A Revista Imprensa promove em 4 de maio, em São Paulo, a segunda edição do seu Fórum sobre Liberdade de Imprensa e Democracia. O evento tem o apoio da Rede Globo, ABI, OAB e Fiesp, onde acontece.
As inscrições são gratuitas, mas limitadas.
Veja no site do evento.
7 links que acabo de encontrar na gaveta
Você arruma um tempinho e começa a organizar as coisas na mesa, no computador, na cabeça. Descobre coisas muito boas que arquivou e esqueceu. Por isso, listo a seguir sete links que não são totalmente atuais, mas têm sua importância e utilidade. Siga!
- Media Cloud, um sistema que permite navegar pela mídia – http://www.mediacloud.org
- Caio Túlio Costa, o primeiro ombudsman brasileiro, acaba de lançar um livro sobre ética jornalística – http://caiotulio.com
- Press Think, o blog do influente Jay Rosen – http://journalism.nyu.edu/pubzone/weblogs/pressthink
- Em tempos de crise, que tal um observatório do renascimento dosa jornais?
- Futures of learning
- Acesso à informação no país? Quer saber das leis e dispositivos para isso? Vá ao Marco do Acesso
- Da Espanha, ouço falar do Observatorio de la Educación.
dia do jornalista: um pensamento corriqueiro
Sim, 7 de abril é o dia do jornalista. Datas são apenas marcas no calendário, mas que nos provocam a pensar, a refletir sobre uma situação, uma idéia, uma coisa. Penso sobre o jornalismo todos os dias, e hoje não pensei mais por conta da data comemorativa.
Mas a Miriam de Abreu, do Comunique-se, me escreveu pedindo umas palavras sobre a data e o momento atual do jornalismo brasileiro. Muito rapidamente, escrevi o que segue:
Acho que estamos vivendo um momento bastante importante para o jornalismo no Brasil, seja pelo que acumulamos historicamente e ganhamos com a evolução da profissão, seja ainda pelas decisões que 2009 deve trazer para a profissão. Os debates em torno das diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo são cruciais para modernizarmos as bases pelas quais as escolas de comunicação se orientam para criar e manter cursos. Mas são vitais também para repensarmos e refundarmos a identidade do jornalista e a função do jornalismo nos tempos contemporâneos.
As decisões que virão do STF este ano – sobre a constitucionalidade ou não da Lei de Imprensa , e sobre a exigência ou não de diploma universitário para a obtenção do registro profissional -, essas decisões vão tornar claros os limites legais para o exercício do jornalismo, mexendo com o mercado e provocando consequências na qualidade dos produtos oferecidos à sociedade.
Mas não é só isso. O Ministério do Trabalho deve concluir em breve um estudo para uma nova regulamentação da profissão. Um grupo de trabalho foi formado e o resultado disso deve ser uma lei que auxilie não só os profissionais e as empresas, mas a população que anseia por informação responsável, de qualidade e com ética.
Vejo com grande otimismo esse momento, independente de quais sejam os rumos que tomaremos. O mais importante é refletir sobre a nossa profissão, discuti-la e reforçar suas bases que desembocam inevitavelmente na função social que o jornalismo deve encarnar. É um momento histórico, e isso não é exagero. Sairemos de 2009 com novas bases para o jornalismo brasileiro. Em poucas ocasiões tivemos tantas definições concentradas num período tão curto.
Claro que esse pensamento corriqueiro não resume o que eu penso e o que espero do jornalismo. É só uma declaração para uma matéria (leia aqui), e por isso limitada nas palavras, na abordagem e na profundidade. Quem passa por este blog sabe que tudo isso é muito mais complexo e demanda discussões intermináveis e palpitantes. De qualquer forma, faço o registro acima como quem anota uma idéia que teve durante a caminhada, como quem cuida para não perder um fio da meada.
O jornalismo, bem, o jornalismo continua e a vida também. Sigo confiante na profissão, na carreira, na função social que ele pode exercer. Sigo acreditando que o jornalismo pode ser um instrumento para que a sociedade se melhore e que a vida alcance dimensões mais positivas para todos.
qualidade da informação jornalística em livro
Saiu o segundo título da série Jornalismo a Rigor, que o Mestrado em Jornalismo da UFSC está editando com a Insular. Trata-se de “A Qualidade da Informação Jornalística: do conceito à prática”, de Carina Andrade Benedeti.
Veja o que diz o relise do livro:
Os fundamentos da qualidade na informação jornalística têm sido uma questão menosprezada na área científica da Comunicação. Mas o esforço crítico da Academia perde a sua eficácia quando já não consegue distinguir entre o bom e o mau jornalismo, e condena a Mídia como um todo, gerando preconceito contra ela em vez de contribuir para transformá-la. Nas faculdades de Jornalismo, este erro contumaz coloca os estudantes diante do dilema de acreditar na profissão a que se sentem vocacionados ou numa teoria que nega a sua razão de ser. O texto da professora Carina Andrade Benedeti vem romper com esta lógica insensata, propondo uma Teoria Normativa do Jornalismo que ajude a compreendê-lo e a praticá-lo melhor. Fruto de uma dissertação de mestrado defendida na Universidade de Brasília e laureada com o Prêmio Adelmo Genro Filho da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), torna-se uma referência indispensável para os cursos de graduação e pós-graduação da área, assim como para os jornalistas profissionais interessados em refletir sobre a qualidade de seu fazer.
Interessou? Então, vá por aqui.
diretrizes curriculares: mais um relato
Há duas semanas, observei a carência de relatos sobre a primeira audiência pública que discutiu aspectos importantes para as novas diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo. O evento aconteceu em 20 de março no Rio. Recebi de membro da Comissão que lidera as discussões um email com um texto do professor, José Marques de Melo, sobre o assunto. Marques de Melo preside a Comissão, e o texto que reproduzo abaixo é uma versão da aula inaugural do curso de Jornalismo recém-criado na Universidade Federal de São João Del Rey (MG).
Por que reproduzo o texto? Ora, porque ele reforça a discussão sobre a reforma das diretrizes, e porque é assinado por alguém mais do que credenciado para este debate.
Ao texto, portanto!
Repensar o ensino de jornalismo para fortalecer a democracia[1]
Durante seis décadas o Brasil acumulou experiência na formação universitária de jornalistas, construindo uma matriz pedagógica que lhe confere singularidade no panorama mundial.
Mesclando o padrão europeu (estudo teórico) com o modelo americano (aprendizagem pragmática), logramos uma via crítico-experimental de ensino-pesquisa.
Entretanto, o jornalismo adquiriu maior complexidade, principalmente em função da convergência midiática e das transformações da sociedade.
Capitalizando meio século de imersão em atividades jornalísticas, tenho consciência de que o nosso ensino do jornalismo precisa ser reinventando para fortalecer a democracia. Por isso, aceitei a convocação do ministro Fernando Haddad para presidir a comissão encarregada de rever as diretrizes curriculares do curso de Jornalismo.
Formada pela Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação, a comissão tomou posse em Brasília, no dia 19 de fevereiro, decidindo preliminarmente debater a questão com os segmentos representativos da sociedade.
Metas e compromissos
Constituída por jornalistas com experiência no mercado e na academia [Fazem parte da comissão Alfredo Vizeu (UFPE), Eduardo Meditsch (UFSC), Lucia Araújo (Canal Futura), Luiz Gonzaga Motta (UnB), Manuel Carlos Chaparro (USP), Sergio Matos (UFRB), e Sonia Virginia Moreira (UERJ)], a Comissão de Especialistas foi criada para rever e atualizar exclusivamente as diretrizes curriculares do Curso de Jornalismo, dentro da área da Comunicação Social, focalizando dois aspectos: o perfil do jornalista demandado pela sociedade e suas competências ou habilidades profissionais.
Além de promover audiências públicas no Rio de Janeiro (academia), Recife (mercado e profissão) e São Paulo (sociedade civil), a comissão vem mantendo canais abertos para dialogar com todos os segmentos da área, através das suas entidades representativas. Pela internet, vem recebendo propostas e sugestões de todo o país. Cada audiência contempla, portanto, um segmento do universo jornalístico.
Realizada no Rio de Janeiro, no dia 20 de março, a primeira contou com a participação da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo – SBPJOR, do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo – FNPJ, da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação – COMPÓS, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – INTERCOM, Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação – ENECOS, de alguns diretores de faculdades e coordenadores de cursos, além de professores, pesquisadores e estudantes.
Os empresários e os trabalhadores da área serão ouvidos, na cidade do Recife, no próximo dia 24 de abril. Os proprietários de empresas jornalísticas estarão representados pela Associação Nacional de Jornais – ANJ, Associação Nacional de Revistas – ANER, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – ABERT, Associação Brasileira das Assessorias de Comunicação – ABRACOM, etc. Por usa vez, a representação dos jornalistas se fará pela Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ e associações setoriais, como a Associação Brasileira de Jornalismo Científico – ABJC.
A sociedade civil se manifestará em São Paulo, no dia 18 de maio, através de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, Associação Brasileira de Imprensa – ABI, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, Associação Brasileira das Organizações Não-Governamentais – ABONG, movimentos de mulheres, afro-descentes, e congêneres.
A comissão está aberta a contribuições de todas as entidades interessadas na melhoria da qualidade do ensino de jornalismo. Pretendendo cumprir o cronograma previamente estabelecido, a equipe apela a todos os segmentos interessados para que enviem suas propostas e recomendações até maio, quando se encerram as audiências públicas.
Na primeira semana de junho, em Brasília, o grupo se reúne com representantes de órgãos vinculados ao Ministério da Educação para avaliar a natureza e a exeqüibilidade das recomendações a serem propostas, antes de entregar seu relatório final ao ministro Fernando Haddad.
Balanço
A audiência do Rio de Janeiro foi muito produtiva. Há consenso sobre a questão da qualidade, e por isso mesmo surgiram propostas no sentido de que as diretrizes curriculares não se esgotem em si mesmas, mas incluam a avaliação de desempenho dos cursos e a fiscalização da suas condições de funcionamento. Por outro lado, ficou clara a necessidade de fortalecer a comunicação como grande área do conhecimento, à qual pertencem o jornalismo e outras áreas profissionais como publicidade e relações públicas.
Também aflorou a problemática da formação dos professores de jornalismo, demandando articulação com os programas de pós-graduação. Da mesma forma, foram anotadas propostas para assegurar oportunidades de estágio aos formandos, nas empresas do ramo, bem como o incentivo à iniciação científica para fomentar a pesquisa desde a graduação. Destacou-se, finalmente, a responsabilidade de repensar o jornalista como profissional que tem papel decisivo na consolidação e aperfeiçoamento da sociedade democrática.
Ao ser entrevistado pelos repórteres que cobriram a audiência pública do Rio de Janeiro, tive oportunidade de reiterar algumas questões, a seguir resumidas.
As minhas idéias sobre a formação dos jornalistas estão contidas nos livros que publiquei, sobretudo os mais recentes: Jornalismo Brasileiro (Sulina, 2003), Teoria dó Jornalismo (Paulus, 2006), Vestígios da Travessia: da imprensa à internet (Paulus, 2009), Jornalismo, forma e conteúdo (Difusão, 2009) e Jornalismo, conhecimento e reinvenção (Saraiva, 2009).
Seus parâmetros pedagógicos foram testados no Curso de Jornalismo que fundei em 1967 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA-USP, mas também aplicados no Curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, onde trabalho atualmente. Trata-se de modelos que, durante vários anos, servem de referência para tantos outros cursos em todo o país. Além de atualizada formação teórica e experimentação pratica, no campo do jornalismo, o futuro profissional deve ter uma sólida formação humanística (geral ou especializada).
Contudo, o maior desafio que deve enfrentar o jornalista diplomado é de natureza ética. Ser fiel à destinação do jornalismo como serviço público, sem perder de perspectiva as inovações tecnológicas que atualizam constantemente seus gêneros e formatos, garantindo plena interação com as demandas da sociedade.
Perspectivas
Amparados em princípios que preservem a vocação educativa e missão civilizatória do jornalismo, além de balizados pela cidadania e comprometidos com a preservação da democracia, os novos profissionais não podem ignorar as forças que atuam nos bastidores da profissão, tanto as econômicas quanto as políticas.
Nesse sentido, torna-se fundamental exercer vigilância para assegurar a qualidade, a diversidade e a liberdade nos processos de formação acadêmica.
Quero, a título de conclusão, anotar alguns princípios que podem ajudar nessa tarefa.
Tenho consciência de que formar profissionais responsáveis e competentes constitui dever inquestionável dos cursos de jornalismo.
Creio também que esses cursos devem praticar a diversidade, preservando as diferenças regionais e dialogando com as organizações onde os formandos irão exercer a profissão.
Defendo finalmente um modelo de universidade mais aberto e menos engessado, capaz de assegurar liberdade aos estudantes. Somos legatários de uma tradição cartorial, mantendo programas de ensino que enclausuram os jovens ingressantes em grades curriculares compulsórias.
O direito de mobilidade, dentro do campus, não pode ser manietado, principalmente numa conjuntura em que as fronteiras do conhecimento estão em processo de mutação.
São estes, na minha maneira de ver, os requisitos básicos para formar profissionais competentes, criativos e empreendedores.
Desejo firmemente que eles possam servir como eixos norteadores deste Curso de Jornalismo que a Universidade Federal de São João del Rei em boa hora decidiu criar, sob a responsabilidade de um corpo docente idealista.
Não tenho dúvida de que esse resultado será atingido plenamente, tendo em vista a sabedoria do reitor Helvécio Luiz Reis ao confiar a liderança do Curso de Jornalismo ao Prof. Dr. Guilherme Rezende, cuja trajetória acadêmica acompanho há mais de 30 anos. Trata-se de intelectual admirado por todos, não só pela tranqüilidade, seriedade, disciplina e motivação, mas, sobretudo, por seu cativante humanismo, temperado pela generosidade peculiar ao modo de ser mineiro.
monitor de mídia, nova edição na rede!
Acaba de chegar à web a edição 147 do MONITOR DE MÍDIA!
Veja as novidades:
DIAGNÓSTICO: O cardápio dos telejornais do meio-dia em Santa Catarina. O que mostram os jornais locais de maior audiência no Vale do Itajaí ao meio-dia? A equipe do MONITOR acompanhou as edições durante uma semana.
REPORTAGEM: Resquícios da grande enchente ainda prejudicam a população. O MONITOR investigou os principais problemas das redes de esgoto de Itajaí e Balneário Camboriú depois da grande enchente de novembro.
PERFIL: A magia do Photoshop nos cliques de Altair Hoppe. A acadêmica Sílvia Mendes conversa com o jornalista Altair Hoppe, referência nacional em tratamento digital de imagens.
EDITORIAL: Liberdade é uma idéia que está na moda. O mês de abril dá sinais de que o tema será bastante debatido.
mais chuva de concursos para professores de jornalismo
Agendem-se e preparem-se!
UFPE: 4 vagas para professor assistente + 4 vagas para adjunto
Inscrições até 14 de abril
Mais informações: http://www.proacad.ufpe.br
UFSM: 1 vaga para adjunto com especialidade em Produção Audiovisual
Inscrições até 10 de abril
Mais informações: http://www.ufsm.br
UnB: 10 vagas para professores adjuntos e assistentes
Inscrições até 19 de abril (alguns) e 23 de abril (outros)
Mais informações:
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_299_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_305_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_312_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_313_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_314_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_315_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_318_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_320_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_321_09.pdf
UFAL: 1 vaga para adjunto
Inscrições até 27 de abril
Mais informações: http://www.copeve.ufal.br/concursos/concurso.php?id=27
Veja ainda esses…
orkut e twitter no trabalho ajudam na produtividade
Comprovado! Cientificamente provado! Demonstrado!
Isso, use qualquer dos termos acima, mas use com estardalhaço e na frente do patrão. Depois, mostre pra ele que você não é um preguiçoso, alienado, indisciplinado e improdutivo. Como? Veja a matéria da Folha:
Redes sociais como o Twitter e o Facebook podem ajudar no desempenho dos funcionários em empresas. É o que afirma um estudo australiano que mostra que navegar na internet para diversão enquanto se está no escritório aumenta a produtividade.
Segundo a agência de notícias Reuters, a pesquisa da Universidade de Melbourne mostrou que pessoas que usam a internet por razões pessoais no trabalho são cerca de 9% mais produtivas que aquelas que não usam.
(Matéria na íntegra aqui)
Ele não se convenceu? Use agora a do IDGNow:
O uso de redes sociais e serviços online, como Twitter, Facebook e Orkut, no trabalho podem fazer de você um funcionário mais produtivo, afirma estudo divulgado pela Universidade de Melbourne nesta quinta-feira (02/04).
Segundo o estudo, 70% dos funcionários usam a internet no escritório para fins pessoais. Este grupo se mostrou 9% mais produtivo e criativo em comparação àqueles que não usavam a internet para fins de diversão.
(O texto todinho aqui)
Quem sabe agora você navega com mais tranquilidade e com a benção do big boss…
decisão sobre o diploma fica pro dia 22
Embora a presidência do Supremo Tribunal Federal tenha adiantado que a retomada sobre o julgamento sobre a Lei de Imprensa seja em 15 de abril, informações da Agência Brasil e do Consultor Jurídico dão que isso só irá acontecer no dia 22 de abril.
A razão é que a pauta do STF do dia 15 já foi publicada e não poderia ser modificada. Daí o adiamento por mais uma semana. Neste sentido, o provável é que a decisão sobre a exigência do diploma, que também estava programada para a sessão de ontem, aconteça no dia 22.
Esta informação, no entanto, não consta ainda da pauta eletrônica no site do STF.
No final da sessão de ontem, o ministro Celso de Mello chamou a atenção dos colegas para a necessidade de cumprimento das pautas agendadas e publicizadas pelo “sítio” do Supremo.
Paciência, meus caros… paciência!
mídia-educação está nos currículos ingleses
(Dica da colega Solange Puntel Mostafa)
Os estudantes ingleses do ensino básico terão agora que estudar, por determinação legal, em votação no Parliament técnicas colaborativas digitais como o Twitter, os blogs e outros instrumentos wiki como parte do conteúdo a ser ministrado obrigatoriamente em suas escolas preliminares.
O novo currículo marcara’ a maior mudança colocada no ensino básico do Reino Unido em décadas. Os professores terão mais liberdade de decisão e poderão escolher em conjunto com seus alunos os aspectos específicos do conhecimento histórico e científico, dentro de cada período.
O novo programa que foi analisado pelo The Guardian indica uma orientação detalhada de cada um dos núcleos chamados “áreas de aprendizagem” que devem substituir as 13 áreas anteriormente existentes.
Algumas áreas do programa de estudo básico determina, para aprendizado em todas as escolas, que alguns pontos são primordiais:
• Os alunos não sairão da escola preliminar se não tiverem completo conhecimento do funcionamento operacional do instrumental de Blogging, os Podcasts, a Wikipedia e o Twitter com a intenção de usa-los como fonte da informação, elemento social colaborativo e como modo de uma comunicação pessoal e profissional.
• Os alunos devem saber colocar eventos históricos dentro de uma cronologia. Cada um aprenderá dois períodos chaves da história britânica, mas será a escola que decidira’ quais períodos
• Será imprescindível conhecer profundamente as condições e políticas sociais vigentes e sua relação com a família e e amigos.
As outras áreas do núcleo são: inglês compreensivo, comunicação e línguas, matemática, compreensão científica e tecnológica, compreensão social e ambiental do ser humano, saúde e bem estar social e individual e artes.
(FONTE: The Guardian, UK, Quarta feira 25 Março 2009)
diploma: fica pra outra hora
Reproduzo a Fenaj, o comunicado recentíssimo: (De acordo com o presidente do STF, Gilmar Mendes, a discussão fica para 15 de abril, quando da próxima sessão. A própria discussão sobre a Lei de Imprensa não foi concluída na sessão de hoje)
O recurso contra o diploma foi retirado da pauta de votações do STF. Está em debate no plenário a Adin contra a Lei de Imprensa. O Ato Público Nacional prossegue. A Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma vão se reunir para traçar novas estratégias de continuidade do movimento.Às 16h45 desta quarta-feira (1º/04) a coordenação do movimento foi informada que, a pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal e relator do RE 511961, ministro Gilmar Mendes, o advogado que representa a FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na ação foi oficialmente comunicado da retirada do tema da pauta. Não foi divulgada nova data para julgamento do recurso contra o diploma.Dirigentes da campanha continuam no plenário do STF acompanhando a votação da Adin contra a Lei de Imprensa. “Após o Ato Nacional a Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha vão definir novas ações, mas desde já a orientação é para que a movimentação nos estados e os preparativos para o Dia do Jornalista, 7 de abril, prossigam”, disse o diretor da FENAJ Luiz Spada.
acompanhando a sessão do stf
Para quem não tem acesso da TV Justiça ou da Rádio Justiça, sugiro que acesse o Twitter. Por lá, siga #diploma.
lei de imprensa no banco dos réus
O julgamento do diploma ofusca a avaliação que o mesmo STF fará da Lei de Imprensa (5250/67). Como essa lei vem sendo bombardeada há tempos e praticamente perdeu as duas pernas recentemente com a supressão de 22 dispositivos nela constante, mais parece cachorro morto.
Mas para quem se interessar, é o primeiro ponto da pauta do Supremo hoje à tarde. O relator é o ministro Ayres Brito.
Pelo que imagino, a decisão deve ser pela inconstitucionalidade da 5250, o que irá sepultar a Lei de Imprensa que temos vigorando desde o tempo da ditadura. Como as cortes já se apoiam nos códigos Civil e Penal para arbitrar crimes de opinião, a lei de 1967 é mesmo um zumbi. O que me preocupa, no entanto, é que – caso a Lei de Imprensa deixe de valer – teremos que criar um novo dispositivo que preveja o Direito de Resposta, uma boa herança da 5250…
polêmica do diploma: aguardando o julgamento
Enquanto a sessão do plenário do STF não começa – isso vai se dar lá pelas 14 horas -, e se você está querendo saber mais sobre a polêmica sobre a exigência do diploma de jornalista, por que não passa pelos links abaixo?
Todos foram publicados no Observatório da Imprensa de ontem…
Uma decisão histórica sobre o diploma – Elias Machado
Diploma, uma exigência legal – Roberto Ramalho
Jornalista, só com diploma – Sérgio Murillo de Andrade
Diploma é resquício da ditadura – Laerte Braga
acesso a informações públicas: o seminário
Hoje e amanhã, acontece em Brasília o Seminário Internacional sobre Direito de Acesso a Informações Públicas.
O evento promete ser um marco nessa discussão que – ainda e infelizmente – é bem restrita na democracia brasileira.
Veja a programação:
Quarta-feira (01.abril.2009)
Local: auditório da TV Câmara (Câmara dos Deputados, Brasília, DF)
19h – 21h “Democracia, Cidadania e Direito de Acesso a Informações Públicas”
Gilmar Mendes – Presidente do Supremo Tribunal Federal
José Sarney – Presidente do Senado Federal
Michel Temer – Presidente da Câmara dos Deputados
Dilma Rousseff – Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República
Vincent Defourny – Representante da UNESCO no Brasil
Mestre de Cerimônias: Fernando Paulino – Projeto SOS Imprensa – UnB
Quinta-feira (02.abril.2009)
Local: auditório do Interlegis (Senado, Brasília, DF)
9h00 – 10h45 “Panorama do Direito de Acesso a Informações no Mundo”
María Marván Laborde – Comissionada do Instituto Federal de Acesso à Informação Pública do México
Thomas Blanton – Diretor da ONG National Security Archive dos EUA
Rosental Calmon Alves – Diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, em Austin, Texas, EUA
Toby Mendel – Diretor do Programa Jurídico da Artigo 19, sediado no Canadá
Juan Pablo Olmedo – Presidente do Conselho para a Transparência do Chile
Moderador: Fernando Rodrigues – Associação Nacional de Jornais
11h – 12h30 – “Panorama do Direito de Acesso a Informações Públicas no Brasil”
Cezar Britto – Presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil
Claudio Weber Abramo – Diretor-Executivo da Transparência Brasil
Jorge Hage – Ministro-chefe da Controladoria-Geral da União
Ivana Moreira – Diretora da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo
Moderador: Marcelo Beraba – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo
12h30 – Lançamento do livro “Acesso à informação e controle social das políticas públicas”, coordenado por Guilherme Canela e Solano Nascimento – ANDI e Artigo 19
Apresentação: Paula Martins – Artigo 19
14h30 – “Obstáculos para o acesso a informações no Brasil, sugestões de ações e debate do projeto de lei de acesso”
Debate entre congressistas, integrantes do Poder Executivo e organizações do Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas
Senador Aloizio Mercadante (PT-SP) – Líder do PT no Senado
Senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) – Líder do PSDB no Senado
Deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS)
Deputado Fernando Gabeira (PV-RJ)
Moderador: Subchefe Beto Ferreira Martins Vasconcelos – Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República
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O evento é uma realização do Fórum de Direito a Informações Públicas, que foi criado em 2003 e reúne 22 organizações da sociedade civil. Entre os objetivos do Fórum está o de “promover e incentivar o debate sobre o direito de acesso a informações públicas no Brasil”.
Participam do Fórum: Abong (Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais); Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo); Abrat (Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas); Ajufe (Associação dos Juízes Federais); Alal (Associação Latino-Americana de Advogados Trabalhistas); Amarribo (Amigos Associados de Ribeirão Bonito); Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho); Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância); ANJ (Associação Nacional de Jornais); ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República); APJ (Associação Paulista de Jornais); Artigo 19; Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas); Fórum Nacional de Dirigentes de Arquivos Municipais; GTNM-RJ (Grupo Tortura Nunca Mais – RJ); Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas); Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos); MPD (Movimento do Ministério Público Democrático); OAB (Ordem dos Advogados do Brasil); Projeto SOS Imprensa – Faculdade de Comunicação da UnB; Renoi (Rede Nacional de Observatórios de Imprensa); Transparência Brasil.
diploma de jornalismo: dois possíveis desfechos
O Supremo Tribunal Federal deve decidir amanhã uma pendência que se arrasta há quase oito anos: a contestação jurídica da exigência de diploma universitário para o exercício do jornalismo. Na última década, não houve assunto mais palpitante entre as redações e as escolas de Comunicação. As entidades classistas, como a Fenaj e os sindicatos, promoveram eventos, manifestações e lançaram livros sobre o tema, contribuindo muito para a discussão sobre a natureza da profissão e seu papel na atualidade. Publicações especializadas – como o Observatório da Imprensa – dispersaram uma torrente de idéias e argumentos contra e a favor do canudo, discutindo aspectos como o corporativismo e as mudanças pelas quais o jornalismo passa nas últimas décadas. Na academia, professores, alunos e pesquisadores deram suas contribuições, martelando a necessidade do diploma ou simplesmente descartando-o, como quem joga a criança junto com a água da banheira.
Previsível
O fato é que amanhã – 1º de abril, evento com a piada pronta – a suprema corte brasileira deve colocar um ponto final nessa história. Acompanho o processo desde outubro de 2001, quando do despacho da juíza Carla Rister. Participei de diversos eventos, escrevi textos e me posicionei sempre a favor da exigência do diploma. Reitero tudo isso. Mas o fato é que depois de amanhã, teremos um cenário distinto dos últimos oito anos: um cenário de definição sobre a regulamentação profissional.
O que antevejo são dois desfechos possíveis e fáceis de prever: 1) O SFT manter a exigência do diploma; 2) O STF descartar a exigência. Em ambos os casos, a regulamentação da profissão – como a conhecemos – estará em vias de extinção.
Comecemos pelo final.
Se os juízes do STF decidirem que não é mais necessário portar diploma universitário para exercer a profissão, os dispositivos de regulamentação profissional – o decreto -lei 972/69 e a lei 83284/79 – caem por terra, levam um golpe fatal. O marco de regulação perde o sentido com essa decisão da corte.
Mas mesmo que os juízes do STF decidam pela manutenção do diploma, a regulamentação dos jornalistas deve sofrer mudanças importantes nos próximos meses. O desgaste do chamado “entulho autoritário” fez com que o Ministério do Trabalho compusesse um grupo que fizesse estudos para uma nova redação para a regulamentação. Governo, patrões e jornalistas – por meio de seus representantes – compõem essa comissão, que deve gerar um ante-projeto de lei que vá substituir a atual regulamentação. Por isso, qualquer que seja a decisão do STF, a regulamentação como a conhecemos está com os dias contados.
Day after
As pessoas se perguntam sobre como será se a decisão sepultar a necessidade do diploma. Penso que é preciso ter clareza da situação e ausência de paixões. Se o STF decidir pelo descarte do diploma, o mundo não acaba. O jornalismo não acaba. As escolas de Comunicação não perdem a sua razão. E os estudantes que nelas estão matriculados não ficam totalmente desamparados.
Se a solução abstrair o diploma, será um processo natural se buscar uma saída para uma nova regulamentação. A via é o Ministério do Trabalho. Profissão regulamentada é profissão respeitada e assegurada de direitos. Penso que os jornalistas não vão abrir mão disso.
Se a suprema corte brasileira decidir pelo fim da necessidade do diploma, as escolas terão que buscar novos caminhos para se manterem, para oferecerem seus serviços e suas contribuições para a formação de novos profissionais. A discussão atual sobre as diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo vai ser encharcada com as consequências da decisão do STF.
As coisas estão ligadas, e finalmente no Brasil – mesmo que de forma enviesada -, discute-se jornalismo e política, direito e exercício profissional, comunicação e poder.
O julgamento do diploma é o segundo ponto da pauta de amanhã. A sessão tem início às 14 horas e muitas redações e salas de aula vão estar sintonizadas na TV Justiça. A expectativa é grande e o clima, às vezes, beira o de final de campeonato. Vamos ver quem sai ganhando…
abuso infantil no cinema, uma dissertação
Outro dia, comentei que minha orientanda Juliane Guedes defendia sua dissertação sobre identidades de professores em blogs. A coisa repercutiu muito bem na blogosfera, o que me deixou bastante contente com o fato de ver mais gente pensando e pesquisando esse tema. Pois não é que outra orientanda também anda fazendo cartaz por aí?
Noemi Loser defendeu dia 16 sua dissertação sobre abuso infantil no cinema nacional contemporâneo e já está dando entrevista. Saiu uma no Cotidiano, excelente projeto multimídia do Jornalismo da UFSC.
Claro que eu tô orgulhoso, né? Poderia ser diferente?
contagem regressiva: mba em mídias digitais
Faltam apenas dois dias para o final do prazo de inscrições para o MBA em Mídias Digitais, oferecido pela Univali, em Itajaí (SC).
As aulas começam em abril, e serão nas sextas-feiras à noite e sábados pelas manhãs e tardes.
Alunos e ex-alunos da Univali têm descontos especiais.
Mais informações: http://www.univali.br/pos
nem o twitter escapa
Twittosfera? Pessoas te seguindo? Site baleiando?
Não conhece o Twitter? Vai lá conferir. (O meu é este aqui).
Mas se conhece, vai se divertir com esse videozinho. (Dica da aluna Isabela Lenz)
brazilian journalism research, 2008(2): na web!
Está disponível o número 2, volume 4 da Brazilian Journalism Research, periódico internacional editado pela SBPJor. A edição é do segundo semestre de 2008, e em breve, estará com artigos também em português.
O sumário é o seguinte:
Editorial
QUALITY IN THE TEACHING OF JOURNALISM
Claudia Quadros e Tattiana Teixeira
Dossier
TRENDS IN JOURNALISTS’ TRAINING: In the Spanish and Portuguese language environments in the 21st century
Xosé Lopes Garcia
RESEARCH ON PARTICIPATORY JOURNALISM IN BRAZIL: A survey of the state of the art
André Holanda, Claudia Quadros, Jan Alyne Barbosa Silva e Marcos Palacios
CHALLENGES AND NEW WAYS OF TEACHING JOURNALISM IN TIMES OF MEDIA CONVERGENCE
Lorena Tárcia e Simão Pedro P. Marinho
GRASSROOTS ONLINE JOURNALISM: Public intervention in Kuro5hin and Wikinews
Marcelo Träsel
Articles
IMAGES IN THE HEAT OF THE MOMENT OR THE REBORN PHOENIX OF THE DOCUMENTAL IMAGE
Kati Caetano
THE END OF OBJECTIVITY AND NEUTRALITY IN CIVIC AND ENVIRONMENTAL JOURNALISM
Beatriz Dornelles
ECONOMIC JOURNALISM AND THE CONCEPTION OF MARKET: A content analysis of the economy sections of Folha de S.Paulo and O Estado de S.Paulo
Maria Lucia Jacobini
THE RULE OF TRANSPARENCY: as an element of democratization in the journalism production process
Marta Regina Maia
THE BODY OF THE POWER: A semiotic study of Lula’s figure in the 1989 presidential campaign as portrayed in the Brazilian weekly newsmagazines Veja and Istoé
Dalva Ramaldes e José Luiz Aidar Prado
THE DELICATE RELATIONSHIP IN JOURNALISM: Where content and production meet in the content management system. A comparative study of US and Brazil Newsroom Operations
Amy Schmitz Weiss e Carla Schwingel
Book reviews
CONECTADO: O que a Internet fez com você e o que você pode fazer com ela
Maria José Baldessar
Cultura da Convergência
Rogério Christofoletti
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E por falar em SBPJor, em breve, estarão disponíveis mais informações sobre a edição 2009 do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. A Diretoria Científica da SBPJor e a Coordenação do prêmio estão revisando o regulamento e logo, logo, estarão abertas as inscrições. O objetivo é ampliar o alcance do PAGF, que já é uma referência importante na área.
diretrizes curriculares do jornalismo: temperatura aumenta
O clima parece estar realmente mudando no terreno em que acontecem as discussões sobre a reforma das diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. A temperatura vem aumentando gradativamente, e isso não é obra do aquecimento global. É fruto da participação maior de pesquisadores do campo principalmente nas listas eletrônicas das entidades da área.
Na semana passada, por exemplo, o presidente do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo, Edson Spenthof, distribuiu um farto documento na lista da entidade, sinalizando as posições do Fórum sobre a reforma. O documento fermentou nas caixas de correio de muita gente, e ontem, um vigoroso email do professor José Salvador Faro espalhou brasas em muitas direções. Em suma, Faro – num tom elegantemente lúcido – questionou o fato de a nova proposta de diretrizes estar apoiada no texto das vigentes. Se as atuais estão ruins a ponto de serem reformadas, por que tê-las como ponto de partida? E na sequência desse raciocínio, criticou com veemência a proliferação desenfreada de cursos pelo país, fato que foi defendido e elogiado pelo representante do MEC na primeira audiência pública que se deu no dia 20, no Rio.
Faro mexeu ainda num nervo exposto que incomoda a muitos quando se discute os cursos de jornalismo: sua vinculação (ou subserviência) aos de Comunicação Social. O professor da Metodista e PUC enfatizou que o jornalismo é um processo comunicacional, e como tal também precisa ser estudado na dimensão das teorias da comunicação, de maneira a preservar a dialética de sua natureza e surgimento.
Bem, o email de Faro – como já disse – espalhou a questão nas listas do FNPJ e da Associação Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). Diversos colegas se seguiram levantando questões ligadas ao debate, e tudo indica que teremos uma participação mais efetiva de nossos teóricos e professores. Tomara!
polêmica do diploma: mais um texto
Às vésperas do julgamento do STF sobre a obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo, é muito natural que abundem por aí textos de lado a lado tratando da polêmica. Aliás, é muito bom isso. Os argumentos ganham relevância, as paixões se acirram, o entendimento pode ser buscado.
Hoje, recomendo o que o Cesar Valente escreveu sobre o assunto. Vai lá ver.
convergência midiática e mudanças na profissão de jornalista
Curto e grosso para dois links:
Converge Magazine é uma revista eletrônica brasileira que trata de transição de mídia, convergência e tecnologia. Na verdade, é um clipping de notícias, e pode ser adquirido por assinaturas.
Manuel Pinto disponibiliza em e-book gratuito as atas do seminário que realizou na Universidade do Minho e que tratou das mudanças na formação de jornalistas com as novas tecnologias. Baixe o livro aqui e leia, por exemplo, a conferência de Jane B.Singer.
uma semana pra desenrolar
Existem períodos na vida em que tudo parece travado, difícil. É quando nada parece render como a gente gostaria, quando as realizações nem são sentidas… Vixe! Dá uma raiva… Por outro lado, tem dias que tudo dá certo, que as árvores saem do caminho, que os cenários se descortinam a nossa frente. A semana que está no fim foi um desses raros períodos de desenrolação…
1. Consegui finalmente concluir a migração dos artigos de todas as edições da revista Contrapontos para o novo servidor e novo sistema eletrônico. A publicação tem nove anos de existência e 25 números. Cada edição tem me média 12 artigos. Para cada artigo, tinha que submetê-lo ao sistema (uns nove cliques) e depois publicá-lo (mais uns seis). Então, já viu o tamanho do Karma. Terminei, mas faltam pequenos ajustes. Em breve, anuncio o novo endereço…
2. Após uma saga titânica, consegui encontrar um adaptador Mini-DVI-VGA para o MacBook. Encontrei numa autorizada da Apple em Blumenau e fiz tudo pela internet e sedex. Paguei uma fortuna, mas precisava resolver isso. Ontem mesmo usei a máquina na aula e funcionou… Desde janeiro eu buscava o trocinho…
3. Saíram os trabalhos aprovados para o 12º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, e o meu – após, idas e vindas e um sistema complicadinho de submissão – está entre os que serão apresentados no evento.
4. Finalmente, recebi pelo correio um livro que havia encomendado em janeiro. Sob a desculpa de que era importado, a LivrariaCultura demorou um tempão pra encontrar e me mandar “Etica Periodistica”, de Luka Brajnovic.
Agora, só falta mesmo concluir a declaração de Imposto de Renda e transmiti-la pra Receita. Aí, “seus problemas acabaram”!
realidade regional em comunicação: o livro
Clóvis Reis me avisa que o livro “Realidade Regional em Comunicação” acaba de sair. O volume, organizado por ele, reúne capítulos que tratam das origens e perspectivas da comunicação em Santa Catarina. O lançamento é da Edifurb, tem 156 páginas e custa R$ 28,00.
stf vai julgar obrigatoriedade do diploma em 1º de abril
A polêmica do diploma de jornalismo pode terminar em 1º de abril. E não é pegadinha.
A informação é da Fenaj:
O Recurso Extraordinário RE 511961, que questiona a constitucionalidade da exigência do diploma em Jornalismo como requisito para o exercício da profissão, entrará na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) em 1º de abril. Sua apreciação deve se dar no mesmo período do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Lei de Imprensa.
De acordo com a própria Fenaj, seus diretores iriam se reunir hoje – terça – para definir ações para as duas pendências. E prossegue a nota…
Segundo fontes, a decisão de incluir o RE 511961 e a Adin contra a Lei de Imprensa na pauta de julgamentos do STF em abril já estava tomada no final da tarde de segunda-feira (23) e sua formalização seria questão de horas. Com reunião já agendada anteriormente para as 14 horas desta terça-feira, a Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma e da Regulamentação buscarão operacionalizar movimentos de sensibilização da Corte. “Agora temos ainda mais motivos de construir a Semana e o Dia Nacional do Jornalista, 7 de abril, com um grau maior de mobilização da categoria e da sociedade”, diz o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade.
A iminência do julgamento das duas ações naturalmente obrigará dirigentes sindicais e apoiadores das causas que advogam a constitucionalidade da exigência do diploma e a aprovação de uma nova e democrática Lei de Imprensa a alterarem suas agendas. “Sabemos que o julgamento destas questões começará no dia 1º de abril, mas não se pode prever quando será o seu desfecho” destaca Murillo. Ele considera que os dirigentes de entidades sindicais e do campo do jornalismo, bem como de outras organizações da sociedade deverão se preparar para estarem presentes em Brasília no momento decisivo.
Já era cogitada entre os apoiadores do movimento a organização de caravanas dos estados a Brasília na data do julgamento do RE 511961. Agora, mais do que o caráter comemorativo, a Semana Nacional dos Jornalistas se converterá efetivamente numa Semana Nacional de Luta.
Novas mobilização nos estados deverão ganhar maior dinâmica a partir dos próximos dias, inclusive na perspectiva de conquistar novos apoios políticos. De lado porque a exigência do diploma como requisito para o exercício do Jornalismo é um dos pilares da profissão. De outro porque a regulamentação das relações entre jornalistas, empresas de comunicação e a sociedade é considerada fundamental para consagrar e assegurar a liberdade de imprensa.
Vamos ver se não haverá novos adiamentos nos julgamentos…
diretrizes curriculares: um relato da primeira audiência
Sylvia Moretzsohn, professora da UFF, fez um arguto relato sobre a primeira audiência que discutiu as reformas nas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo, que aconteceu na sexta, 20 de março.
Saiu no Observatório da Imprensa, mas transcrevo aqui também:
Duas surpresas na audiência do MEC
Duas grandes surpresas – uma no início, outra no final – marcaram a primeira audiência pública para a reformulação das diretrizes curriculares de Jornalismo, na sexta-feira (20/3), no Palácio Capanema, sede da representação do MEC no Rio de Janeiro. A primeira foi notada por todos e dizia respeito ao tema central da reunião. A segunda, aparentemente, passou despercebida da maioria, mas é talvez mais relevante, pois revela uma concepção constrangedoramente simplória do sentido da expansão dos cursos superiores no Brasil.
Ao apresentar os objetivos da audiência, o representante do Ministério da Educação, Paulo Roberto Wollinger, diretor de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, provocou um burburinho na platéia ao afirmar que o pomo da discórdia da comunidade acadêmica do setor não estava em pauta: “Em momento algum pensamos em separar o Jornalismo da Comunicação Social”. Disse isso a título de esclarecimento, mas só poderia causar confusão, uma vez que a iniciativa de revisão das diretrizes provocou o recrudescimento desse debate e levou integrantes da própria comissão de especialistas a se manifestar a favor da autonomia para Jornalismo. No entanto, talvez a frase tivesse outro sentido, porque logo em seguida Wollinger diria algo ainda mais surpreendente: “Não existe curso de Comunicação Social; o que existe é essa grande área da Comunicação, da qual o jornalismo é uma das especialidades”.
Era uma afirmação contra toda evidência, a começar pelo nome do curso que vem gravado ano após ano nos diplomas de quem se forma na habilitação em Jornalismo. Porém, se interpretada de outra forma, a declaração inicial faria sentido: afinal, como o que existe de fato são jornalistas, publicitários, relações públicas – e não esse “comunicador” genérico –, seria ocioso discutir se o “curso de Jornalismo” deve ser autônomo, porque esta já seria sua condição inevitável. Assim, não se destacaria da “grande área” da Comunicação – porque, afinal, é Comunicação –, mas obedeceria a diretrizes curriculares próprias, sem qualquer relação com as das outras especialidades do setor. Na prática, portanto, seria já um curso autônomo.
O que, naturalmente, não resolve nada, porque o problema original persiste: quais serão as bases para uma adequada formação de jornalistas? E aqui retornamos à velha questão que divide duas correntes substancialmente distintas, cristalizadas na oposição entre “academicistas” e “tecnicistas”, “comunicólogos” e “jornalistas”, numa simplificação que jamais ajudou qualquer debate. E que não chegou a ser enfrentada na primeira audiência pública para discutir as diretrizes curriculares.
Polêmica antiga
Os cursos de Comunicação Social são contestados desde que foram criados. Seria excessivo tentar resumir aqui essa história, mesmo porque muita coisa mudou nas duas últimas décadas: basta dizer que até meados dos anos 1980 praticamente não havia jornalistas ou professores com essa experiência profissional dando aula de jornalismo, as escolas não eram dotadas de um mínimo de estrutura laboratorial e a pesquisa específica praticamente inexistia. Tudo isso contribuía para que os cursos se fechassem em torno de teorizações distanciadas da realidade que o futuro jornalista deveria enfrentar e fossem, portanto, desdenhados pelos profissionais formados “na prática” e pelos próprios estudantes.
Hoje ainda estamos longe do ideal – e mais ainda de um consenso sobre o que deva ser esse ideal –, mas a situação é radicalmente distinta. Apesar disso, frequentemente repetem-se os argumentos daqueles velhos tempos. Foi o que ocorreu há 10 anos, quando se iniciou o processo de avaliação das condições de oferta da habilitação em Jornalismo dos cursos de Comunicação Social. A avaliação exclusiva desta habilitação era uma tentativa de forçar a criação de um curso específico, desligado da “geléia geral” da Comunicação.
Este Observatório refletiu e estimulou a intensa polêmica durante meses seguidos. Então, como agora, prevalecia o pragmatismo entre os partidários do curso autônomo. Na época, um dos argumentos mais exuberantes nesse sentido valorizava a formação de profissionais comparados à excelência de um i-Mac: era “só ligar na tomada e começar a trabalhar”. Hoje, talvez em decorrência da preocupação com a inserção mais imediata do estudante num mercado de trabalho ao mesmo tempo tão diversificado e precário, defende-se um perfil de prestador de serviços. Num caso e noutro, o que prevalece é a concepção de universidade operacional.
O consenso sobre o óbvio
Na reunião com a comissão de especialistas, passou-se ao largo dessa questão. Nós, da Universidade Federal Fluminense, apresentamos um documento sintético, de quatro páginas, defendendo o jornalismo como “um `campo de saber´ do abrangente campo de conhecimento da Comunicação”, que exige a articulação entre uma sólida base humanística e uma oferta ampliada de opções para a formação profissional específica, de modo que o aluno possa “direcionar seus estudos para as áreas de atuação com as quais melhor se identifica, ampliando as alternativas de conhecimento e de prática profissional”. Mas a ênfase é na formação ética do jornalista e na conscientização sobre as dificuldades e as responsabilidades envolvidas no desempenho de seu papel de mediador.
Uma decorrência lógica dessa concepção é o entendimento de que a universidade não está aí para formar prestadores de serviço, mas sujeitos dotados de autonomia intelectual, capazes de exercer competentemente a profissão que escolheram. Mas essa questão central não foi discutida e as discordâncias praticamente não apareceram, a ponto de uma professora enaltecer o consenso em torno da melhoria da qualidade dos cursos.
Além de óbvio, tratava-se de um consenso prévio. Evidentemente, ninguém pode ser contra a qualidade: o problema é saber o que cada um entende por isso. Porém um ponto essencial foi levantado pelo presidente do Fórum Nacional de Professores do Jornalismo, Edson Spenthof: a necessidade de se responder à pergunta sobre “o que é jornalismo” para uma definição mais clara das novas diretrizes. Imagine-se o grau de controvérsia que esse debate há de gerar, especialmente nesses tempos de enaltecimento da figura do “jornalista-cidadão”.
Spenthof também fez uma observação conceitual relevante sobre as recorrentes demandas pela formação “multimídia”, normalmente associada à simultaneidade: não era disso que se tratava, mas sim do desenvolvimento de habilidades diversificadas. Desempenhar várias funções ao mesmo tempo representaria a tentativa, previamente frustrada, de assoviar e chupar cana, uma impossibilidade física que – acrescento eu – resulta na precariedade sistematicamente verificada no noticiário cotidiano.
A universidade redentora
As divergências certamente aparecerão nas propostas a serem enviadas diretamente à comissão até o fim do mês. Ali, no Salão Portinari do Palácio Capanema, ícone da arquitetura modernista brasileira no Centro do Rio, preservou-se o ambiente ameno. Mas, já perto do encerramento da audiência, um comentário mais geral do representante da Executiva Nacional dos Estudantes em Comunicação, Felipe Melo, sobre as diferenças entre cursos privados e públicos e sobre a política de expansão do ensino superior, provocou a segunda grande surpresa do dia. Ao responder à crítica, o representante do MEC defendeu enfaticamente a criação de mais cursos, “se possível um em cada esquina”, para sanar o déficit no contingente de brasileiros com formação universitária.
Se ficasse por aí, poderíamos apenas condenar o estímulo à proliferação de franquias no melhor estilo McDonald´s e o empenho na fabricação de números, que nos faz recordar o saudoso ministro Paulo Renato Souza. Mas Paulo Wollinger completou, com a fé dos justos: “Cada curso que se abre é um ponto de drogas que se fecha”.
Pena que pouca gente notou, ou não percebeu esse detalhe – justamente o detalhe, que é onde mora o diabo. Pois, salvo melhor juízo, essa justificativa para a abertura de novos cursos superiores é inédita. Mais que isso: é simplesmente inacreditável.
diretrizes curriculares de jornalismo: a primeira audiência e uma sugestão para as demais
A comissão de especialistas para a reforma das Diretrizes Curriculares para os cursos de Jornalismo avança no seu trabalho. Na última semana, na sexta, realizou junto com o Ministério da Educação a primeira das três audiências públicas que se comprometeu fazer para discutir o tema e colher sugestões para o novo documento.
Na própria sexta, tentei buscar informações na web sobre como teria sido o encontro. Mas ao final da busca, encontrei apenas dois registros: um do próprio MEC e outro do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro. O primeiro é uma nota oficial que pouco ou nada informa além do acontecimento da audiência (leia aqui), e o segundo é mais preciso, mas limitado no seu alcance (veja aqui).
O que fiz há pouco na lista eletrônica do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) e faço neste blog é uma sugestão para a segunda e terceira audiências que acontecem nos próximos meses: usarmos alguns recursos tecnológicos para ampliar o acesso a essas discussões. Por exemplo, poderíamos contar com cobertura em vídeo streaming da audiência? Seria possível que essas reuniões tivessem relatos mais específicos e pontuais em blogs? As audiências poderiam ter um canal no Twitter para difusão das informações?
Isto é, o que estou propondo em voz alta é que os colegas que acompanham as audiências in loco disponibilizem materiais para os que não puderam estar presente. Somos professores de Jornalismo e podemos oferecer mais do que os links das notas oficiais do MEC; podemos oferecer notícias; podemos oferecer vídeos; ou mesmo discutir mais esse assunto na web. Quase nem tenho visto na blogosfera brasileira essa discussão. O que está nos acontecendo?
Numa das listas eletrônicas de professores que circulam por aí, li da necessidade de se formar jornalistas multimídia. Ótimo! Acho pertinente, oportuno e relevante. Mas como podemos formar jornalistas multimídia se os professores ainda nos restringimos a poucos canais informativos? O episódio da primeira audiência sobre as Diretrizes mostra isso.
Não se trata de uma crítica minha ao processo e aos colegas que lá estiveram. Apenas considero que esse é um momento muito importante para a formação dos jornalistas no Brasil, e não apenas uma hora para se mudar documentos, mas alterarmos atitudes e mentalidades nos cursos. Os professores também precisam mudar, e não apenas os cursos e os alunos. Estamos dispostos a isso? Que o episódio de reforma das Diretrizes Curriculares dos cursos de Jornalismo sirva também para que arejemos nossas posturas como professores, para que agilizemos nossos trâmites e que isso permita a circulação mais fácil dessas informações.
inscrições no mba em mídias digitais terminam dia 31
Faltam poucos dias para o final do prazo de inscrições para o MBA em Mídias Digitais, oferecido pela Univali, em Itajaí (SC). As aulas começam em abril, e serão nas sextas-feiras à noite e sábados pelas manhãs e tardes. Alunos e ex-alunos da Univali têm descontos especiais.
Mais informações aqui.
diretrizes curriculares do jornalismo: audiências começam amanhã
Nesta sexta, 20, no Rio de Janeiro, acontece a primeira das três audiências públicas para discussão sobre as diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. Os eventos são promovidos pela comissão de especialistas designada pelo Ministério da Educação para reformar o documento que orienta a criação e a direção dos cursos de graduação.
Não sei se teremos cobertura ao vivo pela web ou se alguém vai tuitar do Rio, mas se algum leitor aí souber e der a dica, vai ser bem bom…