitoramento de mídia e estratégias de cooperação com as personagens da notícia: a importância do diálogo informado com a imprensa nos processos de desenvolvimento – Guilherme Canela

Parte 2 – Como observar?

Ver, olhar. Observar – Rogério Christofoletti

Monitorando telejornais: desafios e perspectivas – Fernando Arteche Hamilton

Por que os observatórios não observam “boas práticas”? – Luiz Martins da Silva e Fernando Oliveira Paulino

Crianças e adolescentes em pauta: observando a mídia na Amazônia – Ana Prado, Danila Cal e Vânia Torres

Parte 3 – Passado, presente e futuro

Pequena história da crítica de mídia no Brasil – Angela Loures

Um observatório, mais observatórios – Luiz Egypto e Mauro Malin

O futuro do jornalismo: democracia, conhecimento e esclarecimento – Victor Gentilli

Media Literacy na Inglaterra e no Brasil – Danilo Rothberg e Alexandra Bujokas

Notas da vigilância – Avery Veríssimo

o destino do jornal: um livro, um comentário e muitas questões

Acabo de ler “O destino do jornal”, livro de Lourival Sant’Anna, editado pela Record. A leitura é rápida, o texto é claro e atraente, e o assunto – o leitor deste blog já sabe – me interessa muito. Mas para além dessas rápidas impressões, muitas outras coisas ficam dessa leitura.

A primeira delas é que o livro vem em boa hora, afinal é rara no Brasil a bibliografia que discute jornalismo pelo prisma de negócio, pela vertente mais mercadológica. Parece reinar entre nós um pudor ao tratar de notícias e informações como produtos. Como eu disse, há pouquíssimas obras que se debruçam sobre o nosso jornalismo sem melindres para analisá-lo pela ótica de um mercado, de uma indústria. Vém-me à cabeça o livro da Cremilda Medina – “Notícia: um produto à venda” -, mas que foi editado há pelo menos duas décadas. Outros títulos poderiam ser aqui citados, mas a ligação que faço entre “O destino do jornal” é com outro livro: “O papel do jornal”, de Alberto Dines.

Essa correspondência se faz para mim por algumas razões um tanto óbvias: os dois livros partem de ambientes de crise para discutir jornalismo, sua natureza e seu futuro. Os dois livros concentram-se nas empresas nacionais do ramo. Os dois livros já nasceram como clássicos porque, mesmo tratando de questões conjunturais, não deixam de considerar os aspectos estruturais que afetam o negócio do jornalismo. Se o gatilho de Dines havia sido a alta do papel de imprensa nos anos 70, o de Sant’Anna é a alardeada queda nas tiragens dos jornais, detectada no mundo todo, mas com algum respiro visível por aqui na última década.

É verdade que talvez o livro de Dines tenha mais perenidade que o de Sant’Anna, mas os dois volumes não apenas nos convidam a pensar em soluções para esse negócio de vender informações, como também nos incitam a discutir o próprio destino de um meio que sempre foi capital para as sociedades democráticas.

Aspectos como rentabilidade, equilíbrio contábil, busca de receitas e inovação tecnológica são tratados por Sant’Anna na mesma proporção de que se defrontam com “bens intangíveis”, como prestígio, credibilidade e fidelidade do leitor.

O livro de Dines nasceu de suas reflexões à época, enquanto que o de Sant’Anna é a versão livresca de sua dissertação de mestrado. Dines não foca sua análise num meio em especial, mas Sant’Anna se pergunta como três dos maiores jornais brasileiros – a Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S.Paulo – vêm enfrentando um cenário de concorrência maior (com a web, as revistas e a TV a cabo), de mudanças nos hábitos de consumo dos leitores (queda no tempo de leitura e diminuição de tiragens pelo mundo afora) e de necessidade de adaptação e inovação tecnológica.

Outro dia, mencionei o livro de Philip Meyer – “Os jornais podem desaparecer?” -, ressaltando a necessidade de termos uma reflexão brasileira sobre essa transição de mídia tão ruidosa. Bem, o livro de Sant’Anna vem neste sentido, sem esgotar a questão, evidentemente. Poderá abrir espaço para novos lançamentos e discussões. O acento de Sant’Anna – entre o acadêmico e o profissional – também é muito bem vindo, já que essa oposição é improdutiva, preconceituosa e limitante.

Ontem mesmo, meu chapa PHSousa comentou a entrevista de Rosenthal Calmon Alves ao Estadão. PH escreve:

Eu acho que devem abandonar o hard news, que fica para TV e internet. Os jornais de papel devem se voltar para reportagens menos factuais. O que você acha?

Bem, não penso muito diferente, apesar de ter uma certeza: o problema é complexo. Isto é, diversas variáveis incidem na sobrevivência de alguns meios e na própria convivência das diferentes mídias. Não se pode deixar de lado, por exemplo, o conjunto de movimentos na audiência e nos hábitos de consumo. O Pew Research Center for the People and Press publicou esses dias um estudo muitíssimo interessante sobre as mudanças que a audiência vem exibindo a partir do desenvolvimento de novas mídias. O relatório da pesquisa, em suas 129 páginas, aponta para diversas “chaves” para o entendimento do cenário da mídia, a norte-americana, mas que pode se projetar por aqui também.

O estudo mostra que as notícias online ainda está em compasso de crescimento, mas mostra ainda que os consumidores de informação cruzam as mídias, buscam integrá-las em sua dieta informacional, entre outros aspectos.

Gestores e jornalistas precisam estar atentos a isso.

Ao mesmo tempo, ReadWriteWeb aponta para o NewsCred, sistema que promete distribuir as notícias com mais credibilidade, agregando conteúdos de diversos meios. É semelhante ao Digg e ao NewsTrust. Mas quem está por trás do NewsCred se apressa em mostrar as diferenças:

We love Digg and other social ranking sites, but NewsCred is completely different. We are using technology and the ratings from our user community to select the most credible articles. NewsCred selects quality, while Digg presents popularity. This is a fundamental difference in our approach, and we feel this difference is what will change the way we access news content forever.

We’re taking content from traditional, mainstream new sources, combining them with established blogs, and selecting only the highest quality articles that are relevant to you. We’re throwing in some real innovation to make the selection and filtering process the easiest you’ll see on the web, and fun too.

Esta é uma solução? Não sabemos ainda. O fato é que a corrida já está acelerada. Tem muita gente preocupada com o futuro dos jornais, com o presente da internet. O 7º Congresso Brasileiro de Jornais, que aconteceu esta semana, não se esquivou dessas questões. O discurso em uníssono é o de que qualidade e credibilidade andam juntas, mas deve -se atentar sempre para as questões de equilíbrio financeiro. Mesmo assim, os proprietários de jornais têm sorrido de orelha a orelha. A carta de abertura do evento, dirigida aos empresários do setor, não poderia ser mais otimista:

Depois do excelente desempenho do ano passado, quando tiveram aumento de circulação de 11,80% e subiram sua participação no bolo publicitário para 16,28%, os jornais brasileiros continuam a exibir números muito positivos. O mais recente levantamento do Projeto Inter-Meios, principal referência do mercado brasileiro, mostrou que no primeiro trimestre de 2008 os investimentos publicitários nos jornais cresceram 23,72%, comparando-se com igual período do ano passado. Com isso, em março a fatia dos jornais no bolo publicitário chegou a 19,40%.

Então, o livro de Lourival Sant’Anna está vendo fantasmas onde eles não existem?

Claro que não. O livro traz alertas, coloca o dedo nas feridas e deixa nervos expostos. O mercado brasileiro não está isolado numa bolha de prosperidade, blindado contra crises. Há questões estruturais que já afetam a indústria dos jornais por aqui. Sant’Anna não é o arauto do apocalipse, mas está de olho.

o futuro dos jornais… mais uma vez

Especialmente para meus alunos de Introdução ao Jornalismo.

Rosenthal Calmon Alves, jornalista brasileiro que dirige o Knight Center for Journalism in the Americas, da Universidade do Texas, em Austin, deu uma entrevista ao Estadão sobre o futuro do jornalismo.
São quase 28 minutos de uma entrevista interessante, esclarecedora e instigante.
O áudio não está uma maravilha, mas vale ouvir.
A repórter é Marili Ribeiro e vocês podem ouvi-los aqui.

cotidiano volta a se atualizar

Maria José Baldessar, a Zeca, manda avisar que seu projeto Cotidiano – portal de notícias sobre a UFSC – está de volta e com força total.

“Projeto de extensão do Núcleo de Estudos e Produção Hipermídia Aplicados ao Jornalismo, o portal traz notícias da UFSC, da cidade e outros assuntos de interesse da comunidade universitária nos diversos suportes como texto e vídeo. Produzido pelos alunos do curso de Jornlaismo, sob a supervisào de dois professores,  grande diferencial do Portal são as experimentações em hipermídia, onde sào combinados numa mesma notícia, elementos de aúdio, texto, vídeo e fotos”.

As novidades neste segundo semestre letivo são uma parceria com o Jornal de Debates, de São Paulo, para a realização de uma série de reportagens sobre as eleições municipais, e maior interatividade no portal.

7º congresso brasileiro de jornais

Começa hoje e segue até amanhã a 7ª edição do Congresso Brasileiro de Jornais, evento promovido pela ANJ. Não se pode pensar o mercado sem ver e saber o que querem e o que farão os proprietários de jornais…

Veja a programação aqui: http://www.anj.org.br/cbj/programa

faxina de links

O que os jornalistas da CNN não podem fazer

O prisma da conversação na web

A cara do jornalismo no futuro

Para ler e guardar…

encontros de professores de jornalismo de sc e pr

Dias 17 e 18 de outubro acontece em Joinville a 3ª edição do Encontro de Professores de Jornalismo do Paraná e o 2º Encontro de Professores de Jornalismo de Santa Catarina. Pra quem não sabe, os docentes dos dois estados resolveram “casar” seus eventos para fortalecer a área e dar mais visibilidade aos seus fóruns.

A coordenação geral é do professor Samuel Pantoja Lima, o Samuca, do Ielusc, com importante apoio da professora Maria José Baldessar, a Zeca, da UFSC.

Como nos anos anteriores e como no Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, há diversos grupos de trabalho, focados nas mais diversas atividades docentes: Extensão, Pesquisa na Graduação, Ensino de Ética e Teorias do Jornalismo, Projetos Pedagógicos e Metodologias de Ensino, Produção Laboratorial (Eletrônicos e Impressos), além da reunião dos coordenadores de cursos.

Estão envolvidos professores de jornalismo da Unicemp, Unochapecó, Univali, UEL, Ielusc, Unidavi, UFSC, Unisul, Cesumar e Unicentro.

Mais informações em breve.

10 livros de jornalismo investigativo (após dauro veras)

Meu chapa Dauro Veras lista dez livros sobre jornalismo investigativo (ou não) que merecem nota.

Não, ele não quis criar um meme, mas vou na cola.

Listo mais dez:

1. Hiroshima, de John Hersey

2. Meninas da noite, de Gilberto Dimenstein

3. Fábrica de notícias, de Günther Wallraff

4. Watchdog journalism in South America, de Silvio Waisbord

5. Morcegos negros, de Lucas Figueiredo

6. Todos os homens do presidente, de Bob Woodward e Carl Bernstein

7. O homem secreto, de Bob Woordward

8. Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias, de Philip Gourevitch

9. Murro na cara, de Vitor Paolozzi

10. Notícias do Planalto, de Mario Sergio Conti

jornalistas: satisfaction!

O Comunique-se traz informações sobre uma pesquisa feita com 509 jornalistas brasileiros sobre seu nível de satisfação na profissão. O estudo foi feito pela FSB Comunicações e constatou, entre outras coisas, que jornalistas de meios impressos e online são os mais “felizes”, com índices superiores a 50% de satisfação.

Veja a matéria aqui.

A pesquisa está aqui.

E aí, ficou contente?

sobre jornalismo e sobre o racha no sindicato

É incômoda a constatação, mas ela é verdadeira: a mídia não cobre a mídia, os jornalistas não se ocupam de acompanhar e registrar, e investigar e inquirir os próprios jornalistas. Salvo raras exceções.

No episódio atual do racha do sindicato (a que me referi aqui, aqui e aqui), poucos colunistas da imprensa tocaram na questão. Moacir Pereira foi lacônico ao mencionar o manifesto divulgado pelo grupo que discorda da condução da sucessão na entidade. Alessandro Bonassoli, do Notícias do Dia, escreveu algo também. Mas foi Cesar Valente, do Diário do Litoral, quem mais vem tratando do tema. Ontem mesmo voltou à carga, respondendo a comentários em seu blog, um meu e outro de Maria José Baldessar, professora da UFSC.

Cesar justifica seus comentários de que o grupo queixante estaria “morrendo de vontade de entrar na chapa”.

Ao ler o manifesto ficou-me a impressão que se tratava disso: um grupo ficou de fora da composição da chapa única e estava reclamando porque gostaria de estar na chapa. É provável que tenha entendido errado, porque dois dos signatários do manifesto dizem que não foi bem isso que quiseram dizer.

Ora, vai me desculpar, mas qual é a obrigação do jornalista? Checar os lados. Cesar conhece boa parte dos signatários do manifesto, ele mesmo disse. O colunista conhece gente da chapa em questão. Por que não ligou, não mandou email? Por que não perguntou, não foi confirmar informações? Dessa forma, evita-se uma série de atropelos e deslizes jornalísticos. É lição básica de jornalismo, checar as informações, apurar os dados, mesmo que eles sejam oficiais. Se não, a coisa fica muito mais parecida com fofoca, com comentário na esquina do Senadinho, com diz-que-diz.

A surpresa que muitos colegas jornalistas e blogueiros manifestam sobre o racha demonstra claramente o afastamento, a distância que estão mantendo do sindicato. E por várias razões, inclusive do próprio sindicato. Já fui dirigente e sei das imensas dificuldades de se atrair os colegas para as discussões, da colossal dificuldade de demolir uma cultura de crítica cega e intransigente diante de qualquer ação desta natureza. Parece que sindicato – no Brasil – é tudo igual, todos são mal intencionados, todos querem “se beneficiar”, todos são partidários.

E reafirmo: não é assim.

Pensar assim é se entregar ao senso comum, e – do ponto de vista jornalístico – errar, já que não se checou a informação, já que não foi conhecer aquele fragmento de realidade.

racha no sindicato: a chapa se queixa

O manifesto que divulguei ontem aqui reverberou do lado da Chapa 1 que busca a reeleição no Sindicato dos Jornalistas. A Chapa reagiu com um manifesto que pode ser lido aqui. (Note que o manifesto sequer foi publicado no blog da Chapa, mas circulou em emails hoje).

A resposta da Chapa 1insiste em dizer que o processo de composição da chapa foi democrático porque se baseou em “plenárias” em diversas cidades do estado. Ora, a realização de reuniões não garante que tenha havido condução democrática. Vou citar apenas um caso, do qual posso dizer com a certeza de quem estava por lá:

Itajaí, noite de 12 de junho. Um diretor do sindicato me informa que a plenária de Itajaí iria acontecer na sala da assessoria de imprensa da Prefeitura. Vou até lá e bato com a cara na porta. Nem o porteiro sabia do ocorrido. Ligo para o mesmo diretor do SJSC e pergunto pela reunião. Ele me chama até um bar no Mercado Público. Lá, encontro ele e mais uma colega, que já foi diretora da entidade. A “plenária” recebeu ainda a visita de um casal de jornalistas, e se resumiu a cinco pessoas. Fui consultado para compor a chapa, recusei. “Tiramos” como indicativo a proposta de que a colega seria indicada para compor a chapa. Resultado 1: seu nome foi vetado pelas instâncias que comandavam as negociações. Resultado 2: dois profissionais que sequer estiveram na “plenária” foram convidados para compor a chapa.

Pergunto: Houve plenária? A plenária foi legítima? Pode ser chamada de reunião com legitimidade para tal? Se ela não pode ser considerada, que fatores fizeram com que a “proposta” tirada fosse substituída pela inclusão de outros dois profissionais que nem atenderam à convocação do sindicato?

Soube que Itajaí não foi caso isolado. Aliás, os colegas que estiveram presentes nas “plenárias” poderiam postar aqui seus relatos…

A questão que levanto não é a composição em si, os nomes dos integrantes da chapa. Conheço muitos deles, respeito e reconheço a cada um. O que mais me chama a atenção é o assodamento, o centralismo democrático, a capacidade de auto-engano. Um sindicato precisa ir além disso.

racha no sindicato dos jornalistas: o manifesto

Sindicato forte é Sindicato de e para Todos

A respeito das eleições para o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, que acontecem no dia 6 de agosto, os abaixo-assinados vêm a público fazer os seguintes esclarecimentos:

1. A chapa única que concorre ao SJSC não expressa a unidade que tentamos construir. Entendíamos que este processo deveria ser mais amplo e coroado com uma plenária estadual de definição da chapa. Entretanto, quem capitaneou a formação da atual chapa única para o SJSC sempre rejeitou tal proposta.

2. Mesmo assim, e como nosso objetivo, fraterno e sincero, era a construção democrática de uma chapa que expressasse a unidade do movimento dos Jornalistas em nosso estado, continuamos participando no esforço de construir uma alternativa unitária junto aos que lideraram a formação da atual chapa única. Na última plenária, realizada em Florianópolis, aceitamos indicar representantes para uma comissão que definiria a constituição da chapa entre aqueles colegas que haviam oferecido seus nomes nas plenárias.

3. Entretanto, esse processo foi bruscamente interrompido a poucos dias do prazo de inscrições de chapas, por intransigência dos que lideraram a formação da atual chapa na tal comissão. Eles não se contentaram em exigir a indicação à Presidência, Vice-Presidência e Tesouraria, o que, na prática, significaria o prosseguimento de uma única posição política a ditar os rumos cotidianos de nossa entidade. Também vetaram nomes e passaram a impor quem aceitariam ou não na chapa, desprezando as discussões anteriores e inviabilizando a construção de uma diretoria que expressasse a heterogeneidade e riqueza de visões presentes em nosso movimento.

4. Por isso, alertamos os colegas que, apesar do processo eleitoral do SJSC ter uma única chapa inscrita, ela não é expressão da construção democrática que defendíamos: verdadeiramente unitária, sem interesses político-partidários e posturas autoritárias,  e representativa da diversidade da nossa categoria. Embora tenhamos razoável identidade programática com a chapa inscrita, ela foi montada com determinadas práticas e métodos com os quais não podemos conciliar.

5. Aproveitamos para esclarecer que tal chapa inclui vários valorosos companheiros, que optaram por apoiar a proposta daquele grupo, decisão que respeitamos, mas com a qual não podemos concordar.

6. Vamos prosseguir defendendo o fortalecimento de nossa entidade e de nossas lutas por dignidade e respeito profissional. Neste sentido, reafirmamos nosso compromisso de luta por melhores condições de trabalho e salários, fiscalização do exercício da profissão e respeito às relações trabalhistas, gestão sindical democrática e transparente com presença em todo o Estado, inserção no movimento sindical nacional da categoria e na política geral do país, defesa da regulamentação, formação, atualização e ética profissionais e da democratização da comunicação.

7. Finalmente, convidamos todos os nossos colegas a, mais do que nunca, participarem ativamente e fortalecerem o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. Afinal, movimento sindical não se faz apenas com a ocupação de cargos na direção de uma entidade, como já mostrou o movimento que, na década de 80, resgatou nossa entidade do imobilismo, do qual muitos de nós participamos. O Sindicato somos nós!

 

ASSINAM:

Adauri Antunes – Jornalista

Aderbal Filho – Ex-diretor do SJSC

Adriane Canan – Diretora do SJSC

Ayrton Kanitz – 1o candidato a presidente do SJSC pelo MOS e ex-integrante da Comissão Nacional de Ética

Aureo Moraes – Ex-diretor do SJSC

Celso Vicenzi – Ex-presidente do SJSC

Cláudia Sanz – Diretora do SJSC

Daniella Haendchen – Jornalista

Denise Christians – Jornalista

Doroti Port – Jornalista

Eduardo Marques – Repórter Fotográfico

Eduardo Meditsch – Ex-integrante da Comissão de Ética/SC

Elaine Borges – Integrante da Comissão de Ética/SC

Fernando Crócomo – Jornalista

Francisco Karam – Ex-integrante da Comissão de Ética/SC e da Comissão Nacional de Ética

Gastão Cassel – Ex-diretor do SJSC

Hermínio Nunes – Ex-diretor do SJSC

Ivan Giacomelli – Ex-diretor do SJSC

Laudelino José Sarda – Jornalista

Lena Obst – Jornalista

Linete Martins – Jornalista

Luis Fernando Assunção – Ex-presidente do SJSC

Márcia Barentin da Costa – Ex-diretora do SJSC

Maria José Baldessar – Ex-diretora do SJSC

Mário Medaglia – Jornalista

Mário Xavier Antunes de Oliveira – Integrante da Comissão de Ética/SC

Mylene Margarida – Ex-diretora do SJSC

Orestes Araújo – Ex-diretor do SJSC

Osvaldo Nocetti – Repórter Fotográfico

Rogério Christofoletti – Ex-vice-presidente do SJSC

Sandra Werle – Ex-diretora do SJSC

Samuel Pantoja Lima – Jornalista

Suely Aguiar – Jornalista

Sara Caprário – Jornalista

Silvio Pereira dos Santos – Jornalista

Suzete Antunes – Ex-diretora do SJSC

Tânia Machado – Jornalista

Terezinha Silva – Jornalista

Tina Braga – Ex-diretora do SJSC

Valci Zuculoto – Diretora do SJSC

Valdir Cachoeira – Ex-diretor do SJSC

Valentina Nunes – Jornalista

Vanessa Campos – Jornalista

 

ESTE DOCUMENTO ESTÁ ABERTO A NOVAS ADESÕES

 

um racha no sindicato dos jornalistas

Os jornalistas catarinenses elegem no próximo dia 6 a nova diretoria do seu sindicato.
Nova não. Pois só há uma chapa e ela pouco altera os nomes da diretoria anterior.
Por conta disso e por conta da condução do processo de discussão da sucessão, um grupo de jornalistas está se movimentando contrário. O grupo é composto por novos e velhos profissionais do mercado e da academia e discorda frontalmente da pouca discussão acerca dos rumos do sindicato.

***

Sim, eu também faço parte do grupo.
Tentei acompanhar as discussões para a montagem da nova chapa.
Fui a uma reunião em Itajaí, que pareceu patética. Éramos em cinco, se contarmos o representante do sindicato.
A articulação era tamanha que o encontro havia sido marcado na prefeitura, na assessoria de imprensa. Chegando lá, nem o guarda sabia do evento, e não deixou ninguém entrar.
Fomos a um bar no Mercado Público, e lá pouco ou nada se viu sobre novos rumos para a entidade.
O plano já parecia fechado.

***

Semanas depois, soube que o nome que havíamos indicado para ser o representante de Itajaí e região na Executiva havia sido “vetado” pelo atual presidente, Rubens Lunge, que encabeça mais uma vez a chapa.
Soube ainda que a mesma democracia havia prevalecido em outros pontos do estado.

***

O atual grupo que está à frente do sindicato se gaba de ter interiorizado a atuação do sindicato. Mas pouco ou nada foi feito além disso. Aliás, é preciso dizer que isso vem se repetindo há várias gestões. Mesmo na fase em que fui vice-presidente do SJSC, as coisas por lá eram travadas, lentas e sem imaginação.

***

Aliás, por falar em imaginação, faço coro ao Cesar Valente que hoje publicou em seu blog notícia semelhante a esta. Ele também pede mais criatividade.

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Criatividade é bem-vinda sim, mas é pouco. É necessário discutir e construir um novo modelo de sindicalismo, de atuação classista. Nossos sindicatos ainda são muito tacanhos, com discurso envelhecido e sem presença forte nas redações. É necessário articular melhor com a academia – onde se pode ajudar a formar novos quadros e idéias -, é preciso discutir seriamente a relação tensa entre jornalismo e assessoria de imprensa, é preciso engendrar novos canais de comunicação entre as entidades e os seus associados. Nosso sindicato ainda é muito cartorial.

***

Adotar novo modelo não é se despir de ideologia. Aceitar trabalhar com pragmatismo não é se vender ao outro lado do balcão. Iniciar novas práticas não é ser frouxo na hora de dialogar e negociar. Articular novos contatos e abrir-se para novas batalhas não é compor com o inimigo. É necessária uma mudança de mentalidade. De cultura organizacional dentro do sindicato, de postura frente ao interlocutor. Carranca não assusta mais ninguém. E não dá atestado moral ou de idoneidade para a representação política.

***

Precisamos de um novo sindicato sim.
Precisamos discutir esses novos rumos.
Precisamos brigar e encarar as próprias limitações.

***

Sim, não vou negar: insistiram para que eu me lançasse presidente, cabeça de uma chapa de oposição. Não aceitei. Não porque desacredite. Não aceitei porque o problema não se resolve com a composição de um nova chapa. O processo é mais lento, e merece amadurecimento. Foi assim – pelo que me dizem os amigos – nos anos 80, quando um grupo altamente comprometido construiu um movimento legítimo e forte de oposição sindical. Precisamos de algo semelhante, efervescente e vibrante, positivo e propositivo. Uma proposta coletiva, descolada de interesses partidários e sintonizada com a base, com as mudanças que o jornalismo está sofrendo.

grupo vai sugerir mudanças na regulamentação de jornalista

(Do site da Fenaj)

O Diário da União publicou na edição desta sexta-feira (25/07) a portaria 342/08 instituindo grupo de estudos com o objetivo de “propor alterações na legislação em vigor para viabilizar a regulamentação da profissão de jornalistas”. A publicação é um compromisso recentemente assumido pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, em reunião com dirigentes sindicais dos jornalistas.

No dia 10 de julho, representantes da FENAJ informaram ao Ministro que partiu do próprio Governo a proposta de constituição de um Grupo de Trabalho para encaminhar a atualização da regulamentação profissional dos jornalistas. “A constituição de tal GT, adiada durante quase dois anos, seria uma medida compensatória após o veto do governo federal, no final de 2006, ao PLS 079/04, que havia sido aprovado no Senado”, explica o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade. Para Murillo, a iniciativa do Ministro vem em boa hora e não tumultua a campanha de defesa do diploma — questão em análise no Supremo Tribunal Federal. “São processos relacionados, mas absolutamente independentes”, avalia.

Entre as atualizações previstas no PLS 079/04, estavam as caracterizações de novas funções profissionais, inclusive a de assessor de imprensa. A Portaria 342/08 estabelece a composição do GT com participação dos trabalhadores, empresários e governo, cada qual com três representantes, e com prazo de 90 dias para apresentar relatório final.

um barômetro do acesso à informação

Esbarrei num interessante levantamento da Fundação Konrad-Adenauer sobre como a mídia chilena tem acesso a informações naquele país. O estudo é uma consulta com mais de 400 jornalistas que apontam as suas maiores dificuldades para trabalhar, os piores lugares para conseguir informações e as principais causas dessas barreiras.

O estudo pode ser lido aqui. O relatório – de novembro de 2007, e o quarto de uma série – está em espanhol, formato PDF e tem 42 páginas, fartamente ilustradas com gráficos. Não conheço nada tão abrangente da mesma temática aqui no Brasil, mas está aí uma pesquisa oportuna e necessária para ser feita no país. As conclusões a que chegaram nossos vizinhos são de que “la ‘poca disposición de las autoridades e instituciones’ para entregar información, junto a la ‘autocensura’ de los propios medios, son dos de los aspectos que más dificultan el acceso a la información pública en el país”.

Acho que por aqui não seria lá muito diferente…

comissão de ética da fenaj revê decisão em processo contra jornalista

Do boletim do FNDC e da Fenaj, reproduzo:

Nesta segunda-feira (07/07), em julgamento do recurso – 2008-02-01 REC – apresentado pelo jornalista Francisco Luciano Luque dos Santos contra decisão da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas do Ceará, a Comissão Nacional de Ética dos Jornalistas (CNE), acolheu em parte os argumentos do recorrente. A decisão original foi reformada, mas a Comissão entendeu que houve infração ao Código de Ética da profissão, determinando a suspensão por quatro anos de dois jornalistas filiados ao Sindicato e o encaminhamento de denúncia contra os profissionais ao Ministério Público.

O processo original teve grande repercussão na imprensa cearense em 2007, quando três então membros da diretoria da Associação Cearense de Imprensa (o ex-presidente, o ex-vice e o tesoureiro) foram denunciados por fraude na escolha dos vencedores do “Prêmio ACI de Jornalismo”. Acionada por 66 jornalistas signatários de um abaixo assinado, a diretoria do Sindicato encaminhou o caso para sua Comissão de Ética e, depois, puniu dois dos envolvidos no caso – que eram sindicalizados – com expulsão de seu quadro de associados, além de declarar o ex-presidente da ACI persona non grata.

Na reunião da Comissão Nacional de Ética estiveram presentes quatro membros (Armando Rollemberg faltou por motivo justificado). Após ouvir extensa explanação e o voto do relator do processo Washington Mello, os jornalistas Rossini Barreira e Regina Deliberai acompanharam o voto. A presidente da CNE, Carmen Lúcia Ribeiro Pereira, não votou por não haver necessidade de desempate.

A CNE decidiu aplicar a pena de suspensão do quadro social do Sindicato do Ceará, por quatro anos, dos jornalistas Paulo Tadeu Sampaio de Oliveira e Francisco Luciano Luque dos Santos, com a publicação da decisão em veículo de grande circulação na capital do Ceará. A penalidade passará a valer após o Sindicato dos Jornalistas do Ceará cumprir procedimentos previstos em seu Estatuto.

A CNE também recomendou ao Sindicato do Ceará que “se utilize da prerrogativa dada pelo art. 16, item VI, do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, individualmente ou de comum acordo com a Associação Cearense de Imprensa, ou seja, levar ao conhecimento do Ministério Público a denúncia da fraude geradora deste processo ético”.

força total na campanha pelo diploma

(Clique para ampliar)