jornalismo, educação e TICs

Outro dia, repliquei provocações aos professores e às escolas de jornalismo. Tive pouca reação, o que – pra ser sincero – não esperava. Claro que tem muita gente que passa pelo blog e não deixa comentários, o que é natural. Mas o baixo retorno em termos de manifestação me faz pensar que: ou não temos respostas às questões ou não nos preocupamos com elas.

Sendo uma ou outra, já são sintomas de uma crise. Ou de soluções ou de apatia.

Porque sou teimoso e não paro quieto, enfio mais o dedo na ferida aberta dando links:

1. A relação controversa entre jornalistas e blogueiros: ainda se discute muito até onde se vai uma coisa e se começa outra. Três links (todos de Alessandro Martins) me pulsam por aqui:

O futuro próximo das escolas de comunicação e o aperfeiçoamento dos cursos de jornalismo passam por essa discussão, pela revisão desses parâmetros. Isto é, precisamos discutir a relação.

2. A relação controversa entre educação e novas tecnologias: ainda batemos cabeça e boca por isso. Quatro links variados me fazem pensar.

O futuro e o presente da educação não podem prescindir da superação de alguns impasses e mitos.

E aí, senhores? Provoquei?

provocações aos professores de jornalismo

Venho discutindo há tempos com amigos e alunos os caminhos que nos restam quando o assunto é escolas de Jornalismo, cursos de formação de jornalistas. Há tanto a pensar! Como já aconteceu historicamente, é necessário abrir picadas na mata, desbravando não só o mercado da educação, mas a própria mentalidade de jornalistas e professores da área.

Por isso, linco aqui provocações às escolas e aos professores.
As provocações vêm de fora, mas não se pode ignorá-las, compadres!

Dan Gilmor – sim! aquele do Jornalismo Cidadão – sugere uma atualização urgente para a área. Veja como ele termina seu rápido artigo: “We’re collectively reinventing journalism over the next decade or two. Journalism schools can lead, or follow. Leading strikes me as a better idea”. Leia na íntegra aqui.

Joe Murray, da Ken State University, indica dez passos para a sobrevivência das escolas. Se você preferir ler o texto na íntegra – em PDF e com 21 páginas -, clique aqui. Se quer uma visão panorâmica, veja os passos abaixo:
1. Faculty, Know Thy Students
2. Faculty, Know Thyself
3. Compromise Writing Skills At Our Peril
4. Teach Students To Think And Use Technology
5. Introduce Convergence Early
6. Design And Usability Matter
7. Plant Generalists Now To Grow Specialists Later
8. ETWIAD (Embrace The Web In All You Do)
9. Multitasking Is A Waste Of Time
10. Rinse and Repeat

E aí, senhores? Alguma idéia brilhante?

mais lançamento de jornalismo

Marialva Barbosa manda avisar que dia 18 de setembro lança o seu “História Cultural da Imprensa – Brasil (1900-2000)”. Vai ser na Livraria Travessa do Leblon, no Rio.

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novos títulos em jornalismo: do sul ao nordeste

Roseli Araújo Batista chama para o lançamento de seu “Mídia e Educação – Teorias do Jornalismo em sala de aula”, que acontece no Café Martinica, em Brasília, dia 30 de agosto.

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Marcos Palacios e Elias Machado convidam para o lançamento de “O ensino de jornalismo em redes de alta velocidade – metodologias e softwares”, que acontece dia 3 de setembro na Livraria Tom do Saber, em Salvador (BA).

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(Clique na figura para ver o convite)

Demétrio Soster, Ângela Filippi e Fabiana Picininin anunciam que, em outubro, chega às livrarias “Metamorfoses Jornalísticas: formas, processos e sistemas”, título que organizaram.

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(Clique na figura para ver o convite)

Parabéns aos autores!!!

lista de professores

Foi criada uma lista de professores de Jornalismo de Santa Catarina.
A idéia é que os docentes se cadastrem e passem a trocar mais informações, principalmente sobre o primeiro encontro deles que acontece junto com o dos paranaenses, em outubro.

A lista fica aqui. Sobre o evento, saiba mais aqui.

pau na moleira

Rogerio Kreidlow postou comentário ácido e borbulhante sobre meu post dos fundamentos da nova ordem mundial digital. Adorei.

Se você concorda com os manda-chuvas do universo, tem que ler. Até para saber o que pensa a oposição. Se quer combater a nova ordem, Kreidlow oferece munição pra isso…

sobre entrevistas e jornalistas 2

Los Hermanos têm um karma com repórteres “bem preparados” para entrevistas.

Veja como a repórter da Globo de Brasília troca o nome do vocalista (Marcelo Camelo vira Marcelo Campelo) e veja como não sabe nada de música (para ela, o grupo fez parcerias com Elis Regina!!).
Por fim, note que Rodrigo Amarante sacaneia com a moça, repetindo o “Campelo”…

Nesta, a performance dos repórteres do Ceará é aterradora. Trocam o nome do entrevistado, confundem “boca a boca” com “bate boca”, não sabem quem compôs o quê…

Isso que é profissionalismo!!

sobre entrevistas e jornalistas

António Fidalgo deu antes; Marcos Palacios repetiu; e toco de novo…

Sabe o que acontece quando o repórter não se prepara para a entrevista?

Acontece isso… assista!

carta de vitória

Falei ontem da Carta de Vitória, o documento resultante do Congresso Nacional Extraordinário de Jornalistas que redefiniu o Código de Ética da categoria.

Reproduzo o documento abaixo:

Os jornalistas brasileiros, reunidos em Vitória, de 3 a 5 de agosto de 2007, para o Congresso Nacional Extraordinário de atualização do seu Código de Ética, reafirmam sua função social de oferecer à sociedade um jornalismo de qualidade, plural, responsável, ético e voltado ao interesse público. Em seu novo Código, ratificam como primeiro e essencial o compromisso com a informação como direito fundamental do cidadão, que em hipótese alguma pode ser ameaçado.

A divulgação da informação correta e precisa é direito e dever dos meios de comunicação e dos jornalistas. A manipulação, a distorção e a deturpação devem ser denunciadas como atentados à cidadania. Ao mesmo tempo, o Congresso Extraordinário dos Jornalistas condena o abuso do poder econômico, a imensa concentração da mídia, a censura por pressões política e econômica e a violência – ameaças ao interesse público, à liberdade de imprensa e à democracia.

Os jornalistas brasileiros reafirmam como fundamental a exigência da formação profissional universitária qualificada para o exercício do jornalismo e se dispõem a avançar na regulamentação da profissão e na luta pela criação do Conselho Federal dos Jornalistas. Em nome da valorização profissional, a categoria deve se manter vigilante contra as iniciativas de precarização das relações de trabalho, defendendo as conquistas dos trabalhadores brasileiros e a manutenção do veto à emenda 3.

A defesa de um novo marco regulatório para as comunicações, que contemple os avanços tecnológicos e supere os métodos injustos e concentradores de concessões de canais de radiodifusão, deve contar com o apoio militante dos jornalistas. Apreensivos com a falta de transparência na elaboração das regras para a radiodifusão digital e a TV Pública, os jornalistas sustentam que a conferencia nacional de comunicação, construída num processo de ampla consulta nacional, deve cumprir seu objetivo histórico de elaborar novas políticas baseadas no aprofundamento da democracia e na riqueza da diversidade cultural brasileira. Exigem ainda a imediata nomeação do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, desativado desde o final de 2006.

Conscientes de seu papel fundamental na construção de um Brasil mais justo, os jornalistas apresentam à sociedade brasileira seu novo Código de Ética, no qual reiteram o compromisso indissolúvel de nossa profissão com o direito à informação pública de qualidade.

Vitória, 05 de agosto de 2007.

mais código de ética

A Carta de Vitória, documento resultante da Congresso Nacional Extraordinário dos Jornalistas, não foi divulgada ainda porque passa por revisões e formatação. Mas Fernando Paulino, da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas de Brasília, me repassa texto do vice-presidente da entidade, Antonio Carlos Queiroz, dando uma geral no novo Código de Ética, aprovado no final de semana.

Reproduzo…

 

Aprovado o novo Código de Ética dos Jornalistas

Reunido nesse final de semana em Vitória, Espírito Santo, o Congresso Nacional Extraordinário dos Jornalistas reformou o Código de Ética da categoria, em vigor há 22 anos.

O novo texto incorpora princípios da Constituição de 1988 e obrigações definidas em estatutos e códigos de direitos especiais, como o dos consumidores, dos idosos, das crianças e dos adolescentes, e de minorias.

O novo Código de Ética também leva em conta os avanços das novas tecnologias.

Um exemplo de mudança foi a inserção no documento do artigo segundo o qual “a presunção da inocência é um dos fundamentos básicos da atividade jornalística”. Como este é um princípio constitucional, sua incorporação pode parecer redundante à primeira vista. Na verdade, reflete a preocupação política de lembrar aos jornalistas que eles não são cidadãos melhores do que os outros, nem estão acima da lei. O desafio é combater a atual disposição de certos meios de comunicação que se arvoram em polícia, promotoria e juizado ao mesmo tempo, denunciando, julgando e punindo pessoas com a execração pública, muitas vezes sem elementos de prova e sem conceder-lhes o direito de resposta.

Outro avanço foi a adoção da cláusula de consciência, prevista em códigos de ética de jornalistas de vários países, e já reconhecida, por exemplo, pela Justiça de São Paulo. De acordo com a cláusula, o jornalista poderá se recusar a executar pauta que se choquem com os princípios do Código ou que agridam as suas convicções. Para evitar distorções ou abusos, ressalvou-se que essa disposição não pode ser usada como argumento, motivo ou desculpa para o profissional deixar de ouvir pessoas com opiniões contrárias às suas.

Entre outras disposições, o novo Código de Ética prescreve a obrigação do jornalista de informar claramente à sociedade quando seu trabalho tiver caráter publicitário ou quando utiliza recursos que modifiquem as imagens originais, como a fotomontagem. E determina que o profissional não pode divulgar informações obtidas de maneira inadequada, como o uso de identidades falsas, câmeras escondidas ou microfones ocultos, salvo se houver a exigência de esclarecimento de informações de relevante interesse público, e desde que esgotadas todas as possibilidades convencionais.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) deverá divulgar massivamente o novo Código de Ética dos Jornalistas nas próximas semanas, assim que a comissão de redação final, eleita pelo Congresso Extraordinário de Vitória, terminar seu trabalho. Da comissão participam dois representantes do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal: o vice-presidente, Antônio Carlos Queiroz, e o membro da Comissão de Ética, Fernando Paulino.

(do NR-Internet)

fenaj e o novo código

Neste final de semana, a nova diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas tomou posse.
Na mesma ocasião, durante o Congresso Nacional Extraordinário dos Jornalistas, a categoria discutiu e revisou o seu Código de Ética. O texto final ainda não está disponível na página da Comissão Nacional de Ética e Liberdade de Imprensa da Fenaj.

casa de ferreiro…

Sou chato para algumas coisas. (A oposição diria: para muitas coisas)

Mas acho que, às vezes, as contradições são tão visíveis que incomodam mesmo. E aí, motivam blogueiros – numa manhã carrancuda de domingo – a esbravejar em seus posts. É o caso.

Desde sexta, delegações de pelo menos vinte estados brasileiros discutem um novo texto para o Código de Ética do Jornalista. Eles estão reunidos em Vitória e não encontro ninguém fazendo cobertura do evento pela blogosfera. Quiçá nos sites da Fenaj, dos sindicatos dos jornalistas e por aí vai. Pô! Trata-se de um Congresso Extraordinário dos Jornalistas! Não era o caso de alguém estar postando uma coisinha aqui ou acolá? Dando o clima do encontro, como foi a posse da nova diretoria da entidade, se as discussões estão acirradas ou não…

Nada, meu filho. Nada!

vitória, hoje: congresso e posse

Toma posse hoje à noite a nova diretoria da Fenaj. Isso acontece na abertura do Congresso Extraordinário de Jornalistas, em Vitória (ES), onde será definido um novo código para a categoria. O evento vai até domingo. Já tratei disso aqui, mas voltarei. Deixa só eu respirar.

assim falou pedro dória

Julio Daio Borges entrevista longamente um dos mais conhecidos e respeitados jornalistas da internet e da blogosfera brasileira: Pedro Dória. A entrevista está no Digestivo Cultural. Em pauta, a web, o futuro das mídias, a formação dos jornalistas, a internet como negócio, blogs e seus leitores com comentários violentos e por aí vai.

Eu recomendo.

um novo código de ética

Começa depois de amanhã, dia 3, o Congresso Extraordinário dos Jornalistas, evento que vai discutir e definir um novo Código de Ética para a profissão. O encontro vai até o dia 5, e acontece no Hotel Bristol, bem em frente à Praia de Camburi, em Vitória. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) anuncia que delegações de vinte estados brasileiros estarão presentes, e esse alarde não é mera propaganda. O próprio Código de Ética em vigência estabelece que reformas ao documento só podem acontecer em congressos nacionais da categoria, na presença de ao menos dez delegações (art. 27).

Participei menos do que gostaria do processo de discussão do novo Código. Como leciono a matéria e como pesquiso na área, sempre me dispus a discutir a questão. Em fevereiro do ano passado, elaborei uma proposta de novo código e enviei à comissão que sistematizava as sugestões. Em maio, fui a Londrina para o 1º Seminário de Ética no Jornalismo, mas me frustrei á época porque pensei que discutiríamos a coisa por lá. Qual nada. Foi tirada uma comissão para ordenar o material e encaminhar as mudanças, apresentando as minutas do código à categoria.

Dei uma olhada na proposta e não vejo muitas mudanças. Veja você também.

Me organizei para ir a Vitória para o Congresso Extraordinário, mas as aulas e os compromissos me impedem. Vou passar.

De qualquer forma, acredito que um novo código de ética para o jornalista brasileiro é uma questão imperativa. Mas é preciso ter em conta uma coisa. Não basta que se tenha um excelente código se não forem fortalecidas as comissões de ética da Fenaj e dos sindicatos, pois são elas que recebem as denúncias, que encaminham os processos e aplicam possíveis sanções. Já escrevi isso em Jornalismo em Perspectiva (Ed. UFSC, 2005), e em Monitores de Mídia (Ed.UFSC-Univali, 2003). Então, é um processo lento, de educação da categoria, de convencimento da sociedade de que se pode ter um bom código e de que ele é eficaz, eficiente e serve à coletividade e não apenas aos profissionais.

Volto a esse assunto depois.

ética antes e depois da rede

Em Infotendências, Pere Masip cita Jane Singer, da Universidade de Iowa, que reafirma os mesmos preceitos da ética jornalística antes da web para a conduta em rede. Isto é, nada muda. Os valores se mantêm. Muda apenas o suporte, mas não a relação humana.

Este assunto me interessa por completo, já que é muito fácil cair na tentação de se querer inventar a roda a cada atualização do Windows, por exemplo, ou a cada traquitana da moda na web.

Para discutir mais sobre o tema, dou outros dois links:

http://www.mediachannel.org/wordpress/2007/04/20/new-media-culture-challenges-limits-of-journalism-ethics

http://www.ojr.org/ojr/wiki/ethics

sobre o top-top e o direito de imagem (2)

Outro leitor deste blog, Celio Penteado, discorda do que escrevi sobre o fato de jornalistas terem desrespeitado o direito de imagem dos assessores do governo ao gravarem suas reações. Ele escreve: “Que bobagem essa história de autorização do uso da imagem. Se for assim não se poderia documentar um seqüestro. Deveríamos pedir primeiro, e por escrito, a autorização do seqüestrador. Se quisesse manter a privacidade, deixasse a cortina fechada”.

Também concordo em partes. Começo pelo final. Claro! Se o governo quer privacidade, que construa as condições para tal. No episódio, era fácil. Basta fechar as cortinas. Basta zelar pela confidencialidade. Não se expor. Como fez o presidente: não apareceu. Só o fez 72 horas depois. (Que agilidade! Onde estava Franklin Martins, que poderia aconselhar melhor o presidente?) Já disse aqui: quem faz a foto é o modelo, quem zela pela pose é o fotografado. E em tempos de regime das imagens, todo cuidado é mínimo.

Entretanto, a questão do direito de imagem vai mais além. Segundo o direito, a coisa é assim: todas as pessoas têm direito sobre as suas imagens e não podem abdicar delas. O que podem é autorizar a exploração e o uso delas. Todas as pessoas, inclusive os famosos, têm esse direito.

Neste sentido, a Justiça entende que há dois tipos de imagem: imagem-retrato e imagem-atributo. A primeira se refere ao físico, ao visual, à projeção visível e apreensível de alguém, como um retrato da pessoa. A segunda tem relação com sua reputação, decoro, imagem pública, honra, etc. Por que os juristas dividem? Porque, na verdade, a exposição de alguém fazendo algo pode não constituir em danos para essa mesma pessoa e só o fará quando for violada a imagem-atributo. Explico: se sou fotografado numa praia da Espanha conversando com a Daniella Cicarelli, não posso argumentar que sofri algum dano com essa exposição. Agora, se estiver na mesma praia me esfregando em Marco Aurélio Garcia (em pleno ato de traição à minha esposa e em flagrante atentado ao pudor), posso argumentar que a veiculação das imagens foi nociva a minha pessoa. Foi nociva porque constrangeu a mim e aos que me cercam, e porque me vinculou a alguém com quem eu não gostaria de ser visto.

Nesse episódio, eu poderia processar o fotógrafo? Sim. Mas eu teria legitimidade? Aí, já são outros quinhentos. Primeiro, a coisa aconteceu fora do país e lá as leis são outras. É necessário observar se a coisa se aplica. Segundo, podem argumentar que eu estava fazendo duas coisas erradas (adultério e atentado ao pudor, tipificados em nosso Código Penal) e meus delitos são maiores que os danos que sofri com a violação de minha imagem. E é justamente aí que as coisas emperram no escritório do advogado: quando o causídico vê a coisa nesse impasse, orienta – na maioria dos casos – a não entrar na Justiça para não fazer mais alarde ao caso, e porque a causa tem altos riscos de ser perdida.

É claro que o meu exemplo é canhestro. Mas as condições de análise podem ser plenamente transpostas ao episódio do top-top. Marco Aurélio e seu assessor tiveram sim seu direito à imagem desrespeitado pelos jornalistas que os flagraram vendo o Jornal Nacional. Mas não têm força, legitimidade ou – no popular – moral para contestarem as imagens veiculadas, cujo significado simbólico é mais arrasador que a gravação das cenas. 

sobre o top-top e o direito de imagem (1)

No momento em que você lê este post, é muito provável que este assunto nem mais seja pauta na mídia, que os meios de comunicação tenham voltado suas cabeças para outro “Ouro do Brasil” ou ao “deslizamento de parte da encosta de Congonhas”. Mas quero retomar o tema, até motivado por alguns dos comentários que recebi neste blog.

De Portugal, Cadeiradopoder releva os gestos dos assessores do governo brasileiro que trouxeram indignação em meio ao acidente aéreo de Congonhas na semana que passou. Para quem não se lembra, basta voltar ao meu post anterior. “Penso que os gestos dos assessores não têm assunto nenhum. Pode-se criticar outras acções ou falta delas por parte do Governo, agora dar importância a um gesto (igual ou menos mau do que o que o jornalista que captou as imagens deve ter feito) não acrescenta nada à informação”, diz Cadeiradopoder.

Concordo em partes. As imagens do top-top não trazem informação adicional às causas do acidente ou às condições dos aeroportos brasileiros, ou à crise aérea como um todo. Mas, por outro lado, revelam de forma clara e acintosa o que muitos de nós não sabia. Se foi um gesto de “alívio” – como se defendeu Marco Aurélio Garcia – ou de “comemoração indevida” – como alfinetou a oposição -, pouco importa. O que importa é que nenhum de nós esperava AQUELA REAÇÃO, que em nenhum contexto é respeitosa, serena ou preocupada diante das novas informações que traziam a reportagem do Jornal Nacional, assistida pelos assessores, cuja reação foi flagrada pela própria Globo.

Marcia Benetti Machado rechaça a resposta de Marco Aurélio Garcia, e reconhece na sua fala uma contradição dilacerante: ele disse ter tido aquela reação em um momento privado. Ora, ele tem uma ética privada e outra pública, indaga sagazmente Marcia. E é neste ponto que a coisa me interessa primeiro: quem está no governo, quem representa outrem, quem ocupa um cargo de representação não pode argumentar condutas personais quando está no exercício destas qualidades. Como aconteceu com Rubens Ricupero em 1994, lembra? Não dá. Não pode, porque a massa – no caso, os patrões, aqueles que pagam impostos e alimentam o Leviatã – porque a massa não tolera, indigna-se, cobra postura.

E faltou isso mesmo: postura, pudicícia, humildade, respeito aos fatos. Se foi um desabafo ou não, o fato é que Marco Aurélio e o outro assessor deixaram escapar que o governo tratava do assunto na arena da disputa, da política, da atribuição de culpas e responsabilidades. Não era o caso. Não deveria ser assim. Não poderia… O governo não tratou como um problema que fere a Nação, que vitima os nossos, que ceifa vidas de brasileiros, como Rudolph Giuliani e o governo Bush fizeram em setembro de 2001. Tanto que o governo não apareceu em pessoa nas determinantes horas seguintes à tragédia.

Resumindo. Pensando em ética pública, em ética geral, num ambiente democrático, numa atmosfera republicana – não é assim que Tarso Genro gosta de dizer? -, o governo agiu mal de cima a baixo. A indignação nos meios de comunicação e do público expõem esse descolamento moral que assistimos.

eleições na fenaj: deu o esperado

Venceu a Chapa 1, liderada por Sérgio Murillo de Andrade, que agora segue para um segundo mandato à frente da entidade classista dos jornalistas.

O resultado oficial  foi:

“A chapa 1, Orgulho de ser FENAJ, encabeçada por Sérgio Murillo de Andrade, foi eleita com 3.614 votos. A chapa 2, encabeçada por Dorgil Marinho, obteve 1239 votos. Já para a Comissão Nacional de Ética, foram eleitos Armando Rollemberg (2.794 votos), Washington Mello (2.526 votos), Carmem Lúcia Pereira (2.478 votos), Regina Deliberai (2.356 votos) e Rossini Barreira (2.347 votos). Os demais candidatos, Arthur Poerner e Venício Lima, obtiveram 1.254 e 1.368 votos, respectivamente”.

Sérgio Murillo, a exemplo do primeiro mandato, tem uma pedreira pela frente: quer retomar a discussão do Conselho Federal de Jornalismo, a regulamentação da categoria e as investidas do empresariado para precarizar as condições de trabalho dos jornalistas. Sérgio tem fibra, mas a diretoria patinou bastante no primeiro mandato, cometendo erros fatais – como o encaminhamento político desastrado do projeto que criava o CFJ e o apoio ao fechamento da RCTV por Hugo Chávez.

A nova diretoria toma posse no Congresso Extraordinário dos Jornalistas, que acontece de 3 a 5 de agosto em Vitória (ES). O evento deve definir um novo Código de Ética para a profissão.

derrapagem na pista e no jornalismo

A tragédia do vôo 3054 numa navegação muito particular…

Clique 1. Marcia Benetti se enfurece em seu blog com a ausência de informações. Lá do Rio Grande do Sul, ela se queixa do despreparo de jornalistas e da ausência de autoridades.

Clique 2. Também do Rio Grande, Alex Primo denuncia a lambança de um repórter que confia em google, mas não checa as informações devidamente.

Clique 3. O Intermezzo monitora a cobertura do acidente.

Clique 4. O UOL publica foto adulterada e depois se desculpa.

Clique 5. Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, critica a mania de pré-julgamento da imprensa nacional em casos como o de Congonhas.

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livro sobre metodologia de pesquisa em jornalismo

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Reproduzo o release… 

A Editora Vozes acaba de lançar o livro “Metodologia de Pesquisa em Jornalismo”, endereçado a todos aqueles que pensam o Jornalismo como ciência.

Organizado por Cláudia Lago e Marcia Benetti, com prefácio de José Marques de Melo, o livro reúne doze textos de autores de vários estados brasileiros e do exterior, divididos em três partes: Métodos, Conceitos e Intersecções com o Jornalismo, Aplicação de Métodos de Pesquisa em Jornalismo e Exemplos de Pesquisa e seus Métodos.

Na primeira parte os autores Richard Romancini, Cláudia Lago, Sônia Serra e Luiz Martins da Silva trabalham, respectivamente, a intersecção entre Jornalismo e os métodos próprios da Pesquisa Historiográfica e da Antropologia, os aportes da Economia Política da Comunicação e a Teoria do Agenda Setting, aplicada aos estudos de jornalismo brasileiro.

Na segunda parte Marcia Benetti apresenta a análise de discurso e Heloiza Herscovitz  discute a análise de conteúdo nos estudos sobre jornalismo, enquanto Luiz Gonzaga Motta trabalha a narrativa jornalística e Isabel Ferin Cunha discorre sobre a aplicação de programa estatístico – o SSPS – em estudos do jornalismo.

Por fim, a terceira parte discute pesquisas específicas à luz dos métodos que as geraram. É o caso de Elias Machado e Marcos Palacios, que apresentam a metodologia aplicada pelo Grupo de Pesquisa de Jornalismo On-Line (GJOL), a pesquisa levada a cabo por Alfredo Vizeu que analisou o newsmaking no telejornalismo brasileiro, enquanto Zélia Leal Adghirni e Francilaine de Moraes discutem os critérios que nortearam sua pesquisa sobre instantaneidade e memória no jornalismo on-line. Por fim, José Luiz Aidar Prado e Sérgio Bairon apresentam a metodologia utilizada na pesquisa que analisa discursivamente a representação do Outro na mídia das revistas semanais, notadamente a revista Veja.

O resultado final é uma obra que reúne não só autores de formação e campos distintos, pesquisadores que trabalham em diversas universidades, mas também textos que procuram dar uma noção da amplitude e abrangência das discussões relacionadas à esfera metodológica. O livro não esgota as inúmeras faces da discussão da ordem do método, mas contribui para o aprofundamento dessa temática, absolutamente crucial para todos aqueles que se aventuram a eleger o jornalismo enquanto objeto de estudo.

“Metodologia de Pesquisa em Jornalismo”
Claudia Lago e Marcia Benetti Machado (Orgs.)
Editora Vozes
286 páginas
R$ 32,00

 

 

 

 

jornalismo 2.0

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Juan Varela já anunciou o Periodismo 3.0, mas Mark Briggs trata de um Journalism 2.0.
Para saber mais de um e de outro, vá direto às fontes.
Aqui, você encontra o artigo de Varela (na revista Telos); e aqui, você baixa o livro (na versão PDF) de Briggs.

Tudo de graça. Graças aos autores.

farpas

Ontem, a lista eletrônica do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) foi chacoalhada com a troca intensa e tensa de emails de membros das duas chapas que concorrem à direção da Fenaj. A Chapa 2, de oposição, denunciava “uso da máquina” pela Chapa 1, da situação, para se manter à frente da entidade. A Chapa 1, por sua vez, repudiava os ataques, afirmando jocosamente que a oposição já chorava a derrota.

Vou a Florianópolis hoje para deixar meu voto.

eleições entre jornalistas

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Acontece de hoje a quarta (18), as eleições para a direção da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Duas chapas concorrem.

Aliás, fazia tempo que eu não via tanta disputa entre os concorrentes…

No primeiro dia de votação, já se registra um incidente, independente das chapas. A comissão organizadora até que tentou colocar uma urna no Comitê de Imprensa do PAN, no Rio, mas não conseguiu. Tem nota repudiando a recusa no site da federação.

titãs

Dois dos nomes mais conhecidos e alardeados quando se trata de jornalismo e tecnologias se encontraram na Universidade Complutense de Madrid: Juan Varela e Dan Gillmor. O primeiro conta em seu blog – e ainda disponibiliza seus slides – como foi sua palestra sobre Novos Meios e Novos Jornalistas.

conteúdo livre na Observatório

O conteúdo de onze edições da revista do Obercom estão disponíveis.

Para quem se interessa por comunicação e jornalismo em Portugal.

Vale a pena!

Abra o arquivo aqui!

acabou…

Carlos Castilho notifica em seu Código Aberto o fim do jornal online NoMinimo.
Veja aqui o anúncio oficial da morte.

luz no fim do túnel

Mark Glaser, do MediaShift, vê com esperança o futuro. Ele lista 10 razões para um futuro brilhante do jornalismo.

Se você tem preguiça de ir até lá, veja o lead aqui:

1. More access to more journalism worldwide.

2. Aggregation and personalization satisfies readers.

3. Digital delivery offers more ways to reach people.

4. There are more fact-checkers than ever in the history of journalism.

5. Collaborative investigations between pro and amateur journalists.

6. More voices are part of the news conversation.

7. Greater transparency and a more personal tone.

8. Growing advertising revenues online.

9. An online shift from print could improve our environmental impact.

10. Stories never end.

É uma forma de enxergar luz no final do túnel. E que não seja o trem…

o que pensam da imprensa (francesa)

Meu amigo Clóvis Reis me manda email com os seguintes resultados de uma enquete na Nouvelle Observateur:

Os jornalistas são independentes?

Sim – 5,79 %
Não – 39,33 %
Não me faça rir – 35,02 %
Depende do vento – 19,87 %

Curioso, passei pelo site da revista e vi outra bem interessante também:

A imprensa francesa é

Livre – 6,95%
Servil – 77,67%
Desinteressada – 5,9%
Passional – 2,08%
Me informa pela internet – 7,41%

(resultados de agora: 21h15)

jornalismo, inovação e futuro

Quem inventou a liberdade de imprensa?

Quem teve a idéia do ombudsman?

Quais são os países mais avançados em direitos e civilidade?

Tudo isso aconteceu na Escandinávia, região que reúne Suécia, Finlândia, Dinamarca e Noruega. E vem justamente da Finlândia, da Universidade de Tampere, um relatório de pesquisa sobre Jornalismo, Inovação e Futuro, que merece ao menos uma olhada. Tudo bem que aqui estamos abaixo do Equador, cortados pelos trópicos, assistindo gente honesta ser morta por bala perdida e político roubando nas nossas barbas. Mas não custa nada ver como pensam e projetam os caras que estão sempre tão avançados…

(Em PDF e em inglês: 92 páginas)

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