diarinho se ferra, mas nem tanto

Deu no Consultor Jurídico, ontem:

O jornal Diário do Litoral, de Santa Catarina, terá de indenizar em R$ 10 mil por danos morais o policial militar Jéferson Schmidt, por ter relacionado o seu nome a um homicídio. A decisão é da 3ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que confirmou sentença da comarca de Balneário Camboriú.

A Sociedade Editora Balneense Ltda EPP e o advogado Carlos Cesário Pereira, diretor do jornal quando da publicação da notícia, deverão arcar, solidariamente, com a compensação ao policial.

Para a relatora do processo, desembargadora Maria do Rocio Luz Santa Ritta, as acusações proferidas foram precipitadas. A publicação no periódico local, segundo ela, tinha grandes chances de repercutir no meio social. “O direito de informar afigura-se condicionado à observância de outros direitos coexistentes, tais quais a honra e a vida privada, que se lhe superpõem e cujas violações acarretam dever de indenizar”, destacou. A decisão foi unânime.

Histórico

Em abril de 2000, o Diário do Litoral, conhecido como Diarinho, acusou Jefferson pelo assassinato de Luiz Gustavo de Oliveira Leitão, encontrado morto nas dependências do Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) de Balneário Camboriú.

Por ser policial militar e por atuar como árbitro de futebol, Jefferson Schmidt disse que sua imagem — tanto na carreira esportiva como militar — ficou arranhada. Já a editora alegou que o texto publicado apenas transcrevera informações repassadas pelo delegado de polícia, sem a intenção de ofender a honra, imagem ou reputação do PM.

Tá, o jornal perdeu.
Mas a indenização é pequenininha perto do estrago.
10 mil não limpa a honra de ninguém!!!

jornais vão melhor aqui que lá fora

Eu sei. Pode não ser lá grande novidade, mas vale replicar aqui. Para registro.
Deu na Folha de S.Paulo em 2 de junho.

“A venda de jornais no Brasil avançou 11,8% no ano passado, superando a média mundial, que foi de 2,57%, de acordo com a WAN (Associação Mundial de Jornais, na sigla em inglês). O mesmo cenário já tinha ocorrido em 2006, quando a circulação no Brasil cresceu 6,5%, e a mundial, 2,3%.

Os números brasileiros são idênticos aos que já foram apresentados pela ANJ (Associação Nacional de Jornais), que mostraram que a circulação diária de jornais pagos ultrapassou 8 milhões de exemplares no ano passado.

O crescimento das vendas no Brasil foi o maior na América Latina e um dos mais expressivos no mundo, superado apenas por algumas antigas repúblicas soviéticas, como o Cazaquistão, países da África (Quênia, Gâmbia e Líbia), Malásia e Kuait. Nos últimos cinco anos, a circulação de jornais no país cresceu 24,93%. Na América do Sul, por exemplo, a Argentina teve alta de 22,7% no período, e o Equador, de 15,2%.

Segundo o levantamento da WAN em 232 países e territórios, mais de 532 milhões de exemplares foram vendidos em média todos os dias no mundo em 2007 -17 milhões a mais do que no ano anterior. Ainda de acordo com a associação, o número de pessoas que lêem um jornal diário subiu para 1,7 bilhão, 300 milhões a mais. As vendas cresceram ou ficaram estáveis em aproximadamente 80% dos países pesquisados (elas caíram nos EUA, na União Européia e no Japão).

A China é o país em que mais se vendem jornais: 107 milhões de cópias diárias. Mas, em média, os japoneses são os maiores consumidores: 624 exemplares vendidos para cada 1.000 adultos. O Japão é o terceiro maior mercado, com 68 milhões de exemplares comercializados, atrás também da Índia. Os Estados Unidos e a Alemanha são o quarto e o quinto maiores mercados, respectivamente.

Os turcos passam 74 minutos lendo jornais diariamente, 20 minutos mais que os belgas, que estão em segundo lugar.

O faturamento mundial com publicidade dos jornais pagos aumentou 0,86% em 2007 em relação ao ano anterior -havia crescido quase 4% na comparação entre 2006 e 2005. Nos últimos cinco anos, essa receita avançou 12,84%.

Na América Latina, a receita dos jornais com publicidade se expandiu em 10,77% entre 2006 e o ano passado, só perdendo para o avanço no Oriente Médio e na África, de 13,17%.

Apesar do avanço, os jornais tiveram uma pequena perda na fatia do mercado mundial de publicidade: de 28,7% para 27,5%. Ainda assim, eles continuam como o segundo meio de comunicação que mais fatura com propaganda (atrás da TV, com 38%) e com uma receita superior à de internet, rádio, cinema e mídia ao ar livre somadas, de acordo com a WAN.”

OJR acabou!

Robert Niles anunciou ontem que a University of Southern California´s suspendeu a Online Journalism Review, prestigiosa publicação da Annenberg School for Communication que existia há dez anos.
Sob o título de Goodbye, Niles se despede e faz um balanço do legado da revista eletrônica:

“After a decade, the University of Southern California’s Annenberg School for Communication has suspended publication of OJR.
One of OJR’s goals over the years has been to help mid-career journalists make a successful transition from other media to online reporting and production. I’m pleased to say that USC Annenberg will continue to provide support in that area, through the Knight Digital Media Center. I encourage OJR readers to click over to the KDMC website and its blogs, if you are not already a regular reader there.

The decision to suspend OJR for now means that I have left the University of Southern California. But I am not going offline. I will continue to write, daily, about new media and journalism at my new website, SensibleTalk.com. I hope that many of you will click over and visit me there.

Finally, on behalf of OJR, I want to thank you. Thank you for your readership, tips, corrections, kind words and support. And I want to wish you success as you work to build engaging, informative and sustainable websites, to better serve your audiences.

So… in that spirit, I suppose that I will borrow a classic sign-off from the world of journalism, one that’s been borrowed by another recently:

Good night, and good luck”.

congresso estadual de jornalistas

(clique para ampliar)

sindicato inicia discussão sobre sucessão

Este ano tem eleição para a nova diretoria do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina.
O calendário eleitoral prevê que até dia 26 de junho chapas possam se inscrever na disputa.

Ao que se sabe, apenas a atual diretoria manifesta interesse e disposição para conduzir a entidade. No entorno, não se vê nenhuma movimentação maior para a formação de uma chapa de oposição. Até porque – geralmente – o elemento surpresa é uma eficiente arma nesse tipo de contenda.

O fato é que a atual diretoria, motivada por outros jornalistas, deflagrou um processo de discussão junto à categoria para a montagem de uma chapa mais representativa. A agenda leva em conta as principais praças do estado, e é a seguinte:

  • Dia 5: Criciúma
  • Dia 6: Lages
  • Dia 9: Chapecó
  • Dia 11: Blumenau
  • Dia 12: Itajaí –
  • Dia 17: Joinville
  • Dia 19: Florianópolis

A iniciativa – claro! – é importante, oportuna e saudável. Não existe sindicato sem categoria. Não existe movimento sem diálogo, sem troca, sem ação conjunta. Tenho acompanhado de longe esses lances porque acredito que o sindicato precisa se aproximar mais da categoria, repensar-se como entidade e jogar um outro papel na luta de classes e junto à sociedade.

 

ainda sobre o futuro dos jornais

O caderno Mais! da Folha de ontem veio com o tema que mais preocupa os publishers pelo mundo afora: o futuro dos jornais. Com um texto de abertura da editora executiva Eleonora Lucena, a Folha trouxe um longo artigo do jornalista Eric Alterman, que saiu originalmente na New Yorker em 31 de março passado. Trouxe isso, consumiu 5,5 páginas e deu. Ponto. Nem mais um pio sobre o assunto, ninguém mais escreveu ou discutiu o palpitante momento na edição.

Para um jornal como a Folha, é pouco.
Para a crise que se anuncia sobre o setor, é pouco.
Para o momento da imprensa brasileira, que comemorou no início do mês 200 anos, foi pouco.

Foi insuficiente, mas não só.

Conforme escreveu Adriana Alves Rodrigues no GJOL, o leitor atento percebeu uma certa confusão nos discursos ali estampados. A editora da Folha adota um tom otimista, despejando estatísticas que mostram um desempenho positivo do setor em no Brasil e nas economias emergentes (leia o texto dela aqui: para assinantes). Eleonora Lucena tem razão: por aqui, a coisa ainda não pegou pra valer, e uma certa reinvenção da imprensa se deu com o desembarque nas bancas da chamada penny press, formada por jornais mais baratos, mais quentes e voltados para um público ainda inexplorado.

Já o artigo de Eric Alterman beira o tom sombrio (veja aqui. Para assinantes). Ele escancara a situação norte-americana, a queda das tiragens, a migração de parte do bolo publicitário, uma disputa cada vez mais acirrada entre jornalistas e blogueiros. É uma aula de jornalismo. Uma aula de mercado. Mas jornalismo e mercado norte-americanos.

Neste sentido, a Folha falhou mesmo. Faltou complementar o tema com textos de gente daqui que pudessem oferecer tanta análise e interpretação quanto Alterman. O texto de Eleonora é claro, interessante, mas pouco analítico, mais informativo. Por aqui, já temos uma história de mídia na web e gente como Carlos Castilho, Marcelo Tas, Beth Saad, Pedro Doria, entre outros, poderiam oferecer análises tão densas e amplas quanto à gringa.

Alguns dados fazem pensar:

  • 2,6% é quanto crescem os jornais no mundo atualmente
  • 11,8% é quanto eles crescem no Brasil
  • Os jornais abocanharam em março 19,4% do bolo publicitário no país
  • 42% a menos valem as empresas de jornais nos EUA, e a queda tem sido impiedosa
  • Os leitores têm sido cada vez mais raros entre os mais jovens
  • O mercado norte-americano tem extinguido postos e mais postos de trabalho nas redações
  • Pesquisas lá mostram a queda vertiginosa da confiança na mídia
  • Aqui, também cresce a desconfiança, mas a mídia não é a única instituição a perder terreno

A crise dos jornais, a invenção de novas plataformas de consumo e distribuição de informações e a convergência midiática têm levado a indústria do setor a um comportamento esquizofrênico: tenta ser audaciosa em alguns casos, buscando soluções, mas atirando sem mira; ao mesmo tempo em que fica imóvel, fingindo-se de morta e aguardando uma solução dos céus…

O Mais! de ontem, na Folha, mostra o quanto a mídia ainda peca na análise de seu próprio mètier. Não consegue um distanciamento seguro que lhe permita uma avaliação mais ampla e serena do caso. Não mobiliza mais recursos para o debate que se faz necessário. Não contagia – para além dos diretamente interessados: empresários, jornalistas e pesquisadores da área – mais ninguém com o assunto. Um tema que deveria interessar a todos da esfera pública.

(Se você não é assinante da Folha e não consegue ler os textos da edição de ontem, não desanime. O artigo de Alterman, no original, está aqui… aberto para leitura.)

(Enquanto isso, nos Estados Unidos, durante a FreePress – a conferência internacional que discute reforma na mídia e transformações na democracia -, o jornalista Bill Moyers deixou a platéia eletrizada com sua fala e as perspectivas sobre o futuro das grandes corporações midiáticas. Leia aqui ou assista aqui)

jornalismo no limite da vida

Sou um cara relativamente educado. Mas isso não faz com que eu doure a pílula para meus alunos. Para eles, sou franco e direto: jornalismo não é uma profissão cor-de-rosa, fácil, glamourosa, tranquila. Digo sempre dos perigos, dos riscos e da quantidade enorme de razões que podem fazer gente equilibrada desistir. Eu alerto: precisamos de gente capaz tecnicamente, comprometida eticamente e consciente do papel a ser exercido.

Se é uma profissão de riscos também é um exercício fascinante, empolgante, pulsante. Uma redação é um ambiente que fervilha, que fermenta, que transborda vida. Nossa rotina é estressante mas traz recompensas. É o furo de reportagem. É a matéria pacata que orienta e instrui o público. É a informação que interessa e ajuda o cidadão comum. É a publicação de algo que estava oculto, privando a coletividade de saber dos detalhes…

Rogério Kreidlow reflete com muita propriedade sobre os limites perigosos do jornalismo. Seu foco inicial é a fotografia, mas a coisa não muda nas demais funções que exercemos. É preciso coragem, vontade, paciência, insistência e preparo. Às vezes físico, e sempre emocional. Acho que não se trata de se queixar, de achar que a profissão é um martírio, um inferno. Quem pensa e age assim – na minha visão -, tem dois caminhos: deixar a coisa pra trás ou atuar para fazer a coisa melhorar. Seja na luta por melhores condições de trabalho; seja na lida diária, oferecendo o sangue e o suor para aperfeiçoar as práticas e procedimentos jornalísticos.

Ficar choramingando não é a melhor atitude. Submeter-se a qualquer degradação também. É preciso estar atento e forte. Há uma escalada da precarização das condições de trabalho, mas não apenas para jornalistas. Há também uma demanda ainda não satisfeita do público de saber das coisas, de se informar. Sim, ainda somos muito úteis.

Kreidlow conta a história de uma fotógrafa que se arrisca pra valer, ficando a poucos passos do risco real de morte. Alguém pode se perguntar: mas vale a pena? Claro que vale. Acho que a própria profissional responderia com a mesma ênfase. O prazer profissional, a realização nesse que é uma das dimensões mais importantes da nossa vida – o trabalho -, a sensação de estar sendo útil para a sociedade, tudo isso, seja no jornalismo, na medicina ou em qualquer ofício, isso é o que nos move. Dinheiro, fama, notoriedade, respeito são substratos do trabalho incansável.

Discutir a profissão nos faz rever percursos, alinhavar novas metas e redimensionar os esforços que nos propomos a tornar a vida melhor. Mesmo que estejamos no limite dela.

sensacionalismo custa caro

Deu no Consultor Jurídico:

Um jornal de Uberaba (MG) foi condenado a pagar indenização de R$ 15 mil por ter publicado uma reportagem considerada sensacionalista pela Justiça. Segundo os desembargadores da 10ª Câmara Cível do TJ-MG, o jornal extrapolou seu direito de informar ao expor a intimidade de uma médica da cidade.

Para ler na íntegra, clique aqui.

escola base: um novo capítulo

Reproduzo matéria do Portal Imprensa:

Grupo Folha da Manhã é condenado a indenizar garoto envolvido no caso Escola Base

28/05/2008 |
Redação
Portal Imprensa

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou, 14 anos depois, o Grupo Folha da Manhã no caso da Escola Base. Para o TJ, o jornal usou uma manchete escandalosa e sensacionalista que extrapolou a liberdade de informar, e não resguardou a honra moral de uma criança de quatro anos.

Em março de 1994, o jornal Folha da Tarde, assim como outros veículos de comunicação, afirmou – com informações repassadas pelo delegado que conduzia o inquérito policial, a partir dos depoimentos de duas mães de alunos – que seis pessoas estavam envolvidas no abuso sexual de crianças numa escola de educação infantil, localizada no bairro da Aclimação.

O jornal saiu com a chamada de primeira página: “Perua escolar carregava as crianças para a orgia”. A empresa terá de pagar indenização de R$ 200 mil para o garoto R.F.N, que hoje tem 18 anos. Ele foi apontado pelo jornal como vítima de abuso sexual dos próprios pais.

A empresa Folha da Manhã sustentou que a manchete se limitou a reproduzir as informações oficiais, tomando todo o cuidado para evitar pré-julgamentos ou especulações de ordem subjetiva, e que não existiria prova de dano moral. Mas a Justiça entendeu de forma contrária.

Outras empresas de comunicação já sofreram condenação pelas notícias divulgadas na época, que resultaram no fechamento da escola, na prisão e no julgamento público de inocentes. A Folha de S.Paulo e o Estado de S.Paulo foram condenados a pagar R$ 750 mil, a Rede Globo R$ 1,35 milhão, e a Editora Três, responsável pela publicação da revista IstoÉ, R$ 360 mil.

Na área cível, várias ações foram propostas. A primeira delas, contra o Estado, para pedir indenização por danos morais e materiais. Em 1996, o juiz Luís Paulo Aliende mandou o governo paulista pagar cem salários mínimos – R$ 30 mil em valores atuais – ao casal proprietário da escola e ao motorista Maurício Alvarenga. O advogado Kalil Rocha Abdalla, considerou o valor baixo e recorreu ao TJ paulista reclamando 25 mil salários mínimos.

O TJ paulista julgou o recurso o fixou o valor de R$ 100 mil para cada um, por danos morais, e uma quantia a ser calculada para ressarcir os danos materiais. Pela decisão, a professora Maria Aparecida Shimada iria receber, ainda, uma pensão vitalícia por ter sido obrigada a abandonar a profissão.

seminário de jornalismo na ufpe

Alfredo Vizeu manda avisar:

O Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE, promove, nesta quarta-feira (28), o I Seminário de Jornalismo Contemporâneo, no mini-auditório do Centro de Artes e Comunicação da instituição.

O evento, que contará com a participação de pesquisadores das universidades federais de Sergipe, Paraíba e Pernambuco, tratará de temas como jornalismo e cotidiano, novas tecnologias, objetividade e pesquisa/metodologia. As inscrições, que foram gratuitas, estão esgotadas desde a semana passada.

Todas as palestras e discussões serão transmitidas online por estudantes de Jornalismo da UFPE. A cobertura será realizada no site do grupo (http://jornalismocontemporaneo.wordpress.com)

Programação

28/05/2008
Manhã – das 9h às 12h
Estudos, Teorias e Metodologias do Jornalismo
Mediador: Prof. Dr. Alfredo Vizeu, vice-coordenador PPGCOM UFPE
Prof. Dr. Carlos Franciscato, Departamento de Comunicação UFSE, presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor)

Jornalismo e Objetividade
Prof Dr. Josenildo Guerra, Departamento de Comunicação UFSE

Tarde – das 14 às 17h
Jornalismo e Cotidiano
Prof. Dr. Wellington Pereira, vice-coordenador PPGCOM da UFPB e professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia

Jornalismo e Novas Tecnologias
Prof. Dr. Afonso Jr, Programa de Pós-Graduação em Comunicação/UFPE
Local: mini-auditório do CAC – UFPE, Recife
Promoção: PPGCOM/UFPE

INFORMAÇÕES:
email: jornalismocontemporaneo@grupos.com.br
Site: http://jornalismocontemporaneo.wordpress.com

maratona sobre jornalismo e internet

Marcelo Träsel manda avisar:

Maratona de 24 horas na Famecos discute uma década de jornalismo na internet

Para discutir o jornalismo praticado em uma década de internet, a Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS realizará durante 24 horas ininterruptas o evento “10/24 – Notícia não tem hora”. As atividades ocorrerão das 18h desta quarta-feira (28/5) até as 18h de quinta-feira com um duplo objetivo: integrar a programação do + SET (série de eventos preparatórios para o 21º SET Universitário) e comemorar os 10 anos de funcionamento da Cyberfam, a pioneira das revistas eletrônicas desenvolvidas em um estágio de jornalismo online no Brasil.

Pela primeira vez no país, ocorrerá uma transmissão em alta definição (HD) via internet. Tudo que ocorrer nesta maratona poderá ser acompanhado no site http://cyberfam.pucrs.br. No site, haverá links para teleconferências, bate-papo online e apresentação de imagens captadas por câmeras instaladas na Famecos. Ainda ocorrerá transmissão de aulas do curso de Jornalismo por celular.

Para marcar os 10 anos da Cyberfam, serão entrevistados professores e alunos que já trabalharam na publicação. Um time de profissionais que atuam em Porto Alegre e em outras cidades do Brasil, dos Estados Unidos e da China foi convidado para a discussão sobre o impacto da internet no jornalismo. Os vários debates e entrevistas planejados podem ser acompanhados pelo site da Cyberfam ou por meio de televisões de plasma instaladas no saguão da Famecos (Av. Ipiranga, 6.681, prédio 7 – Porto Alegre).

já temos a “barriga” do ano!

No Observatório da Imprensa desta semana – que acaba de chegar à rede -, há vários textos comentando o erro jornalístico mais ruidoso da imprensa nacional em 2008. Isso mesmo! A suposta queda de um avião de passageiros da Pantanal sobre um prédio em São Paulo. Na verdade, tratava-se apenas de um incêndio. Mas a blogosfera reagiu mal à pressa dos jornalistas.

Para saber mais:

Sobre as contradições do jornalismo – texto de Venício A. Lima no Observatório da Imprensa

Noticiário de telejornal derruba avião – de Gilson Caroni Filho, também no OI

Avião atinge prédio, ou loja de colchões, ou de tapetes – de Urariano Mota, no OI

Guerra dos Mundos nas chamas de Moema – Mauricio Pontes, no OI

GloboNews derruba avião da Pantanal – Manuel Muñiz, no OI

Divulga-se primeiro, para se confirmar depois – Adriano Faria, também no OI

No blog do GJOL, há três links:

UOL derruba avião da Pantanal em cima de loja de colchões

Avião que Record, Globo e UOL derrubaram chega à Espanha e Alemanha

Como se derruba um avião: efeito dominó

Que barriga!

jornais comemoram lucros e sindicato quer piso maior

Nota no Expresso Digital, o boletim eletrônico do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, alfineta o empresariado do ramo:

Profetas que previram o fim do meio jornal: aproveitem para ler o caderno de empregos. A frase acima faz parte da campanha promovida pela Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e foi veiculada na edição de hoje do Diário Catarinense, pg 10. Em linhas gerais, os textos destacam a alegria do patronal com o aumento na venda de exemplares, ampliação da publicidade no setor e, conseqüentemente, os lucros produzidos pela mídia impressa, que crescem anualmente.

O presidente da ANJ, Nelson Sirotsky, também presidente do grupo RBS, é o principal negociador com o Sindicato dos Jornalistas.

A peça publicitária da Associação destaca ainda: “Quem poderia prever que o jornal iniciaria o ano crescendo? Qualquer pessoa bem informada, já que ele fechou o ano passado com números extremamente positivos”.

“No primeiro trimestre de 2008 a tendência se acentuou e o investimento publicitário aumentou 23,72%, segundo a Intermeios. Em março, o percentual de participação dos jornais no bolo publicitário ficou em 19,4%, contra 18,3% no mesmo mês do ano anterior. Mas ainda sobrou um espaço para quem disse que o jornal iria acabar: a errata”.

Os dados da campanha publicitária mostram que o patronal tem amplas condições de pagar o piso mínimo de R$ 1.500,00 para os trabalhadores jornalistas.

 

A nota do SJSC bate forte porque a categoria está em plena negociação salarial. O período é delicado, sentar à mesa com os interlocutores é sempre complicado, uma cantilena de reclamações dos patrões: sempre a situação está difícil, quase nunca há condições de se pagar melhor os trabalhadores, etc…

Agrava a situação o fato de que a categoria é pouquíssimo unida e quase nada articulada. Quase sem respaldo, os dirigentes sindicais tentam desobstruir os diálogos, mostrando a necessidade de aumento e a incorporação de novos direitos e garantias. Não é fácil. Participei de ao menos duas negociações do tipo quando fui vice-presidente do SJSC, e ao final das reuniões o cansaço mental e emocional de todos era visível. Havia também outros sentimentos: uma raiva diante do teatro dos patrões e uma indignação incontornável. Apesar de tudo, é preciso resistir, de forma intransigente. É necessário sentar e negociar, brigar por direitos, pois eles nunca são concedidos, são conquistados.

marques de melo fala sobre gêneros (a continuação)

Lia Seixas, conforme prometido, postou ontem a segunda parte da entrevista que fez com José Marques de Melo sobre os gêneros jornalísticos.

Aqui, você lê (ou ouve) a primeira parte .

(Aproveite pra ouvir a rádio do blog dela também. De primeira linha…)

marques de melo fala dos gêneros jornalísticos

A perspicaz Lia Seixas entrevistou – no último sábado – o professor José Marques de Melo, a “maior referência brasileira no assunto gêneros jornalísticos”.

A primeira parte da entrevista foi ao ar hoje. Veja aqui.

A segunda virá na próxima terça.

(A entrevista, longa, com bom ritmo e com diversas surpresas, vale uma aula e um seminário sobre o tema)

13 de maio: negras não aparecem nos jornais

Se os negros aparecem pouco na mídia catarinense, as mulheres negras freqüentam muito menos espaço nos jornais. Esta é uma das principais conclusões de uma pesquisa desenvolvida no curso de Jornalismo da Univali, em Itajaí, e que conta com financiamento do CNPq. “Essas mulheres aparecem em apenas 2,3% das fotos publicados nos três principais jornais do Estado”, revela Roberta Watzko. A pesquisadora se debruçou sobre as páginas do Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e A Notícia durante cinco meses, observando as fotos e catalogando cada imagem conforme a etnia e o gênero das pessoas retratadas.


“Foram mais de 34 mil fotos registradas entre outubro de 2007 e fevereiro de 2008”, completa o orientador da pesquisa Rogério Christofoletti. “Os resultados apontam para uma quase invisibilidade da mulher negra na imprensa. Nossos dados mostram que estatisticamente essas mulheres aparecem menos do que correspondem na população no estado”, completa. Segundo o Censo de 2000, mulheres pardas e negras somam 4,5% dos habitantes em Santa Catarina, números que hoje são mais significativos, já que a Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (PNAD) de 2006 sinaliza um contingente bem maior dessas etnias.


De acordo com Roberta Watzko, a pesquisa ainda está em desenvolvimento. “Já concluímos a fase de levantamento estatístico da presença desses sujeitos na imprensa. Agora, voltaremos a esses dados e observaremos onde e como essas mulheres aparecem nos jornais”. A acadêmica de Jornalismo afirma que os dados da pesquisa não permitem concluir quais as razões da pouca presença das mulheres negras nas páginas da imprensa. “Sabemos que há preconceito na sociedade, e a imprensa parece reforçar esse comportamento, promovendo um certo ‘branqueamento’”.

 

Denominada “Mulheres Negras nas páginas dos jornais catarinenses”, a pesquisa é continuação de outro estudo desenvolvido em 2005 e 2006, quando foi identificada a presença dos negros nas fotos dos mesmos jornais. “Naquela época, não estávamos preocupados com a questão de gênero”, lembra Christofoletti. “Nossos resultados mostraram pouca visibilidade dos negros nas fotos, mas o que mais nos chamou a atenção foi onde eles apareceram. Quase sempre estavam nas páginas de esportes e cultura, restritos a jogadores de futebol ou músicos”. Parte dos resultados da primeira pesquisa foi apresentada em eventos científicos e publicada em uma revista portuguesa.

(Do press-release distribuído pelo Monitor de Mídia)

pesquisa em jornalismo, no méxico

Se aqui no Brasil já temos a Rede Alfredo de Carvalho (a Rede Alcar), que se encarrega de um gigantesco inventário das histórias das diversas mídias, no México, há a Red de Historiadores de la Prensa y el Peridosimo en Iberoamérica. 

Vale a pena passar por lá e cruzar antenas com nuestros amigos de la lengua de Cervantes…

 

“em brasília, 19 horas”: uma leitura

Eugênio Bucci é hoje um dos mais atentos e criativos leitores da mídia nacional. Seus argumentos são equilibrados, seus comentários aprofundados e a clareza de seu discurso não só convence, como contagia.

Bucci publicou no início deste ano mais um livro, desta vez, um híbrido que mescla memórias, ensaio e prestação de contas. Presidente da Radiobrás durante o primeiro governo Lula, Bucci assumiu a frente da estatal com o claro propósito de resgatá-la do pântano chapa-branca em que sempre viveu e cresceu para um patamar de empresa pública de comunicação, orientada pelo interesse público e avessa ao patrimonialismo, aparelhamento e clientelismo endêmicos.

“Em Brasília, 19 horas” chegou ao mercado editorial com alguma surpresa. Afinal, não é à toda hora que um insider do governo vem à tona com livro desse porte. Algumas hienas devem ter tremido no Planalto; outros chacais rido nervosamente; as serpentes requebraram no cerrado do DF… Viriam daquelas páginas revelações, escândalos, indiscrições? Nada disso.

O livro de Bucci é, na sua quase integridade, um rigoroso relatório, dando contas de como quis imprimir seu projeto e fazer tomá-lo curso. Claro, há uns rompantes aqui, umas rusgas ali, mas o volume – na minha leitura muito personal – tem ao menos quatro bons motivos para ser lido:

1. O livro nos mostra uma Radiobrás que sempre esteve debaixo de nossos narizes e quase nunca nos interessou. Fale a verdade: a gente sempre pensou naquilo como um setor de Publicidade ou Relações Públicas de qualquer governo de plantão. Não se atrelava a estatal a um lugar onde se pudesse fazer jornalismo mesmo. Bucci relembra a experiência que liderou, comparando com outros momentos da empresa, o que é muito instrutivo.

2. O livro detalha como se pode conceber uma tarefa quase-impossível e como se conduz um projeto desses. Para quem vai assumir cargos semelhantes ou empreendimentos análogos, o livro já valeria como uma envolvente fonte de exemplos.

3. Bucci dá verdadeiras aulas sobre ética jornalística, princípios democráticos, valores republicanos e senso de civilidade. Quem conhece Bucci de outros carnavais ou leu outros livros seus, quem já viu isso sabe que não é só discurso da parte dele.

4. O livro dá dimensões muito precisas das distâncias entre os setores de Publicidade, Relações Públicas e Jornalismo. Cada um tem a sua função e importância. Mas Bucci separa joio e trigo, aveia e centeio. Com isso, revigora as fronteiras entre um campo e outro da área da comunicação, fortalecendo cada qual com seu ethos, seu espírito, suas demandas. Não é pouco isso…

Se o tom do autor no livro é quase sempre relatorial, não há distanciamento. Afinal, ele estava lá, no centro da arena, dos confrontos. Nos últimos capítulos, Bucci fica nu, despe-se de qualquer pudor de falar de si e da sua história e se entrega para o final que prepara. Ele está prestes a deixar o governo e a presidência da Radiobrás e a longa agonia que o separa da porta de saída é contada na riqueza dos sentimentos e nas memórias mais latejantes. O final do livro, bem, o final é matador. Não deixe de ler.

faxina de links: jornalismo & mídia

inovação no jornalismo: um evento

David Nordfors, pesquisador sênior da Universidade de Stanford, convida para a 5ª Conferência de Inovação no Jornalismo, que acontece de 21 a 23 de maio no campus de lá.

Um apanhado do programa é o seguinte:

 

  • ‘THE ROLE OF MEDIA IN SOCIETY’
  • INNOVATION TRENDS
  • INNOVATION, INTELLECTUAL FREEDOM, INTERNET AND ITS IMPLICATION ON GLOBAL MEDIA ORGANIZATIONS
  • HOW CAN THE NEWS INDUSTRY SUCCEED IN THE INNOVATION ECONOMY?
  • ATTENTION WORKERS IN THE INNOVATION ECONOMY
  • HOW DO WE INNOVATE?

o futuro e o presente do jornalismo

“É possível que, antes de 2030, a maioria dos jornais já tenha migrado para a internet. No futuro, toda informação tende a ser eletrônica ou virtual. O período de transição, que já começamos a viver, deverá ser conturbado sob todos os aspectos”. A declaração é de Ethevaldo Siqueira, conhecido jornalista especializado em tecnologia que escreve semanalmente para O Estado de S. Paulo.

Se ET está certo ou não, se vai acertar o futuro dos jornais ou não, é cedo pra dizer. (leia o texto dele aqui, pelo atalho do Observatório da Imprensa). Enquanto o futuro mais longínquo não vem, André Deak lembra que amanhã, o futuro mais imediato, dia 30, tem a quarta rodada da Ciranda de Textos, a versão nacional para o Blog Carnival. Desta vez, o blog hospedeiro é o de Ceila Santos.

E se o seu caso é o de estudar o presente para pensar e ajudar a construir o futuro, Sergio Amadeu anuncia (pelo Twitter) que em junho a Faculdade Cásper Líbero abre inscrições para mestrado em Comunicação e Tecnologia…

twitter na educação e no jornalismo

Tenho testado o Twitter. Na verdade, mais experimentado do que propriamente testado. Bem informalmente. Ainda não usei jornalisticamente nem em sala de aula. Mas tem dois links que trazem boas análises e dicas:

Um post bem básico de TBarret destaca o Twitter como uma “teaching and learning tool”:

“In my opinion there is great potential in the use of Twitter to support teaching and learning. It is unique in this role because it is all about conversation on a larger scale. Not just instant messaging with one or two contacts or including a Skype call in your lesson, but speaking to a wider network of fellow professionals. Currently most users consider Twitter to be just a networking tool, this opinion was confirmed when I recently asked if it could be a teaching and learning tool. To make the transition into the classroom and having a direct influence on learning will take more people planning to use it and a growing weight of examples and successes to explore”

No ReadWriteWeb, Marshall Kirkpatrick conta que mudou de opinião sobre o Twitter e salienta ao menos quatro usos desse sistema no jornalismo.

Ainda quero usar o Twitter com alunos. Inclusive para quebrar alguns preconceitos que alguns têm. Acreditem: já ouvi aluno antenado dizer que o sistema é uma tremenda besteira. Não estou totalmente convencido disso. E tenho um pressentimento que ainda ouviremos muita coisa sobre o Twitter nos próximos tempos…

(A propósito, se quiser me encontrar por lá, vá por aqui)

andi lança livro no fnpj

Gerson Luiz Martins, presidente do Fórum Nacional de Professores em Jornalismo (FNPJ) e membro da Renoi informa:

“A Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) realiza, na programação do XI Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, o lançamento do livro “Políticas Públicas Sociais e os desafios para o jornalismo”. O evento acontece no dia 18 de abril, às 10h30, no auditório Piauí da Universidade Mackenzie com a palestra de um dos autores do livro, jornalista Eugênio Bucci. O livro tem ainda artigo do presidente do FNPJ, Gerson Luiz Martins; do repórter da TV Globo, Marcelo Canela; do professor da UnB, Luiz Gonzaga Motta e outros autores.A publicação insere-se no contexto do “InFormação – Programa de Cooperação para a Qualificação de Estudantes de Jornalismo”, que promove o aprimoramento da cobertura da agenda social pelas redações jornalísticas, a partir do acompanhamento sistemático das políticas públicas. O programa, lançado em 2006 pela ANDI, tem o apoio da Fundação W. K. Kellog e do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo.Útil para profissionais da comunicação, professores e estudantes de jornalismo, além de formuladores de políticas públicas, o livro, dividido em onze capítulos, contempla desde a questão da cobertura jornalística das políticas públicas sociais até o ensino do jornalismo e a agenda social.”

Custa 39,90.

A organização é de Guilherme Canela.

ainda o ensino de jornalismo

Carlos Castilho postou em seu Código Aberto uma análise bastante balanceada do atual momento vivido por professores e alunos de jornalismo: grande oferta de vagas nas escolas, procura catalisada por modismos profissionais, mudanças graves na forma de ver e fazer jornalismo e a queda no número de postos de trabalho para os recém-formados são alguns dos elementos levantados por Castilho para concluir:

“Os professores de jornalismo, e eu sou um deles, não tem alternativas senão mudar o sistema de ensino para ampliar o tempo dedicado à atividades criativas em grupo, dando aos alunos melhores condições de entrar no mercado de trabalho, seja em empresas seja como autônomo”.

Concordo que mudança em métodos de ensino sejam iminentes, incontornáveis e inevitáveis. Estamos alterando nossa postura em sala de aula, diante dos alunos e dos desafios técnicos e pedagógicos que se apresentam. Nossos alunos já chegam à escola com a possibilidade de acesso a um grau de informação muito maior que anos atrás. Nossos alunos já chegam à escola dominando máquinas, softwares e sistemas que antes eram restritos aos profissionais. Nossos alunos, muitas vezes, estão mais atualizados em termos de novas tecnologias do que supomos.

Professores de disciplinas técnicas precisam refletir sobre o que lhes sobra nessa história toda.

Professores de disciplinas teóricas precisam pensar sobre que tipo de peso e influência suas disciplinas terão na formação desse novo profissional.

Coordenadores pedagógicos devem olhar para o alunado não mais como uma massa amorfa e passiva, mas como elementos ativos que chegam – inclusive – a sinalizar por onde ir.

Coordenadores de curso precisam traçar estratágias de gestão e condução que coordenem evolução de métodos, dinamicidade nos processos, diálogo com os setores produtivos, inovação e experimentação, formação crítica e insistência na formação ética.

Aos alunos caberia o quê? Ora, continuar na marcha pela ocupação de um lugar menos passivo no processo de ensino e aprendizagem. Parece pouca coisa, mas só isso já ajuda a redimensionar a escola e o papel do professor nesse cenário. Perdoem o clichê, mas é uma revolução.

jornalismo online: princípios básicos (4)

A penúltima parte da série de cinco longos posts de Paul Bradshaw já está disponível. O jornalista britânico e um dos mais influentes na blogosfera de lá (e daqui) vem se dedicando desde fevereiro para sinalizar os princípios básicos do jornalismo online.

1. Brevidade. Leia aqui.

2. Adaptabilidade. Veja aqui.

3. Scanabilidade. Confira aqui.

4. Interatividade. Acesse aqui.

Com clareza e equilíbrio, os posts podem ser levados como curtas aulas dessa modalidade.

Não perca de vista!

ensino de jornalismo: reflexões

A dica é de António Granado, a partir de posts nos blogs de Mindy McAdams e Amy Gahran.

Vale a leitura, mas são mais preciosas as indagações que a gente se coloca após tudo isso.

Nada daquilo de que “lá é fácil dizer”.

Nada daquilo de que “isso é pros países desenvolvidos”.

Nada daquilo de que “ih! isso vai demorar”.

Também nada de aceitar posts como profecias miraculosas, dogmáticas.

Já disse outra vez aqui. É preciso sim repensar o ensino de jornalismo. No Brasil,  partir de suas peculiaridades, dos muitos vícios que contaminam a nossa prática e formação. A partir da trajetória curta dessa profissão na ainda construtiva democracia.

A pensar, a pensar, a pensar…

twitter no jornalismo; estatísticas do twitter

Dois posts bem inteligentes sobre o Twitter me animaram no final desta noite:

(*) De posse de uma novidadezinha do Twitter que permite ver estatísticas do seu próprio domínio, Adriamaral faz conjecturas sobre as redes sociais formadas por esse sistema, e sobre as pistas que se pode colher sobre a própria identidade. É um post totalmente despretensioso, mas é uma aula praqueles que não sabem extrair informações e sentidos de números e gráficos. Adriamaral sabe e manda ver!

(*) Alex Primo, ao seu estilo de sempre, alfineta sobre os “estragos” que o Twitter pode fazer ao jornalismo, levando-o à sepultura. Será mesmo? Vá conferir.

o jornalismo investigativo já era?

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The end of investigative era? é uma das chamadas de capa do mais recente número da British Journalism Review.

O sumário é o seguinte:

David Leigh – Time to climb out of the sewer

Ivor Gaber – The myth about Panorama

Roy Greenslade – People power

Joseph Harker – Ethnic balance: race against the tide

Chris Moss – Travel journalism: the road to nowhere

Bill Hagerty – Tony Hall: fighter pilot, enter stage left

Kevin Sutcliffe – Not guilty – but who?s to know?

Tom Whitwell – Rogue elephant: editing in cyberspace

Lauren Bravo – The devil wears Primark

John Knight – Last of the long goodbyes

E por aí vai… o melhor: no site da publicação é possível ler os textos na íntegra.

international symposiun on online journalism

Começa amanhã em Austin a 9ª edição do Simpósio Internacional sobre Jornalismo Online, uma promoção da Cátedra Knight de Jornalismo e da Cátedra Unesco de Comunicação da University of Texas, e que tem por trás o brasileiro Rosenthal Calmon Alves.

A programação vai até sábado, e resumidamente, envolve essas temáticas:

  • Newspapers in the Time of Cholera: A Healthy Prescription for an Ailing Industry
  • Hybrid Newsroom for the Digital Age: Journalists are reorganizing their routines, learning new skills and doing their best to work for multiplatform, multimedia operations. How are integrated newsrooms (i.e., print + digital) working so far?
  • Emerging Business Models: Traditional media are struggling to adapt their old business models to respond to the devastating effects of disruptive, digital technologies, while a new generation of media companies is creating fresh, innovative new models. Will those efforts result in profitable businesses that would finance journalism as it happened during the last century?
  • Communities: The old, passive audiences are increasingly becoming clusters of new, active communities that still read, listen and watch the media, but demand to be read, listened and watched. Engaging those communities has become high priority for the media, but are their efforts succeeding?
  • Multimedia and Interactivity: Faster Internet connections and cheaper network and storage space have paved the way to more video and audio and more database journalism projects on the Web. Are online journalists finally taking advantage of the multimedia and interactive capabilities of the Internet?
  • News Games: Video games have become serious games and started playing an increasingly important role in education and professional training. Can video games now become a more common tool to help journalists to tell the story?
  • All for One and One for All? A Spanish Experience of Research About Media Convergence
  • Managing the Production of Online Journalism
  • Social Networking and User-Generated Content
  • Citizen Producers, Bloggers and the Evolution of Journalism
  • Issues in Online Journalism Research

Como tenho que dar aula nesta sexta à noite e tenho compromissos familiares no sábado, vou acompanhar os debates e falações por quatro canais:

O site oficial do evento, aqui.

O blog do evento, que conta com nada mais, nada menos que 15 repórteres (!)

O blog e o Twitter do António Granado, que está lá e participa do simpósio.

Ah! Dá pra assistir por um canal de vídeo em tempo real também: aqui

Dois brasileiros estão entre os convidados das mesas, a professora Elisabeth Saad (USP) e o jornalista Fernando Rodrigues (Folha de S.Paulo).

contribuições ao seminário de jornalismo

Reproduzo notícia do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina 

“As contribuições para os debates do II Seminário do Programa Nacional de Estímulo à Qualidade do Ensino de Jornalismo e do Estágio Acadêmico serão aceitas até 18 de março. O evento, marcado para Florianópolis, de 27 a 30 de março, juntamente com o I Seminário sobre o Conhecimento do Jornalismo, será consultivo. O objetivo é elaborar atualizações dos dois programas a serem encaminhadas para deliberação no XXXIII Congresso Nacional dos Jornalistas, no mês de agosto, em São Paulo.

Profissionais, professores, estudantes, Cursos de Jornalismo e Sindicatos de Jornalistas inscritos devem encaminhar suas propostas para o e-mail formacao@fenaj.org.br . Os documentos-base para os debates são:

Programa Nacional de Projetos de Estágio Acadêmico 2006 

Programa de Qualidade de Ensino 2004

Os organizadores do evento solicitam que as contribuições a cada um dos programas sejam encaminhadas separadamente, que não ultrapassem cinco páginas cada uma e que sigam os formatos dos dois programas. Após o dia 18, as contribuições serão disponibilizadas no site da FENAJ para que os interessados possam analisá-las e imprimi-las”.