a cara da gente, depois do carnaval

Você pode ter enfiado o pé na jaca nos últimos dias…

Você pode ter ficado no seu cantinho, descansando…

Você pode ter tentado ignorar o Carnaval e a agitação…

… mas nenhum de nós pode evitar a cara de Quarta-Feira de Cinzas…

frank

(por Frank Maia)

links para uma sexta-feira 13

zombie

Antes que Jason, Freddy Krugger, zumbis e outros monstros venham te visitar, indico 13 links para exorcizar a sexta-feira assombrada…

1. Sônia Bertochi indica um videozinho de pouco mais de um minuto que explica porque redes sociais são importantes. Aqui.

2. Folha Informática traz matéria sobre estudo espanhol que atesta que videogames ajudam crianças a se desenvolver. Aqui.

3. Apesar da popularidade, o Twitter ainda não deslanchou nos resultados comerciais. Veja no Jornalismo nas Américas.

4. O Pew Internet and American Life Project divulgou pesquisa sobre o uso do Twitter. Leia mais aqui.

5. O Pew Research Center criou o Índice da Nova Mídia. Saiba o que é aqui.

6. Em Navarra, prossegue hoje o Congresso Internacional de Inovação na Comunicação, que a gente pode acompanhar pelo twitter: http://twitter.com/fcomnavarra

7. Já está na rede a chamada para trabalhos para a Sexta Conferência sobre Inovação no Jornalismo. Aqui.

8. As datas para os seminários regionais e para o congresso nacional da Intercom estão disponíveis na página de entrada do site da entidade.

9. Mark Deuze apresenta um slideshow com algumas idéias de seu mais novo livro: Media Life.

10. Pedro Doria expande seu projeto, o agregador brasileiro As Últimas. Tem Política (brasileira e internacional), Futebol, Ciência, Cinema, Culinária, Humor, Personalidades e até Mídia. Veja.

11. Como no faroeste. A Microsoft oferece recompensa para quem dedurar o criador de uma praga da tecnologia. Aqui.

12. A Columbia Journalism Review menciona mais um evento científico no jornalismo, um painel que aconteceu ontem na Woodrow Wilson International Center for Scholars. Aqui.

13. Ok, não dá pra fugir de Jason… ele não morre mesmo… então, veja o site do Friday the 13th.

faz mais de 50 anos e ainda soa forte

O maior disco de jazz de todos os tempos para muitos foi gravado há um pouco mais de meio século. Kind of Blue trazia Miles Davis, John Coltrane e uma malta de músicos lendários. A atmosfera permanece, basta ver no registro reunido, misturado e postado no youtube:

Se é mesmo o maior e o melhor disco de todos no jazz pouco importa. Certo é que Kind of Blue é sensível, emocionante, pungente, fundamental, universal, eterno.

Como dizia o pai de um amigo meu: “Deite no chão, feche os olhos e abra os ouvidos!”

o meme das seis coisas secretas

Vi esse meme na Adriamaral e em outros blogueiros por aí. Mauricio Oliveira, disciplinado, fez até coletânea dos segredos mais bizarros. E pior: me desafiou, me convocou a participar da coisa. Vá lá!

Seis coisas não tão públicas sobre mim:

1. Sou um sobrevivente. Já tive sarampo, cachumba, escarlatina, hepatite, catapora, bronquite e faringite. Fui picado por uma jararaca aos 16 anos. Destruí um carro na BR-101 e escapei sem um arranhão. Passei pelo furacão Catarina e pelas enchentes do ano passado em Itajaí. Eu sei: vaso ruim não quebra.

2. Aos 12 anos, estava decidido: ia ser padre. Desisti meses depois, quando dei meu primeiro beijo.

3. Tornei-me professor universitário porque errei o caminho. Era 1999 e estava rodando em Florianópolis quando entrei na rua errada e acabei parando num posto de gasolina. Lá, encontrei um colega que me avisou de um concurso para professores na Univali. Fui ver e já viu, né!

4. Já “cometi”alguns textos para o teatro. Atualmente, sou um dramaturgo aposentado. Tenho um misto de orgulho e vergonha do que escrevi.

5. Quase casei com o Frank Maia. Foi assim: o Laerte veio dar uma palestra em Florianópolis, e eu tava lá com o Frank. A gente nem tava de mãos dadas. Laerte disse da dificuldade de encontrar roteiristas de quadrinhos. Eu tinha escrito umas linhas pro Frank de brincadeira e ele desenhou e tal. Frank me apontou como o parceiro dele numas tiras. O Laerte disse: “Casa com ele, cara!” Mas eu já era casado, e o Frank entendeu.

6. Tornei-me são paulino aos dez anos, em 1982. Um amigo do meu pai vivia me azucrinando pra torcer pelo time do Morumbi. Um dia, assisti a um jogaço do tricolor e me converti. O que eu era antes disso? Alguém que não sabia nada de futebol…

Repasso o meme pro ExuCaveira, pro Madu, pro D’Andrea, pro Joel, pra Tattiana, pro Gerson e pro Zé Renato.

notas de férias, porque elas estão no fim

Eu sei que talvez este post nem interesse à meia dúzia de meus leitores fiéis, mas isso aqui é um blog, né? O que significa dizer que também é um bloco de notas, um amontoado de registros cibernéticos…

Nesses dias de férias, não subi o Everest, não cacei tubarões no Pacífico Sul nem desmascarei agentes secretos da ABIN, inflitrados nos meus lugares de convívio social. Eu disse estar de férias, e essas coisas eu só faço quando estou mesmo a trabalho. Mas pra não dizer que minhas férias foram modorrentas, vi uns filminhos, li uns livrinhos, coloquei as correspondências em dia, joguei uns joguinhos e peguei muita praia. Já escrevi alguma coisinha sobre isso aqui, mas ofereço outro aperitivo:

(*) Neuromancer, o livro de William Gibson, é uma experiência impactante. Há pelo menos 15 anos eu queria lê-lo, desde que li Johnny Mnemonic, conto do mesmo autor e que gerou um filme homônimo com Keanu Reeves no papel-título. Lembro que a extinta revista General trouxe o conto encartado numa edição, num formatinho pocket, que arranquei de um amigo meu. Desde então, quis ler mais William Gibson, e só pude agora, numa edição comemorativa dos 25 anos do lançamento (e que traz um posfácio da amiga Adriana Amaral). Neuromancer é um choque no uso da linguagem, na capacidade imaginativa de se conceber pirações cibertrônicas, na intensidade narrativa e na capacidade de se manter em pé. (Nem Case deve ter vislumbrado ir tão longe…)

(*) Já escrevi aqui outras vezes: sim, sou um retardado. Só essa semana assisti a Onde os fracos não têm vez, que levou quatro Oscar ano passado. É um filme melancólico, vertiginoso, atordoante. Daqueles em que a gente passa por uma cena e ainda se pergunta se aquilo mesmo aconteceu ou se os diretores – no caso, os irmáos Cohen – estão aplicando algum golpe na platéia. Que nada! Não tem golpe. Tem cinema de sobra, de gente grande. Cinema que mostra que a vida é mais complicada do que os faroestes antigos mostravam.

(*) House voltou com a quinta temporada. O primeiro episódio – painless – é legalzinho, mas fraco para ser um abre. Se você não viu ainda, calma. Não há mudanças no hospital. Cudy continua tentando adotar um bebê + Kutner e Taub continuam sustentando a escada dos demais + Thirteen e Foreman não foram além daquele beijo + Wilson e Cameron quase nem deram o ar de sua graça + House salvou o dia.

(*) Já Lost está eletrizante. Os dois primeiros episódios vêm em grande forma, com mistérios, conexões improváveis e sacadas de roteiro inacreditáveis. Pra ser sincero, já nem esperava muito da série. Sabe por quê? Os produtores não têm pena da gente. Fazem 11 ou 12 episódios e depois ficam meses hibernando, e nisso, a nossa curiosidade provoca enfartos, surtos de histeria, etc… A série voltou tão boa que até tornei a ler spoilers

(*) Descobri uma nova poeta: Ana Elisa Ribeiro. Jorge Rocha, o ExuCaveiraCover, seu marido, me mandou Fresta por onde olhar, livro da moça que é muito bom. Confesso: tenho o maior preconceito com poetas e livros de poesia. Antes de me espancarem, eu explico: é que parece que todo o mundo escreve poesia ou sabe fazer isso. Então, a gente vê de tudo por aí, e o pior é o que impera. Tem pretensão, tem espalhafato, tem forçação de rima. Com Ana Elisa Ribeiro, não vi nada disso. Existe maturidade, existe bossa e malícia, e existe uma grande intimidade com as palavras.

(*) Bolt – o super-cão é surpreendente. Pra ser uma animação da Disney, vi pouquíssima mídia sobre ele. Mas o resultado é muito bom, muito divertido e tal. Assisti com uma criança de quatro anos e foi ela quem me arrastou pra fora da sala do cinema quando subiam os letreiros. Wall-E é melhor, mas não faz mal. Bolt tem bons diálogos, e uma excelente dublagem brasileira. Maria Clara Gueiros está ótima na voz da gatinha Mittens.

(*) Rygar – The Legendary Adventures é bonzinho, mas seus gráficos perdem muito para os jogos atuais do PlayStation. A história é bobinha: um gladiador com amnésia tem que salvar uma princesa sequestrada. Para isso, transita entre cinco ou seis mundos diferentes, enfrentando seres mitológicos dos mais diversos. O jogo é fácil, sem grandes evoluções. Tanto é que eu consegui zerar sem roubar (lendo detonados na internet…).

As férias não terminaram, e isso não é um balanço. É mesmo um sintoma de que estou aproveitando melhor os dias e as noites. Semana que vem retorno ao trabalho, não sem uma ponta de remorso. Pronto, falei!

a fertilidade me ronda… ui!

Já percebeu que há dias em que tudo parece convergir? Quer dizer, quando a gente pensa numa pessoa distante e acaba ouvindo falar dela, e – sei lá! – até a encontra num lugar altamente improvável. Ou quando você ouve um comentário sobre um filme de uma, duas, cinco pessoas na mesma semana, e acaba chegando no cinema e só tem aquele bendito filme pra assistir naquele horário. Você parece não ter como fugir.

Essa sincronicidade assusta. Pelo menos a mim.

Semana passada, um casal amigo teve o segundo filho, uma menina desta vez. Na mesma semana, pelo Twitter, vi que um importante pesquisador da cibercultura estava correndo pra maternidade também. Pensei: nossa! As cegonhas estão trabalhando dobrado!

Não só elas…

Nas últimas 24 horas, eu soube de nada menos que um, dois, três casos de gravidez por conhecidas. Uma colega de Belém me avisando que está esperando gêmeos para junho. Horas depois, outra colega da mesma cidade me anunciou que o seu bebê chegaria um mês depois. Pensei: Nossa! Esses paraenses querem povoar o mundo mesmo!

Que nada. Na videolocadora, soube que a atendente teve a boa notícia há um mês e meio, e em setembro deve ganhar o primeiro rebento…

Não é muita coincidência? Não, não é. Veja que em Los Angeles, uma mulher teve oito filhos ontem. Isso mesmo! Uma ninhada praticamente. Serenos, os médicos que fizeram a cesariana disseram que apenas se surpreenderam com o oito passageiro, afinal acompanhavam o pré-natal e tinham contado apenas sete anões…

são paulo faz aniversário, mas o assunto continua o mesmo

Você vai a São Paulo e não consegue deixar de perguntar. Você mora em São Paulo e não consegue não pensar nisso. Você nunca foi a São Paulo, mas já ouviu falar disso. Ora, qual é mesmo o assunto predileto dos paulistanos ou de quem se remete à cidade de São Paulo? O Trânsito, sim, ele mesmo e com letra maiúscula.

Hoje, no aniversário de 455 anos da cidade, o tema continua em pauta.

Se chove, dá trânsito. Se faz sol, o pessoal sai antes pro happy hour e aí formam-se as filas. Se é dia normal, a lentidão é de trocentos quilômetros, se é tempo de férias escolares, o assunto é a facilidade do fluxo. São Paulo não consegue deixar de pensar e viver o seu trânsito. A maior cidade do país tem a maior frota de veículos e sistemas de transporte coletivo que não dão conta dessa demanda toda. São pouco mais de 61 quilômetros de metrô, um terço da malha que serve a Cidade do México, por exemplo, ou um quarto da extensão das linhas em Tóquio.

Se não dá pra ir por baixo, vamos por cima, e aí pára tudo.

Para ajudar, emissoras de rádio locais usam helicópteros para observar os pontos mais críticos e alertar os ouvintes. Além disso, indicam melhores saídas, calhas de escoamento. Mas até aí, normal. O que vem me chamando ultimamente é uma outra iniciativa, recente, que ainda nem completou dois anos e já faz uma diferença! É a Rádio Sulamérica Trânsito, que opera no 92,1 FM, e é especializada no assunto.

A emissora é resultado da parceria do Grupo Bandeirantes de Jornalismo e da Sulamérica Seguros. Então, a emissora espalha repórteres pela cidade que se ocupam de ficar rodando e rodando e dando as informações em tempo real de como estão as principais vias. O público também participa, e manda torpedos para a rádio perguntando melhores rotas ou alertando sobre o aumento da lentidão em alguns entrocamentos. Com celulares em punho, os jornalistas da Rádio Sulamérica Trânsito caçam os lugares que gente normal quer evitar. De forma ágil, o serviço hoje é essencial pra muita gente.

A iniciativa me chamou a atenção pela sua originalidade, eficiência e inovação. A emissora aposta num produto caro ao público – como deslocar melhor pela selva de pedra paulistana; a Sulamérica Seguros marca um gol ao vincular sua marca com algo positivo, a prestação de um serviço muito útil (e não só aquela situação chata de sinistro em que a gente aciona o seguro…); a rádio lida muito bem com o público, incentiva a participação e foca a sua atuação para o diálogo, para a busca coletiva de soluções. E sabe de uma coisa? Quando o trânsito está baixo, fluindo mesmo, os locutores até suspendem o serviço momentaneamente e passam uma musiquinha. Na verdade, das 22 às 6 horas, rola música na rádio…

É ou não é a cara de São Paulo???

o legado de bush a obama…

Frank Maia, soberbo, sintetiza a troca de faixa em Washington...

http://xinelao.blogspot.com/2009/01/obama-de-entrada.html

ninguém entende mais nada

O Rock in Rio acontece em Lisboa…

O rally Paris-Dackar acontece na América Latina…

O campeonato carioca não tem apenas times cariocas…

blogs, jornalismo e as férias

Sim, estou de férias. Por isso, os posts são preguiçosos e esparsos, quase telegráficos e bissextos…

(*) Quem confia nos blogs? Paul Bradshaw duvida da questão.

(*) Por que as pessoas lêem blogs ao invés de sites de notícias? André de Abreu responde.

(*) Blogs são um novo gênero jornalístico? Frédéric Filloux pensa (alto) sobre isso.

(*) Qual o futuro do jornalismo online? No Nieman Report, você encontra muitos artigos que tentam responder à questão.

(*) Nós, de Marcelo Camelo, não é lá essas coisas. Tem faixas bem bonitas, mas o conjunto é inconstante. Dá saudades de Los Hermanos.

(*) Blindness é lindo. Fernando Meirelles acerta a mão e nos incomoda com a parábola que Saramago urdiu em suas páginas.

(*) A troca é angustiante e bem realizado. Clint Eastwood é um ótimo diretor e um sensível compositor de trilhas. Deu um papel marcante para Angelina Jolie, e mostrou – mais uma vez – que o mal existe, está entre nós e nem sempre o enxergamos com a nitidez necessária.

2008: uma retrospectiva muito pessoal

Este foi um ano difícil, desses em que as conquistas adquirem um valor maior por conta das adversidades, do suor necessário. Este foi um ano penoso e de aprendizado. Este foi um ano de presentes e de perdas, de sorte e da lucidez de enxergar no azar a certeza de continuar.

Por isso e porque 2008 está no seu final, faço uma curtíssima retrospectiva do que vi e vivi. Aliás, este foi um ano em que no seu término a gente pode dizer que sobreviveu a ele

mmj023470000001Janeiro: começamos bem, inaugurando uma nova casa, a primeira mesmo nossa. Aos poucos, naquelas semanas, o sobradinho verde claro foi tomando jeito e se transformando no melhor lugar do mundo. Os afazares domésticos tiveram um sabor doce…

Fevereiro: retomei o trabalho na universidade com duas disciplinas na graduação, os trabalhos no Monitor de Mídia e a produção de uma porção de projetos para financiamento de pesquisa. O Carnaval foi tão manso que eu nem me lembro dele…

Março: terminei de organizar um livro e passei alguns dias em Curitiba para fazer as entrevistas de uma pesquisa em que fui consultor. Acompanhei as defesas de minhas primeiras mestrandas, motivo de orgulho. O mês foi de muito trabalho e resultados quase imperceptíveis. Era mesmo um tempo de arar a terra e semear…

Abril: fui a Dourados para um reconhecimento de curso de graduação. Noutra semana, fui a São Miguel D’Oeste para a mesma função. Perdi horas nos deslocamentos: a família e a vida pessoal ficaram em terceiro plano. Amarguei com isso…

Maio: mais uma viagem para reconhecimento de curso. Desta vez, São Paulo. Tive uma excelente notícia: aprovaram a publicação de mais um livro meu, e agora numa editora nacional. Comecei a me empolgar com o trabalho, deixando para trás qualquer outro interesse de vida. Não vi o sinal ficando amarelo. Completei seis anos juntos com a minha Ana e vi meu irmão Rodrigo casar de papel passado…

Junho: fiz 36 enquanto meu filhote completou quatro anos. Sediamos no Mestrado em Educação da Univali a 7ª edição da Anpedsul, o maior evento da região na área, um feito inédito para o programa e para a instituição. Concluí duas pesquisas de iniciação científica. Já estava mortinho de cansaço, mas o ano só chegava à metade…

Julho: no chamado mês de recesso escolar, não parei. Preparei aulas para três disciplinas diferentes e um mini-curso, participei de bancas de trabalho de conclusão de curso e de reuniões de planejamento pedagógico. Procurei, mas não encontrei tempo para a vida pessoal, os afetos, etc…

Agosto: iniciei duas disciplinas na graduação e outra no mestrado. Ao todo, mais de cem alunos. Lancei mais um livro, outra coletânea – “Observatórios de Mídia: Olhares da Cidadania” (Ed. Paulus) – co-organizado com Luiz Gonzaga Motta. O semestre mal começava e meu corpo já se queixava: dores na coluna, inflamação no nervo ciático, encurtamento de tendão, e algumas crises de rinite…

Setembro: passei uma semana em Belém para um mini-curso sobre mídia e direitos humanos. Uma semana na capital das mangueiras significou atraso nas atividades corriqueiras e exaustão na tentativa de reter o avanço do tempo. Eu nem via meu filho crescer e minha mulher ficar mais e mais bonita…

Outubro: dezenas de reuniões com orientandas do mestrado e da graduação; fechamento de projeto de especialização em Mídias Digitais; três eventos científicos, dois presenciais; burocracias diversas no mestrado e apenas um lance na vida pessoal: troquei de carro. Aonde eu iria com ele mesmo?…

Novembro: lancei mais um livro nesses dias, “Ética no Jornalismo” (Ed. Contexto), e revi amigos no 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, em São Bernardo do Campo. Este também foi o mês em que vi as águas tomarem as ruas, as casas, as cidades. Os dias em que a enxurrada e as chuvas afogaram sonhos, levaram vidas e nos fizeram acreditar no impossível. Aprendi com a amizade, com a solidariedade, com o amor fraternal…

Dezembro: qualifiquei duas orientandas do mestrado, concluí as três disciplinas que lecionava e ainda uma pesquisa financiada pela Fapesc. Contabilizei os ganhos e as perdas e vi que era um tempo bom, apesar de tudo. O mês para terminar o ano foi o mês do recomeço, da reconstrução e das tentativas de reinvenção pessoal. Reiventar-se foi escolher para si um tempo novo, e outras prioridades pois as essências quase nunca são evidentes. Foram também dias de fechamento de ciclos, de projeção de novos dias e de se permitir um (merecido) descanso. Não terei muitas saudades de 2008, mas não poderei esquecê-lo, é verdade.

faxina de links

Como vem sobrando tempo por aqui, vou ser curto e grosso e indicar links que estão represados em nossos favoritos…

Os obituários estão mortos, os wikis estão vivos – de Tiago Dória sobre a publicação da “morte” de Steve Jobs

Retransmissora da Record é retirada do ar por monopólio – do FNPJ sobre um veículo do Mato Grosso

O jornalismo cidadão retorna, mas produzindo os mesmos erros? – do blog do Paul Bradshaw

Chris Anderson fala da Cauda Longa em Porto Alegre, do SiteCharles

The Social Media Classroom, uma nova plataforma para a educação – do ReadWriteWeb

Ética e nova mídias, do Editorsweblog

The FutureLab – inovação na educação, direto do Reino Unido

Snackzine, revista multimídia, direto de Porto Alegre

Boring old values and the new media, do Miami Herald

mistureba

Enviado pelo Joel

sobre videogames e sobre filhos

Outro dia, li uma matéria na BBC Brasil que me chamou muito a atenção. Em linhas gerais, ela trazia informações sobre um estudo do Pew Internet and American Life Project sobre a influência dos videogames entre os jovens norte-americanos. O estudo, de setembro passado, mostrava que – ao contrário do que muita gente pensa – os games ajudam a melhorar a vida social dos adolescentes.

A pesquisa foi feita com 1,1 mil sujeitos de 12 a 17 anos e trouxe dados sobre a sociabilidade que os games proporcionam. Isto é, a maioria dos adolescentes considera que jogar é uma atividade socializadora e que essas experiências são importantíssimas para suas convivências. A pesquisa vai além. Mostra ainda que a frequência com que os jovens jogam não afeta suas vidas sociais, o que desmente aquela velha história de que os games “isolam as pessoas”.

Os games são um assunto que me interessa em particular, e por vários motivos: 1. Pesquiso educação; 2. Estudo tecnologia; 3. Gosto de games; 4. Tenho um filho de quatro anos. Combinadas, essas razões me fazem pensar, jogar e observar muito quem se dedica a enfrentar zumbis, matar demônios, despedaçar inimigos e cumprir missões.

Me irritam muito as falas de que videogames influenciam pessimamente jovens e crianças. “Games são violentos!”. “Games viciam”. “Games ensinam péssimos valores”. “Jogar videogames por muitas horas faz mal pra vista!”

É relativamente fácil derrubar cada uma dessas críticas, e por um motivo único: elas não estão apoiadas em dados comprovados cientificamente, mas sim em preconceitos e ignorância.

Como disse, tenho um filho. Ele tem quatro anos. É uma criança como qualquer outra: é saudável, feliz e animada. É também doce e frágil. Como a própria idade denuncia, está em formação. Ele frequenta a escola, brinca com os amiguinhos e se diverte com TV e com revistinhas de pintar. Além disso, ele também gosta de games. Há cerca de um ano, ele se delicia com alguns jogos de PlayStation 2. Joga em noites alternadas, por algumas horas e sempre comigo ou com a mãe dele. Nessas noites, ele destroça espaçonaves, arremessa robôs, salva reféns, enfrenta monstros e outros desafios. Claro que eu o observo quando joga. Ele fica elétrico, vibra com o joystick, requebra e solta gritos e urros. Ele entra na brincadeira e se satisfaz a cada missão vencida, a cada vez que o jogo pede para salvar o progresso alcançado.

Em algumas ocasiões, demonstra irritação porque não consegue ir além. Ele pede para desistir, eu o incentivo a ir além, vencer o desafio para seguir e vencer. Ele se recompõe, reúne forças e segue. Quando vence, me olha com satisfação, afinal ultrapassou um limite seu. Taí a grande sacada dos games: eles nos impõem desafios e exigem de cada jogador uma performance mínima de qualidade que, se não alcançada, não oferece a recompensa.

Este sistema de recompensas está na medula do negócio dos games. É isso, entre outras coisas, que ajuda a materializar uma experiência única entre as demais mídias. Isso não é novidade. Steven Johnson já disse isso em outras ocasiões, principalmente em “Everything bad is good for you”.

O cinema, a literatura, a TV, cada um a seu modo, nos oferecem experiências imaginativas, recreativas ou instrutivas. Os games exigem que interajamos, que entremos na história e tomemos as rédeas da coisa. Ninguém fará para nós. A experiência dos games não é melhor, nem pior que as de outras mídias. Só é diferente. E menos passiva.

No meu caso particular, acompanho sempre meu filho nos jogos. Faço daqueles momentos um tempo nosso, de convívio, de vitórias (e derrotas) conjuntas. Ele joga por horas, mas controladas, supervisionadas. Estabelecemos a rotina de noites alternadas, de modo a criar limites e disciplina. Os games são violentos? Alguns são sim, mas sobre a violência dos games quero dedicar outro post. Mas já aviso: vou bater de frente contra o discurso de que os games incentivam a violência dos pequenos.

a crise americana e nós

Ando perdendo muito dinheiro com a crise de confiança nos mercados.
Mas não vou me queixar neste blog. Vou mesmo é matar meu consultor de finanças…

Só quatro numerinhos:

1. O governo Bush quer repassar US$ 700 bilhões pro setor financeiro.

2. O rombo, na verdade, é maior, segundo comentário de Joelmir Betting, ontem na Band: US$ 1,5 trilhão.

3. O PIB brasileiro em 2007 foi de R$ 2,6 trilhões, o que convertido em dólar (câmbio de hoje) daria perto de US$ 1,4 trilhão.

Isto é, o governo Bush quer transferir meio PIB do Brasil pros bancos.
É ou não é um bom negócio ser banqueiro em qualquer parte do mundo?

tudo ao mesmo tempo, agora, e mais e mais…

Chupar cana e assobiar. Bater escanteio, correr pra área, disputar a bola com os zagueiros, cabecear e correr pro abraço. Ter oito braços e fazer mil coisas ao mesmo tempo. Tudo junto. Tudo agora, Tudo pra ontem. Run Forest! Corra Lola corra! Vai, Alice! O tempo está correndo e escorrendo!

Não, não é a Lula Lelé aí de cima. Sou eu mesmo. E você? Contigo é diferente?

No Norte, e a trabalho

Pessoal, sei que já avisei, mas não custa repetir: este blog está meio devagar porque estou em viagem a trabalho, para um curso de pós-graduação na Universidade da Amazônia, aqui em Belém (PA).

Se vocês quiserem seguir o curso, passem no blog da disciplina “Mídia e Direitos Humanos”.

Voltaremos com nossa programação normal na próxima semana.

lost e playmobil

Você acompanha o seriado em que 48 pessoas sobrevivem (ou tentam) numa iha misteriosa após a queda de um avião? Enquanto a quinta temporada não chega – só em fevereiro de 2009, amigo… -, e se você tem mais de 30 anos, aproveite as versões playmobil de Lost.

A primeira parte tem 7´56 de duração. A segunda, 6´53.

felini, eminem, beatles e um bando de zumbis

Dois vídeos do YouTube que são simplesmente insanos e muito divertidos. São os mash-ups!

Eminem, sim o rapper branquelo, se encontra com Marcelo Mastroiani, em Felini 8 e Meio…

Beatles fogem de fãs e de uma turba de mortos vivos

dia dos pais: uma crônica

Em julho de 2004, escrevi o texto abaixo, que foi publicado no site de um amigo meu.
É divertido ler agora… parece que um século me separa daquele tempo.

 

Faz duas semanas que me tornei pai. Claro, isso não é lá grande novidade já que quase toda a fauna de homens no mundo passa por isso em algum momento da sua vida. Mas é a minha primeira vez, e ainda não percebi a coisa toda… Vasculhando minha agenda essa tarde, em busca de qualquer outra coisa, esbarrei num bilhetinho que escrevi para mim mesmo na capa do caderno. Nem me lembrava mais que havia feito aquilo, mas agora me recordo nitidamente que rascunhei algumas frases no meio da madrugada: minha mulher descansava do parto, o bebê dormia sem culpa nem nada, e eu ainda me refazia de tudo aquilo. É claro que acompanhei a cirurgia, que tirei fotos, que anunciei o nascimento pelo celular, que monitorei cada respiração daquele menino naquela noite. Medo bobo. Medo de pai novo…

No silêncio do quarto, a clínica praticamente vazia, fiquei ali, só assistindo os dois dormirem. Quis gritar, quis dançar, mas me detive: seria ridículo; incompreensível para qualquer enfermeira que ali entrasse de repente. Cocei a mão e apanhei a agenda. Com uma letra miúda, fui deixando escoar uma ou outra palavra, como num conta-gotas. Não que eu pesasse as palavras, mas porque não queria acordá-los. Fui imprensando palavra com palavra, sem pressa, com cuidado na pontuação, fazendo a madrugada só minha.

Tornei-me pai há poucas horas e ainda estou tomado por uma imensa sensação de paz. Não chorei no parto; não fiquei nervoso; só fui sorriso. Não esperava reagir assim, mas acho mesmo que já estava esperando tudo isso. Ser pai me preencheu com tanta força, serenidade e delicadeza que quase nem me reconheço.

A força, eu roubo dos dedinhos dele, que apertam minha mão; a serenidade, eu vejo no soninho leve e contagiante dele; a delicadeza mora nos movimentos suaves dos lábios, quando balbucia historinhas incompreensíveis.

Como será daqui pra frente? Como o mundo vai tratar esse novo passageiro da vida? Eu não sei. Também não quero me preocupar agora com isso. Deixa o mundo girar que eu quero mesmo é velar por esse soninho gostoso.

Se fosse essa noite, escreveria outra mensagem. Talvez mais serena, mais amena. Já mudei bastante desde aquela madrugada. Não é responsabilidade ou o peso da idade. Não é medo, nem coragem. É uma sensação diferente, que me preenche, que me acalma, que me renova. É uma paz imensa, espalhada, inebriante. Só. Nessas duas semanas, a vida mudou bastante. Comi menos, sorri mais. Dormi menos do que o normal, é bem verdade. Mas não foi apenas para amainar algum chorinho sem-causa. Perdi o sono para sonhar com ele crescido, correndo pela praia, chutando a espuma da onda que lambe a areia. Não perdi o sono. Ganhei sonhando acordado.

 

asilo arkham, uma adaptação

Existe um lugar sombrio, tenebroso, assustador. É escuro, úmido e com criaturas repugnantes. Gemidos e gritos histéricos são ouvidos. Nada funciona direito. As paredes parecem ter olhos e ouvidos. E aquilo lá está lotado de gente insana, perdidamente insana.

O Asilo Arkham é assim. Um lugar para não esquecer. E pra gente se arrepiar quando dele se lembrar.

É diferente das pirotecnias cinematográficas que vêm recheando os filmes do Batman. Talvez caiba nesses filmes apenas em parte, apenas como uma referência do depósito de vilões-loucos que alguns queriam transformá-lo. Mas o Asilo Arkham é um pouco o que Conrad escreveu: é o coração das trevas, onde o horror sussurra no seu ouvido, onde você se volta pra trás após sentir um arrepio estranho na espinha.

Os anos 80 e 90 foram realmente gloriosos para os quadrinhos, principalmente por conta de um formato novo para os brasileiros: a graphic novel, que nada mais era do que quadrinhos com temáticas mais adultas, com revisões de personagens, com inovações gráficas e com altíssima voltagem de ação. Um dos melhores títulos a circular no país foi Asilo Arkham, escrito por Grant Morrison e ilustrado por Dave McKean. Aterrador. Quem leu, tremeu ao conhecer esse lugar que é o próprio inferno.

No vídeo abaixo – que vi primeiro no Nota 7 -, há uma adaptação literal, quase quadro-a-quadro do original dos quadrinhos. Sente, veja, ouça e veja para onde os filmes do Batman poderiam caminhar.

seis filmes: comentários muito pessoais

Porque hoje é sábado e porque faz um friozinho preguiçoso, deixo aqui comentários muito pessoais sobre seis filmes que vi nos últimos dias:

O Fim dos Dias
Perdi a vez de assisti-lo no cinema, e até me arrependo agora. O filme de M.Night Shyamalan é envolvente, interessante, inteligente e despretensioso. Na verdade, estava meio arredio depois de ver Sinais e a A Vila, mas o cineasta voltou em grande estilo. É suspense e terror em doses fartas, sem efeitos especiais muito pirotécnicos. É desses filmes que – mesmo após assistir – a gente fica pensando, pensando, pensando… Para quem quer sobreviver.

Kung-Fu Panda
A animação é ótima, divertida e empolgante. A versão do cinema dublada é competente e engraçadíssima. As referências aos filmes de artes marciais estão lá, mas mesmo quem não as identifica assiste com prazer. Fui ver com amigas e meu filho. Saímos da sala dando caratê em todo o mundo. (O joguinho do Play Station também é bem divertido, focado na história, mas tem um porém: é curto). Para quem não tem preconceito com desenhos animados.

Wall-E
Outra animação pra ficar. Imagine 15 minutos de filme sem diálogos, sem gente, num cenário inóspito e você não desgrudando os olhos da tela. Isso acontece. A história de amor entre robozinhos e o futuro da Terra entretém, enternece e diverte. Referências explícitas a E.T. e a 2001 – Uma odisséia no espaço. Para quem não é robô.

Pecados e Tentações
Falou-se muito da estréia de Leila Lopes no cinema pornô. Depois de ver o trabalho, acho que falaram demais. Leila está bonita e charmosa. Mas seu desempenho, digamos assim, fica bem aquém do esperado. Não é uma estrela da arte, o enredo é bobo e só tem três transas, duas com a protagonista. Rita Cadilac e Gretchen vestiram (?) melhor a camisa… Para quem é curioso.

O Amor nos Tempos do Cólera
A adaptação do romance de Gabriel García Márquez para o cinema resultou num filme com duas horas e quarenta minutos. É um épico, mas a gente se envolve, se emociona e se diverte. Fernanda Montenegro faz a mãe do protagonista, vivido na maturidade por Javier Barden. Os dois estão estonteantes na interpretação. As locações são lindas e a trilha sonora mostra, entre outros bons momentos, uma Shakira altamente romântica. Para quem quer se apaixonar.

Antes de partir
Uma amiga minha deu a chave: é um filme que tem tudo para ser piegas e contorna isso muito bem. Pois é. A história de uma amizade entre pacientes terminais reúne Morgan Freeman e Jack Nicholson nos papéis principais. O enredo reserva pequenas e divertidas surpresas, mas o que fica é uma espécie de “lição final”. Aquilo de que a vida é muito mais. Para pessoas sensíveis e duronas.

call centers e a água em marte, por frank maia

aprendendo a cozinhar

Você gosta de cozinhar?
Não tem jeito pra coisa, embora tente?

Seus problemas acabaram!
Há ótimas professoras por aí…

Nigella Lawson é a moça que posou para J.P. Masclet…

A moça abaixo é Padma Lakshmi,

a mesma tecla: sempre!

Este blog não está de férias.
Seu titular está é sem tempo pra respirar.

8 coisas pra se fazer antes de bater com as 10

Sim, é mais um meme,
Quem me convidou foi a Adriamaral.

As regras:

1) Escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de morrer;
2) Convidar 8 parceiros(as) de blogs amigos para responder também;
3) Comentar no blog de quem nos convidou;
4) Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da “intimação”;
5) Mencionar as regras.

Minhas 8 coisas:

1. Voltar a escrever pro prazer;
2. Conhecer os seis continentes;
3. Aprender a tocar trompete como Miles Davis;
4. Queimar umas notas de cem reais de verdade e sem me preocupar;
5. Ler um livro por semana: à minha escolha e todos os demais compromissos aguardando o ponto final;
6. Dirigir de olhos vendados e a 150 km por hora num retão deserto de estrada;
7. Assaltar um banco: não pra roubar, mas por uma questão de enfrentamento político;
8. Arrumar mais um milhão de motivos para não ir…
Passo adiante para:
Dauro Veras, Rogerio Kreidlow, Marcos Palacios, Rodrigo de Fáveri e Robson Souza.

primeiro do segundo

Eu sei. Você pode até reclamar que o ano está voando e que não tem tempo pra mais nada.

Pode até reclamar. O que não pode é estancar o tempo, ou fazê-lo voltar.

Sendo assim, vamos pra frente.

Pra frente porque hoje é o primeiro dia do segundo semestre.

retomando a vida normal (normal?)

Fiquei longe daqui por estar envolvido até o pescoço com a realização da Anpedsul aqui na Univali.

Se você quer mais informações sobre isso? Vá direto ao site do evento.

Posso adiantar que foi um sucesso e um prazer receber os colegas pesquisadores dos três estados da região.

Vamos colocar a vida em ordem agora… ou pelo menos tentar…

Vamos com bom humor.

Frank comenta o fato de o Brasil ser o terceiro país no planeta em novos milionários

na correria (pra variar)

Hoje, eu tô assim…

Fui!