Venho discutindo há tempos com amigos e alunos os caminhos que nos restam quando o assunto é escolas de Jornalismo, cursos de formação de jornalistas. Há tanto a pensar! Como já aconteceu historicamente, é necessário abrir picadas na mata, desbravando não só o mercado da educação, mas a própria mentalidade de jornalistas e professores da área.

Por isso, linco aqui provocações às escolas e aos professores.
As provocações vêm de fora, mas não se pode ignorá-las, compadres!

Dan Gilmor – sim! aquele do Jornalismo Cidadão – sugere uma atualização urgente para a área. Veja como ele termina seu rápido artigo: “We’re collectively reinventing journalism over the next decade or two. Journalism schools can lead, or follow. Leading strikes me as a better idea”. Leia na íntegra aqui.

Joe Murray, da Ken State University, indica dez passos para a sobrevivência das escolas. Se você preferir ler o texto na íntegra – em PDF e com 21 páginas -, clique aqui. Se quer uma visão panorâmica, veja os passos abaixo:
1. Faculty, Know Thy Students
2. Faculty, Know Thyself
3. Compromise Writing Skills At Our Peril
4. Teach Students To Think And Use Technology
5. Introduce Convergence Early
6. Design And Usability Matter
7. Plant Generalists Now To Grow Specialists Later
8. ETWIAD (Embrace The Web In All You Do)
9. Multitasking Is A Waste Of Time
10. Rinse and Repeat

E aí, senhores? Alguma idéia brilhante?

8 comentários em “provocações aos professores de jornalismo

  1. Rogério, estou aqui a meia hora tentando costurar algum argumento lógico. Mas é difícil.

    Ontem, iniciei uma postagem justamente sobre isto — na visão de aluno, e agora aluno de pós-graduação — sobre as mudanças e a universidade. Claro que minha visão é restrita ao nosso contexto. Quem sabe, no fim de semana termino o texto.

    Difícil saber para onde estamos indo. Quem realmente quer entender um fato hoje (como o acidente da TAM, pra citar um exemplo banal) se esperar pelo jornalão de sempre fica pra trás. Precisa correr até a Web, puxar links e mais links.

    Que que a pós-modernidade fez com a gente, hein? Hehe. Que doidera é essa que estamos vivendo, em que de um lado se fala de fibra ótica e de outro tem gente com uma cruz e um livro na mão, dizendo: “Matem os Bárbaros!”. Mais os fascismos que ressuscitam, zumbis, na velha Europa. O mundo real, ali fora, do medo de ser assaltado, sequestrado, grades pra todos os lados… qualé mano, a agressividade, a rivalidade, a “guetização”, a orkutização, etc. e tals.

    E a gente, que mal conseguiu definir leis de imprensa nesse país… Meu deus. Mal conseguiu lutar por salários melhores. Mal tivemos jornais locais de qualidade, uma rádio de alto-falante sequer. E já falam que o jornalismo vai acabar… Como, aliás, pensar racionalmente sobre tudo isso numa época em que a razão, aquela iluminista, linear, já é coisa do passado, se já pensamos de acordo com esse emaranhado maluco de links, informações superficiais, drops, drops, drops — ah, cansei, vou cuidar da minha vida?

    E olha que tem gente acomodada no mercado que diz que isso é conversa de acadêmico chato, hein? Complicado mesmo. Quando aclarar melhor alguma coisa a respeito (se aclarar), te aviso. Já que a coisa tá despirocada, os links ajudam a bagunçar mais ainda…

    O blog em relação a esse assunto (Jornalismo x Web) está ótimo
    Abraço

  2. Rogério, acho a discussão muito oportuna e vou levar adiante. Tenho refletido sobre isso desde que sai da redação para dar aulas, há um ano. Insisto com os alunos que esse negócio de “aulinhas” é furada, nem eles aguentam mais isso. A tarefa da universidade é pensar o futuro da profissão, fazer experimentações, não reproduzir o mercado de hoje com uma grade estanque. Desse mundo de “apertadores de parafusos” só saem desempregados. Porpostas? Mostrar que eles também podem “fazer mídias”, por exemplo. Botar a turma pra fazer blogs e produzir em plataformas web 2.0, gerando conteúdo com autonomia, responsabilidade e colaboração. E como vamos trabalhar convergência em laboratórios e disciplinas que não dialogam? Universidades são senhoras teimosas que gostam da rotina. Com sensibilidade e paciência, podemos ajudar a velhinha a atravessar essa avenida.

  3. …we’re not focusing on the how-to. We’re looking at core principles: accuracy, thoroughness, fairness, independence, and transparency (Dan Gilmor).
    O fio de Ariane no meio de um labirinto coalhado de Minotauros?

  4. Grandes dicas de leitura, Rogério. Fico impressionado com o imobilismo em que estamos. Mais do que tecnologia e know-how, falta-nos compreensão da realidade e métodos. Por ora, sem idéias brilhantes. Só dúvidas e esforços. Abs, Carlos

  5. Caríssimos Kreidlow, D´Andrea e Salatiel, quero retornar outras vezes neste assunto. Até pensei que encontraria por aqui mais manifestações dos colegas ou respostas às provocações. Isso já é um sintoma, não é mesmo?

    De qualquer forma, a gente continua o debate… abs

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