agonia da gazeta mercantil: a foto do cadáver?

Leitor, olhe com atenção a página abaixo. Sim, ela pode ser a capa da última edição da Gazeta Mercantil, jornal que já foi o principal diário dirigido a economia, negócios e finanças no Brasil.

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Conhecido por ser um jornal sisudo na linguagem e no visual, a Gazeta Mercantil resistiu à adoção de cores e à publicação de fotos em suas páginas. Tanto pelo público a que se orienta quanto pelo segmento a que cobre, o jornal muito provavelmente nunca estampou fotos chocantes em suas primeiras páginas. Irônico é ver a página reproduzida abaixo como uma autêntica foto de cadáver, o ponto final de um veículo de comunicação importante, influente, necessário.

Para saber mais da crise na Gazeta Mercantil e como a situação chegou a este ponto, vá por aqui.

intercom sul começa hoje em blumenau

A décima edição do Congresso da Intercom na região Sul começa hoje na Furb, em Blumenau.

Alguns números:

7 Divisões Temáticas, com 130 trabalhos previstos para apresentação

4 painéis

56 categorias da Expocom com finalistas

14 livros em lançamento

  • A Rádio no Espaço Escolar: Para Falar e Escrever Melhor, de Zeneida Alves de Assumpção
  • Civic Journalism: Haverá um Modelo Brasileiro?, de Márcio Fernandes
  • Contos de Fadas da Publicidade, de Lorreine Beatrice e Roseméri Laurindo
  • Ética no Jornalismo, de Rogério Christofoletti
  • História, Memória e Reflexões sobre a Propaganda, de M. Berenice Machado, A. Queiroz e D.C Araújo
  • Jornalismo e Mídia Social, de Evandro de Assis
  • Jornalismo em Três Dimensões: Singular, Particular e Universal, de Roseméri Laurindo
  • Leituras Sociais da Mídia, organizado por Cláudio Muller
  • Observatório de Mídia: Olhares da Cidadania, organizado por Rogério Christofoletti e Luiz Gonzaga Motta
  • O que é Radioteatro, de Ricardo Medeiros
  • Propaganda no Rádio: Formatos de Anúncio, de Clovis Reis
  • Realidade Regional em Comunicação: Perspectivas da Comunicação no Vale do Itajaí, organizado por Clóvis Reis
  • Retratos Midiáticos do Meio Ambiente: Gestos de Interpretação, organizado por Ariane Carla Pereira
  • Vidas Recortadas: Vidas Recontadas, organizado por Francisco Carlos Stocker

os testes da coréia e o nosso telhado de vidro

Homer-768566O Brasil fez coro ao resto do mundo e condenou o lançamento de mísseis nucleares pela Coréia do Norte. O Itamarati esbravejou contra a ameaça do oriente. Só que quem tem telhado de vidro não pode atirar pedra nos outros. Por aqui, vazou material radioativo em Angra 2, mas a empresa responsável pela usina diz que foi “insignificante”.

Pode até ser, mas o fato se deu faz mais de dez dias e só agora anunciam o episódio. O governo brasileiro não sabia disso? Se não, estava mal informado, o que é preocupante. Se sabia, foi mal intencionado, como aquele macaco que senta em cima do próprio rabo e zomba da cauda dos colegas…

diretrizes curriculares: um texto de eugênio bucci

O Observatório de Imprensa publicou há pouco (mais) um excelente texto de Eugênio Bucci, agora tratando dos debates sobre as novas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. Bucci participou da terceira audiência pública que a comissão que trabalha nas diretrizes convocou. E na ocasião, em pouco mais de dez minutinhos, lançou sugestões de conteúdos que deveriam preencher os currículos.

No texto do Observatório, Bucci amplia o escopo de sua fala. Vai além dos quatro eixos que havia formulado, e ainda reflete sobre o momento de crise do jornalismo, e o enfado nas universidades. Imperdível!

Leia aqui.

dois casos de péssima administração dos negócios em mídia

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A chamada nova economia tem sido pródiga em mostrar casos de jovens gênios que criam soluções ou inventam necessidades e tornam-se podres de ricos da noite para o dia. Jeff Bezos, Bill Gates, Steve Jobs, a dupla do YouTube, o menino-com-cara-de-bobo-mas-que-de-bobo-não-tem-nada do Facebook, e por aí vai…

Mídia e tecnologia podem dar muito dinheiro sim, mas nas mãos certas.

Esta semana, duas notícias no mercado brasileiro mostram o lado avesso a esse, o dos desastres gerenciais. É falência, é passivo trabalhista, é erro estratégico de investimento, é péssima gestão de negócios. Estou falando da Gazeta Mercantil e dos Bloch, que já tiveram uma das principais revistas nacionais – a Manchete – e uma rede televisiva, de mesmo nome.

Vejam com seus próprios e incrédulos olhos:

Compradora não paga e leilão da Bloch Editores vira novela
(do Comunique-se)

Tanure decide devolver Gazeta Mercantil a Levy
(também do Comunique-se)

Levy diz que não vai assumir Gazeta; CBM afirma que vai colaborar
(ainda do Comunique-se)

Levy anuncia o fim da Gazeta Mercantil
(do Observatório da Imprensa)

 

Enquanto lá fora se queixam da queda das tiragens, da baixa nos negócios, aqui, tem gente que consegue se enforcar sozinha…

lost, house e a salvação do jornalismo

Na semana passada, meus seriados favoritos encerraram suas temporadas. Naquela ilha misteriosa, os passageiros do vôo 815 da Oceanic Air estão mais perdidos ainda: viagens no tempo, gente que morre e que retorna, guerra de facções, bombas exterminadoras… Quem acompanha a saga de Lost sabe que os produtores anunciaram um fim na sexta temporada, o que significa que por volta de abril ou maio do ano que vem teremos as respostas aos muitos questionamentos que a série provocou.

house_elenco11No Princeton-Plainsboro Hospital, a equipe do doutor Gregory House continua decifrando os mais intrigantes diagnósticos da medicina. Também na quinta temporada, House não abandonou a velha fórmula de seus episódios: associação de sintomas esquisitos, intrigas entre os médicos, pitadas generosas de sarcasmo e ironia, diálogos rasgantes e um dos personagens mais interessantes da TV das últimas décadas.

Tanto House quanto Lost chegaram ao final de suas temporadas com episódios muito bem escritos, com tramas bem urdidas, de maneira a deixar seus públicos ansiosos por ver mais capítulos dessas histórias. Não é novidade nenhuma dizer que os seriados norte-americanos são hoje ilhas bem conservadas de originalidade e qualidade técnica em suas produções. Basta olhar a TV e as sala de cinema e perceber que as inovações de formato, de temáticas, de linguagens têm vindos quase todas das produções para a telinha.

O cinema tem se apoiado em frequentes adaptações literárias, em remakes, e nas sequências de filmes de sucesso. Por conta dos orçamentos altos, da crise mundial, da falta de ousadia e de alguma preguiça, o filé mignon da produção audiovisual mundial tem sim circulado na formato de seriados. House e Lost são apenas bons exemplos disso.

E o jornalismo?

Mas o leitor deve estar se perguntando: o que tem a ver uma coisa com outra? Seriados são ficções e jornalismo é outra conversa. Sim, claro, mas o sucesso de House, Lost, Heroes, 24 Horas, Grey´s Anatomy, Damages, The Sopranos, Sex and City e tantos mais pode nos ajudar a pensar a tão famigerada crise do jornalismo.

É verdade que se fala mais de crise dos jornais. Nos Estados Unidos, a queda vertiginosa de tiragens, a redução do tempo de leitura, os cortes de assinaturas e a migração de anunciantes para outras mídias têm feito com que muita gente perca o sono. Há abutres que chegam a anunciar a data final, que vai decretar a morte dos jornais. Executivos se reúnem com acadêmicos para pensar em saídas. Por aqui, no Brasil, não se pode dizer que o pessimismo seja tanto, mas o setor está mais que ressabiado.

Como os negócios não vão lá muito bem, há quem diga que o problema do paciente precisa ser mesmo resolvido de qualquer forma. Se ele se queixa de dor na cabeça, que se corte a cabeça, oras. Daí, a crise dos jornais vira a crise do jornalismo. Uma crise de negócios se torna uma crise de identidade.

Pra falar a verdade, talvez haja alguma razão nisso, sabe? Talvez o problema de fluxo de caixa nos desacomode e nos leve a pensar em que o jornalismo se tornou hoje e para o que precisamos dele. Por isso, ao menos por agora, tomo como verdadeira uma crise no jornalismo e me ponho a pensar com House, ou com Locke…

Narrativa ou negócio?

lost-season2-300x300Fico pensando aqui com meus botões onde reside o sucesso desses seriados que todos amamos.

O que faz com que acompanhemos essas histórias? O que provoca nossa identificação com aqueles estranhos que só existem dentro daquelas novelinhas? Por que essas personagens nos chamam tanto a atenção? Qual o segredo dos roteiristas, que nos prendem do começo até o fim de uma temporada, e nos fazem esperar ansiosamente pelas próximas?

Arrisco uma resposta: o segredo está na narrativa.

O segredo está em como esses personagens nos são apresentados, em como suas vidas se entrelaçam, em como os cenários se descortinam à nossa frente, em como as circunstâncias vão se compondo num conjunto heterogêneo, dinâmico, conflituoso e complexo que são suas realidades. A descrição bem feita de um caracter extrapola a persona chapada e sem brilho, gerando um personagem vivo, multifacetado, contraditório, como queremos encontrar, como gostamos de nos enxergar.

Outros ingredientes como mistérios, dramas e perdas pessoais, grandes e pequenas tragédias, algum romance e intriga são bem vindos, e entram como temperos na mistura. Queremos fugas, buscamos fantasias, tentamos abstrair de nossas rotinas esmagadoras. Nos seriados, assistimos a tudo isso, de modo cômodo, confortável e – melhor ainda – seguro.

O jornalismo não desperta o mesmo interesse nem tampouco um décimo dessa paixão. Eu sei. Entretenimento sempre nos move mais, nos envolve de maneira mais abrangente e interesante. Mas fico imaginando: e se o jornalismo conseguisse extrair desses seriados alguns elementos que pudessem lhe restituir mais vigor e força? E se o jornalismo se aproximasse  de alguma maneira dos seriados absorvendo características que reforçassem a sua vocação, a sua natureza, o seu espírito?

Vejam que não estou defendendo uma reinvenção do jornalismo pelos moldes da ficção seriada. Não. Eu falo de resgate, de retomada, de reverso. E pelo que chamei de segredo do sucesso dos seriados, a narrativa. Isto é, e se o jornalismo observasse nos seriados a maneira como bem contar suas histórias, os contornos de um bom personagem, a dinâmica de uma envolvente sequência de fatos? Não se trata de capitular à ficção e renunciar à vocação da narrativa realista e do imperativo ético de dizer a verdade. Na verdade, uso outras palavras para perguntar: o jornalismo vive uma crise de negócios ou uma crise narrativa?

Economia afetiva

Essas minhas especulações me fazem pensar, por exemplo, que hoje se fala em oferecer experiências ao público. Na publicidade, no entretenimento, nos negócios, na mídia de maneira mais ampla, se fala em oferecer experiências interessantes, apaixonantes para os consumidores. Não mais se esfrega a marca do produto no rosto do seu possível comprador. Deve-se ir além, vinculando a mercadoria com algum prazer, alguma sensação, alguma memória e sentimento humano.

O jornalismo pode se desviar disso? O jornalismo tem que se desviar disso? O jornalismo pode traçar caminhos outros que não incorram numa derrocada desse tipo?

Ou de forma mais aguda: o jornalismo pode oferecer uma experiência narrativa mais envolvente, mais pulsante, mais interessante e mais concreta para o seu público? Uma reportagem pode ir além de informar o leitor? Posso pensar no meu leitor como um usuário, um parceiro, um acompanhante numa experiência de informação? Sim, tem gente que já trabalha nisso. Tem gente que experimenta com jornalismo de imersão, onde o leitor mergulha no fato, tendo acesso a conteúdos em camadas que lhe permitem se aprofundar no tema, conforme seu interesse, disponibilidade e disposição. Tem gente que experimenta a produção de games para informar ao mesmo que se entretém o público.

Os mais puristas podem reclamar, afinal jornalismo não é isso. Concordo. Jornalismo não é entretenimento. Mas talvez os jornalistas devamos observar mais os produtos diversionais para enxergar neles elementos que gerem empatia, envolvimento, interesse, paixão, emoção. É pensar o jornalismo pelo viés de uma economia afetiva. São ensaios de idéias essas minhas. Se perseguirmos esses vestígios, teremos que discutir onde o jornalismo vem se apoiando hoje, e que tipo de repercussões provocaria adotar essas escolhas. Como fica a credibilidade, por exemplo? E nossos protocolos éticos? E a função do jornalismo em sociedades complexas e ansiosas por informação?

Pode ser um monte de besteiras essas minhas especulações, mas afinal o que fez com que você chegasse até o final deste post, se não o interesse por diversão e jornalismo?

sbpjor lança edição 2009 de seu prêmio de pesquisa em jornalismo

logosbpjor
A partir de 1º de junho, estarão abertas as inscrições para a quarta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. A premiação é voltada para trabalhos elaborados durante o ano de 2008 em três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Uma quarta categoria (Sênior) é destinada a pesquisadores com reconhecida trajetória no campo do Jornalismo. Entre as novidades deste ano está a composição das comissões avaliadoras por três membros e a possibilidade de envio de trabalhos de iniciação científica em co-autoria.

As inscrições vão a 10 de agosto, e os resultados têm anúncio previsto para 6 de outubro. Os vencedores de cada categoria e seus respectivos orientadores receberão seus diplomas de mérito durante o 7º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo, em novembro, na cidade de São Paulo.

Leia o regulamento aqui.

Os trabalhos devem ser enviados para o email premiosbpjor@yahoo.com.br

porque hoje é sábado…

…Vinicius e Toquinho nos contam o que é a felicidade

honestidade!

Fazer TV ao vivo não é fácil. Agora, imagina acordar de madrugada, fazer telejornal ao vivo, responder perguntas capciosas de bate-pronto e ainda manter a fleuma e a integridade. Foi o que aconteceu no Bom Dia Brasil de ontem, 21 de maio.

Foi assim:

Renata Vasconcelos chama reportagem que conta o caso da FNAC, que – por um erro de sistema – colocou diversos produtos à venda na internet por míseros R$ 9,90, inclusive computadores e TVs de plasma. A reportagem conta a história e voltamos para o estúdio. Marcio Gomes dá uma de engraçadinho e pergunta de forma marota à Mariana Godoy – que está no link de São Paulo – se ela resistiria à “oportunidade” de comprar um aparelho que custa quase R$ 6 mil por menos de R$ 10,00.

A resposta de Mariana Godoy é sensacional, e só perde para o sorrisinho amarelo de Gomes.

Veja com seus próprios olhos.

(Só fui saber depois, a partir da dica de Laura Seligman. Obrigadis!)

4 anos de monitorando, 1000 posts e algumas histórias

Hoje, este espaço completa quatro anos de existência, sendo a metade deles no WordPress. Ao mesmo em que isso acontece, percebo que este é o milésimo post por aqui. Essas duas marcas ajudam a compor um momento especial para mim, pois é na condição de blogueiro que tenho tido a oportunidade de me comunicar com mais gente, conhecer outras realidades e ampliar o horizonte dos meus interesses.

Quem é blogueiro sabe que manter decentemente um espaço na internet é como ter uma microempresa, um pequeno filho ou mesmo um cachorro bem carente. Tem que alimentá-lo bem, zelar pela sua integridade, gerenciar com quem ele se relaciona, enfim, cuidar. Blogueiro não é quem cria, mas quem cuida, quem cultiva.

Refiro-me a blogueiros sem financiamento ou remuneração, como eu. No mundo do trabalho, chamariam de amadores, muito embora seja uma grande contradição alguém ser um blogueiro profissional. Os blogs e outras traquitanas tecnológicas pós-internet bagunçaram nossas noções mais primitivas de trabalho, de rotina produtiva, de fluxo informativo, de hierarquia no processo da comunicação, e por aí vai. O blogueiro se guia por uma ética hacker – na acepção de Pekka Himanen, o antropólogo que estudou as comunidades de nerds e constatou que “hacker” não é um palavrão. Em geral, blogueiros são diletantes, generosos, vivem em bandos, mesmo que separados por fios e distâncias abissais. Blogueiros não são seres tecnológicos, são pessoas que se valem da tecnologia para viver (ou quem sabe ser) melhor. Como o surfista que se aproveita da prancha para conhecer o mar…

Por isso, agradeço aos leitores deste espaço e principalmente aqueles que foram meus interlocutores, deixando comentários, indicando links, retificando equívocos… Desde maio de 2007, contabilizei aqui mais de 134 mil visitas, pouco se comparado aos campeões de audiência, mas muito aquém do eu jamais pudesse esperar. Ainda em termos estatísticos, o monitorando.wordpress registrou mais de 1500 comentários neste tempo. O dia em que tivemos mais visitas – 2146!! – foi o 26 de novembro de 2008, quando passei a deixar por aqui relatos das enchentes que destruíram boa parte do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, de onde irradiamos nosso sinal. Trágicos, aqueles dias de novembro mostraram – como com o Katrina, nos EUA – a força da blogosfera e o quanto a tecnologia pode ajudar a unir pessoas e vidas.

Com quatro anos de blog, tivemos alguns layouts, e só aqui no WordPress foram quatro até agora: NeoSapien, Digg 3 Column, Conections e Cutline. Porque mil posts são também uma marca, o Monitorando passa por mais uma cirurgia plástica e passa a adotar o template Freshy, de Jide.

Por isso, entre e fique à vontade. Obrigado pela sua sempre bem vinda visita. Se gostou, indique aos amigos. Se não gostou do blog, ótimo! Indique então aos inimigos…

contagem regressiva para o intercom sul

Faltam oito dias para a décima edição do Congresso da Intercom na região Sul. O evento vai de 28 a 30 de maio, e acontece na Furb, em Blumenau (SC).

A programação pode ser conferida aqui, os finalistas do Expocom, aqui. As oficinas, aqui.

crítico de mídia é o grilo falante da cidadania

Reproduzo o ótimo artigo de meu amigo Luiz Gonzaga Motta, publicado originalmente no Observatório da Imprensa. Como sempre, Motta esbanja elegância, inteligência, poder de síntese e imaginação criativa.

Há poucos dias, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Franklin Martins, disse em palestra no Rio de Janeiro que a crítica da mídia se espalha na sociedade: é o Grilo Falante da mídia brasileira. Ele fazia referência a uma personagem dos desenhos de Walt Disney, que age como conselheiro crítico de outras personagens. O Grilo Falante desempenha o papel de consciência oculta. O nome provém do eufemismo Jiminy Cricket, derivado de Jesus Christ, em inglês.
A metáfora é sugestiva. Proponho que os observatórios de mídia adotem esta personagem como figura-símbolo. Ela se ajusta bem aos observatórios de imprensa. Os observatórios não pretendem ser anjos da guarda da sociedade. Mas desempenham um inevitável papel na proteção dos cidadãos diante dos abusos dos meios de comunicação. Especialmente a partir de agora, depois que caiu a Lei de Imprensa. O Grilo Falante é um bichinho simpático, grita sempre quando seu protegido está à beira de cair em armadilhas. É um observador precavido, atua para evitar o pior.
O jornalismo é um serviço público, mas em nossa sociedade se organizou como atividade exclusivamente comercial. Em sua lógica, obedece prioritariamente às demandas do mercado, não às da sociedade. Quem argumentar contra, basta recordar a feroz disputa atual por índices de audiência entre os telejornais.

Uma ponte entre obra e leitor
Há uma defasagem permanente entre o que o jornalismo reporta e o que a sociedade quer. Agenda pública e cobertura jornalística nem sempre coincidem. O jornalismo não responde necessariamente à pluralidade dos interesses e demandas sociais.
Daí, a necessidade da crítica. A crítica é uma prática ética, uma atividade hermenêutica que se contrapõe à primeira interpretação dos fatos, a interpretação jornalística. Revela os mal-entendidos, amplia a compreensão, mostra a distância entre textos e contextos.
A crítica parte de juízos prévios, implica sempre uma atitude valorativa. Não há exercício crítico sem valores e não há qualquer problema com isso. As pressuposições de um indivíduo ou grupo, muito mais que preconceitos, constituem a realidade histórica do ser, como nos recorda H. Gadamer. Pressupostos são, portanto, parte constituinte da crítica.
O crítico é o Grilo Falante, o mediador entre os objetos culturais (notícias, reportagens, telenovelas etc.) e o público. Liga a obra ao universo cotidiano do leitor, ouvinte ou telespectador. Projeta-se como uma ponte entre obra e leitor, abrindo-lhe portas a processos da produção jornalística ou midiática freqüentemente desconhecidos e longínquos.

Um olhar ético e universalizante
Qualquer crítico investe na parcialidade. Como afirmam muitos autores, estando próximo da paixão, o crítico fica mais perto da universalidade. A paixão instrui as perguntas que vamos formular aos objetos culturais.
A questão passa então a ser: quais valores justificam tais perguntas? A resposta não é fácil, e necessariamente remete à reflexão sobre o posicionamento histórico do crítico e do objeto cultural a ser criticado.
A partir deste raciocínio, proponho que o crítico adote valores universais, assuma a posição do outro, amplie seus horizontes para além dos pressupostos individuais. Onde encontrar valores universais? Respondo: em um universalismo ético e pluralista. Colocar-se em defesa da ética da responsabilidade social, contra as injustiças, no lugar do outro, a favor dos que não têm voz.
Concretamente, enquanto crítico da mídia, posicionar-se na defesa de um desenvolvimento social e dos direitos humanos. Não precisamos de muita sociologia. Basta rever documentos assinados pelos nossos chefes de Estado, como a Declaração Universal dos Direitos do Homem, as Metas do Milênio, ou os indicadores do IDH. Eles materializam valores universais e pluralistas e podem ser consultados a qualquer momento. A partir deles, os observatórios podem desenvolver um olhar crítico ético e universalizante. Podem desempenhar com orgulho o papel de Grilo Falante junto à cidadania.

jornalista tem que estar antenado com novas mídias

Deu no Jornalistas da Web, e reproduzo:

Na última semana, Jornalistas da Web realizou uma enquete para saber se o novo profissional de jornalismo deve estar antenado com as novas mídias.

De um total de 79 respostas, a grande maioria, ou 83%, disse que sim, estar antenado com as novas mídias é um pré-requisito hoje em dia. Já 6% disseram que não, mas que é importante hoje em dia. Apenas 2% dos usuários que responderam a pesquisa disseram que jornalista não precisa estar ligado nas novas mídias, e 7% disseram não ter opinião sobre o assunto.

Na enquete desta semana, queremos saber qual recurso do celular, além da funcionalidade de telefone, você mais utiliza. Para votar, basta ir na página principal do site e localizar a enquete, que fica em destaque na coluna da direita. O resultado será anunciado na próxima segunda-feira, 25 de maio

um videocast sobre a crise da imprensa

Pedro Doria iniciou uma série de videoposts analisando a crise da imprensa e suas possíveis repercussões em terras brasileiras. Doria aproveita as informações que vem colhendo do período em que passa um ano de estudos na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, para tentar compreender melhor os arautos do apocalipse e o que pode funcionar (ou não) por aqui.

O primeiro episódio do videocast é sobre uma tal regra dos 30%, que liga o aumento da banda larga de internet nos domicílios à queda da tiragem de jornais.

Vale a pena assistir e acompanhar.

um relato da terceira audiência das diretrizes

A comissão de especialistas que trabalha na reforma das diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo concluiu ontem a etapa das audiências públicas que realizou com variados setores da sociedade. A terceira e última audiência aconteceu na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em São Paulo, e reuniu representantes de diversas organizações. “Foi a reunião mais densa e orgânica que tivemos”, avaliou o presidente da comissão, José Marques de Melo, após quase quatro horas de debates. “As duas audiências anteriores também foram bastante participativas, mas hoje a diversidade das falas enriqueceu bastante o processo”.

Marques de Melo se referia às quase trinta organizações presentes, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) a Unesco e Instituto Ethos, passando pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecos)  e Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI).

As manifestações das organizações, e as sugestões da platéia foram recolhidas pela comissão, que já iniciou a sistematização das informações para a redação de um documento que se pretende resultar no das novas diretrizes. Se antes o prazo de conclusão dos trabalhos era 3 de junho, agora estendeu-se até 12 de agosto, informou a representante do Ministério da Educação Cleonice Matos Henn.

Formação humanística
Não apenas entre as entidades participantes, mas também entre convidados, um tema foi repetido quase à exaustão durante a audiência: a necessidade de reforçar a formação humanística nos cursos de Jornalismo. Foi o caso dos jornalistas Caio Tulio Costa e Eugenio Bucci, que abriram a sessão de manifestações. Para eles – cada um a seu modo -, as escolas precisam retomar conteúdos que contribuam para uma formação mais clássica dos jornalistas, de modo a não apenas se capacitarem a executar tarefas práticas e cotidianas da profissão. “A formação do profissional multimídia não pode acontecer afastada de uma formação humanística”, afirmou Caio Tulio.

Eugenio Bucci criticou a organização atual das disciplinas nos currículos – jornalismo impresso, televisivo, etc… -, argumentando que essa disposição já não mais dá conta das demandas formativas. O professor de Ética da USP citou eixos que poderiam sustentar uma formação ideal na sua visão: Linguagem, Democracia, Formação Humanística e Formação em Teorias da Comunicação. Os conteúdos relevantes para formar novos jornalistas perpassariam esses eixos de forma mais fluida e sistêmica.

Curso complementar ou não?

Outro tema palpitante na audiência foi a própria natureza e modalidade dos cursos de Jornalismo a serem oferecidos no Brasil. Caio Tulio Costa, por exemplo, defendeu a proposta de profissionais formados em outros cursos fazerem especialização nas escolas de Jornalismo, habilitando-se a atuar nas redações. A proposta foi referendada por outras falas, entre as quais a da CNBB. Mas teve resistência bem marcada nas posições de Celso Schroeder, coordenador do FNDC, e de Valci Zuculoto, do Departamento de Educação e Aperfeiçoamento Profissional da Fenaj, que argumentaram pela garantia de formação específica em Jornalismo, e não a sua complementar.

Bem menos ligados à academia, alguns setores demonstraram forte preocupação quanto a oferta de cursos no país. Eduardo Ribeiro, da Mega Comunicação, comparou números de escolas e de egressos à tendência cada vez mais aguda de fechamento de postos de trabalho, e a consequente não absorção de grandes contingentes de recém-formados. Sérgio Gomes, da Oboré Comunicação, queixou-se da impossibilidade real de conciliar os conteúdos e competências desejáveis aos novos jornalistas com as condições encontradas nas escolas e na vida contemporânea.

Dispersão e resultados

A audiência de ontem foi comemorada pelo presidente da comissão, José Marques de Melo, como um momento de diversidade e encontro de pensamentos distintos no debate sobre as diretrizes curriculares. A pluralidade das organizações presentes e a possibilidade de manifestações livres enriquece, mas também fragmenta a discussão.

Nas quase quatro horas de audiência, falou-se de tudo: dos conteúdos desejáveis nos currículos à necessidade de maior fiscalização do MEC sobre os cursos; da urgência da democratização da comunicação ao papel central da ética na formação dos jornalistas. Houve até quem se perdesse, como o representante da ONG Amigos da Água que, em tom alarmante, falou da extinção da humanidade por causa da escassez do recurso; ou ainda como um angustiado repórter fotográfico, que se queixou de como o sindicato dos jornalistas vem permitindo a entrada de profissionais totalmente despreparados no mercado de trabalho.

Audiência públicas são relevantes, mas também são um perigo, pois podem descambar para um festival de catarses ideológicas, de reclamações descabidas e inoportunas, e de outros desvarios. Não foi o caso de ontem, talvez até pelo adiantado da hora e do cansaço evidente de todos.

Audiências como esta têm muito mais significado político do que prático e operacional. Nessas ocasiões, as organizações têm a liberdade de se manifestar e marcar posições, ancorando seus discursos em plataformas mais evidentes. Do ponto de vista prático, a comissão de especialistas teve a oportunidade de recolher contribuições, referendou o processo de debate público e concluiu uma importante etapa em seus trabalhos: ouvir os setores interessados e receber informações e sugestões.

A partir de agora, a comissão deve trabalhar em cima de uma massa considerável de dados, precisando inclusive tomar algumas decisões que venham a orientar o documento que será encaminhado ao MEC. Esse documento ainda não é o que sintetiza as diretrizes curriculares, já que é preciso que o Conselho Nacional de Educação analise e edite essas normativas. Como disse José Marques de Melo no final da audiência de ontem, não se deve alimentar ilusões de que o caminho esteja no final e ele seja tranquilo. De nada adianta termos diretrizes curriculares bem construídas se a sociedade não fazê-las acontecer. Marques de Melo sabe do que está falando e há muito chão pela frente…

sem conexão e em trânsito…

Fui à audiência pública sobre as diretrizes curriculares em Jornalismo que aconteceu em São Paulo. Diferente do que eu esperava, não consegui conexão no auditório da OAB e isso me impediu de twittar direto do evento. Escrevi um relato bem pessoal do que vi por lá e publico amanhã cedinho… é que acordei hoje às 3 da madrugada e não parei até agora… paciência…

10 links incontornáveis sobre jornalismo

No Poynter Online, Roy Clark escreve sobre o quinto poder e o futuro do jornalismo

Carlos Castilho reflete sobre o uso de fontes anônimas no jornalismo e nas novas mídias

Elizabeth Zwerling aponta novos rumos para as escolas de jornalismo com o suposto ocaso dos jornais

Steven Johnson e Paul Starr debatem sobre o futuro do jornalismo

O episódio envolvendo a Veja por ter usado material do Wall Street Journal nos leva a perguntar o que define plágio no jornalismo?

Um relatório americano dá dicas de como “salvar o jornalismo”

No Washington Post, Bruce Brown e Bruce Sanford tratam de leis que poderiam salvar o jornalismo

O estudante Josh Halliday arrisca o futuro do ensino de jornalismo

Roselyne Ringoot e Jean-Michel Utard falam de um jornalismo em invenção

Um jornal britânico pede desculpas ao público pelo seu mau comportamento

por que a “cultura da convergência”, de jenkins, interessa a jornalistas?

livro_jenkinsNo final do ano, a Brazilian Journalism Research publicou uma resenha curta que fiz sobre “Cultura da convergência”, que fora lançado por Henry Jenkins no Brasil há poucos meses. Porque cada vez penso mais e mais nas consequências dessa coisa chamada convergência, republico abaixo (agora em português) o texto. Quem sabe a gente não amplia o debate?
(Se quiser ler o arquivo original, clique aqui)
Uma entrevista bacana com ele, no programa Milênio, pode ser vista aqui.

Três idéias já seriam suficientes para que a leitura de “Cultura da Convergência”, de Henry Jenkins, interessasse a jornalistas e pesquisadores da área: a convergência midiática como um processo cultural; o fortalecimento de uma economia afetiva que orienta consumidores de bens simbólicos e criadores midiáticos; a expansão de formas narrativas transmidiáticas.

Isoladas ou associadas, essas idéias não só ajudam na compreensão da indústria da comunicação e de seus mercados derivados, como também auxiliam a recuperar parte de sua história recente. Isso porque Jenkins se preocupa em documentar com rigor e com detalhes as principais transformações no cenário de criação e consumo midiático.

O professor do Programa de Mídias Comparadas do Massachusetts Institute of Technology acompanha de perto as modificações nos seriados televisivos, no cinema, na publicidade, nos games, na internet, na política e na cidadania. Observa como, há mais de uma década, o público tem deixado uma posição predominantemente passiva e acomodada para ocupar um novo lugar no processo da comunicação. O usuário deseja participar mais dessa experiência, sabe compartilhar seus conhecimentos sobre aqueles temas com outros consumidores afins e chega, inclusive, a criar coletivamente peças sobressalentes que podem se encaixar à estrutura de produtos disponíveis.

Um exemplo ilustra esse novo público descrito pelo autor: a indústria da mídia lança um novo filme sobre o Homem-Aranha, e em seguida novos produtos associados, como um videogame, uma nova série de revistas em quadrinhos, um website, um punhado de desenhos animados para a televisão. Milhões de pessoas terão acesso a esses conteúdos, passando não só a consumi-los, mas a tomá-los como experiências. Milhares dessas pessoas vão se associar em redes na internet para discutir o filme, para dar dicas de como evoluir no game e também para trocar informações sobre o super-herói. Os mais fanáticos vão além: criarão blogs sobre o tema, escreverão narrativas paralelas alterando o final do filme ou indicando novas ramificações no enredo. Isto é, o público dá continuidade ao que a indústria ofereceu. E esses consumidores só fazem isso porque admiram muito o Homem-Aranha, pois o consideram familiar, modelo para algumas condutas e detentor de outras virtudes atraentes.

Na época da convergência midiática, o que Henry Jenkins chama a atenção é que essa convergência não se restringe ao desenvolvimento de aparatos tecnológicos e nem à confluência de meios para uma única “caixa preta”. O autor salienta que a convergência representa uma “transformação cultural, à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos midiáticos dispersos”. Isto é, a convergência não acontece por meio dos aparelhos, mas “dentro dos cérebros de consumidores individuais e em suas interações sociais com outros”.

Ao colocar o tema da convergência numa outra perspectiva, o autor não nos deixa esquecer que o público mudou muito nos últimos vinte anos. Criadores da indústria midiática – e jornalistas também! – não podem ignorar esse fato, e precisam se reposicionar na cena contemporânea.

Em tempos como os nossos, os hábitos de consumo cultural são também afetados pelo fenômeno das franquias de produtos midiáticos. O estúdio que lança o novo filme já projeta sua seqüência, e com isso coloca no mercado outros produtos vinculados ao filme, como CDs de trilha sonora, versões do roteiro no formato de livros, adaptações do enredo para os quadrinhos, videogames de console e para computadores, e outros produtos licenciados, como camisetas, figuras de ação dos personagens, bonés, etc. Os consumidores mais fanáticos vão atravessar os diversos suportes de mídia para ter acesso àqueles conteúdos e produtos. Podem não conseguir alcançar todos os elos dessa cadeia, mas vão por si só reescrevendo uma nova narrativa que trata não apenas do filme original, mas contempla também a sua experiência de consumo dos conteúdos a que teve acesso.

Assim, a história do Homem-Aranha transcende o momento da sua ocorrência na sala de exibição. Ela continua na expansão de episódios menores na trama de início, na adição de outros elementos ou personagens, ou numa nova narração da aventura. Esses esforços não são por reforço ou redundância. O público percebe que pode encontrar novidades para além do produto-matriz e busca pistas em outras peças, reestabelecendo uma nova narrativa, agora transmidiática.
Jenkins adverte que essa disposição do público de encontrar seus personagens favoritos em outros momentos, de viver e reviver essas experiências, atende mais a apelos emotivos que racionais. É uma economia afetiva que rege as forças nesse campo, afirma o autor.

Henry Jenkins se define como um “utópico crítico”, e com isso não se perde deslumbrado com o avanço da tecnologia e com a multiplicação das possibilidades. Ele se entusiasma com o que chama de “comunidade de fãs”, e tenta entrever que tipo de modificações pode advir nos cenários culturais contemporâneos. Segundo ele, na cultura da convergência, novas e velhas mídias colidem, mídias corporativas e alternativas acabam se cruzando e os poderes de consumidores e produtores interagem de formas imprevisíveis. Os resultados desembocam até mesmo na forma de fazer e acompanhar a política, e Jenkins esboça um diálogo que suspende um pouco a tensão entre consumidor e cidadão.

É evidente que jornalismo e entretenimento são produtos semelhantes na sua natureza de conteúdos simbólicos. São substratos midiáticos, são resultados da produção cultural, mas as diferenças se acentuam a partir daí, tanto na forma (embalagem) quanto na essência (o conteúdo embalado). Jornalismo e entretenimento não são consumidos segundo as mesmas regras, mas não se pode ignorar que – em algumas situações – a distância entre ambos fique bem pequena, e que as fronteiras entre um e outro se tornem porosas.

O livro de Jenkins trata de consumo e de marketing, de operações conjugadas para venda de conteúdo e de grandes planos midiáticos. Em tese, o jornalismo deveria estar alheio a isso, oferecendo conteúdos que orientassem melhor as pessoas, que lhes dessem mais condições de compreender a realidade, a despeito de razões comerciais. Mas cada vez mais, percebe-se que o jornalismo converte-se numa mercadoria, num produto de mídia como qualquer filme ou videogame. O jornalismo é uma experiência? Isto é, ao se informar, um cidadão tem uma certa experiência de conexão com o mundo e com seus fatos? Se a resposta for positiva, pode-se perguntar ainda: Esta experiência pode ser oferecida numa narrativa transmidiática e conforme a lógica de uma economia afetiva, segundo descreveu Jenkins?

Talvez seja cedo para responder a essa indagação, mas alguns elementos já nos permitem refletir sobre o papel do jornalismo em meio à convergência. As redações estão se movimentando para dialogar mais com seus públicos, permitindo que participem mais e que se associem em algumas etapas da produção jornalística. A proliferação dos canais informativos impele jornalistas a produzirem conteúdos diferenciados e em várias camadas de aprofundamento de forma a satisfazerem públicos heterogêneos. Com isso, os agentes da informação tentam encontrar formas para fidelizar seus públicos, preocupação até então restrita aos publicitários e aos criadores da indústria midiática. Já se ouve falar de jornalismo de imersão, de associação de games a noticiários e do cada vez mais influente jornalismo participativo. São novos tempos.

Se a convergência dos meios é mesmo um processo mais cultural que tecnológico, as transformações resultantes inevitavelmente vão contagiar os jornalistas. Por isso, observar os movimentos do público pensando no que fazer nas redações é mesmo muito oportuno. “Cultura da Convergência” não é um livro sobre jornalismo, mas não pode ser ignorado por jornalistas e pesquisadores atentos às modificações que o campo da notícia está sofrendo.

diretrizes curriculares: a proposta da renoi

A Renoi finalizou as discussões e redação de um documento que encaminhou ao professor José Marques de Melo, presidente da comissão que reforma as diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo.
O documento pode ser lido aqui.

renoi vai à audiência das diretrizes

A Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (Renoi) participa na próxima segunda-feira, 18, da terceira audiência pública que discute reformas nas diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo. O evento acontece durante a manhã, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo.
A exemplo de outras organizações, a Rede Nacional de Observatórios de Imprensa foi convidada pelo Ministério da Educação e pela comissão de especialistas que lidera a discussão nacional em torno de um novo documento que oriente os cursos de graduação na área. A Renoi discute internamente um texto que apresentará com contribuições ao debate.
De acordo com informações do próprio MEC, a comissão deve concluir seus trabalhos e apresentar uma proposta de texto ao Conselho Nacional de Educação no início de junho.

Vou representar a Renoi no evento e farei um relato muito em breve. Quem sabe se as condições ajudarem, posto algo pelo Twitter também…

seminário discutiu qualidade no jornalismo

(Do relise do Monitor de Mídia)

seminario2O primeiro Seminário Renoi-UNESCO de Qualidade da Informação Jornalística, que aconteceu em 13 de maio na Univali (SC), apresentou para estudantes, profissionais e pesquisadores o que na maioria das vezes passa despercebido ao olhar de quem consome notícia. Ao contrário de boatos que circulam em todos os tipos de meios, os periódicos não estão com os dias contados: jornais populares de qualidade vêm conquistando cada vez mais espaço no mercado. A revista Veja, mais lida no país, não mostra o Brasil tal como é. Nem sempre o que aparece na mídia é o que o público quer ver. O assunto em pauta é: qualidade. Como analisar estes temas?

O evento foi promovido pelo Monitor de Mídia e aconteceu no auditório 1 de medicina da Universidade do Vale do Itajaí. O seminário, que é resultado de uma parceria entre a Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (Renoi) e a UNESCO no Brasil, contou com quatro palestras de professores pesquisadores. Foram apresentados estudos referentes à qualidade jornalística em esfera regional, estadual e nacional.

A professora Laura Seligman foi a primeira a mostrar os resultados da pesquisa Jornais populares de qualidade: ética e sensacionalismo em um novo fenômeno no mercado de jornalismo impresso. O trabalho realizado em parceria com a acadêmica Karis Cozer analisou 24 semanários de Santa Catarina e verificou que os jornais do interior catarinense adotaram como padrão as características dos jornais populares de qualidade.

Em seguida, a pesquisa Veja só o Brasil: a construção social da realidade em duas mil capas da revista Veja foi apresentada pela professora Valquíria Michela John. O estudo desenvolvido em conjunto com a acadêmica Taiana Eberle apontou perfis dos conteúdos e imagens vinculados nas capas da revista. Segundo a análise, o brasileiro retratado pela Veja é em sua maioria branco, homem e adulto. Outro dado importante revelado pela pesquisa é a invisibilidade dos negros nas capas.

A qualidade percebida na imprensa catarinense foi o objeto de estudo do professor Sandro Galarça, juntamente com a jornalista Patrícia Wippel. Durante três anos, eles analisaram os maiores impressos em circulação na época em Santa Catarina: A Notícia, Jornal de Santa Catarina e Diário Catarinense. A palestra divulgou os resultados da última etapa da pesquisa. Segundo Galarça, nem sempre o que o jornalista escolhe divulgar é o que as pessoas querem ler. Ainda assim, ele conclui que o público se sente satisfeito com o que é publicado.

O professor Rogério Christofoletti encerrou o seminário com os resultados preliminares da pesquisa em andamento que desenvolve com a Renoi e a Unesco. O estudo, que visa criar um mecanismo de avaliação da mídia impressa, é realizado por mais três consultores brasileiros: Josenildo Luiz Guerra (UFS), Luiz Egypto (Observatório da Imprensa) e Danilo Rothberg (UFSCar – USC).

O evento teve cobertura em tempo real pelo Twitter do MONITOR DE MÍDIA e as informações estão disponíveis para acesso juntamente com imagens das palestras no http://twitter.com/monitordemidia.

Outras duas edições do Seminário Renoi – Unesco acontecem nos próximos meses, um em Aracaju e outro no interior de São Paulo, onde atuam os consultores da pesquisa.

twitter, o diploma e um erro meu

Os últimos quinze minutos foram alucinantes por aqui.

Decidi escrever um texto sobre a possível decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a exigência do diploma para o jornalismo. Foi um exercício de redação. Considerei a hipótese de o STF ter julgado pela não necessidade de portar o documento para se obter o registro profissional. No texto, eu analisava a situação.

Por um erro qualquer, esbarrei a tecla para publicar o texto. Mas nem percebi isso.

Saí da sala, fui resolver outros assuntos e quando voltei, havia diversas replicações ao meu post no twitter. Muita gente dando links para este blog que teria dado em primeira mão a notícia.

Não, não. O diploma não caiu!

Foi um erro meu, e peço desculpas pela atrapalhação. Sou um homem de idade, sabem como é…

O que fiz?

1. Deletei o post. Já deu a confusão que eu não queria.

2. Entrei no twitter e rapidamente – em menos de 140 caracteres – tentei apagar o incêndio que eu mesmo havia criado.

3. Os mesmos twitters que me replicaram antes juntaram-se para apagar os focos pela twittosfera.

4. Estou escrevendo este post para reiterar: não houve a decisão do STF. O assunto sequer figura na pauta do Supremo para esta semana. Repito: o diploma não caiu!

seminário de qualidade no jornalismo terá cobertura em tempo real

O Seminário Renoi Unesco de Qualidade da Informação Jornalística, que acontece na noite de hoje na Univali, em Itajaí (SC), terá cobertura em tempo real pelo Twitter e pelo blog do curso de Jornalismo.

Alunos pesquisadores do projeto Monitor de Mídia vão se encarregar da transmissão, que pode ser acompanha no twitter pela tag #qualidade ou ainda com fotos e textos mais extensos no Blog do Jornalismo.

Durante o seminário, serão debatidos resultados parciais da pesquisa sobre os indicadores de desenvolvimento da comunicação, resultantes da parceria RENOI-UNESCO, bem como outros estudos sobre qualidade desenvolvidos por pesquisadores do MONITOR. O evento é aberto a profissionais, pesquisadores e estudantes da área.

 Serviço:
Seminário Renoi-UNESCO de Qualidade da Informação Jornalística
Com os professores Laura Seligman, Rogério Christofoletti, Sandro Galarça e Valquíria John
Dia 13 de maio de 2009
Das 19 à 22h30
Auditório 1 da Medicina, blocos 24 e 25
Univali – Itajaí (SC)
Entrada Franca

comissão das diretrizes pode ouvir notáveis

Miriam de Abreu, do Comunique-se, informa que a comissão designada pelo MEC para reformar as diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo pode se estender além das audiências públicas que se encerram na próxima semana…

A Comissão do Ministério da Educação formada para discutir as diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo avalia a possibilidade de ouvir nomes notáveis da área, como autores e jornalistas. O objetivo é colher o máximo de posições e perspectivas para que se possa apresentar ao MEC uma proposta consistente. O grupo deve conversar individualmente com essas pessoas, cujos nomes ainda não estão definidos.

As audiências públicas realizadas pela Comissão estão chegando ao fim. Os especialistas que fazem parte do grupo se reúnem na próxima segunda-feira (18/05) em São Paulo com segmentos da sociedade civil, movimentos sociais e organizações não-governamentais para ouvir suas sugestões.

Na agenda do MEC, consta que no dia 03/06 a Comissão vai avaliar todas as propostas oriundas dessas audiências e também das contribuições que chegaram por e-mail. Não se sabe ainda se o cronograma vai mudar, já que o grupo não decidiu se vai ou não ouvir individualmente nomes reconhecidos da área.

Em conversa com o Comunique-se em abril, o presidente da Comissão, José Marques de Mello, fez questão de enfatizar que o objetivo do grupo é garantir “a liberdade curricular nas universidades e estabelecer diretrizes que não sejam uma camisa de força. Vamos respeitar as diversidades regionais, não queremos um tipo de jornalismo chapado. Defendemos uma formação básica genérica e unificada, mas cada curso deve procurar uma vocação”.

Outra proposta que vai ser avaliada pela Comissão é a da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) sobre a realização de um novo encontro depois de 18/05 para a apresentação da conclusão do resultado final do trabalho dos especialistas que integram o grupo.

A próxima audiência será realizada das 9h às 12h, na OAB-SP.

americanos estão mesmo preocupados com a crise na imprensa

Chega o convite:

Two universities and the Committee of Concerned Journalists are bringing together journalists, researchers, scholars, entrepreneurs, technologists, regulators and the public in Washington, D.C., on May 27 for a “critical convening” on the future and sustainability of journalism and America’s newspapers.

ONE DAY: Wednesday, May 27, 2009

The George Washington University
Washington, D.C.

DETAILS/REGISTRATION: http://www.journalismtrust.org

seminário de qualidade no jornalismo na univali

O MONITOR DE MÍDIA, projeto do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Univali, realiza no dia 13 de maio o Seminário Renoi-UNESCO de Qualidade da Informação Jornalística. O evento deve discutir parâmetros de avaliação da imprensa brasileira, e é uma parceria entre a UNESCO e a Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (Renoi), da qual o Monitor é membro. Este é o primeiro de três eventos nacionais sobre o tema da qualidade no jornalismo. Acontecem outros nas regiões sudeste e nordeste.
Durante o seminário, serão debatidos resultados parciais da pesquisa sobre os indicadores de desenvolvimento da comunicação, resultantes da parceria RENOI-UNESCO, bem como outros estudos sobre qualidade desenvolvidos por pesquisadores do MONITOR.
O evento é aberto a profissionais, pesquisadores e estudantes da área.

Serviço:
Seminário Renoi-UNESCO de Qualidade da Informação Jornalística
Com os professores Laura Seligman, Rogério Christofoletti, Sandro Galarça e Valquíria John
Dia 13 de maio de 2009
Das 19 à 22h30
Auditório 1 da Medicina, blocos 24 e 25
Univali – Itajaí
Entrada Franca

época, house, meu cérebro e o futuro da ciência

0,,165121,00A capa da revista Época desta semana me chamou a atenção no caixa do supermercado. O personagem retratado me lembrou alguém bem próximo, um parente talvez, ou eu mesmo. O fato é que trouxe comigo a edição cuja matéria de capa trata de avanços científicos nas neurociências, uso cada vez mais frequente de drogas para a expansão da inteligência e assuntos ligados à compreensão do cérebro, esse mistério.

O capista poderia, aliás, ter escolhido outra figura para ilustrar o assunto, o tal do cérebro quem sabe ou ainda um gênio qualquer. Escolheu um jumento, daí a minha identificação com a capa e o apelo comercial do qual fui vítima. Bem, o material de Época é muito bom. Não chega a deixar o leitor mais inteligente, mas certamente mais bem informado sobre o tema. São entrevistas especiais, reportagens e uma boa dose de infográficos. Me chamou a atenção a matéria de abre que conta como tem sido cada vez mais comuns os casos de pessoas que recorrem a remédios para aumentar a concentração, vencer o cansaço mental, fixar a memória e outras coisas. Não sabia que a coisa estava assim não, e até fiquei tentado a recorrer a esses anabolizantes cerebrais. Fui tentado a imaginar isso por conta de House, o médico do seriado que desvenda os mais intrincados mistérios em diagnósticos inusitados.

House é uma figura tão fascinante quanto odiosa. Para ele, o barato não é curar pacientes, vencer a morte, contornar as doenças. Para House, o que vale é desvendar enigmas, resolver problemas, e tudo entre a vida  e a morte se resume a jogos mentais, gincanas cerebrais que se ocupam de identificar nos sintomas dos pacientes as peças e suas conexões para a montagem de um puzzle.

Quem está acompanhando a quinta temporada de House sabe que nos últimos episódios – 14 e 15 -, o médico vem sofrendo de alucinações que desafiam a sua própria noção de mente. Quer dizer, House está “vendo” Amber, a namorada morta de seu amigo Wilson. As sugestões de Amber fazem com que House cometa erros de diagnóstico terríveis, e ele passa a duvidar de sua própria lucidez. Vocês sabem: House é um viciado. Sim, vive à base de Vicodin, um potente analgésico, a que ele reputa não apenas o controle da dor em sua perna mas também a uma imaginação mais criativa, uma concentração mental maior e outros super-poderes cerebrais.

Não sei até onde os roteiristas de House vão nos levar com essa história toda. Sei que é divertido ver House conversando com sua alucinação, como quem dialoga com seu inconsciente ou sistema límbico. Vez em quando, faço isso também. Pergunto para mim mesmo, como quem espera ouvir uma resposta. Não sou House, claro. Não alucinei ainda, mas inverter problemas, lançar perguntas para um espelho funciona às vezes.

Não sou a melhor pessoa para se perguntar qual o futuro da ciência com relação à inteligência. Mas outro dia ouvi uma piada que dá pistas sobre isso. Estudos mostram que hoje são gastos mais recursos com implantes mamários e próteses penianas do que com pesquisas para a cura do Mal de Alzheimer. Isso quer dizer que daqui a trinta anos, muito possivelmente, teremos idosos com corpos esculturais mas sem a menor idéia do que fazer com eles.

palestra adriana amaral, a cobertura

Se você não pôde aparecer na palestra que Adriana Amaral deu na Univali ontem à noite, a saída é acompanhar como foi a cobertura pelo Twitter e pelo Blog do curso de Jornalismo. A cobertura ficou a cargo de Joel Minusculi e Laura Seligman, ambos do Monitor de Mídia.

um raio x nos portais noticiosos de itajaí

A edição nº 148 do Monitor de Mídia chega à rede com um criterioso pente fino sobre os portais noticiosos de Itajaí. Quando se fala de jornalismo online, um dos lugares comuns é lembrar que na internet é possível e necessário fazer jornalismo local, não descuidar do noticiário mais próximo do leitor. Pois foi isso – e mais – que a equipe do Monitor foi observar em três portais da cidade. As conclusões são delicadas e preocupantes.

Além do diagnóstico de mídia, a edição 148 traz uma reportagem multimídia sobre trabalho infantil em Santa Catarina. As repórteres Camila Guerra, Taiana Steffen e Káris Cozer foram conferir como os governos tratam da erradicação da exploração da mão de obra infantil. Mais uma vez, as conclusões são preocupantes.

Confira no Monitor!

palestra: consumo, juventude e redes sociais

lustreA professora Adriana Amaral, da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), faz palestra na quinta, 7, na minha turma de Redes Sociais sobre o tema “Consumo, juventude e redes sociais”.

É no auditório 2 dos blocos de Medicina (24 e 25) no campus da Univali em Itajaí. O evento começa às 19 horas. Se ficou interessado e pensa em passar por lá, não deixe de ler este texto, especialmente recomendado pela palestrante.