mais jornalismo em portugal

Jorge Pedro Sousa avisa que está no ar o site Teorização do Jornalismo em Portugal, uma iniciativa da Universidade Fernando Pessoa e da Fundação Fernando Pessoa.

Conforme explica o próprio Jorge Pedro, “trata-se da versão inicial e experimental do sítio de um projecto que estamos a desenvolver (…) e que visa recuperar o pensamento jornalístico português produzido até ao 25 de Abril de 1974. Pretendemos fazer do referido sítio uma espécie de biblioteca de resumos de livros sobre jornalismo publicados em Portugal, por autores portugueses, antes de 1974. Dos 350 livros que inventariámos em bibliotecas (primeira
fase do projecto), já temos fichas de leitura de cerca de 120, maioritariamente elaboradas pelos alunos de Ciências da Comunicação da UFP (sem dinheiro da FCT, não foi possível fazer as coisas de outra maneira). Também se encontram no sítio do projecto textos de interpretação, contexto e resultados”.

O projeto tem previsão de conclusão no ano que vem. Entre os pesquisadores envolvidos, está minha querida amiga Monica Delicato, brasileira que faz mestrado do outro lado do Atlântico.

efeito universal na força sindical

Se a Igreja Universal ficou ofendida com as reportagens da Folha de S.Paulo, agora é a vez do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, que ameaça uma enxurrada de processos contra o jornal. Tudo porque a Folha trouxe matérias sobre repasses do Ministério do Trabalho à central sindical.

Se você não está entendendo, lembre-se que o ministro do Trabalho Carlos Lupi é presidente do PDT, mesmo partido de Paulinho da Força.

E se você não se lembra, recordo que o mesmo ministro foi pressionado a deixar o cargo pela Comissão de Ética do governo federal, já que era complicadíssimo manter-se presidente de um partido e ministro de estado. Deu no que deu. Ele não saiu da pasta, caiu o presidente da comissão de Ética – Marcílio Marques Moreira -, houve repasse de dim-dim par entidade de Paulinho e Paulinho, bravinho, ameaça vir com mil, dois mil processos pra cima da Folha.

Leia matéria aqui: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u379159.shtml

A Fenaj reagiu contra a ofensiva da Universal. A Fenaj é filiada à Central Única dos Trabalhadores, que rivaliza com a Força Sindical no campo da representação classista no país. Meu bom senso me faz supor que a Fenaj vai bater na Força, agora. Será?

jornalismo online: princípios básicos (3)

Paul Bradshaw oferece a terceira parte de seus posts especiais sobre os princípios básicos do jornalismo online.

O primeiro foi Brevidade. Em seguida, veio o Adaptabilidade. Agora, o Scanabilidade.

Neste blog, já dei algo sobre isso aqui e aqui.

um golpe contra a lei de imprensa

O Supremo Tribunal Federal concedeu liminar contra artigos essenciais da Lei de Imprensa. Com a medida – provisória até que o STF julgue o mérito da ação -, ficam suspensas penas de prisão por calúnia, injúria e difamação que tiveram como base a Lei de Imprensa (5250/67). O Código Penal já trata da matéria.

O STF deu liminar com base em ação do PDT, que – capitaneado pelo deputado, jornalista e ex-ministro das Comunicações Miro Teixeira – quer derrubar a lei como um todo. Segundo argumenta o PDT, a 5250 é inconstitucional.

(Para ler matéria do G1 sobre isso, clique aqui ou da Folha de S.Paulo, aqui)

(Para saber da medida, tim-tim por tim-tim, vá ao Consultor Jurídico)

(Quer ler a liminar? Leia aqui em pdf)

A lei é inconstitucional? É sim, em diversas partes, ainda mais quando trata da censura de espetáculos e diversões (um dos trechos atingidos pela liminar). A lei é de 1967, e é tida como um dos entulhos autoritários, aquela legislação que restou após a queda da ditadura militar em janeiro de 1985.

Diversos países não têm lei de imprensa, e em alguns – como nos Estados Unidos – é inclusive proibido legislar sobre a mídia, de forma a constrangê-la ou impedir o seu trabalho. Quem garante isso é a tal Primeira Emenda, que os americanos tanto arrotam nos filmes.

De qualquer forma, a liminar não é uma surpresa por três motivos:

1. Miro Teixeira e o PDT fizeram alarde no Congresso reunindo assinaturas para um pedido de revogação da 5250/67.

2. A lei é flagrantemente obsoleta, inconstitucional e inóqua, já que muitos juristas e cortes já nem mais a levavam a sério. Para processos do tipo, recorriam ao Código Penal, mais forte e sem contestação jurídica.

3. Nem a mídia, nem a sociedade defendiam mais a lei, o que abre largos flancos para a sua derrota.

Há décadas, tramitam no Congresso diversos substitutivos da 5250. O mais avançado – para se ter uma idéia é de 1992.

A liminar do STF vem num momento oportuníssimo de discussões acirradas na mídia brasileira. Dois embates de grandes proporções estão em campo: um que envolve a Igreja Universal do Reino de Deus e a Rede Record contra Folha de S.Paulo, Extra e A Tarde; e outro que mobiliza o jornalista Luís Nassif contra a poderosa Veja (aqui o estopim da história, um resumo do Código Aberto, e sua sequência, aqui).

O ano já começou, senhores!

jornalismo: 20 mudanças em 10 anos

Paul Bradshaw listou na Press Gazette dez grandes modificações no panorama jornalístico que aconteceram na última década. Há de se concordar com todas elas, mas há mais. Bradshaw se restringe aos câmbios de cultura provocados pelo avanço tecnológico. Mas a realidade é maior.

As mudanças enumeradas pelo jornalista britânico são:

  1. From a lecture to a conversation
  2. The rise of the amateur
  3. Everyone’s a paperboy/girl now
  4. Measurability
  5. Hyperlocal, international
  6. Multimedia
  7. Really Simple Syndication
  8. Maps
  9. Databases
  10. Just a click away

Ok, ok. Eu gostaria de adicionar mais dez:

  1. A mídia está se tornando cada vez mais concentrada no mundo todo
  2. Cresce o número de processos contra jornalistas, seja porque esta é uma nova modalidade de hostilização dos poderosos, seja porque as vítimas da mídia recorrem mais aos tribunais
  3. Meios alternativos proliferam-se; alguns vingam, outros não. Ainda há instabilidade no mercado
  4. Cada vez se paga menos por conteúdos oferecidos online
  5. As mulheres invadiram as redações (bem como as escolas de comunicação, onde já são a maioria disparada dos alunos)
  6. A categoria jornalística – ao menos no Brasil – está mais desmobilizada do que nos anos 70, 80 e 90
  7. Explodiu o número de escolas de comunicação no país
  8. Jornalistas em cargos de chefia ou coordenação tem se rendido aos critérios do campo da administração para conduzir seu trabalho (repetem como ventrílocos  termos como reengenharia, inteligência emocional, tomada de decisão, endomarketing, market share…)
  9. Os departamentos jurídicos são cada vez mais influentes e decisivos nas empresas jornalísticas, cabendo a eles – em muitos locais – a última palavra sobre publicar ou não a matéria
  10.  O politicamente correto não tornou o jornalismo um produto melhor que antes

E aí? Quem tem mais dez novidades?

fenaj lança nota contra igreja universal

A Federação Nacional dos Jornalistas lançou agora há pouco uma nota de repúdio à Igreja Universal do Reino de Deus e à Rede Record no episódio que já é uma das mais agudas perseguições à profissão no Brasil neste ano.

Para saber mais sobre a guerra entre a Universal e a mídia (leia-se jornal Extra, A Tarde e Folha de S.Paulo), acesse aqui (matéria de Elvira Lobato sobre a IURD), aqui (matéria sobre processos dos fiéis contra a mídia) e aqui (IURD desmente ações orquestradas).

Na segunda à noite, o jornalista Juca Kfouri fez um amplo desagravo à Elvira na mesa redonda que acontece semanalmente no canal ESPN Brasil. Juca apoiou a série de reportagens de Elvira e foi seguido em suas manifestações por outros jornalistas do mesmo programa, como João Palomino, Marcio Guedes e Fernando Calazans.

Durante a semana, surgiram outras manifestações de apoio às matérias investigativas dos jornais processados.

No portal Arca Universal, chamam a atenção duas notícias. Numa, de ontem, a matéria repercute a reportagem exibida no domingo sobre o “preconceito religioso” a que está sendo vítima a igreja. Na segunda matéria do portal, convocam o presidente da república, Lula, para abafar que esteja em curso uma série de atentados contra a liberdade de imprensa. 

Reproduzo a nota da Fenaj abaixo:

“Nota Oficial
Jornalistas repudiam intimidação da Universal 
A Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia e demais Sindicatos do país filiados à FENAJ  repudiam, com veemência, a atitude da direção da Igreja Universal do Reino de Deus, que desencadeia campanha de intimidação contra jornalistas no exercício da profissão.Também apelam aos Tribunais e ao Superior Tribunal de Justiça no sentido de alertá-los para ações que se multiplicam a fim de inibir o trabalho de jornalistas em todo o país. O acesso e a divulgação da informação garantem o sistema democrático, são direitos do cidadão, e o cerceamento de ambos constitui violação dos direitos humanos.
A TV Record, controlada pela Universal, chegou ao extremo, inadmissível, de estampar no domingo, em cadeia nacional, a foto da jornalista Elvira Lobato, autora de uma matéria sobre a evolução patrimonial da Igreja, publicada na Folha de S.Paulo. Por esse motivo, Elvira responde a dezenas de ações propostas por fiéis e bispos em vários estados brasileiros.
Trata-se de uma clara incitação à intolerância e do uso de um meio de comunicação social de modo frontalmente contrário aos princípios democráticos, ao debate civilizado e construtivo entre posições divergentes.
O fato de expor a imagem da profissional em rede nacional de televisão, apontando-a como vilã no relacionamento com os fiéis, transfere para a Igreja a responsabilidade pela garantia da integridade moral e física da jornalista.
A Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia e demais Sindicatos exigem que os responsáveis pela Igreja Universal intervenham para impedir qualquer tipo de manifestação de intolerância contra a jornalista.
O episódio nos remete à perseguição religiosa, absurda e violenta, praticada por extremistas contra o escritor Salman Rushdie, autor de Versos Satânicos, e as charges de Maomé publicadas no jornal dinamarquês Jyllands-Posten.
O jornalista Bruno Thys do jornal carioca Extra também é processado pela Universal em cinco cidades do Estado do Rio de Janeiro. O repórter Valmar Hupsel Filho, na capital baiana, já responde a pelo menos 36 ações ajuizadas em vários estados do Brasil, nenhuma delas em Salvador, sede do jornal A Tarde, onde trabalha.
Há evidência de que essas ações, com termos idênticos, estão sendo elaboradas de forma centralizada, distribuídas e depois impetradas em locais distantes, para dificultar e prejudicar a defesa, além de aumentar o custo com as viagens dos jornalistas ou seus representantes.
Encaminhados à Justiça com o nítido objetivo de intimidar jornalistas, em particular, e a imprensa, em geral, esses processos intranqüilizam e desestabilizam emocionalmente a vida dos profissionais e de seus familiares. Ao mesmo tempo, atentam claramente contra os princípios básicos da liberdade de expressão e manifestação do pensamento.
Em um ambiente democrático e laico, é preciso compreender e aceitar posições antagônicas e, mais ainda, absorver as críticas contundentes, sem estimular reações de revanche ou mesmo de pura perseguição.
Este episódio repete, com suas consideráveis diferenças, outras situações em que os meios de comunicação exorbitaram os fins para os quais foram criados. A Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia e demais Sindicatos sustentam que a imprensa não pode se confundir com partidos políticos, crenças religiosas ou visões particulares de mundo.
Brasília, 20 de fevereiro de 2008.
Diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas
Diretoria do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro
Diretoria Sindicato dos Jornalistas da Bahia”

jornalismo online: princípios básicos (2)

Paul Bradshaw dá continuidade a sua série de posts que refletem sobre as mudanças que o jornalismo online está promovendo não só no consumo, mas na cozinha da coisa, afetando também os jornalistas. São, como ele mesmo escreveu, princípios básicos.

Se o primeiro capítulo foi a Brevidade, este de agora trata da Adaptabilidade dos profissionais aos novos cenários.

O post é longo, mas serve como uma aula. Para ler, pensar, contestar ou concordar. Mas não deixar passar em branco.

sobre comentários e sobre ferramentas

Dois comentários de RogerKW me fertilizaram a cabeça esta noite.

O primeiro se refere aos próprios comentários em sites de notícias, por exemplo.

RogerKW critica o fato de os administradores de um site de uma rádio AM de Brusque deixarem os comentários abertos nas notícias de polícia, o que estaria se transformando num festival de intolerância, truculência, reacionarismo.

“Eles deixaram os comentários abertos, senão ninguém participa. Reacionária a coisa por parte da própria população, mas tudo bem, até tem justificativas. Aqui, por exemplo, tem uma dessas matérias de polícia:
http://www.radiocidadeam.com.br/noticia.php?cod_noticia=1621

Bom, é só de curiosidade mesmo. Pior que essas coisas “povão” dão audiência pra caramba. Matéria de política mal tem acesso. De polícia, extrapola os comentários. O que é sensacionalista são as fotos dos caras presos e tal.”

Entendo a preocupação de RogerKW. Mas daria para ser diferente? Os administradores deveriam fechar o acesso? Não permitir a participação das pessoas na seção de polícia e sim nas demais? Como motivar a interatividade e o interesse em outras áreas?

Algumas respostas e perguntas pessoais e transitórias.

1. Sites e blogs não podem mais conviver sem o espaço para a participação popular. Seria um retrocesso. Permitir o comentário e fechar a leitura não é solução.  Diversos sites optam por algumas formas de controle, seja moderando as mensagens, seja estabelecendo regras para os comentários – rechaçando ofensas, racismo e discriminação, seja ainda não permitindo o anonimato.

2. Sobre o anonimato, também concordo. Sou contra. Aliás, a própria Constituição veta essa prática. Na web, a coisa fica mais complicada porque o cidadão pode burlar o anonimato, inventando uma máscara, com dados fictícios. Não que isso fosse impossível antes. Claro que alguém poderia inventar endereço e nome e mandar cartas à mídia, detonando tudo e todos. Mas taí uma coisa que precisamos resolver: como lidar com a identidade e a identificação do público.

3. Uma pergunta capciosa: ao aumentarmos o rigor na identificação não iremos – de alguma forma – constranger ou reduzir a participação pública?

4. Como combater o conservadorismo, o ódio e a agressividade de alguns internautas? Nossa! Se eu tivesse a solução pra isso…

 ***

Um segundo comentário de RogerKW se refere aos posts que coloco aqui sobre blogueiros, professores e profissionais que martelam na tecla de ensinar a usar ferramentas e recursos.

“tu não acha que tem muita gente discutindo ferramenta em vez de discutir a profissão? Não sei (tenho essa impressão reforçada por lê-la), mas me parece que a preocupação é em educar os jornalistas a usar blogs, leitor de feeds, etc – o que é extremamente primário. Enfrentamos uma burocratização da profissão, queda de publicidade, enxugamento de redações e a web é uma coisa mutante”.

Eu penso que as coisas são diferentes, podem se complementar e não são excludentes.

Há espaço e leitores para os tecnófilos e para os mais reflexivos. Não se sobrepõem em importância. Mas temos que considerar que as realidades de Paul Bradshaw e Mindy McAdams são bem distintas das nossas. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, a discussão sobre a profissão passa por outros caminhos. Falo tanto do ponto de vista classista quanto teórico.

De qualquer forma, não tenho dúvidas de que temos que acompanhar o que pensam e escrevem esses caras (e outros). E mais importante ainda: precisamos NÓS escrever, pensar, produzir e publicar conteúdos na blogosfera nacional que sirva aos usuários desta mesma blogosfera.

jornalismo e cineminha

Tive sorte. Com essa mensagem up, o blog Yo Tube Suerte faz trocadilho com o maior site de vídeos do mundo e ainda oferece uma série de coleçõezinhas legais.

Tem uma com os 100 melhores filmes sobre jornalismo.

Tá, lista é sempre pessoal e discutível, mas esta vale a pena dar uma olhadinha.

o fim do ancapital (2)

Dois blogs de experientes e influentes jornalistas do estado comentam (e criticam, e lamentam) o fim do ANCapital:

Cesar Valente

Carlos Damião

o fim do ancapital

Depois de comprar o concorrente A Notícia, o Grupo RBS – do Diário Catarinense e do Jornal de Santa Catarina – decidiu agora fechar o ANCapital, suplemento de A Notícia que circulava na Grande Florianópolis. O jornal deixa de circular amanhã, dia 1º de fevereiro.

Trabalhei em A Notícia entre 1998 e 1999. Em 1997, frilei por lá. Na época, o ANCapital não era um encarte, mas um “excarte”. O suplemento trazia o AN. Era importante para a região, o único que tratava de assuntos locais mesmo. Depois, a própria empresa medrou e jogou o jornal para dentro. Mais ainda: encurtou o AN, e tornou-o um tablóide.

Aí, veio a RBS e arrematou o concorrente, domesticando o mercado. (Para saber da história toda, siga o Jacques Mick)

A história do ANCapital termina amanhã. O sindicato e a Fenaj se apressaram a emitir nota. Veja:

“Contra o desemprego, contra o fechamento do AN Capital, contra o monopólio!

A Direção do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e a Direção da Federação Nacional dos Jornalistas repudiam o fim do AN Capital, segmento do jornal impresso A Notícia que deixa de circular nesta sexta-feira na Grande Florianópolis, assim como repudia a demissão de experientes profissionais do jornalismo catarinense. Desde a aquisição do A Notícia pela RBS, no final de 2006, o monopólio da comunicação em Santa Catarina estabeleceu o rumo do AN Capital: na época da transação, a redação contava com cerca de 30 jornalistas e, nesta quinta-feira, ao anunciar a última edição, alegando questões financeiras, havia apenas 12. O Sindicato e a Federação reiteram sua posição em defesa da diversidade de olhares, para uma informação plural e democrática – sem o AN Capital, a comunidade perde uma possibilidade de visão diferenciada sobre os fatos -, assim como exigem da RBS a manutenção de todos os postos de trabalho dos jornalistas cujas demissões foram anunciadas. Florianópolis, SC, 31 de janeiro de 2008.  Direção do SJSCDireção da FENAJ”

jornalismo 2.0: em português!

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Em julho, disse por aqui que Mark Briggs acabara de lançar o livro Journalismo 2.0, com versão em PDF, de graça para baixar. Pois o Knight Center for Journalism in the Americas acaba de anunciar o lançamento das versões em espanhol e português do mesmo livro. A iniciativa democratiza ainda mais as boas e inteligentes reflexões de Briggs.

Em espanhol, a tradução e o prólogo são de Guillermo Franco, o competente editor de El Tiempo, da Colômbia.  A edição em português está a cargo do antenado Carlos Castilho.

Para baixar a versão em português, clique aqui.

arquitetura do jornalismo online

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 “Uma escola não é um museu, e um cinema não é um restaurante. Se um jornal fosse um edifício, que tipo de construção ele seria?”

Quem pergunta e arrisca a resposta é Mindy McAdams. (com base em Jeffrey Zeldman)

de salvador a brusque (e vice-versa)

O que é uma frase certa nos ouvidos certos!
Ontem, postei aqui um punhado de trechos de falas do debate que tivemos sobre o papel e a importância dos observatórios de meios na democracia. A frase foi dita pelo professor Clóvis de Barros Filho, da ESPM e USP: “Essa história do saber prático que se dissemina no mercado jornalístico faz do professor de ética um ser bizarro”.

Dita aqui em Salvador, a frase ecoou em Brusque (SC). Rogério Kreidlow, jovem e angustiado jornalista, parte dela para construir um raciocínio sobre o mínimo esforço, a mentalidade tacanha reinante nas empresas jornalísticas e a busca de alternativas para a pequena mídia. Para ler e pensar.

notícia das alagoas

Minha amiga Rossana Gaia é quem manda…

“Conselho de Comunicação se autoconvoca para discutir extinção da Secom

Por solicitação do Sindicato dos Jornalistas e de outras entidades da área de comunicação, será realizada nesta quarta-feira uma reunião extraordinária do Conselho Estadual de Comunicação, para discutir entre outros assuntos a proposta de extinção da Secom, em elaboração pelo governo do Estado.


O projeto de extinção da Secretaria e sua transformação em agência encontra forte resistência não só das entidades de classe da área, mas de toda a imprensa alagoana e de representantes de outros poderes no Conselho Estadual. Um dos que já se declarou contrário foi o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Antônio Albuquerque.


“Se o governador Teotônio Vilela e o secretário Álvaro Machado (Gabinete Civil) tivessem a consideração de ouvir o Conselho, que é consultivo, saberiam que essa proposta não tem eco na sociedade e é prejudicial ao Estado”, disse o presidente do Sindjornal, Carlos Roberto Pereira.
De acordo com o jornalista, Vilela e Machado precisam encarar a Secom não apenas como um órgão administrador de verbas publicitárias e de divulgação dos atos do governo, mas como instrumento para a promoção de políticas públicas na área de comunicação. “A sociedade e a população não precisam de uma agência para fabricar release (matérias promocionais do governo). Precisam de uma Secretaria que seja forte, valorizada, dinâmica e invista em comunicação educativa, comunitária. É papel do poder público contribuir para o fortalecimento e a democratização da comunicação, não relegá-la a segundo plano ou ao papel de coadjuvante”, acrescentou. 
Para o Sindjornal, a Rádio Educativa, a TVE e a Rádio Difusora, que passaram no início do ano a fazer parte da estrutura da Secom, deveriam estar cumprindo, junto com a Secretaria, o papel de canais alternativos, públicos e democráticos de comunicação, mas também não vêm sendo valorizados e recebendo investimentos do governo. Pelo contrário, denuncia a entidade, estão passando por um processo de precarização, inclusive com a contratação de pessoal sem concurso público, quando há concursados esperando por nomeação.
“Estamos com diversos ofícios do Instituto Zumbi dos Palmares onde o órgão solicita a nomeação de concursados. Nenhum pedido, no entanto, foi atendido pelo governador ou teve prosseguimento no Gabinete Civil”, afirma o presidente do Sindjornal. A situação, segundo ele, se repete na administração direta, onde jornalistas ocupam funções técnicas através de cargos comissionados, por serviços prestados ou desviados de função.  Enquanto isso, há dezenas de profissionais aprovados em concurso público que não foram convocados. “O governo deveria dar exemplo, mas é o primeiro a descumprir a legislação”.
Essa situação também será abordada na reunião desta quarta do Conselho Estadual de Comunicação. Participam do Conselho, além do Sindicato dos Jornalistas, representantes do Sindicato dos Radialistas, da Associação Brasileira de Relações Públicas, das rádios comunitárias, dos publicitários, das empresas de comunicação, da Universidade Federal de Alagoas, da Assembléia Legislativa, do Tribunal de Justiça, do Instituto Zumbi dos Palmares e da Secretaria de Comunicação.
Esta será a primeira vez que o Conselho Estadual de Comunicação estará se reunindo no governo Téo Vilela. Diversas entidades reclamam que o governo tem desprestigiado esse fórum de discussão do Poder Executivo, que foi criado na gestão anterior e é pioneiro no Brasil. “Infelizmente, o governo tem desprestigiado não só o Conselho, mas os jornalistas e a imprensa como um todo”, lamenta Carlos Roberto.
O secretário Álvaro Machado tem dito que a extinção da Secom e sua transformação em agência de fomento não mudarão a estrutura de comunicação do Estado. Mas as entidades de classe discordam e acreditam que haverá não só uma diminuição estrutural, mas uma redução do papel do Estado nesse setor. “Se nada muda, porque então extinguir a Secretaria?”, questiona o Sindjornal.”

bibliografia de jornalismo online

A dica é de Mindy McAdams, mas a lista é de Paul Bradshaw. Uma lista dos 10 livros mais importantes sobre jornalismo online. Ok, ok, o próprio Bradshaw alerta que o TopTen virou TopSix, mas vale ao menos saber o que se considera – toda lista tem seu subjetivismo – relevante na produção em língua inglesa sobre o campo…

Para encurtar a história, os indicados pelo senior lecturer da Birgmingham City University são:

  1.  Gatewatching by Axel Bruns
  2. Online News by Stuart Allan
  3. Online Journalism Ethics by Friend & Singer
  4. We Media by Dan Gillmor
  5. Journalism Online by Mike Ward
  6. Flash Journalism by Mindy McAdams

No Brasil, a bibliografia sobre jornalismo online ainda é restrita, mas crescente a cada ano. Penso que já temos condições de fazer uma TopTen com os títulos mais influentes e importantes. Quem se habilita?

PS – Por falar nisso, Beatriz Ribas e Marcos Palacios convidam para o lançamento de seu mais novo livro: Manual de Laboratório de Jornalismo na Internet. O evento acontece no sábado, 10, às 17 horas no Corredor da Vitória, em Salvador.

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de onde vem a objetividade?

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Francis Pisani, jornalista que mantém um blog sobre tecnologias no Le Monde – Transnets, responde à questão no site de Philippe Gammaire, o UniversMedias:

– A objetividade foi inventada. E pelos americanos! E pra ganhar mercado!

Ok, a gente já sabia disso. Mas vale a pena ler na íntegra aqui.

a salvação do jornalismo cão de guarda?

Kelly McBride, do Everyday Ethics – seção preciosa do Poynter -, se questiona esta semana se não são os serviços de informação sem fins lucrativos a salvação para o jornalismo cão de guarda. Essa expressão soa melhor em inglês mesmo: watchdog journalism. E aponta para repórteres e meios de comunicação que acompanham de perto os movimentos dos poderes, fiscalizando, denunciando e fazendo aquela essencial marcação cerrada.

A questão de Kelly nos parece um pouco alienígena aqui no Brasil. Afinal, não temos por aqui redações mantidas por generosas doações de bilionários, como a ProPublica, mencionada por Kelly. De qualquer forma, o assunto interessa a todos aqueles que vêem no jornalismo uma forma de contrapoder, de instrumento da sociedade frente aos poderes constituídos.

Por aqui, temos soluções como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e ONGs, como a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), que atuam junto aos profissionais, à academia, mas pouco ainda sensibilizam o empresariado e a sociedade como um todo. Claro que isso está condicionado ao tempo e à intensidade dos trabalhos destes atores, mas como seria interessante contar com iniciativas que viessem também das empresas e das elites…

(Para depois: esse assunto me faz lembrar do ótimo Watchdog Journalism in South America, de Silvio Waisbord. Fácil de encontrar na Amazon Books…)

jornalismo, jornalistas e uma lembrança importante

Duas dicas telegráficas de leitura:

Pedro Doria esquadrinha uma redação genérica, apresentando os personagens desse ofício

Luís Weiss alerta para não repetirmos a Escola Base

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um manual que deixa a desejar

A Fenaj deixou em sua página a versão eletrônica para download do seu Manual de Assessoria de Comunicação Imprensa 2007. Esta é a quarta edição “revista e ampliada” e conta com 45 páginas. Para baixar, clique aqui. Mas não se anime tanto: o manual poderia ser bem melhor. Rapidamente, aponto seis problemas:

  • A contextualização histórica do exercício profissional em assessoria “no mundo” e “no Brasil” é apressada e até primária. Penso até que um manual como esse poderia prescindir disso, mas como ele inicia com isso…
  • A seção “O que o futuro reserva” é limitada, e não traça perspectivas tão claras e confiáveis.
  • No trecho do perfil do profissional, acho que a Fenaj poderia trazer dados de pesquisas que mostrem como é esse assessor no Brasil, por regiões, quem sabe por setores de atuação, etc… Além do que, esses dados permitiria pensarmos em públicos e mercados nesse segmento…
  • Na parte em que o manual afirma que “assessoria de imprensa é função de jornalista”, a Fenaj relaciona trechos da legislação que regulamenta a profissão de jornalista, pinçando frases que podem sustentar uma defesa nesse sentido. Ok, mas há um problema. A Fenaj nem menciona que os relações públicas têm uma regulamentação profissional mais atual que a nossa e que eles, sim, estão tecnicamente habilitados (isto é, regulares diante da lei) para atuar na área.
  • A bibliografia no final do volume não é atual, e conta com títulos que há muito deixaram as estantes das livrarias, pois estão esgotados ou superados;
  • O manual traz a composição da Comissão de Jornalistas em Assessoria de Comunicação da Fenaj desde 1990. A quem interessa isso?

Pra não dizer que só falei mal, destaco dois pontos positivos no manual:

  • Ele traz o novo código de ética dos jornalistas, aprovado há poucos meses;
  • O manual traz um modelo de contrato de prestação de serviços que os jornalistas – enquanto assessores – podem usar.

uma série para não perder de vista

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O Observatório da Imprensa está publicando uma série de quatro artigos de Eugenio Bucci sobre jornalismo, liberdade e responsabilidade social. O conjunto tem o título geral “A imprensa e o dever da liberdade – a responsabilidade social do jornalismo em nossos dias”. Alguns dos textos vão compor um livro que a ANDI deve lançar ainda este ano, articulando conceitos como desenvolvimento humano, políticas públicas e jornalismo responsável.

  • O primeiro artigo do jornalista foi “A missão de servir ao cidadão e vigiar o poder” e pode ser lido aqui.
  • O segundo artigo, publicado esta semana no OI, é “A liberdade de imprensa entendida como um dever”, e pode ser conferido aqui.

Esta é uma série que não pode ser ignorada por aqueles que se interessam por pensar o jornalismo na sua dimensão ética e prática com a sociedade.

a crise dos jornais e o lugar certo na prateleira

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 Gente mais esperta já disse que quando o autor escreve, ele perde a obra para o leitor. Não tem mais domínio, e a leitura é uma outra forma de escritura, de colocação de sentido, de produção de entendimento. Ok, ok. Concordo, mas às vezes o autor perde o “controle da coisa” antes mesmo de o leitor folhear a obra.

Foi o que percebi dia desses lendo o imperdível “Os jornais podem desaparecer?”, de Philip Meyer.

O livro trata da já gritada crise dos jornais impressos e tenta avaliar – com base na evolução da indústria norte-americana – possíveis tendências e saídas para o mercado. Para quem não se lembra, Meyer é um dos nomes mais respeitados das escolas norte-americanas de Jornalismo e foi um experiente profissional naquelas bandas. O “pretexto” do autor para o livro é o seguinte: precisamos entender o problema para tentarmos resolvê-lo. Isto é, o autor nos convida a conhecer o que é “jornalismo enquanto negócio” para que nos mantenhamos em “nossas plataformas”. Assim, o livro tem como público os jornalistas, e tenta estimulá-los a saber um pouco mais do que as técnicas jornalísticas, e se comprometam também com a “salvação” da lavoura.

Até aí tudo bem.

Acontece que em duas livrarias que visitei o livro de Meyer não estava na estante de Jornalismo ou Comunicação. Estava na de Administração e Negócios. Numa terceira loja, o livro não estava à venda, pois a moça argumentou que eles apenas comercializavam obras de ciências humanas. Sei…

Olhei a ficha catalográfica do livro e lá consta na ordem: Jornais. Jornalismo. Jornalismo – aspectos econômicos.

Mesmo assim, quem colocou os livros na prateleira “errada”? Não foi um acidente, afinal vi isso em duas lojas diferentes e concorrentes. Quem?

Parece uma discussão boba essa, mas não. Se há uma corrida para buscar soluções para jornalismo, se as empresas jornalísticas enfrentam quedas constantes de tiragem, se os gestores tentam buscar novas receitas para uma sobrevivência dos jornais, qualquer sinalização de saída  da crise – mesmo que num modesto livro – é bem vinda e deve ser levada adiante. Colocar o livro no lugar errado é como deixar a chave do apartamento em chamas trancada do lado de fora. E com o proprietário dentro…

record news, o começo

Assisti pela TV a abertura oficial do Record News, o auto-alardeado primeiro canal 24 horas de notícias de sinal aberto. A “cerimônia” foi rapidinha, meia hora. Mas foi entre o brega e o paroquial. Explico.

  • Celso Freitas adotou um tom cerimonioso, usando formas de tratamento não usuais na TV, como “excelentíssimo senhor”, “ilustríssimo”, etc.
  • Lula, Serra, Kassab prestigiaram o evento. Ficaram sentadinhos e bonitinhos. Os dois primeiros falaram, o prefeito não. Acho que houve um certo temor de que ele enxotasse alguém aos berros…
  • Celso Freitas confidenciou que em 1989 a Record quase faliu, mas “um projeto inovador” salvou a emissora. Ele tava se referindo à Igreja Universal…
  • Celso Freitas anunciou a palavra do “proprietário”, isso mesmo, proprietário da Rede Record, o bispo Macedo. E ele falou. Claro que terminou falando de deus…
  • Lula terminou seu discurso recitando versos do Hino à República: “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós…”
  • Lula e Edir Macedo – no maior estilo inauguração de hidrelétrica ou início de pregão na bolsa – deram início às operações do canal, apertando o botão NO AR.
  • Fafá de Belém, isso mesmo, cantou o hino nacional.
  • Em rápidos takes na platéia, deu pra perceber que havia lugares vazios. Mas não dá pra reclamar: tinha o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, e ministros como o dos Esportes (Orlando Silva) e do Turismo (Marta Suplicy)…
  • Terminou rápido porque os salgadinhos estavam esfriando.

Pode parecer brincadeira, mas foi assim mesmo que aconteceu.

Pessoalmente, torço para que o canal dê certo e que seja mesmo aberto. Eu tenho TV a cabo, mas o sinal da ex-Rede Mulher não chega aqui. Então, de 24 horas de jornalismo em sinal aberto, o “aberto” é só um adjetivo vazio pra mim.

Mas torço pra dar certo, sim. Só que eles podiam me poupar as risadas na abertura…

novo código de ética dos jornalistas

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou o texto final do novo Código de Ética do Jornalista Brasileiro. O processo de modernização do instrumento começou em 2004 e se estendeu até julho deste ano, com democrático debate nacional.

  • Para saber mais sobre esse andamento, leia aqui.
  • Para saber como especialistas avaliam o novo código, veja aqui.
  • Se você tem fôlego e interesse, leia o que já comentei desse tema aqui. Ou navegue pelas tags (aí ao lado) e busque “Ética Jornalística”

Veja a íntegra do documento:

Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros

Capítulo I – Do direito à informação

Art. 1º O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros tem como base o direito fundamental do cidadão à informação, que abrange seu o direito de informar, de ser informado e de ter acesso à informação.
Art. 2º Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que:
I – a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente de sua natureza jurídica – se pública, estatal ou privada – e da linha política de seus proprietários e/ou diretores.
II – a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público;
III – a liberdade de imprensa, direito e pressuposto do exercício do jornalismo, implica compromisso com a responsabilidade social inerente à profissão;
IV – a prestação de informações pelas organizações públicas e privadas, incluindo as não-governamentais, é uma obrigação social.
V – a obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação, a aplicação de censura e a indução à autocensura são delitos contra a sociedade, devendo ser denunciadas à comissão de ética competente, garantido o sigilo do denunciante.
Capítulo II – Da conduta profissional do jornalista

Art. 3º O exercício da profissão de jornalista é uma atividade de natureza social, estando sempre subordinado ao presente Código de Ética.
Art. 4º O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, razão pela qual ele deve pautar seu trabalho pela precisa apuração e pela sua correta divulgação.
Art. 5º É direito do jornalista resguardar o sigilo da fonte.
Art. 6º É dever do jornalista:
I – opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;
II – divulgar os fatos e as informações de interesse público;
III – lutar pela liberdade de pensamento e de expressão;
IV – defender o livre exercício da profissão;
V – valorizar, honrar e dignificar a profissão;
VI – não colocar em risco a integridade das fontes e dos profissionais com quem trabalha;
VII – combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercidas com o objetivo de controlar a informação;
VIII – respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão;
IX – respeitar o direito autoral e intelectual do jornalista em todas as suas formas;
X – defender os princípios constitucionais e legais, base do estado democrático de direito;
XI – defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, dos adolescentes, das mulheres, dos idosos, dos negros e das minorias;
XII – respeitar as entidades representativas e democráticas da categoria;
XIII – denunciar as práticas de assédio moral no trabalho às autoridades e, quando for o caso, à comissão de ética competente;
XIV – combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.
Art. 7º O jornalista não pode:
I – aceitar ou oferecer trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial, a carga horária legal ou tabela fixada por sua entidade de classe, nem contribuir ativa ou passivamente para a precarização das condições de trabalho;
II – submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação;
III – impedir a manifestação de opiniões divergentes ou o livre debate de idéias;
IV – expor pessoas ameaçadas, exploradas ou sob risco de vida, sendo vedada a sua identificação, mesmo que parcial, pela voz, traços físicos, indicação de locais de trabalho ou residência, ou quaisquer outros sinais;
V – usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime;
VI – realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha sobre organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor, empregado, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas;
VII – permitir o exercício da profissão por pessoas não-habilitadas;
VIII – assumir a responsabilidade por publicações, imagens e textos de cuja produção não tenha participado;
IX – valer-se da condição de jornalista para obter vantagens pessoais.

Capítulo III – Da responsabilidade profissional do jornalista

Art. 8º O jornalista é responsável por toda a informação que divulga, desde que seu trabalho não tenha sido alterado por terceiros, caso em que a responsabilidade pela alteração será de seu autor.
Art 9º A presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística.
Art. 10. A opinião manifestada em meios de informação deve ser exercida com responsabilidade.
Art. 11. O jornalista não pode divulgar informações:
I – visando o interesse pessoal ou buscando vantagem econômica;
II – de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes;
III – obtidas de maneira inadequada, por exemplo, com o uso de identidades falsas, câmeras escondidas ou microfones ocultos, salvo em casos de incontestável interesse público e quando esgotadas todas as outras possibilidades de apuração;
Art. 12. O jornalista deve:
I – ressalvadas as especificidades da assessoria de imprensa, ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, o maior número de pessoas e instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente aquelas que são objeto de acusações não suficientemente demonstradas ou verificadas;
II – buscar provas que fundamentem as informações de interesse público;
III – tratar com respeito todas as pessoas mencionadas nas informações que divulgar;
IV – informar claramente à sociedade quando suas matérias tiverem caráter publicitário ou decorrerem de patrocínios ou promoções;
V – rejeitar alterações nas imagens captadas que deturpem a realidade, sempre informando ao público o eventual uso de recursos de fotomontagem, edição de imagem, reconstituição de áudio ou quaisquer outras manipulações;
VI – promover a retificação das informações que se revelem falsas ou inexatas e defender o direito de resposta às pessoas ou organizações envolvidas ou mencionadas em matérias de sua autoria ou por cuja publicação foi o responsável;
VII – defender a soberania nacional em seus aspectos político, econômico, social e cultural;
VIII – preservar a língua e a cultura do Brasil, respeitando a diversidade e as identidades culturais;
IX – manter relações de respeito e solidariedade no ambiente de trabalho;
X – prestar solidariedade aos colegas que sofrem perseguição ou agressão em conseqüência de sua atividade profissional.

Capítulo IV – Das relações profissionais

Art. 13. A cláusula de consciência é um direito do jornalista, podendo o profissional se recusar a executar quaisquer tarefas em desacordo com os princípios deste Código de Ética ou que agridam as suas convicções.
Parágrafo único. Esta disposição não pode ser usada como argumento, motivo ou desculpa para que o jornalista deixe de ouvir pessoas com opiniões divergentes das suas.
Art. 14. O jornalista não deve:
I – acumular funções jornalísticas ou obrigar outro profissional a fazê-lo, quando isso implicar substituição ou supressão de cargos na mesma empresa. Quando, por razões justificadas, vier a exercer mais de uma função na mesma empresa, o jornalista deve receber a remuneração correspondente ao trabalho extra;
II – ameaçar, intimidar ou praticar assédio moral e/ou sexual contra outro profissional, devendo denunciar tais práticas à comissão de ética competente;
III – criar empecilho à legítima e democrática organização da categoria.

Capítulo V – Da aplicação do Código de Ética e disposições finais

Art. 15. As transgressões ao presente Código de Ética serão apuradas, apreciadas e julgadas pelas comissões de ética dos sindicatos e, em segunda instância, pela Comissão Nacional de Ética.
§ 1º As referidas comissões serão constituídas por cinco membros.
§ 2º As comissões de ética são órgãos independentes, eleitas por voto direto, secreto e universal dos jornalistas. Serão escolhidas junto com as direções dos sindicatos e da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), respectivamente. Terão mandatos coincidentes, porém serão votadas em processo separado e não possuirão vínculo com os cargos daquelas diretorias.
§ 3º A Comissão Nacional de Ética será responsável pela elaboração de seu regimento interno e, ouvidos os sindicatos, do regimento interno das comissões de ética dos sindicatos.
Art. 16. Compete à Comissão Nacional de Ética:
I – julgar, em segunda e última instância, os recursos contra decisões de competência das comissões de ética dos sindicatos;
II – tomar iniciativa referente a questões de âmbito nacional que firam a ética jornalística;
III – fazer denúncias públicas sobre casos de desrespeito aos princípios deste Código;
IV – receber representação de competência da primeira instância quando ali houver incompatibilidade ou impedimento legal e em casos especiais definidos no Regimento Interno;
V – processar e julgar, originariamente, denúncias de transgressão ao Código de Ética cometidas por jornalistas integrantes da diretoria e do Conselho Fiscal da FENAJ, da Comissão Nacional de Ética e das comissões de ética dos sindicatos;
VI – recomendar à diretoria da FENAJ o encaminhamento ao Ministério Público dos casos em que a violação ao Código de Ética também possa configurar crime, contravenção ou dano à categoria ou à coletividade.
Art. 17. Os jornalistas que descumprirem o presente Código de Ética estão sujeitos às penalidades de observação, advertência, suspensão e exclusão do quadro social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.
Parágrafo único – Os não-filiados aos sindicatos de jornalistas estão sujeitos às penalidades de observação, advertência, impedimento temporário e impedimento definitivo de ingresso no quadro social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.
Art. 18. O exercício da representação de modo abusivo, temerário, de má-fé, com notória intenção de prejudicar o representado, sujeita o autor à advertência pública e às punições previstas neste Código, sem prejuízo da remessa do caso ao Ministério Público.
Art. 19. Qualquer modificação neste Código só poderá ser feita em congresso nacional de jornalistas mediante proposta subscrita por, no mínimo, dez delegações representantes de sindicatos de jornalistas.

Vitória, 04 de agosto de 2007.
Federação Nacional dos Jornalistas

diploma em jornalismo: mais um lance

O site da Fenaj divulgou hoje uma sentença do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que surte como um reforço à tese de que é necessário sim portar diploma para exercer o jornalismo. Como sabem, a guerra do diploma começou em outubro de 2001 com um despacho da juíza Carla Rister desobrigando qualquer cidadão a ter diploma de nível superior para requerer o registro de jornalista.

Pois o episódio mais recente – este do TST – pode ser lido aqui. Não se trata de entrar no mérito da questão, mas a decisão do TST traz mais um elemento para convencer os poderosos do Supremo Tribunal Federal sobre o caso. São eles que decidirão.

A notícia é boa, mas é cedo demais para comemorar, já que ela nem mesmo muda o panorama atual.

(Para saber mais, acesse aqui)

mais um lançamento

Claudia Lago e Richard Romancini estão lançando “História do Jornalismo no Brasil”, pela Insular.

A capinha é esta aí embaixo

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Mas se quiser uma prévia, vá ao site que o Richard construiu.

10 anos de periodismo.com

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O site Periodismo.com completa 10 anos na próxima terça, dia 11.
Para celebrar, lança e-book com textos de muitos colunistas e colaboradores do portal argentino que atende a comunidade de língua hispânica na Europa e nas Américas. Para baixar o livro, clique aqui. O volume em formato PDF tem 206 páginas, está todo em espanhol, e muita coisa ali não interessa ao leitor brasileiro. Entretanto, para quem estuda, pesquisa, pensa ou faz jornalismo online, há sempre o que aprender nesses materiais.

liberdade de expressão: brasil

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A Artigo 19, uma ONG que sustenta uma campanha mundial pela livre expressão, acaba de emitir um parecer de 13 páginas sobre a liberdade de expressão no Brasil. Você pega o arquivo em PDF aqui.

As conclusões? Deixa de ser preguiçoso e vai ler…

a câmera e as mensagens dos togados

Fernanda Bruno comenta o caso do fotógrafo que flagrou ministros do STF trocando mensagens pela intranet em meio ao “julgamento” de possíveis réus no escândalo do Mensalão. Veja o que ela diz aqui.

Para completar, veja a seleção que Luiz Antonio Magalhães fez sobre o caso no Observatório da Imprensa.

(Perguntinha para meus alunos de Legislação e Ética em Jornalismo: E aí, meninos e meninas?)