Para combater as big techs e seus abusos

Vocês devem ter visto isso e se não viram, precisam ver!

Foi lançada no Brasil uma plataforma para as pessoas denunciarem anonimamente as big techs e todos os danos que elas produzem e espalham por aqui. A #VazaBigTech é produto da parceria entre a CTRL+ZSleeping Giants Brasil. Até demorou para esse tipo de iniciativa surgir, não é mesmo?

A coisa é inspirada na coragem de pessoas como Julian Assange, Edward Snowden, Frances Haugen e tantos outros, e merece a atenção porque nossos direitos digitais não podem esperar que o Congresso ou o governo federal resolvam regular o setor. Há muitos interesses e lobbies, e a velocidade paquidérmica do Estado não ajuda. Aliás, sobre a CTRL+Z eu comentei aqui nessa matéria da Latam Journalism Review, falando sobre jornalismo e ativismo.

Infelizmente, todos os dias tem notícia ruim nesse setor, mostrando o quanto as poderosas big techs destroem segmentos econômicos inteiros, arrasam mercados, parasitam atividades econômicas, causam danos aos corpos e às mentes das pessoas, e projetam sua nefasta sombra sobre a vida na Terra.

Denunciar seus abusos e ilegalidades, impor limites e imaginar futuros em que essas empresas sejam menos poderosas são tarefas imediatas pra todo o mundo.

As decisões da Meta são incompatíveis com a democracia

A Meta anunciou que não terá mais moderação de conteúdo nos Estados Unidos, e que vai deixar para a “comunidade” decidir o que pode e o que não pode em suas redes sociais.

Depois disso, os barões do Vale do Silício vestiram seus ternos impecáveis para beijar o anel de Donald Trump em sua posse em Washington.

Veremos muito mais danças e contradanças entre o poder financeiro e tecnológico e o poder político nos próximos tempos.

Dei uma entrevista para o jornal da Apufsc para comentar esses temas todos e como eles não combinam com a democracia como construímos nos últimos séculos.

A reportagem pode ser lida na íntegra aqui.

Um estudo brasileiro sobre remuneração do jornalismo

O Comitê Gestor da Internet no Brasil acaba de lançar uma publicação que pode ajudar muito no debate sobre regulação das plataformas digitais e reconhecimento da dívida que elas têm com o jornalismo. Por encomenda da Câmara de Conteúdos e Bens Culturais do CGI, a socióloga e cientista política Marisa Von Bülow elaborou o estudo Remuneração do Jornalismo pelas Plataformas Digitais, listando os modelos internacionais em vigor, revisando a literatura recente da área e entrevistando mais de uma dezena de especialistas e envolvidos na discussão. A pesquisa é bastante esclarecedora, consistente e útil.

A publicação tem 97 páginas, está em PDF e pode ser baixada aqui.