internet de graça em itajaí só no papel

Internet gratuita na cidade? Hummmm…

Durante a campanha eleitoral deste ano, um tema me chamou a atenção: a cidade teria internet de graça, com o projeto Itajaí Digital. A promessa foi feita pelo candidato à reeleição, Volnei Morastoni (PT), já que o projeto fora iniciado.

Meus meninos do Monitor de Mídia foram a campo ver como está o assunto. A conclusão é de que a promessa está anos-luz da realidade. Você pode conferir uma reportagem na edição 145 do MONITOR DE MÍDIA. O trabalho é assinado por Camila Guerra, Gabriela Forlin e Joel Minusculi.

ética na internet: preocupações jornalísticas

Em Bogotá, jornalistas e pesquisadores discutem os próximos passos das redações e do jornalismo. O Seminário Futuro do Jornalismo na Internet e Profissionalização das Redações On Line está tratando de questões agudas das novas tecnologias e da velha profissão.

Christian Espinosa conta que um dos debates mais interessantes enfocou os dilemas da ética on line, destacando que a audiência, o público já ocupa uma posição de fiel da balança. Citando Andrés Azócar, da escola de jornalismo da Universidad Diego Portales (Chile), Espinosa contrapõe:

Verdade X Veracidade

Fontes vivas X Wikipédia

Jornalismo tradicional X Jornalismo cidadão

Intuição X Confirmação

Direitos autorais X Subsídios cruzados

Participação X Checagem de informação

Um assunto palpitante, interessante, incômodo…

Atualização: Espinosa dá a direção dos slides de Azócar. São 22 slides que ajudam a entender o raciocínio do autor.

15 dias apavorantes

Eu sei, o leitor deste blog detesta queixas. Mas aqui não vai nenhuma reclamação, mas uma satisfação.

As duas últimas semanas foram absorvidas quase que totalmente pelos infindáveis compromissos que me soterraram. Vai aí um resumo dos últimos 15 dias. Do dia 20 de outubro pra cá…

… corrigi provas da seleção de novos alunos no Mestrado em Educação

… dei palestra de abertura na Semana de Comunicação no Ielusc, em Joinville

… preparei e apliquei prova na disciplina de Legislação e Ética em Jornalismo

… preparei e apliquei também a prova da disciplina de Introdução ao Jornalismo

… elaborei relatório de produtividade dos professores do mestrado para a coordenação do programa

… revisei os currículos Lattes do meu grupo de pesquisa na graduação

… corrigi as provas de Legislação e Ética em Jornalismo e de Introdução ao Jornalismo

… reinstalei a rede wi-fi em casa que estava em pandarecos

… troquei de carro, o que implica dizer: instalar alarme, transferir seguro, etc…

… dei aulas no mestrado em duas manhãs

… tive reuniões no Grupo de Pesquisa no Mestrado e no Colegiado do programa

… comecei a editar o livro sobre Cinema e Educação

… iniciei a divulgação de meu novo livro

… fiz revisão final de duas dissertações

… montei as bancas de qualificação de duas orientandas no mestrado

… levei meu filho ao pediatra

… dei aulas na graduação em duas noites

… resolvi burocracias em bancos

… recusei um trabalho legal

… acompanhei minha mulher em dois médicos

… escrevi um editorial para o Monitor de Mídia

… corrigi TCC de uma orientanda da graduação

… fiz loucuras com a patroa no sábado à noite

… revisei reportagem dos meninos do Monitor

… resolvi burocracias em cartório

… fiz entrevistas com candidatos ao mestrado

… terminei a prestação de contas de uma pesquisa para a Fapesc

Fala a verdade: eu mereço umas férias…

um cemitério de jornalistas na web

Alex Gamela apresenta um mapa com os jornalistas mortos em serviço em 2008.
A concentração dos casos dá uma visão dos locais mais perigosos para se trabalhar na área.

De acordo com os Repórteres Sem Fronteiras, até hoje – 3 de novembro – 34 jornalistas foram mortos neste ano, e 127 deles estão presos.

ética no jornalismo, um livro

A Editora Contexto coloca, esta semana, nas principais livrarias do país meu mais recente livro: “Ética no Jornalismo”. Nele, tento reunir algumas das discussões que venho tendo nos últimos nove anos sobre o assunto, tanto com profissionais quanto com pesquisadores e meus alunos nesta disciplina. O livro, portanto, é resultado de um processo de muito aprendizado e crescimento.

Com 128 páginas, o livro aborda dilemas éticos em coberturas especializadas (como as de política e economia, de esportes ou cultura, entre outras), discute o papel dos códigos e das comissões de ética, e ainda inicia um debate sobre o impacto das novas tecnologias na ética jornalística.

Para ler ver o sumário do livro, acesse aqui.

Para conferir a apresentação, clique aqui.

Para comprar, vá ao site da editora.

selecionados ao mestrado em educação da univali: 2ª fase

O Programa de Mestrado Acadêmico em Educação divulga a lista dos candidatos selecionados para segunda fase de seu processo seletivo 2009.

Confira o horário das entrevistas

os anais vêm aí

O coordenador local do 2º Encontro de Professores de Jornalismo de Santa Catarina e 4º do Paraná, Samuel Lima, confirma que em breve estarão prontos os anais dos eventos. O CD ROM sairá conforme manda o figurino: com ISSN, ficha catalográfica, os textos das conferências e dos trabalhos apresentados, além de fotos e vídeos.

Para quem não esteve em Joinville, os eventos foram um sucesso, com participação recorde: 109 inscritos.

começou o congresso de tecnologias da educação

De hoje, 27, a sexta, 31, acontece na web o 1º Congresso de Tecnologias da Educação.
Segundo a comissão organizadora, são 1261 inscritos nos minicursos e 30 trabalhos – sendo 15 artigos e 15 relatos – apresentados.

Para acompanhar, vá direto: http://congresso-tec-educacao.blogspot.com

comentários estão fervendo

Meu post que argumenta que a discussão sobre o diploma está muito ideologizada está rendendo um debate muito, mas muito interessante nos comentários do blog. Em alto nível e atacando aspectos os mais diversos, os leitores Mauricio Tuffani – um dos mais declarados adversários do diploma de jornalista – e Luciano Martins Costa – do Observatório da Imprensa – têm protagonizado o embate, lançando mão de argumentos e contra-argumentos que merecem a leitura de todos.

mec quer revisar diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo

Deu no Comunique-se:

O ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu a criação de uma comissão que vai definir as diretrizes básicas dos cursos de graduação em jornalismo. O objetivo é assegurar a qualidade da formação dos jornalistas, profissão considerada pelo ministro como central para o sistema democrático.

saem os premiados do adelmo genro filho

A Associação Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) divulga os vencedores da edição 2008 do Prêmio Adelmo Genro Filho:

INICIAÇÃO CIENTÍFICA: Gabriela Jardim Rocha (PUC-Minas), “Mediações sociais no jornalismo colaborativo” – orientadora: Geane Alzamora
Menção honrosa: Mariana de Almeida Costa (UFF), “Jornalistas e marginalidade social” – orientadora: Sylvia Moretzsohn

MESTRADO: Marcelo Ruschel Träsel (UFRGS), “A pluralização no webjornalismo participativo” – orientador: Alex Primo
Menção honrosa: Ana Paula Ferrari Lemos Barros (UnB), “Saúde, sociedade e imprensa” – orientadora: Dione Moura

DOUTORADO: Suzana Barbosa (UFBA), “Jornalismo digital em base de dados” – orientador: Marcos Palacios

PESQUISADOR SÊNIOR: Marcos Palacios (UFBA)

hoje, na semana da comunicação do ielusc

Os alunos dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda do Ielusc dão o pontapé inicial a sua Semana da Comunicação, hoje à noite. Para abertura, chamaram-me para falar de “Redemocratização e Comunicação”. Sigo daqui a pouco para Joinville para o evento, que pode ser acompanhado por aqui.

um estrabismo insistente estreita mais a razão

Uma confusão tem sido recorrente no debate que cerca a obrigatoriedade do diploma para jornalistas: tomar por sinônimas as expressões “liberdade de expressão” e “exercício profissional”. Entretanto, existe um abismo entre as duas coisas.

Em resposta ao meu post que criticava a ideologização da discussão, Mauricio Tuffani afirma que o que está em jogo no Supremo Tribunal Federal é

uma concepção do direito de liberdade de expressão que tem um significado muito maior que aquele insistentemente repetido por muitos sindicalistas e professores de jornalismo. Trata-se de um direito que não pertence apenas à categoria dos jornalistas, mas a toda a sociedade.

Mas é evidente que o direito à livre expressão não é e não pode ser um privilégio de jornalistas. Este direito é extensivo a todas as pessoas, na medida em que garante a elas a troca de idéias, a manifestação do pensamento, a formulação de opiniões e juízos. É um direito previsto na legislação e em protocolos consagrados internacionalmente, como a Declaração Universal dos Direitos do Homem, como já citou Tuffani. O artigo 19, em especial, merece uma leitura mais atenta que a realizada pelo autor:

Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Note-se que o artigo não menciona “produzir” ou “elaborar” informações. Isto é, o direito vige numa esfera ampla, generalista, e não restritiva ao mundo do trabalho. Jornalistas também são cidadãos, e também gozam do direito da livre expressão. Mas em sua condição profissional, produzem, elaboram, difundem informações com o propósito de abastecer a sociedade com dados que permitam uma compreensão melhor da realidade.

Não se pode esquecer também que o conjunto das atividades jornalísticas não se resume apenas à livre expressão. Há colunistas, articulistas, editorialistas que, sim, ocupam-se da formulação de idéias e da sua disseminação em escala massiva. Mas os demais profissionais do jornalismo não se expressam em suas lidas diárias. O que fazem é tentar oferecer ao público relatos dos acontecimentos que, por ventura, foram alçados à condição de noticiáveis. Para alcançar essa situação, os fatos devem conter elementos que dialoguem com valores de noticiabilidade, elaborados no mundo do jornalismo e que, cotidianamente, ajudam a organizar essa atividade. Esses valores compõem um rol de saberes específicos da profissão, conhecimentos a que se tem acesso nas escolas de jornalismo.

Mas voltando à Declaração Universal, encontramos o inciso 2 do artigo 29 que é esclarecedor na tensão entre direito e lei.

No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.

Isto é, o direito à livre expressão se estende até a fronteira que inicia a demarcação de uma atribuição profissional, a regulamentação do exercício jornalístico, por exemplo. Note-se que não há contradição entre os artigos, mas complementaridade já que são contemplados o direito do cidadão comum a manifestar sua opinião e o direito do jornalista a exercer sua profissão (conforme o artigo 23).

Se recorrermos à Constituição Federal e ao próprio Tuffani, veremos que os dois direitos são também atendidos.

“É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” (inciso IX do artigo 5º)

 “É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer (inciso XIII do artigo 5º)

Desta forma, insisto que não se deve tomar por idênticos o direito à livre expressão e o exercício profissional do jornalismo. Se assim o fizermos, poderíamos por extensão confundir o direito à justiça com o exercício da advocacia, ou o direito à saúde com a prática da medicina. Em todos esses casos, o direito mais geral não colide com a atribuição profissional, que depende de qualificação técnica, de habilitação legal e de competências e habilidades específicas. Misturar as coisas é fazer prevalecer um estrabismo que prejudica nossa visão e compreensão. Embaçar as fronteiras entre ambos provoca, isso sim, o estreitamento da razão.

Se o que está em discussão no STF no imbróglio sobre o diploma é a concepção de direito à liberdade de expressão, esse debate não pode desconsiderar o lugar estratégico que a mídia (seus veículos, sistemas e profissionais) ocupa na vida social atualmente. Cada vez mais central na existência contemporânea, a dimensão da comunicação social precisa dispor de profissionais altamente capacitados para fazer as mediações necessárias entre os fatos e os públicos, contribuindo para o entendimento e o desenvolvimento humano e social.

O professor Eugenio Bucci formulou uma definição de jornalismo que é, ao mesmo tempo, ampla e precisa: O jornalismo é uma atividade que existe para satisfazer um direito do cidadão comum, o direito à informação. Neste sentido, essa atividade profissional – exercida por pessoas capacitadas e habilitadas – encontra justificativa social, utilidade pública e dimensão coletiva para a sua existência.

Dito dessa forma, o estrabismo insistente se dissolve e o campo de visão de abre para uma compreensão melhor do que temos adiante.

faxina de links

Como vem sobrando tempo por aqui, vou ser curto e grosso e indicar links que estão represados em nossos favoritos…

Os obituários estão mortos, os wikis estão vivos – de Tiago Dória sobre a publicação da “morte” de Steve Jobs

Retransmissora da Record é retirada do ar por monopólio – do FNPJ sobre um veículo do Mato Grosso

O jornalismo cidadão retorna, mas produzindo os mesmos erros? – do blog do Paul Bradshaw

Chris Anderson fala da Cauda Longa em Porto Alegre, do SiteCharles

The Social Media Classroom, uma nova plataforma para a educação – do ReadWriteWeb

Ética e nova mídias, do Editorsweblog

The FutureLab – inovação na educação, direto do Reino Unido

Snackzine, revista multimídia, direto de Porto Alegre

Boring old values and the new media, do Miami Herald

semana de comunicação no ielusc

Os alunos dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda do Ielusc, em Joinville, promovem a sua Semana da Comunicação entre 22 e 24 de outubro. Fui gentilmente convidado para abrir o evento e me incumbiram de tratar de Redemocratização e Comunicação. Mas evidentemente a semana não se resume a isso. A programação conta ainda com leituras de João do Rio, Oliviero Toscani, Guimarães Rosa e Mundo Livre S/A, por professores e estudiosos dos temas.

A cobertura da semana (e o esquenta) podem ser acompanhados pelo blog do evento: http://www.semanaacademicaielusc.blogspot.com

sobre nossa precariedade e insuficiência teóricas

Fiquei particularmente satisfeito com a conferência de Jacques Mick no segundo dia do Encontro de Professores de Jornalismo do Paraná e Santa Catarina, que aconteceu em Joinville na sexta e ontem. O foco de Mick eram os novos desafios à pesquisa, ensino e extensão na perspectiva do jornalismo do futuro, e sua fala foi secundada por comentários de Maria José Baldessar (UFSC), Tomás Barreiros (Universidade Positivo) e Elaine Tavares (SJSC).

Mick centrou sua fala na crítica de que os professores de jornalismo ainda sofremos de grande insuficiência teórica para justificar a profissão e o campo que constituímos. Para o autor, avançou-se pouco no Brasil em termos de Teoria do Jornalismo desde o lançamento de O Segredo da Pirâmide, de Adelmo Genro Filho, em 1987. Nos últimos anos, o país viu se espalharem as escolas de Jornalismo e os cursos de pós-graduação em Comunicação, condições que ajudaram a formar quadros qualificados para a academia e o mercado, mas para Mick, esses esforços se traduziram muito pouco em avanços verdadeiros na teorização do campo. “Esse desenvolvimento, o desenvolvimento teórico é uma necessidade do jornalismo”.

Em tom acadêmico, mas flagrantemente provocativo, Jacques Mick apontou dois aspectos que são marcantes na academia: a) Persiste uma obediência à normatividade técnica, reforçando e reproduzindo práticas do mercado, em detrimento da inovação; b) Há pouco espaço para a produão teórica na área.

Esses aspectos, segundo Mick, acabam criando um cenário bastante complacente, permissivo até entre os autores brasileiros. É “raro o pensamento novo”; as obras são quase sempre recebidas sem muita discussão; parece prevalecer entre os acadêmicos um compadrio – este termo não é dele -, sobrando generosidade e generalidades nas resenhas de livros e artigos. Mick põe o dedo na ferida de todos nós, com muita razão (ouso dizer), alertando para o pouco enfrentamento teórico, prática que torna vulnerável a nossa produção teórica.

Para Mick, hoje – vinte anos depois de Adelmo Genro Filho -, quando dispomos de mais escolas, de mais força na academia, de mais doutores e mestres nos corpos das universidade, os desafios para o ensino-pesquisa-extensão no jornalismo são mais acadêmicos que institucionais. Isto é, a bola está no nosso pé…

Minha satisfação ao ouvir Jacques Mick não se deve ao fato de que torço contra o campo do jornalismo. Claro que não. Mas é preciso reconhecer que ainda temos muito o que fazer, muito o que amadurecer na compreensão do jornalismo e nos seus entornos. Essa insuficiência, essa carência, essa precariedade teórica vem minando nossos passos. Já disse isso com relação à discussão sobre o diploma.

Enfrentar essa realidade é olhar-se no espelho e reconhecer falhas, para depois, traçar novos rumos e passar a caminhar com mais força e vigor.

encontro de professores de jornalismo

Começa hoje e segue até amanhã (sábado, 18), o 2º Encontro de Professores de Jornalismo de Santa Catarina, evento que acontece colado à 4ª edição do encontro dos mestres paranaenses.

O tema dos encontros, no Ielusc (de Joinville – SC), é “O futuro do jornalismo e o jornalismo futuro”.

Vejam a programação:

17/10/2008, sexta-feira
14h às 18h: Reunião de Coordenadores de Curso de Jornalismo.
Pauta: Questões gerais de ensino, pesquisa e extensão.
Coordenador: Prof. Márcio Fernandes (UNICENTRO)

16 às 19h: Credenciamento
Local: Associação Educacional Luterana Bom Jesus/Ielusc.
Endereço: Rua Princesa Isabel, 438 – Centro, Joinville/SC.

19h: Cerimônia de abertura
Local: Anfiteatro do Bom Jesus/Ielusc.

19h30: Conferência do Encontro, pelo jornalista Carlos Castilho.
Tema: “O futuro do jornalismo e o jornalismo do futuro”.
Local: Anfiteatro do Bom Jesus/Ielusc
Mediador: Prof. Dr. Juciano Lacerda (coordenador do NECOM/Ielusc).

18/10/2008, sábado
9h: Mesa Redonda – Os novos desafios à pesquisa, ensino e extensão na perspectiva do jornalismo do futuro.
Conferencista: Prof. Dr. Jacques Mick (Bom Jesus/Ielusc)
Debatedores: Profa. Dra. Maria José Baldessar (UFSC) e Prof. MsC Tomás Barreiros (Universidade Positivo)

13h às 14h30 – Almoço

15h às 19h: Grupos de Trabalho.
Local: Bom Jesus/Ielusc, Centro – Joinville/SC

19h30: Plenária de Encerramento: aprovação das deliberações do
Encontro e da Carta de Joinville

discussão sobre o diploma está muito ideologizada

As últimas semanas têm sido muito agitadas no que tange a discussão em torno da formação dos jornalistas. A Fenaj divulgou ostensivamente uma pesquisa que mostrava que a maioria da população prefere que os profissionais do jornalismo passem por cursos superiores na área. O resultado da sondagem serviu de munição para a entidade que mobiliza a categoria para o julgamento no Supremo Tribunal Federal da liminar que desobrigou a exigência de diploma universitário para jornalistas.

(Para quem não se lembra, em outubro de 2001, a juíza Carla Rister atendeu a uma ação civil pública que pedia essa desobrigatoriedade. A ação foi movida por grandes empresas jornalística e, concedida a liminar, permitiu que mais de sete mil pessoas obtivessem registros profissionais independente de diploma na área)

Dias depois, uma matéria do site Congresso Em Foco colocou mais lenha na fogueira, informando que a maioria dos magistrados que julgarão a matéria já sinalizou pela rejeição à obrigatoriedade. O próprio ministro da Educação, Fernando Haddad, chegou a sinalizar que os cursos de graduação poderiam não ser as únicas portas de entrada de profissionais no jornalismo.


Gritaria na web
Na internet e entre jornalistas, estudantes e pesquisadores da área, o assunto tem rendido discussões acaloradas. No Observatório da Imprensa, todas as semanas, artigos são publicados e versões são confrontadas. Numa lista eletrônica restrita a professores e pesquisadores da área, o professor Marcos Palácios insistiu em discutir aprofundadamente a possibilidade de mestrados profissionalizantes serem uma alternativa na formação de quadros mais qualificados para a profissão. Em poucos dias, a mensagem de Palácios foi objeto de reações as mais diversas, quase todas muito, mas muito apaixonadas, fazendo prevalecer argumentos corporativos e questionáveis.

Na blogosfera, gente influente do mercado e da academia vem se posicionando. Carlos Castilho (Código Aberto), por exemplo, ressalta o fato de que as escolas de comunicação não têm sido capazes de formar profissionais que possam enfrentar os novos desafios do jornalismo, provocados pelas novas tecnologias.

Alex Primo, por sua vez, afirma que a defesa do diploma não poder ser uma defesa do diploma per se, mas da formação de qualidade dos profissionais. Marcelo Träsel pega o gancho e envereda para o impacto que as novas tecnologias vêm provocando na atuação cotidiana desses profissionais. Já Márcia Benetti criticou violentamente a morosidade da inteligentsia brasileira, esperando uma atitude mais pró-ativa na condução e elevação do nível dos debates. Cética, ela acha que a batalha no STF está perdida e com a desregulamentação no jornalismo, não só os jornalistas perderão.


Os sofismas da liminar
Discuto a obrigatoriedade do diploma desde 2001, a partir da concessão da liminar. De 2002 a 2005, debati o tema, mesclando preocupações conceituais e corporativas, já que ocupava a vice-presidência do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. Desde então, tenho feito uma autocrítica que me faz ver que a condução da questão não pode seguir essa orientação. Isto é, hoje, o debate está muito, mas muito ideologizado, o que é uma pena. Afinal, as questões centrais são deixadas de lado.

Primeiro, é sofismático o raciocínio que sustenta a liminar da juíza Carla Rister. Grosso modo, ela afirma que restringirmos o exercício do jornalismo àqueles que detêm diplomas universitários é um desrespeito à liberdade de expressão e a manutenção de um privilégio elitista. As premissas estão incorretas. Não se pode confundir o direito à liberdade de expressão com o exercício profissional do jornalismo. São coisas de natureza distinta. O primeiro é um direito, previsto em diversos protocolos, inclusive na Declaração Universal dos Direitos do Homem. O segundo é uma atribuição específica que depende de uma habilitação para tal. Isto é, o exercício de uma profissão exige conhecimentos técnicos, competências e habilidades para ser efetivado. No caso das profissões regulamentadas – e o jornalismo é uma delas -, há outras exigências, inclusive burocráticas para a obtenção de registro profissional. A inclusão da obrigatoridade de diploma universitário é uma maneira de contribuir para que os quadros que exerçam o jornalismo passem por uma formação mais ampla, mais específica, mais qualificada. Isso garante que essa formação aconteça? Claro que não. Mas as leis prescrevem e outros instrumentos devem garantir a efetivação das políticas previstas em lei.

Se formos confundir o direito à liberdade de expressão com o exercício profissional no jornalismo poderemos também nos exceder e misturar acesso à justiça (um direito) com a possibilidade de ser advogado (um exercício profissional regulamentado, previsto em lei e consolidado como prática social há anos)…


Cortar a cabeça do paciente
Outro sofisma na liminar é o que condena a elitização. É verdade que nem todos têm acesso aos bancos escolares universitários. É verdade também que o salário mínimo previsto na Constituição não garante o sustento pleno de uma família de quatro pessoas. Nem por isso se defende por aí o fim do salário mínimo. O que se faz é a reivindicação de seu aumento, e da sua extensão como uma remuneração mínima, referencial para o mundo do trabalho. Da mesma maneira, não se pode atribuir à regulamentação dos jornalistas um insucesso da política pública nacional de universalização do ensino superior. Se as universidades ainda são um sonho e uma realidade de poucos, deve-se trabalhar para transformar essa realidade, e não atentar contra os cursos ou as instituições.

Retirar a obrigatoriedade do diploma para jornalistas é recuar na história na medida em que reforçamos o entendimento de que não é necessário estudar, não é preciso se habilitar ou se capacitar para uma dada profissão. Com isso, antipedagogicamente, contribui-se para a idéia de que a escola não forma, não ajuda no desenvolvimento do sujeito, tem um papel sobressalente e descartável.

Pensando assim, agimos como o médico que decide cortar a cabeça do paciente que se queixa da dor. Decepar a parte doente não resolve o problema. Não se cura a dor. Pior: mata-se o paciente…

De qualquer forma, cabe pensar. Se as escolas brasileiras de comunicação são incapazes de despejar no mercado de trabalho profissionais qualificados, por que as empresas – de todos os portes e de todas as partes do país – continuam contratando esses jovens jornalistas?


Qualidade na formação
A discussão acerca do diploma para jornalistas sempre traz à tona uma suspeita sobre a capacidade das escolas de formar bons profissionais. Um argumento recorrente é o de que o mercado poderia fazer o mesmo, de forma mais barata e mais direcionada aos seus propósitos. Esse argumento é facilmente derrotado quando se lembra que o mercado não tem prerrogativa nem atribuição para formar profissionais, já que esta função é das escolas, das instituições e sistemas de ensino, que existem para isso. A idéia pode ser derrubada também pelo fato de que o mercado não tem condições de treinar e aprimorar todos os contingentes que anseiam por isso. O mercado não ensina, as empresas não têm infra-estrutura nem tempo ou prioridade para fazê-lo.

Cabe e deve caber às escolas de comunicação esse serviço: preparar profissionais para os desafios do mercado e as demandas sociais. As escolas de comunicação precisam ter (e muitas já têm) as condições necessárias para formar bons profissionais, já que reúnem quadros qualificados (e em constante aperfeiçoamento), infra-estrutura, experiência pedagógica. Há escolas ruins? Sim. Mas há boas também. USP, UFBA, Cásper Líbero, as PUCs, a UFSC, a UFRJ e a UnB não são bons exemplos de escolas de jornalismo?

Como em outras áreas do conhecimento, há exemplos e contra-exemplos. Veja o caso do Direito. Existem centenas de escolas no país que despejam milhares de novos profissionais todos os semestres no mercado. Apesar dessa quantidade, a OAB – volta e meia – se queixa que os concursos para juízes não preenchem a totalidade de suas vagas por conta da performance insuficiente dos candidatos. Nem por isso se prega o final das escolas de Direito no país… O que a OAB faz é recomendar as boas escolas, e com isso – de maneira afirmativa – sinaliza saídas positivas, esquenta a concorrência e obriga os cursos pouco recomendados a correr atrás…

As escolas de comunicação têm muito a melhorar? Sim, e precisam se preocupar com isso. Professores e pesquisadores da área precisam construir instrumentos e indicadores que afiram qualidade de ensino, eficiência na formação. Com isso em mãos, é mais fácil visualizar os resultados dos cursos, seus impactos nos mercados regionais, suas influências nas práticas e processos cotidianos, e até mesmo em procedimentos inovadores.

Nos anos 90, setores da academia que formavam a Fenaj concluíram um documento bastante importante para a qualificação do ensino na área do jornalismo. O Programa Nacional de Estímulo à Qualidade da Formação em Jornalismo é um instrumento detalhado, abrangente e aprofundado. Sabe-se que o texto de 1997 passou por avaliações e ajustes, e mesmo assim, passada mais de uma década, poucas escolas colocaram tais políticas em funcionamento. Não porque a proposta seja ruim. Pelo contrário: de tão boa, de tão comprometida, as escolas sentem dificuldade de contemplar todos os pontos, o que inviabiliza a sua implementação.

Entre outras coisas, significa que só o documento da Fenaj não basta e são necessários outros elementos para influenciar positivamente as instituições de ensino.


Debate ideologizado
O que, modestamente, venho percebendo é que a discussão em torno do diploma tem sido contaminada muito mais por elementos ideológicos do que racionais ou práticos. Isto é, a defesa do diploma fica muito circunscrita a argumentos circulares que endeusam o diploma por sua essência e não pelas qualidades ou potencialidades que pode reservar. Com isso, a defesa da formação universitária em jornalismo alcança contornos meramente corporativos.

É preciso entender que é legítima a atuação corporativista de sindicatos e da própria Fenaj, afinal, são entidades classistas e têm a função de defender os interesses da categoria. Entretanto, a questão da (boa) formação dos jornalistas transcende os interesses profissionais, já que jornalismo e comunicação são atividades de finalidade pública, de clara interferência no cotidiano e no imaginário das pessoas. Isto é, essa questão afeta a todos, produtores ou consumidores de informação. Como é o caso da Medicina ou da Engenharia, por exemplo. Imaginem se estivesse em questão a formação universitária (ou não) de médicos ou engenheiros? Isso não afeta toda a sociedade que se serve de seus serviços?

Como disse, é legítima a defesa corporativa do diploma, mas é insuficiente. A sociedade ou o STF não se comovem ou se mobilizam por isso. É necessário mostrar que o jornalismo é uma atividade de caráter social, e o seu exercício dependem de preparo técnico, de rigor ético, de comprometimento com o interesse público, entre outros fatores que incidem concretamente na vida das pessoas.

A campanha pela defesa do diploma que a Fenaj tem levado adiante tenta mostrar essa faceta mais social do jornalismo, mas não sei se vem causando os efeitos desejados. Por quê? Porque a Fenaj é parte interessada na manutenção do diploma, por uma questão de reserva de mercado, de controle da entrada dos profissionais no ramo. E porque é parte interessada, sempre será olhada como suspeita…

Por isso, hoje, não sei mais se a Fenaj deveria liderar e conduzir o debate acerca da formação dos jornalistas. Não porque seja ilegítima. Não porque não seja representativa. Não. A Fenaj é uma instituição legitimada e representa 31 sindicatos de jornalistas em todo o Brasil. Tem 60 anos de grandes contribuições à categoria e à profissão. Mas há tempos vêm sofrendo desgastes políticos internos e externos que combalem a sua imagem, e isso dificulta a sua atuação.

O discurso compreensivelmente ideológico da Fenaj em torno do diploma cumpriu um papel fundamental de colocar a questão na agenda nacional, de mobilizar setores nas redações e assessorias, nas escolas e nas instituições. A Fenaj e os sindicatos devem manter suas palavras de ordem, suas falas e seus discursos de mobilização, já que não podem (nunca) renunciar as suas funções políticas e aglutinadoras. Mas, insisto, a ideologização do debate sobre o diploma não cumpre propósitos além dos da mobilização.

Mas se não a Fenaj, quem deve liderar esse processo? O Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo? A Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo? A Associação Brasileira de Imprensa? O Conselho Nacional de Comunicação Social? A Sociedade de Estudos Interdisciplinares de Comunicação? Sinceramente, não sei que entidade conseguiria reunir legitimidade, representatividade e autoridade para tanto. Talvez nem uma nem outra. Talvez um novo coletivo, especialmente formado para isso. Não tenho essa resposta. Mas é fundamental que a academia, o mercado e outros setores da sociedade possam qualificar o debate, dando mais nível e direção às discussões. É importante que esses atores contribuam para a compreensão da questão, que pensem e proponham saídas, e que tenham no seu horizonte de trabalho um único objetivo: atender às demandas da sociedade.

Se conseguirmos mostrar que o jornalismo é algo relevante e essencial para a sociedade; se conseguirmos mostrar que o jornalismo deve ser exercido por profissionais especializados e bem formados; e se conseguirmos mostrar que o nosso sistema de ensino pode responder por essa demanda social; aí, sim, estaremos contribuindo substancialmente para uma sociedade e um jornalismo melhores.

ATUALIZAÇÃO de 20/10/2008: O professor Jacques Mick (Ielusc) também tratou de nossa insuficiência e precariedade teóricas na conferência que deu no 2º Encontro de Professores de Jornalismo de Santa Catarina e 4º do Paraná. Um resumo aqui.

ATUALIZAÇÃO de 21/10/2008: Retomo esse assunto para debater com Mauricio Tuffani aqui.

mistureba

Enviado pelo Joel

cartola, 100!

Hoje, Cartola faz cem anos.
Um século de lirismo, de poesia, de romantismo, de samba e romance.
Nas composições dele, o coração é um latifúndio, a mulher amada, uma deusa, a dor de amor, a dor maior.

Com Cartola, a letra do samba ganha contornos de verso poético. Com Cartola, a vida no morro até parece bonita e redentora. Com Cartola, sofrer apaixonado não é um mau negócio.

Para quem conhece, para matar a saudade. Para quem nunca ouviu dizer, amostras…

Tive sim

Peito vazio

Alvorada

As rosas não falam

Sala de recepção (a minha favorita!)

um selo de ética para a web?

Patrick Thornton vem com a idéia de um selo de ética para sites na internet. O conceito dialoga com as preocupações de várias pessoas em torno de uma web com mais transparência, qualidade e confiabilidade. Segundo explica o próprio Thornton, a coisa funcionaria como as licenças de Creative Commons, já que estamos falando de internet e tratando de comunidades virtuais, redes sociais de pessoas que atuam na web.

Seriam cinco categorias, e cada uma delas teria níveis diferentes:

For instance, your blog could say that you do not accept anonymous sources, while I might accept anonymous sources as long as two-independent sources confirm the same information. This will create a lot of freedom for people to customize their specific ethics policy within our open source framework.

As categorias:

  1. Sourcing
  2. Objectivity/advocacy/opinion journalism or opinion
  3. Linking
  4. Copy editing/fact checking (does a second person fact check?)
  5. Conflicts of Interests.

O proponente do selo de ética diz que vários motivos estimulariam cada blogueiro ou dono de site a buscar certificar seus domínios na web com a nova rotulagem: transparência, marketing, satisfação dos usuários, por exemplo.

Mas a idéia, frisa o Thornton, está apenas tomando forma. Ele pede para que as pessoas divulguem o conceito, que mandem sugestões por email ou participem do online ethics wiki.
O que eu acho disso tudo?
1. O projeto parece bem intencionado. Mas desde Dante Alighieri sabemos que “o inferno está cheio de boas intenções”. Isto é, nada garante que ele tenha sucesso, que mude uma cultura, que seja incorporado pelos usuários, que se materialize em algo bom para a web e para as pessoas.
2. O projeto tem qualidades. A idéia tem o mérito de ser afirmativa, de apontar o que deve ser destacado na web por seus valores intrínsecos e não estratégias de visibilidade e outros mecanismos. O blog ou site deveria reunir condições e características que o distinguissem por valores e conteúdos relevantes, o que – em tese – tenderia a separar bem o joio do trigo.
3. O projeto toca em pontos nevrálgicos na web e ainda pouco explorados. O tema da ética é altamente polêmico. É um assunto que todos dizem defender ou gostar, mas pouca gente estuda e trabalha por ele. Sejamos francos. Também contaminam as discussões diversos interesses (inclusive conflitantes), uma carga pesada de subjetivismo, doses generosas de ceticismo e cinismo. Mas acho importante alguém colocar a cabeça para pensar e se arriscar para trazer esse tema para a discussão. O caso mais ruidoso e recente de que me lembro foi o de Tim O’Reilly que propôs um código de ética para a blogosfera e foi bastante rechaçado.
De qualquer forma, é uma idéia a ser discutida. Vai dar certo? Não tenho tanta certeza. Vai ter adesão? Penso que alguma. Vai ser implementada? Quem vai dizer será a comunidade…

henry jenkins no maximídia

Henry Jenkins, do MIT, falou de um assunto sobre o qual é bastante conhecido: convergência midiática. Na verdade, a proposta era de que contrapusesse a confluência dos meios e a divergência de interesses, de públicos, de consumos. A palestra de Jenkins se deu durante o MaxiMídia, evento que foi transmitido de São Paulo para várias cidades do país. Vi Jenkins em Itajaí, num dos auditórios da Univali, e a transmissão deixou um pouco a desejar. Não pela qualidade de áudio e vídeo, mas por conta da direção de imagens. Nem sempre, era possível ver os slides que Jenkins apresentava. Isso porque os realizadores do MaxiMídia insistiram em mostrar o palestrante, sem dividir a tela e conjugar os conteúdos…

De qualquer forma, a fala de Jenkins reforçou o que vem se lendo dele há alguns meses. Aliás, seu livro “Cultura da Convergência” já circula em edição brasileira… Jenkins bateu em teclas já bastante conhecidas:

(*) A entrada da grande mídia em novas plataformas ajuda a desenvolver a convergência midiática, já que esses players sabem muito bem fazer o que já fazem, além de não quererem perder mercado nem dinheiro.

(*) Digitalização e Culturas Participatórias também contribuem para este cenário, mas trazem novos contornos para os públicos e para o próprio negócio da mídia. Isto é, de consumers passamos a prosumers: não só consumimos, mas também produzimos conteúdos consumíveis… Jenkins citou dois números altamente expressivos: 52% dos adolescentes dos Estados Unidos já produziram conteúdos de mídia e outro terço já distribuiu esses conteúdos.

(*) Associados aos pontos acima está a idéia de Inteligência Coletiva, conceito que entrevê, por exemplo, que as pessoas estão formando comunidades para resolver seus problemas. Isso muda o conhecimento, os públicos e a própria mídia. Muda ainda o relacionamento entre meios e públicos, produtores e receptores.

(*) Contar histórias transmídia, fazendo cruzamentos e extensão de conteúdos para outras plataformas, amplia narrativas, de acordo com diversos formatos.

(*) Colaboracionismo. Jenkins afirmou a necessidade de conjugar interesses no novo cenário onde o público, muitas vezes, transgride direitos autorais dos realizadores para consumir seus produtos. Segundo ele, é preciso incentivar a criatividade dos públicos, dos consumidores, mas esses devem também cooperar com os proprietários das marcas. Isso faz parte de uma economia moral, onde se deve restituir a confiança entre as partes. Há um choque entre compartilhamento e pirataria, entre consumo pago e tráfico de produtos, entre ações legais e ilegais, por exemplo.

A fala de Jenkins foi dinâmica, bem ilustrada e esclarecedora em alguns pontos. A chatice mesmo ficou por conta de Luiz Fernando Vieira, da agência África, que se encarregou de fazer perguntas ao palestrante. Atrapalhado com os conceitos, inseguro na fala e pouco à vontade, Vieira fez perguntas redundantes e circunscritas basicamente aos interesses dos publicitários. Uma pena… Os organizadores do Maxi Mídia deveriam ter trazido alguém da academia – notadamente, um pesquisador que conhecesse mais a obra e o pensamento de Jenkins – ou algum jornalista – geralmente, mais afeitos e preparados para o posto de perguntador…

ATUALIZAÇÃO (10 DE SETEMBRO DE 2008): Tiago Caminada fez um relato do que Mark Warshaw tratou no segundo dia do MaxiMídia. Aqui.

sobre videogames e sobre filhos

Outro dia, li uma matéria na BBC Brasil que me chamou muito a atenção. Em linhas gerais, ela trazia informações sobre um estudo do Pew Internet and American Life Project sobre a influência dos videogames entre os jovens norte-americanos. O estudo, de setembro passado, mostrava que – ao contrário do que muita gente pensa – os games ajudam a melhorar a vida social dos adolescentes.

A pesquisa foi feita com 1,1 mil sujeitos de 12 a 17 anos e trouxe dados sobre a sociabilidade que os games proporcionam. Isto é, a maioria dos adolescentes considera que jogar é uma atividade socializadora e que essas experiências são importantíssimas para suas convivências. A pesquisa vai além. Mostra ainda que a frequência com que os jovens jogam não afeta suas vidas sociais, o que desmente aquela velha história de que os games “isolam as pessoas”.

Os games são um assunto que me interessa em particular, e por vários motivos: 1. Pesquiso educação; 2. Estudo tecnologia; 3. Gosto de games; 4. Tenho um filho de quatro anos. Combinadas, essas razões me fazem pensar, jogar e observar muito quem se dedica a enfrentar zumbis, matar demônios, despedaçar inimigos e cumprir missões.

Me irritam muito as falas de que videogames influenciam pessimamente jovens e crianças. “Games são violentos!”. “Games viciam”. “Games ensinam péssimos valores”. “Jogar videogames por muitas horas faz mal pra vista!”

É relativamente fácil derrubar cada uma dessas críticas, e por um motivo único: elas não estão apoiadas em dados comprovados cientificamente, mas sim em preconceitos e ignorância.

Como disse, tenho um filho. Ele tem quatro anos. É uma criança como qualquer outra: é saudável, feliz e animada. É também doce e frágil. Como a própria idade denuncia, está em formação. Ele frequenta a escola, brinca com os amiguinhos e se diverte com TV e com revistinhas de pintar. Além disso, ele também gosta de games. Há cerca de um ano, ele se delicia com alguns jogos de PlayStation 2. Joga em noites alternadas, por algumas horas e sempre comigo ou com a mãe dele. Nessas noites, ele destroça espaçonaves, arremessa robôs, salva reféns, enfrenta monstros e outros desafios. Claro que eu o observo quando joga. Ele fica elétrico, vibra com o joystick, requebra e solta gritos e urros. Ele entra na brincadeira e se satisfaz a cada missão vencida, a cada vez que o jogo pede para salvar o progresso alcançado.

Em algumas ocasiões, demonstra irritação porque não consegue ir além. Ele pede para desistir, eu o incentivo a ir além, vencer o desafio para seguir e vencer. Ele se recompõe, reúne forças e segue. Quando vence, me olha com satisfação, afinal ultrapassou um limite seu. Taí a grande sacada dos games: eles nos impõem desafios e exigem de cada jogador uma performance mínima de qualidade que, se não alcançada, não oferece a recompensa.

Este sistema de recompensas está na medula do negócio dos games. É isso, entre outras coisas, que ajuda a materializar uma experiência única entre as demais mídias. Isso não é novidade. Steven Johnson já disse isso em outras ocasiões, principalmente em “Everything bad is good for you”.

O cinema, a literatura, a TV, cada um a seu modo, nos oferecem experiências imaginativas, recreativas ou instrutivas. Os games exigem que interajamos, que entremos na história e tomemos as rédeas da coisa. Ninguém fará para nós. A experiência dos games não é melhor, nem pior que as de outras mídias. Só é diferente. E menos passiva.

No meu caso particular, acompanho sempre meu filho nos jogos. Faço daqueles momentos um tempo nosso, de convívio, de vitórias (e derrotas) conjuntas. Ele joga por horas, mas controladas, supervisionadas. Estabelecemos a rotina de noites alternadas, de modo a criar limites e disciplina. Os games são violentos? Alguns são sim, mas sobre a violência dos games quero dedicar outro post. Mas já aviso: vou bater de frente contra o discurso de que os games incentivam a violência dos pequenos.

liberdade de imprensa: um radiodocumentário

A BBC colocou à disposição dos internautas as duas partes de um radiodocumentário sobre a liberdade de imprensa ao redor do mundo.

Ouça aqui e aqui.

um video-livro…

Ana Laux, do Gaveta do Autor, produziu essa semana um material bem interessante para quem gosta de música pop e da vida de celebridades: um video-livro com trechos da autobiografia de Eric Clapton.

Vale a pena!

renoi terá duas mesas coordenadas na sbpjor

A Renoi estará com duas mesas coordenadas no 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, da SBPJor.
Agende-se!

Mesa Coordenada – 20/11/2008, às 14 horas
ENSINO DE JORNALISMO E A QUALIDADE DA INFORMAÇÃO
Coordenação: Gerson Luiz Martins

Qualidade da informação jornalística: o jornal laboratório em questão
Ana Prado

As potencialidades do ciberjornalismo no ensino de jornalismo
Gerson Luiz Martins

A pós-graduação em Jornalismo e a aproximação com os jornalistas que atuam no mercado de trabalho
Marcos Santuário

Mídia e intolerância: trabalhando a questão da alteridade com alunos de jornalismo
Valquíria Michela John

A hora da nova utopia
Victor Gentilli

Mesa Coordenada – – 21/11/2008, às 14 horas
QUALIDADE DA INFORMAÇÃO JORNALÍSTICA
Coordenação: Rogério Christofoletti

Jornalismo e informação de diagnóstico: um valor para a democracia
Danilo Rothberg

Responsabilidade social da mídia: análise conceitual e perspectivas de aplicação no Brasil, Portugal e Espanha
Fernando O. Paulino

Avaliação de qualidade jornalística: desenvolvendo uma metodologia a partir da análise da cobertura sobre segurança pública
Josenildo Luiz Guerra

Jornais populares de qualidade: ética e sensacionalismo em um novo fenômeno no mercado de jornalismo impresso
Laura Seligman

O jornalismo como teoria democrática
Luiz Martins da Silva

Concentração de mídia, padronização jornalística e qualidade do noticiário: o caso de Santa Catarina
Rogério Christofoletti

mídia sorri à toa: $$$$$$$$

Deu no Mídia e Consumo, e reproduzo em parte:

Dados do projeto Inter-Meios demonstram que o mercado publicitário cresceu 14,7% nos primeiros sete meses do ano em comparação com o mesmo período de 2007.
Até julho de 2008 os veículos de comunicação faturaram R$ 11,3 bilhões com publicidade. O principal destaque da lista continua sendo a internet, que teve crescimento de 44,4%, alcançando R$ 383,2 milhões.

O primeiro lugar do ranking permanece com a TV aberta, que faturou R$ 6,6 bilhões, 58,5% do total. Rádio, Revista, Mídia Exterior e TV por Assinatura também aumentaram suas médias. Guia e Listas (-13,2%) foi o único meio que teve performance negativa.
Para ver a íntegra do post, vá à fonte.

velhos jornalistas projetam o futuro do jornalismo

Dois nomes muito influentes no jornalismo norte-americano vêm vaticinando os próximos passos da indústria jornalística – a de meios impressos, em particular – diante da avalanche diária de novidades tecnológicas: Bill Kovach e Philip Meyer.

Esses velhos jornalistas tentam enxergar à frente, pontuando o que teremos a seguir. Tudo bem, eles tratam do mercado dos Estados Unidos, mas não se pode ignorar o cenário de lá para pensar soluções por aqui, não é mesmo?

Aos links, portanto:

Bill Kovach lista doze questões para o futuro do jornalismo

Philip Meyer aponta que o fim dos jornais impressos está mais próximo do que pensávamos

a ética, filme de pablo villaça

15 minutos.
Diálogos cortantes.
Cinismo.
Honestidade.
Valores.
Traição e confiança.
Lealdade e profissionalismo: A Ética.