os vingadores vêm aí; tintin também

Já faz tempo que a indústria dos quadrinhos não vive apenas da venda de gibis. Na verdade, em termos globais, o que anda segurando a onda das grandes editoras são mesmo as produções de séries televisivas, licenciamento de produtos e filmes para cinema. Enquanto a DC vem com Batman, Superman e Lanterna Verde, a Marvel ataca de X-Men, Homem-Aranha, Capitão América, Thor, Hulk, Homem de Ferro e… Os Vingadores!

Mas não são apenas os super-heróis que brilham na tela grande. Personagens menos poderosos, mas também cativantes desembarcam nos cinemas, como será o caso de Tintin, do belga Hergé.

Grandes produções, elencos estrelados, diretores de grife, super efeitos especiais… tudo isso não cabe mesmo nas páginas de revistas em quadrinhos… o cinema atualiza a nona arte. Por que não?

a morte de leon cakoff

Não sei nada de cinema. Gosto de cinema, adoro.
Muita gente se aventura a posar de crítico, a opinar, a tecer grandes raciocínios. Existe ainda quem faça cinema, que produza filmes e tal. E há ainda quem faça cinema fora do cinema. Leon Cakoff, que morreu nesta tarde, é um desses casos. Para além de seu trabalho de analista de filmes e de produtor/agitador cultural, Cakoff criou a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que literalmente mudou o panorama de exibição de uma das maiores cidades do mundo. Ele alterou os hábitos de consumo de camadas e camadas de espectadores. Mostrou olhares diversos do mundo plural que temos para além das fronteiras. Parece pouco, mas quem tira as vendas dos nossos olhos, reinventa um universo.
Vai fazer falta.

uma música, um piano, uma animação

É possível que já tenha ouvido esse tema.
Está na novela das sete na Globo. Originalmente, ele vem do filme “O fabuloso destino de Amélie Poulain”, e o tema musical é assinado por Yan Thiersen: Comptine d’un autre été l’après midi (algo como Rima de uma outra tarde de verão).
O filme é lindo, a música também, e a animação… bem, confira.

e por falar em tuiuti, tem vaga por lá!

A nova coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da UTP, Claudia Quadros, avisa que há uma vaga para docente na linha de pesquisa Estudos do Cinema.

O candidato deve ter a titulação mínima de doutor e pesquisar cinema. O candidato aprovado atuará com pesquisa e docência no referido programa e na graduação do curso de Comunicação, por esse motivo precisa residir em Curitiba. Interessados devem enviar currículos para a secretária do programa: maria.costa@utp.br

“a origem” desestabiliza quem o assiste

O filme mais comentado do momento tem um bom punhado de razões para sê-lo. “A origem”, de Christopher Nolan, é mesmo impactante. Não apenas pelos impressionantes efeitos visuais e sonoros, mas pela rocambólica trama e pelo ritmo eletrizante. Assim, o filme que reúne Leonardo DiCaprio, Ken Watanabe e Ellen Page no elenco – com participação luxuosa de Michael Caine – verdadeiramente tira o espectador de sua zona de conforto para envolvê-lo numa sucessão de jogos mentais e pensamentos frenéticos.

Não é exagero dizer que o “A origem” desestabiliza o espectador e o faz pensar, o que nem sempre é exigido no cinema. Tanto nas explicações oferecidas pelos personagens sobre o plano – entrar nos sonhos de um megaempresário e enxertar uma ideia na sua mente – quanto na história de fundo do personagem de DiCaprio. Não é um filme digestivo. Diversos elementos se encadeiam numa complexa estrutura narrativa. É um filme de jornada, dessas em que os personagens atravessam o inferno para cumprir uma missão e se transformam no meio dela. O que sobra, no final, são personagens-outros, redimensionados.

Christopher Nolan junta um punhado de ideias poderosas e de símbolos recorrentes: Convencer, mudar a opinião de alguém. Transformar a mente. Mudar os sonhos para modificar a realidade. A estrutura arquitetônica como um reflexo da estrutura da mente. Labirintos mentais. Labirintos físicos. Sofrer na vida real e despertar do pesadelo. Níveis de consciência. Um sonho dentro de um sonho, dentro de outro e de outro. Labirintos e espirais. Paradoxos e dúvidas. Embaçamento das fronteiras entre o real e o ilusório. O inconsciente como um cofre. Ariadne, a jovem arquiteta onírica, sendo o fio que conecta todos à realidade, como na mitologia que a coloca num labirinto.

Enfim, “A origem” mexe com a gente. Fica-se incomodado com a sensação claustrofóbica de estar mergulhado nos sonhos. Como se houvesse um efeito babuska, a boneca russa que tem dentro de si bonecas menores. Camadas de uma cebola. Níveis, estruturas interdependentes.

Do ponto de vista moral, o filme embaralha nossos valores. Torcemos para uma gangue de criminosos. Eles querem invadir a mente de um empresário por um propósito meramente comercial, claramente antiético. A gangue é empregada por um outro empresário que quer simplesmente anular seu concorrente, impedir que este cresça e se torne um rival impossível de ser controlado. Aliás, essa ideia – a de controle – perpassa todo o filme. Todos querem ter controle de seus sonhos, de suas vidas, de suas memórias, dos negócios, das estruturas de uma cidade, do tempo, dos níveis de consciência. Taí uma angústia que sustenta nossa existência: estar no controle das coisas e de si.

Claro, “A origem” é um filme, não passa disso. Não se trata de uma proposta de vida, uma visão alternativa dela. Mas de alguma maneira encarna uma obsessão humana, um sonho. Um sonho? Será? Já se beliscou pra ver se é mesmo?

príncipe da pérsia vale a pena

A aventura que chegou hoje às telas de cinema brasileiras é uma daquelas produções que exalam os aromas do sucesso. “Príncipe da Pérsia – As areias do tempo” desembarca montado não num resistente camelo ou num rangedor cavalo do deserto, mas num conjunto de estratégias comerciais que surpreenderia tanto quanto uma tempestade no deserto. O filme da Disney chega em versões dublada e legendada, em dezenas de salas e acompanhada de promoções na internet (numa delas o prêmio é uma viagem a Marrocos) e em canais pagos (na ESPN Brasil, por exemplo, vinculou-se belos gols com a magia da história).

Mas para além disso, o filme é uma produção muito bem acabada. A trilha sonora é adequada, as locações bem escolhidas, o elenco convence, os efeitos visuais são deslumbrantes. A versão dublada é caprichosa, como é uma tradição da Disney por aqui. Há atores com A maiúsculo, como Ben Kingsley e Alfred Molina, amparados por bons diálogos e personagens marcantes. Jake Gyllenhall está bem como o personagem título, e Gemma Artenton lembra uma Monica Belucci mais jovem, com rosto levemente mais forte. Um conselho: não olhe diretamente para os olhos dela. Você vai ficar paralisado.

Se você já enfrentou o game que deu origem ao filme, vá igualmente avisado. Não é a mesma trama, mas uma variante. Não temos a princesa Farrah, mas Tamina. Não temos zumbis com cimitarras, mas assassinos implacáveis, hordas enlouquecidas, víboras que saltam. Mas temos alguns elementos que se repetem: traição, um vilão ganancioso, a tensão permanente entre ser predestinado ou fazer seu próprio destino. Há romance, aventura, adrenalina, e a adaga do tempo, peça-chave no game. Como nos consoles, o Príncipe é um ótimo saltador e maneja com muita habilidade a espada. No cinema, ele é mais bem-humorado que no joystick.

O beijo demora pra sair. O desfecho do filme segue as trilhas do game, mas essa previsibilidade não detona a diversão. Ela é garantida. E vale pra família toda. Aqui em casa, mesmo quem não ficou hipnotizado com o controle na mão gostou. Então, vale a pena. Até pelas pequenas ironias que escapam da tela, como finos grãos de areia. A que mais gostei foi a história da guerra motivada por uma denúncia falsa de fabricação e tráfico de armas. Pérsia, Iraque, tanto faz…Definitivamente, os roteiristas não dormem de toca.

cinema paraíso

Um velho projecionista. Um garoto fascinado pela luz. Uma paixão em comum e uma amizade infinita. A cidade é minúscula e temos a vida inteira pela frente. “Cinema Paradiso” é desses filmes que fazem os espectadores se desmancharem em lágrimas, com um sorriso tímido no final.

Philippe Noiret dá uma aula de atuação. Sem exagero, Enio Morricone compôs uma das canções mais inesquecíveis do cinema. Mas pouco se comenta de uma letra que Dulce Pontes fez para o tema. Veja o belo poema…

Era uma vez
Um rasgo de magia
Dança de sombra e de luz
De sonho e fantasia
Num ritual que me seduz
Cinema que me dás tanta alegria

Deixa a música
Crescer nesta cadência
Na tela do meu coração
Voltar a ser criança
E assim esquecer a solidão
Os olhos a brilhar
Numa sala escura

Voa a 24 imagens por segundo
Meu comovido coração
Aprendeu a voar
Neste Cinema Paraíso
Que eu trago no olhar
E também no sorriso


Ouça agora o resultado, mas não se reprima: está escuro no cinema e ninguém vai ver você chorando…

a brisa do coração

Um velho jornalista que não quer confusão. Um jovem impetuoso que não tolera a censura e a perseguição política. Um regime duro e intolerante. Uma canção inesquecível: “A brisa do coração”. É um emocionante Marcello Mastroiani no cinema; é um soberbo Enio Morricone nos arranjos; é a tocante Dulce Pontes na canção-tema…

“According to Pereira”, com direção de Roberto Faenza, é de 1995, e circulou pouco por aqui sob o título de “Páginas da revolução”. É um filme pra chorar e pra sonhar. Mesmo depois de quinze anos… Assista à canção…

aniversariantes

Para brindar os nativos deste dia, lembro dois ilustres aniversariantes. Primeiro, Diana Krall que parece modelo, americana, cantora pop; mas é loura-com-voz-de-negra, pianista, jazzista e canadense. Depois, José Saramago, que aos 87 não para de martelar o seu teclado e a inspirar quem segue as suas linhas.


Diana Krall canta a clássica The Look of Love, em um envolvente arranjo com orquestra.


José Saramago se emociona ao final da versão cinematográfica de Ensaio sobre a Cegueira.