bombando a petição online contra projeto de azeredo

Em três dias, mais de 7,5 mil pessoas assinaram a petição online que pede o veto ao projeto de lei do senador Eduardo Azeredo sobre cibercrimes.

O projeto tem atrocidades que podem penalizar o compartilhamento de arquivos e a própria evolução da internet brasileira. A blogosfera está reagindo à ação. Para saber mais sobre o texto, leia a análise de Sergio Amadeu e a de Raquel Recuero.

uma petição online pede o veto ao projeto de azeredo

Gente conectada é gente articulada!

Além dos emails que lotam as caixas eletrônicas de deputados e senadores; além da blogagem coletiva condenando o projeto; além dos selos e das peças gráficas carimbando um não à proposta retrógrada e míope do senador Eduardo Azeredo, além disso tudo já há na internet uma petição online que pede o veto ao projeto que amordaça a web. Quem avisa é o Caribé!

Se você não quer que a internet brasileira contribua para o avanço do conhecimento, para o compartilhamento de idéias e para uma inteligência coletiva, ASSINE JÁ!

controle da internet e o respeitável senador

Você tem boa memória?

Deve-se lembrar que o respeitável senador Eduardo Azeredo, este que quer penalizar a web brasileira, é aquele mesmo que estava envolvido no escândalo do Mensalão em Minas, ligado ao conhecido Marcos Valério e tal…

Foi só pra lembrar…

em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na internet brasileira

A carta aberta, abaixo reproduzida, foi escrita por Sérgio Amadeu e André Lemos e está circulando para angariar adesões de professores e pesquisadores. Quem estiver de acordo e quiser assiná-la basta mandar um ok com o nome e a instituição para samadeu@gmail.com.
O projeto está previsto para ser votado em 9 de Julho. Se aprovado no Senado, representará um enorme retrocesso para a pesquisa e produção de conhecimento. De acordo com uma analogia feita por Marcos Palacios, “se esse projeto vigorasse nos prédios brasileiros, os porteiros teriam de gravar toda movimentação dos moradores, diariamente, guardar esse relatório por 3 anos e reportar essa movimentação para a polícia, sob pena de multa e prisão pelo não cumprimento”.

EM DEFESA DA LIBERDADE E DO PROGRESSO DO CONHECIMENTO NA INTERNET BRASILEIRA

A Internet ampliou de forma inédita a comunicação humana, permitindo um avanço planetário na maneira de produzir, distribuir e consumir conhecimento, seja ele escrito, imagético ou sonoro. Construída colaborativamente, a rede é uma das maiores expressões da diversidade cultural e da criatividade social do século XX. Descentralizada, a Internet baseia-se na interatividade e na possibilidade de todos tornarem-se produtores e não apenas consumidores de informação, como impera ainda na era das mídias de massa. Na Internet, a liberdade de criação de conteúdos alimenta, e é alimentada, pela liberdade de criação de novos formatos midiáticos, de novos programas, de novas tecnologias, de novas redes sociais. A liberdade é a base da criação do conhecimento. E ela está na base do desenvolvimento e da sobrevivência da Internet.

A Internet é uma rede de redes, sempre em construção e coletiva. Ela é o palco de uma nova cultura humanista que coloca, pela primeira vez, a humanidade perante ela mesma ao oferecer oportunidades reais de comunicação entre os povos. E não falamos do futuro. Estamos falando do presente. Uma realidade com desigualdades regionais, mas planetária em seu crescimento. O uso dos computadores e das redes são hoje incontornáveis, oferecendo oportunidades de trabalho, de educação e de lazer a milhares de brasileiros. Vejam o impacto das redes sociais, dos software livres, do e-mail, da Web, dos fóruns de discussão, dos telefones celulares cada vez mais integrados à Internet. O que vemos na rede é, efetivamente, troca, colaboração, sociabilidade, produção de informação, ebulição cultural.

A Internet requalificou as práticas colaborativas, reunificou as artes e as ciências, superando uma divisão erguida no mundo mecânico da era industrial. A Internet representa, ainda que sempre em potência, a mais nova expressão da liberdade humana. E nós brasileiros sabemos muito bem disso. A Internet oferece uma oportunidade ímpar a países periféricos e emergentes na nova sociedade da informação. Mesmo com todas as desigualdades sociais, nós, brasileiros, somo usuários criativos e expressivos na rede. Basta ver os números (IBOPE/NetRatikng): somos mais de 22 milhões de usuários, em crescimento a cada mês; somos os usuários que mais ficam on-line no mundo: mais de 22h em média por mês. E notem que as categorias que mais crescem são, justamente, “Educação e Carreira”, ou seja, acesso à sites educacionais e profissionais. Devemos assim, estimular o uso e a democratização da Internet no Brasil.

Necessitamos fazer crescer a rede, e não travá-la. Precisamos dar acesso a todos os brasileiros e estimulá-los a produzir conhecimento, cultura, e com isso poder melhorar suas condições de existência. Um projeto de Lei do Senado brasileiro quer bloquear as práticas criativas e atacar a Internet, enrijecendo todas as convenções do direito autoral.

O Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P, quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto Substitutivo do Senador Azeredo seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, de um dia para outro, em criminosos. Dezenas de atividades criativas serão consideradas criminosas pelo artigo 285-B do projeto em questão. Esse projeto é uma séria ameaça à diversidade da rede, às possibilidades recombinantes, além de instaurar o medo e a vigilância. Se, como diz o projeto de lei, é crime “obter ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular, quando exigida”, não podemos mais fazer nada na rede. O simples ato de acessar um site já seria um crime por “cópia sem pedir autorização” na memória “viva” (RAM) temporária do computador. Deveríamos considerar todos os browsers ilegais por criarem caches de páginas sem pedir autorização, e sem mesmo avisar aos mais comum dos usuários que eles estão copiando. Citar um trecho de uma matéria de um jornal ou outra publicação on-line em um blog, também seria crime.

O projeto, se aprovado, colocaria a prática do “blogging” na ilegalidade, bem como as máquinas de busca, já que elas copiam trechos de sites e blogs sem pedir autorização de ninguém! Se formos aplicar uma lei como essa as universidades, teríamos que considerar a ciência como uma atividade criminosa já que ela progride ao “transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado”, “sem pedir a autorização dos autores” (citamos, mas não pedimos autorização aos autores para citá-los). Se levarmos o projeto de lei a sério, devemos nos perguntar como poderíamos pensar, criar e difundir conhecimento sem sermos criminosos.

O conhecimento só se dá de forma coletiva e compartilhada. Todo conhecimento se produz coletivamente: estimulado pelos livros que lemos, pelas palestras que assistimos, pelas idéias que nos foram dadas por nossos professores e amigos… Como podemos criar algo que não tenha, de uma forma ou de outra, surgido ou sido transferido por algum “dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular”? Defendemos a liberdade, a inteligência e a troca livre e responsável. Não defendemos o plágio, a cópia indevida ou o roubo de obras. Defendemos a necessidade de garantir a liberdade de troca, o crescimento da criatividade e a expansão do conhecimento no Brasil. Experiências com Software Livres e Creative Commons já demonstraram que isso é possível. Devemos estimular a colaboração e enriquecimento cultural, não o plágio, o roubo e a cópia improdutiva e estagnante. E a Internet é um importante instrumento nesse sentido. Mas esse projeto coloca tudo no mesmo saco. Uso criativo, com respeito ao outro, passa, na Internet, a ser considerado crime.

Projetos como esses prestam um desserviço à sociedade e à cultura brasileiras, travam o desenvolvimento humano e colocam o país definitivamente para debaixo do tapete da história da sociedade da informação no século XXI. Por estas razões nós, abaixo assinados, pesquisadores e professores universitários apelamos aos congressistas brasileiros que rejeitem o projeto Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo ao projeto de Lei da Câmara 89/2003, e Projetos de Lei do Senado n. 137/2000, e n. 76/2000, pois atenta contra a liberdade, a criatividade, a privacidade e a disseminação de conhecimento na Internet brasileira.

André Lemos, Prof. Associado da Faculdade de Comunicação da UFBA, Pesquisador 1 do CNPq.

Sérgio Amadeu da Silveira, Prof. do Mestrado da Faculdade Cásper Líbero, ativista do software livre.

justiça implica com blog

Pedro Doria conta que um banner em seu blog motivou intimação da Justiça a um político.

Traduzindo:

A Justiça não quer propaganda eleitoral na web.

O Pedro Doria expressou sua preferência política num banner em seu próprio blog.

O blog dele não recebeu dinheiro para isso.

O político em questão é o Fernando Gabeira, que é um dos primeiros candidatos à prefeitura do Rio.

A Justiça não gostou. Acha que foi propaganda fora de hora. Implicou com o Gabeira.

Doria está irritadíssimo e denuncia a censura.

O que eu acho disso?

A Justiça vai na contramão dos acontecimentos. Decretos não vão conter a internet, a blogosfera ou coisas do tipo. A medida pode ser encarada como censura à opinião política, um direito previsto constitucionalmente. Acho que vamos ver e ouvir mais casos desse nos próximos meses. Infelizmente.

Não voto no Rio. Não poderia manifestar meu voto no Gabeira, embora simpatize com ele. Mas será que a Justiça vai me censurar também por comentar a censura ao blog do Pedro Doria???

2 links apressados: voltarei a isso

Porque é noite de feriado, e a semana será curta para tanta coisa.

Porque tenho um capítulo de livro para concluir e entregar amanhã.

Porque amanhã cedo tenho banca de uma das minhas orientandas do mestrado e ainda preciso me preparar.

Porque ainda costuro um projeto para mandar ao CNPq até depois de amanhã.

Só por isso, indico dois links que – à primeira vista – me parecem altamente relevantes, embora eu ainda não tenha mergulhado neles. Mas o farei…

1. The impact of the media on children and young people with a particular focus on computer games and the internet. Estudo liderado pelo renomado David Buckingham, do Instituto de Educação da University of London. Foi concluído em dezembro do ano passado e só agora está liberado na web. Em inglês, formato PDF e com 77 páginas.

2. Relatório Vigilância e Defesa da Liberdade de Imprensa na América Latina e Caribe. Documento em inglês ou espanhol, elaborado pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas e o Programa de Mídia do Open Society Institute (OSI) reunindo dados de quase 50 organizações dedicadas ao monitoramento e defesa da liberdade de imprensa nessas regiões. Em PDF, 46 páginas.

 

vão bloquear o wordpress no brasil?

Robson Souza repassa a informação, dada pelo G1:

“Uma ordem judicial expedida no final de março pode resultar no bloqueio do acesso no Brasil a todos os blogs hospedados no portal wordpress.com. A ordem tem como objetivo proibir o acesso a um blog. Mas, segundo a Associação Brasileira de Provedores de Internet (Abranet), para que a decisão judicial seja cumprida, os provedores de terão de barrar o acesso a todos os sites oferecidos pelo serviço”.

Leia a matéria na íntegra do portal de notícias da Globo: 
Eu duvido que isso vá pra frente… já dá até pra imaginar a reação da blogosfera…

estratégia da universal começa a fracassar (2)

Como já escrevi há um mês, a avalanche de processos em tribunais de pequenas causas contra jornais brasileiros, orquestrada pela Igreja Universal do Reino de Deus, já dá claros sinais de que está fazendo água. 

A medida – negada de pé junto pela IURD – é intimidar jornalistas e meios que publicam matérias sobre o crescimento da igreja e as formas de acumulação de seu patrimônio.

Segundo o Portal Imprensa, a Folha de S.Paulo já derrotou ao menos vinte ações movidas por fiéis que se ofenderam com as reportagens de Elvirato Lobato sobre os negócios da igreja.

Aliás, a matéria de capa da Revista Imprensa deste mês trata justamente deste assunto.
A chamada: FÉ CEGA, FACA AMOLADA.

desplugaram paulo henrique

A notícia não é nova. É de quatro dias atrás. O IG tirou o blog de Paulo Henrique Amorim do ar, sem avisar o leitor, sem comunicar ao autor. André Deak faz um apanhado da história, com base no Renato Rovai.

Não é a primeira vez que isso acontece: desplugarem jornalista. Nem ao menos com Paulo Henrique, que já foi escanteado pelo UOL uma vez. Assim como o próprio Observatório da Imprensa, de Alberto Dines, Luiz Egypto e tantos mais.

Outros exemplos poderiam vir à tona para mostrar que jornalistas e seus comentários podem se tornar muito incômodos (e até insuportáveis) em blogs que alcançam altos contingentes de leitores e constrangem empresas e governos. Essa zona de tensão faz parte do próprio DNA do jornalismo, qualquer que seja a sua plataforma de difusão.

Paulo Henrique, no caso mais recente, menciona algo, meio em tom de resignação, meio na forma de desdenho: grandes blogs, blogs influentes no terreno da política não se penduram em portais. Era o caso dele. É o caso de outros, como o do Fernando Rodrigues, do Jozias de Souza, de William Waack para citar só alguns dos mais proeminentes. Na verdade, na verdade, não são blogs, conforme já bem diferenciou Marcos Palacios: são colunas eletrônicas, que se limitam a oferecer links apenas para sites e blogs do mesmo portal, que reforçam uma chamada “endogenia explícita” em detrimento da heterogeneidade inerente à web.

Ricardo Noblat fez o caminho contrário. Iniciou independente, depois foi para Estadão, Globo…

O caso Paulo Henrique não será o último capítulo tenso entre formadores de opinião e grandes portais com grandes interesses. Talvez o episódio até recheie a seção que cabe ao Brasil por violações a direitos de expressão no relatório anual dos Repórteres Sem Fronteiras. Talvez Paulo Henrique seja nominado como um ciberdissidente por lá… O fato é que – ao menos para mim – este caso nos lembra em alto e bom som a dinâmica tensa, delicada, perigosa e às vezes insustentável que o jornalismo tem com os poderes financeiro e político.

efeito universal na força sindical

Se a Igreja Universal ficou ofendida com as reportagens da Folha de S.Paulo, agora é a vez do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, que ameaça uma enxurrada de processos contra o jornal. Tudo porque a Folha trouxe matérias sobre repasses do Ministério do Trabalho à central sindical.

Se você não está entendendo, lembre-se que o ministro do Trabalho Carlos Lupi é presidente do PDT, mesmo partido de Paulinho da Força.

E se você não se lembra, recordo que o mesmo ministro foi pressionado a deixar o cargo pela Comissão de Ética do governo federal, já que era complicadíssimo manter-se presidente de um partido e ministro de estado. Deu no que deu. Ele não saiu da pasta, caiu o presidente da comissão de Ética – Marcílio Marques Moreira -, houve repasse de dim-dim par entidade de Paulinho e Paulinho, bravinho, ameaça vir com mil, dois mil processos pra cima da Folha.

Leia matéria aqui: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u379159.shtml

A Fenaj reagiu contra a ofensiva da Universal. A Fenaj é filiada à Central Única dos Trabalhadores, que rivaliza com a Força Sindical no campo da representação classista no país. Meu bom senso me faz supor que a Fenaj vai bater na Força, agora. Será?

contra a censura na internet

A Unesco e os Repórteres Sem Fronteiras promovem no próximo dia 12 de março o primeiro Dia Internacional da Liberdade de Expressão Online. A idéia lançada é de que os internautas do mundo todo protestem por 24 horas contra os países considerados “inimigos da internet”, já que são eles quem constrangem, perseguem e oprimem jornalistas, blogueiros e demais usuários.

De acordo com os Repórteres Sem Fronteiras, existem hoje 63 pessoas consideradas ciberdissidentes, que estão atrás das grades.

Para a ONG, os países “inimigos da internet” são a Birmânia, China, Coréia do Norte, Cuba, Egito, Eritréia, Tunísia, Turcomenistão e Vietnã.

estratégia da universal começa a fracassar

No começo, era uma grande idéia. Exortar os fiéis a entrarem com ações em juizados especiais contra uma jornalista que pratica o preconceito religioso em suas matérias. E melhor: fazer isso pelo país todo, de forma a impedir que a ré possa estar em mais de uma audiência ao mesmo tempo. Com isso, alguns processos seriam julgados à revelia, e a jornalista ficaria intimidada. Deixaria de escrever besteiras e tal.

Pois essa foi a estratégia montada pela Igreja Universal do Reino de Deus em reação a reportagens que a repórter Elvira Lobato vinha publicando desde o ano passado na Folha de S.Paulo (para entender, clique aqui).

Nesta semana, alguns movimentos no tabuleiro contribuíram para a estratégia começar a fazer água. Primeiro, a suspensão de 22 dispositivos da Lei de Imprensa pelo STF; e segundo, a derrota de algumas ações judiciais impetradas por fiéis.

Por partes.

A decisão – provisória! – do STF não atinge diretamente a ofensiva da Universal contra a Folha, A Tarde e o Extra. Não atinge porque o rebanho de Edir Macedo entrou com ações que têm como base não a Lei de Imprensa, mas os Códigos Civil e Penal. Logo, com o canetaço do STF, as ações não foram arquivadas. No entanto, o golpe é indireto: a liminar do STF chama a atenção da sociedade para a mídia, e mais simbolicamente para a liberdade de imprensa. Veja o que alegou o ministro do STF, Carlos Ayres Britto, que assinou o despacho: “A imprensa e a democracia são irmãs siamesas. Por isso que, em nosso país, a liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade porquanto o que quer que seja pode ser dito por quem quer que seja”. O que quero dizer é que o lance do STF ressalta a importância e o papel social que podem desempenhar os meios de comunicação na democracia. (O Estadão preparou um material bem didático sobre o que está sendo discutido com a Lei de Imprensa: http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac129051,0.htm Aproveite e leia a matéria de hoje, aberta parcialmente para não-assinantes: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080224/not_imp129579,0.php)

Por outro lado, esses dias, mais duas ações de fiéis contra a Folha caíram por terra. Uma no Acre e outra no Paraná. E ambas foram rejeitadas por um argumento muito semelhante que pode ajudar a derrubar todas as demais ações: os fiéis que moveram as ações não têm legitimidade nelas. A matéria de Elvira Lobato não ofendeu os fiéis, mas se concentrou na forma como a Universal vem construindo seu imenso patrimônio e influência política. Trocando em miúdos: os fiéis se queixam de algo que não aconteceu, logo a ação mingua… A jurisprudência está aí. Basta que outros juízes que não caem no joguinho universal sigam o que manda a lei. (Para se ter uma idéia, cerca de 60 ações foram ajuizadas pelo rebanho de Macedo em todo o país).

Na semana passada, os meios de comunicação ligados à Universal (Portal Arca Universal e Rede Record, por exemplo) alardearam declaração do presidente Lula que surtiu como uma defesa da igreja: “As pessoas escrevem o que querem, depois ouvem o que não querem”. Nenhuma novidade nisso: só é preciso lembrar que o vice de Lula, José Alencar, deixou o PL para entrar no Partido Republicano Brasileiro. Adivinhe de quem é o partido? Da Universal.

O que vem a seguir?

1. A Universal vai perder mais ações nas próximas semanas.

2. Outras ações devem ser impetradas, agora com nova sustentação, tentando dar nova força à ofensiva.

3. Folha de S.Paulo e os demais réus vão dar uma tripudiada com suas vitórias parciais.

4. No Congresso Nacional, o PDT vai capitalizar forças para derrubar de vez a Lei de Imprensa.

5. Se o PRB for esperto, vai ser aliado de Miro Teixeira. (Com isso, traz o PDT na sua cruzada…)

6. O PT – paquidérmico e ruim de trato com a mídia – vai ficar olhando a coisa e coçando o queixo.

liberdade de expressão: brasil

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A Artigo 19, uma ONG que sustenta uma campanha mundial pela livre expressão, acaba de emitir um parecer de 13 páginas sobre a liberdade de expressão no Brasil. Você pega o arquivo em PDF aqui.

As conclusões? Deixa de ser preguiçoso e vai ler…

rctv, a novela continua…

Da Venezuela, Andrés Cañizales e seu Infocracia, da Universidade Andrés Bello, comenta que se fecha um ciclo.

ainda o caso RCTV

No Observatório da Imprensa, atualizado hoje, há vários textos sobre o fechamento da RCTV, na Venezuela. Destaco o de Muniz Sodré sobre O Nome do Jogo em Caracas

Na Venezuela, o diretório de blogs to2blogs destaca em Los Blogueros Opinan o que dizem alguns dos diários daquele país

observatórios ignoram caso RCTV

Vasculhei alguns dos observatórios de meios da América Latina e percebi que quase todos estão ignorando solenemente o caso da RCTV na Venezuela.

Passei pelo Observatório Fucatel do Chile, e nada. Pelo Observatorio Ciudadano de la Comunicación, do Equador, e nada; fui até o Foro de Periodismo Argentino e o Observatório da Union de los Trabajadores de Prensa de Buenos Aires (UTPBA) e nada também.

Na Colômbia, há sinais: o blog do Observatorio Independiente de los Medios trouxe em seu blog um breve post com vídeo para o YouTube. No Medios de La Paz, não há nada, embora figure logo no início da página a chamada para o Seminário Internacional Libertad de Prensa: herramientas y estratégias, que acontece amanhã e quinta, dias 30 e 31 de maio.

Victor Solano, em seu blog Comunicación?, traz um post com links para os últimos minutos da RCTV

No Brasil, o Observatório da Imprensa veio à carga contra a ação de fechamento do canal por Hugo Chávez.

Perturbador, foi perceber que no Observatorio Global de los Medios, capítulo Venezuela, nada havia sobre o assunto. Ao invés disso, hoje pela manhã, a entidade distribuía links para um longo estudo sobre o comportamento da imprensa local nas eleições de 2006.

Não entendi, confesso…

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o caso da rctv

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Nunca fui à Venezuela.

Nunca votei em Chávez.

Nunca assisti à RCTV.

Mas sou contra o seu fechamento.

Acho que as outorgas e concessões de rádio e TV não são e não podem ser eternas. Mas daí a fechar o canal porque ele está criticando o presidente é muita distância…

Coisa de ditadorzinho de quinta.

Os Repórteres Sem Fronteiras chamaram uma mobilização internacional contra a truculência de Chávez. Veja.

Enquanto aqui, a Fenaj publica um texto de um professor da UFSC dando razões ao venezuelano.